sábado, 29 de novembro de 2008

587 RESPOSTA AO LANCEIRO.


António Dâmaso
Sargº.Môr Paraquedista Guiné
Odemira


CUFAR 1 DE JAN73
Obrigado José Lanceiro pela foto alusiva à data.
Nesse dia a minha companhia estava sediada em CADIQUE NALÚ e não tomou parte em nenhuma operação Heli-transportada, tomámos parte em patrulhamentos a " penantes"na zona do Cantanhês.
Tratou-se da CCP122 do Cap Terras Marques que nesse dia na zona de BEDANDA, capturou uma rampa de lançamento de foguetões 122.
Tenho ideia de ter feito uma operação Heli-transportada na mesma zona, levávamos um repórter de uma revista, no dia seguinte quando fomos recuperados, começaram a chover morteiradas na zona, o meu pelotão era o último a ser recuperado ainda entrei para o Heli, mas ficou uma equipa em terra, tivemos de voltar para trás com o Heli-canhão para os recuperar.
Saudações Aeronáuticas.
Dâmaso

586 ENCONTRO DO AB 6 ALCOBAÇA.


Pedro Garcia

Esp.OPC 3ª/69 Angola
Baixa da Banheira





Amigo Victor aqui vão duas fotos do encontro do pessoal do AB6, Nova Freixo, Moçambique realizado na zona de Alcobaça.
Na primeira quatro elementos da 3ª./69, Simões,OPC, Batista, MMT, Palacim e eu.
Três prováveis participantes no próximo encontro da nossa recruta.
Na segunda sai o Simões e entra o Sousa.
Eu e o Sousa fomos ao encontro, propositadamente, para revermos dois companheiros do nosso curso de OPC's.


Um abraço.

Garcia

585 O ZÉ DE 1972 QUE PROCURA "FAMILIARES"-

Carlos Matias
Esp.MMA 1ª/72



Caros especiais, É a 1ª vez que estou em contacto com vocês, pois pensava que este blog era só para a malta que esteve na Guiné, gostava de saber noticias do pessoal que está na foto referente à 1ª/72, 2ª secção , 2ª esquadrilha, e mandarem-me se possível a mesma foto mas ampliada, para poder identificar bem os artistas , ( está lá o saudoso Evangelista ( o algarvio), o Fivelas, que era mais fino que um fio, etc, etc Um grande abraço Matias, MMA 239/72 (Ota , Alverca, Angola, Sintra ) , forçaram-ma a sair no principio de Dez. 1975. é uma historia muito longa.




Foto da recruta 1ª/72, 2ªsecção,2ª Esquadrilha.
VB.Matias,é com uma grande vénia que te abrimos as portas desta casa para te juntares a nós.Sobre a foto que nos falas,e que publicamos,na realidade não é muito legível,mas não conseguimos melhor.
Agora vamos aguardar a tua entrada na Tertúlia "Linha da Frente",bastando para tal o envio das tuas fotos (duas)civil e militar,bem como o teu contacto postal e telf.,e as tuas histórias da vida militar.
Até um grande abraço.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

584 ACIDENTE COM O AVIÃO DO LOGOTIPO.



António Dâmaso
Sargº.Mor Paraquedista Guiné
Odemira













Boa tarde Victor.
Tenho estado atento ao que tem sido dito sobre o assunto em questão e na minha modesta opinião, mesmo não sendo da especialidade, permitam-me que diga que se tratou de um lamentável acidente.
Sobre acidentes, sempre me foi ensinado que o material tem sempre razão, na velha máxima de prevenção aos acidentes.
Como é sabido, na tropa daquele tempo haviam muitos acidentes com armas de fogo, foi-me ensinado e eu ensinei a muitos outros o cuidado de nunca ter a arma apontada para pessoas,de preferência para o ar ou para outro lado que não oferecesse perigo quando se manuseavam amas de fogo,apesar disso sempre aconteciam alguns acidentes.
Também se dizia que todo o cuidado era pouco porque o diabo tinha disparado com uma tranca de pau.
Se alguma alusão for feita, mais ma vez digo na minha modesta opinião, esta deverá ser feita no sentido de alertar para se respeitar o material e as normas de segurança.Por exemplo: Este avião sugou um companheiro nosso, não permitam que volte a acontecer com outros aviões, observem todas as normas de segurança.
Saudações Aeronáuticas
Dâmaso

VB.Olá Dâmaso.
Embora a situação já esteja definida,não queremos deixar de registar a tua sempre útil opinião,que não é nem menos do que ficou decidido.
Obrigado.

583 A DEVIDA RECTIFICAÇÃO.

Luís Martins
Esp. Rádio 3ª/72 Guiné
Ferreira do Alentejo




Caro amigo Victor.
Na mensagem registada com o n.º 573, no encontro de especialistas, a minha mensagem falhou, mas prontamente fui informado pelo ex-especialista MMA Arnaldo Sousa, para corrigir a falha.
Assim na dita fotografia, da esquerda para a direita, Brás (MMA), Francisco (MARME), Rodrigues (CAP. PILAV), Adelino Sousa (MMA) e Luis Martins (M/RADIO).
Assim é que está correcto.
Volto a escrever.


Da esqª/dirª Brás,Francisco,Rodrigues,Adelino Sousa e Luís Martins

Um abraço.
Luís Martins

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

582 JOAQUIM DE OLIVEIRA ALMEIDA CASTRO,MMA,A VITÍMA.


Carlos Alves
Esp.MMA 2ª/70 Tete


Alvaiázere




Boa noite Victor.
Custou mas finalmente voltei com a missão creio cumprida .
Depois de bater a tantas portas la consegui o nome que procurava.
Já agora deixo aqui e caso alguma vez seja necessário a forma de encontrar um assunto do género.
Arquivo Histórico da FAP telf.214 723 514 ou de pref. através do mail arquivohistorico@emfa.pt Aproveito também para te dizer que fui muito bem atendido por todos a quem me dirigi a solicitar ajuda, tanto em Monte Real ,como em Lisboa nas diversas dependências.





Ordem Aeronáutica que publica o óbito do nosso companheiro Castro.

Um abraço,até breve
Carlos Alves

VB. Carlos,esta tua persistência demonstra bem a nossa união.Nunca me canso de a por em evidência porque ela foi,é e vai continuar a ser, uma grande realidade na comunidade FAP.
A prová-lo está a tua evidência ao Arquivo Histórico da FAP,eu pessoalmente,já tive a oportunidade de testar essas qualidades destes continuadores do nosso espírito.

581-A DIFÍCIL TRANSFERÊNCIA DO ÓDIO.





Manuel Bastos
Fur.Mil. Op.Esp.Exército Guiné (Guiné)


Coimbra










Éramos umas crianças. – Disse José da Fonte.Os soldados são sempre crianças, Bastos, ainda se ao menos os que nos comandavam fossem homens, mas eram crianças como nós. E os que eram homens não iam para o mato. Lá em Mueda conheceste alguém do quadro, que alinhasse nas operações de canhota nas mãos? Profissionais da guerra que nunca deram um tiro e os que foram para lá ao engano é que lhes guardavam o coiro! – Disse José da Fonte.
Está hoje um dia que me faz lembrar aquele céu de África. Trágico, não era? Um céu trágico aquele, em que de repente, do mais puro azul se desembrulhavam prá'li umas nuvens cor de sangue e rebentava uma tempestade dos diabos que nem dava tempo de tirarmos os ponchos, e ficávamos ensopados num instante. Aquilo era difícil, Bastos; também, se fosse fácil não estaríamos lá nós.O povo e os filhos do povo é que pagam sempre a conta, não tenhas dúvidas, estejamos em guerra ou estejamos apenas a atravessar uma crise qualquer como agora. Quem paga somos sempre nós. E quando o problema acabar, mudam quem manda, criam uma nova ordem social, ou simplesmente mudam os nomes às coisas para darem a ideia que começou um novo jogo e que os que perderam, perderam e os que ganharam, ganharam: é o princípio do oportunismo. – Disse José da Fonte.
Era um tempo impreciso, esse em que vivíamos; o fim de uma época e o início de outra, não tivemos outro remédio senão ir aprendendo à medida que as coisas se revelavam para nós. Ninguém nos ensinou nada, a não ser odiar os que não nos queriam lá. E depois quando descobrimos que os nossos verdadeiros inimigos eram os que nos usavam como carne pra canhão, tivemos que transferir o nosso ódio. Mas o ódio vicia, Bastos, e não há nada mais difícil do que mudar o objecto do nosso ódio; e não há nada menos digno do que matar só pra não morrer. – Disse José da Fonte.
Bebe, pá, que lá não tinhas deste vinho. Um casqueiro com gorgulho e umas bazucas de Cuca e era um pau; e muita camaradagem, não era? Foi isso que fez de nós irmãos. O medo e a coragem; o tédio e a ansiedade; a solidão e a camaradagem – mas tudo intenso e real. Tão intenso e real como um espinho na carne. Olha: no dia em que foste ferido, chorei; escondi-me lá num canto qualquer, fumei um cigarro e dei por mim a chorar. Lembrei-me que tu costumavas dizer que nós nunca choramos os mortos, choramo-nos a nós mesmos, ou porque antecipamos a nossa própria morte, ou porque nos sentimos mais sós. Lembras-te de dizeres isto? Lembrei-me de ti a disparar para o capim, em cima da Berliet, no dia em que um soldado do teu pelotão rebentou uma mina. Lembras-te? Depois escondi-me na cagadeira a fumar um cigarro, para ninguém me ver chorar.Tu vieste embora e muita coisa se passou depois, mas sempre nós a gramar a pastilha, ainda por cima tivemos um cabrão dum capitão armado em herói que nos punha no mato dia sim, dia sim e que depois se desenfiou para o Comando enquanto nós continuámos lá a garantir-lhe o subsídio de zona de cem-por-cento, que ele ganhava no ar condicionado enquanto nós foçávamos no mato, quando já devíamos ter ido para um lugar mais calmo. Sabes que pensei em dar-lhe uma carga de porrada quando o encontrasse aqui. Mas como dizia Tertuliano, a vingança dá apenas um prazer momentâneo enquanto o perdão dá um prazer duradouro. Perdoei-lhe a carga de porrada mas não esquecerei que alguns morreram para ele ficar bem-visto junto das chefias militares. Ó Bastos, se fosse fácil não era para nós. – Disse José da Fonte.
E agora, tantos anos depois? Até parece que falo com saudades daquilo, não é? Tenho saudades de mim, Bastos, tenho saudades de nós. Quando não acontecia uma desgraça éramos felizes. Tenho saudades de quando a vida era um milagre. Quando chegávamos todos; quando bebíamos um copo de cerveja morna e cantávamos todos desafinados, e então tu, pá, que cantavas mal como a porra; celebrávamos o dia por ele ter acabado com vinte e quatro horas. Para muitos, os dias acabaram a meio e nós ficávamos mais sós, como tu dizias.Éramos umas crianças e o que fez a guerra de nós? Fez-nos homens? Acho que ficámos sem idade, Bastos. Na guerra os homens ficam sem idade. Crianças envelhecidas ou velhos prematuros. Por isso é que sentíamos a vida como um milagre, porque a vida é precária, Bastos, e nós aprendemos isso antes do tempo. Lá, ao menos, morríamos de coisas simples: um tiro, uma mina, um estilhaço de morteiro. Agora morremos de coisas com nomes complicados: nefropatia túbulo-intersticial, angiossarcoma hepático, ou então que tal uma neoplasia broncopulmonar malígna? Vamo-nos degradando até as pessoas que gostam de nós ansiarem por que os deixemos em paz. A vida não é precária, a vida é altamente improvável. – Disse José da Fonte.
Neoplasia broncopulmonar malígna. Eu acho que devia ter morrido jovem, Bastos, para ser recordado com o desconsolo de me saberem desaparecido com uma vida inacabada; para que sentissem a falta de todas as realizações que ainda esperavam de mim; para que se recusassem a aceitar a minha morte como uma coisa natural e odiassem alguém por eu ter morrido, fosse quem fosse – que arranjassem maneira de encontrar o verdadeiro culpado pela minha morte; ou ao menos, pá, para que uma mulher bela e jovem vivesse chorando com uma foto minha junto ao peito; ou se tudo isso fosse pedir demais, para que sobre a minha sepultura não exibissem para sempre o retrato de um velho decrépito.
Neoplasia broncopulmonar malígna. Um dia destes e muito em breve, Bastos, chegará um dia para mim que não terá vinte e quatro horas. Ninguém ouvirá o estampido de uma mina, ninguém se esquecerá de si mesmo, para gritar: o Zé da Fonte está ferido!
Ninguém se atirará para o chão em meu redor para fazer uma barreira de fogo. Nenhum enfermeiro se arriscará corajosamente, vindo a correr desarmado para me tentar salvar a vida. Chegará apenas uma notícia pelo telemóvel a dizer que eu bati as botas e será um alívio para as pessoas que gostam de mim. Será que tu, Bastos, te vais esconder num sítio qualquer a fumar um cigarro, para que não te vejam chorar, porque a minha morte te aterroriza, porque fatalmente um dia será a tua vez? Não, Bastos, deixa-me acreditar que chorarás nesse dia como se eu tivesse tombado em combate, deixa-me acreditar que nesse dia beberás a tua cerveja morna sem cantares com a tua voz esganiçada, porque nesse dia não vieram todos, deixa-me acreditar que sentirás um ódio de morte mesmo que não saibas ao certo por quem, e que te apetecerá saltar para cima de uma Berliet a gritar: Venham cá filhos da puta, enquanto despejas o carregador da G3 no capim.
Bebe mais um copo, Bastos, que deste vinho não tínhamos lá, e deixa-me acreditar que nesse dia chorarás apenas por te sentires mais só.– Disse José da Fonte, que, do que quer que morra e onde quer que morra, morrerá sempre em combate.
VB.Estavas em falta Manuel.Já não podemos passar sem as tuas histórias que nos põem em "plena"Guerra Colonial.
)

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

580 ESTE JÁ CÁ CANTA!

Recptividade do primeiro C-295 entregue à FAP,dia 18 de Novembro de 2008.








A Força Aérea Portuguesa recebeu, no dia 18 de Novembro, na Base Aérea de Getafe - Espanha, a primeira aeronave C-295 de uma frota de 12.
O programa de aquisição dos C-295, inscrito na Lei de Programação Militar, tem como finalidade dotar a Força Aérea de aeronaves modernas, com elevada capacidade e versatilidade de emprego operacional e níveis de segurança e de protecção adequados.
Portugal adquiriu 12 aeronaves à empresa espanhola EADS-CASA, cinco das quais na versão de Vigilância Marítima, com vista à substituição da frota C-212 Aviocar.
As capacidades de carga e de autonomia da nova aeronave mais do que triplicam em relação à aeronave antecessora.


O C-295 efectuou o primeiro voo em 1998 e é operado actualmente em 11 países.







O C-295 placa da Base Aérea 4,durante o 56ºAniversário da Força Aérea Portuguesa.





579 ESTA É PARA O ANTÓNIO DÂMASO.

José Lanceiro
Esp.MMA (Canibais) Guiné

Lisboa




Barata

Junto fotografia tirada no dia 1 de Janeiro de 1973, tirada exactamente em Cufar.
A manhã já ia alta e já tínhamos deslocado pessoal para várias posições, ao fundo, em bicha de pirilau, vêm-se mais páras que tinham acabado de desembarcar do Nordatlas, iam-se agrupar ao fundo, para serem colocados na zona de Cabochanque.
Neste dia evacuei da zona cinco paraqueditas, felizmente todos sem gravidade (três atingidos com estilhaços de RPG7 nas costas e dois doentes)
Nela está o Franco Granier, eu e Alf. Piav Chinita de Mira que segura na ponta da pá
Abraços ao pessoal

Lanceiro.

578 SEMPRE IGUAL MAS,DIFERENTE!


José Ribeiro
Esp.OPC Guiné
Lisboa
Amigo, Victor Barata.
Tenho-te a dizer que todos os dias vou ler o que aparece no Blog.
Não tenho participado nas histórias porque há muitas coisas que se varreram da cabeça.
É a idade que não perdoa.
Sempre que me lembre de casos passados na BA12 de imediato os darei a conhecer, no entanto, há muitas coisas que eu sabia, porque trabalhava no EMFA no CCifra, respeitantes a todas as ex-Províncias Ultramarinas, mas como é natural não me convém divulgar.
Todos os acidentes com aeronaves e outros ataques eram comunicados ao EMFA, com classificação de "Muito secreto" e grau de transmissão "imediato".
Também trabalhei na ANI hoje LUSA, onde a conversa era outra. Tinha que ter cuidado na transmissão de parágrafos marcados com tinha azul, isto é, não os podia transmitir para a comunicação social (jornais).
Uma vez fui chamado ao Director, Dutra Faria, por causa de uma notícia que tinha saído no Diário de Notícias sobre outra guerra - a dos americanos na Ásia -, cuja transmissão foi minha, sendo que ía levar com uma multa de 60 contos senão provasse que tinha ignorado o parágrafo marcado a azul e não tinha sido por mim transmitido.
Na minha parca opinião na altura não via nada de impeditivo na transmissão, apenas porque a notícia não dizia nada de especial, apenas que os americanos tinham levado porrada.
Tenho-me ficado por casa, uma vez que a minha médica me aconselhou a ter cuidado com os abusos.
É isso que tenho feito, não poderia nem posso fazer o contrário. Tenho medo de ficar empanado e a dar trabalho aos outros.Por isso, estou a portar-me bem.
Das saídas à palhota vizinha, eu e mais pessoal, lembrei-me agora da cena que aconteceu ao Nobre, de Viana, um camarada de comunicações que tinha o azar, quando se metia nas necessidades primárias, apanhar daquelas "mulas" terríveis, com ameaças de corte da ferramenta por ameaça médica.
Então um belo dia disse que se queria suicidar, então eu e outro camarada, que já não me lembro do nome, fizemos a forca, constituída por caixotes de cerveja, cortamos os arames onde se secava a roupa civil e fizemos um laço preso à estrutura que segurava as chapas do telhado das camaratas.
Depois de pronta a forca dissemos-lhe para subir para cima dos caixotes (depois de uma reza feita e inventada, na altura, por nós).
Não é que ele ia mesmo meter a cabeça no laço!
Tivemos que dar um pontapé aos caixotes senão íamos ter graves problemas com a cena, porque ele ía mesmo enforcar-se.Nunca mais nos metemos em tais coisas.
Outro nosso camarada, porque a namorada lhe tinha posto os palitos na metrópole, lembrou-se suicidar nas bolanhas para os lados da aldeia de Bissalanca.
Os bombeiros tiveram um trabalho dos diabos para o retirar já sem vida da bolanha.
Cumprimentos amigos.
JLRibeiro
VB.Olá Zé,folgo muito em saber do teu comportamento exemplar,assim já tens mais saídas.
As tuas histórias são sempre uma mais valia para a união da nossa grande família FAP,por isso estamos sempre ansiosos por recebe-las.

577 HISTÓRIAS COM O HONÓRIO.


Victor Oliveira
Esp.Melec./Inst./Av. 1ª/66 Guiné
Caneças
Amigo Victor.
Aqui está o chato do Vítor Oliveira (Caneças ou Pichas).
Tenho a impressão que não houve Espª,que voá-se tanto com ele como eu tanto nos T6G como nas DO27.
Na altura nós fazíamos protécção ás colunas que iam para Madina e Béli levar mantimentos e armamento, e os voos em T6G eram entre 2h30me 3h30m e como á noite apanhava-mos a carroça, no outro dia pedia-me para ir com ele e levar umas garrafas de água Perrier.
Uma vez estávamos a proteger a coluna que ia para Béli ,acabou-se a água e lembrou-se de ir aterrar, disse-lhe não dá e não deu mesmo,a pista só dava para DO27.
Do lado norte tinha o quartel a sul uma casa cheia de morteiradas.
Então decidiu subir e diz-me, pichas segura ai o burro que eu vou tomar ar, tirou os auscultadores abre a carlinga e levanta-se, mas não tirou os Ray Ban ,escusado será dizer que os óculos dezapareceram,e depois diz-me, vamos procurar os óculos depois a coluna vai lá buscá-los. Toca de andar a rapar e óculos é mentira.
Só ele é que fazia destas coisas.
Um dia destes conto porque é que ele deixou de voar nos T6G.







Os voos que fiz em Março 68 cerca de 80% foram com com o meu grande amigo HONÓRIO (JUBIDÉ)


Um abraço
Victor Oliveira (O Pichas)

576 IDENTIFICAÇÃO DO PILOTO.

José Matos
Leitor do Blog



No dia 21.11.2008,através do nosso Post 569,este nosso leitor solicitava-nos a nossa colaboração para a identificação do piloto da foto que se junta.
Só o nosso companheiro Fitas Custodio se pronunciou,aventando o nome do Cap.Pil.Azambuja.
Hoje recebemos do José Matos o seguinte Email:





O General Pilav. (à época Cor.Pilav.) Diogo Neto um dos símbolos da nossa FAP.


Caro Victor .
Agradeço o vosso empenho na questão.
Já descobri que afinal o piloto era o Gen. Diogo Neto (à época Coronel).
A minha curiosidade pelo assunto é histórica.
Por acaso, nunca estive na FAP. Mas actualmente estou a finalizar um artigo para uma revista alemã sobre a operação dos Fiats em África e eu mais o outro autor do artigo estamos no processo de selecção de fotos. E eu tinha esta, do arquivo histórico, mas não sabia quem era o piloto, mas já descobri.
No entanto, como estou numa fase de selecção de fotos era excelente que se algum dos companheiros do vosso grupo tivesse alguma foto dos Fiat e a pudesse enviar para efeitos de publicação seria mais uma para o nosso acervo e para compor o artigo.
Enfim é mais um favor que peço.
É claro que terei todo o gosto no futuro em contribuir com algumas reflexões para o vosso blogue..
Um abraço

José Matos

Pois amigo Matos,mais uma vez vamos aguardar a colaboração dos nossos companheiros para tentar satisfazer o seu pedido

terça-feira, 25 de novembro de 2008

575 O INSÓLITO ACONTECEU.



António Damaso

Sargº.Mor Paraquedista Guiné
Odemira







O INSÓLITO ACONTECEU:
Quando em 18NOV72, cheguei à ao BCP 12 para a minha 3.ª comissão na Guiné, fui colocado na CCP 121 no 3.º pelotão tendo ficado como adjunto por ser o Psarg. mais antigo, mal sabia eu o que me esperava.
Tomei parte na operação Tigre Poderoso 1.º período que foi de 12DEZ72a19JAN73, a qual se desenrolou na zona do Cantanhês, não me recordo se fui transportado directamente de heli de Bissalanca para Cufar ou se fui de Nordatlas, uma vez que utilizei os dois meios de transporte.
Depois o meu grupo de combate e o 4.º fizemos um heli-assalto à zona de Caboxanque, fartámos-nos de correr de um lado para outro em plena bolanha, foi um dia muito cansativo para todos, ao anoitecer procurou-se na mata um lugar para passar a noite e formámos o círculo como sempre mas não armadilhámos o trilho deixada pelo nosso rasto.
Sabia que era perigoso eu dormir quando passava a noite no mato, pois sabia que quando tinha a idade daqueles rapazes, até adormecia de pé a andar, quando o da frente parava, acordava ao chocar com ele e quando estava de reforço adormecia em pé, só quando as pernas se dobravam e me estatelava no chão é que acordava, mas naquele dia por estar muito cansado e já haver mais de um ano que não ficava no mato, resolvi arriscar e adormeci logo.
Não passado muito tempo, acordei com a confusão instalada dentro do círculo, tinha entrado no mesmo um guerrilheiro armado com uma espingarda Mosin Nagant (uma espécie de Mauser), o IN entretanto foi abatido por um elemento do meu pelotão com um tiro de pistola, como estava escuro, perto de mim estavam dois páras ao soco sem saberem quem era quem, tive de os apartar e dizer que o assunto estava resolvido, para nossa sorte, a arma do in estava encravada e ao que tudo indica, as sentinelas estavam a "ferrar o galho,"a partir dali sempre que ficava no mato nunca mais dormi, o que me provocava muito desgaste.No dia seguinte apurou-se que o elemento pertencia à Tabanca de Flaque Injã , a família foi buscá-lo para o sepultarem.
O meu pelotão ficou instalado na orla da bolanha entre Flaque Injã e Caboxanque, tivemos de abrir valas, fazer abrigos e colocar arame farpado à volta, quando o trabalho duro estava feito, deixamos a papinha feita para a outra Companhia e embarcamos numa lancha e fomos até ao cais de Cadique ter com o outro bigrupo da nossa Companhia que já estava em Cadique Nalu.
Ninguém me disse mas tive a intuição de que, colocar mais uma C.ª de Páras na zona a escassos Kilometros uma da outra, com o Rio Bixanque a separar se deveu à forte implementação do PAIGC no CANTANHÊS.
Saudações Aeronáuticas
Dâmaso

574 VOAR NO AB7-TETE 70/72.




Augusto Ferreira
Esp. Melec./Inst./Av
Tete
Coimbra




Voar em Tete 72/74 Companheiros, estou aqui hoje, num novo regresso ao AB7-Tete, para contar, como é que se voava por lá naqueles anos, no que respeitava à altitude.
Em 1972 quando cheguei, ela ainda se atingia à vertical do AB7, por vezes até aos 9 mil pés na DO27 e depois lá seguíamos a rota programada.
Bastas vezes, descolávamos nela, com quarentas e tais graus ao nível da pista e passados alguns minutos, já estávamos lá em cima a bater o dente, pois a pressão tinha baixado entretanto com a altitude e os nossos aviões de guerra, como é sabido, não tinham isolamento térmico, nem eram pressurizados.
Lembro-me das descolagens no velhinho NordAtlas, em que a inclinação na subida era tal, que nós amarrados lateralmente, aos bancos de lona do avião, conseguíamos ver, através dos dois óculos ovais, colocados em cada uma das portas de fundo, a pista da qual tínhamos descolado, que se ia tornando cada vez mais pequena, à medida que íamos subindo.
Isto em alturas, em que o avião não levava carga, pois ela ficava logo ali á frente do nosso nariz, rigidamente fixa ao chão do avião, tapando-nos a vista, inclusivé dos nossos companheiros, que viajavam sentados do outro lado.
Nos anos que se seguiram, com a utilização dos mísseis terra-ar SAM-7 pela Frelimo a estratégia de voo alterou-se, passando a voar-se a baixa altitude, por vezes a rapar a copa das árvores. Esta situação, trouxe novos problemas, para os pilotos e tripulação, pois as aeronaves, ficaram ao alcance de armas automáticas e tivemos algumas atingidas e vítimas mortais, quando por vezes se sobrevoavam zonas, aonde estavam implantas "machambas", para apoio logístico dos guerrilheiros da Frelimo.
Para qualquer eventualidade, sempre que saíamos na DO27, levávamos sempre a G3 com carregadores e a respectiva ração de voo.




Estou a enviar-vos uma foto dessa altura, com um piloto do qual não me recordo o nome, numa chegada ao AB7- Tete com as ditas ao ombro.
Foi por estas situações, que passámos e vivemos, nos nossos já longínquos 20 anos, numa guerra, que tantos sacrifícios e riscos nos fez correr e que nos marcará para sempre.
Para ti Barata o forte abraço habitual, extensivo a toda a Tertúlia da Linha da Frente.

Augusto Ferreira

573 19.06-1999 XIII ENCONTRO ANUAL DE ESPECIALISTAS NA BASE AÉRA 2

Luis Martins
Esp.M.Rádio 3ª/72 Guiné
Ferreira do Alentejo


Caro amigo Victor.Boa tarde,
Aqui deixo esta fotografia referente ao XXIII Encontro Anual de Especialistas na Base Area Nº 2 na Ota, em 19 de Junho de 1999.
Especialistas que estiveram na BA 12 - Guiné até 1974, na manutenção dos Fiat`s G-91, a confraternizar com o ex-Capitão Piloto Aviador Rodrigues (Major General) representando o Estado Maior da Força Aérea.
Da esquerda para a direita, Brás (MMA), Francisco (MARME), Rodrigues (PILAV), Adelino Sousa (MARME) e Luís Martins (M/RÁDIO).
Um abraço
Luís Martins


572 ASSEMBLEIA GERAL DA ANPA.



Rui Elvas
1ºCb.PA
Lisboa



Boa noite Victor,
Ontem iniciou-se uma nova etapa na vida da PA.
Foram eleitos os Órgãos Sociais da ANPA com maioria absoluta e sem qualquer contestação.
A minha lista foi a vencedora e sou o novo Presidente da Direcção Nacional e tenho muito orgulho em dizer que a Polícia Aérea está de parabéns e todos os que ontem abdicaram de um domingo solarengo(como o teu irmão)mostraram que a raça PA está bem viva.
Um abraço enorme.




Aqui vão os Orgãos Sociais da ANPA eleitos em AG:
Direcção Nacional
Rui Elvas
Maria Cavalinhos
Paulo Brissos
Márcio Segão
Abílio Ramos
Assembleia Geral
Pereira Martinho
Frank Antunes
Abel Bastos
Conselho Fiscal
Luís Catarino
Leonel Silveira
Hélder Portugal
Paulo Araújo
Joaquim Saloio
Muito obrigado pela tua colaboração e apoio constante.
Um abraço
Rui Elvas-ANPA

VB. Em meu nome pessoal e em nome da Tertúlia "Linha da Frente" desejo que este mandato que este elenco vai iniciar,seja um êxito em prol da mui digna classe PA e FAP.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

571 BA 12 ESCLARECIMENTO.


José Luís Ribeiro
Esp.OPC Guiné
Lisboa
Amigo, Victor.
Sobre o comentário de um ex-camarada sobre o que tinha dito, esclareço o seguinte:
- É verdade aquilo que disse no que diz respeito à alimentação servida no refeitório até á mudança de gerência "a comida era intragável".
- Também é verdade que o pessoal punha os cigarros a arder na cabeça do peixe e saía do refeitório.
- Não chegou a haver levantamento de rancho porque não tínhamos formatura (o almoço decorria das 12 às 14 horas), não me lembro bem se 12,30 ou 14,30 horas.
- Pelos menos durante três dias deixamos de ir ao refeitório almoçar e jantar, levando este facto a que o capitão responsável pelo refeitório fosse demitido do cargo, sendo que numa das vezes andou um capitão a tentar a nossa comparência no almoço e jantar.
- Constava que esse capitão, vendia a carne trazido pelo Dakota de Nova Lamego, em Bissau.
A nós calhava-mos as piores partes dos animais abatidos.
- O caso do falecido Pilav. Honório, foi devidamente esclarecido pelo Pilav. Félix, sendo que como disse constava que ele saía com o falecido General, Spínola, para ter reuniões com o PAIGC, quando de facto, como disse o Pilav. Félix, era outra pessoa que pilotava o Heli.
- No início da minha comissão de serviço, pelo menos dois camaradas nossos foram evacuados com problemas de fígado, excesso de cerveja, segundo constou.
- Não me lembro bem, mas julgo que foi na altura do Comandante, Diogo Neto, que se iniciaram as obras de construção de novas infraestruturas desportivas na Base e o novo Centro de Comunicações, com a deslocação do que se encontrava na Placa junto à sala de operações.
Eu não cheguei a trabalhar nas novas instalações já que terminei a comissão de serviço antes da inauguração
- É verdade que havia sargentos que desviavam JP4 e a íam vendê-lo a Bissau. Assisti à montagem de mangueiras desde os depósitos do Heli.s para o Bidões, guardados na mala dos carros.
- Fui mandado pelo Comandante, Diogo Neto, fazer guarda algumas vezes aos heli.s, com ordem para matar se fosse preciso (uma vez perguntei ao Comandante, se matasse alguém não ia carregar baldes de água para o forte de Elvas. Disse-me que não. Podia disparar à vontade).
- É verdade que foi cancelado um espectáculo que iria acorrer na Base com artista idos de Portugal Continental, aquando do assassínio do majores e "não sei quem mais", para os lados de Teixeira Pinto. Houve descontentamento na Base pelo cancelamento do mesmo
- É verdade que a Voz de Cabo Verde de vez enquanto actuava na Base, propriamente num Hangar.
- É verdade que com a nova gerência passamos a ser melhor tratados em termos alimentares, sendo que até tínhamos direito a entradas "carnes frias e sumos".
- É verdade que de vez enquando havia almoço de carne de javali "não digo a forma como eram caçados".
- É verdade que uma vez por mês ia fazer guarda à central de emissores
- É verdade que durante cinco dias não pudemos sair da base devido a rixas entre os paraquedistas e os marujos.
- É verdade que para sairmos da Base tínhamos que passar pela enfermaria para levar a bisnaga milagrosa.
- É verdade que da Base se ouvia rebentamento de morteiros e o trinar das metralhadoras.
- É verdade que um avião que transportava armamento "Biafra" explodiu na Base, ainda possuo uma foto dos destroços, foi antes de eu chegar à Base.
- É verdade que foi algumas vezes como o filho do Comandante - não digo o meu de transporte - para o Pilão.
- É verdade que o falecido paraquedista 80, frequentava a sala de operações.
- É verdade que eu, como operador de comunicações, recebia pedidos de auxílio aéreo e os transmitia à sala de operações, sendo que uma das vezes, o Capitão, hoje General, Nico, disse-me para ligar ao Comandante, Diogo Neto, se o autorizava a levantar voo com o Fiat G-91, para ir socorrer Guileje que mais uma vez estava a ser atacada e que mal levantou voo deixou-se de ouvir rebentamentos e rajadas de metralhadoras.
- É verdade que quando havia eleições na Metrópole, punham-nos transporte para ir votar a Bissau. Eu safei-me porque estava de serviço nesse dia.
- É verdade que dentro do depósito de água da Base foi encontrado um cadáver. Ainda bem que não bebiamos água.
- É verdade que a farda quando fui mobilizado era amarela, sendo que a troquei na Guiné pela azul que ficou cinzenta às mãos das bajudas, aquém eu dava para lavar, sendo que a roupa civil lavava-a eu.
- É verdade que o Dakota, voava muitas das vezes abaixo da copa das árvores (leito dos rios), para evitar ataques de mísseis, sendo que uma das vezes que voei "fui obrigado pelo ex-capitão Nico, agora General", cujo trajecto foi Bafatá, senão estou em erro, Nova Lamego, Farim e outra localidade que não me recordo o nome "talvez Gadamael". Sei que não chegamos a aterrar e tivemos que mandar a carga do avião para a pista. Não me lembro bem, mas parece-me que estavam a atacar o aquartelamento do exército existente.
Estes são alguns dos acontecimentos que me lembro, mas não em pormenor já que se passaram muitos anos.Somente sei que sofri na pele, assim como os nossos camaradas de armas, não esquecendo os outros ramos, maleitas, como; queda de cabelo, unhas, amebas, "tricosséfalos", paludismo, e outras, sendo que quando regressei tive que fazer tratamentos antes de ir de férias.Agora pergunto-me muitas vezes, para quê tanto sacrifício se ainda hoje somos mal tratados pelos mandões deste canto à beira mar plantado, sendo que muitos deles nem à tropa foram, mas sabem mandar "quinaus" e denegrir a nossa infeliz participação numa guerra que nos disseram que era nossa, mas que afinal era deles com o intuito de arranjar tachões e galões.
Amigo, quanto à inclusão da quadra no logótipo do Blog, julgo que não, porque:- A sua inclusão pode levar a más interpretações, tendo em conta que outros morreram na guerra em piores circunstâncias, estou-me a lembrar do heli que bateu contra uma antena de rádio, senão estou em erro, em Bafatá - Guiné, que vitimou o cap. e cabo que manejava o canhão do heli, sendo que faleceram queimados, segundo constou.
- Outros pilotos, enfermeiras paraquedistas, paraquedistas e especialistas que morreram, em circunstâncias terríveis, noutros teatros e noutros meios.
De qualquer forma, melhor decidirás sobre o assunto.Esta é a minha opinião.
Quanto á publicitação desta msg, deixo ao teu critério tendo em conta que não sou de polémicas e também nunca as quero alimentar.
Cumprimentos amigos,
José Luís Ribeiro OPC 3ª/66
VB.Seja bem aparecido José Ribeiro.
Por onde tens andado?Bom,espero que não te tenhas portado mal para que as dispensas estejam cortadas?!...

570 IDENTIFICAÇÃO DO PILOTO.


Fitas Custódio
Cap.Téc.Melec/Inst./Av. Guiné
Leiria



Amigo Barata
O piloto que o José Matos pretende identificar, com 95% de certeza, é o Cap. Azambuja, Comandante da 1ª Esquadra dos Escorpiões colocada em Tete.
Um abraço do

Fitas Custódio

VB.Olá Companheiro.
Antes de mais quero manifestar o meu contentamento pelo teu regresso a esta NOSSA casa,pois é sempre com grande ansiedade que gostamos de saber notícias que connosco compartilharam parte da sua vida.
Por outro lado agradecer a prontidão ada resposta para o José Matos.

569 IDENTIFICAÇÃO DO PILOTO.

José Matos
Leitor do Blog




Caro Victor
Tenho uma foto de um piloto ao lado de um Fiat G.91 na guerra de África que precisava de indentificar.
Pedia-lhe, por isso, o favor que através do seu blogue a mesma fosse divulgada de forma a saber quem é o piloto na foto.
José Matos













VB.Este nosso leitor solicita em quem souber o nome deste nosso companheiro o favor de o informar através deste nosso Blog.
As imagens que nos mandou não são muito identificáveis,tentamos aumentá-la mas fica muito distorcida.
Vamos então esperar que cheguem as respostas.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

568 ATAQUE A BISSALANCA BA12.






Victor Oliveira

Esp.Melec/Inst./Av. 1ª/66 Guiné

Caneças



VB: Hoje mesmo falei com este nosso companheiro que estava um pouco surpreso pelo facto de nos ter enviando à algum tempo as notícias que a seguir transcrevemos e não as publicar-mos.
Tive então oportunidade de lhe dizer que não é normal isso acontecer.
Todos os email's que nos enviarem,desde que respeitem as regras do Blog,são integralmente publicadas,estas não o foram porque na realidade não nos chegaram.
Tudo esclarecido como bons Zés Especiais,e aqui estão as "desertoras".



Primeira:


Amigo Victor, como sabes sou periquito nestas coisa da internet.
Ao pesquisar na mesma descobri um blogue do Batalhão de Artilharia 1914 em Tite,estava uma mensagem sobre Bissalanca e qual é meu espanto com a noticia do ataque: abatidos aviões,instalações,viaturas,etc,etc,a base quase que tinha desaparecido.
Era um blogue de uma Alcinda Leal, como é possível tamanha ALDRABICE,como é possível estas noticias.
Enviei uma mensagem a explicar o que aconteceu já que eu estava lá.
As morteiradas que caíram foi uma junto de umas tendas nos pára-quedistas onde estavam uns negros a tirar recruta,a outra caiu no telheiro á entrada da central eléctrica que era de chapas de zinco e do qual tenho um bocado como recordação.
Nenhum avião foi atingido,nem instalações,houve colegas feridos porque as valetas estavam cheias de vidros das cervejas (Bazukas) e isto aconteceu perto da meia noite quando chegou o autocarro de Bissau.
Um abraço e desculpa lá se estou a dar-te muito trabalho.








Segunda:







Gostava de perguntar ao José Monteiro se ele esteve mesmo em Bissalanca porque as coisas que diz não se entende.
O piloto Jorge Félix já lhe respondeu a algumas,mas eu quero que me diga quantos especialistas foram evacuados para a Metrópole com problemas de fígado devido a beberem cerveja para matara fome?
Até Abril de 69 não houve nenhum.
Enquanto lá estive fizemos três levantamentos de rancho,numa delas começamos a ter dois pratos o oficial da messe era um Tenente MMT.
Houve um levantamento ao jantar em que o Tenente Coronel Diogo Neto foi buscar ostras para comermos.
Como já sabes o meu grande amigo Honório (Jubidé) nunca pilotou Hélis o piloto que mais voava com o Spinola era o falecido Capº Rodrigues.

Um abraço

Victor Oliveira

567 HOMENAGEM AO NOSSO COLEGA SUGADO PELO F-86F Nº5361.


Fabrico Marcelino
Esp.MMA 1960 Guiné
Leiria
Caro colega Victor,
não quero deixar de dar o meu contributo, com a quadra que se segue,se achares que tem aceitação, para perpetuar a memória do nosso colega que
foi sugado pelo mesmo.
Como todos os colegas
Seu sonho era a aviação
Mas quis o eterno destino
Que morresse neste avião.
Paz à sua alma
Fabrício Marcelino
ex-1º Cabo M.M.A.
VB.Sin senhor,Companheiro Marcelino,é uma hipótese a considerar e colocar à discussão dos nossos Companheiros Zés para que se pronunciem sobre o assunto.
A partir de agora vamos aguardar as opiniões dos nossos Companheiros.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

566 "GUINÉ EM TEMPO DE GUERRA"

Henrique Cabral
Fur.Mil. C.Caç. 1420 Guiné
Queluz








AGRADECIMENTO


Camaradas e Amigos,
Faz hoje um ano que "lancei para o espaço" a primeira parte de um projecto a que chamei "Guiné Em Tempo De Guerra"; estava eu, então, longe de prever a sua tão grande aceitação por parte dos internautas, tendo já ultrapassado os 10.300 visitantes.
Essa primeira parte - ENTRE FOGO CRUZADO - é dedicada à vida e costumes das suas gentes. Nela transmito aquilo que me foi dado observar, tentando chegar o mais próximo possível ao seu dia a dia, de uma vida tão difícil quanto a nossa, mas da qual a maioria de nós nem tinha tempo para ver, quanto mais pensar nisso.
Sendo a nossa vida feita dentro do aquartelamento ou no mato, em guerra, o contacto com a população, para a grande maioria, restringia-se à nossa "bajuda" lavadeira - tendo em conta os muitos condicionalismos a que estávamos sujeitos e apesar da curiosidade que naturalmente tivéssemos.
Considero-me, portanto, um privilegiado e com a dupla "obrigação", ora de partilhar aquilo que muitos gostariam de ter conhecido além da guerra, ora de render tributo a todos aqueles não tinham voz naquele tempo e por lá ficaram esquecidos.
Relativamente à segunda parte - RUMO A FULACUNDA - é um desfilar de imagens dos lugares por onde passei e muitos de vós também. É um desfilar de recordações.
Quero hoje agradecer a todos os que "responderam à chamada" – e foram muitos - enviando fotos, fazendo comentários, endereçando emails a enaltecer, colocando links ou simplesmente fazendo a visita.
O vosso contributo tem sido importantíssimo e é uma forma de fazer eco das nossas vivências e contribuir para a História que um dia há-de ser feita.

Bem hajam
Henrique Cabral

Queluz, 18 de Novembro de 2008


VB. Henrique queremos agradecer-te o contributo que tens dado, através dos Blog's,para que possamos ir recordando,algumas vezes com alguma emoção,esses tempos passados pelas terras da Guiné.
São estes espaços que fazem parte da história da nossa vida.
Bem hajas Grande Companheiro!
Victor Barata

terça-feira, 18 de novembro de 2008

565 CACIMBADOS-A vida por um fio.

Manuel Bastos
Fur.Mil. OP.Esp.(Exército) Mueda DFA

Autor do Livro "CACIMBADOS - A vida por um fio"
Coimbra



Momento em que o Manuel Bastos ladeado pelos representantes da editora apresentava a sua obra.



Apresentação de Cacimbados

Este livro que agora vos apresentamos, este pequeno livro, precisou de muita coisa para ser feito. Precisou de uma guerra, de uma revolução para terminar a guerra, precisou de mortos, feridos e traumatizados. Precisou de cerca de um milhão de portugueses em armas, o que fez de Portugal um dos países mais belicistas do mundo, provavelmente logo a seguir a Israel. Alguns desses ex-combatentes encontram-se aqui, os meus companheiros da mata e das picadas de Mueda. Eles são os protagonistas deste livro, às vezes com os seus nomes verdadeiros, às vezes com nomes fictícios. Sem eles este livro não teria sido feito.
Este livro não existiria se não tivesse existido, também, uma primeira leitora, a mulher de todos os meus dias, aquela que primeiro me disse: "Estas palavras merecem ser publicadas." Alguém que possui o dom especial e muito raro de conseguir ver beleza nas coisas que os outros fazem, o que é uma forma de generosidade. Na verdade, para encontrarmos beleza no mundo, temos que possuir beleza dentro de nós. Também como ela, a Inês Campos tem esse dom. Encontrou as minhas palavras na Internet e transformou-as numa obra literária. É a ela também que se deve este livro.
É evidente que depois precisamos de pessoas que consigam concretizar o sonho que as palavras transportam, para isso precisamos de um editor – que pertence àquele grupo de pessoas sem as quais, tudo o que nós conhecemos, automóveis, computadores, catedrais, ou livros, nunca existiriam, eles é que concretizam os sonhos alheios; é também uma forma de generosidade – sem ele também, este livro não existiria.
Mas este livro que usa as minhas palavras…Ou melhor: as palavras que eu utilizo, as palavras não são minhas, as palavras não têm dono. Eu imagino-me como um simples apanhador de palavras, eu apanho-as por aí e depois tento, como neste livro tentei, espero que encontrem isso; tento desenhar a impossível forma dos sentimentos e dos afectos. Gosto de me imaginar como uma criança que apanha conchas à beira mar e com elas faz construções na areia, ou como uma velha senhora que apanha rosas no seu jardim e faz centros de mesa, ou… talvez melhor ainda um camponês que apanha seixos no seu quintal para limpar o terreno e para enfeitar a beira do caminho. É isso só que eu sou, um apanhador de palavras, por isso é preciso que haja pessoas assim, que descubram beleza nessas palavras.
Mas este livro não está completo, é um objecto físico só. Precisa de um leitor, é por isso que vocês, e eu vos lanço este apelo: alguns já o adquiriram; que o divulguem. Sem um leitor não há livro nenhum, nem há autor, só os leitores farão de mim um escritor, ainda não sou um escritor. Quando vocês lerem, quando alguém ler e convencerem o meu editor que talvez valha a pena editar mais algum. É preciso lerem este, foi para isso que os chamámos aqui, e para o divulgarem na medida que vos for possível.
Mas este livro não tem interesse nenhum se não tiver ao menos um ensinamento, por modesto que seja, e eu quero acreditar que tem. Este livro pode servir de alguma forma para que os nossos filhos arranjem uma maneira qualquer para evitar que os nossos netos vão para a guerra. Porque a guerra só tem uma virtude, só uma: a guerra pode ser evitada.


VB. O autor desta obra,Manuel Bastos,não a redigiu no intuito de recolher protagonismo,como muita gente neste universo em que agora todos são democratas o procura,mas sim com a sua humildade e sensibilidade de um homem que foi empurrado para o local onde a sua sua sociedade diária era a GUERRA!
Eu aconselhava muitos dos nossos actuais,e são muitos,escritores de histórias da Guerra Colonial a lerem este simples mas significativo exemplar,que conta os verdadeiros momentos da vida de um Furriel Mil.que a Guerra marcou para toda a vida.

Obrigado MANUEL pela tua humildade.

564 A VIDA TEM UM FIM.


Fernando Castelo Branco
1ºSargºMMT 2ª/69 Moçambique
Terceira-Açores
AMIGO VICTOR
A VIDA, tem um FIM, mas antes de “partir”(não sei quando), queria AGRADECER-TE com LETRAS GRANDES; pelo TRABALHO que te temos dado, incluindo eu, “mas foste TU o culpado”, como há dias o Nosso SÔUUSA dizia, antes do NATAL(em que toda a gente fala de Bem)íamos ter sessenta mil visitantes, o NATAL vem,… mas para TI GRANDE AMIGO, NATAL para TI é todos os dias com o Nosso Carinho, E AMIZADE nem que várias vezes “ a gente” repita a Visita para “ver” a TUA SOMBRA!?…
Sempre que falarem no meu nome, fico BASTANTE AGRADECIDO, mas o Espírito,” sem mágoas”, será a NOSSA Mocidade passada;…estará sempre a TUA PESSOA, que por estas Ilhas de Jesus e com estas novas tecnologias, sem ser o “Magalhães” que queria oferecer ao Pedro??; nos “redescobriu e aproximou”, se fosse noutro tempo, com este “paleio”, talvez ganhasse alguma coisa??
O que quero ganhar é a TUA AMIZADE, que já mostraste ter e talvez um DIA te agradeça???Fernando Castelo Branco
VB: Amigo Fernando,as tuas palavras sensibilizam-me,não precisas,nem tens,nada que me agradecer,a amizade quando pura e honesta como é a nossa,não dá lugar a outra situações.
Obrigado por seres meu AMIGO!

563 O CONTACTO DO CARLOS ROBALO

Délio Prospero
Esp.Melec/Av./Inst. Guiné



Caro amigo Victor,
Cá estou eu uma vez mais de visita ao nosso passado, e quem venho cá encontrar, o Carlos Robalo, aquele maluco.
Concordo que se mantenha o logótipo do blogue.
O acidente em Monte Real com o nosso camarada, deu-se poucos dias após eu ter chegado da Ota, mas também não me lembro do seu nome.
A minha opinião é que se mantenha tal como está, mas com uma frase alusiva à razão da sua presença como homenagem ao nosso camarada ZÉ ESPECIAL.
Se me permites e sem querer levantar polémica, uma vez que já foi decidido que se mantêm o logótipo, lançávamos aqui um desafio “à Linha da Frente”, para a melhor frase de uma não menor homenagem.
Desta feita, quero pedir-te um favor, gostava muito de ver esse maluco, do Carlos Robalo, certamente que ele se lembrará de mim, pois deixo aqui o meu contacto para que ele me ligue ou escreva para o meu e-mail, ou ainda se puderes disponibilizar o e-mail dele, agradecia-te.
Assim como à anos que procuro um grande companheiro e amigo, de nome Raul Manuel de Castro Sousa e Remelgado, estivemos juntos em Paço de Arcos, ele seguiu para S. Jacinto para centrais e eu para a Ota para instrumentos de avião.
Imagino que recebas mails destes todos os dias. Mas mesmo calculando isso não resisto à tentação de perguntar por ele sempre que posso.
Para ti amigo Victor e para toda a Linha da Frente Um grande
Bem haja.
Délio Próspero

VB: Pois bem,vamos deixar no ar esta sugestão do Próspero em relação "possível" frase a inserir no nosso logótipo.
Em relação ao apelo que nos faz,queiram fazer o favor de colaborarem.

562 HISTÓRIAS E IMAGENS DO AB3,NEGAGE.


Carlos José Santos
Esp.Fap Negage
Caro Victor Barata
Aqui envio algumas fotos da minha passagem pelo AB3, e uma do AM32- TOTO onde estou com o nosso Mascote, o ÓSCAR, que segundo se dizia era filho de um antigo PA, que veio embora e deixou lá o rebento.
Para os meus ex-camaradas do Negage, eu fui o baterista dos GÉNIOS do AB3, no período 1968/1970, salvo nos períodos em que estive em destacamento, em Maquela e no Toto.
Os meus companheiros da Música mais assíduos, o JAIME PEREIRA, baixista (Mec.Radar) o DIAS, teclas (abastecimentos) eu CARLOS SANTOS, baterista (op. comunicações- ECTA), e a estrela da banda o Sargento CARLOS VELEZ, viola (circulação Aérea), também tocaram comigo nos GÉNIOS, o JOSÉ CARLOS APLETON THEMUDO BARATA, viola e vocalista, (Electricista), COSTA, baixo (MMA).
Quando chegámos ao Negage, eu e o Carlos Velez, os dois no mesmo dia de Janeiro de 1968, o Carlos Velez absolutamente identificado, com a sua caixa de guitarra na mão (eram inseparáveis), OS GÉNIOS do AB3, já tinham feito actuações com outras formações, e quando lá chegámos havia um grupo onde sobressaía o ZÉ THEMUDO, e por coincidência alguns elementos já estavam em fim de comissão, nós assentámos que nem uma luva, e fomos mesmo reforços.
Eu como baterista dos DIAMANTES NEGROS (Sintra) levava bastante rodagem, e o Velez nem se fala, porque era um músico com todas as letras, e felizmente ainda é, porque ainda toca para quem o quiser ouvir e ver, porque já o tenho visto muitas vezes na televisão a acompanhar os mais diversos artistas.
Também envio uma foto que assinala o espectáculo do conjunto académico João Paulo, (no Ginásio do AB3)que como sabemos naquele tempo a maneira que arranjaram para não matar o grupo foi entrarem todos para a tropa e fazerem espectáculos para os soldados que estavam em comissão no Ultramar.
Os Génios associaram-se a essa festa realizada na "nossa casa".
A todos os especialistas presentes no almoço anual, este ano em Coimbra e que não tive a oportunidade de estar presente, vão os meus cumprimentos, e que haja a possibilidade de todos nos encontrarmos com saúde no local combinado.
Abraço
Carlos José Santos






No Toto com o Óscar,a nossa mascote



Passagem de Ano 68/69,Clube de Sargentos do AB3,Negage.





Aspecto do refeitório da AB 3.



Sardinhada na Base,véspera de Stº.António.



Negage 1969



O melhor baterista do norte de Angola.



8.2.68,2ªfeira.Ginásio do Ab3,Conjuntos João Paulo e Os Génios.


VB: Pois sejas bem-vindo a este espaço onde todos nós da FAP,e não só,temos marcado um encontro para nos reencontrar-mos e contar as nossas peripécias vividas em África.





domingo, 16 de novembro de 2008

561 APRESENTAÇÃO DO "CACIMBADOS-A VIDA POR UM FIO"





Drª.Inês Campos


-Jornalista
-Mestre em Relações
Internacionais.
-Responsável pela edição
da obra.












“CACIMBADOS: A vida por um fio”


Relato autobiográfico de um miliciano da CART, em Moçambique na Guerra Colonial

O livro Cacimbados: A vida por um fio, de Manuel Correia Bastos foi lançado pela editora Babel dia 15 de Novembro. Através de uma prosa cativante, onde o humor e a tragédia se cruzam espontaneamente, os Cacimbados transportam-nos 35 anos atrás para a realidade brutal de luta e sobrevivência de milhares portugueses a combater na Guerra Colonial.
Como refere o autor na introdução “este Portugal com dez milhões de habitantes fez um esforço de guerra em África nove vezes superior ao que os Estados Unidos fizeram no Vietname, com os seus duzentos e cinquenta milhões.”
Narrando alguns episódios de guerra e da vida da sua Companhia posicionada em Mueda, Manuel Bastos reconstrói um tempo e um espaço carregados de acção, que nos prende desde a primeira linha até ao desfecho final. Com as suas palavras permite-nos testemunhar acontecimentos reais que, tendo ocorrido não há muito tempo atrás, pertencem a um momento histórico quase desconhecido das novas gerações. A obra afirma-se por isso contra uma História que tende a esquecer os 13 anos em que a Guerra se entrosou nas vidas de jovens homens e mulheres, e cujas consequências pairam sobre o Portugal pós 25 de Abril, de um modo circunspecto mas tremendamente poderoso.
Com uma expressividade minuciosa, o autor vai ao encontro do pormenor para transformá-lo num mundo gigantesco de significados, sentimentos e reflexões filosóficas. A história da experiência da Guerra chega-nos através de um soldado capaz de se abstrair dos acontecimentos em curso, da urgência de cada instante, debaixo do fogo ou em campos minados, para ponderar sobre aquilo que o rodeia. Reflecte sobre os outros, camaradas e inimigos, sobre a vida na selva africana, mas sobretudo sobre a condição humana quando se é atirado para o metal e o fogo, que matam sem consciência.
A força repressiva que se impusera aos soldados recrutados, e a ausência do direito de liberdade de escolha, é um facto expresso pelo autor logo nos primeiros textos, quando relata a viagem no navio Niassa, de Lisboa a Moçambique:
“Útil também é avisar a quem isso interessar, que um cidadão que se entrega aos desvelos de uma instituição militar de um país governado por uma minoria de tiranos sem escrúpulos, tem que estar preparado para não poder recorrer às leis que protegem os animais quando são transportados. Digo isto, porque estou certo que se a GNR multou um vizinho meu por transportar mais porcos do que a carga permitida para o seu camião, decerto não deixaria sair o Niassa do Cais de Alcântara.”
Quando os soldados são transportados para a Guerra em África e os motores do navio Niassa param, Manuel recorda-se por momentos que realmente ninguém faz a pergunta mais óbvia: Porquê?
Na época da Guerra Colonial era uma verdade inquestionável para todos esses homens que uma data de terras no continente africano faziam parte de Portugal. Moçambique, Angola, Guiné, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde eram terras portuguesas, não eram nações distantes do lado de lá do equador.
Nessas terras portuguesas viviam milhares de Portugueses iguais aos que viviam nas suas aldeias, vilas ou cidades europeias. Nessas terras encontravam-se milhares de pessoas que falavam português, que possuíam cidadania portuguesa, e que nunca tinham sequer conhecido a metrópole. Assim via o mundo uma geração inteira de jovens homens e mulheres.
No entanto, mesmo em 1973, do lado de lá do equador, o soldado Bastos começa a questionar a sua relação de pertença com aquelas terras que lhe cabe defender:
“Deito-me de costas no chão a ver subir o fumo do cigarro e sinto a grande bola do mundo debaixo de mim. Lembro-me de que todas as pessoas que amo estão ao contrário do outro lado, vivendo as suas vidas, e lá estão também as pessoas que odeio. Deste lado, no chão está um grupo silencioso de fantasmas preparando-se para passar a noite. Ficámos do lado errado do equador, as estrelas que nos cobrem não nos conhecem, e a lua, complacente, ilumina-nos apenas o suficiente para tomarmos consciência da nossa pequenez em confronto com a monumentalidade da vegetação.”
Existia um Portugal grande, com fronteiras delineadas de África à Ásia chinesa, indiana, timorense...Um Portugal pobre, mas gigante. Um Portugal que lhes exigia o pagamento de uma dívida que eles nem sabiam que tinham contraído: a divida da cidadania, a impossibilidade de escolher entre ir ou não ir combater pelas fronteiras dilatadas de um império gigantesco.
A sensibilidade do autor permite fazer chegar até nós uma descrição verídica de factos e acontecimentos, assumindo de certo modo o papel de um repórter de guerra. Mas é também uma reflexão profunda, de carácter filosófico e antropológico, sobre o que significa a guerra para um soldado, e ainda mais para um que deixou em Moçambique uma parte física de si e prosseguiu com coragem, a reconstruir a sua vida no novo Portugal que emergia.
Manuel Bastos revela um discernimento capaz de reflectir sobre a sua grande perda: o seu próprio desmembramento numa selva minada. Os textos finais arrastam-nos com imagens poderosas que nos unem à mente do autor, absorvidos pela sua narração dos minutos, dos sentimentos, da dor e do medo atroz e insuperável ao cair numa mina, que lhe desfaz a perna direita.
Não existe nada mais que a verdade nas palavras de Bastos, a vida pura e sentida no campo de batalha e a interpretação filosófica de um homem capaz de injectar novos sentidos às realidades mais difíceis de aceitar. Um homem que vive com a coragem de quem dá pleno valor à vida e à integridade da condição humana, e que acima de tudo conhece a obscenidade de todas as guerras. A guerra é para Manuel “obscena” e só deve suscitar em nós um propósito: evitá-la.
Quando lerem o livro, recomendo uma atenção especial às fotografias originais que foram incluídas. Cabia a Manuel a tarefa de fotografar as operações da sua Companhia e o autor provou ser um excelente fotógrafo. As suas imagens falam tanto como as palavras, transportam-nos para a selva africana e para episódios da guerra de guerrilha com uma veracidade documental.
Acredito que este livro será igualmente um relato valioso para qualquer historiador da Guerra Colonial, redigido em primeira mão por quem viveu a história e foi tremendamente marcado por ela.
Por todas estas razões e pelo simples facto de que ler esta obra é ser tocado por uma prosa muito especial, quase poética, ainda que documental, fico muito feliz pela aposta da Editora Babel nos Cacimbados, e acima de tudo muito feliz por ter tido o prazer de conhecer a obra e a pessoa de Manuel Bastos.
Deixo-vos com votos de uma boa leitura.

560 HISTÓRIAS DO HONÓRIO


Victor Oliveira
Esp.Melec/Inst/Av 1ª/66 Guiné
Caneças
Amigo Victor.
Esta mostra a amizade que existia na Força Aérea.
Um dia fomos a Buba evacuar um soldado e, no regresso a Tite, um alferes que também estava doente.
Antes de aterrar em Buba estavam muitos militares em cima do pontão onde encostavam os barcos,o nosso amigo toca de rapar direito ao pontão, a rapaziada teve que se mandar para o rio, a maré estava baixa e como tal, tinha muita lama, estás a ver como eles ficaram.
Ainda não satisfeito, colocou a DO ás voltas na antena do quartel.
Aterrá-mos e veio um capitão com um soldado num jeep,virou-se para o Honório e disse se ele queria uma cerveja? Ele diz que sim. A mim nada me perguntou.
O soldado foi buscar a cerveja, só trazia uma, o Honório pega nela e diz-me:
-Pichas bebe uma pinga.
O capitão quando vê a cena diz-lhe que iam buscar outra,ele disse-lhe, para isso tinha-me perguntado se eu queria ,não é preciso, nós na Força Aérea somos uma família.
Lá partimos rumo a Tite.
Quando aterrámos qual não o nosso espanto que o soldado que trazíamos vê umas vacas no capim e desata a correr direito a elas.
Vimos logo tinha problemas mentais e depois disseram-nos que tinha a mania que era forcado, era do Cartaxo ou Carregado.
Passados uns dias vinha a descer a Avª principal de Bissau mais o furriel Amadeu e o sarg. Santos á civil, eis que a subir vinha esse soldado, a farda já não era verde mas sim amarela e a maior parte dos botões não tinha.
Aparece a PM,toca de embirrar com o rapaz.
Dirige-me ao furriel da PM e disse-lhe que ele tinha sido evacuado de Buba. Resposta:- Não se meta nisto ,com aquela arrogância á Pm.
O sarg. Santos puxa do cartão e o dito não lhe bate a pala,pede-lhe a identificação e que ia participar dele.
Resultado o nosso artista furriel andou três dias a caminho da Base a pedir para não participar dele porque se isso acontece-se ia para São Domingos.
Isto já na Era do Spinola.
Ao terceiro dia diz-me o Santos: -O que é fazemos ó pinta? Eu vou falar com ele.
Perguntei-lhe: -Participaste do rapaz? Não!
Então vou chamar o pessoal e vamos para o bar beber Bazukas até ao gargalo e tu pagas, ok? UM ABRAÇO.

559 ESTOU DE "REFORÇO" SEM ARMA,MAS NÃO É DE CASTIGO...

Fernando Castelo Branco
1ºSargºMMT 2ª/69 Moçambique
Terceira - Açores
Da esqª/Dirª Gouveia,Victor Barata e Fernando C.Branco





AMIGO Victor
Com um dia de temporal, chuva e vento, aqui estou na minha “concha/serviço”…são necessidades da VIDA, porque não há meio de acertar nos números, o que tenho acertado felizmente, é em VÓS AMIGOS?!...
Acerca da Mensagem 547 do Nosso Victor “PICHAS”, o Senhor Comandante PAVÃO, que foi durante muitos anos Comandante da SATA, já está reformado e vive em São Miguel, mais propriamente em Ponta Delgada, esta informação foi-me dada pelo Senhor Comandante FONSECA, que actualmente faz o percurso TERCEIRA-CORVO- TERCEIRA, aos comandos do respectivo DORNIER da SATA…
Quanto á Mensagem539 do Nosso ANTÓNIO TEIXEIRA, continuo a tentar procurar os Nossos Companheiros referidos na dita.
Pelos contactos que já tive, ainda não souberam responder-me afirmativamente, será que não haverá mais elementos acerca deles, depois da Recruta/Curso?
Qualquer das maneiras, estou interessado em saber deles, caso não tenham “embarcado” para outro local, porque em tempos houve muita gente, que foi á procura de novos rumos, ora para os STATES ou Canadá?!…
Quem, também me vai contactando, é o nosso “eis seringas”, Gouveia/”BISZEU” da Recruta 2ª/69; 1ªEsquadrilha; Secção(???),enquanto por cá andou nesta ILHA DE JESUS a tirar o Curso de Enfermeiro Especialista, porque além de não ganharem o “prémio da Especialidade” eram considerados ESPECIAIS, assim como os Nossos Músicos…. fez das suas(próprio da idade), agora é o Senhor PACHECO em VISEU/MANGUALDE, mas vive com “a mágoa” de não ser contactado por eis Camaradas/”seringas”…
Continua a recordar sempre esta Ilha, que também o acarinhou…
Por agora é tudo; com a boa disposição que graças a Deus, estou a escrever , além do Vento o “envergonhado” SOL, deu um ar da sua graça…
O Mar continua zangado, mas não é com Vós ,porque como eu, vos manda um abraço salgado…Fernando Castelo Branco

557 APRESENTAÇÃO DA OBRA LITERÁRIA"CACIMBADOS".


Ontem,pelas 16H,na Casa da Cultura em Coimbra,foi apresentada a Obra Literária "Cacimbados - A vida por um fio"de autoria do nosso companheiro
Manuel Bastos,Fur.Mil.Operações Especiais,ferido em combate em Mueda.
Na foto ao lado,junto da sua mulher ouvindo a leitura de uns versos que lhes dedicaram.

ESTA OBRA ENCONTRA-SE À VENDA NAS LIVRARIAS FNAC E BERTRAND.




Perante uma assistência de cerca de 80 pessoas compostas por ex-militares da CART(Companhia de Arte e Artilharia)3503 e outros,o Manuel Bastos apresentou a sua obra,ouvindo,atraves das intervenções de alguns camaradas que com ele conviveram em Mueda,os mais diversos elogios,desde o comandante ao soldado,no fundo o que já lhe reconhecemos à muito.
Momento emocionante quando da intervenção do Enfermeiro que o assistiu quando foi atingido por uma mina anti-pessoal que lhe custou um membro inferior para toda a vida.
A sua introdução a esta obra é de um homem que andou numa Guerra que o incapacitou para o resto da sua vida,mas ,sobretudo,é de um homem que não guarda ódios pelo facto,pelo contrário,demonstra as suas infinitas capacidades humanas,a sua HUMILDADE!


"A todos os homens com coragem para lutar.
A todos os homens com coragem para desertar.
A todas as mulheres com coragem para perdoar a ambos.



Aos mortos em combate,aos militares portugueses:


Alberto Martins da Silva
António Ribeiro Ferreira Lourenço
Gulamo Ismael Daúde
José Pires Ventura
Manuel Joaquim dos Santos Barbosa,


e guerrilheiros da Frelimo por nós abatidos.
E a todos os que morreram em todos os combates,de todas as guerras,passadas e futuras.


A Ti "


O Manuel,depois do seu acidente,tem se dedicado a escrever crónicas e relatos sobre a experiência da guerra e os seus efeitos traumáticos.Os seus textos e palavras reflectem a coragem de quem enfrentou uma guerra e o desafio de reestruturar uma vida dilacerada.
A sua perspectiva enriquecedora tem ajudado ao longo dos anos inúmeros veteranos a superar o desafio do Stress Pós Traumático e as novas gerações a conhecerem a realidade da guerra.
Companheiros,é uma obra que aconselho a ler.


Obrigado Manuel,as tuas palavras transcritas no papel, são parte da história da nossa vida.


Victor Barata

sábado, 15 de novembro de 2008

556 LEI 24/2007 ACIDENTES EM AUTO ESTRADA.

Costa Ramos
Esp.MMA Guiné
Coimbra




Chamem as autoridades,sempre,nada de conversas, mansas... CR

Assunto: Lei 24/2007: Acidentes em auto-estrada Esta é uma informação muito importante. Atenção.

Lei 24/2007: Acidentes em auto-estrada

Como sabem, para quem anda nas Auto estradas, às vezes aparecem objectos estranhos nas mesmas, como peças largadas por outros veículos, objectos de cargas que se soltam e até animais... coisas que não deveriam acontecer porque as concessionárias são responsáveis pela manutenção.
Estas situações provocam acidentes e danos nos nossos veículos, contudo se isto vos acontecer (espero que não) exijam a presença da brigada de trânsito .
Os meninos das auto estradas vão dizer que não é preciso porque eles tratam de tudo... no entanto e conforme a *Lei 24/2007 a qual define os direito dos utentes nas vias rodoviárias classificadas como Auto Estradas Concessionadas *...(tendo em atenção o Artº 12º nº 1 e 2), vocês só podem reclamar o pagamento dos danos à concessionária se houver participação das autoridades !
É uma técnica que as concessionárias estão a utilizar para se livrarem de pagar os danos causados nos veículos. Por isso, se tiverem algum percalço por culpa da concessionária, *EXIJAM A PRESENÇA DA AUTORIDADE*, não se deixem ir na conversa dos senhores da assistência os quais foram instruídos para dizer * 'agora somos nós que tratamos disso e não é preciso a autoridade'*. *
Isto é a mais pura mentira! Se não chamarem as autoridades eles não são obrigados a pagar os danos e este é o objectivo deles! * *
Façam circular este mail pois já nos chega pagar valores absurdos pelas portagens quanto mais sermos enganados desta maneira! *

555 LOCALIZAR PARADEIRO DE EX-CAMARADA.

Luís Martins
Esp.Mec.Rádio 3ª/72 Guiné
Ferreira do Alentejo



Caro victor Barata
Hoje estou a escrever, para solicitar a todos os ex-especialistas que estiveram até Outubro de 1974, na BA 12 - Guiné , se se recordam do ex-Cabo esp. MMA de nome Carlos Alberto de Sousa Dias, tripulante dos Nord Atlas (2º mecânico), este avião fazia o vôo Guiné - Cabo Verde e vice versa, o piloto era o Capitão Carvalho, o 1º mecânico era o 2º sargento Mário Valente (tenente coronel na reserva).Este especialista estava no meu quarto (E3) junto à padaria, há bastantes anos que o procuro e sem êxito, em todos os encontros anuais de especialistas, pergunto se está presente.
Se algum especialista sabe do paradeiro é favor escrever para lfpmfdc@clix.ptObrigado.
Um abraço,
Luís Martins
Ferreira do Alentejo
ex-esp. M/Rádio 3ª/1972 - Guiné


VB. Luís,para que este apelo e outros que venham a surgir de outros companheiros que te possam vir a procurar,agradecíamos o favor de completares os requisitos da Tertúlia,nomeadamente nas fotos,militar e actual,e os teus contactos,postal e telefónico.

554 - RECORDAR O LOURENÇO,LIMA E O NÓBREGA.


Américo Silva
Esp.Marme 1ª/69 Guiné
Angola



Da dirª/esqª,Lourenço,Lima e o Carlos Nóbrega.


Caro Victor
Após o afastamento por algumas semanas, vim hoje novamente aqui "à linha da frente" para escrever algumas linhas, principalmente motivado pela foto que o Carlos Nóbrega tirou juntamente com o Lima e o Lourenço.
Acerca do Lima, tenho que me esforçar um pouco mais para relembrar a sua imagem nos anos 70.
Já com o Lourenço, bastou perceber aquele seu sorriso contagiante, para de imediato me recordar dele.
Embora ele fizesse equipa com o Pedro (almadense) e o Casaca(alentejano), por ser mais antigo, recordo-me perfeitamente da sua boa disposição, apresentando sempre o seu semblante de alegria.
Passaram-se 3 décadas, mas o sorriso mantém-se.
Ao escrever estas linhas, estou a recordar o episódio em que ele, ao mudar o cano do canhão em pleno voo, por aquecimento, deixou-o cair,perdendo-se assim para sempre.
Acho que ele se vai recordar também e confirmar o que aqui relembro.
Estou 99% convicto que não errei.
Achava piada particularmente à relação entre o Pedro (também Lobo Mau)e ele, sempre na reinação e ainda me recordo da alcunha..."amistosa"... com que o pessoal o baptizou.
Espero que não me leve a mal de o relembrar aqui, pois não era nada ofensiva, como aliás nada era entre o pessoal.
Naquela época, a grande maioria do pessoal usava bigode, tu (Victor),eu, o Nóbrega e o Lourenço também.
Enfim, recordações que nunca mais se esquecem.
Para todos, aquele abraço de amizade deste vosso ex-camarada e eternamente amigo, nas terras quentes de Angola.
Américo Silva
VB. Bom-Dia,Américo.
Congratula-mo-nos com a tua visita,pois à já algum tempo que não davas notícias,para o Blog,pois nós temos "falado",e estamos sempre ansiosos pelas tuas notícias dessa Angola.
Pois das recordações que nos falas,é tudo aquilo que complementa a história da nossa vida,tenho esperança de,dentro das minhas capacidades e a ajuda de todos nós,conseguir no último sábado de Maio de 2009 tu,os Lourenços,os Limas,os Casacas,etc...,para recapitularem as "lições "de à 40 anos quando nos roubaram a nossa juventude para a entregarem a uma merda de uma Guerra de interesses para alguns que ainda hoje usufruem dela.
Vamos todos colaborar nesse sentido bastando para tal que comuniquem com esses nossos companheiros no sentido de virem até nós.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

553 COISA DO TEN.CORONEL TOMÁS.

Luis Santos
1ºCb.Enf. FAP 1ª/68 Tete
Algueirão-Sintra

O Luís no seu local de trabalho dedicado à ortopedia


Amigo Vítor Barata:
Ao ler um artigo de um nosso colega sobre o T. C. Tomás, tenho a minha historia passa da com ele:
Alistei-me em 1967 em Luanda para fazer a recruta de 1968, embarquei para Lisboa no aeroporto Craveiro Lopes em Luanda, para Lisboa nos famosos DC6, onde tínhamos que trazer Farnel para assim podermos p'assar as 12 horas de voo, com escala por Guiné Bissau BA12.
Chegamos em Janeiro 1968 não sei a que data, fazia muito frio, e eu que era um friorento, não havia roupa quente que me aquecesse.
Chegados a Lisboa, fomos encaminhados para Santa Apolónia, apanhamos o comboio, que nos levou até Vila Franca de Xira.Em Vila Franca de Xira, esperava-nos uma camioneta da BA1 Ota, que nos transportou até á Base.
Para mim era tudo novo, até ali nunca me tinha separado dos meus pais e irmãos, foi uma experiência nova e saudosa.
A minha vontade era de voltar logo no próximo avião.
Mas também dizia, se voltasse, era dar sinal de fraco, um Homem, é um Homem, um gato, é um bicho e uma galinha é um espicho.A muito custo lá me fui adaptando á nova realidade e adaptando á vida da Base com os meus colegas ultramarinos.
A Base Aérea da Ota, para mim é e foi o Santuário da nossa purificação como membros da família FAP, pois ai aprendi a ser gente, a respeitar o meu semelhante, a respeitar uma bandeira e a amar a minha Pátria, e a defender a minha língua que é o Português com muita honra.
A Ota foi a minha 2ª casa, onde o Pai e Mãe eram os meus superiores, que me ensinaram a respeitar valores humanos e éticos que sempre perpetuaram até aos dias de hoje.
As 6ªs Feiras hora da formatura do fim de semana, em que recebíamos o nosso passaporte de fim de semana para assim podermos sair da Base e irmos até Lisboa, quem tinha família em Lisboa e outros para outros destinos.
Eu tinha família em Lisboa, e era o autocarro dos Claras que me trazia a mim e mais colegas até ao Parque Eduardo VII e cada um seguia os seus destinos.às 6ªas Feiras o T.C. Tomás e mais o seu ajudante de campo, dava-nos sempre conselhos, quanto ao comportamento que deveríamos ter, fora da base e fazia uma avaliação, quanto á nossa evolução na recruta.
Lembro-me de um episódio muito engraçado que se passou no Carnaval:
Os Ultramarinos, não saíram para Lisboa, porque o dinheiro era pouco, e resolveram ficar e resolveram fazer uma partida de Carnaval.
Um dos colegas tinha jeito para trabalhar em ráfia, resolveram fazer um rabo em ráfia e quando o clarim se dirigiu á parada para o toque do meio dia, para o almoço e render dos oficiais de dia cabos de dia etc., forma por traz dele, e colocaram-lhe o rabo de ráfia.
Que espectáculo engraçado e expulsivo de riso um clarim em sentido tocando o toque da ordem, com um rabo de ráfia a dar a dar ao vento.
Era ver colegas meus no chão a rebolarem-se de riso até não poderem mais.outros á espreita, a ver o cenário.o pior estava para vir:
O T. C. Tomás ia a passar, ao ver o clarim naquele preparo, deu meia volta ao seu renault Beje, saiu do carro e foi colocar-se em frente ao clarim.
Confesso que iria pensar que as coisas iam azedar para o dito clarim.
Este porem ao ver o T.C. Tomas, tão aprumado e sério diante dele, não sabia o que fazer, e como é sabido um clarim não faz continência aos seus superiores, isto é batendo a pala. mas foi mesmo o que o dito clarim fez,O T.C. Tomás, de seguida disse:
Eu acho que um clarim não deve bater a pala aos seus superiores, não sei, é melhor ver.
O clarim já passava o instrumento de uma mão para outra, sem saber o que fazer.
A um dado momento o TC Tomás disse:
Olhe lá você é cavalo?!
Eu cavalo? respondeu o clarim.
Sim traz ai um rabo, vá lá á camarata e tire isso ok.
Portanto o T. C.- Tomás não era má pessoa, o mito que criaram á volta dele, que faziam o terror dos recrutas.
Não tive nada a apontar em desabono deste senhor que sempre me tratou com lisura e respeito. Um abraço para todos
Luís Santos
Ex.1º Cabo enfermeiro AB7 TETE