quinta-feira, 30 de abril de 2009

VOO 941 MEDALHA DE MÉRITO AERONÁUTICO 4ª CLASSE..

VB: Temos vindo a ser procurados por diversos companheiros no sentido de um esclarecimento sobre o que significa a "Medalha de Mérito Aeronáutico 4ª classe"com que o ex-presidente da AEFA,Angelino Saldanha,foi agraciado pelo Chefe do Estado Maior da Força Aérea.
Depois de uma consulta a um organismo competente para tal,informamos tal condecoração destina-se a:




A MEDALHA DE MÉRITO AERONÁUTICO

Destina-se a galardoar os militares e civis, nacionais ou estrangeiros, que, no âmbito técnico-profissional, revelem elevada competência, extraordinário desempenho e relevantes qualidades pessoais, contribuindo significativamente para a eficiência, prestígio e cumprimento da missão da Força Aérea Portuguesa.
O seguinte critério de atribuição aplica-se à concessão da medalha:

1.ª CLASSE
oficial general e capitão-de-mar-e-guerra ou coronel
2.ª CLASSE
capitão-de-fragata ou tenente-coronel e capitão-tenente ou major
3.ª CLASSE
outros oficiais e sargento-mor
4.ª CLASSE
outros sargentos e praças

DESENHO

ANVERSO:
cruz de mérito aeronáutico, formada pela cruz de Cristo, de braços iguais, de cor vermelha, perfilada a ouro, tendo carregada, ao centro, a águia do brasão da Força Aérea sobre o fundo azul, circundado por uma coroa circular de cor dourada com a legenda «MÉRITO AERONÁUTICO» na parte superior e duas vergônteas de louro na parte inferior;

REVERSO:
cruz de Cristo de braços iguais, de cor vermelha, perfilada a ouro, tendo carregada, ao centro, a passarola do padre Bartolomeu de Gusmão, dourada, sobre fundo azul, circundada por uma coroa circular com a legenda «EX MERO MOTU» e duas vergônteas de louro;
A distinção entre classes é feita da seguinte forma:

1.ª CLASSE – ouro; insígnia de pescoço; ou roseta com 0,018 m na fita;
2.ª CLASSE – prata; roseta com 0,015 m na fita;
3.ª CLASSE – prata; roseta com 0,013 m na fita;
4.ª CLASSE – prata; sem roseta na fita.

OBSERVAÇÕES

É uma das primeiras 3 medalhas privativas, uma por cada ramo das Forças Armadas, criadas em 1985, e que precederam a Medalha da Cruz de São Jorge, em 2000, do Estado Maior General das Forças Armadas, e a medalha da Defesa Nacional, do Ministério da Defesa, em 2002.

FONTES:

- Decreto-Lei n.º 316/2002 de 27 de Dezembro - Regulamento da Medalha Militar e das Medalhas Comemorativas das Forças Armadas.


VOO 940 PERDOAR E SER PERDOADO É UMA VIRTUDE HUMANA.


Luis Santos
1ºCbº.Enfº. Tete
Cacém
VOO 928, O VOO 918 DO LUÍS SANTOS.

Amigo Joaquim Maurício:
Quero agradecer-te as palavras de conforto e amigas a que me dirigiste, pois não gosto de deturpar o percurso da história recente dos nossos dias vividos em campanha, no TO, longe dos nossos entes queridos, dos nossos espaços, dos nossos amigos etc., gosto que tudo seja contado com verdade, e não invenções, que não levam a nada.
De Lisboa, o Joaquim Maurício, partiu, para cumprir com o seu dever em terras longínquas, desconhecidas, Angola, defendendo as cores da Bandeira Portuguesa, e uma arma que todos nós nos orgulhamos a FAP, que de nós fez, Homens e amizades que duram e perpetuam no universo e na eternidade.
A FAP, para mim é minha 2ª Casa. Sai eu, de Angola, Luanda, onde residia com meus pais e irmãos, em Janeiro de 1968, para fazer a recruta na OTA e depois, seguir para a Terracha, (Açores) tirar a especialidade de Enfermagem.
De Lisboa Parti, Maio 1969 para L. Marques, e TETE, AB7 foi minha casa, durante 3 anos, em Junho1972, fui transferido para a BA9, Luanda onde permaneci até Fevereiro de 1974, onde passei á situação de disponibilidade.
O meu grande abraço,
Luís Santos

Voos Relacionados:

VOO 939 PEDIDO DE ESCLARECIMENTO.


Jorge Mendes
2ºSargºMilº.Abast. Moçambique
Coimbra
ESCLARECIMENTO
Tive conhecimento pela nossa Linha da Frente que foi condecorado o antigo presidente da direcção da AEFA.
Por respeito aos nossos colegas que perderam a vida na Guerra de África e outros que embora não tenham tombado para sempre ficaram feridos gravemente e que os marcaram para o resto da vida , gostaria que fosse tornado publico o teor da condecoração.
Sem comentários, mas para que não haja duvidas nem especulações seria correcto e direi mesmo, leal e honesto, que toda a classe seja informada. Só assim poderei dar ou não os parabéns ao agraciado.
Um abraço
Jorge Mendes

VOO 938 O PORQUÊ DA CONDECORAÇÃO DE ANGELINO SALDANHA!?


Carlos Jeremias
Esp.MMA
Lisboa
Não entendo o porquê, a razão e/ou motivo para esta condecoração.
Outros companheiros passaram pela Direcção, onde se mantiveram durante largos anos, lutando contra "ventos e marés" e nunca foram objecto de tal mordomia, refiro-me ao Paulo Castro e ao Alves da Silva, que muitos de nós conhecemos, que deram tudo o que tinham e não tinham em prol da Associação, sem eles a AEFA não existiria hoje, mas tão maltratados foram no seu final, que acabaram por se desvincular da associação.
Esta condecoração devia sim, ter sido atribuída à AEFA como instituição, pelos mais de 30 anos que leva, na defesa e divulgação de tudo o que à FAP diz respeito.
Os homens passam, mas as instituições ficam.
Carlos Jeremias

quarta-feira, 29 de abril de 2009

VOO 937 O PORQUÊ DESTA CONDECORAÇÃO?


José Ribeiro
Esp.OPC Guiné
Lisboa

Boas noites, camaradas de armas.
Fiquei satisfeito e orgulhoso, porque um cabo especialista de MARME, ter tal distinção atribuída, quando outros da mesma especialidade e ainda outras, morreram em combate e nada tiveram. Julgo.
Sendo, eu e ele, da mesma recruta (OTA-BA2, 3ª/66, em especialidades diferentes, concluídas em comissão de serviço em determinado período na Guiné), gostava apenas de saber em que se fundamenta tal atribuição, isto é, se por ter sido um elemento fundamental na "Guerra Ultramarina/Colonial, na Guiné", e/ou por outros méritos que, sinceramente, desconheço, apesar de o considerar como amigo/camarada de armas, cumprindo em rigor aquilo que nos destinavam (cabos especialistas e outros, de postos diferentes da mesma arma).
Eu, como leigo nas razões que levam à atribuição de condecorações e/outras menções, mais ou menos discutíveis e às vezes de difícil justificação - não sei se é o caso -, dado o pequeno espaço de tempo que exerceu as funções de Presidente da AEFA (Associação de Especialistas da Força Aérea). Estou em crer e supostamente, que não foi isso que levou a Força Aérea a atribuir-lhe tal distinção, julgo. No entanto, de mim vão as minhas saudações para o homenageado.
Todavia, aparte o decidido e atribuído que até facilmente poderia/poderá ser justificado, se assim for entendido, o que faltará é a justificação de tal acto para que não fiquem dúvidas. Alguém disse que "Os heróis já estão mortos, por isso são homenageados". Em vida são esquecidos e às vezes mal tratados.
Quem sou eu para pôr em causa tal atribuição? Pergunto a mim próprio e, ainda, não encontrei explicação. Haja mais homenageados, mas por favor explicitem os motivos de tal acto.
Sempre gostei e continuo a gostar de praticar a justeza de todos os actos e ser um "Zé Português" ávido daquilo que falta à sociedade em que vivo "Humildade e Seriedade", nunca pondo em causa o que foi atribuído a muitos portugueses.
Nada mais não digo.
Até sempre camaradas de armas.
JLRibeiro
VB:Pois amigo Zé,nesta coisas as opiniões divergem,esta é a tua.
Gostávamos de deixar este espaço em aberto para receber as diversas opiniões sobre esta condecoração do EMFA ao Presidente cessante da Associação de Especialistas da Força Aérea,nosso companheiro Angelino Saldanha.

VOO 936 PARTICIPAÇÃO DE UM "ESPECIALISTA FAP" NO 25 DE ABRIL DE 74.


Pedro Garcia
Esp.OPC Angola
Baixa da Banheira
Participação de um "especialista FAP" no 25 de Abril de 74
INTRODUÇÃO

Ontem, ao rever as imagens do 25 de Abril de 1974, dei comigo a, nostalgicamente, recordar os acontecimentos da época.
Estando ainda fresca a reportagem do Correio da Manhã, cheguei á conclusão que eu, especialista FAP, também teria tido participação activa na revolução.Participação segundo a tradição especial.
PRELÚDIO
Desde que regressei de Angola, Março de 1973, fui, muito bem(!!), colocado no Estado Maior General das Forças Aramadas/Secretaria Geral do Ministério da Defesa Nacional, sito na Cova da Moura em Lisboa onde fazia 24 horas de serviço e ia para as 48 horas.(Digo muito bem colocado porque na altura auferia 6000 escudos mensais que me eram enviados, mensalmente, por vale de correio).
FACTOS
No dia 25 de Abril, de manhã, sou acordado pela minha avó dizendo, um pouco preocupada pois eu era militar, que havia confusão em Lisboa.Levanto-me, vou tomando conhecimento do que se passava e, por volta das 17 horas já com a situação estabilizada, telefono para a minha unidade a saber se era requerida a minha presença. (não telefonei mais cedo pois podia ser convocado e a situação nos acessos, entre a praça do Comércio e o Cais do Sodré, estava um pouco complicada).A resposta foi para não me preocupar, não aparecer porque aquilo já estava com muita confusão.
No dia seguinte, pela manhã lá apanhei o barco e segui para o meu posto, lá fui, todo inchado, com a minha farda, o que não era hábito, onde não faltava o crachat das medalhas das Campanhas de África e de Comportamento Exemplar. (Eram uma referência de velhice e dava nas vistas).
Durante as seguintes 24 horas lá fiz o meu trabalho, o serviço era mais exigente, algumas msgs fui entregar pessoalmente ao pequeno grupo, liderado pelo Otelo.
Durante a minha presença não eram interrompidos os trabalhos e dava para perceber que, na altura, estavam a tratar da saúde aos oficiais que não tinham participado no movimento, principalmente daqueles que tinham mostrado alguma antipatia.
Fico-me por aqui, para Rambo já basta.
Um abraço
Pedro Garcia OPC

VOO 935 A IDENTIFICAÇÃO QUE FALTAVA.




Luis Santos
1ºCbº.Enfº. Tete
Cacém



Amigo Victor Barata:
Estava em falta para com a linha da frente, porque no inicio quando me apresentei, devia ter mandado o que me pediste, a minha identificação como militar aquela época.Ficou no esquecimento, e tem passado.
Aqui vai.




E com tudo isto, já lá vão 40 anos, e parece que foi ontem, que aterrei em TETE, ainda estou a ver, todos os Zés, á espera do Nordatlas, para verem quem é que vinha como seu substituto.às terças feiras, era dia de São Nor, tudo parava para vermos quem chegava, com noticias da metrópole.
Um abraço, para todos da linha da frente

Luís Santos


VB:Pois é Luís,recordar é viver,estou convencido que é mais difícil a guerra que hoje vivemos do que a daquele tempo.
Tempos que viver com o que temos,mas não sei se será por muito mais tempo...

terça-feira, 28 de abril de 2009

VOO 934 CEMFA RECONHECE O MÉRITO DO ANGELINO SALDANHA,ENQUANTO PRESIDENTE DA AEFA.


Manuel Cascão
Vice-Presidente da Associação de Especialistas da Força Aérea Esp.Marme (Atirador do "Lobo Mau") Guiné
Setúbal
VB:Através deste nosso companheiro,chegou-nos esta noticia:


CONDECORAÇÃO

Ontem, 27 de Abril de 2009, no salão nobre do EMFA, o Gen. CEMFA Luís Evangelista Esteves Araújo condecorou com a Medalha de Mérito Aeronáutico de 4ª classe, o Presidente cessante da AEFA ANGELINO SALDANHA.
Estiveram presentes ao acto a maioria do Oficiais Generais que compõem o Estado Maior e ainda uma representação de Oficiais, Sargentos e Cabos Especialistas.
A AEFA, esteve representada pela Direcção recém-empossada e ainda pela Direcção da Delegação de Lisboa e Núcleo de Setúbal.
M. Cascão
É sempre motivo de orgulho e satisfação para os ZÉS ESPECIAIS,quando um companheiro nosso é distinguido com tão alto galardão pelo CEMFA.
Assim,em nome da "tripulação" e da "Linha da Frente",quero endereçar os meus sinceros votos de parabéns ao Angelino.
Victor Barata

segunda-feira, 27 de abril de 2009

VOO 933 OUTRA POSTURA NÃO ERA DE ESPERAR DO LUIS GRAÇA.É O REFLEXO DO EXITO DO SEU BLOG!


João Carlos Silva
"Co-Piloto do Avião"
Esp.MMA

Sobreda da Caparica

O ESCLARECIMENTO SOLICITADO.

Companheiros da Linha da Frente,
Devido ao post, no Blog Luis Graça & Camaradas da Guiné, Guiné 63/74 - P4242: Histórias da CCAV 3420, comandada pelo Capitão Salgueiro Maia (2): Curiosidades, humor, histórias do Gasparinho (José Afonso) , particularmente no sub-capítulo intitulado “ Uma heli-evacuação”, naturalmente surgiram algumas reacções de alguma indignação. Estas reacções foram expressas em comentário a esse post pelo nosso Companheiro Manuel Lanceiro no nosso Blog no VOO 930 A CAMARADA CELESTE NA "TABANCA GRANDE".
Hoje, reconhecendo o lapso, recebemos o seguinte texto com pedido de publicação, por parte do Luis Graça que é administrador e editor do referido Blog:

Meus Camaradas da Linha da Frente:
Houve aqui um lamentável lapso. Devo reconhecer que no melhor pano cai a nódoa...
Quem, em subtítulo, mencionou inicialmente o nome da malograda Maria Celeste Ferreira da Costa, Enf Pára-quedista, não foi o autor do poste, João Afonso, mas o editor L.G. [Luís Graça].
A nossa camarada da FAP morreu de facto, de acidente, em 10 de Fevereiro de 1973. Na data indicada pelo José Afonso (29 de Novembro de 1971) ela não estava de facto na Guiné...
A história contada pelo José Afonso mereceu, logo, da parte de malta da FAP, uma resposta de indignação, por estar em causa a honra e a memória da Maria Celeste...
O texto já foi corrigido hoje pelo editor L.G., por conter um grave erro factual: nenhuma enfermeira pára-quedista morreu, em 29 de Novembro de 1971, devido a acidente com uma hélice de um Nordatlas... E muito menos a Maria Celeste!
Fica por esclarecer, por parte do José Afonso, quem seria então essa enfermeira pára-quedista a que se refere este excerto:
(...)
"Quando a 28 de Novembro de 1971, um elemento da Companhia acciona uma mina, ficando sem uma perna e outro elemento também ferido, ambos do 3.º Grupo de Combate é solicitada a evacuação por Via Aérea para o Hospital de Bissau.
"Ao chegar o helicóptero, sai dele uma enfermeira, que ao ver o soldado Santos sem roupa diz que assim não leva o ferido. Para ser socorrido, utilizaram-se os restos das calças para fazer garrotes à perna e ao braço. E com tiras da roupa seguram-se alguns pensos que tapam feridas menores. O homem estava nu.
"Para satisfazer o pedido da enfermeira, foi pedido ao enfermeiro que tinha uma camisola interior vestida para que a tirasse e com ela tapasse o soldado ferido". (...)

As enfermeiras pára-quedistas (representadas aqui, no nosso blogue, pela Giselda Pesssoa) não gostaram desta história que parece estar mal contada... O Miguel, naturalmente, também não gostou...
Já houve também reacções de indignação no blogue dos Especialistas da BA 12, Guiné, 1965/74:
Foi o caso, por exemplo, do Manuel Lanceiro, especialista MMA:
Vd. poste
http://especialistasdaba12.blogspot.com/2009/04/voo-930-camarada-celeste-na-tabanca.html
Mais valia prevenir do que remediar... Acabámos por remediar, ou melhor atamancar... À Maria Celeste, que está no céu dos combatentes, aí vai uma prece,com pedido de perdão... Às suas camaradas enfermeiras pára-quedistas e aos demais camaradas e amigos da BA 12, Bissalanca, o pedido para que aceitem as nossas sinceras desculpas...
No caso do editor L.G., ele vem aqui reconhecer que foi traído pela pressa e pela memória... Além disso, não esclareceu, como devia ter feito, com o autor da história, José Afonso, este episódio que pode ser (ou é) considerado ofensivo para o bom nome e o comportamento ético das únicas mulheres que fizeram a guerra da Guiné...
Vou pedir ao Afonso que nos esclareça melhor sobre o que se passou... É bem possível que ele também seja sido traído pela memória... É uma pessoa de boa fé e um bom camarada. Espero, por outro lado, que ele ou os seus camaradas da CCAV 3420 tenham ouvido e/ou interpretado mal as palavras da enfermeira que veio, em 28 de Novembro de 1971, fazer uma heli-evacuação...

Publicada por Luís Graça em Luís Graça & Camaradas da Guiné a Dom Abr 26, 09:45:00 PM


JC:
Na verdade o referido texto contém dados incorrectos e passagens que podem ofender a memória de quem já não está entre nós, além disso, também podem ferir a dignidade de quem arriscou a sua vida “para que outros vivam”.
É uma acção muitíssimo meritória esta de registar uma parte importante da nossa história recente, e todos os envolvidos estarão de acordo e de certeza que pugnam para que seja feita de forma fidedigna, por respeito a quem a viveu e à memória de quem já nos deixou e para com os vindouros.
Reconhecemos assim o pronto pedido de desculpas do Luis Graça e pedido de esclarecimento ao José Afonso, de quem aguardamos agora os necessários esclarecimentos.

VOOS Relacionados :
VOO 930 A CAMARADA CELESTE NA "TABANCA GRANDE". Manuel Lanceiro

domingo, 26 de abril de 2009

VOO 932 A EDIÇÃO "OS ANOS DA GUERRA COLONIAL"



Carlos Alves
Esp.MMA Tete
Alvaiázere




Os Anos da Guerra Colonial
Estou a ler e coleccionar os livros sobre a guerra colonial que saem ás 4ªfeiras juntamente com o Correio da Manhã.Hoje dei uma vista de olhos pelo desta semana,o nº9 e dei mais atenção aos assuntos de Moçambique. Encontrei algumas incorrecções,que embora não alterem a história dos acontecimentos não deixam de suscitar algumas dúvidas sobre outros factos relatados e que não conhecemos tão bem.

Decerto o autor foi mal informado ou recolheu informação já adulterada e assim de edição em edição daqui a uns anos vamos ler que Tete ficava em Angola e que a Barragem de Cabora Bassa era no rio Nilo.

Vamos aos factos:

Uma foto do AM de Furancungo com a seguinte legenda:
AM 71 Furancungo zona de Tete junto á fronteira com a Rodésia.
Isso não é verdade.De Furancungo até à fronteira com a Rodésia são seguramente 2 horas de Allouete "perto de 400 kms".Aqui o AM é designado AM 71 mas num mapa de Moçambique e no mesmo livro esta identificado como AM 74. Também no mesmo livro relata um ataque ao quartel de Cassacatiza (Bene) junto á fronteira com o Malawi. O mesmo Allouete teria de se esforçar um pouco menos para unir os dois locais mesmo assim 45 minutos era capaz de não chegar.Cassacatiza fica junto á fronteira com a Zambia.
É provável que haja muitas outras incorrecções .
Detectei estas porque falam de sítios que eu conheço e só agora se começou a falar sobre Tete. Um Abraço

Carlos Alves

VB: É bom que estes casos sejam detectados por nós que lá estivemos e conhecemos,pena é que não sejam corrigidos pelos seus autores,apesar das nossas chamadas de atenção para estes assuntos,

VOO 931 ESTOU FARTO DE RAMBOS!





António Martins
2ºSargºMMA Guiné
Mem Martins


Meus amigos,
Tenho estado atento a todos os voos no nosso espaço, especialmente, desde o dia 19-04-09, é claro que, como diz o Lanceiro, também começo a ficar farto de RAMBOS e repudio fortemente o publicado no Correio da Manhã.
Fui Chefe da Linha da Frente dos ALL III "CANIBAIS" na BA12, já não me lembro quanto tempo, mas foi certamente a maior parte do tempo da minha comissão de serviço na Guiné e posso afirmar que não me lembro de nenhum Helicóptero ter caído por causa do rotor de cauda, até, porque estava protegido pela quilha, alguns furos no depósito de combustível, isso é verdade, algumas mossas nas pás do rotor principal, também é verdade,algumas avarias também aconteceram, mas nada que os MMA da Linha da Frente não conseguissem resolver e se não os Heli iam para a Manutenção, onde também trabalhei algum tempo da minha comissão na Guiné, agora arames nos ALL só para frenar as porcas, quando não eram auto-frenadas.
Já agora para os ditos "Rambos" se não sabiam ficam a saber que qualquer anomalia detectada nos ALL III, bem como em qualquer aeronave, era a notadana respectiva Caderneta do aparelho e enquanto não fosse reparada e assinada o aparelho não voava.
Estou aposentado há alguns anos, em parte pelo que dei à FAP, mas isso dá-me muito orgulho, agora um Zé Especial, dizer o que disse entristece-me muito ,porque faz-me lembrar a conversa de alguns reformados aqui da minha zona,que também estiveram na guerra colonial e eu ao ouvir tanto disparate pergunto em que arma serviram e a resposta é Exercito e Marinha, sem qualquer ressentimento por essas Armas, agora de um camarada que serviu a FAP.
Os meus magnetos já falham demasiado tanto em voo como parados, por isso evito escrever histórias de que já não me lembro bem e muito menos quando tenho flashes do que aconteceu e o que escrevo nessas condições, faço como diz o Lanceiro, vai tudo para a gaveta ou então rasgo simplesmente.
Para a Linha da Frente um grande abraço, especialmente aos nossos Piloto eCo-Piloto

António Correia

Voos Relacionados:

920 – Sonhos Maquiavélicos – José Raimundo
921 – Andei atrás do Che Guevara “Realidade ou Ficção?” João Carlos Silva
923 – Amílcar Pires,os Héllis e os…Rambos – Manuel Lanceiro
924 – Andei atrás do Che Guevara “Realidade ou Ficção?” (II) – Arlindo Oliveira
925 – Nunca vi os Héllis presos por arames ?! – Pedro Garcia

VOO 930 A CAMARADA CELESTE NA "TABANCA GRANDE".




Manuel Lanceiro
Esp.MMA Guiné
Lisboa




VB: No conceituado Blog do Luís Graça e Camaradas da Guiné,através do seu post nº4242,foi publicada a notícia que assim transcrevemos:




A malograda enfermeira pára-quedista Maria Celeste Ferreira da Costa


Quando a 28 de Novembro de 1971, um elemento da Companhia acciona uma mina, ficando sem uma perna e outro elemento também ferido, ambos do 3.º Grupo de Combate é solicitada a evacuação por Via Aérea para o Hospital de Bissau.Ao chegar o helicóptero, sai dele uma enfermeira, [a Maria Celeste,] que ao ver o soldado Santos sem roupa diz que assim não leva o ferido. Para ser socorrido, utilizaram-se os restos das calças para fazer garrotes à perna e ao braço. E com tiras da roupa seguram-se alguns pensos que tapam feridas menores. O homem estava nu.Para satisfazer o pedido da enfermeira, foi pedido ao enfermeiro que tinha uma camisola interior vestida para que a tirasse e com ela tapasse o soldado ferido.No dia seguinte, a enfermeira ao aproximar-se dum Nord-Atlas distrai-se, não vê a hélice do avião em movimento e é feita em pedaços. [Ou não terá sido a hélice de uma DO 27 ?, L.G.] (...)



O Manuel Lanceiro não gostando do que leu,e muito bem,de imediato parte para este "voo":


A Camarada Celeste na "Tabanca Grande"


Barata, Todos os dias visito o nosso blog e com frequência visito também o “Tabanca Grande do Luís Graça & Camaradas da Guiné”. E ontem ao visitar a Tabanca tive esta surpresa, este espanto de prosa, pasmem-se e comentem.
Este gajo, pelo menos, podia mostrar respeito por quem já não se pode defender. Pelo menos corrigia data que a nossa camarada Celeste morreu.


Sexta-feira, 24 de Abril de 2009Guiné 63/74 - P4242: Histórias da CCAV 3420, comandada pelo Capitão Salgueiro Maia (2): Curiosidades, humor, histórias do Gasparinho (José Afonso)


(...)A malograda enfermeira pára-quedista Maria Celeste Ferreira da Costa
Quando a 28 de Novembro de 1971, um elemento da Companhia acciona uma mina, ficando sem uma perna e outro elemento também ferido, ambos do 3.º Grupo de Combate é solicitada a evacuação por Via Aérea para o Hospital de Bissau.
Ao chegar o helicóptero, sai dele uma enfermeira, [a Maria Celeste,] que ao ver o soldado Santos sem roupa diz que assim não leva o ferido. Para ser socorrido, utilizaram-se os restos das calças para fazer garrotes à perna e ao braço. E com tiras da roupa seguram-se alguns pensos que tapam feridas menores. O homem estava nu.
Para satisfazer o pedido da enfermeira, foi pedido ao enfermeiro que tinha uma camisola interior vestida para que a tirasse e com ela tapasse o soldado ferido.No dia seguinte, a enfermeira ao aproximar-se dum Nord-Atlas distrai-se, não vê a hélice do avião em movimento e é feita em pedaços. [Ou não terá sido a hélice de uma DO 27 ?, L.G.] (...)

Um Abraço

Manuel José Lanceiro
E nós,Blog especialistas da BA12,de imediato partimos a exigir a reposição da verdade nestes termos:
Queremos a reposição da verdade

Bom-Dia Luís, e restantes Companheiros da Tabanca Grande.
Tem sido longa a minha ausência,escrita, porque visualmente todos os dias cá estou,a este nosso espaço mas, como deves calcular,a minha actividade profissional aliada aos “ESPECIALISTAS DA BA12” ocupam-me o dia.
Hoje venho aqui para manifestar a minha indignação, pela calunia e falta de respeito demonstrada pelo José Afonso no seu post 4242.
Tenho ouvido dizer que nas datas c comemorativas do 25 de Abril se contam muitas histórias e realmente este senhor é um desses historiadores.
Pelo respeito que me merecem essas mulheres,EnfªPara,que se calhar trilharam caminhos onde o senhor nunca esteve,não vou alimentar polémicas sobre o seu ridículo e vergonhoso e calunioso texto,vou só e apenas dizer-lhe isto:Essa SENHORA Enfª Maria Celeste Ferreira da Costa,que o senhor menospreza não se encontrava ainda na Guiné nessa data,pois começou a sua comissão em 1972.Nunca,em tempo algum,alguma Enfº,Piloto ou Mecânico da FAP exijo condições para evacuar um ferido.Deixe-me dizer-lhe também,segundo diz na sua “história”,que é muito estranho que um homem que é ferido numa perna por uma mina estar TODO NU…Colmata a “história” com um ELEVADÍSSIMO índice de falta de respeito e educação para com quem já não faz parte dos vivos…mas tem quem a defenda,gloriando-se,como retribuição do que ela tinha feito no dia anterior, o ser apanhada por o hélice do Nord-Atlas e “feita em pedaços”. É evidente como se nota a sua pobre escrita o sentido de vingança,mas até aqui o senhor é um verdadeiro historiador,pois tal como o Luís Graça o chama atenção,eu digo-lhe que a aeronave era um Dornier DO-27.O mínimo que lhe é exigível,é que se penitencie perante os dignos utentes deste espaço,em especial ao pessoal da FAP,reconhecendo a MENTIRA da sua noticia.Victor Barata

-- Especialistas da BA12

sábado, 25 de abril de 2009

VOO 929 REENCONTRO COM O TEIXEIRA.




Augusto Ferreira
2ºSargºMil.Melec./Inst./Av. Tete
Coimbra


O MEU REENCONTRO COM O TEIXEIRA


Caros amigos, as emoções dos nossos dos reencontros ,com antigos companheiros, depois de tantos anos afastados, após aquele terrível pesadelo, que foram os anos da guerra colonial, não param.A possibilidade que nos é dada para os concretizarmos, não deve ser desperdiçada e a cada passo, temos uma nova oportunidade.Foi o que aconteceu esta semana.
Numa minha ida ao Porto em trabalho, programei um encontro com o nosso António Teixeira OCART, que esteve umas décadas a trabalhar no Luxemburgo e que agora já reformado, resolveu regressar ao solo Pátrio. Tinha estado comigo em Tete entre 72/74 e depois desses anos até agora, tinha existido um silêncio total entre nós.
Os primeiros contactos, tiveram origem a partir do nosso blog.


Legenda: O Hugo e o pai(babado) António Teixeira.
Foto:Augusto Ferreira


Combinada a hora e o local, eis que o avisto a alguma distância, com um rapazinho pequeno pela mão.Pensei, o Teixeira já tem um netinho. Vai ser uma boa companhia para ele.Companheiros, depois de um forte abraço, fiquei a saber que era o seu primeiro filho.O simpático Hugo com 4 anitos.
Como é que um especialista, não preparou a sua descendência há mais tempo? Só por distracção certamente, ou os ventos não sopraram de feição.



Legenda: O António Teixeira e o Augusto Ferreira, sobe a simpática presença Hugo.
Foto:Augusto Ferreira

Depois de pormos a nossa conversa, sinteticamente em dia e de bebermos um copo, lá tirámos as fotos da praxe, para selarmos o acontecimento.Aqui seguem, para partilharmos esses momentos convosco.
Por hoje é tudo, termino enviando um forte abraço para a cabine de pilotagem e para todos os Zés Especiais desta nossa Linha da Frente.
Até breve
Augusto Ferreira

VB: Conhecendo-te com te conheço,Augusto,acredito que estes momentos criem alguma emoção.
Hoje,em que a situação deste pais quase que nos obriga a viver de costas voltadas uns para os outros,momentos destes fazem com que o nosso ego rejuvenesça uns anos.
Para ti António,desejamos-te um regresso feliz com um bom "gozo" dessa reforma,esperando que agora, com ajuda do Hugo,tenhas mais tempo para nos contares as tuas histórias vividas na nossa FAP.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

VOO 928 O VOO 918 DO LUIS SANTOS.



Joaquim Maurício
Esp. Melec. Av./Inst. 3ª/69 Angola 72/74
Vila do Bispo, Algarve

Voo 918 Luís Santos.

Não está em causa a seriedade do Luís Santos, tão-somente a nossa de todos nós perante quem de fora nos visite.
Nem tão pouco alguém tem de pedir desculpa, por um erro que involuntariamente cometeu na melhor das intenções.
Todos ouvimos, historias relatos de feitos grandiosos, alguns verídicos, outros nem tanto, mas enfim, assim era a nossa vivência.
Termino enviando cumprimentos a toda a linha da frente, especialmente ao Luís Santos pela sua frontalidade e coragem demonstrada.

Voos Relacionados:

Voo 918 - O Desconhecimento leva-nos ao erro.É bonito reconhecer.


VB:Amigo Mauri,este teu esclarecedor "voo",é bem o sinónimo do grau de honestidade com que sempre vincamos os nossos princípios adquiridos,parte deles,na aquela grande escola que se designa por FAP

VOO 927 RECORDAÇÕES DE UM FOTOGRAFO EM BISSALANCA.(1)






Cristiano Valdemar
Esp.MMA Guiné
Sobreda da Caparica

Amigo Victor
Aqui vão umas fotos para recordar.
Para quem não viu, aqui estão os livros da 1ª e 2ª classes do alunos das escolas do PAIGC.
Panfletos do PAIGC para propaganda.
Um abraço
Cristiano 1º cabo MMA












Fotos: Cristiano Valdemar(Direitos Reservados)

VB: Pois a tua vida de fotografo "profissional" em Bissalanca,deu-te o o prazer de hoje poderes ostentar estes documentos históricos.

VOO 926 HELICÓPTEROS PRESOS POR ARAMES?SÓ PODE SER GAFE DA EDITORA!



Fabricio Marcelino
Esp.MMA Guiné
Leiria


Amigo Barata, não tenho por hábito duvidar da veracidade dos outros,mas tenho algumas interrogações sobre o que se disse da entrevista dada pelo nosso colega Mecânico de Rádio, Amílcar Pires,numa revista do correio da manhã,referente às condições em que voavam os Allouete III em Angola,muitas vezes presos por arames! Vários rotores da cauda partiram,levando à queda dos helicópteros?Então andariam mesmo presos por arames!
Este artigo só denegrio a Força Aérea e os seus heróicos mecânicos.
Aqui são igualmente relatadas as muitas dezenas de evacuações que o mesmo fez porque fazia parte da tripulação e, das seis dezenas de mortos que lhe passaram pelas mãos! Então a tripulação era constituída,além do piloto,por MEC.RÁDIO? Em vez de MMA e nalguns casos, também MARME? Na Guiné, no meu tempo,quando estávamos de Mecânico de Dia, e porque havia pouca gente, também tínhamos como ajudantes de mecânico, os colegas de outras especialidades e, por vezes sargentos.Mas estava lá sempre o responsável MMA de serviço! Ou seja o ajudante,não substituía o outro.
Alguns militares, eram empurrados por não terem coragem para saltar? Nunca ouvi tais comentários deste género na Força Aérea. Pelo contrário.Como o colega se refere aos também corajosos paraquedistas, que pensarão eles disto? Nunca os conheci como medricas, ao ponto de terem que ser empurrados para cumprirem o seu dever,por muito perigoso que fosse.
Sinceramente, espero que tenha sido uma gafe e que este colega,venha informar toda a tertúlia que foi erro da editora,só pode ser,ou então, a Força Aérea modificou imenso o seu grau de exigência de operar em relação ao meu tempo,1960/63.
Como toda a tertúlia tem conhecimento,fui MMA mas dos F-86F.No entanto, o elevado nível de exigência operacional que a Força Aérea obrigava,era o mesmo.Em caso de haver uma dúvida, substituíam-se as peças.
Na Guiné, aconteceu sim, raramente, em momentos de emergência, alguns pilotos do F-86F,pediram aos mecânicos, para fazerem eles a inspecção dos 360º, enquanto subiam para o avião e, porque tinham imensa confiança nos mecânicos.
Agora descoroar a segurança com arames ou algo parecido? Só pode ser para rir.
Os meus cumprimentos
Fabrício Marcelino

Voos Relacionados:

VOO 925 ENCONTRO ANUAL DO PESSOAL DA BASE AÉREA nº10.

Legenda:Vista aérea da cidade da Beira-Moçambique

O Pessoal que esteve na Base Aérea nº10,Beira-Moçambique,vai realizar no próximo dia 9 de Maio,em S.Martinho de Árvore,Estrada Nacional 111(a 10 Km de Coimbra),o seu tradicional encontro anual.
Preço por pessoa 15€
Contactos:
Inácio 969013089
Fernando Duarte 919479595`
É mais um encontro de camaradas que na sua juventude,em plena guerra,criaram uma amizade
que jamais perderam.
Vem recordar aqueles momentos importantes que marcaram a nossa vida.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

VOO 924 NUNCA VI OS HÉLLIS PRESOS POR ARAMES?!...



Pedro Garcia
Esp.OPC Angola
Baixa da Banheira



Chamado a atenção, também li a reportagem do Correio da Manhã sobre as desventuras do nosso colega Mrádio em terras de Angola.
Estive em Angola, durante 26 meses, era OPC, estive em operações com a esq. 94, em que os meios aéreos eram os hélis, Allouete ou Puma as DO27 e os Nordatlas (barriga de ginguba) e os DC3, estes últimos para nos deslocarmos com a bagagem de um lado para o outro.Voar, para além das deslocações, só por convite ou a pedido, para fazermos alguma EVAC, (1) RVIS (2) ou DMOV (3) .Nesse período quem manuseava o helicanhão era o mecânico do aparelho, ou seja um MMA. No entanto foi-me dado a conhecer que em períodos anteriores teria sido manuseado por paraquedistas e mecânicos de armamento.
Sobre a reportagem do Correio da Manhã não me identifiquei com ela, poderei dizer que no meu tempo nada era assim, mas como foi em período anterior não poderei desmentir.Uma coisa é certa, os héllis não andavam presos por arames e, na minha altura, já eram um pouco mais velhos.Poderei até afirmar que eram muito bem tratados, quando chegavam, fosse a que horas fosse e mesmo que chovesse torrencialmente, levavam sempre o tratamento adequado, eram devidamente resguardados e só depois é que o mecânico respectivo dava por terminado o seu dia de trabalho, passando depois para a reposição da sua higiene pessoal e, de seguida, após a refeição, passava para o divertimento com as "loiras" da região. (Nocal, Cuca e, em menor escala a Eka).
Li o relato do Carlos Alves e com aquela descrição eu, imediatamente, me identifiquei, eram reacções de especialista. Embora o relato se refira a Moçambique em Angola o especialista era assim.Não que não fosse capaz de enfrentar e resolver situações perigosas, no entanto enquanto elas não aconteciam o "stress" era imenso.
Pedro Garcia OPC 3ª/69Angola 71/73

(1) EVAC Voo de Evacuação
(2) RVIS Voo de Reconhecimento Aéreo
(3) DMOV Voo Diversos Movimentos

Voos Relacionados:

VOO 923 "ANDEI ATRÁS DO CHE GUEVARA "REALIDADE OU FICÇÃO" (II)



Arlindo Pereira
2ºSargºMil.MMA Tete
Lisboa

Há um ditado popular, que diz " quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto ".
Acabo de fazer uma visita ao nosso Blog, e à semelhança de muitos Zés, também fiquei pasmado com a história do Amílcar Pires.
Como MMA também passei por Alverca, após terminar o Curso de Sargentos, afim de frequentar um Curso de Helicópteros Allouettes II e III, em Janeiro de 1973 voei até Moçambique, sendo colocado no AB7 - TETE, tendo-me fixado na Manutenção e surgiu a possibilidade de ficar na Secretaria dos Helis, não quero cometer o erro mas penso que na altura para ocupar a vaga que o Sarg. Aj.MMA Manuel Papelão ? Iria deixar, porque ia regressar ao Puto, o homem era cá uma esponja, cuidado que para acordar o pessoal, pois ele era madrugador, colocava as nádegas fora da porta do seu quarto, fazendo assim a alvorada que ecoava naquele corredor. Fiz este preâmbulo porque ainda tenho em mente tudo o que se passou após o fatídico acidente na Placa da Linha da Frente a 29 de Agosto de 1974, onde perderam a vida quatro companheiros onde se inclui o 2º Sarg.MMA, VITÓ. Após este acidente todos os documentos relacionados com o Helli foram vasculhados na tentativa de verificar se tinha havido alguma falha do secretariado, no que diz respeito a alguma inspecção ou substituição de algum órgão, que não se tivesse feito dentro das tolerâncias estabelecidas, infelizmente foi um erro humano dos que perderam a vida, vem isto a propósito que os Hellis eram controlados ao pormenor e nunca me apercebi que fossem colocados acessórios, nomeadamente arames para eles voarem de acordo com as normas do fabricante, por isso posso dizer ao Amílcar Pires, o que aqui estou a contar é verídico, e por aqui me fico, enviando um grande abraço a toda a Linha Frente, e que aproveitem este nosso local de encontro, para irem contando as nossas histórias que vão servindo para avivar as nossas mentes por vezes um pouco esquecidas.
Arlindo Pereira

Voos Relacionados:

VOO 922 AMILCAR PIRES,OS HÉLLIS E...OS RAMBOS!


Manuel Lanceiro
Esp MMA "Canibais" Guiné
Lisboa
AMILCAR PIRES E OS HÉLIS.

Ainda sobre o Amílcar Pires e os Hellis.
Toda a gente tem a liberdade de escrever o que quiser. Pode escrever só por puro prazer, para meter na gaveta, para um número restrito de amigos, para ler aos netos, até para de seguida rasgar e deitar fora.Agora se pensa publicar num jornal ou numa revista (não importa a se a publicação é um jornal ou revista de carácter nacional, regional ou até local) tem que ter cuidado, com o que escreve.
Neste caso o Amílcar Pires meteu os pés pelas mãos, e embrulhou-se todo. É notório que está a contar uma estória que não tem ponta por onde se pegue. Ofendeu muita gente que não merece e que de certeza arriscou muito mais do que ele, que pelos vistos, limitou-se a contar uma estória de guerra que só existiu na cabeça dele. Podia pelo menos ter se informado como é que funciona um AllIII, qual era a sua tripulação. Há muita gente que o elucidaria com certeza. Podia também escrever uma estória de ondas curtas e ondas médias.
Já me começa a cansar esta conversa de “rambos” que fartaram de voar, de fazer evacuações e operações, que foram protagonistas das maiores façanhas.
Um abraço
Manuel José Lanceiro
Voos Relacionados:


920 – Sonhos Maquiavélicos – José Raimundo
921 – Andei atrás do Che Guevara “Realidade ou Ficção?” – João Carlos Silva

VB: Olá Lanceiro.Sobre este assunto,e seguindo o velho ditado "Quem não se sente não é filho de boa gente",estamos a tentar esclarecer junto da redacção da referida revista a veracidade dos factos,pois podemos também admitir uma redacção do texto menos correcta por parte do jornalista.
Após este esclarecimento e face ao conteúdo do mesmo entraremos,ou não,em contacto com o Amílcar no intuito de repor toda a verdade que o assunto merece.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

VOO 921 HISTÓRIAS DA GUERRA.




Carlos Alves
Esp.MMA Tete
Alvaiazere

Histórias da Guerra

Boa Noite Companheiros.

O A.M.72 da Estima ficava paredes meias com o quartel do exército e pelo menos desse lado estávamos protegidos contra visitas indesejáveis,mas dos outros lados era uma porta aberta. Receando um dia sermos apanhados á mão metemos mãos á obra e com o auxílio do pessoal do exercito começamos a plantar estacas á volta do A.M.para depois espalharmos arame farpado.O arame tínhamos que o ir recolher ao Perímetro de Segurança da barragem de Cabora Bassa,que tinha sido alargado e colocado arame novo,portanto havia que chegasse e ainda sobravam kms dele.
Um dia depois do almoço partimos em direcção ao Songo, a cerca de 15 kms, encavalitados numa camioneta cisterna que abastecia o A.M. de agua .Éramos uns 5:o condutor,um soldado SG,um MARME,um de MRadio que estava na Estima a montar uma antena e eu MMA.


Legenda: Aqui empunhando a arma que lhe facultaram para a saída.
Foto: Carlos Alves(direitos reservados)

Cada um de nós levava uma G3, algumas munições e umas 2 ou 3 granadas. O percurso embora não fosse considerado muito perigoso havia sempre o risco de uma emboscada,minas talvez não, a estrada era asfaltada. Mais ou menos a meio do percurso a camioneta avariou.O local não era lá assim muito simpático,de um lado da estrada uns enormes penhascos e do outro grandes árvores e mata serrada.Mas, para nós, aquilo era uma oportunidade de evidenciarmos as nossas capacidades tácticas de defesa e, quiçá, combate. Montamos logo um perímetro de defesa ao camião.Disparamos umas rajadas em redor tentando intimidar o inimigo,caso estivesse na zona. Não estávamos ali para brincadeiras,éramos corajosos ,bem armados e melhor treinados.Todos se lembram das "técnicas de luta antiguerrilha" que aprendemos na Ota...!
Aquilo até estava a ser divertido.Aguardávamos que entretanto passasse alguma viatura do exercito e ficava o nosso problema resolvido.Mas nada. Começou a fazer-se tarde e a situação era agora um pouco assustadora.Pusemos a hipótese de alguém seguir a pé para pedir ajuda mas,como éramos poucos,era perigoso para quem ia e para quem ficava.Optamos por ficarmos juntos. Entretanto começou a escurecer e como "á noite todos os gatos são pardos",já víamos turras por todo o lado,cada árvore era UM.O medo instalou-se de vez. O gajo de rádio não se calava,eu tremia que nem varas verdes,já não conseguia ver os outros. Eis que de repente se começa a ouvir o barulho de um helicóptero.Era o Cap.Santos seguindo a estrada á nossa procura,que lá de cima ainda se via qualquer coisa.Corremos para a estrada, ele abanou a máquina e voltou para casa antes que a noite lhe tornasse os olhos inúteis .
O Allouete de noite ou de dia só conta mesmo com os olhos do piloto.
Passada 1 hora estávamos de volta á Estima a reboque de uma viatura do exército.
Um abraço
Carlos Alves

VOO 920 ANDEI ATRÁS DO CHE GUEVARA" REALIDADE OU FICÇÃO?"



João Carlos Silva
Co-Piloto do Avião
MMA, BA6, 2ª/79
Sobreda da Caparica



Companheiros da Linha da Frente,
Após um ou outro contacto que recebi de companheiros nossos e da leitura de algumas mensagens noutros fóruns, como o site dos nossos companheiros NANAMUE, verifiquei incredibilidade e nalguns caso revolta relativas a algumas passagens do texto acima referido.
Para enquadrar, este texto foi publicado em 19 de Abril na revista suplemento do “Correio da Manhã”, num espaço designado de “A Minha Guerra” e por nós publicado no “nosso” Blog.
As questões levantadas pelos nossos companheiros, a maioria que serviu nos Helicópteros e que portanto conheceu bem estes aparelhos do ponto de vista técnico e que viveu directamente cenários de operações, de reabastecimentos e de recuperações em teatro de guerra, prendem-se fundamentalmente com algumas (des)informações, técnicas e também com a constituição da dita “tripulação” e respectiva especialidade nas recuperações, descritas nesse texto.
Fico com a dúvida se a necessidade destas chamadas de atenção pelos nossos companheiros se devem ao Entrevistado ou ao Entrevistador.
O objectivo do “nosso” Blog é o de congregar todos os Especialistas da Força Aérea e outros camaradas, para recordar memórias da Guerra Colonial na Guiné (e não só, acrescento eu), desta forma tem sido evidente a expressão de passagens desses tempos, na primeira pessoa, mas seguramente que todos queremos que essas passagens sejam o mais fidedignas possível, por respeito a quem as viveu e porque são registos que ficam para os mais jovens.
Desta forma, parece-me importante dar nota deste assunto e respectiva reserva face às referidas informações constantes no texto e por outro lado que continuemos a fomentar a colaboração entre os Especialistas que viveram acontecimentos desses na primeira pessoa, publicando os seus textos ou indicando ligações para importantes repositórios de informação sobre o assunto.

Até breve.
Saudações Especiais,

João Carlos Silva, MMA,
Jaguares (FIAT G-91), 2ª/79

VOOS Relacionados :

920 – Sonhos Maquiavélicos

VOO 919 SONHOS MAQUIAVÉLICOS.



José Raimundo
Esp.MMA Mueda
Coimbra



SONHOS MAQUIAVÉLICOS


FOI COM UMA CERTA ESTUPEFACÇÃO QUE LI E RELI A CRONICA(????) IN "CORREIO DA MANHA". ACERCA DAS AVENTURAS E DESVENTURAS DE UM NOSSO EX-CAMARADA (??????) DE SEU NOME AMÍLCAR PIRES.
POIS BEM, FUI MECÂNICO DE MATERIAL AÉREO DE 1968 A 1973. FIZ SERVIÇO EM ALLOUETTES III , UNS MESES (POUCOS), NA LINHA DA FRENTE DOS MESMOS EM TANCOS. SE CONTABILIZAR EM ANOS O TEMPO EM QUE PRESTEI SERVIÇO NESTAS AERONAVES , PODE TRADUZIR-SE + OU - EM 4 ANOS.
VOU CENTRAR O MEU COMENTÁRIO SOBRE O ESCRITO NO REFERIDO JORNAL, SOBRE ACTUAÇÃO DE UM PSEUDO MECÂNICO AVIADOR, E TALVEZ UM MAU CONTADOR DE HISTORIAS.
POIS BEM. VAMOS A FACTOS.
DURANTE A MINHA COMISSÃO EM TERRAS DE MOÇAMBIQUE E NO AUGE EM QUE A GUERRILHA ESTAVA A IMPOR AS SUAS LEIS., NÃO ME LEMBRO DE TER HELICÓPTEROS(ATADOS COM ARAMES.....), DE SE TEREM PARTIDO ROTORES DE CAUDA(AS PÁS DO ROTOR, SIM SENHOR, E VERDADE...), TIROS NO APARELHO TAMBÉM E VERDADE! AGORA TROPAS QUE NORMALMENTE ERAM MILITARES DE ELITE(FUSOS,PARAS OU COMANDOS), COM MEDO DE SAÍREM AO PONTO DE SEREM EMPURRADOS!.....NUNCA ME APERCEBI DISSO. DEPOIS VEM AQUELA DE TER QUE CONTAR OS MORTOS. POR FAVOR.... ESTA E DEMAIS. OLHA AGORA TERMOS TEMPO PARA ANDAR A CONTAR OS MORTOS. E OS FERIDOS, NÃO? E AGORA VEM OUTRA. O DESLIGAR O APARELHO EM VOO PORQUE O MESMO ESTAVA COM PROBLEMAS.SERÁ QUE O MESMO ESTAVA EM RISCO DE EXPLODIR? GRANDE PILOTO QUE DEMONSTROU UM SANGUE FRIO BRUTAL. O NOSSO CRONISTA NÃO SE TERÁ CONFUNDIDO COM A INSTRUÇÃO DE PILOTOS EM QUE SE FAZIAM AS AUTO-ROTAÇÕES? DEPOIS ,CAÍRAM SEM SE ALEIJAREM. TALVEZ TENHAM CAÍDO NALGUM COLCHÃO DE SUMA A UMA. E PARA TERMINAR ESTE REPARO, SÓ NÃO COMPREENDO COMO E QUE EM 1965/1966 UM MECÂNICO DE RADIO FAZIA O SERVIÇO DE MATERIAL AÉREO?
NA MINHA ALTURA, A TRIPULAÇÃO NORMAL ERA COMPOSTA POR PILOTO E MECÂNICO. NO HELI CANHÃO A TRIPULAÇÃO ERA COMPOSTA POR PILOTO E MECÂNICO DE ARMAMENTO QUE FAZIA IGUALMENTE DE ATIRADOR. AGORA MRAD DESEMPENHAREM A MISSÃO DE MMA, NÃO ME LEMBRO. COMPREENDO AGORA, A SER VERDADE, OS HELIS ANDAREM ATADOS COM ARAMES. POBRES APARELHOS!!!!........E POR ESTAS E OUTRAS QUE TAIS, QUE SOMOS E SEREMOS SEMPRE MAL VISTOS PERANTE A SOCIEDADE.
SE E PURA FICÇÃO DO NOSSO AMIGO AMÍLCAR PIRES, QUE DIGA DE SUA JUSTIÇA. SE HÁ DETURPAÇÃO JORNALÍSTICA, QUE SEJA REPOSTA A VERDADE. RAIMUNDO/HELICOPTEROS/MOÇAMBIQUE/1971-1972.
UM ABRAÇO PARA TODA A MALTA DA LINHA DA FRENTE

OBS: FALTOU-ME REALÇAR TAMBÉM UM PORMENOR MUITO IMPORTANTE. E QUE, TAMBÉM FAZIA PARTE DAS TRIPULAÇÕES ,ERA ESSA MULHER GENEROSA E ABNEGADA: A ENFERMEIRA PARAQUEDISTA.



VB: Amigo Raimundo,o contexto da notícia publicada na Revista Magazine de 19 de Abril último, na rubrica "A Minha Guerra",deixa-nos realmente um pouco indignados com o que se lê,no entanto será bom,e estamos a providenciar nesse sentido junto da redacção da citada revista,que se soubesse como as coisas se passaram,ou seja,terá o nosso companheiro dito o que está escrito? Poder-se-á admitir que o jornalista tenha deturpado situações? De uma maneira ou da outra estou de acordo contigo,à que repor a verdade dos factos.
Não concordo contigo é dizeres que estamos mal vistos na sociedade! Essa não,Raimundo. Pelo contrário,a nossa classe pode orgulhar-se do serviço que prestou.

terça-feira, 21 de abril de 2009

VOO 918 COMUNICADO DA DIRECÇÃO DO NÚCLEO COIMBRA DA AEFA.




Associação de Especialistas da Força Aérea (Núcleo de Coimbra)


VB:Recebemos da Direcção do Núcleo de Coimbra da AEFA,com pedido de publicação o seguinte comunicado:

NÚCLEO DE COIMBRA, EM ROTA DE COLISÃO COM A AEFA


A hegemonia, mais uma vez levada a cabo por parte da Direcção Nacional, da AEFA, nas eleições dos corpos gerentes para o biénio 2009/2010, levaram o núcleo de Coimbra na sua Assembleia de 21 de Março, a aprovar a moção que se anexa e que foi presente na Assembleia Geral da AEFA, para a referida eleição, no passado dia 28 de Março.
Como exemplo da composição da Direcção Nacional, salientamos que: numa Direcção de sete (7) elementos, seis são do Porto e um de Setúbal. Este, o sócio Cascão, só aparece para lhes fazer o “frete” de representar a AEFA na zona de Lisboa quando essa necessidade surge (?).
Para análise da situação, o Núcleo voltou a reunir-se no passado dia 18 de Abril, tendo os sócios presentes reiterado a disposição manifesta na referida moção. Foi ratificada a posição anterior.
Como se refere na moção e porque basta de tanta indiferença relativamente à não consignação da participação activa dos núcleos na condução da vida da Associação, reiteramos, mais uma vez, que: Especialista, sempre. AEFA, nestas condições, não.


Cópia da moção apresentada na Assembleia-Geral da AEFA, em 28/03/09:



MOÇÃO



Os Associados do Núcleo de Coimbra da AEFA reunidos em Assembleia Geral decidiram por unanimidade expressar o mais veemente repudio pelo comportamento da Direcção Nacional em relação a este Núcleo de Especialistas que nos últimos anos tem demonstrado ser forte, coeso, disponível e trabalhando sempre em prol da causa aeronáutico e de quem a serviu.
Dos convites formulados para a integração nos Órgãos Directivos da AEFA verificou-se de novo a predominância de elementos do Porto, onde nem sequer existe Núcleo, desrespeitando o universo dos restantes. Aliás sempre foi o objectivo do Núcleo de Coimbra unir os diversos associados e fazer com que os Núcleos tivessem uma voz activa e actuante nos destinos da AEFA, como se veio a verificar com a integração de um elemento no projecto de revisão dos Regulamentos Internos.
Como a abrangência volta a não acontecer com a lista agora proposta a sufrágio os Associados do Núcleo de Coimbra decidiram por maioria esmagadora com um voto contra, não comparecer na Assembleia Geral marcada para o próximo dia 28 de Março de 2009 e mais uma vez pensam que ficam protelados por dois anos, ou talvez mais os seus objectivos, sendo que perante esta situação não se sentem com disponibilidade para colaborar com as iniciativas a propor pela AEFA e privilegiar apenas aquelas que venham a ser desenvolvidas pelo Núcleo e nestas trabalhar afincadamente.
Para terminar resta desejar aos novos Corpos Sociais da AEFA a eleger, um mandato com trabalho, rigor em prol da união dos associados e respeitando os Regulamentos Internos que no nosso entender estão apenas aprovados no papel com a engenhosa redacção que foi dada á acta da Assembleia de 27 de Setembro de 2008, servindo-se abusivamente do voto de confiança dado para a sua elaboração.
Dando voz a um pensamento já recorrente entre muitos associados.

“ ESPECIALISTAS Sempre !! - AEFA nestas condições Não !! ”




Os Associados do Núcleo de Coimbra reunidos em
Assembleia-Geral no dia 21 de Março de 2009

VOO 917 O DESCONHECIMENTO LEVA-NOS AO ERRO. É BONITO RECONHECER.




Luis Santos
1ºCbº.Enfº. Tete
Cacém


Amigo Barata:
Ao abrir o Blog, deparei com um reparo, que com muita razão, tem a força de o ser.
Pois o nosso camarada Joaquim Maurício, corrigiu, o que parece ser o mais aceitável, no que reporto no Post 831 do Luís Santos

“Posso até citar um caso, que se passou em TETE, quando a uma determinada altura, num voo, de DO, em que o Mecânico de bordo, de Alcunha o Negro, meu colega, ajudou o piloto, numa situação de emergência, quando o motor, parou subitamente, e a aeronave entrou em perda, ele, muito rapidamente, ligou os magnetos, e de imediato, deu a ignição, e o motor, se pôs em marcha, porque, já estavam muito próximos das copas das árvores.”


Por desconhecimento. porque a minha especialidade não era a de MMA, ou MELEC mas sim a de enfermeiro, e quem sou eu para discutir tais materiais, a que não tinha acesso, e nem eram obrigatórias eu saber.
Acontece, e para que não restem duvidas, á data dos acontecimentos, já lá vão cerca do 40 anos, e quando, vou ás minhas memórias do meu disco rígido, já muito cansado, vou encontrando, esta passagem, aquela e outra, que poderão estar até desfasadas no tempo, disso não tenho duvidas. Se pudesse-mos trocar de disco, seria óptimo, mas assim, teremos que conviver com o que temos até que a maquina pare de vez.
É possível até que tenha percebido, as coisas ao contrário, mas penso, que foi o que ouvi do meu colega Negro, na altura. Se desligaram o motor em voo, ou não, não sei porque não estava presente, na altura dos acontecimentos, e nem sabia de tais procedimentos, para se por um motor de avião em marcha.
O meu local era a enfermaria, onde tinha sempre muito que fazer, desde, fazer pedidos aos serviços de Saúde de L. Marques, requisitando medicamentos, marcações de consultas, dar assistência aos médicos, e o serviço de enfermaria, assistência a doentes, pensos, e todo o trabalho de enfermaria, por vezes ter de me deslocar para fazer evacuações a TETE civil (Aeródromo) levar doentes, através de Helli, ou Do27, e quando os casos não eram de cuidados, ia de ambulância, Tete, ficava a 7 km, na zona do Chingosi, na outra margem do rio Zambeze, mais conhecido por Matundo.
Não sabia da parte de que os magnetos estariam sempre ligados, porque isso, me transcende por completo, não era essa minha área.
A minha área, era a de tratar de doentes, dar-lhes as vacinas, e proporcionar-lhes o conforto possível, dos seus corpos, quando estavam doentes, ministrando-lhes, medicamentos, receitados por os médicos da unidade, e dar-lhes um pouco de conforto psicológico, quando, a moral, estava em baixo, tentando na medida do possível, para que pudessem superar, as saudades dos seus entes queridos que tinham deixado em Portugal.
Uma das vezes que fui dar vacinas da cólera, a Mutarara, até fiquei surpreendido, porque julgava que ia de DO27, e qual não foi o meu espanto, fui de T6, com o Furriel Paixão, tive que vestir o paraquedas, de assento, até gostei da experiência.
O Furriel paixão, mais tarde viria a falecer, em frente á cidade de TETE, num desastre, tendo este caído no rio Zambeze, com a DO27, tinha ido fazer uma evacuação, a TETE Civil, e no regresso, na ascensão um dos cilindros do motor, explodiu, e acabou por ir cair no rio, foi encontrado no outro dia, pelo Capitão PilAv. Silvestre.
Se errei, foi por desconhecimento total, que desde já agradeço ao Joaquim Maurício, o seu reparo, e a parte pedagógica, que mostrou mais abaixo, como era que os mesmos funcionavam, e assim se desfez equívocos.

Um abraço para todos,

Luís Santos Ex-1º Cabo Enfº AB7 TETE

Voos Relacionados:
831 Se eu acredito sou enganado – Luís Santos
914 Apresentação do Joaquim Maurício

VB:Olha Luís,uma das grandes virtudes desta família,é a humildade.
Mais uma vez a colocaste em pratica com este teu pedido de desculpa,pelo equivoco,ao Maurício,assim como ele sentiu que te devia fazer sentir o devido esclarecimento para que o verdade fosse reposta.

domingo, 19 de abril de 2009

VOO 916 ENCONTROS QUASE IMEDIATOS




Miguel Pessoa
Cor.Pilav.(Refº) Guiné
Lisboa
ENCONTROS QUASE IMEDIATOS

A esquadra 121 da BA12 operou nos últimos anos do conflito na Guiné três tipos de aeronaves. A actividade de voo prevista para cada piloto da Esquadra apontava para a necessidade de todos saberem voar mais que um tipo de avião, de maneira a rentabilizarem ao máximo a sua disponibilidade para voo.
Ao chegarem à Base, os pilotos vinham qualificados pelo menos num de dois tipos de avião ali existentes - T-6 ou Fiat G-91. O DO-27, o terceiro avião do plantel, sendo um avião relativamente fácil de voar, deveria ser operado por todos os pilotos da Esquadra, motivo porque uma das primeiras tarefas que nos davam era a qualificação neste tipo de avião. Isso era feito utilizando os pilotos mais batidos para instruírem os novatos (vulgo "piras") na arte de dominar aquela cavalgadura.
Por norma a única experiência dos pilotos dos Fiat G-91 com aviões convencionais (os que têm aquele pauzinho à frente...) tinha sido no início, na instrução elementar de pilotagem, onde tinham voado o pequeno Chipmunk (bilugar monomotor de asa baixa), passando depois para os jactos, numa sequência lógica que os fazia passar por qualificações sucessivas no T-37, T-33 e F-86, culminando numa adaptação ad-hoc ao Fiat G-91 - no meu caso pessoal 25 horas voadas na Base Aérea 5 (Monte Real) - antes de embarcar para o fim do mundo.
Pessoalmente não senti dificuldades significativas nessa adaptação ao DO-27, dado que, ainda antes de ser brevetado na Força Aérea, já tinha obtido o meu brevet civil no Aero-Clube de Portugal, onde voei essencialmente o Auster, um avião ligeiro de asa alta. Este avião tinha em comum com o DO-27 uma característica que não era muito habitual noutros aviões militares. Sucedia que o piloto, voando do lado esquerdo e tendo a manete do motor a meio do tablier, tinha que usar a mão esquerda para controlar os comandos do avião, o oposto daquilo a que ele estava habituado. Essencialmente o que se verificava era uma menor sensibilidade na execução das manobras, principalmente na fase de descolagem e aterragem (particularmente nesta última). Mas não era nada que não se ultrapassasse com algumas horas de voo no avião. No meu caso nem senti esse problema, pois estava habituado a pilotar de modo igual com qualquer das mãos (mas provavelmente pouco com a cabeça, como se poderá ver mais à frente...).
Tive a sorte de me calhar um instrutor de primeira, o Comandante do GO1201, TCor. Brito, o qual me ensinou em rápidas e elucidativas demonstrações como poderia dominar o avião sem danos significativos no mesmo... E a partir daí fiquei apto a desempenhar todo o tipo de missões no DO-27.
Estarão a perguntar-se para que serviu toda esta conversa até agora. Dois motivos me orientaram: Primeiro, a história que tenho para contar resume-se em poucas palavras e assim o texto fica mais composto com esta introdução; segundo, sempre é uma oportunidade de os leigos lerem alguma coisa sobre a Força Aérea e perceberem que isto de trabalhar sentado não é necessariamente coisa fácil...
Entramos finalmente na história que estou há mais de quanto tempo para contar. Expliquei que me sentia à vontade a voar o avião; mas sei hoje, pela minha experiência, que quanto mais à vontade, maior a tendência para a asneira, por sobrevalorizarmos as nossas competências e ultrapassarmos os limites do razoável.

Legenda:Carta da Guiné onde se localiza Cacine.
Foto:
Miguel Pessoa (direitos reservados)

Tem isto a ver com a missão que me levou num DO-27 até à pista de Cacine, isto já no tempo do míssil Strela, o que me obrigou a fazer o percurso até lá a baixa altitude. Mandavam as regras que nesses casos, quando se chegasse ao destino se fizesse uma volta em espiral a subir de modo a posicionar o avião apontado à pista, tentando pôr-se o estojo no chão o mais depressa possível, para evitar ser alvejado.
Assim fiz, mas a volta que executei deixou-me um bocado mais alto do que devia em relação ao início da pista. Prossegui aumentando a razão de descida, o que fez aumentar a velocidade do avião, mesmo com o motor reduzido (i.e., na rotação mínima) - isso tem como consequência natural aumentar também a distância percorrida na aterragem até conseguir imobilizar o avião (a que chamamos "corrida de aterragem").
Até aqui, mal nenhum, porque qualquer aviador esperto sabe que pode tentar uma segunda vez: mete motor, volta a subir e dá a volta (procedimento a que chamamos "borregar") e faz uma nova aproximação à pista, de preferência melhor que a primeira...
Entram então aqui os factores envolventes que por vezes condicionam o discernimento do aviador e o levam a pensar com os pés, conduzindo-o ao desastre. Neste caso, poder-se-iam considerar três: primeiro, o facto de, voltando a subir, ir expor o avião a qualquer atirador entretanto alertado pelo barulho da aproximação inicial; segundo, o facto de no fundo da pista estar estacionado um outro DO-27 que tinha transportado o Gen. Spínola até ali, com o piloto descontraidamente encostado ao avião enquanto aguardava o seu regresso do quartel - ninguém gosta de fazer figuras tristes à frente dos seus...; terceiro e último, a presença na pista de um bom número de militares que esperavam igualmente o regresso do Gen. Spínola - e o que é um facto é que ninguém gosta de fazer figuras tristes à frente de quem quer que seja...
Assim, por uma questão de brio (neste caso, mais propriamente falta de humildade) resolvi prosseguir para a aterragem. Como era de calcular, aquele excesso de velocidade levou-me a tocar o solo bastante mais à frente do que o habitual, o que me levou a calcar desesperadamente os travões, tentando reduzir rapidamente a velocidade do avião. O facto é que começava a aproximar-me rapidamente do fim da pista... e também do DO que lá estava estacionado, bem no sítio para onde o meu avião apontava.
Tudo indicava que, embora já com velocidade reduzida, não conseguiria parar completamente o avião até chegar lá, pelo que decidi provocar o que se costuma chamar um "cavalo de pau", alterando rapidamente a direcção em que o avião avançava, fazendo um pião em que o avião rodasse 180º, ficando aquele virado em sentido contrário. E assim foi - muito resumidamente, que não gosto de me lembrar disto - travagem forte no pedal direito, fazendo o avião iniciar uma rotação brusca para esse lado, logo seguida de uma travagem brutal com o travão esquerdo, obrigando o avião a rodar para a esquerda; finalmente, quando o avião estava quase a completar os 180º de rotação, uma travadela final com o travão direito para parar a rotação (e para acabar com o resto dos travões...). A verdade é que o avião acabou parado, de costas para o outro DO e a poucos metros dele... um bambúrrio de sorte que eu dificilmente poderia voltar a ter.
O pessoal de Cacine pareceu-me ter ficado impressionado com a demonstração de performance cá do aviador, mas o olhar que o outro piloto me deitou esclareceu-me perfeitamente quanto ao risco parvo que tinha corrido; e nem quero pensar no que teria sido o meu futuro como piloto se o Gen. Spínola, no seu regresso, tivesse deparado com os dois aviões enfeixados...

Miguel Pessoa


VB:Pois é Miguel,o meu avo sempre me disse que: "DOS FRACOS NÃO REZA A HISTÓRIA"

VOO 915 UM DIA INESQUECÍVEL.



Aniceto Carvalho
MMA, 1952
Angola, Moçambique
Montijo


Um dia inesquecível

7 de Julho de 1954, um dia como qualquer outro. Tinha as minhas obrigações. Não estava nos meus planos alterar rotina. Deixou de ser. O Laudem Macedo correu ao meu encontro: disse-me que o primeiro-tenente Rodrigues andava à procura de um "gajo" de Aveiro. Eu conhecia o oficial. Calculei para mim: "Sou da região de Coimbra... para o primeiro-tenente Rodrigues, não deve fazer grande diferença", concluí.
Não me enganei. Dei uma palavrinha ao chefe da manutenção, minutos depois estava no ar.
Com 19 anos acabados de fazer, no máximo do sonho de jovem aviador, ir à terra de avião era uma coisa que ultrapassava tudo o que de melhor me podia acontecer. Sabia que o meu avô, o homem que me tinha criado, estava muito doente... mas que a minha irmã fizesse 18 anos nesse dia, nem me passava pela cabeça.
Fixar datas de anos nunca foi o meu forte. Toda a gente que me conhece sabe disso.
A minha irmã tinha acabado de receber duas cartas de parabéns dos nossos dois irmãos mais novos a seguir a nós, do Carlos e do Alcides... estava a reprovar e a lamentar o meu "lendário esquecimento":
- Como sempre, só o Aniceto nunca se lembra dos anos de ninguém.
O meu pai ouviu roncar um motor de avião a ecoar nas encostas.
- Vem aí - disse ele. - Estavas a dizer mal dele, ele aí está.
Era sim senhor. Sem dia nem hora marcada, assim, de surpresa, sem mais nem menos.
E afinal, aquela história da monotonia dos pilotos da antiga Aviação Naval, era conversa fiada:
Não é fácil deixar por aqui escrito o que é a emoção de dizer adeus à família a 500 quilómetros por hora, de dentro de um barril azul escuro fosco com asas, de seis toneladas, a rasar a meia dúzia de metros os telhados das casas. Uma, duas, três, várias vezes... um verdadeiro festival aeronáutico.
Talvez não diga nada a ninguém. Compreende-se. Certas passagens da vida é preciso tê-las vivido.
(Um olhar por cima do ombro. Não foi ontem, no Século XXI. Foi em 1954, numa povoação do concelho de Vila Nova de Poiares, na estrada da Beira, a pouco mais de meia dúzia de quilómetros da Beira Alta).

Aniceto Carvalho



Legenda: Helldiver SB2C-5 em pleno voo
Fotos: Aviação Militar de Aniceto Carvalho (direitos reservados)


JC:
Companheiro Aniceto, pode ter a certeza que esta saída diz muito a muitos de nós (apenas alguns tiveram mais sorte que outros). Qual é o Zé Especial que não entende quando diz “…no máximo do sonho de jovem aviador…” e assim partilhar um pouco da emoção dum “festival aeronáutico” desse calibre.
Bons velhos tempos, em grande.
Saudações Especiais,

VOOS Relacionados :

889 OS NOSSOS PRECURSORES...NA RECÉM CRIADA FAP – João Carlos Silva, MMA 1979
895 UM SERÃO NA PROVÍNCIA – Aniceto Carvalho, MMA 1952
913 UM PRECURSOR...NO CLUBE DOS SARGENTOS DA FAP!-João Carlos Silva,MMA 1979

VOO 914 APRESENTAÇÃO DO JOAQUIM MAURÍCIO.


Joaquim Maurício
Esp. Melec. Av./Inst. 3ª/69
Angola 72/74
Vila do Bispo, Algarve


Boa noite,
Amigo Barata. (Barati) (1)
Espero que desta seja de vez.
Possivelmente o comentário sobre o Post 831 do Luís Santos, estará desfasado no tempo, farás como achares melhor.
Continuação de um bom trabalho e PARABÉNS pelo até então desenvolvido.

Apresentação:

Em linguagem militar, tenho andado desenfiado, peço licença para me apresentar:

Joaquim Batista Marreiros Maurício, Esp. Melec. Av./Inst. 3ª 69.









Legenda: Joaquim Maurício, à esquerda em Angola 70/72, à direita na actualidade
Fotos: Joaquim Maurício (direitos reservados)


Legenda: Gráfico distribuição de dias por unidades
Fotos: Joaquim Maurício (direitos reservados )

O conflito nos juntou e o conflito nos separou, muitos de nós a terras de além-mar fomos batalhar.
O sonho era a casa voltar, é nosso dever a memória venerar dos que foram impedidos de o realizar.
Eu em particular em Angola fui aterrar, nos Nord-Atlas trabalhar e voar.
Henrique de Carvalho, Luso, Cazombo, Lumbala, Gago Coutinho, Cangamba, N`Riquinha, Mavinga, Cuito-Cuanavale, Luiana e outras por recordar, haveria de sobrevoar e caminhar, até a terras de S. Tomé fui parar.


Legenda: Cazombo, transporte de tropas 1973
Fotos: Joaquim Maurício (direitos reservados)

Deve esclarecer que não eram viagens de lazer, tratava-se de um exército abastecer.
No Luso era privilégio a Dunama conhecer, voar ao alvorecer e do céu ver o Sol nascer. Em segredo, fiquei a saber, as matas do Leste o MPLA tinha de as percorrer para as suas hostes a Norte fornecer, cinquenta dias e cinquentas noites a temer os avanços dos Flechas que da noite faziam o supremo poder.
Gago Coutinho, meia viagem por percorrer, necessário era os depósitos voltar a encher.
Em Luiana era sempre um prazer, com o pessoal do exército conviver e bifes de javali comer.
Em Lumbala, e Cazombo com o rio Zambeze a correr os mercenários do Katanga iria conhecer, muito deviam saber da vitória do Mobutu do fuzilamento do Lumumba e do desaire do Tschombé, em Angola fiquei a saber que lutavam para se estabelecer.


Legenda: Lumbala, rio Zambeze
Fotos: Joaquim Maurício (direitos reservados)

Cuito-Cuanavale era ver os Sul-Africanos a bordo dos Canberras fotografia aérea fazer. Carne de burro do mato comer para a fome empobrecer.
Por vezes, notícia de entristecer, tempo de reflectir, e tentar perceber, o que por ali andávamos a fazer.
A Luanda sempre vinha ter, praias e locais de lazer percorrer. Os, musseques espaços de menor ter conhecer antes de os ver arder. Com a ordem por estabelecer era ver os brancos residentes em desespero o regresso à Metrópole requerer.


Legenda: Bar Barracuda, Ilha de Luanda
Fotos: Joaquim Maurício (direitos reservados)


Legenda: Arredores de Luanda, pós 25 de Abril 1974
Fotos: Joaquim Maurício (direitos reservados)

S. Tomé terra de encantar, para lá chegar o Oceano era obrigatório sobrevoar. Necessário era saber negociar para algo ganhar.


Legenda: Aproximação à Pista de São Tomé
Fotos: Joaquim Maurício (direitos reservados)




Legenda: Nota da época
Fotos: Joaquim Maurício (direitos reservados)

A terminar tenho a declarar, que são actos e factos por em Angola estar, até o 1ºSargt. Amadeu me tramar e à disponibilidade passar, um ano antes do contrato com a FAP terminar.

Um Curto Comentário


Momento DO-27
Pouco, muito pouco trabalhei nesta aeronave.
Exponho alguns comentários e apontamentos, que ficam sujeitos a correcções, por quem achar por bem, e encontrar neles imprecisões.
Isto vem a propósito do Post 831 do Luís Santos 1º Cabo Enfermeiro
Em determinado ponto da mensagem diz o seguinte:

“Posso até citar um caso, que se passou em TETE, quando a uma determinada altura, num voo, de DO, em que o Mecânico de bordo, de Alcunha o Negro, meu colega, ajudou o piloto, numa situação de emergência, quando o motor, parou subitamente, e a aeronave entrou em perda, ele, muito rapidamente, ligou os magnetos, e de imediato, deu a ignição, e o motor, se pôs em marcha, porque, já estavam muito próximos das copas das árvores.”

Ele muito rapidamente ligou os magnetos, a frase dá a entender que o motor teria parado, porque os magnetos estavam desligados, acontece que com o motor a trabalhar os magnetos estão permanentemente ligados, são comandados manualmente por intermédio da chave de magnetos.
O motor de um avião tem duas velas por cilindro, a vela A é alimentada pelo magneto 1 e a vela B pelo magneto 2, uma forma de optimizar o rendimento do motor e minimizar eventuais perdas de potência, com origem em avarias no circuito de inflamação.
{(1-2)funcionam os dois magnetos, (1 trabalha o magneto Nº1), (2 trabalha o magneto nº2), (M, massa motor, off) } .


Legenda: Chave Magnetos, DO-27
Fotos:
Joaquim Maurício (direitos reservados)

Dados Técnicos


Motor ------------------------------------Lycoming GO-480-B1A6
Potência -------------------------------------------------270 HP
Envergadura ---------------------------------------------12,0m
Comprimento ---------------------------------------------9,60m
Altura ----------------------------------------------------3,45m
Superfície alar -------------------------------------------19,20m2
Velocidade máxima -------------------------------------225Km/h
Velocidade de cruzeiro ----------------------------------208Km/h
Raio de acção -------------------------------------------940Km
Tecto------------------------------------------------- 3.300m
Peso vazio --------------------------------------------1.072Kg
Peso máximo -----------------------------------------1.850Kg
Autonomia ---------------------------------------------940/208=4,5h + -

Legenda: Dados Técnicos, DO-27
Fotos:
Joaquim Maurício (direitos reservados)


Evitando fazer juízos de intenção, dá a impressão que alguém andou a testar o motor do avião em pleno voo.

Voo 911 Vidas Destruídas Vidas Sem Alma.

É interessante e actual, uma lufada de ar fresco que levanta a moral .
Farto das alforrecas* sociais e politicas que por aí abundam, o artigo encoraja-nos a seguir em frente.
No último período da minha comissão em Angola72/74, vivi uma situação parecida.
No, pós 25 de Abril com a guerrilha urbana instalada em Luanda. O pessoal especialista da FAP foi escalado para passar a fazer rondas exteriores à base (Um jipe, condutor, quatro soldados e um sargento, compunha a patrulha). Entregaram-me uma metralhadora ligeira (FBP?) e o comando da patrulha.
Na minha vida de militar durante a recruta e curso, tinha feito meia dúzia de tiros, alguns reforços e “benficadas”, pelas bases que passei o serviço de escala sempre foi o de electricista dia à central eléctrica, até mesmo em Luanda assim tinha acontecido.
Recusei fazer papel de “herói”, acumulando esta, com outras situações de origem oportunista, que se passaram na secção eléctrica, com a minha pessoa, estava na calha para uma porrada.
Desencantado e desiludido, resolvi o problema. Passei à disponibilidade.
Na vida aprendi que o NÂO na maioria das vezes tem muito mais convicção que o SIM.
Não enriqueci, mas sustentei-me, sem ter que vergar a coluna vertebral perante alguns Srs. Vivi livremente e sem entraves e por isso sinto-me grato.

Nota de JM:
* Espécie marítima que anda à tona da água e ao sabor da corrente, de picada irritante quando entra em contacto com a pele.


(1) Código do nome com que nos baptizávamos

JC:
Finalmente conseguimos publicar estes textos do Joaquim Maurício que, embora já tenha participado nesta Tertúlia Linha da Frente, agora se apresenta aos restantes Companheiros, de forma original, a rimar, assim como oportunamente comenta dois Voos anteriores.
Por esta demora pedimos desculpa ao Maurício (Mauri) e que se mantenha connosco e assim vá contribuindo para enriquecer este “nosso” Blog, como Operacional da Linha da Frente que é.
Saudações Especiais,

VOOS Relacionados :
831 SE EU ACREDITO,SOU ENGANADO. – Luís Santos, 1º Cabo Enfermeiro
911 VIDAS DESTRUÍDAS VIDAS SEM ALMA – Lino de Freitas Fraga, Jornalista do Correio dos Açores