terça-feira, 19 de abril de 2011

Voo 2267 O ANIVERSÁRIO DO MEU AVÔ.





Victor Sotero
Sargº.Mor EABT
Lisboa





-Está lá? É o avô?

-Sim, sou eu querido netinho. Então que se passa?
-Oh, avô. Estou a telefonar-lhe do meu novo telemóvel para lhe desejar muitas felicidades neste dia 19 de Abril.
-A avó tem que mandar fazer um bolo de anos muito grande para levar por cima 60 velinhas. São tantas, avô!...-O avô vai ter muitos amigos na festa dos seus anos, não vai?
-Olhe, avô. Eu já estou de férias da Páscoa, mas não sei ainda se os meus pais vão à terra para festejar também os seus anos. Eu gostava de ir o pior é que eles dizem
que o Verão está quase à porta e que é preciso poupar dinheiro para as férias grandes.
-Os meus dias de férias, enquanto os meus pais vão para o trabalho, são passados no jardim botânico ou no jardim do Príncipe Real, sempre a brincar com os meus amigos
da turma que normalmente são o Américo Dimas, o José Teixeira e o Castelo Branco. Às vezes aparece também o Augusto Ferreira para nos arreliar.
Ontem, estávamos a jogar ao berlinde quando nos apareceu e queria logo jogar!...Nem pó..., acabamos o jogo e fomos procurar caracóis nas flores do jardim.Combinámos fazer uma corrida com os melhores caracóis que aparecessem. Foi muito giro, avô.


-Arranjámos uma tábua para servir de pista. Marcámos uma meta de chegada e uma linha de partida com 15 centímetros. Cada um de nós já tinha o seu caracol.

Eu, com um bocadinho de saliva molhei o meu caracol e logo a seguir as antenas vieram para fora. Começamos a colocar os caracóis na linha de partida, mas eu, sem ninguém
ver, molhei o meu dedo com "cuspo" e marquei na tábua a "estrada" que o meu caracol devia tomar para ganhar a corrida.
Oh avô, que grande luta! O meu caracol partiu em linha recta enquanto que o do Castelo Branco, dando meia volta, foi para trás da meta. O caracol do José Teixeira inclinou-se
para a direita e ainda foi raspar na carapaça do meu caracol que ainda "pestanejou" com as antenas, mas lá foi deslizando na humidade da "estrada" que lhe fiz.
O caracol do Américo Dimas deu grande luta mas a meio da corrida, sem ninguém esperar, ficou-se pelo caminho. Encolheu as antenas e não deslizou mais. Fiquei aborrecido
com o Américo, avô. Só porque o caracol não ganhou, não sei se por ser "Lobo Mau", esmagou-o por completo.
O meu caracol ganhou a corrida!...
Como não havia taças, peguei numa garrafa de plástico que estava no caixote do lixo e em voz alta disse para os meus colegas:
-Esta taça é do meu avô. Dedico-lhe esta vitória porque hoje, dia 19 de Abril, faz 60 anos.
Parabéns, avô!
Sotero