sábado, 3 de novembro de 2007

Já nos procuram de Moçambique!

37-Mensagem de Rui Mendes Barata

É verdade,companheiros,embora a Internet seja lida em todos os cantos do mundo,não é todos os dias que se recebe uma mensagem de Moçambique,com total desconhecimento do seu emissor e,muito mais importante,pelo motivo que é.
No 25.10.2007 o Sr Rui Barata enviou-nos o seguinte Email:

" Senhor
Victor Barata

Foi ocasionalmente que abri o Blog.
Despertou-me a atenção a fotografia e depois a notícia referente ao piloto aviador
José Fernando Almeida Brito.
Pra nós Tio Z´e que o conheci em 1969,em Monte Real.Estivemos lá uma tempora-
da,pois a sua esposa,a tia Anita é irmã do meu saudoso pai.Bem miúdo,andar pela
Base Aérea,ali bem perto dos FIAT´s e uma paragem na messe.... tenho ideia que
foi nessa época que a Herminia Silva cantou num dos hangares para os militares,julgo
que era isso.
Sei que foi encontrada na zona dos destroços,em finais da década de noventa,salvo
erro,a aliança de casamento e entregue á viúva.
Não sei nada sobre ela e do filho mais velho,Rui, e os irmãos.
Saudações.

Rui Mendes Barata
(Maputo/Moçambique)"



De imediato demos a resposta através de email datado de 27.10.2007,nos seguintes modos:

"
Bom-Dia,Rui!
As nossas desculpas por ainda não ter respondido à sua solicitação e,ao mesmo tempo,os nossos agradecimentos por ter entrado no nosso(seu) Blog.
É uma honra para nós ter um contacto de Moçambique,esperamos que a sua assiduidade seja uma constante,nomeadamente com notícias e fotos de locais por onde muitos de nós,jovens á época,hoje avós,deixaram parte da sua juventude.
Sobre o assunto que nos solicita,já tentei,atravez de telefone,localizar a sua tia,Dª Anita,esposa do Ten.Cor.Pilav.Almeida Brito,meu Comandante de Esquadra na Base Aérea 12,
,mas por enquanto as tentativas têm sido infrutíferas.
Disseram-me,em tempos,que um dos filhos seguiu a carreira do pai,ou seja,também é piloto da FAP e a mãe(Anita)trabalhava no Estado Maior das Forças Armadas,não posso atestar estas notícias por falta de provas.
No entanto,agradeço que me envie o nome da sua tia Anita e mais elementos ,para lhe poder ser o mais útil possível.
Um abraço,ficando á espera
Victor Barata"


Continuamos as nossas diligências no sentido de que este encontro fosse uma realidade.
Entretanto o Rui,no dia 1.11.2007 diz-me:


Amigo Victor.
Muito obrigado pelo seu interesse em querer localizar a minha tia Anita.
É verdade que tenho ,regularmente,falado com outros familiares a viverem em Portugal,por sinal todas irmãs do meu falecido pai,mas não consigo o contacto dela.
Fui ao meu arquivo fotográfico da família e de lá escolhi duas recordações e uma delas é o tio Zé com o filho mais velho,isto em Luanda,1964.
Somos três irmãos,quem lhe escreve é o mais velho(na casa dos 40).
Uma vez mais,os meus agradecimentos.


Eis que,depois de diversos telefonemas para pessoas cujo o nome ia a Brito mas que não tinham nada a haver com aquela família,consigo encontrar,telefonicamente a TIA ANITA! Senhora de um trato afável,educação extrema(não fosse esposa de quem era...),depois de me identificar e narrando a razão do meu telefonema,ficou radiante e cedeu-me o seu contacto para o fornecer ao seu sobrinho.
De imediato o fiz,aguardando as ansiosas notícias do Rui.

Fico feliz com este caso pois a nossa LINHA DA FRENTE além de ser visitada fora do Pais,encontrou e ligou familiares que se procuravam à anos.

Saudações ESPECIAIS
Victor Barata









sexta-feira, 2 de novembro de 2007

As Fotos do Carrilho.

36-João Carrilho
Complemento da mensagem anterior.

O Carrilho enviou-nos uma série de fotos tiradas na Guiné e Cabo Verde,mas não não vinham dimensionadas não foram publicadas na devida altura.
Depois de redimensionadas,aqui estão colocadas:

Um pequeno guerreiro da Guiné
O Carrilho pousando para a fotografia no jardim da Base.
Reparem na limpeza e trato deste espaço.


Aqui a "musica"era outra,pela imagem,o Carrilho,estava a tirar velas ou calibrar magnetos ao Dakota


Belos tempos,tambem por lá passei,embora estivesse sempre na linha da frente,de vez enquanto e ter com os companheiros a este local,Secção Eléctrica.Mas não leia o jornal como o Carrilho está a fazer!?


Monumento na Praça do Império,em frente ao Palácio do Governador,em Bissau.
O Carrilho mal se no meio daquele enrendelhado todo.








A Tertúlia da Força Aérea.





35-Mensagem do João Carrilho
Melec/Av/Inst.
3ª/69




















O trio maravilha a dar ao serrote
Caro amigo Victor Barata:
Fiquei deslumbrado ao recordar momentos,nesta família da Força Aérea.Vê que tempo passou pelo pessoal,os anos contaram,as barrigas cresceram,algum cabelo voou,mas sempre firmes.
Na minha caminhada,desde 1969 até 1975 estive na OTA,EMEL,AB1,BA12 e BA6.Na Guiné,dava assistência também ao Nordatlas,fazia viagens de regresso de Lisboa para Bissau,coincidiu com o dia 25 de Abril de 1974,quando aterramos nas Canárias,a tripulação e o avião foram detidos com armas apontadas pelos espanhóis por ordem do Franco.
Um grande abraço.
João Carrilho

VB
:Amigo Carrilho é sempre uma satisfação muito grande ouvir e ver companheiros como tu.Recordo-te baixinho(não cresceste mais?!...)como chefe de turma,a dar as ordens e marchar na parada,tu a frente,para irmos para as aulas.Eras pequeno na estatura mas um grande em personalidade e academicamente. A partir deste momento és da "nossa" LINHA DA FRENTE
ficamos á espera da tua assiduidade com notícias.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

RTP: O(IM)POSSÍVEL DEBATE SOBRE A GUERRA.








34-Joaquim Mexia Alves
Ex-Alf.Mil.Operações Especiais (Exército)


Guiné 1971/1973
Xitole,Mato Cão/Rio Undunduma e
Mansoa.


Camaradas da Guiné:
Assisti ao (programa)
Prós e Contras,mas confesso que me começou a faltar a pachorra e fui-me deitar.
Acho que aquele formato de programa,já não dá.Fico sempre com a impressão que o programa se podia chamar
"Fátima e os seus convidados",pois a maior parte das vezes ela fala mais que os convidados e constantemente interrompe o discurso e a linha de pensamento dos mesmos.
Bem esta é minha apreciação,outros verão de modo diferente!
Quanto ao
debate:Apesar de já ter passado muito tempo,provávelmente ainda é pouco,porque se nota que as paixões estão à flor da pele.Ou seja,todo o debate está eivado de politica e por isso mesmo muitas vezes carece de objectividade.
Claro que seria difícil falar de uma guerra destas sem falar da política ou do ponto de vista
político,mas a guerra não se resume apenas à política.
Passaram a maior parte do tempo a discutir se a guerra era do ultramar,se colonial,se de libertação.Ora,abóbora,conforme o pensamento de cada um ela terá a designação que cada um lhe quer dar:(i)Do ultramar,porque uns acreditavam ou queriam acreditar servindo os seus interesses,que aqueles territórios eram parte integrante do "
todo nacional";(ii)Colonial porque aqueles que viam ou queriam ver,servindo os seus interesses,aqueles territórios como colónias;(iii) De libertação porque aqueles que,sendo desses países a fizeram,porque aqueles
que sendo desses países as opiaram,mas lembrando que alguns,sendo desses países,com ela não concordavam,e por isso não seria para eles de libertação.
Como foi chamada a guerra das Malvinas?Do ultramar pelos ingleses,colonial pelos argentinos,de libertação pela população,ou alguma população?
Não me parece que isso seja muito importante,pelo menos para mim não é.
Agora pode-se discutir esta guerra do ponto de vista político,do ponto de vista militar e do
ponto de vista político-militar.
Naquele
debate parece-me ter-se discutido apenas o ponto de vista político e,como tal,deu em nada.Acaba por se ver e ouvir sempre os mesmos a dizerem as mesmas coisas,citando outros,mas sem grandes provas que eles o tenham dito,servindo-se de frases muitas vezes tiradas do contexto,etc,etc.
E os milicianos?E aqueles que não eram militares profissionais e oriundos de diversos pensares e vivências?O que pensam eles?Alguém viu?Alguém sabe?Alguém quer saber?
Afinal quem fez a guerra,na sua esmagadora maioria,foram os militares de carreira ou os milicianos?
Com isto não estou de modo nenhum a colocar de lado os militares profissionais,que os há e muitos,cheios de competência e dignidade,e que me orgulho de ter servido sob o seu comando.
Mas a verdade,e é a minha opinião,é que a maior parte tenta sempre demonstrar que a guerra estava perdida,e isso
cheira-me muitas vezes a uma qualquer justificação!
Claro que a guerra estava perdida!Estava perdida políticamente,como qualquer guerra daquele tipo,e pelo desgaste e a pressão internacional,estaria também perdida
militarmente,pois demorasse o tempo que demorasse acabaria na independência daqueles povos.
Mas agora,e era isso que gostava de ver debatido com verdade e sem
paixões politicas e outras,verdadeiramente porque se diz que a guerra estava perdida militarmente na Guiné?
É uma afirmação permanente,com a qual eu não concordo,e até agora ninguém me demonstrou o contrario.
Com isto não quero dizer que não fico muito feliz com a independência da Guiné,(gostava de ver um país próspero e um povo feliz),mas sim que se pode analisar a situação,não por dois ou três lugares ou acontecimentos,mas pelo todo.
Vejamos a titulo de exemplo:
Estive de Dezembro de 1971 a Dezembro de 1973 na Guiné e durante esse tempo,que eu saiba,não houve nenhuma emboscada ou ataque a qualquer coluna na estrada Bambadinca/
Xitole,ou Bambadinca/Bafatá,ouXitole/Saltinho,ou,julgo eu,Bafatá/Gabu (Nova Lamego).
Não houve,que eu me lembre,qualquer ataque a barcos no Geba,entre o Xime e Bafatá
Em Mansoa estávamos a abrir a estrada de Jugudul,(salvo erro),Portogole e a mesma avançava,claro que com algumas acções de guerra,mas nada que a impedisse.
Montei várias vezes protecções a colunas na estrada entre Mansoa e Mansabá,na zona do Morés e as colunas passaram sem incidentes.

Isto são só alguns exemplos que logicamente não retratam também o que se passava em toda a Guiné,mas parece-me que os trágicos episódios de Gadamael,Guileje e Guidage acabaram por determinar essa informação, que a guerra estava perdida militarmente.
Em muitas guerras,em muitos lugares,ao longo da história do mundo,se perderam algumas
praças,mas não se perdeu a guerra.
Em Angola a guerra estava perfeitamente controlada e isto penso que é opinião geral.Em 1974 e 1975 fiz milhares de quilómetros no interior de Angola e nem um pequeno incidente aconteceu.Assim o esforço militar que se estava a fazer em Angola,podia ser desviado em parte para a Guiné,mormente Força Aérea com outra capacidades,o que poderia mudar muita coisa na Guiné.
Com isto não estou a dizer que queria que a guerra continuasse!Não,nem tal me passa pela cabeça,ainda bem que acabou,para todos nós,Guineenses e Portugueses!
Apenas quero dizer que, na minha opinião, a guerra militarmente não estava perdida,ou pelo menos ainda não mo conseguiram demonstrar.
Sei que esta é uma abordagem polémica,e que a
análise que aqui faço,(se é que se pode chamar análise a este arrazoado de ideias),não demonstra coisa nenhuma,mas talvez suscite discussão sã sobre méritos ou deméritos das Forças Armadas Portuguesas,às quais pertencemos,embora alguns dos seus elementos nos queiram esquecer.
Agora deixo-vos isto escrito para fazerem o que quiserem,no sentido de que só com serenidade,com distância política e emocional é possível fazer uma verdadeira discussão e análise ao que foi a Guerra da Guiné.
Eu sinceramente não sei se tenho essa distancia,sobretudo emocional,para me abalançar à discussão.Mas se não formos nós que estivemos no terreno,quem o fará?
Abraço forte do
camarigo (camarada e amigo)

Joaquim Mexia Alves



VB- Companheiro,é realmente interessante e conclusiva esta tua análise ao referido programa,eu próprio já tinha já a tinha feito para publicar,mas depois de ler esta...deitei-a ao lixo!Neste País,plantado à beira mar,continua a dar-se relevo ao titulo e extracto social!
Já que não temos acesso á RTP,gostava mos de receber neste Blog os comentários devidos tanto ao programa
"Prós e Contras" como a "Realidade do Mexia Alves.
Não esquecer que todos comentários ou mensagens para publicar neste Blog,são endereçadas a:

email:barata.victor@gmail.com








domingo, 28 de outubro de 2007

MAIS UM QUE NOS DEIXOU!...

33-Mensagem do Fernando Castelo Branco
MMT 2ª/69



Amigo Victor Barata,é com alguma nostalgia que te endereço esta mensagem da partida definitiva do "NOSSO" PUMA-SA330.

A sua operacionalidade salvou muitas vidas e trouxe outras ao mundo!

Esq./Dirª Sargº.Mor. Coelho,Eu,(Fernando C.Branco)e Sargº.Mor.Felizardo


Descolagem do PUMA SA 330

E...a despedida!Isso mesmo,o PUMA SA 330 deixou-nos para sempre!!!



1ºVoo operacional do PUMA SA 330 realizou-se no dia 23.10.70,em Stª.Eulália,Angola.


Dimensões:

Comprimento:18,15m

Envergadura: 15m
Altura: 5.14m

Peso Total: 3.770 Kg

Performances:

Velc.Máx.258 Km/h
Autonomia: 5h

Motores:


2 Motores Turbomeca Makila c/potência de 1.900 CV
Força /Motor 1.175 KN

Saudações ESPECIAIS!


Fernando C.Branco


VB: Companheiros,como devem ter reparado,houve uma "graffe" da minha inteira responsabilidade,ao inserir fotos do Heli EH-101-Merlin.Apresento as minhas desculpas e agradeço ao nosso "ZÉ" Pedro Garcia o reparo.Obrigado Pedro!








sábado, 27 de outubro de 2007

De um Companheiro do Exército.





32 Mensagem de A.Marques Lopes
Alf.Mil/At.Infª -Exército
Guiné 67/69


Caros Camaradas:
Neste período em que a guerra colonial e as suas guerras de libertação das ex-colónias portuguesas têm estado em algumas paragonas
("Prós e Contras"e"Guerra",altura em que muitos,e jovens,já viram "As Duas Faces da Guerra" ,tão especial para nós que estivemos na Guiné,dou-vos a conhecer este texto,que muito me espantou:
Na Guiné,sabemos,havia a Casa Gouveia(CUF),que explorava os seus naturais na mancarra e no coconote,os comerciantes libaneses(Taufik Saads e outros...)que os exploravam pelo comércio.Mas este texto fez-me lembrar o Landorf,nazi fugido da Alemanha,que tinha um comércio em Geba e actuava como o "caixeiro" deste texto.
E o meu grande espanto vem do facto de isto ter sido publicado no "Boletim Cultural da Guiné Portuguesa",Volume VI,nº22 de Abril de 1951,relatando as agruras de um balanta esfaimado e a forma como um comerciante branco se aproveitou disso para o explorar.Friza a submissão dos mais velhos,por força da tradição secular,e os desejos de liberdade deste balanta jovem face à exploração a que era submetido.
O autor é Fernando Rodrigues Barragão e encontrei-o em http:// senegambia.blogspot.com(que recomendo).
Abraços.

A.Marques Lopes
Actualmente Coronel Reformado (Ferido em Combate)

A Justificação que faltava.


31-Mensagem do Editor,Victor Barata.
Ilustres Companheiros,quero através desta simples mas significativa mensagem apresentar as minhas desculpas
á "LINHA DA FRENTE"por este interregno de notícias.
Sei ,pelo que me é transmitido pelos nossos Tertulianos,que este espaço passou a ser local obrigatório de visita e ligação entre Companheiros de todos os momentos,tristes e alegres,fáceis e difíceis,passados na vida militar, quer no Continente,Ilhas ou Guerra Colonial.
Mas esta curta,para alguns longa,ausência de noticias,foi motivada pela minha actividade profissional me ter exigido uma dedicação,pontualmente,mais efectiva.
Depois a realização de uma actividade académica na Região de Lafões,organizada pela Casa da Académica em Lafões,da qual sou o presidente da Direcção,em parceria com a Associação Académica de Coimbra,casa mãe,obrigaram-me a que a minha assiduidade não fosse aquele que todos NÓS merecemos.
Prometo repor toda a escrita em dia!
Quero também aproveitar a oportunidade para manifestar a satisfação de já termos atingido e ultrapassado os 5.000 visitantes,equivale a mais de 1.000 visitantes mês.
É o mote para que continuemos a participar,e não só,dar sugestões,formular e introduzir alterações,divulgar o Blog junto daqueles que o não conhecem,faz com que esta "LINHA DA FRENTE"seja o nosso ponto de encontro á distância.
Saudações ESPECIAIS!
Victor Barata

sábado, 20 de outubro de 2007

PRÓS E CONTRAS-COMENTÁRIOS AO DEBATE.



30-Mensagem do Inácio Silva
1ºCabo Exército AP.MET
Mansabá - Guiné 70/72



Caros Amigos e ex-camaradas:
Presenciei o debate na RTP 1,na passada segunda-feira(15.10.2007),sobre a Guerra do Ultramar,de principio ao fim.
Salvo as intervenções dos membros das associações de defesa dos ex-combatentes,o resto foi tudo "déjà vu":não vislumbrei nenhum interesse ,em especial.
Um debate em que maioria dos intervenientes são ou foram oficiais superiores ou generais.obviamente,só poderia versar sobre as questões belicistas ou politico-belicistas.Estes senhores não têm contas a pedir ao Estado,porque,sendo do Quadro Permanente,viram todas as suas regalias satisfeitas,na plenitude.Onde estavam os milicianos e os praças?Provavelmente na plateia.Alguém lhes perguntou alguma coisa?Disseram de sua justiça?Nada!
Todos sabemos que as guerras deixam sequelas de vária ordem;pais que viram desaparecer os seus filhos,esposas,namoradas e amigos que viram partir os seus entes queridos,filhos órfãos de pai,muitos deles nem sequer chegaram a ver o progenitor...Cidadãos deficientes que,com muito esforço,sobrevivem,tentando integrarem-se o melhor possível na sociedade,na esperança de serem reconhecidos e apoiados pelo Estado e por ela.Muitos deles são activos e intervenientes e,graças á sua acção,procuram que o seu presente e o futuro sejam passados com algema dignidade.

"O que é que interessa debater e resolver depois de uma guerra? Não será minimizar os danos e os traumas sofridos,tanto os de ordem material como os de ordem afectiva,psicológica,moral,social e,até,de cidadania?Nenhuma sociedade viverá em paz consigo mesma se não entender,profundamente,esta realidade!Não é enterrando a cabeça na areia,como faz a avestruz,fazendo de conta que o que aconteceu nada tem a ver consigo que os problemas são resolvidos..."

E o Estado português,representado pelos Órgãos de Soberania,órgãos estes titulados por cidadãos eleitos pela referida sociedade,o que têm feito?Mais de trinta anos decorridos desde o fim da guerra(colonial,do ultramar ou de libertação,como queiram),os ex-combatentes lamentam,diariamente,o divórcio do Estado,relativamente ás consequências danosas,de vária ordem,a que foram sujeitos e estão sofrendo na pele,por terem sido OBRIGADOS a combater em territórios que,na altura,os responsáveis por este Estado,entenderam classificá-los como "Províncias Ultramarinas"e,consequentemente,fazendo parte do espaço português!!!
A guerra nunca será esquecida,pelo menos por aqueles que a protagonizaram ou por os que,para ela,foram empurrados.Seria bom que os tais cidadãos,eleitos democraticamente,representantes dos Órgãos de Soberania não agissem com hipocrisia,isto é,reconhecessem o esforço,o sacrifício,a privação,o medo,a dor,a doença,a deficiência,a morte,a perda de empregos,o atraso ou a interrupção dos estudos,enfim,uma panóplia de prejuízos de valor incalculável,e reconhecessem em Lei,perante a sociedade que representam - antes que os ex-combatentes morram - que é necessário eliminar,de uma vez por todas,estas nódoas da guerra,que teimam em eternizar-se...
Se tal não for feito,os ex-combatentes morrerão com a magoa de terem combatido,em vão,sem o reconhecimento devido,do Estado,a quem serviram.Mas os políticos,titulares dos Órgãos de Soberania,eleitos pela sociedade de que os ex-combatentes são parte integrante,jamais repousarão em paz e serão,sempre,considerados,mesmo pelas gerações vindouras,como políticos incultos,insensíveis,autistas e hipócritas.
Em conclusão:como ex-combatente,não me revejo nesta forma de fazer politica.Desejo que fique claro que os políticos a que me refiro são todos os que Portugal,infelizmente,teve depois da instauração da democracia"
sistema politico em que a autoridade emana do conjunto dos cidadãos,baseando-se nos princípios de igualdade e liberdade".
Sou democrata e não sou possuído por nenhum sentimento passadista ou saudosista.Mas fico indignado e triste por assistir a tanta indiferença e insensibilidade...

Cumprimentos a todos.
Inácio Silva

HOMENAGEM Á DO 27.

30-Mensagem do Augusto Ferreira
Melec/Av/Inst.
3ª/69


Amigo Victor Barata.
Venho hoje á LINHA DA FRENTE,prestar homenagem,a um grande companheiro nosso,durante as guerras de África,por vezes em momentos difíceis e do qual quase nem reparámos,bastas vezes,que também lá estava.
Trata-se do
DO 27!


Este pequeno grande avião,sem grandes recursos técnicos,com o básico para o voo diurno,foi nosso parceiro em grande número de missões,levando-nos e trazendo-nos dos locais mais incríveis.
Pouco exigente,descolando e aterrando aonde fosse preciso,chegou a fazê-lo sobre restolho de capim e pistas improvisadas.
A imagem que nos transmitia o seu trem fixo,era a de quem pareceis estar sempre de mangas arregaçadas,para o que fosse preciso.
Com o motor a trabalhar,mesmo ali á frente do nariz,sem qualquer isolamento sonoro,com o cheiro quente do motor a invadir o cokpit,lá íamos com ele.Para quem viajou longas horas neste avião,sente saudades.
Cheguei até a passar pelas brasas,ao lado do piloto,em saídas que fazíamos depois de almoço e atingiam as 2 h de voo.
Para nós Melec´s,dava-nos um bocadito de trabalho.Era a "calagem dos magnetos",que de vez em quando era necessária as revisões.As baterias,que por ausência de PutPut nos Am´s,tinham que ser substituídas de vez em quando.

Esta foto no AB 7 - Tete,quando efectuávamos a respectiva "calagem".Infelizmente,não me recordo dos nomes dos meus camaradas.


Além das missões de evacuação de feridos,(por vezes com o sôro pendurado no tecto do avião),transporte de materiais e pessoal,ainda chegou a ser equipado com metralhadoras,no espaço por trás do piloto e com ninho de rochets nas asas.
Chegámos a transportar nele,soldados mortos em combate,embrulhados em oleados camuflados do Exército os não transportassem por terra,atendendo aos perigos que isso podia acarretar.
Mas também transportou alegria!
Para os nossos companheiros do Exército,que estavam no destacamento de Cantina de Oliveira,quando lá chegávamos com o DO 27,(que era de tempos a tempos),matava-se uma cabra para festejar e a única coisa que nos pediam para lhes levar,quando lá voltássemos,era umas cervejas e papel higiénico,reparem só.
Quando estivemos na Beira em 73/74,com os T6-G e também com o DO 27,ele também foi utilizado,ao final da tarde,para o lançamento de paraquedistas á vertical da cidade.Algumas vezes também com as filhas do EngºJardim que praticavam a modalidade.





Esta foto reporta-se ao tempo que estivemos na BA 10,da esq./dirª.Eu(Augusto),Cipriano,(?),
Matra(sentado)e(?).



Daí ele merece,com tada a justiça,o devido destaque que lhe deste,ao colocá-lo na montra do nosso blogue.
BEM HAJA DO 27.

Um grande abraço para ti e para todos os ZÉS ESPECIAIS da nossa linha da frente.
Até breve.

Augusto Ferreira.

MAEQ.À Vista!!!!



29 - Mensagem do Emanuel Almeida
MAEQ 3ª/70



Olá Amigo Victor Barata.
Chamo-me Emanuel Graça Franco Almeida,sou da 3ª/70, 4ªSecção
(Coca-Colas)incorporados em Angola em Agosto de 1970.
Cheguei á Guiné como Fur.Mil.MAEQ.,e ainda lá,fui promovido a 2ºSarg.MARME a prestar serviço na Fotografia Aérea,na altura sob o comando do Cor.Vazquez,sendo a secção da responsabilidade do Cap.Cifuentes.Lembram-se? Estive anteriormente na linha da frente dos Fiat´s e depois na manutenção. Faltam-me nomes,enfim...PDI!
Vi aqui uma foto com a malta conhecida que não me recordo dos nomes. Sai de Bissalanca a 19 de Setembro de 1974,fui para o AB1.
Gostva de ver mais pessoal,ou ainda poder ser informado de eventos que possam juntar companheiros desse tempo.
Um abraço com consideração
Emanuel Almeida

VB: Sejas bem vindo á nossa/tua LINHA DA FRENTE.Sobre eventos,todos os anos no último sábado de Maio,realiza-se um almoço do pessoal da BA 12 e outros ZÉS ESPECIAIS,o próximo ano será na Marinha Grande.Em relação aos encontrares companheiros que deixas-te de ter contacto,aconselho-te a continuares a utilizar este espaço.
Saudações ESPECIAIS!

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Boinas Verdes Os soldados sempre tiveram voz!






28-Joaquim Faria
Paraquedista


Titulo:Boinas Verdes
Autor:Joaquim Jesus Faria

Biografia do Autor

Joaquim Faria,nascido a 4 de Maio de 1946
na freguesia de Ventosa,Alenquer.
Concluiu os seus estudos na Escola Comercial de
Torres Vedras.
Em 1964,ingressou no Corpo de Tropas Para- quedistas.
Actualmente vive em Arruda dos Vinhos.


Nota do Autor:
Como soldado Pára-quedista participei na Guerra Colonial em Angola e Moçambique.Nela,vivi cenas dramáticas e momentos de muita alegria.
Foi lá que aprendi a amar estes povos e estes países.
Apesar de alguns acontecimentos e nomes serem fruto da minha imaginação,resolvi neste livro,mostrar a vivência dos Pára-quedistas dos anos 60 e o muito orgulho que cada um sentia em fazer parte deste corpo de elite militar.
OS SOLDADOS SEMPRE TIVERAM VOZ
Este orgulho e sentimento de liberdade,foi transmitido a todos os que usaram ou usam a Boina Verde.
E assim,através de cinco décadas,cresceram e se tornaram na família mais unida de Portugal.
Joaquim Faria

VB. Apesar da empatia demonstrada por este nosso companheiro no seu livro para com os Especialistas da Força Aérea,não queremos deixar de anunciar a sua obra e desejar-lhe grande sucesso.Ao mesmo tempo lembrar-lhe que os " COPOS DE LEITE"(a sua definição no livro para os Especialistas da BA 9)tinham a sua função na Guerra tal como os Pára e outra forças militarizadas tinham as suas,uma delas foi muitas vezes acudir a quem não "bebia leite"mas constantemente"ÁLCOOL EM EXCESSO". O respeito é bonito e fica bem,mas á pessoas que...não beberam leite!




















quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Documentos Históricos.

27-Mensagem do Augusto Ferreira
Melec

Desta vez com documentos verdadeiramente históricos!
São impressos simples,mas que marcaram determinada época da nossa presença nesta parte de África.













Estes folhetos eram lançados de avião sobre as populações,numa acção de contra guerrilha.Tinham como finalidade,convencê-los a não apoiarem os guerrilheiros da Frelimo,entregando-se ás autoridades locais,aonde seriam reinstalados em novos aldeamentos.
Como se pode ver,a frente ia em português e o verso no dialecto local.
É evidente,que as populações não poderiam ser neutras,senão cairia sobre elas a suspeita de estarem de um lado ou de outro,com todos os inconvenientes dai resultantes.
Eram os Dakotas,que habitualmente efectuavam estas missões,mas o DO 27 (esse grande avião que estava em todas)também o chegou a fazer.
Amigo Victor,por hoje fico por aqui,voltarei em breve.
Um grande abraço para ti e para todos os Especialistas da LINHA DA FRENTE.
Augusto Ferreira