quinta-feira, 20 de março de 2008

FOTOS DA GUINÉ!




147-Mensagem do Miguel Pessoa
Cor.Pilav (Aponsentado)





Amigo Victor:
Estava a passear pelo nosso site e reparei em duas fotos interessantes da Guiné. Numa identifiquei o Fur.Pilv. Príncipe, por quem tenho grande amizade e consideração, lembrando-me dos seus tempos de "Lobo Mau". O outro piloto, Fur.Pilv. Santos (ou Bebé, como referiam) também me traz recordações, pois foi ele que me evacuou no AL-III do Guileje para a BA12 em 26MAR1973, depois de ter sido recuperado do mato.
Na outra foto, infelizmente não me recordo do nome do piloto, mas suponho que é da parte final da Guiné (fins de 1973, princípio de 1974), altura em que nos mandaram fazer fatos de voo com tecido camuflado. Aliás, o piloto também usa o colete de sobrevivência, onde podíamos levar o rádio, o kit de sobrevivência, os very-lights, uma arma ligeira (o coldre era cosido na parte lateral do colete - pelo menos no meu assim fiz). Estes coletes apenas foram distribuídos depois da minha passeata no mato, o que corresponde ao período que mencionei atrás). Suponho que aqui há uns tempos lhe mandei uma foto minha dessa época, em que estou com o fato de voo camuflado e o colete de sobrevivência.
Não contribuí muito para qualquer esclarecimento, mas sempre dei dois dedos de conversa...
Um abraço e saudações aeronáuticas
Miguel Pessoa


VB. Companheiros,como podem observar,acaba de "aterrar" o Miguel Pessoa.
Bom dia,GRANDE AMIGO,que alegria nos trazes à nossa Linha da Frente! Em Março de 73,graças a Deus,localizamos-te mais depressa do que agora,estávamos a ver que desta vez te perdíamos o rasto.Já tinhas falado com o Marcelino da Mata para te voltar a localizar!
Miguel,antes de continuar,gostaria de chamar a atenção para as regras desta Tertúlia,nomeadamente no trato,aqui todos nós nos tratamos por tu,independentemente da patente,formação académica,extracto social,etc... Tendo prioridade o respeito,esta forma de nos expressarmos dar-nos-á mais flexibilidade para seremos mais íntegros nas nossas odisseias de África. Mas...aceitamos alternativas.
Pois as "camisas de voo" camufladas devem ser realmente desse tempo,pois eu sai da Base, fim de comissão, em Agosto 73 e não havia esse tipo de uniforme.Assim como o Piloto também não é do meu tempo.
Quanto ás fotos,não envias-te,mas vais ficar "obrigado " de o fazer o mais rápido possível.

Já agora aproveito para dizer que estou na ansia de que um dia chegue, de "Pára-Quedas" ,notícias sobre "enfermagem na Guiné"...

quarta-feira, 19 de março de 2008

SIMULACRO

146-Mensagem do Jorge Félix
Alf.Pilav Helicópteros (Canibais)
Guiné






Caro Barata, cá estou eu a meter o "bedelho".
Quando tenho tempo voo. Não como antigamente mas como posso.Tudo está no computador, é só querer.
Hoje fui a Bambadinca de Heli, Os Al III estão na manutenção, LOL. Arranjaram-me um "Agusta westland EH101" e eu lá me vou desenrascando.




Imagem 1 - Vista de satélite da zona que por acaso é onde decorre a acção do "Memórias da Guiné".



Imagem 2 - Vista onde o Corubal encontra o Geba.



Imagem 3- Perto da vertical de Porto Gole a 20 minutos de Bambadinca.



Imagem 4- À vertical de Enxalé já com Bambadinca á vista, no cruzamento das estradas Xime-Bafatá, Xitole-Canturé.



Imagem 5-Já próximo, pena não ser mais real



Imagem 6 - No solo de Bambadinca.



Imagem 7- Voltando a casa no vento de cauda para Bissalanca sob forte chuvada.




Imagem 8- A rolar na pista para a placa, para a "Linha da Frente".


Um abraço.
Jorge Félix



VB: Ó Jorge,que feliz ideia a tua,simplesmente EXCELENTE!!!
Logo ao romper do dia delicias-nos com este perfeito simulacro de uma ida a Bambadinca,sobrevoando o Geba...que saudades! É emocionante esta tua bela iniciativa.
Estou convicto de que muitos companheiros ao verem esta tua mensagem,certamente iram recordar as,muitas,viagens que fizeram a este local.
E já agora,deixa-me dizer àqueles que não sabem ou fazem que não sabem,que embora esta "viagem"tenha sido feita de dia,também se fazia de noite...
Por fim,só me resta dizer-te que,apesar da idade,continuas a ser um GRANDE PILAV.













FELIZ DIA DO PAI/PÁSCOA FELIZ A TODOS OS"ZÉS ESPECIAIS"DO PLANETA.


144-Mensagem do Rogério Nogueira
Ex-1ºSargº.MMA
Moçambique
Ilustre e digno Victor.
Decorria as primeiras horas do pretérito dia 2008/01/31 e a manhã estava um pouco fria. Chego ao meu gabinete, olho para o relógio que marca 08,37h. Olho para um número de telemóvel e marco... são 08,38h (hora dos Açores). Após breve momentos de chamada, desligo... fico um pouco triste e ansioso. Na minha frente, tenho uma foto onde figura um T-6 (Harvard), com outros companheiros. Sentado na minha secretária, olho para a janela e... toca o meu telemóvel... sim, digo, ... é o Rogério, diz-me uma voz calma, serena, certamente resfriando 35 anos de emoção... o relógio marca 08,42h. Sou, respondo. Sou o Augusto e estou em Castelo Branco em serviço da empresa, etc, etc,etc...
Victor, não existem palavras para descrever a loucura que a manhã, naquele momento, trouxe...
Apenas rogo a DEUS que enquanto cá permanecermos, que nunca caiam as pontes entre os "Zés Especiais", sim porque especiais já todos somos e, a prova está dada com as visitas ao nosso (permite-me a usura) blog.
Eis aqui a descrição sucinta do reencontro de dois ilustres "Zés Especiais" que no longínquo AB7 defenderam, com orgulho e determinação, assim como outros, o que uns construíram e agora outros destruíram...
A TODOS OS "ZÉS ESPECIAIS" DO PLANETA, UM FELIZ DIA DO PAI E UMA FELIZ E SANTA PÁSCOA.

Até breve.
Forte abraço ESPECIAL,
Rogério Rodrigues Nogueira

VB.Bom Dia,Rogério!A tua "usura"foi indeferida,o que é isso? Esta casa foi criada para congregar todos os ZÉS ESPECIAIS e outros que queiram compor esta sã e sólida família.
Quanto ao teu reencontro... telefónico com o Augusto,eu sei o que é isso.

terça-feira, 18 de março de 2008

"O PRÍNCIPE,FOI PRÍNCIPE NA FAP."

143-Mensagem do Fernando Castelo Branco
Ex- 1ºSargºMMT 2/69

Moçambique

AMIGO Victor
Como sempre “não faltei á chamada”, só falto após a alvorada, quando os meus afazeres de trabalhador não o permitem e tu estás ao corrente da minha situação de Zé Especial...
Pois hoje depois de ter levado ao trabalho “a minha sargento”, (mulher), vim para o computador, com a curiosidade de ver as nossas Visitas...
Gostei muito da “crónica” do Lema Santos...e ainda mais (desculpa estar a puxar a brasa á minha sardinha) quando falou nos nossos VELHINHOS T-6...que, mesmo amarrados com arame de frenar...lá iam voando; (expressão “popular” Aeronáutica)...
Mas a finalidade desta mensagem, é simplesmente para justificar o titulo da mesma:”O Príncipe, foi Príncipe na FAP”...
Relaciono agora a foto em que o vejo ao lado de um Allouette III na Guiné e o ter conhecido como 2º Sargento na BA2; (que saudades!...) quando ele se encontrava a tirar “um curso rápido” de Inglês...eu era um Zé Especial a tirar o Curso de Sargentos Milicianos, (com “direito a ingressar automaticamente no Quadro Permanente???)... e como tinha que andar de boleia, para ir ter com a minha MULHER,( porque já era casado, autorizado superiormente, sujeitava-me á “capacidade sobrante” da viatura que fazia o transporte para Torres Vedras...)daí, como os Senhores Pilotos, mexiam com os nossos “bichinhos de asinhas” medi as distâncias e pus-me à conversa:
-O meu Sargento é de Torres Vedras?
-Sou.
-Pois eu, se houver lugar, vou para Atalaia, (terra da minha MULHER)...
Falou-se de muita coisa, não sei se ele vai ler isto, mas a ultima Especialização que sabia dele, tinha passado pelos Nordatlas ,entretanto fui para o Ultramar,vim para a BA4, fui tirar o “curso de furriéis” e ele o Curso de Oficiais,(Quadro Permanente) e porque não?!
Tinha perfil, não só pelas Asas!... Entretanto saí da Força Aérea e não é que a minha MULHER, acabaria por ir trabalhar para sua casa e eu ,civil,nos Americanos do Porto da Praia,(Porto Militar da Zona Aérea dos Açores),voltamos a nos encontrar, quando ele era Piloto dos Fiats, já Dignamente Oficial. As referidas Aeronaves, estavam cá em destacamento e quando precisavam de fazer tiro, tinham a colaboração dos Americanos com os Rebocadores aqui estacionados, para rebocarem um objecto da FAP que era composto por dois flutuadores e servia de alvo, foi numa dessas alturas que voltei a falar com o Senhor Capitão Piloto Príncipe...
O tempo passou, mais tarde, o" Nosso Príncipe", era Comandante de uma Aeronave da SATA...
Depois de ler o artigo do nosso Zé Especial MMA Lanceiro, posso informá-lo, que o “Nosso” Príncipe, continua na SATA, pelo que me deu a perceber de quem me deu a informação, encontra-se em Ponta Delgada.
A ultima vez que me dirigi a Ele para o cumprimentar foi á porta da Aerogare das Lajes, (que par quem não sabe, está totalmente remodelada, deixou de ser um Hangar da Navy dos USA e passou a ser uma Moderna Aerogare...
Antes de terminar; tenho a pedir-vos desculpa de alguma falha, na maneira como quis transmitir o que “tenho em armazém”; mas se um dia o Victor, passar estas para um Livro deverá ser alguém que terá tempo para escrever logo para o computador, enquanto nós, muito rapidamente escrevíamos um Aerograma....porque o tempo era de sobressalto?!....
UM abraço sempre Especial
Fernando Castelo Branco

GUINÉ,1967 - RIO CUMBIJÃ

142-Manuel Lema Santos
1ºTen.Reserva Naval
Guiné 66/68




Texto e fotos do Blog Reserva Naval


Estas linhas são editadas como uma singela homenagem a todos as guarnições de LFG’s, LDG’s, LFP’s, LDM’s, DFE’s, CF’s, que durante anos, nunca deixaram de abastecer os aquartelamentos que disso dependiam ainda que para isso fosse necessário enfrentar o temível Cantanhez. Em todas aquelas unidades a Reserva Naval da Marinha de Guerra esteve sempre presente.
Homenagem extensiva aos aquartelamentos de Catió, Bedanda, Cufar, Cabedu, Cacine e Gadamael que sempre nos apoiaram e receberam com Camaradagem e Amizade, sem esquecer igualmente a Força Aérea que representou, muitas vezes, a diferença decisiva entre o combóio passar ou não.



Um ataque à LFG "LIRA" em 4 de Abril de 1967
Estas linhas são editadas como uma singela homenagem a todos as guarnições de LFG’s, LDG’s, LFP’s, LDM’s, DFE’s, CF’s, que durante anos, nunca deixaram de abastecer os aquartelamentos que disso dependiam ainda que para isso fosse necessário enfrentar o temível Cantanhez. Em todas aquelas unidades a Reserva Naval da Marinha de Guerra esteve sempre presente.
Homenagem extensiva aos aquartelamentos de Catió, Bedanda, Cufar, Cabedu, Cacine e Gadamael que sempre nos apoiaram e receberam com Camaradagem e Amizade, sem esquecer igualmente a Força Aérea que representou, muitas vezes, a diferença decisiva entre o combóio passar ou não.
De 1965 e até meados de 1968, o dispositivo naval no Sul da Guiné incluia o estacionamento permanente de 1 LFG (Lancha de Fiscalização Grande) da classe “Argos” que, por um período de cerca de 12 dias, se mantinha em cruzeiro na área, fiscalizando e patrulhando as bacias hidrográficas dos rios Cumbijã e Cacine, no que era coadjuvada por uma LDM. Decorrido aquele período era rendida por uma irmã gémea







Mais a Norte, uma LFP (Lancha de Fiscalização Pequena) da classe "Bellatrix", em conjunto com uma LDM, efectuava a fiscalização da área nos rios Tombali e Cobade.
Aquelas unidades navais, partilhavam e complementavam o dispositivo naval da área garantindo a segurança da navegação, transportes de pessoas, bens e equipamentos, apoio à população civil e forças militares. Também o abastecimento de víveres e o escoamento de produtos agrícolas eram assegurados por aqueles meios.
Com a frequência que a prática demonstrava como necessária, a Marinha constituia TU’s (Task Units), no caso um conjunto de unidades navais e embarcações civis, essencialmente integradas por LDM’s e batelões que largavam de Bissau, iniciando o percurso para Sul, com escala e horários previamente definidos para várias localidades e aquartelamentos. Normalmente a frequência era mensal.
Bolama, Catió, o ponto QQ (na confluência do rio Cobade com o rio Cumbijã), Cabedu, Impungueda (que servia o aquartelamento de Cufar), Bedanda(porto interior) e ainda Cacine e Gadamael eram escalas habituais, embora alguns destes locais fossem aportados pelas LDG’s (Lanchas de Desembarque Grandes) que, pelo seu porte e complexa manobrabilidade, não tinham acesso a todos eles.
Para comandar o combóio naquelas missões era nomeado um oficial de uma Companhia de Fuzileiros ou da Esquadrilha de Lanchas, dos QP’s ou da Reserva Naval, com uma ou duas esquadras de fuzileiros que reforçavam o dispositivo de protecção e defesa do combóio com pessoal e armamento.
Em percursos de maior risco de acções hostis, caso do rio Cumbijã, na zona do Cantanhez, a escolta integrava, nessa área de maior perigo de ataque, uma LFG da classe Argos (Lancha de Fiscalização Grande) deslocada do habitual cruzeiro na área do rio Cacine que, por norma e como mais antigo, assumia o comando da escolta (CTU), completada pelo apoio da Força Aérea com dois aviões Harvard T-6.



Naquele dia, 4 de Abril de 1967, cumprida a rota de ida sem incidentes, iniciou-se então a viagem para juzante, em postos de combate, com o apoio da aviação, rumo à confluência dos rios Cumbijã e Cobade, comboiando duas embarcações civis carregadas com arroz proveniente de Bedanda.
Tanto embarcações civis como unidades navais navegavam estrategicamente em coluna com uma LDM na testa e a outra na cauda, aproveitando a maré na vazante com os batelões encaixados a meio da coluna. Cada uma das embarcações civis levava uma guarda de fuzileiros constituída por 4 elementos. Comunicações em cima.
A LFG "Lira", em cruzeiro na área e vinda do rio Cacine para o Cumbijã para apoio e escolta ao combóio, mantinha-se interposta entre a cauda do combóio e a margem, ligeiramente caída para ré. Com cerca de um quarto de hora de navegação, para juzante, ouviu-se fogo de rajada de metralhadoras ligeiras da margem esquerda.
A LDM da frente informou serem de flagelação inimiga pela amura de BB, sem que fosse possível localizar correctamente a origem. Foram dadas instruções para manter o silêncio de fogo para que, visualmente, fossem melhor localizadas as armas, pela chama à boca, evitando manobras de diversão do inimigo com o intuito de desviar a atenção do centro de fogo principal, instalado mais a montante. O desenrolar dos acontecimentos veio corroborar a hipótese.





Pelas características hidrográficas do rio Cumbijã, na curva frente a Cadique, delimitando um estreito canal de navegação existente, o combóio via-se forçado a navegar a uma distância de 30 a 40 metros da margem.
Precisamente nessa zona, numa extensão de cerca de milha e meia, foi desencadeado violento ataque. Quando a zona provável de origem da flagelação se encontrava no enfiamento do través do navio testa, toda a margem, numa vasta extensão de cerca de 600 metros que abarcava todo o combóio, irrompeu num fogo intenso de armas, com metralhadora pesada e ligeira, pistolas-metralhadoras e bazookas visando, sem distinção, todas as unidades do combóio.
Quase de seguida, foi desencadeado ataque de morteiro com salvas contínuas de projecteis, algumas com o tiro bem regulado, outras com enquadramento sistematicamente longo, com as granadas a deflagrar para lá de meio do rio.








As unidades navais reagiram instantaneamente e, em conjunto, bateram sistematicamente com Bofors, Oerlinkon e MG 42 toda a área de ataque apoiadas pelos aviões T-6 que sobrevoavam a zona, picando em sucessão e metralhando o local de ataque. A LFG, com máquinas a vante, toda a força, interpôs-se entre o combóio e o fogo, protegendo a coluna e batendo cadenciadamente a margem com as peças Bofors de 40 mm apoiadas pelas MG 42 montadas nas asas da ponte, pelo fogo das LDM’s reforçadas pelos fuzileiros.
A cadência de fogo de barragem provocava um ruído ensurdecedor e obrigava a arrefecer os canos das anti-aéreas Boffors com as mangueiras de água ligadas. Os invólucros de latão espalhavam-se pelo convés junto ás peças de vante e de ré.







Com alguma certeza e à medida que a navegação prosseguia, puderam contar-se diversas bocas de fogo de bazooka postadas ao longo do percurso, possivelmente actuadas por atiradores colocados em abrigos, bem como atiradores com armamento portátil.
A intensidade de fogo e a extensão da frente inimiga permitiu estimar o grupo em mais de uma centena de homens, todos colocados junto à margem, deitados na bolanha ou em abrigos cavados. Observaram-se mesmo movimentação de alguns, dada a curta distância.
De Cafal, quase simultaneamente, foi feito fogo de canhão sem recuo, embora apenas três ou quatro disparos e mal direccionados. O campo de tiro a partir daquela zona, não era tão afectado pela limitação natural provocada pela diferença de altura das marés. Seria possível vir a enquadrar, no mesmo enfiamento, todas as unidades que navegassem no local, para montante ou para juzante, oferecendo ao inimigo condições quase ideais para interditar a passagem à navegação.









Provavelmente posicionado a cerca de 400 metros do combóio porquanto se ouvia distintamente o disparo, sentia-se o sopro do projécteis passando sobre as unidades para, decorrido tempo sensivelmente igual, rebentarem na margem oposta junto à agua, na bolanha.
Na foz do rio Macobum, o combóio inflectiu o rumo para a margem contrária continuando a ser batido intensamente do lado de Cadique, sobretudo com metralhadora pesada e armas ligeiras, enquanto de Cafine rompia também fogo com armas automáticas e morteiro.
Entretanto a LFG, ao chegar àquela zona inverteu o rumo e manteve-se frente a Cafine, a efectuar a cobertura de protecção do combóio, voltando a fechar a cauda da coluna, batendo sistematicamente as posições do ataque e calando o inimigo pouco depois.
Tinha decorrido uma longa hora e um quarto, sem quaisquer baixas mas com diversos impates nas embarcações e nas LDM’s. Baixas prováveis no inimigo mas carecendo de confirmação.
Desta acção se dá a composição de um pequeno ficheiro de vídeo a partir de imagens e som obtidas numa dessas escoltas, em 4 de Abril de 1967. O local, meios envolvidos e acções de fogo são reais, com relato recreado e adaptado de acções semelhantes.
Fotos cedidas pelo Cte Carlos F. Dias Souto e som cedido pela LFG "Lira".
mls



VB: Amigo Lema Santos,permite-me que te diga que a tua aérea académica devia ter sido as letras e não cientificos!O quadro que nos descreves,embora um pouco sumário,dá para perceber bem o motivo de orgulho que era para nós a consolidação dos três ramos das Forças Armadas na Guiné.Pena é que nem toda a gente assim o interprete,se calhar porque as suas comissões de serviço eram feitas dentro de gabinetes,o som do tiroteio deles era o das teclas da máquina de escrever...enfim!
Obrigado Companheiro!


segunda-feira, 17 de março de 2008

O LANCEIRO AFINAL APARECEU.

141-Mensagem do Manuel José Lanceiro
Ex-Especialista MMA (Canibais)
Guiné 70/72








Barata
Todos os dias visito o nosso blog e é com muito prazer que vejo camaradas de outras armas a participarem activamente nele.
São os seus testemunhos e as suas experiências que enriquecem (ainda mais), este espaço.
É também com muito gosto que vejo os pilotos a participarem.
Por isso venham mais, participem, contem as vossas memórias (estórias) e mostrem as vossas fotografias.
Sejam bem vindos e bem hajam.
Mando mais duas fotografias







Foto nº 1 - Da Esq./Dirª O Castro (Menino) atirador canhão, eu, Oliveira atirador canhão, o Príncipe e o Santos (Bebé) ambos pilotos.







Foto nº2 - Esta foto foi tirada em Nova Lamego, estou eu com um piloto das DO's não me lembro do seu nome. Se te lembrares agradeço que o menciones.

Um grande abraço
Manuel José Lanceiro

VB: Companheiro,gostava de te poder informar o nome do referido piloto de DO 27,mas,embora tenha estado toda a minha comissão de serviço na linha da frente destas aeronaves,não me recordo da sua cara,provavelmente já foi depois de mim. Uma coisa que estranho é o seu uniforme,contrariamente ao que era normal,não envergava camisa de voo mas sim camuflado!...

Se algum dos nossos Tertúlianos o reconhecer,agradecemos que informe o nome do companheiro em causa.



NOTÍCIAS DE MAPUTO-MOÇAMBIQUE.





140-Mensagem de Ruy Barata
Visitante do Blogue
Maputo-Moçambique

Amigo Victor.
É com muito gosto que utilizo parte do seu “blog” para exteriorizar o quanto estou grato pela sua colaboração num momento muito particular para a minha família,por sinal família Barata.
Foi tudo muito casual, nisto de navegar, principalmente em sites relacionados com aviação, algo que gosto, e acabei por entrar no seu espaço reservado aos colegas da Força Aérea Portuguesa.
O nome José Fernando Almeida Brito e a fotografia foi-me familiar e de imediato consultei o meu irmão, também José Fernando e chegamos a conclusão de que era nosso tio, tanto mais que tinha operado na Guiné.
Fui ao “baú” de fotografias da família e tive a sorte de lá encontrar um recorte de um jornal moçambicano que na altura referia-se ao triste acontecimento.
Tudo se desencadeou nesta troca de mensagens com o amigo Victor Barata que não poupou esforços para localizar a viúva, tia Anita, irmã mais nova do meu saudoso pai.
Dela recordava-me apenas da base de Monte Real, dos aviões fiat e claro está do meu sétimo aniversário ali feito.
Era a única de quem nós em Moçambique não conhecíamos a sua localização e portanto era maravilhoso retornar a nossa ligação.
Um mês depois e graças ao meu amigo Victor obtive o número de contacto.
Trinta e oito anos depois e pelo telefone voltei a falar com a Tia Anita.
Como se pode calcular foi um momento único, tão assim que queríamos saber ao mesmo tempo de muita coisa.........
Liguei para a minha mãe comunicando-a do acontecimento.Ela que vive mais ao norte, Quelimane, e que se tinha encontrado pela última vez com a tia Anita em princípios da decada de oitenta em Lisboa.
Vamos de certeza ter muito tempo pela frente,tanto é que agora há mais facilidade de as pessoas se contactarem, desde pela escrita, voz e imagem.
Escrevo estas linhas também emocionado porque vivo um momento muito parecido com aqueles dos anos 60 e 70.Um período em que pessoas singulares no interior do nosso país socorreram-se dos serviços prestados pelos radioamadores ( o meu saudoso pai também o era), que accionavam mecanismos para evacuar este e aquele doente.
O meu muito, muito obrigado amigo Victor.
Obrigado da família Barata em Moçambique

Ruy Mendes Barata

Maputo

Moçambique

VB: Olá Ruy.
Não tens que agradecer,quando criamos este espaço fízemo-lo por vontade própria,sem reservas,servindo uma causa comum,regressar ao passado através da pesquisa e informação.
É um dever que temos lembrar especialmente aqueles a quem a justiça da vida lhes tornou o percurso mais curto.
Esta casa é tua,desfruta dela quando quiseres.

ACABAMOS DE RECEBER A MARINHA DE GUERRA!

139-Mensagem de Manuel Lema Santos
Ex-1ºTen.Marinha de Guerra da Reserva Naval
Imediato do NRP ORION-362 66/68
Guiné


VB: Está de parabéns a nossa Tertúlia LINHA DA FRENTE!
Acaba de desembarcar o imediato do NRP ORION 362,o Companheiro da nossa Marinha de Guerra que faltava para completar e valorizar a família Forças Armadas Portuguesas que tão unida foi durante o período da Guerra do Ultramar.
O Lema Santos,que conheci no Blog do Luís Graça lendo os seus relatos históricos e empolgantes em terras e rios da Guiné,alguns verdadeiramente dramáticos!
"Desembarcou" e trouxe com ele esta mensagem:





Foto:Blog Luís Graça&Camaradas da Guiné 1972 - 1º Ten.da Reserva Naval



Foto -Blog Luís Graça&Camaradas da Guiné Hoje, empresário no ramo gráfico digital.



Caro Victor Manuel,

Naturalmente que me honra sempre um convite efectuado por um conjunto de ex-camaradas da Força Aérea, cuja motivação principal tem um denominador comum com o meu próprio objectivo.
Julgo como mais correcto, cada blogue ou site, ir alargando o espaço de informação disponível em todas as formas de comunicação para que nós próprios como participantes, familiares, descendentes, o cidadão interessado e, mais tarde, o Historiador e o Sociólogo, possam dispor de fontes de conhecimento que permitam a construção correcta do que foi a Guerra da Guiné para Portugal envolvendo, de forma integrada, os 3 Ramos das Forças Armadas: Exército, Marinha e Força Aérea.
Por enquanto entendo que está tudo muito retalhado, mas pior do que isso, manipulado por envolvimento afectivo intenso, no que eu próprio me incluo, e interesses diversos que conduzem ao afastamento de um conceito real da História.
Se concordarem, proponho-vos a colocação recíproca de "links" que permitam aos visitantes disporem de pontes para navegarem como entenderem, competindo-nos a nós a valorização dos espaços próprios em benefício de todos.
Com Amizade e Camaradagem.
Um abraço para todos,
Manuel Lema Santos

domingo, 16 de março de 2008

MEMÓRIAS DA EMEL-PAÇO DE ARCOS.

138-Mensagem do Augusto Ferreira
Ex-1ºSargº.Milº.Melec/Inst/Av 3ª/69
Moçambique










Num dos lindos jardins que a Escola tinha,eu a posar para a Foto




Aqui,junto à guarita,Carrilho,Eurico,Eu e o Aurélio Cruz






Amigo Barata

Ao falar sobre esta escola, com o nosso Castelo Branco há uns dias atrás, vieram-me à memória algumas histórias, da nossa passagem por ela em 1970.
É evidente, que nos tínhamos que aplicar minimamente, para obter aproveitamento, que nos permitisse continuar na nossa FAP e passar à sub especialização de Instrumentos de Avião, na BA2-Ota. Mas ao Castelo Branco, que se encontrava na Ota a tirar a sua especialidade, chegavam também outras notícias de lá, que não eram só sobre os estudos, é verdade.
O pessoal no Verão, depois das aulas, passava através de um túnel que existia na Escola, que passava por baixo da marginal que ia para Cascais e ia até á praia do outro lado .Nessa altura do ano, ainda dava para dar um salto até lá, para ver como é que estava o ambiente, assim como também ao fim de semana, quando resolvíamos ficar.
Aconteceu, na tarde de um desses domingos, quando estávamos no"bronze", de papo para o ar na praia, ouvir chamar pelos altifalantes da escola, com insistência, o cabo piquete á porta do Comando, com urgência. Este nunca chegou a aparecer.
Havia nesse dia festa em Porto Salvo, que é uma localidade próxima. Soubemos quando regressámos á escola, que tinha havido lá pancadaria, com pessoal da FAP e tinha sido necessário lá mandar o piquete.
Quem é que tinha criado lá esta situação? Nem mais nem menos que o próprio Cabo Piquete, que estava obviamente "desenfiado". Era um companheiro nosso da Régua, por sinal com um corpo muito franzino, mas terrível para a confusão.
Também á noite, com as Festas dos Pescadores em Cascais e Lisboa ali ao lado, o pessoal nunca chegava antes do Recolher. Quando vinha de Lisboa, ou apanhava o último comboio no Cais do Sodré, ou vinha à boleia (sabe lá Deus com quem, algumas vezes) e então tinha que entrar por algum lado, pois não havia dinheiro para dormir fora.
Um dos pontos de entrada, era uma rede que estava estratégicamente solta, junto a um posto de sentinela virado para a marginal, com um muro com cerca de 2mts.
Era o próprio aluno, que estava de reforço, que ajudava o pessoal a entrar, altas horas da madrugada, usando a própria G3 para afastar a rede e puxar. Verdade seja dita, era para o que servia a arma, pois nunca tínhamos dado um tiro com ela e nem sabíamos como funcionava.
Desses tempos lembro-me ainda, dos dias em que estávamos de faxina ao refeitório.
Sentava-me á boca, da panela de sopa de campanha, que mais parecia uma betoneira, com a boca virada para cima e com aquelas conchas enormes, tirava primeiro os toucinhos, que andavam a nadar á superfície e depois cada concha, era uma terrina cheia, que a malta ia levando para dentro do refeitório, para as mesas.
Os chefes de mesa, no topo, controlavam os talheres de cerca de doze alunos.
E quando havia carne à alentejana? Lembras-te ? Quando o faxina pousava a travessa na mesa, já estava limpa. Pareciam piranhas. Pobres dos que cultivavam as boas maneiras.
Mas nesses dias, no final da limpeza, poderíamos levar para o nosso armário da camarata, mais uns pães e umas laranjitas.
Amigo Barata, por hoje fico por aqui, porque depois deste serviço ao refeitório, como deves calcular, estou cansado e hoje nem sequer vou sair da EMEL.
Era para ir a Lisboa, mas fica para a próxima.

Um grande abraço para ti e toda a TERTÚLIA DA LINHA DA FRENTE.

Augusto Ferreira

sábado, 15 de março de 2008

16ºENCONTRO DE ESPECIALISTAS DE ARMAMENTO E EQUIPAMENTO.

137-Mensagem do Jorge Marranita
1ºSarg.MARME
Base Aérea nº5
Monte Real





Caros "Metralhas",
Venho por este meio, também, informar os meus amigos que vai realizar-se o Almoço anual da Especialidade de Armamento e Equipamento, na Base Aérea nº 5 - Monte Real, no dia 17 de Maio.
Todas as informações necessárias encontram-se em anexo a esta msg. Peço o seguinte; façam chegar esta msg a outros elementos, embora siga também convite via correio.
Um abraço e até dia 17 de Maio





Saudações ESPECIAIS.
Jorge Marranita





Nha Bolanha

136- Jorge Félix
Ex-Alf.Pilav.Helicopteros
Guiné 68/70

O Jorge fez o favor de nos enviar este maravilhoso vídeo à cerca de uns 10 dias,mas,por motivos alheios à nossa vontade,(fruto da minha péssima aptidão para a informática) só agora consegui colocá-lo no Blog.
As minhas sinceras desculpas e vão tendo paciência com a minha "ignorância informática"



sexta-feira, 14 de março de 2008

OS PRIMEIROS PILOTOS MILICIANOS DE HELICÓPTEROS DA FAP.

135-Mensagem do Jorge Félix
Ex-Alf.Pilav Helicópteros
Guiné


Antes de transcrever a mensagem do Jorge,chamava a vossa atenção para verem o excelente trabalho dele,em vídeo,que está anunciado na respectiva pasta deste Blog e que se chama "NHA BOLANHA"



Victor,depois do telefonema de hoje à tarde, fiquei a pensar no que disseste do
NHA BOLANHA.
Recebe então esta foto tirada na Base Aérea nº3,Tancos,junto a um Allouett II,e que se reporta ao 1º Curso de Pilotos de Helicópteros,onde pela 1ª vez também,incorporaram milicianos.









Éramos oito milicianos(Eu,Antolin,Cavadas,Melo,Baeta,Pinto e Duarte)e três da Academia Militar(Braga,Afonso e Costa).
O Pinto faleceu em Outubro de 2007,em Lisboa vitima de doença.
O Oliveira faleceu no acidente de aviação em Tancos em 72 ou 73.
Estes dois companheiros estiveram comigo na Guiné.
O Melo anda em sitio incerto na Venezuela(vou saber pormenores da "chatice" que foi a vida dele por lhe terem roubado um Allouett III da FAP).
O Baeta faleceu em Gago Coutinho,Angola,Março de 1969, num acidente,voo nocturno, Heli .
O Cavadas também já faleceu em acidente de Heli,andava nas pulverizações ,no Alentejo.
O Antolin está de perfeita saúde,Comandante da TAP reformado,a viver em Lisboa.
O Duarte,é Sua Alteza D.Duarte Nuno de Bragança,esteve em Moçambique e vive em Lisboa.
O Pinto,também reformado da TAP,faleceu à quatro meses.
Do Braga,Afonso e Costa,sei muito pouco.
Vou por a escrita em dia e quando souber mais novidades envio-te.


Um abraço "ESPECIAL"


Jorge Félix

VB:
Jorge,congratulo-me com este teu recordar de Companheiros que contigo foram os primeiros elementos MILICIANOS da nossa FAP a subirem aos ceús,de Portugal, em Helicóptero.Pena é que alguns não estejam hoje entre nós para se incluírem nesta nossa Tertúlia LINHA DA FRENTE.
Certamente estão em lugar seguro e devidamente acompanhados,aquele que mereceram em vida.
Os que continuam entre nós,façam o favor de entrarem nesta VOSSA Tertúlia,é uma honra.
Ficamos à vossa espera.