quinta-feira, 27 de março de 2008

FOTOS INÉDITAS DO AB 7 - TETE.

155-Mensagem do Augusto Ferreira
Ex-1ºSargº Melec/Inst./Av

Moçambique



Amigo Barata

Cá estou de novo na Linha da Frente. Como este espaço se tem que manter vivo, aqui estou hoje, com fotos inéditas do AB7-Tete, que tirei com a minha velhinha máquina fotográfica de fole,( que ainda existe), que utilizava os rolos ILFOR 120.
São realmente únicas, porque tenho visto algumas fotos do aeródromo, mesmo na Net e são sempre as mesmas. São duas fotos aéreas e mais antigas.
As fotos foram tiradas, num domingo de Junho de 1973, a partir da torre de controle da base. Estava lá o meu amigo Carlos OPCART e disparei o flash em quatro direcções.
Estas fotos, irão fazer as delícias de quem passou por lá, porque eu não conheço outras.





Era habitual, termos com alguma frequência, tropas especiais estacionadas na base, que operavam na zona. Desde Companhias de Comandos, Paraquedistas e outros Grupos Especiais da província.
Na terceira foto, vêem-se do lado esquerdo, os hangares de manutenção dos aviões e mais á frente o dos helicópteros, da Esquadra 703- " Vampiros ".
Ao fundo deste arruamento, ficava a entrada do AM – ( Porta de Armas.)
Ao lado desta, ficava a enfermaria, aonde além do apoio ao pessoal da base, ainda administrava vacinações em massa, ás populações nativas da zona. Por exemplo ao aldeamento da Bamba, que ficava a cerca de 3kms do AB7 e era de onde vinha a maior parte dos homens, que trabalhavam nos serviços auxiliares da base. Do lado direito os refeitórios e mais para cá, as oficinas auto.
Espero ter deliciado com estas imagens, os companheiros que passaram por lá e elas vão de repente trazer à memória, de certeza, montes de episódios e recordações, desses já longínquos anos 70.

Um grande abraço para ti Barata e para todos os grandes Zés Especiais, desta nossa Linha da Frente.

Augusto Ferreira























quarta-feira, 26 de março de 2008

OS FILHOS DE ÁFRICA.




154-Mensagem do Fernando C.Branco
MMT 2ª/69
Moçambique














Hoje, tive a oportunidade de dar um abraço aos “Filhos de África” . São cinco Cadetes do 4ºano da Academia Militar, que estão cá em visita e por sua vez, vieram visitar uma Unidade da Marinha Portuguesa, (Navio Oceanográfico) “GAGO COUTINHO”, que aqui está em “repouso” da Tripulação.
Na foto em que estão os três, começando da Esquerda para a direita, são de Moçambique, Cabo Verde e São Tomé respectivamente...Deu para contar-lhes que também estivemos em África, ainda eles não pensavam nascer....
Um abraço .
Fernando


VB. Mais uma vez puseste à prova os teus grandes dotes de saber receber.

OS CÃES NA GUERRA.

153-Mensagem do Jorge Félix
Alf.Pilav (Canibais)
Guiné

O Jorge enviou-nos as duas fotos que apresentamos no intuito de nos mostrar os "Cães na Guerra",mais concretamente o "Borrachão".
Era um cão que tinha duas características nada comum nos canídeos,voava e bebia álcool.
Era a mascote da Linha da Frente,um alcoólico por excelência,bebia whisky como um "adulto" e,sempre que se ia até Bubaque para tomar uns banhos nela magnifica Ilha,ele tinha o seu lugar reservado na DO 27


Foto 1 - Junto ao Aloutte III o Jorge e o "Borrachão".




Foto 2 - De novo o "Borrachão" junto de quem lhe fazia bem.


terça-feira, 25 de março de 2008

O MAJOR-GENERAL QUEIROGA...MUEDA 1973...QUEM SE LEMBRA?

152-Jornal Correio da Manhã 23.3.08



Revista Suplemento

Companheiros,sou um assíduo comprador e,obviamente,leitor do jornal "Correio da Manhã"
que à uns tempos a esta parte vem publicando, ao domingo,no suplemento do jornal,um espaço intitulado "A MINHA GUERRA",dedicado aos ex-combatentes do Ultramar para assim trazer ao publico em geral as suas passagens por terras de Angola, Moçambique e Guiné.
Embora goste sempre de ler essas passagens,fico sempre na expectativa de,quando chego à página da publicação,encontrar o companheiro da NOSSA FAP.

Pois no domingo,esse dia chegou! O Cap.Pilav Queiroga(reporto-me ao tempo de Mueda)foi o protagonista desse espaço contando as suas "aventuras"na guerrilha.
Esperamos dentro em breve poder contar com ele na nossa LINHA DA FRENTE e dar-nos a honra de integrar a nossa(sua) Tertúlia.

José Barrigas Queiroga
-Curso de Piloto da Força Aérea Portuguesa,terminado em 1967.
-Base Aérea nº 9,Luanda,Esq.94,Alf.Pilav.1967.
-Regresso ao Continente em Dezº 1970,Ten.Pilav.
-Colocado na Base Aérea 3,Tancos,onde exerce a actividade de Instrutor de voo.
É promovido a Cap.Pilav.
-Colocado em Moçambique,regressa em 1975
-Passa pela BA 6,BA 3,BA 4 BA 1(como comandante).
-Colocado no Comando Operacional da Força Aérea.
-Termina o serviço activo como Chefe de Operações do Estado Maior General das
Forças Armadas.
-5.000 Horas de voo em Helicópteros Alouette III.
-Condecorado com:
Medalha de Ouro de Valor Militar.
Duas Medalhas de Ouro de Serviços Distintos.
Duas Medalhas de Prata com Palma.










Foto 1 -Cá está o nosso Major-General,que apesar dos seus 64 anos continua um jovem


Foto 2 -(esq.) Sobrevoando o sul de Angola,em 1970,observando os Helis Sul-Africanos que colaboraram com as nossas tropas.
(sup.dirª)- Em 1967,Alf.Pilav.
(inf.dirª)- Vista aérea de Luanda,nos finais de 1970.




Foto 3 - Em finais de 1973, o CEMFA,Gen.Costa Gomes(falecido),visitou Mueda.O Cap.Pilav.
Queiroga,último da esqª,apresenta os oito Pilotos do destacamento de hélis.






Foto 4 - Cecília Supico Pinto(de frente,na foto),líder do MNF(Movimento Nacional Feminino)
de visita a Mueda.





VB. Resta-me acrescentar a gentileza do corpo redactorial do jornal "Correio da Manhã"que ao nosso pedido de autorização para a publicação do artigo,respondeu,não só com a anuência para isso,como nos solicitou também uma colaboração reciproca para este tema.
As nossas cordiais saudações Aeronáuticas


segunda-feira, 24 de março de 2008

MENSAGENS DA PROMOÇÃO E MOBILIZAÇÃO.








151-Mensagem do Pedro Garcia
OPC 3ª/69
Angola













Victor aqui vai mais uma tentativa de enviar este mail.
Trata-se da msg que informa da promoção do pessoal de comunicações, do meu curso, a cabos.



Foto-O Pedro à porta de armas da BA 2 - Ota










1ªMensagem(integral)



"R i9i459z
fm pessoal fap
to baseseis
ok384fev71
info despacho sea 14 fev71 promovidos io.cabos com antiguidade
oijul7i todos soldados alunos terminaram 09dec70 estagio curso opc
1/70 proxima oa confirma"



2ª Mensagem(integral)



" R 20094iz
fm pessoalfap
to baseseis
info radois
ok398fev7i
info nomeados 2ª ra. seguintes io.s cabos opc cln augusto dias ramalho e
jaime nobrega vieira ba4cmcln joao da silva reis e ilidio da silva simone gdaci cmcln pedro lopes garcia ba6 cmcln jose manuel torrão sacramento ba7 pd destinam-se rendição cabos opc incluidos 4º trimestre 70 cmm devendo seguir destino mais breve possivel pd proxima o.s.confirma"








Este grupo, felizardos, foi para Angola, ao mesmo tempo saíram a nomeações para a Guiné e Moçambique.
Eu, como fui o mais rápido a despachar-me, fui o primeiro a embarcar, por isso calhou-me ficar em Luanda, os outros foram para Henrique de Carvalho e Negage como foi o caso do Sacramento que esteve no encontro de Leiria.
Mais tarde seguiu-se outro grupo para Angola entre os quais o Portugal foi para Henrique de Carvalho, o Abílio Pedro ficou comigo em Luanda e o João Sousa foi, "desterrado", para o Negage.
um abraço
Pedro Garcia

VB. Os erros ortográficos que se encontram transcritos nas mensagens são tal qual como na época foram transcritos nas referidas mensagens pelos Emºs Companheiros OPC's.

sábado, 22 de março de 2008

LINHA DA FRENTE.

150-Mensagem do Jorge Félix
Alf.Pilav (Canibais)
Bissalanca - Guiné

O Jorge enviou-nos esta significativa foto da Base Aérea nº12 Bissalanca,com votos de uma
Boa Páscoa,uma original faceta deste Companheiro.Obrigado Jorge.




Victor,
Para todos que pisaram aquela linha de frente, boa Páscoa.

Jorge Félix

sexta-feira, 21 de março de 2008

UM GESTO BONITO...








148-Mensagem do Fernando Castelo Branco
Ex-1ºSargºMMT
Moçambique






AMIGO Victor
Um dos “meus sonhos” era ter uma casa ao pé do MAR, como não é possível; sujeito-me a visitar a TUA casa (nossa), QUE não deixa de ter “odores da vida” e SAUDADE...
Pois Amigo, o que é prometido é devido, certamente, tu “pensas” que eu me vou esquecer da tua visita...os anos já começam a ser diferentes, mas a minha satisfação da tua presença foi tanta, que me deu o cuidado de ver aonde tu punhas os pés, com o teu ar sereno e como o brilhar dos teus olhos, tinham para mim um aviso...."Castelo Branco toma cuidado que com este “não se brinca em serviço???” no (sentido positivo)...Deu para reparar, para depois de estarmos devidamente autorizados a entrar na Base Aérea 4, levei-te a um dos Estabelecimentos Americanos, (Clube caça e pesca) e tiveste o cuidado e preocupação de te lembrares de um teu funcionário, com a intenção de lhe ofereceres um carreto para a pesca...Na altura, fez-me recuar muitos anos, aos nossos anos de “ignorância sem maldade”, o espírito de olharmos pelos outros....O teu gesto foi bonito, porque mostraste o teu espírito de Camaradagem, Chefia e o principal ;HUMANISMO....
AMIGO, sendo eu Continental e vivendo numa terra que muito BEM, me abraçou nunca me esquecerei de VÓS, e que O Senhor Divino Espírito Santo; Vos dei-a o que a Ele muitas vezes peço; SAÚDE, PAZ E COMPREENSÃO entre os homens;...mas deixem-me continuar a sentir o MAR como meu Confidente e COMPANHEIRO...Venham e tragam mais um...
Um abraço ESPECIAL
Fernando Castelo Branco


VB.Na realidade,só quem conhece o Fernando é que pode saber tudo,tudo,o que as suas palavras querem transmitir à nossa LINHA DA FRENTE. Tenho o devido cuidado de publicar, quase sempre, integralmente as suas mensagens para se poder ler o que o coração dele redige para nós.Obrigado Fernando.

quinta-feira, 20 de março de 2008

FOTOS DA GUINÉ!




147-Mensagem do Miguel Pessoa
Cor.Pilav (Aponsentado)





Amigo Victor:
Estava a passear pelo nosso site e reparei em duas fotos interessantes da Guiné. Numa identifiquei o Fur.Pilv. Príncipe, por quem tenho grande amizade e consideração, lembrando-me dos seus tempos de "Lobo Mau". O outro piloto, Fur.Pilv. Santos (ou Bebé, como referiam) também me traz recordações, pois foi ele que me evacuou no AL-III do Guileje para a BA12 em 26MAR1973, depois de ter sido recuperado do mato.
Na outra foto, infelizmente não me recordo do nome do piloto, mas suponho que é da parte final da Guiné (fins de 1973, princípio de 1974), altura em que nos mandaram fazer fatos de voo com tecido camuflado. Aliás, o piloto também usa o colete de sobrevivência, onde podíamos levar o rádio, o kit de sobrevivência, os very-lights, uma arma ligeira (o coldre era cosido na parte lateral do colete - pelo menos no meu assim fiz). Estes coletes apenas foram distribuídos depois da minha passeata no mato, o que corresponde ao período que mencionei atrás). Suponho que aqui há uns tempos lhe mandei uma foto minha dessa época, em que estou com o fato de voo camuflado e o colete de sobrevivência.
Não contribuí muito para qualquer esclarecimento, mas sempre dei dois dedos de conversa...
Um abraço e saudações aeronáuticas
Miguel Pessoa


VB. Companheiros,como podem observar,acaba de "aterrar" o Miguel Pessoa.
Bom dia,GRANDE AMIGO,que alegria nos trazes à nossa Linha da Frente! Em Março de 73,graças a Deus,localizamos-te mais depressa do que agora,estávamos a ver que desta vez te perdíamos o rasto.Já tinhas falado com o Marcelino da Mata para te voltar a localizar!
Miguel,antes de continuar,gostaria de chamar a atenção para as regras desta Tertúlia,nomeadamente no trato,aqui todos nós nos tratamos por tu,independentemente da patente,formação académica,extracto social,etc... Tendo prioridade o respeito,esta forma de nos expressarmos dar-nos-á mais flexibilidade para seremos mais íntegros nas nossas odisseias de África. Mas...aceitamos alternativas.
Pois as "camisas de voo" camufladas devem ser realmente desse tempo,pois eu sai da Base, fim de comissão, em Agosto 73 e não havia esse tipo de uniforme.Assim como o Piloto também não é do meu tempo.
Quanto ás fotos,não envias-te,mas vais ficar "obrigado " de o fazer o mais rápido possível.

Já agora aproveito para dizer que estou na ansia de que um dia chegue, de "Pára-Quedas" ,notícias sobre "enfermagem na Guiné"...

quarta-feira, 19 de março de 2008

SIMULACRO

146-Mensagem do Jorge Félix
Alf.Pilav Helicópteros (Canibais)
Guiné






Caro Barata, cá estou eu a meter o "bedelho".
Quando tenho tempo voo. Não como antigamente mas como posso.Tudo está no computador, é só querer.
Hoje fui a Bambadinca de Heli, Os Al III estão na manutenção, LOL. Arranjaram-me um "Agusta westland EH101" e eu lá me vou desenrascando.




Imagem 1 - Vista de satélite da zona que por acaso é onde decorre a acção do "Memórias da Guiné".



Imagem 2 - Vista onde o Corubal encontra o Geba.



Imagem 3- Perto da vertical de Porto Gole a 20 minutos de Bambadinca.



Imagem 4- À vertical de Enxalé já com Bambadinca á vista, no cruzamento das estradas Xime-Bafatá, Xitole-Canturé.



Imagem 5-Já próximo, pena não ser mais real



Imagem 6 - No solo de Bambadinca.



Imagem 7- Voltando a casa no vento de cauda para Bissalanca sob forte chuvada.




Imagem 8- A rolar na pista para a placa, para a "Linha da Frente".


Um abraço.
Jorge Félix



VB: Ó Jorge,que feliz ideia a tua,simplesmente EXCELENTE!!!
Logo ao romper do dia delicias-nos com este perfeito simulacro de uma ida a Bambadinca,sobrevoando o Geba...que saudades! É emocionante esta tua bela iniciativa.
Estou convicto de que muitos companheiros ao verem esta tua mensagem,certamente iram recordar as,muitas,viagens que fizeram a este local.
E já agora,deixa-me dizer àqueles que não sabem ou fazem que não sabem,que embora esta "viagem"tenha sido feita de dia,também se fazia de noite...
Por fim,só me resta dizer-te que,apesar da idade,continuas a ser um GRANDE PILAV.













FELIZ DIA DO PAI/PÁSCOA FELIZ A TODOS OS"ZÉS ESPECIAIS"DO PLANETA.


144-Mensagem do Rogério Nogueira
Ex-1ºSargº.MMA
Moçambique
Ilustre e digno Victor.
Decorria as primeiras horas do pretérito dia 2008/01/31 e a manhã estava um pouco fria. Chego ao meu gabinete, olho para o relógio que marca 08,37h. Olho para um número de telemóvel e marco... são 08,38h (hora dos Açores). Após breve momentos de chamada, desligo... fico um pouco triste e ansioso. Na minha frente, tenho uma foto onde figura um T-6 (Harvard), com outros companheiros. Sentado na minha secretária, olho para a janela e... toca o meu telemóvel... sim, digo, ... é o Rogério, diz-me uma voz calma, serena, certamente resfriando 35 anos de emoção... o relógio marca 08,42h. Sou, respondo. Sou o Augusto e estou em Castelo Branco em serviço da empresa, etc, etc,etc...
Victor, não existem palavras para descrever a loucura que a manhã, naquele momento, trouxe...
Apenas rogo a DEUS que enquanto cá permanecermos, que nunca caiam as pontes entre os "Zés Especiais", sim porque especiais já todos somos e, a prova está dada com as visitas ao nosso (permite-me a usura) blog.
Eis aqui a descrição sucinta do reencontro de dois ilustres "Zés Especiais" que no longínquo AB7 defenderam, com orgulho e determinação, assim como outros, o que uns construíram e agora outros destruíram...
A TODOS OS "ZÉS ESPECIAIS" DO PLANETA, UM FELIZ DIA DO PAI E UMA FELIZ E SANTA PÁSCOA.

Até breve.
Forte abraço ESPECIAL,
Rogério Rodrigues Nogueira

VB.Bom Dia,Rogério!A tua "usura"foi indeferida,o que é isso? Esta casa foi criada para congregar todos os ZÉS ESPECIAIS e outros que queiram compor esta sã e sólida família.
Quanto ao teu reencontro... telefónico com o Augusto,eu sei o que é isso.

terça-feira, 18 de março de 2008

"O PRÍNCIPE,FOI PRÍNCIPE NA FAP."

143-Mensagem do Fernando Castelo Branco
Ex- 1ºSargºMMT 2/69

Moçambique

AMIGO Victor
Como sempre “não faltei á chamada”, só falto após a alvorada, quando os meus afazeres de trabalhador não o permitem e tu estás ao corrente da minha situação de Zé Especial...
Pois hoje depois de ter levado ao trabalho “a minha sargento”, (mulher), vim para o computador, com a curiosidade de ver as nossas Visitas...
Gostei muito da “crónica” do Lema Santos...e ainda mais (desculpa estar a puxar a brasa á minha sardinha) quando falou nos nossos VELHINHOS T-6...que, mesmo amarrados com arame de frenar...lá iam voando; (expressão “popular” Aeronáutica)...
Mas a finalidade desta mensagem, é simplesmente para justificar o titulo da mesma:”O Príncipe, foi Príncipe na FAP”...
Relaciono agora a foto em que o vejo ao lado de um Allouette III na Guiné e o ter conhecido como 2º Sargento na BA2; (que saudades!...) quando ele se encontrava a tirar “um curso rápido” de Inglês...eu era um Zé Especial a tirar o Curso de Sargentos Milicianos, (com “direito a ingressar automaticamente no Quadro Permanente???)... e como tinha que andar de boleia, para ir ter com a minha MULHER,( porque já era casado, autorizado superiormente, sujeitava-me á “capacidade sobrante” da viatura que fazia o transporte para Torres Vedras...)daí, como os Senhores Pilotos, mexiam com os nossos “bichinhos de asinhas” medi as distâncias e pus-me à conversa:
-O meu Sargento é de Torres Vedras?
-Sou.
-Pois eu, se houver lugar, vou para Atalaia, (terra da minha MULHER)...
Falou-se de muita coisa, não sei se ele vai ler isto, mas a ultima Especialização que sabia dele, tinha passado pelos Nordatlas ,entretanto fui para o Ultramar,vim para a BA4, fui tirar o “curso de furriéis” e ele o Curso de Oficiais,(Quadro Permanente) e porque não?!
Tinha perfil, não só pelas Asas!... Entretanto saí da Força Aérea e não é que a minha MULHER, acabaria por ir trabalhar para sua casa e eu ,civil,nos Americanos do Porto da Praia,(Porto Militar da Zona Aérea dos Açores),voltamos a nos encontrar, quando ele era Piloto dos Fiats, já Dignamente Oficial. As referidas Aeronaves, estavam cá em destacamento e quando precisavam de fazer tiro, tinham a colaboração dos Americanos com os Rebocadores aqui estacionados, para rebocarem um objecto da FAP que era composto por dois flutuadores e servia de alvo, foi numa dessas alturas que voltei a falar com o Senhor Capitão Piloto Príncipe...
O tempo passou, mais tarde, o" Nosso Príncipe", era Comandante de uma Aeronave da SATA...
Depois de ler o artigo do nosso Zé Especial MMA Lanceiro, posso informá-lo, que o “Nosso” Príncipe, continua na SATA, pelo que me deu a perceber de quem me deu a informação, encontra-se em Ponta Delgada.
A ultima vez que me dirigi a Ele para o cumprimentar foi á porta da Aerogare das Lajes, (que par quem não sabe, está totalmente remodelada, deixou de ser um Hangar da Navy dos USA e passou a ser uma Moderna Aerogare...
Antes de terminar; tenho a pedir-vos desculpa de alguma falha, na maneira como quis transmitir o que “tenho em armazém”; mas se um dia o Victor, passar estas para um Livro deverá ser alguém que terá tempo para escrever logo para o computador, enquanto nós, muito rapidamente escrevíamos um Aerograma....porque o tempo era de sobressalto?!....
UM abraço sempre Especial
Fernando Castelo Branco

GUINÉ,1967 - RIO CUMBIJÃ

142-Manuel Lema Santos
1ºTen.Reserva Naval
Guiné 66/68




Texto e fotos do Blog Reserva Naval


Estas linhas são editadas como uma singela homenagem a todos as guarnições de LFG’s, LDG’s, LFP’s, LDM’s, DFE’s, CF’s, que durante anos, nunca deixaram de abastecer os aquartelamentos que disso dependiam ainda que para isso fosse necessário enfrentar o temível Cantanhez. Em todas aquelas unidades a Reserva Naval da Marinha de Guerra esteve sempre presente.
Homenagem extensiva aos aquartelamentos de Catió, Bedanda, Cufar, Cabedu, Cacine e Gadamael que sempre nos apoiaram e receberam com Camaradagem e Amizade, sem esquecer igualmente a Força Aérea que representou, muitas vezes, a diferença decisiva entre o combóio passar ou não.



Um ataque à LFG "LIRA" em 4 de Abril de 1967
Estas linhas são editadas como uma singela homenagem a todos as guarnições de LFG’s, LDG’s, LFP’s, LDM’s, DFE’s, CF’s, que durante anos, nunca deixaram de abastecer os aquartelamentos que disso dependiam ainda que para isso fosse necessário enfrentar o temível Cantanhez. Em todas aquelas unidades a Reserva Naval da Marinha de Guerra esteve sempre presente.
Homenagem extensiva aos aquartelamentos de Catió, Bedanda, Cufar, Cabedu, Cacine e Gadamael que sempre nos apoiaram e receberam com Camaradagem e Amizade, sem esquecer igualmente a Força Aérea que representou, muitas vezes, a diferença decisiva entre o combóio passar ou não.
De 1965 e até meados de 1968, o dispositivo naval no Sul da Guiné incluia o estacionamento permanente de 1 LFG (Lancha de Fiscalização Grande) da classe “Argos” que, por um período de cerca de 12 dias, se mantinha em cruzeiro na área, fiscalizando e patrulhando as bacias hidrográficas dos rios Cumbijã e Cacine, no que era coadjuvada por uma LDM. Decorrido aquele período era rendida por uma irmã gémea







Mais a Norte, uma LFP (Lancha de Fiscalização Pequena) da classe "Bellatrix", em conjunto com uma LDM, efectuava a fiscalização da área nos rios Tombali e Cobade.
Aquelas unidades navais, partilhavam e complementavam o dispositivo naval da área garantindo a segurança da navegação, transportes de pessoas, bens e equipamentos, apoio à população civil e forças militares. Também o abastecimento de víveres e o escoamento de produtos agrícolas eram assegurados por aqueles meios.
Com a frequência que a prática demonstrava como necessária, a Marinha constituia TU’s (Task Units), no caso um conjunto de unidades navais e embarcações civis, essencialmente integradas por LDM’s e batelões que largavam de Bissau, iniciando o percurso para Sul, com escala e horários previamente definidos para várias localidades e aquartelamentos. Normalmente a frequência era mensal.
Bolama, Catió, o ponto QQ (na confluência do rio Cobade com o rio Cumbijã), Cabedu, Impungueda (que servia o aquartelamento de Cufar), Bedanda(porto interior) e ainda Cacine e Gadamael eram escalas habituais, embora alguns destes locais fossem aportados pelas LDG’s (Lanchas de Desembarque Grandes) que, pelo seu porte e complexa manobrabilidade, não tinham acesso a todos eles.
Para comandar o combóio naquelas missões era nomeado um oficial de uma Companhia de Fuzileiros ou da Esquadrilha de Lanchas, dos QP’s ou da Reserva Naval, com uma ou duas esquadras de fuzileiros que reforçavam o dispositivo de protecção e defesa do combóio com pessoal e armamento.
Em percursos de maior risco de acções hostis, caso do rio Cumbijã, na zona do Cantanhez, a escolta integrava, nessa área de maior perigo de ataque, uma LFG da classe Argos (Lancha de Fiscalização Grande) deslocada do habitual cruzeiro na área do rio Cacine que, por norma e como mais antigo, assumia o comando da escolta (CTU), completada pelo apoio da Força Aérea com dois aviões Harvard T-6.



Naquele dia, 4 de Abril de 1967, cumprida a rota de ida sem incidentes, iniciou-se então a viagem para juzante, em postos de combate, com o apoio da aviação, rumo à confluência dos rios Cumbijã e Cobade, comboiando duas embarcações civis carregadas com arroz proveniente de Bedanda.
Tanto embarcações civis como unidades navais navegavam estrategicamente em coluna com uma LDM na testa e a outra na cauda, aproveitando a maré na vazante com os batelões encaixados a meio da coluna. Cada uma das embarcações civis levava uma guarda de fuzileiros constituída por 4 elementos. Comunicações em cima.
A LFG "Lira", em cruzeiro na área e vinda do rio Cacine para o Cumbijã para apoio e escolta ao combóio, mantinha-se interposta entre a cauda do combóio e a margem, ligeiramente caída para ré. Com cerca de um quarto de hora de navegação, para juzante, ouviu-se fogo de rajada de metralhadoras ligeiras da margem esquerda.
A LDM da frente informou serem de flagelação inimiga pela amura de BB, sem que fosse possível localizar correctamente a origem. Foram dadas instruções para manter o silêncio de fogo para que, visualmente, fossem melhor localizadas as armas, pela chama à boca, evitando manobras de diversão do inimigo com o intuito de desviar a atenção do centro de fogo principal, instalado mais a montante. O desenrolar dos acontecimentos veio corroborar a hipótese.





Pelas características hidrográficas do rio Cumbijã, na curva frente a Cadique, delimitando um estreito canal de navegação existente, o combóio via-se forçado a navegar a uma distância de 30 a 40 metros da margem.
Precisamente nessa zona, numa extensão de cerca de milha e meia, foi desencadeado violento ataque. Quando a zona provável de origem da flagelação se encontrava no enfiamento do través do navio testa, toda a margem, numa vasta extensão de cerca de 600 metros que abarcava todo o combóio, irrompeu num fogo intenso de armas, com metralhadora pesada e ligeira, pistolas-metralhadoras e bazookas visando, sem distinção, todas as unidades do combóio.
Quase de seguida, foi desencadeado ataque de morteiro com salvas contínuas de projecteis, algumas com o tiro bem regulado, outras com enquadramento sistematicamente longo, com as granadas a deflagrar para lá de meio do rio.








As unidades navais reagiram instantaneamente e, em conjunto, bateram sistematicamente com Bofors, Oerlinkon e MG 42 toda a área de ataque apoiadas pelos aviões T-6 que sobrevoavam a zona, picando em sucessão e metralhando o local de ataque. A LFG, com máquinas a vante, toda a força, interpôs-se entre o combóio e o fogo, protegendo a coluna e batendo cadenciadamente a margem com as peças Bofors de 40 mm apoiadas pelas MG 42 montadas nas asas da ponte, pelo fogo das LDM’s reforçadas pelos fuzileiros.
A cadência de fogo de barragem provocava um ruído ensurdecedor e obrigava a arrefecer os canos das anti-aéreas Boffors com as mangueiras de água ligadas. Os invólucros de latão espalhavam-se pelo convés junto ás peças de vante e de ré.







Com alguma certeza e à medida que a navegação prosseguia, puderam contar-se diversas bocas de fogo de bazooka postadas ao longo do percurso, possivelmente actuadas por atiradores colocados em abrigos, bem como atiradores com armamento portátil.
A intensidade de fogo e a extensão da frente inimiga permitiu estimar o grupo em mais de uma centena de homens, todos colocados junto à margem, deitados na bolanha ou em abrigos cavados. Observaram-se mesmo movimentação de alguns, dada a curta distância.
De Cafal, quase simultaneamente, foi feito fogo de canhão sem recuo, embora apenas três ou quatro disparos e mal direccionados. O campo de tiro a partir daquela zona, não era tão afectado pela limitação natural provocada pela diferença de altura das marés. Seria possível vir a enquadrar, no mesmo enfiamento, todas as unidades que navegassem no local, para montante ou para juzante, oferecendo ao inimigo condições quase ideais para interditar a passagem à navegação.









Provavelmente posicionado a cerca de 400 metros do combóio porquanto se ouvia distintamente o disparo, sentia-se o sopro do projécteis passando sobre as unidades para, decorrido tempo sensivelmente igual, rebentarem na margem oposta junto à agua, na bolanha.
Na foz do rio Macobum, o combóio inflectiu o rumo para a margem contrária continuando a ser batido intensamente do lado de Cadique, sobretudo com metralhadora pesada e armas ligeiras, enquanto de Cafine rompia também fogo com armas automáticas e morteiro.
Entretanto a LFG, ao chegar àquela zona inverteu o rumo e manteve-se frente a Cafine, a efectuar a cobertura de protecção do combóio, voltando a fechar a cauda da coluna, batendo sistematicamente as posições do ataque e calando o inimigo pouco depois.
Tinha decorrido uma longa hora e um quarto, sem quaisquer baixas mas com diversos impates nas embarcações e nas LDM’s. Baixas prováveis no inimigo mas carecendo de confirmação.
Desta acção se dá a composição de um pequeno ficheiro de vídeo a partir de imagens e som obtidas numa dessas escoltas, em 4 de Abril de 1967. O local, meios envolvidos e acções de fogo são reais, com relato recreado e adaptado de acções semelhantes.
Fotos cedidas pelo Cte Carlos F. Dias Souto e som cedido pela LFG "Lira".
mls



VB: Amigo Lema Santos,permite-me que te diga que a tua aérea académica devia ter sido as letras e não cientificos!O quadro que nos descreves,embora um pouco sumário,dá para perceber bem o motivo de orgulho que era para nós a consolidação dos três ramos das Forças Armadas na Guiné.Pena é que nem toda a gente assim o interprete,se calhar porque as suas comissões de serviço eram feitas dentro de gabinetes,o som do tiroteio deles era o das teclas da máquina de escrever...enfim!
Obrigado Companheiro!