domingo, 18 de maio de 2008

MONUMENTO A UM COMBATENTE, PORTO JUDEU,TERCEIRA,AÇORES

217-Fernando Castelo Branco
Ex-1ºSargºMMT

Praia da Vitória - Açores









AMIGO Victor
Realmente, estiveste nesta Freguesia “Porto Judeu” para veres como eram as Touradas da Ilha Terceira; no nosso “Celebre e Saudoso Primeiro Encontro”, na tua rápida passagem por Esta Ilha de Jesus...Este Monumento, na altura, já estava pensado e projectado, mas a Altura de o construírem seria mais tarde; foi Inaugurado no Dia 06 de Abril deste Ano, altura do Encontro Anual dos Antigos Combatentes lembrando sempre AQUELES que nos deixaram...“Tive o interesse e cuidado” de tirar algumas fotos e fazer chegar ao “nosso” Blog...Porque achei, além de “não ter vontade” que existissem Estes Monumentos?!... Na minha opinião, achei um Monumento Digno, para um “Nosso Irmão” de Guerra?!... Infelizmente, mas “felizmente” só perderam UM; ao que tive a curiosidade e prestando a Minha Sincera HOMENAGEM, chamava-se: JOÃO LEAL DA SILVEIRA; pertencia á 1ª Companhia Caçadores B.Caç 4811; Faleceu em 30 de Setembro de 1974;...Era o RAPAZ, mais novo, antes de uma Rapariga, de oito Irmãos; Filho de gente Humilde, Pai Pescador; mas segundo me contaram era um Rapaz de que toda a gente gostava DELE, nunca supondo que muito cedo ao Serviço da Pátria, partiria sem dizer Adeus...Paz há Sua Alma.
Um abraço, sempre com os Sentimentos de Especial
Fernando Castelo Branco

sexta-feira, 16 de maio de 2008

DOUGLAS DC-6B (DGMFA)



216-Pedro Garcia
Ex-Esp.Opc
Angola




ESTE FOI O AVIÃO ONDE EU FIZ O MEU BAPTISMO DE VÔO, ESTAVA NO AB1, NOS FINAIS DE 1970, NO ESTÁGIO DE COMUNICAÇÕES NA COMPANHIA DO ABÍLIO PEDRO, MÁRIO PALACIM E BAPTISTA.FOI NECESSÁRIO IR TESTAR O APARELHO QUE TINHA FEITO UMA REVISÃO NAS OGMA, EM ALVERCA.FOMOS DE CARRINHA, ATÉ ALVERCA, LEVANTÁMOS, FOMOS ATÉ AOS CÉUS DO ALGARVE E RETORNÁMOS PELA MESMO CAMINHO.MAIS TARDE, EM 1971, FOI O 6704, CARGUEIRO, QUE ME LEVOU ATÉ ANGOLA.PEDRO GARCIA








O DC-C Matricula 6706 abandonado em Alverca junto ao Museu do Ar



VB:Quantos de nós viajamos nesta velha relíquia?!...
Agora,não passa de um amontoado de ferros,ninho de ratos e...
Talvez,com outro trato antecipado,pudesse embelezar e incentivar a juventude a aderir à nossa FAP.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

INFORMAÇÃO DO NÚCLEO DE COIMBRA


215-Informação do Núcleo de Coimbra


Caro Associado:
Conforme foi proposto e aprovado por nós na Assembleia Geral em Dezembro e reconfirmado a 19 de Abril, aquando da nossa Assembleia-Geral para apresentação de contas, vamos este ano efectuar a 8ªdescida do Rio Mondego em canoa, no próximo dia 17 de Maio 2008.
Como certamente se lembram, a marcação para esta data teve em conta o facto dos dias já serem grandes, permitirem um convívio mais demorado e pelo facto de ainda nos encontrarmos mais disponíveis para “estas coisas”.
É o principal evento do núcleo onde te podes fazer acompanhar pela família, dado o carácter de lazer e relaxante de que se reveste este nosso encontro.
A descida do rio em canoa é uma experiência das nossas vidas que deve ser feita por quem pode. “Rezam” as crónicas, ser de uma beleza ímpar as paisagens que se desfrutam nesse percurso. Mas, quem entenda que na água”nem silvas tem”para se agarrar, pode em terra usufruir, logo cedo, da maravilha que é a praia fluvial dos Palheiros/Zorro e pôr em prática os seus dotes de “glutão”, saboreando um variado repasto (grelhados).
A marcação deve ser feita IMPRETERIVELMENTE, até ao dia 15 de Maio, com a informação de:

-Com canoa
-Sem canoa
-Quantas pessoas


Preço:


-Da comida, é o que se gastar, a dividir por todos.
-Da canoa, será o preço de cada canoa, a dividir pelos utilizadores.


Ainda não sabemos qual o preço das canoas, mas pensamos que se mantém o anterior.
O Encontro Nacional vai ser na Ota a 7 de Junho. Começa a organizar as tuas coisas para estares disponível nesse dia.
O Encontro da Serra do Carvalho, vai ser outro momento alto do núcleo.
A data, será a 6 de Julho.
Como se pode verificar, o Núcleo está bastante activo e é com a tua presença que assim irá continuar. A vida é dois dias. Quem de distrair, ao 3º já não goza nada. Portanto, continua com o teu “mau feitio”de Especialista e vem dai viver a vida.
Os contactos são os habituais:
Carlos Ferreira 964293915
Fernando Duarte919479595
Aníbal Gomes 968035992






A Direcção do Núcleo

RECORDAR UM GRANDE COMPANHEIRO,O VICTOR GARCIA.







214-Victor Barata
Ex-Esp.Melec.Av.Inst
Guiné





Hoje deparo com um dia de chuva,a fazer recordar o Outono,porque não está frio,deixando-nos tristes a olhar o céu escuro e vendo a queda constante das gotas da chuva batendo no primeiro obstáculo que encontra.
Estes dias deixam-me muito pensativo e,por vezes,recordando as tristezas do passado.
O meu ego trouxe-me a recordação de um GRANDE COMPANHEIRO,que conviveu comigo em terras da Guiné,em 1971/73,durante a guerrilha colonial,o VICTOR GARCIA!
O Victor era Mec.Rádio,trabalhava na linha da frente dos Helicópteros.
Rapaz muito divertido,amigo do seu amigo,e tinha uma veia para a vida "artística",à noite até actuava no "Chátua"(eu peço desculpa,este nome não está correcto de certeza,mas é o que recordo neste momento...) a cantar,uma maneira de arranjar mais uns "pesos" e divertir-se com umas meninas,pela noite dentro chegando muitas vezes à base quando se estava a iniciar o trabalho.
Recordo um desses dias,vinha ele muito cansado e deitou-se muito pouco tempo antes de os Helis começarem a fazer o "ponto fixo"para partirem para uma operação.
As turbinas destas máquinas voadoras começaram a trabalhar e ele,como estava de alerta, deveria estar na placa.Não estava,adormeceu! De repente acorda com o barulho e senta-se na cama e diz:
-Ai Victor que já estás lixado(não era bem este termo,mas equivale ao mesmo...),eles já estão a "roncar"e tu não estás lá para fazer o ponto fixo e assinar o livro!
Os Helis partem e ele,com muita calma,diz:
-Deita-te Victor,eles já foram embora!
Alguém tinha feito a inspecção por ele,embora fosse de reprovar a sua falta de responsabilidade,a grande UNIÃO(que já li num blog alguém procurar "unir o quê?") existente entre a classe de
ESPECIALISTAS,superava tudo.

















Eu,Victor Barata com o nosso saudoso Companheiro Victor Garcia no Club de Especialistas da Base Aérea nº 12








Infelizmente nunca mais tive oportunidade de compartilhar alguns momentos com o Victor,pois,soube mais tarde,que pouco tempo depois de chegar da Guiné em final de comissão,tinha falecido!
Que Deus o tenha no lugar que ele mereceu em vida.

Victor Barata

quarta-feira, 14 de maio de 2008

DIFICIENTES DAS FORÇAS ARMADAS.


213-Luís Fraga
Coronel da Força Aérea(Aposentado)



Este texto e foto foram extraídos do Blog"Fio de Prumo",cujo editor é Luís Fraga.






Hoje realizou-se uma manifestação dos deficientes das Forças Armadas. Reclamam das condições a que estão sujeitos.
É inadmissível que num país europeu que manteve uma guerra durante treze anos em três frentes de combate, há trinta e quatro anos, ainda os deficientes das Forças Armadas tenham de fazer manifestações para conseguirem melhorar a sua condição.
Dito de outra maneira, para estes homens, Esta não é a ditosa pátria minha amada, porque honraram a Pátria e a Pátria não os contempla.
Foram homens que deram pedaços de si a Portugal e este não lhes paga como deve. E um Governo — seja ele qual for e muito pior se se disser socialista — que não faz a justiça de tudo empenhar para os recompensar não é digno de se sentar nas cadeiras do Poder. Não honra quem honrou Pátria.
O ministro da Defesa Nacional e o primeiro-ministro já deveriam ter-se debruçado sobre as reivindicações de homens que arrastam consigo há muitos anos os aleijões de guerra de modo a resolver todos os problemas que os atormentam. Não o fazendo não se mostram à altura dos cargos que ocupam.
E não se mostram merecedores do nosso respeito, porque não conseguem gerir a herança que receberam quando aceitaram ser os representantes de Portugal. Eles sabiam que havia deficientes de guerra; eles sabiam que há reformados das Forças Armadas que serviram no antigo Ultramar numa guerra que não desejaram, mas que não renegam; eles sabiam que à frente de todas as mordomias que têm ou permitem que outros Portugueses tenham deveria estar a protecção aos deficientes das Forças Armadas e aos reformados militares. É o mínimo de justiça que se pede!
Quem serviu numa guerra para a qual não contribuiu tem de ser ressarcido dos incómodos que ela lhe causou.
Se no nosso país houvesse verdadeira consciência dos sacrifícios pedidos a uma geração de jovens, os Portugueses, há já muito, estariam divididos em duas grandes categorias: os que foram mobilizados para a guerra colonial e os outros. Aos primeiros, atingida a idade de 65 anos — isto é, o tempo de vida segundo o qual se lhes reconhece o direito à reforma — o Estado tinha por obrigação pagar, pelo menos, 75% das despesas de farmácia relativas a todas as doenças de que possam sofrer. Deficientes ou não todos nós, os que por terras de África e da Índia andámos, somos veteranos de uma guerra; demos a nossa mocidade em climas e condições adversas. Mas uma tal medida ia deixar muito claro que entre os velhos políticos os há que nunca puseram os pés nas frentes de combate e que os novos políticos, aqueles que eram crianças, jovens ou nem mesmo nascidos em 1974 — mas que já se banqueteiam com lautos salários que a sua dedicação às causas partidárias lhes permitem — não são capazes de nutrir respeito por quem não regateou sofrer na carne e na mente os trabalhos de todos os incómodos de uma saída forçada para terras longínquas em condições adversas para cumprir, sem apoucar, um dever de cidadania que um Governo tão iníquo como aqueles de que fazem parte lhes impôs em nome de Portugal.
Não posso estar presente, amanhã, na manifestação dos meus camaradas veteranos deficientes. Obrigações maiores me impedem, mas espero que a eles e à sua causa se juntem os reformados das Forças Armadas e os antigos combatentes para mostrarem aos políticos governantes e aos que o não são, mas dão com o seu silêncio guarida ao oportunismo dos detentores do Poder, que fomos uma juventude sacrificada, afinal, para sermos uns velhos desonrados pelas suas irresponsáveis medidas.

Luís Alves de Fraga às 10:02

terça-feira, 13 de maio de 2008

APELO DE UM COMPANHEIRO.

212-Fabricio Marcelino
Ex-Esp.MMA
Guiné



Amigo barata.

Vi a página que acho interessante.
Eu fui Cabo Especialista de MMA na B.A5 e também estive na antiga AB2,posteriormente B.A 12.Fui no 7º destacamento da B.A 5 à Guiné,com os belos F-86F.Estava colocado na linha da frente do referido F-86F e estive de 01 de Novembro de 1962 a finais de Março de 1963.
Gostava de encontrar antigos colegas que tivessem estado comigo nessa altura.
Foi nosso comandante de missão o saudoso cap.pil.Av.José Almeida Brito e que mais tarde como Ten.Cor.Pilav. foi abatido também na Guiné.
Um abraço e, parabéns pela página.



Fabrício Marcelino

segunda-feira, 12 de maio de 2008

PARAQUEDISTAS ESTÃO DE LUTO.




211-Informação ao Blog.



Hoje ás 00h02, 11 de Maio de 2008, faleceu no HML, um dos “Boinas Verdes” mais condecorados da Guerra de África.

Pioneiro nos Páras, precursor, instrutor e excelente Combatente. Foi o fundador e Comandante do Centro de Instrução do Batalhão de Grupos Especiais Pára-Quedistas ( GEP), no Dondo em Moçambique. GE e GEP - Uma Força de Elite, formada pelo Coronel Pára-Quedista, Costa Campos, Comandante do Centro de Instrução de Grupos Especiais Pára-Quedistas, uma Unidade Militar que nunca aceitou a rendição a favor do inimigo, por manter até final o bom propósito para que fora treinada - o de respeitar o dever para com os valores daqueles que juraram defender, os Portugueses do Ultramar e de Portugal.-Aqui "Galeão" – chama. Há alguém no ar? Digam se me ouvem – escuto. Negativo, "Galeão", estais sós, entregai-vos. Resposta – NUNCA !!

Esta foi uma das últimas mensagens transmitidas pelo “espírito de grupo” da Unidade do Centro de Instrução de Grupos Especiais Pára-Quedistas, no Dondo em Moçambique no pós 25 de Abril.

Até hoje, dos 1.000 Pára-Quedistas que fizeram parte dos 12 Grupos da Força de Intervenção Rápida e dos cerca de 20.000 GE, não consta que alguém se tenha entregue ou rendido no final do conflito ás forças inimigas.

Para nós GEP, fica a imagem de um amigo, corajoso e de um verdadeiro Combatente por Portugal.

Não partirá do coração de quem fica.


Luís Fânzeres Martins – GEPPrés. Direcção da Associação de GE/GEP

GOOD-DAY LUXEMBURGO!


210-António Teixeira
Ex-2ºSargº Opcart
Por aqui continuo "exilado" neste país chamado Luxemburgo. Espero que não seja efectivamente por muito mais tempo, estou a precisar também da reforma.
Já recebi algum feedback de colegas a quem enviei o link do blogue e que estão também entusiasmados com a ideia de poderem vir a dar alguma contribuição. Vamos lá a ver se isso se vai realmente concretizar e assim contribuir para uma cada vez maior união dos "zés especiais".
Em relação à foto actual que me pedes, a mais actual que tenho é realmente essa em que apareço e que tu tiveste o profissionalismo de destacar. Eu não sou muito adepto de tirar fotos a mim próprio, gosto bastante de o fazer mas não a mim, contudo fica a promessa que um dia deste o farei.
Recebi, como associado da FAP o programa deste ano do almoço anual, e vai ser com uma enorme tristeza que provavelmente não vou poder este ano estar presente por razões de ordem familiar, apesar de me encontrar no Porto nessa data. Seria mais um reencontro com a "nossa" base onde tudo começou, ao fim de 39 anos. Caso, como tudo leva a crer não possa ir, vou ficar à espera que um dos encontros futuros se venha a realizar lá novamente. Um abraço para ti e todos os ex-colegas

A. Teixeira

O NIASSA.










209-Manuel Bastos
Ex-Fur.Mil Exército (DFA)



Se os soldados colonizadores eram tratados como escravos, como diabo seriam tratados os colonizados?



Desculpem se conto isto com sarcasmo, foi jeito que me ficou de quando era vital encobrir o medo.



A pouco e pouco os soldados foram saindo do porão. Como se o silêncio do barco os tivesse assustado, e surgiam nas aberturas do convés como zombies, que ao chegarem à luz do sol caíam fulminados. Ou então como vermes escuros, em novelos que se desenovelavam para se espalharem por todo o lado.
Com o seu aparecimento, parece ter ficado mais nítido o bafo intestinal que o Niassa exalava por aquelas cloacas abertas no convés, compondo um complexo bouquet em que se misturavam, num equilíbrio bem doseado, o aroma sulfídrico dos dejectos, o amoniacal da urina e o agridoce do vomitado; rematado com o fénico do peixe podre e o ranço da banha do rancho geral; tudo sobre uma base persististe do bolorento mofo ancestral dos porões. Era dessa atmosfera de compostagem que os soldados emergiam para o ar vibrante de luz e calor, sob um sol torrido.
Eu regresso ao interior do bar e os soldados regressam aos porões, como se tivessem posto o filme a andar para trás. Eu fujo para o conforto do bar. Os soldados fogem para o sufoco do porão; fogem de uma tortura para outra tortura.
Percebo agora o conselho cristão para oferecer a outra face; é seguramente para não nos estarem a bater sempre na mesma.
Ainda restam alguns soldados a esturricar ao sol. Estes não tiveram forças sequer para descansar a face dorida e oferecer a outra. A que missão urgente vamos nós acudir para que sejamos tratados como escravos? Será que foi por isso que o Niassa parou? Porque ficou indeciso, dado que os negreiros costumavam rumar em sentido contrário?
De repente as pessoas pararam e olharam para cima para ouvir melhor.
E de facto ouvíamos melhor.
Parece que nos tinham tirado um tampão dos ouvidos. Os motores do barco pararam, e o som que nos acompanhava desde Lisboa, de repente deixou um vazio um tanto alarmante. Depois olhámos uns para os outros e dissemos: "Os motores pararam".
Parece que dizer em voz alta aquilo que já toda a gente sabe é o suficiente para algumas pessoas se sentirem satisfeitas, dado que o jogo do King continuou numa mesa e as anedotas continuaram noutra, e até o pianista se debruçou de novo sobre o teclado, com o ar mortificado de quem cumpre a penitência de fazer sair música do piano vertical tocando nas teclas com chouriços.
Só os que não estavam a fazer nada no bar, como eu, acharam interessante vir fazer nada para a porta e olhar para o convés, onde, por qualquer razão que não consigo atinar agora, esperávamos encontrar uma explicação para aquele silêncio absurdo.
Aqui talvez seja útil informar que o navio transportava uma quantidade de militares que me é impossível referir, porque a densidade populacional a bordo era tão grande que só nos era possível ver um número reduzido de pessoas de cada vez; mas a julgar pelo número de pessoas do meu metro quadrado, o que era mesmo surpreendente, era que o barco flutuasse.
Útil também, é avisar a quem isso interessar, que um cidadão que se entrega aos desvelos de uma instituição militar de um país governado por uma minoria de tiranos sem escrúpulos, tem que estar preparado para não poder recorrer às leis que protegem os animais quando são transportados. Digo isto, porque estou certo que se a GNR multou um vizinho meu por transportar mais porcos do que a carga permitida para o seu camião, decerto não deixaria sair o Niassa do Cais de Alcântara.
Consciente da balbúrdia que seria encher o Niassa como se fosse um camião para porcos e ainda por cima fugir à GNR, quem programou aquele cruzeiro pelo Atlântico abaixo e depois pelo Índico acima dividiu tudo em camadas. A camada de cima, a dos oficiais; a camada do meio, a dos sargentos; e a camada de baixo, a dos soldados.
Curiosamente os elementos de cada camada podiam descer e deambular nas camadas inferiores, mas nunca subir; o que reflectia a tendência geral do país para o colapso, característica que ainda hoje cultivamos com mestria, e que parece indicar que o colapso não é um acidente temporal, mas sim um estado permanente.
Eu, o pianista mortificado e os displicentes jogadores de King; e mais um número estupidamente elevado de outras pessoas que não interessam agora para a história, acomodávamo-nos na camada do meio a que os tripulantes do navio chamavam "Classe Turística".
Nunca percebi se diziam isso com ironia ou com sadismo.
De entre estes, uns três ou quatro, estávamos agora como sempre, sem fazer nada; mas com a emocionante variante de estar a olhar para o convés à procura de uma resposta para a ausência do ruído dos motores do navio, contrariando a apatia geral, o que ainda assim não era uma grande demonstração de argúcia, dado que os motores se encontravam algures nos porões.
A pouco e pouco os soldados foram saindo do porão. Como se o silêncio do barco os tivesse assustado, e surgiam nas aberturas do convés como zombies, que ao chegarem à luz do sol caíam fulminados. Ou então como vermes escuros, em novelos que se desenovelavam para se espalharem por todo o lado.
Com o seu aparecimento, parece ter ficado mais nítido o bafo intestinal que o Niassa exalava por aquelas cloacas abertas no convés, compondo um complexo bouquet em que se misturavam, num equilíbrio bem doseado, o aroma sulfídrico dos dejectos, com o amoniacal da urina e o agridoce do vomitado; rematado com o fénico do peixe podre e o ranço da banha do rancho geral; tudo sobre uma base persististe do bolorento mofo ancestral dos porões. Era dessa atmosfera de compostagem que os soldados emergiam para o ar vibrante de luz e calor, sob um sol tórrido.O Sol era o local em que o céu se transformava em fogo atómico. Um fogo sem cor nem forma: o fogo na sua essência.
Para além do fogo do Sol e do barco, só havia azul. Um azul líquido. Ou antes, um azul sem matéria, sem substância. Algures, para lá de tudo o que era visível, o céu transformava-se em oceano sem deixar nunca de ser apenas azul, depois vinha desde essa lonjura invisível, passava por baixo do barco, e continuava para além do alcance do olhar, até se transformar em céu de novo.
O barco tinha parado numa bolha de azul com fogo por cima.












Paquete Niassa





Eu sei porque gasto tantas palavras para dizer isto: se eu dissesse apenas que estava um dia lindo far-me-ia entender, mas a verdade é que o dia estaria lindo se fosse um dia retratado numa foto ou mostrado num filme a cores e visto numa sala com ar condicionado, e garanto: nenhum de nós ali diria que estava um dia lindo.
E muito menos os da camada de baixo, porque é muito difícil tecer elogios à beleza natural quando temos apenas uma escolha de duas hipóteses possíveis: ou sufocar no porão pútrido do Niassa ou fritar os miolos no seu convés.Já o sargento que maltrata o piano vertical no bar da camada do meio não tem desculpa nenhuma para não distinguir a diferença entre a sublime criação de beleza e a torpe tortura psicológica, mas pelo menos fica provado que para uma coisa e para a outra se pode usar o mesmo instrumento.Eu regresso ao interior do bar e os soldados regressam aos porões, como se tivessem posto o filme a andar para trás. Eu fujo para o conforto do bar. Os soldados fogem para o sufoco do porão; fogem de uma tortura para outra tortura.
Percebo agora o conselho cristão para oferecer a outra face; é seguramente para não nos estarem a bater sempre na mesma.
Ainda restam alguns soldados a esturricar ao sol. Estes não tiveram forças sequer para descansar a face dorida e oferecer a outra. A que missão urgente vamos nós acudir para que sejamos tratados como escravos? Será que foi por isso que o Niassa parou? Porque ficou indeciso, dado que os negreiros costumavam rumar em sentido contrário?
Quando parti para esta viagem interroguei-me se não estaria a fazer a maior asneira da minha vida; pois quem me conhece sabe que sou perito em transformar a última asneira que faço na maior de todas, mas depois veio-me à ideia a imagem das caravelas a partirem para descobrir novos mundos e achei que era só cagaço. Sim, porque isto de um gajo como eu ir defender um império mete um bocado de medo.
E mais agora que o barco parou.
E ninguém nos diz nada.
Nunca ninguém nos diz nada, afinal. Nem sabemos ao certo para onde vamos e o que nos espera. Constatamos que o barco parou. Aceitamos isso como aceitamos o sol e a chuva. Continuamos a jogar king e a contar anedotas alegremente. E a ouvir um pianista que tem chouriços em vez de dedos, sem haver uma alma lúcida que lhe atire com uma cadeira.Mas a verdade é que o barco parou.
O ruído omnipresente dos motores era um dado adquirido que também aceitávamos passivamente. Mas parou.
Porquê?
Num país que manda soldados numa viagem que não cumpre os requisitos mínimos para transporte de porcos, e ainda por cima para defenderem um império ameaçado, a última coisa que se espera é que alguém pergunte "porquê".
A mais difícil das perguntas é a que fazemos quando nada sabemos, quando a ignorância é a lei e quando estamos num barco parado no meio de coisa nenhuma a caminho de uma guerra que oficialmente não existe. Como o primeiro passo de uma criança, inseguro e isolado, o primeiro de muitos outros. Como é impensável a primeira pergunta antes de ser feita! Duas sílabas apenas perante uma multidão de silêncios: por-quê?Mas se há quem acredite que corpos celestes tão distantes como Saturno e Neptuno podem influenciar o comportamento de uma pessoa, porque não hão-de um barco indeciso numa bolha de azul e um sargento que toca piano com chouriços influenciar esta minha alma sensível?
Porquê?

Que faço eu aqui?

Um Abraço
Manuel Bastos

VB. Obrigado Manuel pela riqueza da tua capacidade literária na descrição de factos por ti constatados e vividos ao tempo da guerra colonial.
Tudo isto só faz com que o NOSSO blog enriqueça toda a sua estrutura com que está a ser erguido.

Obrigado Companheiro.

CARLOS WILSOM,O ATIRADOR DO HELI CANHÃO.



208-Carlos Wilsom
Ex-Esp.MAE

Guiné 72/74
Organizador do 31ºEncontro de
Especialistas da FAP dia 31.05.08 na
Marinha Grande





Caro Amigo.
Victor Barata, antes de mais, o meu agradecimento pela tua paciência e dedicação.O teu trabalho na net, permite reencontros com antigos colegas, que já não se falavam há mais de 30 anos.Bem hajas!
No que toca à minha intervenção, passo a apresentar-me:
Sou Carlos Wilson, natural da Marinha Grande e estive na Guiné, Fev 72 - Mar 74, MAE, onde desempenhei funções, primeiro na linha da frente, depois no Heli Canhão e na parte final da comissão, outra vez na linha da frente.
Gostaria de enviar um abraço para todos, pedir-lhe que organizem as vossas vidas, para virem à minha terra, ao tradicional almoço de confraternização.
Há dias, visitei o blogue, e deparei-me com uma mensagem/ foto, do Coronel Pessoa.Aproveito para lhe enviar um abraço e sinceramente, gostaria de o ver, a ele e à sua esposa, no nosso almoço no próximo 31 de Maio. Esta semana já fiz vários contactos, para aumentar a participação, e é isso que peço a todos.
Aguardo pela vossa presença, no próximo dia 31 de Maio, na Marinha Grande, no restaurante "A Quinta do Zé".


VB: Tal como te respondi na altura em que me envias-te esta mensagem,para mim não precisas de apresentações,embora sejas mais "PIRA" (designação que os mais velhos davam aos mais novos...)não deixamos de manter uma sã e cordial amizade durante a nossa permanência na Guiné.Para aquelas que te perderam o rasto,acredito que é uma grande alegria tornar a recordar um GRANDE COMPANHEIRO como tu.

QUE MELHOR MENSAGEIRO PODÍAMOS TER?!...



207- Fernando C.Branco
Ex-1ºSarg.MMT
Moçambique


O Fernando no dia 21.04,enviou-nos esta mensagem que tinha recebido
do "
ZÉ" Adelino Brito:


Amigo Fernando
Boa saúde,para ti e teus Mais Queridos.
Recordar é muito bom , acima de tudo estamos cá para perpetuar esses momentos inesquecíveis, que por lá passámos.
Faz 39 anos a 25 de Abril, que tive o juramento de bandeira, nesse dia foram apresentados pela 1ª vez os SA-330 Puma, o tempo voa, por vezes só deparamos quando aparecem uns cabelos de outra cor.
A placa onde jurávamos bandeira chama-se praça Heróis do Ultramar.
Vão ser reactivados alguns SA 330, pois os Merlin tem grandes problemas de falta de acessórios e outros problemas.
Um abraço para ti do amigo
Adelino Brito




Obviamente que,através do mandatário da mensagem,formulamos de imediato o convite

ao Adelino Brito no sentido de integrar a nossa Tertúlia.Mas,como manda a "praxe",à regras,
e como tal no dia 22.o4,enviei o seguinte Email ao referido mandatário:


Olá meu Bom-Amigo,Fernando!
Sobre esta mensagem,gostava que solicitasses ao Adelino a sua identificação e fotos para que a Tertúlia saiba quem se dirige a ela,pois é esse o espírito da mesma.
Anda lá Fernando.

Saudações ESPECIAIS!




Victor Barata


No dia 03.05,ainda pela via primitiva recebi o seguinte Email:



Amigo Fernando.
Boa noite, efectivamente li o teu mail e terei muito gosto em encaminhar e dar resposta ao Victor, ainda não tive oportunidade de procurar duas fotos ou três desse tempo de grandes amizades e de também muitas alegrias que passámos juntos
Eu sempre prezei os meus Amigos, pois aqueles tempos em África,marcaram-nos quer queiramos ou não.
Recordo-me um dia ao desembarcar na BA 5 Monte Real, num daqueles dias de festa da Associação, um dos que assistiram à saída do autocarro,perguntou-me, olha lá tu não tinhas um Peugeot? Tinha e ainda o tenho,respondi,tu és o Brito do Serviço de Material, sim ,sim, dá cá um abraço porque tu eras um tipo muito fixe, e muito amigo.
Como era natural de lá e conhecia aquilo como a palma da minha mão,estava como peixe na água. Noutra festa desta vez em Sintra, onde tinha estado, antes de me oferecer para o Ultramar, encontrei mais uma série de pessoal do AB 8,e já no final do dia , perguntaram-me se queria ver o Pereira, lá o foram buscar e ele perguntou-me se não me lembrava dele , como estava fisicamente diferente, lógico não o reconheci, ele para me avivar a memória disse-me, olha eu fui contigo à tua quinta e fui ver os elefantes,disse-lhe já sei quem tu és. Um grande abraço e ofereceu-me, para eu ir passar férias, a sua casa de praia em Santa Cruz.
Por isso mesmo, estes momentos são para nós muito especiais, ou não fossemos nós ESPECIAIS.
Um dia destes há-des mandar-me o teu ñº de telefone ou do serviço ou o de casa, certo
Fernando, caso não leves a mal.
Quando passava lá em Bissalanca,no velho DC 6B da FAP,e enquanto o avião reabastecia eu sempre avançava, para quem conhece e se recordada velha gare que existia ao lado do arame farpado e de uma torre de vigia, que dava acesso à placa da BA 12, eu ia lá espreitar se encontrava alguns amigos de LM.
Estava lá um meu grande amigo e vizinho José Manuel Guia Maia MMA penso que de 66/67 e outro MMA ou M rádio que morava também ao pé de mim em Lço Marques e que tinha uma irmã que cantava ( bem) em diversos programas tanto no Rádio Clube de Moçambique, como em outros locais,Feiteira, não posso precisar o seu nome, os pais e a irmã moravam na Pinheiro Chagas com a João de Deus, por cima da pastelaria Suiça, eu fui lá a casa deles dar-lhe um abraço. Fernando se quiseres reenvia este mail para o Victor, mas não me esqueci e prometo mandar~lhe um especial para ele, pois estas amizades são par mantidas e aprofundadas
Mais um apertado abraço do Amigo
Adelino Brito


Pois muito bem,Companheiro,é sempre uma alegria quando aparece uma cara nova neste espaço,como tal,em nome da Tertúlia,damos-te as Boas-Vindas a esta NOSSA casa(atenção que ainda te falta a foto militar e actual para entrares no quadro dos Tertulianos,por isso despacha-te)que concerteza te irá proporcionar grandes momentos emocionais ao veres/falares com companheiros que já não contactas à tantos anos.Ficamos à espera.
Saudações ESPECIAIS.
Victor Barata

sábado, 10 de maio de 2008

31ºENCONTRO DE ESPECIALISTAS DA FAP.

206-31ºEncontro de Especialistas da FAP



Com o aproximar da data,vimos apresentar-vos mais uma vez o programa.
Anexamos também a lista dos inscritos.






Vem juntar-te a nós,a família quer ter-te junto outra vez.

A Comissão