quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

VOO 1412 AS HISTÓRIAS DO "TIO TOMÁS".


Olvídio Sá
Esp.OPC Negage
Chaves
Se é certo que com o passar das férias de Natal houve descanso para uns, houve trabalho dobrado para outros cujos, nem o fim de semana serviu de nada ou muito pouco, que é o caso dos Zés Especiais que Comandam esta Aeronave onde alguns como eu vão entrando, porque se leva o bivaque, quico ou boné debaixo do braço ou é pessoal bem conhecido da F.A.
Eu, sou daqueles que teimam em andar mal fardados (longe vá o agouro) pois se estando no N´gage andava com meias da ordem em que apenas se via a perna, estando o pé quase inexistente de roto!... Embora lavado, que era eu quem cuidava de mim…
O meu propósito é saber o motivo da minha não integração na famosa linha da frente, assim como o resto das fotos em que estavam em evidência as:




Legenda:Jogo de Voléi no Hangar do AB3
Foto:Olvídio Sá(Direitos reservados)




Legenda:Equipa de ténis de mesa do AB3.D esqª/dirª.Peixinho,Pestana,Olvídio,Marques,Spinola
Azevedo e o último não me recordo do nome.

Foto:Olvídio Sá(Direitos reservados)


Legenda:Junto à capela do AB3.
Foto:
Olvídio Sá(direitos reservados)
Legenda: Descendo as escadas da igreja do N'gage.
Foto:Olvídio Sá(direitos reservados)

Igreja do A.B. 3 e N´gage, etç. É bem certo que nunca fiz o trabalho na linha da frente e confesso que disse ao comandante V. Barata que deixava ao seu critério a colocação das fotos. Não é assim que eu vou recuperar a minha mocidade mas, vista a linha da frente lá, observo que mesmo os do exército – sem desprimor – lã constam e quanto às fotos dizer algo da razão da sua não publicação no Blog.
Bom… vamos ao que interessa.
Uma vez terminada a recruta resolvo, mais um amigo, ir a uma festa realizada em Meca.
Lá como soldados acabadinhos de sair do Juramento de Bandeira, com fome e sem dinheiro íamos em passo bastante estugado num local ermo quando vemos uma série de pessoas a merendar. Passámos em frente e então o meu amigo sai-se com esta! – Vou para trás. E encostou-se a uma parede olhando para quem comia, com olhos de fome e tristeza imediatamente nos convidam a comer com eles. A pé e fardados fomos e regressámos à B.A. 2 só que. era fim de semana e eu, tive o azar de ter falta ao jantar, fui chamado ao oficial de dia e o Senhor Maj. Tomaz , comandante do GITE, então me aplicou cinco dias de detenção. Se é certo que me ameaçou com cinco dias de prisão e que ia já para casa indo depois para o exército, menos certo não é que eu, li e reli o RDM não achando motivo para tanto, dizendo aos mais próximos que reclamaria, indo todos os dias ver, a ordem de serviço, de fio a pavio. Ah! Mas primeiro entrei na enfermaria onde passei cinco dias… julgando que escapava desta… Santa inocência…!
UM FORTE ABRAÇO PARA TODA A FAMÍLIA ZÉ ESPECIAL
Chaves, 13/01/10

Olvídio

VB.Boa-Noite,Companheiro Olvídio.
Penitencia-mo-nos pela falta de inclusão do teu nome na Tertúlia "Linha da Frente",por lapso da nossa "manutenção".São situações,para as quais agradecíamos a vossa melhor compreensão,pois é com muito "amor à camisola ESPECIAL" que conseguimos dar continuidade a este trabalho que nos exige grande despendio de tempo.Todos os elementos que constituem esta unidade têm os seus afazeres profissionais,que cada vez incide num mercado de trabalho muito difícil e complicado,mas a esta grande família FAP tem sempre um espaço de tempo incluído no nosso nas nossas tarefas diárias.Mais uma vez,as nossas desculpas,está reposta a verdade.
Quanto ás fotos,achamos por bem não as colocar todas no voo 1374, pelo facto de serem muitas.Agendamos colocá-las noutro voo efectuasses,como acontece agora.

VOO 1411 AEROCROSS.




Miguel Pessoa
Cor.Pilav.(Refº.) Guiné
Lisboa





Caro Victor
Como te tinha prometido, aqui te envio um texto já escrito há algum tempo e que finalmente vê agora a luz do dia...
Um abraço.
Miguel




AEROCROSS

De vez em quando os aviadores da BA12 eram solicitados para missões que, por fugirem à rotina da actividade diária, eram sempre bem recebidas. Apareceu um dia um pedido de transporte de jornalistas estrangeiros para uma visita a Varela, no âmbito das "operações de charme" que o regime organizava periodicamente.
Um dos problemas apresentados era o de que a pista de Varela estava há bastante tempo desactivada - talvez porque se encontrava localizada a uma certa distância do aquartelamento e isso implicasse um empenhamento exagerado das nossas tropas na protecção aos aviões, quando ali se deslocavam.
Mas, dado o interesse em avançar com esta deslocação, foi considerado importante reabrir a pista, pelo menos para permitir a execução daquela missão. Sabia-se pouca coisa das condições do aeródromo naquele momento, pelo que o piloto teria que fazer uma prospecção cuidadosa da área de aterragem, antes de ali pousar.
Dado o número de jornalistas envolvidos, houve necessidade de se programar a ida de dois DO-27, tendo sido designados dois pilotos para esse fim - um Furriel já batido no território e um tenente ainda em princípio de comissão - eu...


Legenda: Á saída do GO 1201,na Base Aérea 12,Bissalanca,para a missão.
Foto: Miguel Pessoa(direitos reservados)

Já não me lembro como me calhou ir nesta missão, mas desconfio. Sucede que era eu quem indicava os pilotos da Esquadra para as missões que estavam programadas e certamente aproveitei para me nomear a mim mesmo para este trabalho, na perspectiva de aprender mais qualquer coisa e ganhar experiência.
A esta distância, parece-me que ultrapassei os limites do razoável ao meter-me nesta cena, pois não se sabia o que iríamos encontrar no terreno. A tal prospecção cuidadosa da área de aterragem era pouco praticável dado que o capim elevado não deixava ver o chão e não sabíamos se haveria obstáculos no terreno, como paus ou pedras, ou irregularidades que pudessem provocar um desequilíbrio repentino do avião durante a sua progressão, ou até o seu capotamento. E desconheço se o pessoal do aquartelamento terá analisado o local.
Tem-se por norma que no transporte de altas entidades ou de pessoal estranho à Força Aérea (que nos importa tratar bem) as regras de segurança são ainda mais rígidas que o normal. Não sei bem os antecedentes desta missão, mas não me parece que tenha sido este o caso, porque à descolagem ainda não sabíamos bem o que iríamos encontrar. Sei que, à chegada ao local, depois de termos solicitado ao aquartelamento que montasse a segurança aos aviões junto à pista, ficou assente que um dos pilotos faria uma aterragem cuidadosa e só depois aterraria o outro avião.
Foi decidido (?) então que eu faria essa aproximação inicial. Parece-me que terá havido aqui uma passagem da batata quente feita de modo perfeito pelo outro piloto e o periquito viu-se com o menino (ou os jornalistas) nos braços e avançou destemidamente. Destemidamente é uma maneira de dizer. O facto é que arrisquei mais do que devia pois, para além dos eventuais obstáculos, que já referi, nem sabíamos se teriam colocado alguma mina naquela zona.
Pese embora os meus receios, a aterragem até foi perfeita e o capim ajudou mesmo o avião a travar a corrida de aterragem. Vendo o êxito da manobra o outro piloto avançou e aterrou a seguir, estacionando o avião ao lado do meu.
A missão não tem muito mais a referir, pois o regresso decorreu sem problemas de maior, com uma descolagem normal de Varela, na tarde do mesmo dia (depois de termos verificado melhor as condições do terreno...). Não pretendo aqui questionar as decisões tomadas a nível superior, porque não tinha conhecimento à data, nem tive depois, dos factores que foram tomados em linha de conta. Por outro lado, há muitos aspectos desta missão que começam a ficar esbatidos na minha memória. Porém, penso que no meu caso pessoal deveria ter tomado maiores precauções (claro! - mas quais?...).
Suponho que, afinal, muitos passaram por situações semelhantes. Quantas vezes nos encontrámos nós em situações em que sentíamos dificuldade em questionar as decisões tomadas a nível superior, quando já estávamos metidos numa engrenagem que nos arrastava e levava a situações para as quais muitas vezes já não tínhamos fuga possível e apenas nos restava avançar?

VB: Se calhar ainda hoje gostavas de fazer uma aterragem idêntica,no mesmo local?
É verdade Miguel,a nossa FAP sempre foi dotada de PILOTOS,com pouca preparação para a guerra aérea,mas uns grandes guerrelheiros!Bom,diz o ditado que "quando Deus fez a panela,fez a tampa para ela",e é verdade,os ZÉS ESPECIAIS também eram grandes profissionais e...bem pagos!!!

Recordo a pista de Bubaque,quando o Nord ou Dakota aterrava,çapinava aa laterais da pista.
Foi de lá que descolei,para,em pleno voo,ouvir a Torre de Controle de Bissau a chamar-te e...nada!Nunca esquecerei esse dia Miguel.

VOO 1410 FOI NA TABANCA ...DO GIL,QUE SE JUNTARAM UNS MELROS!




Jorge Teixeira (Portojo)
Fur.Mil. (Exército)



Fim de semana prometido sem chuva. E São Pedro cumpriu. Isto é o que considero um bom amigo. A sexta-feira foi só encoberta com umas nuvens mixurucas que o Bando aproveitou para andar à solta. Do Cifrão para o Guedes, entre uma aguardente mais ou menos velha e uns copos de tinto de Lamego acompanhando um belo lombo assado, lá andei - andamos - pelas capelinhas, onde o frio de raxar esperava na rua. Nada que não se suportasse, principalmente depois do buxo quente.


O sábado nasceu lindo, mas só o vi muito adiantado na manhã. Ainda deu para notar no meu mini-jardim uns resquícios de neve, coisa que é digna de registo. Meti pés ao caminho para ir ter com a camaradagem de outras guerras, que no Choupal esperavam o toque do rancho.


Mas dá sempre tempo para uma paragem
e ver como as obras do Metro do ramal de Gondomar andam. Daqui a um ano, dará para um filme complexo e abstracto realizado pelo Manuel Oliveira e que servirá para comemorar os 102 anos do autor. Por falar no homem, há dias cruzei-me com ele entre o Bonjardim e a Praça D. João I e o safado não trazia a bengala e corria para atravessar a rua no sentido da Caixa Geral de Depósitos,traseiras. (ou seria no sentido do Rivoli ?) Bom, mas para o caso não interessa nada. Só eu sei porque não corro, mas ele sabe porque corre...Seguindo,


Em frente do local de encontro, o tal Choupal que agora também é dos Melros, fui espreitar uma ribeira que corre emparedada entre a rua e os campos. No verão tem água, e no inverno também, como é lógico. Mas derivado à agua que tem caído desses céus - Dezembro foi o mês mais chuvoso dos últimos 100 anos, segundo rezam as crónicas - julguei que traria mais. Nada de especial.


Porque houve mais melros do que o previsto, o "tacho" demorou um pouquinho, para mudança de poiso. Nada que atrapalhasse este pessoal, já habituado de há mangas de chuvas a esperar... Mas isso são outras estórias da história Pátria. De que muitos falam mas da qual pouco sabem.


Aproveitou-se para esticar as pernas e apanhar um sol que estava magnífico. E andar pela quinta, que mesmo neste tempo tem o seu encanto



Os choupos estão de folha caída, mas lá para o verão, verão como a coisa muda. Prometo uma reportagem em grande. Espero que o Gil contribua com algum, pois não sou de capinar sentado. Mas isso serão contas de outro rosário.

Entrando na bela sala, onde uma lareira "medieval" tem uns tronquitos a arder, o suficiente para aquecer q.b (quanto baste, sigla dos mestres cucas), fico por ali a rever os camaradas, uns já velhos de tantas guerras, outros ainda com a plumagem a mostrar-se.


A sala é bonita mesmo, toda em pedra, adaptada das antigas instalações da quinta. Aliás sucede assim por toda a herdade. O convívio torna-se agradável, a conversa amena, talvez aqui e ali recordando-se passados que doeram e ninguem quer esquecer. Em primeiro plano o Martins velho e o Carlos Costa, artistas do Fado, este último prisioneiro na Índia, mas com grandes estórias que nos deleita quando as conta.


As petisqueiras foram-se sucedendo e nada como umas boas tripas como prato forte. Não serão à moda antiga, quando a plebe portuense doou toda a carne para as frotas do Infante D. Henrique e apenas ficou com as vísceras. Agora são prato de rei, incluindo presunto, frango, diversas e saborosas qualidades de chouriços e claro, uns feijões brancos porque o pessoal nunca se habituou só à carne. Para um cheirinho especial, a salsa e uns cominhos são indispensáveis. E um belo arroz dourado nunca se despreza.Acontece que a seguir tive dois convites. Um concerto em Grijó pelo grupo de fados de Coimbra, dos meus amigos David Guimarães e Carlos Costa, e um outro para o retiro do Restaurante S. João, onde o Fado Amador, ou Vadio, é rei. Aceitei este último, porque bem mais próximo de casa, porque o frio me assusta, porque, porque...


...Porque aconteceu os Manos Martins me terem entusiasmado. O tempo é por demais bem empregue. E um bom Fado de Coimbra é sempre ouvido com prazer. Tive o gosto de conhecer o José de Castro, bela voz. E que maluqueira me deu... Liguei o telemóvel para o David e pu-lo a escutar o José. Logo recebi a resposta, traz o contacto. Quando se chega a uma certa idade, parece que voltamos a meninos.


Vários e várias artistas cantaram e bem o fado tradicional. Há quem o chame de Lisboa, mas para mim o Fado é Fado. Mas houve algo que me fez ficar alerta, como no tempo em que ouvia um trovejar e ficava a contar os segundos até à explosão. Soou-me o nome do camarigo Mexia Alves e há que averiguar o porquê. Apenas e só, porque o seu Fado Montemor de Praça Cheia estava em disputa. Pena que não fosse cantado, vá lá eu saber o porquê. Mas o meu amigo pode ter a certeza, mesmo tendo o seu fado sido "roubado" por profissionais, aqui no Porto, ou melhor dizendo, em Gondomar, é sentido e conhecido por esta malta do Vadio.
Tenho de apresentar os meus ex-camaradas, os Martins. O mais novo, cantor e de bela voz, foi para a Guiné já eu tinha regressado há muito. O mais velho, o guitarrista (primeiro da esquerda), aconteceu precisamente o contrário. Curioso, ambos são Bombeiros, o mais velho de Gondomar e o mais novo de S. Pedro da Cova. Coisas da vida.


Para a noite acabar em beleza, o grupo da Lagoa veio cantar as Janeiras. Que mais podemos desejar depois de belos convívios, óptimas comidas e bons fados ? Apenas noites de bom sono. Foi o que aconteceu comigo no fim de semana passado. Com a temperatura a menos de 3 graus.
Amanhã há mais. Tabanca de Matosinhos, Bando do Café Progresso e o que mais se verá.
-- Jorge/Portojo

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

VOO 1409 ENA TANTAS "AERONAVES"!!!....



Fernando Castelo Branco

1ºSargºMMT Moçambique

Terceira - Açores



OBRIGADO AMIGOS “TRIO VICTOROTA...”

Com muita alegria, dou-VOS os PARABÉNS, por este numero de 200.000 “AERONAVES”, que diariamente “tocam e ficam CHEIAS de RECORDAÇÕES” de SAUDADE E AMIZADE...quando visitam esta GRANDE BASE.Comandante, com o TEU ESPIRITO DE ESPECIAL; conseguiste “reunir” a TROPA e também escolher os COLOBORADORES, que estão á tua “esquerda e direita”; (atenção, termos Militares, como quando o Nosso Instrutor na Recruta, tinha dois Primeiros Cabos, um á esquerda e outro á direita...; nada de confusões).



Foto: Cedida por Fernando Castelo Branco (direitos reservados)


Como "não gostas" de AGRADECIMENTOS, é justo AGRADECER aos TEUS ADJUNTOS; Augusto Ferreira e João Carlos; por também estarem sempre de alerta e operacionais, quando as "AERONAVES"; tocam e andam depois de matarem SAUDADES?!...É o meu caso que deste lado, vou sempre á formatura e olho para o nº de "AERONAVES", e fico CONTENTE em ver que a ESQUADRA da SAUDADE E AMIZADE, cada vez mais; fica maior... Dá para recordar e pedir: venham "sempre" mais cinco?!...Usando a expressão;" AS PESSOAS APAIXONADAS POR DEUS NÃO ENVELHECEM"; vamos vivendo com SAUDADE E AMIZADE, o que em tempos nos fez ser"FAMILIA". Muita SAUDE para TODOS, para que o Efectivo desta ESQUADRA, tenha "vontade" de aumentar e NÃO diminuir; porque as HISTÓRIAS que agora contamos; sejam apreciadas; como "desabafos" de ALEGRIA, que o TEMPO guardou...


Um forte abraço.

Fernando Castelo Branco

Voos de Ligação:

VOO 1407 200.000!!!

VOO 1404 200.000 ATERRAGENS

VOO 1399 200.000 VOOS

VOO 1397 VÔO 200.000

VOO 1396 200.000 AERONAVES RECEBIDAS

JS: Fernando, obrigado pelas tuas palavras, mas, é graças a todos vós que continuam sempre a incentivar e a contribuir para o enriquecimento deste espaço.

VOO 1408 QUE ENORME CORAÇÃO,O DA IVONE.





Fernando Moutinho
Cap.Pil. Guiné
Alhandra


Boa tarde Barata
Acabei de consultar a nossa "aeronave" e, deparou-se-me a Ivone.
Tive a honra e o prazer de conviver com ela, na Guiné e, com ela, executamos algumas missões de evacuação.Sempre a admirei pela sua disponibilidade, competência e um enorme coração.
Lamento a sua doença.
Fernando Moutinho




Guiné, 1964
Sou mandado executar uma missão de Evacuação a Catió.A informação referia vários feridos graves necessitados de assistência a bordo.Quem me acompanhou no DO-27? A Ivone. Chegados a Catió deparamo-nos com 2 feridos indígenas em estado gravíssimo:Eram irmãos ao serviço das nossas Forças Armadas.

Numa emboscada, além de outros feridos menos graves, estes dois tinham uma rajada que os atingiu no ventre, estando em estado terminal não dando acordo de si.Imediatamente a Ivone os recolocou nas macas do DO-27 e instalou um sistema de alimentação a soro para tentar aguentá-los com vida até Bissau.

Enquanto estes preparativos estavam a ser efectuados, reparo que um indígena mais idoso, envergando uma túnica dourada e respectivo adereço com dourados, na cabeça, (era um homem “grande”*) acercou-se de mim e com um ar orgulhoso referiu-se aos filhos, dizendo-me:
Se morrerem, já cumpriram a sua missão na terra, foram a Meca, têm filhos e lutaram pela Pátria.

Estas palavras abalaram-me, pela convicção que foram pronunciadas.

Nunca gostei de contar isto porque ninguém acredita que houvesse habitantes “locais” que sentissem e honrassem esses valores.

Logo que possível descolei subindo acima de 3.000 pés para apanhar ar mais fresco. Durante o voo, um dos feridos abriu os olhos e ficou acordado mas sem falar. O outro continuou inconsciente. Mas, a Ivone continuava a prestar-lhe os cuidados possíveis. Grande profissional.

Em Bissau a ambulância levou-os para o Hospital.No dia seguinte eu e a Ivone fomos ao Hospital saber o estado dos feridos: um não resistiu, o outro felizmente recuperou


*
Chefe de aldeamento de locais

VB.É de facto impressionante as qualidades humanas que estas mulheres empregavam no desempenho das suas funções.Abdicavam, muitas vezes,da sua vida pessoal para assistir a quem lutava com a morte, que muitas vezes conseguiram combater, vencendo.
Muitas vezes me tenho manifestado em defesa destas verdadeiras "MULHERES DE GUERRA"para o facto de tão abandonadas terem sido pelos sucessivos governantes deste País.Embora não tenha convivido com a Ivone, partilhei a minha estada no teatro operacional da Guiné,com a Giselda,Octávia,Celeste,que,embora com funções diferentes,era impressionante o ritmo de vida destas "guerrilheiras da saúde"! A Giselda,com quem mais convivi pelo facto de cumprirmos a comissão +/-na mesma altura,por quem hoje ainda nutro um carinho muito especial,tratando-a por "minha menina"! (Sabe,sabe...o Miguel sabe!).
A Celeste,que para se apreçar em salvar os outros,faleceu.
Ainda gostava,e acho merecido,ver estas MULHERES DE GUERRA,serem homenageadas.Pela FAP ,já o foram,graças à sensibilidade humana de um grande CEMFA que se chama ANTÓNIO TAVEIRA MARTINS,pelo governo...lanço um apelo aos nossos governantes.

VOO 1407 200.000!!!


Carlos Jeremias
Esp.MMA Moçambique
Lisboa
Amigo Victor, 200.000 aterragens é obra.
Se precisares de ajuda para mudar as rodas do trem, é só dizeres, o hangar está disponível e o pessoal da manutenção já está em "alerta".
Abraços para toda a equipa
Carlos Jeremias
Voos de Ligação:
VB. Obrigado Carlos.
Ao comemorar-mos este acontecimento,não podemos deixar de te agradecer a colaboração tão preciosa que tens dado para que esta Base tenha atingido o movimento que tem.Não só tens colaborado na substituição das rodas do trem,como dizes,mas também na afinação dos motores para que possamos manter a operacionalidade desta unidade a 100%. Tu também pertences aos ESPECIAIS! Aliás Carlos,são só uma meia dúzia os que se intitulam mas...não são!

VOO 1406 SÓ FALTAM 12!


Carlos Ferreira
Esp.M/Radar Angola
Coimbra
AMIGO VICTOR BARATA E DEMAIS TRIPULAÇÃO.
SENDO EU UM ADMIRADOR DE EXPOENTE MÁXIMO DESTA AERONAVE,NÃO POSSO DEIXAR DE FELICITAR TODA A ORGANIZAÇÃO PELA ULTRAPASSAREM DE 200000 VOOS.
É OBRA .QUE MUITOS MAIS VENHAM ACONTECER PARA BEM DE TODOS NÓS,OS VERDADEIROS ZÉS ESPECIAIS.
NÃO TENHO DÚVIDAS DE QUE O FACTO DE VISITAR-MOS ESTA GRANDE AERONAVE PERIODICAMENTE NOS TRÁS UM ALENTO PERFEITAMENTE EXPLICÁVEL EM NÓS.
A SEGUNDA QUESTÃO QUE ME CÁ TRÁS PRENDE-SE COM O PEDIDO DO NOSSO CAMARADA CARLOS CASEIRO DE LEIRIA.EM BOA HORA E ABUSANDO UM POUCO DISSE AO CARLOS PARA FALAR CONTIGO VICTOR E OS RESULTADOS COMEÇAM A APARECER.
CONHEÇO PERFEITAMENTE O EX ESPECIALISTA COM O N.485/69 FERNANDO MANUEL DIAS MONTEIRO.ESTUDOU COMIGO NA ESCOLA AVELAR BROTERO EM COIMBRA E NAS LIDES MILITARES ESTEVE A TRABALHAR NO CENTRO DE EMISSORES DA 2.A REGIÃO AÉREA EM LUANDA, A ONDE EU TAMBÉM ESTAVA.BOM CAMARADA O FERNANDO.TAMBÉM PERIODICAMENTE TINHA QUE IR A GUERRA LÁ PARA OS LADOS DOS DEMBOS,MAIS PROPRIAMENTE PARA S.TA EULÁLIA.COM UM POUCO DE SORTE TAMBÉM ÍAMOS ATÉ CABINDA.TÍNHAMOS DEIXADO PARA TRÁS CUITO CUANAVALE E N?RIQUINHA NO LESTE, QUE PASSOU A SER FEITO PELO PESSOAL DE HENRIQUE CARVALHO.
COM ELE DEMOS UMA VOLTA À TORRE DE CONTROLE DO AEROPORTO DE CABINDA EM TERMOS DE COMUNICAÇÕES.TINHA A ESPECIALIDADE DE MECÂNICO DE RADAR MAS FACILMENTE APRENDEU RÁDIO TERRA.
VAMOS ENTÃO SATISFAZER O PEDIDO DO CARLOS CASEIRO.
O FERNANDO VIVE NA RUA NOVA N.1 3140-401 SANTO VARÃO -LOCALIDAE PERTENCENTE AO CONCELHO DE MONTEMOR-O-VELHO.
POR HOJE TERMINO DESEJANDO TUDO DE MELHOR A ESTA GRANDE FAMÍLIA,UNIDA FORTEMENTE POR ESTA AERONAVE.
VB.Obrigado Carlos pela tua preciosa colaboração satisfazendo assim o pedido do Caseiro.Não fossemos nós verdadeiros ZÉS ESPECIAIS.

VOO 1405 A NOSSA "MENINA"IVONE.




Jorge Félix
Alf.Pilav. "Canibais" Guiné
V.N.Gaia

Caro Victor .
Um dia, recebi um email de um "Brandão", intitulando-se primo de um Brandão meu amigo , que faleceu numa emboscada em Bambadinca no ano de 1969. O Alferes Brandão, de Braga. Hoje, somos amigos e porque olhamos os mesmos Blogs, trocamos emails . Um dia enviou-me uma foto para eu identificar como sendo a Ivone Reis, de quem já tínhamos falado noutra ocasião. Mais recentemente, voltou a dar-me noticias da Ivone, conforme email que junto, devidamente autorizado pelo Brandão.


Caro J. Félix.Viva!
Pois a Ivone, quando estive com ela, aqui há uns dois anos em sua casa, a sua sobrinha que esteve presente, disse "entre dentes" que ela estava com alzheimer. Pelo Natal telefonei-lhe para lhe desejar Boas Festa e um Bom Ano Novo, atendeu-me a sobrinha. Foi ela que me disse que entretanto a sua doença se tinha agravado e que estava internada numa instituição militar em Lisboa. Depois, na continuação da conversa disse-me, que na instituição fizeram-na crer que, como ela é da "arte", que dirigia qualquer coisa lá dentro, função que parece estar a desempenhar com muita "paixão", resumindo é doente sem o saber. É tudo que sei, infelizmente não fixei o nome da instituição. Sei que anda feliz, o que muito me agrada.
Quanto à fotografia está uma maravilha, além do mais, além do trabalho impecável que fizeste, mostra uma rapariga bonita uma mulher que é capaz de ter feito tremer alguns corações.
Algo mais que possa ser útil, diz, lamento saber tão pouco.
Fiquei muito contente em saber que evacuou o meu antigo colega de escola que foi "ferido em combate", da companhia do Idálio Reis.
Um abraço,
Brandão


Mandei ao Brandão uma fotomontagem de uma foto que ele me enviou com a Ivone com outra que encontrei num livro que lia, "A espuma do tempo" de Adriano Moreira.
A referencia ao livro não tem outra intenção que não seja a identificação da origem da imagem.Junto as fotos que justificam este email. Quem sou eu para acrescentar mais qualquer coisa sobre a coragem, o fino trato, a alegria, a disponibilidade, a ternura, a disciplina, o exemplo, ... e tudo o mais que não tenho autoridade para falar, sobre a "nossa" querida Ivone? Que fiquem , como que lembrança dos tempos que com ela convivi , estas fotos que identifico.


Legenda: (com minha montagem) do livro de A Moreira. Pode ler-se: Outubro de 1961, Inhambane. Almirante Sarmento Rodrigues, Governador-geral de Moçambique, Capitão Níveo Herdade e Alferes Ivone Reis, oficiais às ordens.
Foto:
Jorge Félix(direitos reservados)



Legenda: Brandão e Ivone em Lisboa.
Foto:Jorge Félix(direitos reservados)


Legenda:Ivone na Guiné Bissau.
Foto:
Jorge Félix (direitos reservados)



Abraço e parabéns pelos 200.000 voos.

Jorge Félix

VB.Pois infelizmente o estado de saúde da nossa Companheira Ivone,tal como dizes Jorge,não é o mais satisfatório.Confirma-se a sua residência permanente em Oeiras,num estabelecimento das Segurança Social das Forças Armadas.
Recordo que quando do nosso encontro (32º) da Guiné,em Vouzela,lhe ter telefonado a convidá-la para estar connosco,já me dizer ser impossível.
Não convivi com ela na Guiné por ser mais "piriquito"mas as referências à sua pessoa são da mais elevada estima.




















domingo, 10 de janeiro de 2010

VOO 1404 200.000 ATERRAGENS



Jorge Mendes
2ºSarg. Milº EABT, Moçambique
Coimbra


Caro AMIGO e Comandante
200.000 aterragens sem incidentes, só é possível com um grande Comandante.
Espero pelo dia que as altas chefias da FAP vejam este exemplo..................... as medalhas ainda não esgotaram.
Tens sido um exemplo reconhecido por todos da Defesa da Causa Aeronautica.

Um abraço Amigo

Jorge Mendes

Voos de Ligação:

VOO 1399 200.000 VOOS

VOO 1397 VÔO 200.000

VOO 1396 200.000 AERONAVES RECEBIDAS

VOO 1403 ZÉ ESPECIAL RESUMIDO.


Olvidio Sá
Esp.EABST
Chaves

Vida militar. Nunca fuga de casa.Resenha de um Zé Especial.

Quando muito jovem, apenas tinha eu 17 anos, vivendo na aldeia e tendo o Curso Geral do Comércio acabado sem reprovações um ano antes, vejo no Diário de Notícias o concurso para pilotos e especialistas da F.A. meto toda a documentação e por isso fui chamado e aqui estou. Fui à inspecção a Lisboa, Monsanto. Claro que, ao ver e ouvir certas conversas entre os companheiros deduzo, falando para os meus botões, se até para entrar na tropa é preciso CUNHA muito mal se passa. Foi a primeira vez que vi o mar e até admirei o mar da PALHA, no estuário do Tejo. Lá me desenrasquei e até fui ao cinema à noite somente eu embora estivesse em casa de amigos da aldeia Fui inspeccionado rigorosamente, como aliás todos passeando em pelotas e ficando apto para todo o serviço. No meio de alguns que tinham já sido inspeccionados pelo exército e ficaram inaptos para a F.A. E então em Jan. recebo Guia de Marcha da CP para ser presente na Ota onde, sou recebido pelos barbeiros que, ávidos de cabelo fresco nesta pequena e cuidada trunfa se banqueteiam mas, como não nos foi dada ordem de ‘”carecada”,o seu limite irá até à ordem dada pelos superiores, só que no dia seguinte quando saía do refeitório vinha eu, como um militar prezado, com o bivaque metido na aselha do blusão e sou abordado pelo Senhor Maj. TOMAZ o qual após a identificação me diz: - Receberá notícias minhas. Aí vou eu de novo à barbearia e sim, disse que me dessem uma “carecada” indo então apresentar-me ao homem que acto contínuo me mandou embora, riscando o meu 110/66 do papel que estava ainda no seu bolso.
Com um Especial abraço extensível a toda a família de Zés.
Olvídio Sá

VB.Como é bom ler estes escritos,Olvidio! É um recordar de situações que nos transmitem uma distância muito longa,ou seja,a nossa juventude.
Foi o passo importante que demos na vida para o hoje,em final de carreira,nos podermos orgulhar de sermos quem somos,homens com um vasto curriculum humano e social fruto dessa integração na família FAP.

VOO 1402 AINDA FALTAM 13!



Santos Oliveira
Fur.Mil.A/P RANGER Guiné
V.N.Gaia




Caros Comandantes
Victor Barata
João Carlos Silva
Augusto Ferreira e demais Camaradas de Voo (já que todos estamos na mesma Nave)
1 - Aproveito para V. saudar, particularmente, pelos sucessos obtidos nas mais de 200.000 visitas a este Sítio de referência.
2 - O Carlos Caseiro procura trabalho e nós vamos dar-lhe uma espécie de ajuda para que ele se possa vir a integrar mais facilmente nos Reform(ul)ados, já que o tempo se aproxima rapidamente.
Estabeleci alguns contactos (que já não constam da Listagem), infelizmente sem sucesso. Dos demais, cá segue (abaixo) o extenso Rol, tão grande quanto a necessária paciência para o dissolver.
3 – Da Listagem, subentendem-se os prováveis “candidatos”. Dos que não consegui obter qualquer resultado, vão em azul. Aquele abraço de sempre, do Santos Oliveira

-Vitorino Pereira Silva
-Manuel Carmo Estevão
-Fernando Matias Monteiro
-António M.Amaro Santos
-Manuel Alberto Monteiro Lopes


Voos de Ligação:

Voo 1398 Localização de Companheiros José Caseiro
Voo 1401 Só faltam 18! Rogério Sousa

VOO 1401 SÓ FALTAM 18!



Rogério Sousa
Esp.Enfº.
Porto


Companheiro Victor
Na sequência do meu telefonema e conforme sugestão tua, aqui vai o contacto de um dos "Não localizados" ficam assim 18 por localizar.
O Armando dos Santos Clara é um amigo muito fixe e vive pegadinho ao Porto, mais propriamente em Matosinhos, tenho estado de quando em vez com ele, visto ter estado comigo no AB6 (Moçambique).
Para ti um GRANDE abraço.


Voos de Ligação:
VB.Obrigado Rogério.Como deves ter reparado,extraímos ao teu voo o nºde telefone do Armando por uma questão de privacidade.No entanto,particularmente,vamos enviar esse mesmo contacto, que fizeste o favor de nos enviar,ao Caseiro que certamente te irá ficar agradecido.