quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

VOO 1473 O MACHADINHO.



José Teixeira
Esp.OPC Guiné
Trofa

Meu caro comandante VICTOR BARATA.
O Voo 1462- do MMA JORGE NARCISO, despertou a minha memória, e peço-lhe que me confirme se aquele acidente em BAFATÁ com o heli pilotado pelo Maj.Rodrigues acompanhado e vitimado o MAEQ APONTADOR DO HELI CANHÃO o Machadinho(tratado por diminuitivo por ser magro e estatura média). Quero apenas confirmar se a causa desse acidente: as pás do heli colidiram com a antena de rádio do destacamento e logo que se despenhou. De seguida deu-se a explosão de todas as munições do heli canhão, o que impossibilitou o socorro ao dois ocupantes. Esse Machadinho era, como eu da 2ª/67 e fomos juntos para a GUINÉ no célebre a maravilhoso «PAQUETE» UÍGE, juntamente com uma companhia do exército e também muito bem acompanhados por um grupo de Páraquedistas. Quanto ao decorrer da viagem, os primeiros três dias foram tão horrorosos que poderei fazer o sacrifício de os recordar noutra ocasião.
--JOSÉ TEIXEIRA-OPC-2/67-----

Voos de Ligação:
Voo 1462 Um mecânico de helicópteros na Guiné – Jorge Narciso
VB.Assim será Teixeira,embora o episódio não seja o mais desejado recordar,certamente que o Jorge te confirmará ou não se é o malogrado Machadinho.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

VOO 1472 3º ENCONTRO DE ECU's.



Gil Moutinho
Fur.Pil. Guiné
Fânzeres-Gondomar

Amigo Vítor,restante tripulação e demais.

Vai acontecer novamente,no próximo Sábado,13/02,o 3º Encontro dos ECU’s(Ex combatentes do
Ultramar),na tabanca dos Melros,sedeada no Rest.Choupal,para quem não conhece em Fânzeres
Gondomar. O repasto fica por 15€ e a ementa é da responsabilidade da casa.


Para animação,e com prata da casa(digo ECU’s),vai ocorrer uma magnífica sessão de fados e
guitarradas.
Agradecia que publicasses no blog se não houver inconveniente ,e desde já quem tiver intenção
de vir faça a reserva de lugar e eventualmente para acompanhantes também, até Sexta para:
919677859-Gil,224890622 restaurante,224809224-fax- choupal@quintadoschoupos.com
Um abraço até sábado.
Gil Moutinho

VB.Companheiros,é o terceiro encontro que se realiza neste magnifico lugar.
O Gil delicia-nos com a beleza da decoração deste espaço muito antigo, muito bem recuperado e decorado.
Estive no segundo e vou estar certamente neste,vale a pena desfrutar deste excelente convívio onde se encontra pessoas que deixamos de ver.

VOO 1471 EU TAMBÉM FREQUENTEI O CURSO...


Jorge Mendes
2ºSargº.Mil.EABT Moçambique
Coimbra
Caro Amigo e Comandante :

Em relação ao voo 1467 do Olvidio Sá , gostaria de tirar uma duvida que se refere a data do inicio do curso de Furriéis.
É que eu também Especialista de Abastecimentos, frequentei o 1ºCurso de Furriéis Milicianos e este teve inicio em Janeiro de 1970 e não Janeiro de 1969 .
Quanto ao Alferes José Cid era um bom malandro.Aqui vai uma historia passada comigo quando ele me mandou dar 20 voltas a parada .
Claro que a segunda ou terceira volta eu estava na padaria(junto ao cinema)a comer pão quentinho que um conterrâneo de Coimbra , padeiro de especialidade.
Em abono da verdade não gostava do José Cid enquanto Alferes.................vaidoso que chegava e militarista quanto baste.Ele que era um priviligiado e sabemos bem porque pertencia ao 1111.Estes comentários nada terão a ver com o artista e compositor , mas sim e apenas enquanto militar.

Abraço

Jorge Mendes

Voos de Ligação:
Voo 1467
A Saga continua (III) – Olvídio Sá

VOO 1470 O F-47D


Fernando Moutinho
Cap.Pil. (Refº.)
Alhandra





O F-47 foi um avião muito robusto e seguro.
O seu peso em vazio era de 4536 Kg e o Pêso Máximo à Descolagem era de 7938 Kg.
O motor Pratt & Whitney R-2800 tinha 18 cilindros em dupla estrela arrefecido por ar, com uma potência de 1.900 hp e que, com injecção de água, podia atingir 2500 hp. Nós nunca utilizamos a injecção de água por não se justificar.

Legenda: F-47 4405 onde o Fernando Moutinho realizou o 6º Voo
Foto: Fernando Moutinho (direitos reservados)
Era um avião muito bom (para a época) mas um tanto ou quanto perigoso (para os menos experientes) devido ao seu peso e de necessitar de um bom espaço vertical devido ao seu raio de volta. Não esqueçamos que a sua velocidade máxima era de 500 mph.
Estávamos habituados a aviões com velocidades baixas e pouco raio de volta mas, o F-47 já necessitava de mais espaço.
Por exemplo: no Hurricane fazia-se um looping a pouco mais de 200 mph mas no F-47 já teríamos de picar até pelo menos até 350 mph o que significa praticamente o dobro do raio de volta. Era proibido efectuar looping com o topo abaixo de 10.000 pés.
Como disse anteriormente, a minha experiência no avião foi limitada pois, tendo efectuado o 1º voo em 6 de Abril de 1953, efectuei o último voo em 19 de Abril de 1954. Legenda: Emblema da Esquadra 10, BA2
Colecção de Fernando Moutinho
Contudo, em 133:50 horas de voo, efectuei um treino bastante apurado que incluiu:
voo em formação (até 16 aviões), navegação, voo nocturno, e tiro e bombardeamento ar/solo, etc.
Na generalidade gostei muito do avião e foi com saudade que o deixei.
Dois voos me ficaram gravados muito particularmente na memória.
1º - Como "maçarico" sempre sonhei com voos em altitude e, como nessa época os voos de Familiarização eram efectuados a solo, o meu 3º voo foi dedicado a subir e voar alto. Fui até 32.000 pés olhar à volta e sonhar... Aquela canopy em bolha ajudava ...
Lá me mantive cerca de 20 minutos mas tinha de descer.
Lembro que o avião não tinha pressurização mas tinha oxigénio que naquelas condições fornecia-o sob pressão. Outra experiência que ficou.
2º - Noutro voo na fase de Familiarização, comecei a subir e consoante o ía fazendo a potência diminuia e tinha de utilizar o turbocompressor.
Ao atingir os 10.000 pés começo a preocupar-me pela falta de potência e tive de decidir se regressava ou continuava a voar aquela altitude fazendo qualquer outra coisa.
Optei por regressar. No estacionamento após parar o motor, reparo que vejo pessoal a dirigir-se para a cauda do avião.
Porquê? Por cima do turbocompressor, um buraco na fuselagem provocado pelo calor (viam-se os cabos dos comandos de profundidade), tinha sido provocado pela ruptura do mesmo compressor. Nesse dia aprendi que, em caso de dúvida, o melhor é prevenir.
A foto que anexo mostra o 4405 onde fiz o 6º voo.
A partir de agora estarei à disposição para mais curiosidades...
Um abraço
Fernando Moutinho
Voos de Ligação:
JC: Companheiros, o Fernando Moutinho generosamente acedeu a partilhar connosco esta fantástica experiência dos primórdios da nossa FAP. Desde já lhe envio uma Saudação Especial em nome de toda a Tertúlia.
Como sabem, o Fernando é um dos Pioneiros, pois alistou-se em 1951 ainda antes da criação da FAP (1 de Julho de 1952).
Conseguem imaginar como seria esta poderosa máquina com o seu enorme motor de 18 cilindros e 1.900 hp ? e os seus destemidos pilotos em que o Fernando é um ilustre representante ? e os cabos especialistas que lhes davam assistência nesses idos do início dos anos 50 ? Fantástico.
Partilho convosco o e-mail que troquei com o Fernando Moutinho, onde por um lado podem perceber o meu fascínio e por outro lado o entusiasmo com o que o Fernando aceitou o desafio.
"Boa tarde Fernando Moutinho,
Daqui João Carlos Silva do Especialistas da BA12 e em primeiro lugar espero que esteja tudo bem consigo. Venho enviar este e-mail no sentido de o "desafiar" para um assunto que não conheço bem e nem tenho visto muito pelos nosss sites, talvez por o mesmo ter estado operacional por pouco tempo e há muitos anos. Refiro-me ao Republic F-47D (P-47D) Thunderbolt. Desde que li o seu VOO 1291 nesta nossa tertulia que fiquei curioso, pois o Fernando Moutinho refere que esteve colocado na esquadra 10 precisamente com estas máquinas. Esta curiosidade porque o pouco que li sobre este avião deu-me a perceber que seria uma máquina muito poderosa e que inspirava muito respeitinho aos Pilotos. Não sei bem explicar porquê, mas, tanto o F-47D como o Helldiver SB2C-5 (deste já publicámos alguns VOOs, como por exemplo, o 889 com fonte em informações do nosso companheiro Aniceto Carvalho e do seu site http://aerodino.no.sapo.pt/ ) povoam um bocado a minha imaginação, essas impressionantes máquinas com os seus poderosos motores convencionais, talvez porque nunca tenha visto nenhum e quando é assim não há nada a fazer. Como já percebeu, venho solicitar ao Fernando se gostaria de partilhar connosco a sua experiência com esta imponente máquina do início da nossa FAP, o F-47D. Obrigado desde já pela sua atenção e Saudações Especiais,"
Ao que prontamente o Fernando respondeu:
"Boa tarde João Silva
Fiquei satisfeito pelas suas palavras e, dizer-lhe que estou pronto para lembrar algumas coisas sobre o F-47.
Falta só escolher a melhor maneira:
Eu faço uma pequena resenha sobre isso ou, respondo a questões.No primeiro caso posso cair em exageros ou algo sem interesse.Responder a perguntas pode proporcionar uma melhor explicitação do tema.
Para já, posso informar que fiz o 1º voo em 6 de Abril de 1953 e o último em 19 de Abril de 1954.
Fiz um total de 133:50 horas na Base Aérea 2, Esquadra 10, cujo emblema segue em anexo
Um abraço"
De mútuo acordo optámos pela 1ª opção, para nossa aprendizagem e conhecimento e penso que se enquadra melhor no espírito deste espaço em que se pretende que nos re-encontremos e partilhemos pedaços da histório recente com testemunhos na 1ª pessoa. Depois, esses testemunhos poderão avivar outros ou motivar questões dos nossos Operacionais da Linha da Frente.
Um abraço para todos,

VOO 1469 AGRADECIMENTO



António Loureiro
Fur.Policia Aérea
Figueira da Foz



AGRADECIMENTO
Quero manifestar o meu mais profundo agradecimento ao camarada João Silva pelo seu trabalho de pesquisa e divulgação dos distintivos das especialidades da FAP.
Efectivamente, mudam-se os ventos e mudam-se as vontades e a FAP não quis deixar os seus créditos em mãos alheias, adaptando-se às novas realidades, não esquecendo o seu passado.
Correndo o risco de armar para aqui uma bronca de todo o tamanho, não posso deixar de exteriorizar a minha opinião sobre este assunto.Com o terminar do SG (Serviço Geral), acompanhado das novas tecnologias como a informática, de uma série de especialidades que estavam aglutinadas num só grupo, como Cozinheiros, PA, Condutores, Bombeiros e Amanuenses, não deixaram cair o distintivo entregando-o as agora SAS (Amanuenses de outrora), o que faz algum sentido, e surgiram outros cheios de oportunidade que realmente eu desconhecia.
Reparei também que os Condutores foram absorvidos pelos MMT e estranhamente ou não, fazendo fé de que a transcrição está feita com o rigor técnico que os Especiais imprimem no desempenho das suas tarefas, apenas nas atribuições da PA, está explicito a sua acção poder ser exercida em território nacional e no estrangeiro. (os pilotos ficam de fora deste contexto)
É compreensível que, com a saída das tropas paraquedistas da FAP, esse "espaço" teria que forçosamente ser entregue a alguma especialidade e não há dúvida que a escolha da PA tem todo o sentido, por efectivamente ser a mais vocacionada para esse tipo de acção e eu como PA, não posso deixar de regozijar-me com a escolha.
Também os MAEQ não passaram incólumes aos ventos da mudança, tirando-lhes os (EQ) Equipamentos e ficando apenas com os (ARM) Armamentos das aeronaves, porque os de terra também foram entregues à PA.
Os MMT/PA e MARM/PA parece que passaram à história, mantendo-se apenas os que em determinado momento, tiraram essas especialidades em "pacote".
Resta-me lançar o repto a alguém que, mais bem informado do que eu, faça o favor de fazer as devidas correcções para assim, aproveitando as sinergias do conhecimento, ficarmos mais "ricos" e não corrermos o risco de ao falarmos destas coisas com pessoas mais bem informadas do que "nós", para não dizer "eu", facilmente se perceberem que não percebemos patavina destas coisas.
Um Abraço a todos,
Loureiro
JC: Loureiro, não tens nada que agradecer pois é um prazer conviver nesta Tertúlia com todos vós e é esta partilha de testemunhos e o interesse manifestado a maior recompensa e estímulo para continuar.
Sem dúvida os anos passam e vão sendo introduzidas adaptações e alterações que esperamos sejam sempre para melhor poder cumprir as necessidades das missões actuais. É interessante a ponte que fazes entre a realidade de há uns anos e a actualidade, enriquecendo o conhecimento sobre este tema.
Saudações Especiais,

VOO 1468 OS PRIMÓRDIOS DAS COMUNICAÇÕES (I)



José Ribeiro
Esp.OPC Guiné
Lisboa




Prefácio
Sendo eu, ex-OPCOM da Força Aérea, onde exerci funções, 6 anos e mais 3,5 na actividade pública, e sabendo das dificuldades na formação de um operador de comunicações em pleno, isto é, ser possuidor de todas as especializações que constituíam o curso de operador de comunicações (radiotelegrafia, teletipo e cripto), sendo que por motivos operacionais muitos dos instruendos ficavam-se apenas pela primeira especialização (eram na mesma considerados operadores de comunicações).
Era fundamental, para se ter aproveitamento no curso possuir uma média capacidade auditiva, sem a qual não se poderia atingir os objectivos principais, que eram, na altura, o ter aproveitamento positivo na disciplina de “Morse” e nas outras que constituíam a parte curricular do curso.
No desenvolvimento do curso, e como muitos não conseguiam acompanhar a velocidade de recepção de mensagens, eram automaticamente excluídos do curso, independentemente do aproveitamento que tivessem nas outras disciplinas do curso, isto é, a capacidade auditiva funcionava como factor principal de exclusão do curso.
Também é verdade que para que as funções de operador (radiotelegrafia) fossem exercidas por pessoas com boas capacidades auditivas, isto para que as mensagens recebidas e transmitidas atingissem os objectivos para que foram escritas, o receptor e transmissor tinham que, em primeiro lugar, saber todo o código de Morse e depois que conseguisse distinguir o traço do ponto transmitidos a velocidades consideráveis, para assim constituir palavras e sucessivamente frases que constituem uma mensagem (escrito transmitindo uma ideia e/ou acção a executar, entre outras finalidades), justificando, assim, a utilização desse meio de transmissão e, mais tarde, outros em paralelo.
O homem da antiguidade sempre se preocupou, através de meios rudimentares, comunicar-se entre si, sendo que ao longo dos tempos foi inventando outras formas mais evoluídas de comunicação que satisfaçam as prementes necessidades da altura e em perspectivas futuras.
Hoje, constantemente somos confrontados com novas formas de comunicação à distância; satélites, redes de comunicações completamente inovadoras e com um aproveitamento que nos surpreende às vezes, sendo que, as novas tecnologias de comunicação de hoje, são derivadas das invenções de ontem. Por isso me lembrei de fazer este estudo.

Formas e meios de comunicação

1.Introdução

Na evolução das comunicações, há que considerar que o “Homem” no seu desenvolvimento, sempre quis estabelecer relações pessoais e interpessoais, de diferentes formas e com o intuito de encurtar distâncias mais próximas ou longínquas.

Para isso e dadas as suas necessidades evolutivas no tempo esse homem, sempre procurou formas diversas de comunicar com seres da mesma espécie, independentemente da diferença espacial onde se encontravam. Toda essa busca de como comunicar com a mesma espécie, levou a que inventasse meios rudimentares hoje, mas inovadores para o tempo. Essa procura desses meios de comunicação levou à descoberta de diversas técnicas inovadoras para o tempo.
De qualquer forma e segundo vários testemunhos “estudos feitos”, todas as comunicações encetadas tiveram e têm, ainda hoje, como objectivo primordial o encurtamento de distâncias físicas, fazendo jus a diferença do ser e a intenção de melhor se conhecerem aparte os objectivos persecutórias de base.
Da mesma forma e de forma evolutiva, esse “H” na sua forma de ser, procurou sempre relacionar-se, interligar-se e comunicar-se independentemente da distância a que se encontrava. Neste sentido, foi evoluindo no tempo em termos de descoberta de novos meios, para que disso tirasse os melhores proveitos possíveis.
Contudo, essas formas de comunicar foram, na antiguidade, mais materiais, ou seja, ou utilizando marcas em rochas (marcas de animais), ginete (¹) ou físicas, através de luz e os impulsos electrónicos, citando-se como exemplo, neste caso, a radiote- legrafia, sendo que hoje são utilizados meios mais sofisticados e evoluídos, como irei, em parte, referir e a que farei referência nos pontos seguintes.

2. Os primeiros meios de comunicação

2.1 – Serviço de correio (Ginete)

Nos primórdios da antiguidade, e especialmente nos grandes Impérios era necessário enviar mensagens importantes para um lugar afastado no menor espaço de tempo possível. Por tal facto, foram-se estabelecendo serviços de correio, cujas mensagens eram transmitidas por ginete que mudavam de cavalo em distância determinadas, com a finalidade de as passar com a maior rapidez possível, sendo que este meio de transmissão, seria a génese das comunicações à distância

(¹) Ginete, cavaleiros que combatiam de modo disperso e em constante mobilidade. (…).

Posteriormente começaram a ser utilizados sistemas de sinais à base de um meio de transmissão, através da utilização do facho e uma estação receptora provida com um painel com alfabeto grego e ordenado em 25 quadrados, onde eram marcadas as letras transmitidas.

2.2 – Facho e painel receptor (telegrafo gráfico)

Foram os gregos, Cleosenos e Demóclitos (século V antes de Cristo), que descobriram um modo “telegrafar” à distância e que consistia na utilização de fachos, sendo que e para a recepção do transmitido à distância, era preciso que houvesse uma estação telegráfica receptora e provida com um painel ordenado em quadrados e com alfabeto grego impresso.

(fig.1) Transmissão através de fachos



Em frente da estação receptora, nas ameias dos Castelos, como se poderá constatar na figura apresentada, eram acesas as tochas dos dois lados que conforme o número e posição, dava a conhecer qual era a letra transmitida e dela, em conjunto com outras, formava-se a mensagem recebida no seu conjunto.
Para que essa combinação funcionasse em pleno, a forma de transmitir tornava-se deveras trabalhosa e apenas poderia ser utilizado em pequenas distâncias. Era necessário que as estações estivessem situadas em sítios que fossem vistos de parte a parte.
Com a invenção da luneta, foi possível aumentar a distância entre estações e daí partir para a descoberta do telégrafo óptico.

2.3 – Telegrafo óptico

O telégrafo óptico foi idealizado em 1794 pelo francês, Claude Chappe, e teve muita utilização.

(fig.2) Telégrafo óptico

Fonte: “Enciclopédia Combi Visual”

A estação telegráfica óptica era constituída por um conjunto de semáforos comandados por cabos ou cordas, a partir do interior do edifício, sendo que os sinais transmitidos eram recebidos noutra estação por meio da luneta(2) e daí retransmitidos para outra estação e daí para outras sucessivamente.
Em França, no ano de 1844, havia cerca de 500 estações fixas, cuja extensão total era de cinco mil quilómetros aproximadamente.
A figura nº 2 mostra uma estação móvel utilizada durante a guerra da Crimeia.
No século passado e ainda hoje, mas somente como forma de recurso, se utiliza na navegação marítima, a transmissão de mensagens através de feixes de luz (leitura óptica), mas utilizando o “Código Morse”, a que, e no desenvolvimento, deste pequeno estudo irei fazer referência.

(2) Luneta, Instrumento óptico destinado a aumentar a imagem dos objectos que estão longe. Sendo que á diversas formas de lunetas.
VB.Este é um trabalho sobre comunicações que o José Ribeiro nos vai descrever e que passa peça sua actividade na FAP e pós-FAP.

VOO 1467 A SAGA CONTINUA (III)




Olvídio Sá
Esp.EABT N'gage.Angola
Chaves



Os oito meses passados no N´gage, são bem elucidativos do que seria a “minha guerra” no Ultramar, já que embora não o trouxessem ao colo, sempre lhe davam certa protecção a Sua Excelência D. Duarte Nuno Pio de Bragança Alferes, PilAv. Também ele, o “futuro rei de Portugal”, defendia a bandeira da República como eu, nestas terras que supúnhamos pertencerem-nos, tudo isto foi sol de pouca luz uma vez que em Dezembro sou convidado a ir para a Ota, frequentar o curso de Sargentos. De certo que aceito e o único senão é ter que fazer mais três anos de tropa após a promoção a furriel, estando eu e mais uns tantos, com tudo pronto para a partida em Janeiro de 1969. Já instalados no início do curso, sabemos que aqueles cujo tempo de serviço no lugar de onde provinham era inferior a um determinado tempo de serviço, essa mesma Base processará o vencimento. Para nós, os do ex-ultramar português nestas circunstâncias, era de alegria esta nova pois o vencimento era bastante superior e, em particular, estaria de novo no N´gage terra de gostei imenso. Na Ota, sou de novo confrontado com o Senhor Maj. Tomaz e lá encontro também outro Senhor que em nada é parecido com o Senhor Major ainda fazendo o que sempre fez, ou pelo menos julgava saber fazer. Comandava o GITE .
Quem a trás menciono é o Senhor José Cid Alferes de Ed. Física sempre pronto para falar comigo por causa das meias que, embora fossem brancas, em nada eram parecidas com as da ordem uma vez que tinha sido a minha mãe quem as fez e eram de lã pura, agradecendo-se nos dias de frio. È claro que o seu desabafo “ Lá vem o refilão de Chaves” era dito e feito com certa amizade.
O curso, com bons e/ou menos bons momentos terminou sem contratempos de maior, imediatamente após com autorização do N´gage A.B. 3 gozo trinta de graciosa regressando de seguida ao longínquo N´gage.


A todos os Zés Especiais
O meu forte Abraçao
Olvídio

VB: Bom-Dia Olvídio.
Julgo que não haverá alguém que tenha passado pela FAP que não se lembre do Alf.José Cid.
Recordo que quando me deu a recruta,tocava e cantava no quarteto 1111 e ainda dois companheiros, nesta mesma incorporação, que eram,tal como ele,elementos do grupo.

Sá recordo o nome de um,o Antolin que era 1542 e eu o 1543,que foi uma grande "vitima" do José Cid. Uma ocasião na parada,obrigou a a fazer a parada ás cambalhotas,quando chegou a meio as suas costas pareciam as de cristo,cheias de sangue.Quem se lembra deste episódio?
No fim da instrução,levava-os para irem ensaiar!
Muitas mais histórias à para contar do Alf.José Cid,convido quem as tenhas que as exponha aqui.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

VOO 1466 UM GRITO DE REVOLTA - BASTA!

Lino de Freitas Fraga
Gerações de Guerra



UM GRITO DE REVOLTA – BASTA

No dia 07 de Dezembro de 2008, escrevi um artigo com o título “VIDA DESTRUÍDA ALMA COM VIDA”, relacionado com o nosso camarada/amigo Gilberto Sousa.
O popular Gilberto de S. Roque, que no dia 02 de Agosto de 1969, com apenas 21 anos, casado e com um filho de 7 meses, ficou sem as duas pernas, ao serviço da Pátria, nos matos da Guiné, razão pela qual lhe foi atribuída, por direito, uma pequena viatura, (moto de três rodas), para se poder movimentar.
Já quando o entrevistei para o citado artigo, o Gilberto havia manifestado o seu desagrado, pela forma como os apoios na assistência médica e medicamentosa vinham a ser reduzidos e a cada vez maior demora nas reparações da sua pequena moto, até para substituir um pneu, fruto de uma burocracia desenfreada que dificulta a vida a todos aqueles que o estado tem, ou pelo menos devia ter, a obrigação de auxiliar.
No mesmo artigo escrevi: “É impressionante a sua força interior, mesmo com a adversidade que lhe bateu à porta, não se deixou abater e foi em frente,…”. No entanto, qual não foi o meu espanto quando há dias visitei o camarada/amigo Gilberto e fui encontrar um homem amargo, desmotivado, descrente e quase desesperado e a razão é muito simples de explicar.
No final de Agosto, princípio de Setembro de 2009, a moto avariou e infelizmente os seus receios confirmaram-se. Gilberto dirigiu-se várias vezes, ao Campo Militar de São Gonçalo, para tentar resolver o problema, mas sem sucesso.
Como o tempo passava e nada se resolvia, tentou junto das mais altas entidades militares solucionar o impasse. Mas, a verdade é que passados cinco (5) meses o problema persiste, apesar de ter recebido promessas e palavras de compreensão, mas destas está o inferno cheio.



O que é facto é que Gilberto continua “preso”, em casa, como uma ave em cativeiro e completamente dependente dos filhos para se poder movimentar.
Que raio de País é este?
Que raio de Pátria é esta que ignora os seus heróis?
Que raio de Pátria é esta que, despreza aqueles que ao seu serviço, viram o seu futuro destruído deixando partes do seu corpo e do seu sangue em terras de África?
Que raio de Pátria é esta que, condecora desertores, traidores e até assassinos, mas esquece aqueles que a defenderam onde e quando necessitou?
Que raio de Pátria é esta onde, parece que só têm lugar profissionais da mentira, parasitas, incompetentes, delatores, corruptos, etc?
Que raio de Pátria é esta que, diz não ter dinheiro para pagar 130€ por ano de complemento de reforma aos seus Veteranos de Guerra, mas tem milhares de milhões de euros (€) para tapar buracos em bancos privados como BPN, BPP e outros, provocados por banqueiros corruptos?
É tempo de dizer BASTA!
Haja vergonha, haja dignidade, haja consideração e haja respeito pelos que se perderam defendendo a Pátria!
De uma coisa podem estar certos, não vamos parar e se este assunto não for resolvido rapidamente, levá-lo-emos ao conhecimento de Sua Excelência o Senhor Presidente da República, que é, também, o Comandante Supremo das Forças Armadas.


P.S.– Peço desculpa, aos nossos leitores, pela impetuosidade das minhas palavras, mas se não o fizesse, alem de explodir, sentir-me-ia cúmplice com tão indigna situação.

VB:Caro Lino Fraga,compreendo a sua revolta e compartilho esse mesmo estado de espírito.
Nós,a quem foi vedada uma juventude justa,enviaram-nos para a guerra com o intuito de defender-mos os interesses deste pais,para o vermos a ser destruído por governantes insensatos a este tipo de situações. Penso que já será por pouco tempo!
Certamente estaram à espera que,nós,os antigos combatentes façamos um peditório para comprar o veiculo motorizado ao Gilberto?!... Não tenho duvidas nenhumas que assim o Gilberto voltará a poder sair e deslocar sózinho,mas deixo um apelo a um qualquer governante deste pais,ou até adjunto,que despenda um valor de um dos "seus"jantares habituais para fazer este nosso companheiro feliz,basta este valor.

VOO 1465 VAMOS LIMPAR PORTUGAL.





Anibal Gomes
Esp.EABT
Coimbra



Caro "Comandante" e amigo Barata,

Venho por este meio dar conhecimento e pedir a divulgação de um projecto, que jão não para, de um movimento cívico que está a decorrer a nível nacional e que dá pelo nome de “dia 20 de Março de 2010 - Vamos Limpar Portugal” , do qual tenho a honra de fazer parte entre mais de 29.000, neste momento, mas precisamos de muito mais...
À semelhança do verdadeiro espírito do "Zé Especial" para além de todas as sua bravuras mencionadas neste meio de comunicação privilegiado e muitas outras que permanecem no anonimato, que tornou e torna a verdadeira essência do especialista na causa aeronáutica.
E por o “Zé Especial” ser um indivíduo que acredita em causas nobres que façam com que os outros se sintam bem, venho desta forma desafiar todos aqueles que se identificam com os objectivos deste projecto a aderirem a ele, para isso basta que leiam o texto que se segue e façam a sua inscrição através do site nacional.
É uma causa de âmbito nacional, apesar do texto haver algumas referências a Coimbra.
Logo que acabem de se inscreverem, a vossa inscrição é logo direccionada para uma coordenação do concelho a que pertencem. Deixando o vosso e-mail serão contactados logo que possível.




Uma vez mais desafio todos a ser um “Especial” por mais esta luta.
Vamos ser solidários com a NATUREZA que, por vezes e sem querer, a “agredimos” em muitas das nossas acções...
Segue em anexo alguns ficheiros que, no caso de publicitares, possas escolhar o que mais se adapte ao texto.
Um abraço e saudações aeronáuticasAníbal C Gomes

Contacto:

Coordenação da Concelhia de Coimbra
Maria Manuel Fiadeiro
limparportugalcoimbra@googlegropus.com

sábado, 6 de fevereiro de 2010

VOO 1464 AS ESPECIALIDADES NA NOSSA FAP - III



João Carlos Silva
MMA 2ª/79, BA6
Sobreda







Companheiros,
Hoje publico a 3ª e última parte da informação referente às actuais especialidades existentes na nossa FAP.Sempre dá para recordar um pouco e comparar com o que era no tempo de cada um de nós, mas, quem sabe, talvez algum(a) jovem faça escala nesta base e lhe desperte o interesse por esta causa.

Especialidades Actuais - 3
Área de APOIO

OPINF - Operador de Informática

Efectuar a instalação, configuração, manutenção e operação de equipamentos no âmbito das Tecnologias e Sistemas de Informação. Prestar apoio ao utilizador e colaborar no restabelecimento das condições de operação dos sistemas de informação, dos servidores, do software relacionado com a operação do sistema, do hardware, dos periféricos associados e da conectividade com a rede.

OPSAS - Operador de Sistemas de Assistência e Socorros Auxiliar na protecção de pessoas, meios aéreos, armamento, instalações e do meio ambiente do fogo e outros sinistros. Assegurar a prevenção e combate a incêndios, salvamento e resposta a acidentes com pessoas, aeronaves, outros veículos ou matérias perigosas, integrando equipas de resposta imediata. Efectuar a manuten&ção e garantir a prontidão do material e equipamento distribuído, incluindo o de salvamento e combate a incêndios.

ABST - Abastecimento



Executar procedimentos de aquisição, recepção, aumento à carga, armazenagem, movimentação, distribuição, embalagem, expedição e controlo de material. Identificar, avaliar o estado e classificar material aeronáutico e de outro tipo. Manter actualizados os respectivos registos de existência. Proceder à inventariação e elaborar propostas de abate de material.

CMI - Construção e Manutenção de Infra-estruturas


Construir e reparar pistas, caminhos de circulação, estradas e parqueamentos. Intervir na construção e manutenção de edifícios, paióis, hangares e outras instalações. Proceder à recolha e análise de solos e outros materiais. Garantir a manutenção preventiva de diferentes tipos de equipamentos industriais pesados como aqueles destinados à movimentação de terras e outros materiais. Efectuar diversas operações com materiais e solos.

SS - Serviço de Saúde

Prestar cuidados de saúde e colaborar na sua promoção e na prevenção da doença. Integrar operações conjuntas e/ou combinadas, procedendo ao apoio sanitário da força, integrando equipas de saúde. Executar funções de apoio e secretariado. Assistir a equipa de saúde na triagem, enfermarias, gabinetes de consultas e salas de tratamento. Apoiar tecnicamente consultas de diferentes especialidades. Executar acções e técnicas decididas pela equipa de saúde, no âmbito de diversos serviços clínicos.

PA - Polícia Aérea

Efectuar a segurança interna, a defesa imediata de instalações e áreas sensíveis, a defesa aérea baseada em terra e o policiamento dentro das unidades e demais órgãos da Força Aérea, em território nacional ou no estrangeiro, nomeadamente em apoio a destacamentos de unidades e meios aéreos. Impor ordem e segurança. Paralelamente manter capacidade para o combate, através do emprego de tácticas apropriadas, da utilização de equipamento específico e de cães militares. Actuar quer em condições normais de segurança, quer em ambientes hostis, criados por actos de terrorismo, sabotagem ou por ameaça nuclear, biológica e química.

SAS - Secretariado e Apoio dos Serviços

Desenvolver a sua actividade ao nível do apoio de pessoal. Executar tarefas nas áreas de secretariado, atendimento ao público, administração, intendência, apoio social, apoio à gestão de pessoal, justiça e disciplina, atendimento, protocolo e informação.

MUS - Músico Desenvolver a sua actividade como executante na banda, em concertos, cerimónias militares, tattoo e no âmbito das fanfarras. Executar pequenas tarefas de manutenção do equipamento musical. Copiar partes musicais para os suportes adequados e executar acções de apoio e suporte à banda.

SHS - Serviço de Hotelaria e Subsistência

Subdivide-se na subespecialidade de Cozinheiro e na de Serviço de Mesa e Bar. No Serviço de Mesa e Bar, a praça de hotelaria e subsistências prepara e executa o serviço de mesa e bar e de "self-service" nos Órgãos e Unidades da Força Aérea. No serviço de cozinha prepara, cozinha e emprata alimentos quer em campanha, quer em unidades da Força Aérea ou outras para onde for destacado.
Saudações Especiais,
João Carlos Silva, MMA, 2ª/79
Voos de Ligação:

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

VOO 1463 QUEM ME PODE INFORMAR?


António Loureiro
Fur.Policia Aérea
Figueira da Foz

Informação
Esquadrilha de Comunicação e Imagem
Quem se lembra ou sabe alguma coisa do meu querido amigo Gomes-OPC, de Braga, que em 1971 foi mobilizado para a Guiné.


Era o meu companheiro de eleição na BA3, aviador de excepcionais qualidades humanas, perdi-lhe o rasto.
Se houver alguém que saiba qualquer coisa sobre ele e de preferência o contacto, agradeço profundamente.
Quando ele estava de Serviço e às horas da exploração, lá ia eu com ele à Torre de Controlo para lhe fazer companhia e dava-me um certo gozo vê-lo ali no morse, a comunicar naqueles "bacamartes" creio que se chamavam Himerlands, o nome deve estar mal escrito mas quem os conheceu sabe bem do que estou a falar.
Decididamente, eu não tinha ouvido para aquilo, e por isso o admirava mais.
Bons tempos

Um abração

Loureiro


VB.Amigo Loureiro,é sempre uma satisfação muito grande quando reencontramos camaradas de quem deixamos de ter notícias desde os tempos da Guerra em África.
Vamos deixar aqui o teu apelo,no intuito de que o teu encontro com o Gomes seja uma realidade.

VOO 1462 UM MECÂNICO DE HELICÓPTEROS NA GUINÉ.


Jorge Narciso
Esp.MMA "Esqª.Canibais" Guiné


Caro Vitor

Na passada 2ª feira emiti um comentário ao Post que a seguir transcrevo, inserto na Tabanca Grande, que versava sobre os helis, o Hospital Militar de Bissau e a captura do Capitão (cubano) Peralta.

Aquela janela... virada para o Heliporto (*)


Pois foi daquela janela, melhor dizendo, do varandim do Hospital Militar de Bissau - primeiro quarto, primeiro andar, frente, direito, onde me encontrava em gozo de merecidas férias, ofertadas (leia-se, impostas) por um alferes médico que partiu de Lisboa, no mesmo barco (Niassa), no mesmo ano, no mesmo dia (1.05.1968) que eu, ele incluído num Batalhão que saiu de Chaves, se a memória não me faz dizer asneiras. E que me quis evacuar para a Metrópole. Só que eu mandei mais do que ele e não esperei pelos 35 dias de internamento e aos 30 exigi alta. Aluguei a seguir um meio de locomoção aéreo e fui para o meu posto, em Catió, onde cheguei a 4 de Dezembro de 1969, dia da Artilharia. Que é também o de Santa Bárbara, que nos proteja, amén.
Pelo caminho apanhei uns frescos pois o pessoal estava nas últimas. Aquela CCS não aprendeu nada comigo, mas enfim. O dinheiro podia mais que os interesses estomacais do pessoal menor. Mas para o caso não interessa nada. São estórias para outras conversas. Pois, é isso, lá do Hospital, primeiramente era necessário esconder dos meus "velhotes" o novo local de férias. O amigo e camarada Quintino (o do Bando) deu-me o seu SPM para onde a correspondência deveria ser enviada, bem como os vales postais com os escudos (a vida em Bissau era cara... e os desenfianços do Hospital também) que nos chegavam às mãos transformados em pesos, logo deduzidos do imposto de transferencia de capitais.
Por isso, de vez enquando eram precisas fotos para comprovar o bem estar cá do rapaz. Esta, lá acima é um dos exemplos. Só que os olhos dos meus velhos com mais ou menos miopia, logo descobriram na minha tromba, que até era linda, uns sinais esquisitos. Eram uns restos de uma maleita que apanhei nos dormitórios adoque do Quartel General, que puseram esta carinha laroca em carne viva. Mesmo assim cheguei a ser abordado por uma patrulha da PM, toda arrogante - quase afirmo que era o secretário geral do actual PCP quem a comandava - porque não trazia a barba feita. Troca de palavras, etc e tal, mais posição de sentido que para estas ocasiões as douradas e a velhice ainda tinham força e significado em Bissau.
No meio disto tudo perdi-me, porque era para contar a estória da foto abaixo e já fui para outros caminhos.


Legenda:Heliporto do Hospital Militar de Bissau.
Foto:Jorge Teixeira


Então é assim, como agora se diz. Estava lá eu na tal janela virada... no primeiro quarto, do primeiro andar, frente, direito, do HMB e ouvi chegar um Heli. Logo os habitantes vinham ver do que se tratava, pois além de ser um passatempo a contabilização dos que chegavam por este meio transportados, queríamos sempre saber de quem se tratava. Porque até poderia ser um dos nossos mais íntimos. Neste dia quem chegou foi um barbudo (fiz uma foto, que veio para os amigos da metrópole, mas como tantas outras, desapareceu...). Pensamos, pelo seu aspecto, olha um Fuza. Fodeu-se. Mas não era, soube à noite quando fiz a ronda do costume para passar o tempo, estranhando ver Comandos de sentinela à porta, que era um cubano, de nome Peralta. Não me dizia nada. Depois disse. Por isso a tal foto para a rapaziada da metrópole... Mais tarde, anos depois, soube da sua libertação.
Mas a conclusão é: Será que o Jorge Félix se recorda ou até terá dado a sua colaboração a esta operação?
Por casualidade o Cancela também estava hospedado, na mesma altura, no mesmo Hotel Militar de Bissau. Mas no terceiro apartamento. Só o soubemos há dias quando entreguei esta foto - entre outras - para o Carmelita digitalizar e ele viu. Estórias de vida...
Cancela, eu era aquele que andava com uns chinelos de cada cor. Parece que se chamam agora havanesas. Um deles preso com um agrafe, daqueles dos papeis. Com umas calças de pijama com um grande rasgão no sítio dos ditos cujos e que saltavam para o ar livre a cada passada sim passada não. O casaco não tinha botões. Eu não tinha 100 pesos para mandar comprar aos libaneses aqueles pijamas dos chineses. Andava sempre com um livro, pois a minha vida diurna era na Biblioteca do Hotel, cuja responsável era uma bibliotecária lindaaaaaaaaaaa. Grandes conversas...
Mas porque será que uma foto vem buscar tantas lembranças?

Portojo
25 de Janeiro de 2010
(*) Publicado na Tabanca Grande em 01.02.2010




De Jorge para Jorge

Caro:

Ao passar hoje pelo blogue, de imediato me chamou a atenção a foto do heli aterrado no HMB [, HM 241, Bissau], contida no teu Post.
E como a ti, também ela me suscitou um tal corropio de lembranças, que, acredita-me, quase me atordoam.
Tentando alinhar ideias:
Como mecânico dos helis, foi exactamente no Hospital Militar que (excepção feita, naturalmente, à BA12) mais vezes aterrei na Guiné. E também a mim as recordações que suscita, serão tudo menos agradáveis. Seja a da lembrança das condições (fisicas e ou psicológicas) infra-humanasde homens que para ali transportei, seja a indescritível visão da sala de horrores, chamada triagem, onde eles eram colocados; de cada vez que ali tinha que ir recuperar macas. São imagens que jamais se esquecem.
Mas outra lembrança conseguiste, com o teu Post, desenterrar do fundo do meu subconsciente, a da evacuação do Capitão Peralta, a qual passo a transmitir, a quente, tal como a memória me debita.
Antes porém e à falta de outros registos, resolvi ir ao Google e digitar: Capitão Peralta.

Resultados:

- Ferido e capturado em 18 Nov 69 durante a operação JOVE, realizada pelo Páras entre os dias 16 e 19, no corredor de Guileje.

- A base dessa operação, a partir de onde os Paras foram heli-transportados, foi Aldeia Formosa.

Vamos agora à minha memória, que espero não me esteja a atraiçoar, sequer a iludir, e na qual (apesar da evidente redução de neurónios) quero ainda confiar.

Coloco os resultados dessa pesquisa em dois planos:

- O das quase certeza (ou com menor grau de falibilidade) e o das incertezas associadas, que evidencio entre parêntesis.

Assim:

(1) Só não estava no voo em que viste o Capitão Peralta aterrar no HM, pelas condições extra-ordimárias e que decorreu essa evacuação, cujos contornos passo a descrever.

(2) Em operações como esta, em que, independemente da Tropa participante, a base se situava num aquatalamentos longe de Bissau, para aí se deslocavam normalmente: 5 helis + 1 heli-canhão, transportando uma equipa de manutenção e uma Enfermeira.
Dali partiam, então, fazendo as viagens necessárias para, transportando 5 ou 6 militares por heli, os colocar, protegidos pelo canhão, na ZOPS.
Se a operação se resumia a um dia, permaneciam os helis nessa base em alerta, para: evacuações, eventuais transportes das Tropas para outras posições na mesma ZOPS e finalmente para a sua recuperação no final da Operação.
Nos casos em que a Operação fosse por mais de um dia, ficaria em todos os dias em que esse decorresse e na base da mesma, no minimo um heli de alerta (com Piloto, Mecânico e Enfermeira) para eventuais evacuações e o heli-canhão para protecção destas e para intervenções de tiro, se solicitadas.

(3) Nesta Operação em particular, é seguro que estive presente, desde logo porque recordo perfeitamente o objectivo apontado para a mesma (nos helis e durante os voos, mesmo que não quisessemos, ouvíamos muita informação dita classificada): captura do NINO.

(4) No dia 18 (Precisei a data na citada consulta na Net), portanto no 3º dia da Operaçãp, voei (seguramemte de Aldeia Formosa) para essa ZOPS onde aterrei, no helicóptero que fez a evacuação do Capitão Peralta, não continuando no voo para o HM de Bissau,

PORQUÊ?

(4) Os Alouette III têm capacidade para transportar 6 passageiros, para além do piloto (este e mais dois à frente) e até 4 no banco traseiro.
Em evacuações com feridos em maca, essa capacidade ficava reduzida, pois para além dos 3 lugares à frente, normalmente ocupados pela tripulação (Piloto, Mecânico e Enfermeira, na maioria dos casos), apenas é possivel alojar 1 ou 2 macas na rectaguarda, que, por transportadas transversalemente, impedem (ou dificultam, algumas vezes me tocou vir meio sentado meio em pé, nas abas da maca) utilizar os lugares traseiros.
No caso desta evacuação (Cap Peralta), tendo sido determinado, no terreno, que o capturado devia ser acompanhado no voo por escolta armada, foi necessário ocupar, por quem a fez, um dos lugares destinados à tripulação.
Para resolver o problema e - repito - se a memória não me atraiçoa, registou-se um caso que me lembre único:
O helicanhão, que fazia a protecção à evacuação, ATERROU NA ZOPS, nele embarcado o mecânico (eu prÓprio) e voado (junto ao apontador) para Aldeia Formosa, donde posteriormente regressei a Bissau (outra nebulosa é que não me recordo como - noutro heli ? de DO ? ), pois no canhão não foi concerteza.
Como remate a estes factos, este voo no canhão foi para mim perturbante, pois que uns meses antes (Julho/meu 3º mès de Guiné) estive também para voar (nesse caso por experiência passiva que, para sorte minha, não concretizei) no retorno duma outra Operação em Galomaro, voo esse com um fim trágico, traduzido no despenhmento do heli (a que assisti) ocorrido em Bafatá, com a morte do meu comandante: Maj Rodrigues (Piloto) e dum camarada de todos os dias, o Machadinho - como lhe chamávamos - , Mecânico Armamento/Apontador.
Um dia destes tentarei fazer o relato que me for possivel desta outra dramática ocorrência.
Voltando ao Post e à tua solicitação ao Jorge Félix (tantos Jorges), quase seguramente ele ainda estava nessa data na Guiné.
Como atrás referi, não me lembro se terá sido inclusivE participante nos factos, em qualquer caso terá certamente presente memórias relacionadas e, quem sabe, como tem a sorte (que a FAP me coartou) de ter os seus registos de voo, pode buscar nos mesmos confirmações
Amanhã envio-lhe uma mensagem a chamar a atenção para o Post.
E como este já vai longo, por aqui me fico.
Recebe um abraço

Jorge Narciso


VB.Pois bem Jorge,como estas, terás muitas mais para nos contar.Na realidade a malta da linha dos Hélis tinha uma actividade que não era invejável,mas MISSÂO CUMPRIDA!