sábado, 27 de fevereiro de 2010

VOO 1512 É PARA PONDERAR E...CONTRIBUIR.

Eduardo Gama
Esp.Marme
Lousâ

Podes passar palavra? Filmes para o IPO...

O Instituto Português de Oncologia (IPO) está a angariar filmes VHS ou DVD's para os doentes da unidade de transplantes que estão em isolamento.

São crianças e adultos que precisam de um transplante de medula e de estar ocupados durante o tempo de internamento, explicou ao Portugal Diário a Enfermeira responsável pela unidade, Elsa Oliveira.

A falta de "stocks" torna necessária a ajuda da população.

Precisamos de filmes para as pessoas mais desfavorecidas que não têm possibilidade de os trazer. Algumas crianças trazem os seus próprios filmes e brinquedos mas depois quando têm alta levam-nos, acrescenta.

O IPO aceita todos os géneros de filmes, mas a preferência vai para a comédia.

Numa altura menos feliz das suas vidas, um sorriso vai fazer bem a quem passa dias inteiros numa cama de hospital.

Rir é sempre um bom remédio :)

As cassetes de vídeo ou DVD's podem ser enviadas para:

Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil

Unidade de Transplante de Medula

A/C Sr.ª Enf. Elsa Oliveira

Rua Professor Lima Basto 1070 Lisboa Ou então, informe-se pelo telefone: 217 229 800 (geral IPO) 21 726 67 85

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

VOO 1511 PARA COMANDO OPERACIONAL BA12






Mário Rodrigues
Melec/AV/Inst, 1ª/67, BA12
Estoril


Comandante Barata posso aterrar?

PARA O VICTOR OLIVEIRA UMA HISTORINHA

Victor, tens razão em relação ao 1º, pois era efectivamente Fernando Almeida, oriundo da Marinha e tive com ele imensas “pegas” e exactamente, pela limpeza de velas. Como havia só um “limpador”, ele propôs que se fizesse uma escala semanal entre todos. Concordámos e fui o 1º. Ao fim de uma semana, o Fernando Almeida disse-me que ficaria mais uma semana, porque as velas limpas e testadas por mim, ficavam excelentes. Aguentei (o baile) mais uma semana, apenas com o intuito de “gamar” os pólos de algumas velas que eram em platina, mas houve um esperto, que nunca soube quem era, gamou-me a caixinha onde os tinha guardado. No final da 2ª semana, perguntei-lhe: - Então chefe? -Para mim acabaram as velas e enquanto não desse a volta a todos, só entraria na 2ª volta, porque tinha uma semana de avanço. Ele furioso, respondeu: Quem mandava era ele, e eu ficaria até que ele muito bem entendesse.
Olha, deitei mais “chispas”, do que as velas e disse-lhe: - Sou electricista e não limpador. E para mim, não havia mais velas enquanto não passasse, pelos cabos todos e que fizesse o favor de participar de mim a quem quisesse, pois talvez conseguisse um castigo para mim, como por exemplo: ir para o ultramar fazer uma comissão de castigo. Ficámos grandes “amigos” como é de calcular mas ganhei a guerra com o apoio dos restantes sargentos que compuseram o ramalhete, porque toda a gente estava convencida que era “afilhado” do Comandante Diogo Neto, além disso, havia uma grande empatia comigo e Capitão Nunes, que já o conhecia a esposa e as lindas filhas dos Açores.
Quando o Fernando de Almeida foi substituído por um 1º que não me recordo o nome, vindo da BA6 e também oriundo da Marinha, quando se apresentou na Secção, a primeira coisa que fez foi perguntar, quem é o Mário?
Há uns voos atrás, falavas no Sarg. Ajudante Manuel Matacão. Eu cheguei a estar com ele na Portela, ainda tivemos algumas pegas, mas coitado não tinha cabedal para mim, vinha sempre com aquela que já cansava – ponha-se a pau, que ainda lhe arranjo uma comissão para a Guiné de castigo. Contei imensas vezes, uma história sobre ele em Nova Lamego e contada por ti. Como tens a memória fresca, pelos pormenores que te lembras das situações passadas e inclusivamente as localidades, coisas que se apagaram da minha “mother board” lembrando-me delas, quando as vejo nos mapas antigos, e foi assim:
Ele foi destacado ou em missão para Nova Lamego e vocês que lá já estavam, há mais tempo, Disseram-lhe; quem chegava de novo, tinha de ir picar a pista. Tendo ele respondido que era Ajudante e não tinha que fazer nada disso, mas sim o exército, que era quem tinha a responsabilidade da segurança à pista. Após bastante insistência vossa, ele lá se convenceu, e a medo, lá foi. Vocês que antecipadamente se tinham escondido no capim junto à pista, começaram a gritar com pronúncia dos naturais, “agaaarra branco, agaaarra branco”. O Manuel Matacão, larga o detector e pôs-se em fuga imediata, como se fosse a competir numa prova de 100m. Foi tal o cagaço, que o homem ia morrendo de susto. Se não é bem assim, só terás que a compor.

O Abel Montez, mora em Cascais, mas já não o vejo, desde que a Varig faliu e o único contacto que tenho dele, é o TM da empresa. Ele acompanha bastante o Lourenço também de 66 e tinha jogado hóquei no Sporting, era MARME. Se não estou em erro, também havia um Sarg. Vanzeller e o Catarro na nossa secção.

Legenda: Passeios feitos pela manhã na placa BA12
Foto: Mário Rodrigues (direitos reservados)



Legenda: Só para a fotografia

Foto: Mário Rodrigues (direitos reservados)
Espero a partir de agora, começar a participar mais. Os atrasos, devem-se a quando quero postar alguma coisa, não sei o que se passa fico ansioso e com princípios de arritmia. Mas já está a passar.
Peço-te ainda comandante, para que me ajudes na composição gráfica, porque a prática é pouca e teoria pior.
Um bem haja para todos os especiais e até breve.

Voos de Ligação:
VOO 1476 ESTA É PARA VOCÊS, MÁRIO E SIX,RECORDAREM.
JC: Amigo Mário, se tiver de fazer um comentário seria para a foto do passeio matinal na placa da BA12... diria Fantástico! Aquilo era o quê, uma mini Honda ?

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

VOO 1510 OS SUPER CONSTELLATION TAMBEM PASSARAM PELO A.B.3-NEGAGE, E NÃO SÓ.........


Victor Sotero Cavaleiro
Esp.EABT
Damaia
Meu Comandante:
As minhas saudações aeronáuticas a toda a magnifica Linha da Frente´
Permita-me meu Comandante que interrompa as minhas memórias e me junte também, ao que sei, sobre os Super Constellation.....é que ele ou eles, também passaram pelo A.B.3-Negage.
Num certo dia do ano de 1969, a Unidade entrou de prevenção.
Por ordem do Comandante, Ten. Cor. Pilav. Oliveira Belo, ninguém poderia, após a sessão de trabalho da parte da tarde, deslocar-se para os lados da placa destinada a aviões.
Apenas se sabia que durante a noite chegaria um avião com diverso material. O "ZÉ Especial" de Abastecimento Barbosa, exímio manobrador do monta-cargas e mais alguns P.A.s estavam autorizados para esperar o "tal avião", que seria de noite.
A altas horas, começou a ouvir-se muito longe, os motores de um avião. Saímos para a rua e lá ficámos a observar o "tal avião". Voava bastante alto em redor do A.B.3.
Para o lado da linha da frente, ninguém passava.
Porquê tanto secretismo?
Passou muito tempo até que o "tal avião" aterrou.
Era, nem mais nem menos que uma aeronave C-130. (Americano?)Após ter sido descarregado em pouco tempo, ainda noite, motores em marcha e aí vai ele de novo.
O carregamento que deixou, eram muitas caixas de madeira pintadas de verde escuro com uma cruz vermelha e creio que por fora tinha escrito "medicamentos" (não tenho a certeza).
Todos os cunhetes de madeira foram então guardados num hangar que servia de inspecção aos T-6, DO-27 e Austers.
Aquando da arrumação em pilhas dos cunhetes, alguns tombaram ao chão e rebentaram.
-Quais medicamentos! Era armamento (espingardas). que depois começaram a ser levados pelos então Super Constellation.
Pelo menos, por umas três vezes, um ou dois Super Constellation carregaram cunhetes.
Ainda cheguei a ver um S.C. que depois de carregado avariou e lá ficou esperando algum tempo até chegar material, que depois foi reparado pelos nossos "ZÉS" da linha da frente.
A páginas tantas, até pensávamos que já não sairia do A.B.3, tal era a quantidade de óleo que derramava dos motores e do mau aspecto que o avião tinha.
Dizia-se que a tripulação era Sul Africana, pois só falavam Inglês. No entanto também se dizia que na mesma havia um português (não sei se era verdade)
Mais tarde é que se começou a saber que Portugal ajudava "clandestinamente" a guerra do BIAFRA.... e o "ZÉ especial" de ABST Barbosa sabia de tudo.
Meu Comandante:
As minhas mais cordiais saudações aeronáuticas para toda a linha da frente e não só.
Voos de Ligação:
VOO 1504 A MINHA RESPOSTA AO SIX.

VOO 1509 O DANTAS.


José Ribeiro
Esp.OPC
Lisboa

Bom Dia, amigo Victor.
De vez enquando encontro-me com o Dantas - poeta. Ele aposentou-se na mesma altura do que eu - eu como técnico superior principal e ele como professor de história. Como eu gosto de beber vinho e não outra coisa, ele ainda há pouco tempo me deixou uma garrafa paga num restaurante, próximo da casa onde vive, em Lisboa, e que é junto da avenida onde eu trabalhava.
Já, se não estou em erro, há dois meses que não me encontro com ele, devido a ter deixado de frequentar a área de residência dele.
Aquando da nossa aposentação, tínhamos combinado ir tirar um curso de formadores, coisa essa que não se concretizou por razões diversas e alheias à nossa vontade.
Encontrei-o no Colombo de Lisboa, estava com a filha a que o Sotero se refere. Ele convidou-me para ir à apresentação de um livro e depois, a noite como sagrada, meditadora e convidativa para os poetas, como é o caso dele. Não pude ir porque tinha outras coisas já combinadas e não podia desmarcá-las.
Tenho-o combinado para ir aos encontros, mas ele está sempre ocupado, quer com problemas familiares dele e quer com os compromissos de ser poeta.
De qualquer forma ele disse-me que um dia iria, mas estaria tudo dependente da agenda tão complicada que ele tem.
Quem ler o que está escrito no BLOGUE, entende-se que ele já se foi, mas não.
Cumprimentos especiais.
JLRibeiro

Voos de Ligação:
Voo 1506 "Zé Especial e Poeta",Luis Sousa Dantas(Comissão na BA12 de 67/69) 1ªparte - Sotero Cacaleiro.

VOO 1508 QUEM SABE DELES?


Santos Oliveira

Sargº.Mil. Ranger
Porto

Mail enviado pelo Oliveira,dando continuidade a uma solicitação de um companheiro,António Faia,que este na BA 12,que procura os seus companheiros de pelotão.



Caro Camarada

Visita o Site http://especialistasdaba12.blogspot.com/

Solicita que façam circular este teu desejo no site dos Especialistas da BA12 (mail especialistasdaba12@gmail.com)

onde voam muitos (alguns, pelo menos) Camaradas do Negage e que te podem dar outras informações acerca da tua Unidade.

Eu, apenas te (lhes) dou conhecimento, (como se vê acima) mas entendo devas entrar em Contacto com os “Comandantes da Base”ou com a “Torre de Comando”.

Abraço, do

Santos Oliveira

António Rafael Rodrigues Faia

Procura pelos seus camaradas de armas do Pelotão de Artilharia Anti-Aérea 2257, que estiveram em Negage (Base Aérea), em Angola, período de 1970 a 1972

Contacto: E-mail: antonio.faia@hotmail.com

Informação:

No site http://guerracolonial.home.sapo.pt/encontroangola.htm está um contacto de um veterano do Pelotão de Artilharia Anti-Aérea 2257:

Lourenço: 917 125 539

VOO 1507 O FARDAMENTO.





Costa Ramos
Esp.MMA
Coimbra

Bons dias meu comandante
Obrigado por teres postado esta lembrança da partida do Moçito....
E já agora sabes porque é que eu estava de farda azul?Completa...

Legenda: Almoço de confraternização.
Foto: Costa Ramos(direitos reservados)

Foi o Moçito que soube através do Trindade, outro camarada nosso Furr/Pilav ,que o Severino estava com cancro, mas na TAP só disseram à esposa,e como ela viu o marido triste,acabrunhado, desabafou com o Trindade,que logo falou com o Moçito e este arranjou um almoço na fabrica do Mário (Fimartel) e eu recebi-o devidamente fardado. O Severino chorou de felicidade e foi para casa 10 anos mais novo.
Uma pequena história,que pode parecer não ter nada de importante,mas para o "Seca" mexeu-lhe com o coração e partiu feliz ,e fez com que os que ficaram cá para darem mais umas assistências, também se sentissem melhor.
Desculpa o desabafo.
Costa Ramos
MMA/63
Guiné

VB.Olá Costa.Todas esta recordações e confraternizações,são o colorario da amizade que adquirimos à alguns anos atrás e que fez com sejamos uma grande FAMÍLIA unida.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

VOO 1506 "ZÉ ESPECIAL E POETA "Luis de Sousa DANTAS ( comissão na B.A.12 de final de 1967 a final de 1969) 1ª parte



Victor Sotero Cavaleiro

Esp.EABT
Damaia


Meu Comandante:
As minhas mais cordiais saudações Aeronáuticas a todos os "ZÉS ESPECIAS" que se encontram colocados nesta Base.
Cá estou para mais uma aterragem. As "ABERTAS" neste momento dão para uma aterragem sem problemas.
Veio-me à lembrança um grande amigo que pela Guiné passou na sua comissão entre finais de 1967 e 1969. O DANTAS, éra na Ota o 1113/66 e não fazendo a recruta na minha secção, éra da minha turma de Abastecimento.
Filho duma terra de poetas óptimos, corria-lhe nas veias e na alma a aura do seu pátrio Lima, cujas margens de luxuriosa beleza enamoraram até ao esquecimento as legiões de Roma.
... Sagrado chão limiano, que foi berço e tumba de altos espíritos da Portugalidade, e onde se criam poetas e mártires, dimanados de rosas!
Aqui foi, e assim foi que se formou a sensibilidade poética de Luís de Sousa DANTAS.
O poeta tange a lira do amor, que é lume aquecendo o coração do homem!

A nossa camaradagem éra sã. A nossa amizade éra grande.
Éra um dos que durante a recruta nunca foi a Ponte de Lima passar o fim de semana.
Como aluno, numa revista para inicio das aulas da parte da tarde, o Maj. Tomás passou por detrás dele e disse-lhe: "cortar o cabelo" o DANTAS,
respondeu: "muito bem meu Major" "Muito bem uma merda, cinco dias de detenção".
...e foram mesmo.
A vida dele éra um bocado monotoma. Que fazer?
Se o pensámos, melhor o fizemos. Metemos na "Crónica feminina" um anúncio para troca de correspondência.
Passado pouco tempo começámos a receber "braçados de cartas". O Sargento de dia durante um certo tempo vinha sempre "carregado".
As cartas com letras bonitas e não muito longe da zona, ficávamos com elas. As outras, depois de "analizadas" eram entregues a outros camaradas.
Meu Comandante:
Vou ficar por aqui para, com a devida vénia transcrever um poema do livro do DANTAS que tem por titulo "PEDRAS VERDES"

adeus! adeus!

não éra voz de gente era de mar

era de vento.

eram as mãos de uma mulher no ar

um chamamento.

dedos em veludo fusos em cristal

gestos de um afago.

eu partia nos mares de Portugal

em sombra no vago.

mãos vazias olhos cheios de imagens

o peito numa harpa.

o peito numa harpa
é o choro das viagens.

a lágrima esfarpa.

esfarpa o rosto corta como gume

de punhal ou lança.

a saudade queima
a distância é lume.

uma sombra avança...

adeus! adeus!

não éra voz de gente era de mar
era de vento.

L.de S. Dantas
(do livro Pedras verdes 1969)


Nota.: Luís de Sousa DANTAS ou Luís Alberto de Sousa Pereira DANTAS, no regresso da B.A.12, foi Funcionário Público.
Licenciou-se em História e deu aulas no ensino secundário tendo-se reformado hà 7 anos atrás. Casou tarde e tem uma filha estudante de 16 anos.
Em 1970, publicou o primeiro livro de poemas a que lhe chamou PEDRAS VERDES.
Em 1974 publicou outro a que deu o titulo de BOLERO. Calora em alguma imprensa e neste momento encontra-se a fazer estudo sobre a primeira Republica. Divide-se entre Ponte de Lima e os arquivos históricos da Marinha e do Exército.

Sotero

VOO 1505 A SAGA CON.(IV)

Olvidio Sá
Esp.EABT
Chaves


Um voo de toque e anda

Como toda a gente, gostava de ser bem rico economicamente.

Então várias vezes ia, para um regato que corria placidamente ao fundo da Agro-Pecuária do A.B. 3, na mira do ouro ou diamantes, uma vez que estávamos bem próximos destas raras preciosidades, armado em qual “garimpeiro”. De notar que ia sempre só ou raras vezes acompanhado, julgando-me por vezes um segundo Luís de Camões. Fico muito admirado, quando por acaso, vejo uns macacos bem perto de mim, na brincadeira. Com toda a destreza possível vou ao A.B. 3 e trago do clube umas bolachas que atiro para o grupo de cinco, transformando-se este em mais de quinze pois como andavam desconfiados e sempre a mexer, dificultavam a sua contagem. Nos dias em que a minha visita, posteriormente se realizou e que foram tantas, nunca mais as bolachas deixaram de estar presentes E em cada dia os pequenos símios mais se aproximavam de mim, vindo “ roubar-me “ a bolacha da mão mas nunca se deixando apanhar. Tudo isto me fez esquecer os diamantes e o ouro pensando então que a maior riqueza era ter como amigos todos os primatas.

Até mais ver Com Aquele Abraço

Do “Zé” Especial Olvídio Sá

Angola –N´gage­­- CHAVES

VOO 1504 A MINHA RESPOSTA AO SIX.


José Ribeiro
Esp.OPC
Lisboa


É um facto, ex-camarada de armas, Six, lembro-me bem da "cena" do aeroporto quando ele lá chegou; "o murro" ao "artista." Foi muito falado na Base e eu já lá estava quando isso aconteceu.
Quanto ao avião que explodiu, está tudo esclarecido.
No que se refere à farda, quando fui mobilizado tinha a amarela e somente passados, se não estou em erro, mais ou menos seis meses, recebi a azul, que as "bajudas" lavavam e lhe deram outra cor "cinzenta".
Assim, como o Six, também estive lá 21 meses, somente porque o meu irmão, operador de radar, meteu baixa quando foi nomeado, protelando a ida para a BA12.
Estranho que pareça, foi alojado num quarto de duas camas "não me lembro bem", se duas ou quatro, que pertencia ao operador de radar, Telmo Florência, da Galiza, São João do Estoril, Cascais, que foi desmobilizado.Anteriormente dormia numa camarata no enfiamento do bar e das cantinas antigas "não sei se depois mudaram de sítio".
De vez enquando éra-mos surpreendidos com ataques à Base simulados (os paraquedistas e PA, distribuíam granadas ofensivas por todos os sítios, de madrugada). O resultado em termos físicos não era o melhor, já que a valetas onde nós nos tínhamos de meter, estavam cheios de garrafas de cerveja, sendo que por tal facto alguns camaradas tiveram que receber tratamento na enfermaria.


De vez enquando ía com o filho do General, Diogo Neto, para o Pilão e aldeia de Bissalanca, beber umas "bujecas e acompanhadas com grogue", a ainda hoje me questiono o porquê de não dar bebedeira (já me encontei com ele).
Das minhas guerras, depois de desmobilizado da BA12 - Guiné, fui colocado no GDACI, hoje COFA, onde dormia e almoçava quando estava de serviço no Estado Maior da Força Aérea, na Avenida da Liberdade -LX, foi a de trajar à civil, o que acontecia na Guiné, e enquanto fardado fui surpreendido no elevador do EMFA, pelo Chefe de Estado Maior à civil, grande espectáculo. Começou por perguntar-me se eu era militar, a que eu respondi "...enquanto tiver isto no lombo, sou militar...", não sabia quem era o "bicho", a seguir pediu-me a identificação e só aí vi que estava metido em sarilhos, por tal facto, contei-lhe a estória das "bajudas" que lavavam a farda na Guiné e por tal facto já tinha perdido a cor azul para cinzenta. Com tudo isto safei-me da "porrada" e nós cabos de comunicações começamos a andar à civil, fora do período de serviço (trabalhava-mos por turnos).
No GDACI, como mais militaristas na altura, tinha-mos de andar fardados, outra luta tinha que ser encetada, aí estou eu mais uns ex-camaradas, (eu, José Ribeiro, Fernando Fernandes (Guimas), Sanches, falecido no Brasil, e Muacho, ex-bancário, que mora na terra do café (Alentejo), segundo me disse um "NANAMUE". Ganhamos a luta e enquanto éramos obrigados a esconder a farda no mato em Monsanto, fizemos a vida negra a dois artistas "um capitão e um sargento).
Tudo fizemos para ganhar a guerra e uma certa vez, com capote vestido, sapatos engraixados, camisa também bem passada a ferro, fomos pedir emprego a várias instituições, incluindo a ex-PIDE, sindicato da pesca de bacalhau e outros sítios que não me lembro agora. Foi um gozo de se ver e recordar, devido às respostas que nos eram dadas. Depois da operação, fomos para os "copos", mas já sem farda.
Uma coisa era certa, o pessoal de Monsanto não nos gramava, por nós podermos ir para o EMFA à civil, coisa essa que não era permitida no GDACI.
Ainda hoje me questiono, porque o que se diz rei de Portugal, em Monsanto, frequentava o Bar de Especialistas, mas não só, porque era acompanhado por um velhinha, diziam que ela era brasileira. Nunca cheguei a saber a verdade.
Porque o texto é longo, não sei se o amigo Victor, vai publicitar. São algumas passagens que me vêm à memória.
Cumprimentos especiais para todos.
JLRibeiro

Voos de Ligação:
Voo 1498 Divagações - António Six

VOO 1503 O MOÇITO PARTIU!





Costa Ramos

Esp.MMA
Coimbra

Bons dias meu comandante
È com pesar que comunico,que o 1ºCAB José Alberto Pinhão Moçito/AB2-BA12/64-66 Mecânico de Armamento, e Engº Técnico Agrário,na peluda,(Almeirim)descolou desta base terrena para exploração do espaço infinito.

Legenda:No almoço ao Severiano,ex-Fur.Pil,o Moçito é o que está assinalado na coluna do lado esquerdo com uma tira preta.

Legenda:Num encontro da AEFA em Monte Real, eu,Costa Ramos e o meu amigo Moçito:
Foto:Costa Ramos(direitos reservados)

Faleceu com uma leucemia linfoblastica após 2 anos de luta,dura e feroz.
O Funeral foi ontem mas só hoje tomei conhecimento.
Que na sua viagem, ele não tenha problemas,esperando um dia poder conversar com ele novamente.

.

Costa Ramos
MMA/63

VB: Demos também saída à Nª.Sª do Ar para levar este nosso camarada à base que Deus lhe reservou.
Descansa em paz Moçito.


terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

VOO 1502 OS 25 ANOS DO NÚCLEO DE SETÚBAL DA AEFA



João Carlos Silva
Comando do Especialistas da BA12
MMA 2ª/79, BA6
Sobreda





Companheiros,
O Núcleo de Setúbal da Associação de Especialistas da Força Aérea celebra esta ano de 2010 o seu 25º aniversário.
Aqui publicamos a carta onde são convocados todos os Zés Especiais deste Núcleo para um encontro na BA6, no próximo dia 27 de Fevereiro às 10H30, onde será divulgado o programa do Aniversário.


Eu pertenço ao Núcleo de Setúbal e lá estarei presente. Por esta via, vimos também dar conhecimento deste encontro e apelar à participação de todos os Especiais desta região de forma a conhecermos e podermos apoiar estes nossos dirigentes na realização do programa do 25º Aniversário.
Saudações Especiais,
João Carlos Silva
P.S. Venha de lá esse cheirinho a JP4.

VOO 1501 O AVIÃO DO BIAFRA.



Américo Dimas
Esp.Marme (Lobo Mau)

Angola



Caro Victor

Em geito de complemento à mensagem (voo 1498) do nosso amigo António Six e para todos aqueles que gostam de aprofundar o seu conhecimento sobre a guerra civil na Nigéria pela proclamação de secessão e independência da província do Biafra pelo coronel Ojukwu, que aconteceu há mais de 40 anos, (06.07.67 a 13.01.70),

Legenda:Explosão na placa da Base Aérea 12,Bissalanca,do Super Constellation que transportava a aeronave Fouga Magister.
Foto:José Ribeiro(direitos reservados)
concretamente em relação à explosão do Lockheed L-1049 Super Constellation, que fazia parte da frota de aeronaves da “ajuda humanitária” principalmente ao povo Ibo do Biafra e não só..., li um livro com o título: “Shadows-Airlift and Airwar in Biafra and Nigéria” do autor Michael I. Draper, com muita informação textual e fotográfica sobre este conflito.

Na véspera da explosão, partiram de Lisboa 2 Super Constellation, carregados com material diverso, particularmente um avião Fouga Magister(1) que se destinava à Força Aérea do Biafra, adquirido em “estado usado” num país da Europa.

Legenda: A aeronave Fouga Magister.
Foto:Américo Dimas
Como o volume da dita aeronave, mesmo desmontada, era demasiado grande para um só Super Constellation (S. C.), seguiram num avião, a fuselagem do Fouga Magister (F. M.) e no outro, as duas asas.

Aconteceu que o S. C. que transportava o corpo do F. M. rumou a S. Tomé e lá ficou esperando pelo outro S. C. que aterrou entretanto em Bissalanca.

Pela hora do almoço, a tripulação abandonou o S. C. para ir almoçar e foi nesse período de tempo que se deu a explosão, que segundo consta, preparada préviamente por um dos tripulantes.

Claro está que o tal Fouga Magister nunca mais voou..., por lhe faltarem as asas...

Legenda: A Aeronave Gloter Meteor estacionada na placa da Base Aérea nº12,Bissalanca.
Foto:Américo Dimas (direitos reservados)

Interessante é também a estória do nosso conhecido Gloster Meteor NF.14 “Entreprise Films”(2)

que permanecia estacionado (abandonado) entre a placa militar e a civil, mas essa ficará para a próxima vez.

Cumprimentos “acalorados” para todos, de terras de Angola.

Américo

Voos de Ligação:

Voo 1498 Divagações - António Six

(1)Informações Técnicas:

Fabricante: Sociétè Nationale Industrielle Aérospatíale - França
Emprego: Esquadrilha da Fumaça
Características: Monoplano, asa baixa, birreator, biplace em tandem, empenagem em "V"
Motor: 2 Turbojato Turboméca Marboré VI de 1.058 lb de empuxo
Envergadura: 12,15 m
Comprimento: 10,06 m
Altura: 2,80 m
Superfície alar: 17,30 m²
Peso vazio: 2,310 Kg
Peso máximo: 3.260 Kg
Velocidade máxima: 700 Km/h
Razão de subida: 1.200 m/min
Teto: 12.000 m
Alcance: 1.400 Km

(2)Informações Técnicas:

Aeronave de caça, fabricada na Inglaterra pela “Gloster Aircraft Co. Ltd.”,

Motor: 2 turbinas Rolls Royce Derwent 8 turbo jato
com 1.586 km de empuxo cada um a 14.700 rpm
Peso total: com ataque ventral a pleno 7.368 kg
Comprimento: 13,59 m
Envergadura: 11,32 m
Performance:
Velocidade Máxima ao nível do mar 952,5 km/h mach. 78
Velocidade Máxima a 12.192 m 852,8 km/h mach. 81
Teto: 13.441m
Alcance: 1.690 km com tanques internos; tanque
ventral a pleno 1.909 l e 795l respectivamente
Armamento: 4 canhões de 20 mm com 780 cartuchos;
8 a 16 foguetes HVAR de 127 mm ou 2 bombas de 454 kg