sábado, 13 de março de 2010

VOO 1543 BISSALANCA E A GUERRA DO BIAFRA.


Américo Dimas
Esp.MARME
Angola

Bissalanca e a guerra do Biafra

Embora não com tanta intensidade como o foi a utilização do Aeroporto da ilha de S. Tomé, Bissalanca esteve envolvida de uma forma secundária, pelo menos por duas vezes, no conflito entre o pretenso governo independente do Biafra e o governo da Nigéria, durante os anos 1967 e 1970.

Para além das aeronaves que estiveram no T.O. da referida guerra civil: Nigéria/Biafra, outras houveram, como é o caso dos dois Gloster Meteor NF.14, que aliás não chegaram ao seu objectivo, pelos motivos que a seguir se conta.

Com os registos: G-ASLW e G-AXNE, os dois Meteor, vindos de Inglaterra e com passagem por Bordéus, acabam por aterrar no Aeroporto Internacional de Faro, onde permanecem alguns dias para serem equipados com material bélico, após o que rumam à ilha da Madeira, seguindo-se Dakar e Bissau.

Apenas o G-AXNE com a designação “interprise films”, com problemas num dos reactores, aterra em Bissalanca, uma vez que o G-ASLW, por falta de combustível, acabou por amarar no oceano Atlântico.


Nesta foto, tirada em Faro a 13 de Setembro de 1969, é possível verem-se os dois Meteor, para além de um Douglas C-47D, também este pertencente à Força Aérea do Biafra, o que vem confirmar a tese de que o governo português de então, presidido primeiramente pelo Dr. António O. Salazar e posteriormente pelo Dr. Marcelo Caetano, apoiaram de uma forma “pseudo-clandestina”, o auto-denominado governo do Biafra, liderado pelo coronel Odumegwu Ojukwu.

É motivo de reflexão. Por um lado, combatia-se ferozmente os movimentos nacionais de libertação nas “províncias ultramarinas”, por outro lado e no mesmo período de tempo, apoiava-se um pretenso governo estrangeiro (Nigéria/Biafra), de secessão...


Nesta foto tirada,
no Aeroporto da Portela, vêem-se os dois L-1049 Super Constellation que transportaram, respectivamente, a fuselagem e as asas dos Fouga Magister, comprados à Força Aérea da Áustria, para integrarem a F. A. Biafra, o que também nunca chegou a acontecer, devido à explosão por sabotagem ocorrida no dia 04.06.68, em Bissalanca, do L-1049D com a identificação 5T-TAC, c/n. 4166 (em segundo plano), como muitos presenciaram.

Américo Dimas

VOO 1542 33º.ANIVERSÁRIO DA ASSOCIAÇÃO DE ESPECIALISTAS DA FORÇA AÉREA




Associação de Especialistas da Força Aérea
NO PRÓXIMO DIA 20 DE MARÇO, PELO PROGRAMADO NO PLANO DE ACTIVIDADES DA DELEGAÇÃO DE LISBOA E ASSINALANDO O 33º. ANIVERSÁRIO DA ASSOCIAÇÃO DE ESPECIALISTAS DA FORÇA AÉREA E AO QUAL ESTÁ INTRÍSECAMENTE LIGADA A DIRECÇÃO NACIONAL, VAI SER CELEBRADA - ÁS 11 HORAS - NA IGREJA DA FORÇA AÉREA (BENFICA) PELO REVº. CAPELÃO-MOR DA FORÇA AÉREA CORONEL OLIVEIRA, UMA MISSA DE SUFRÁGIO PELOS ESPECIALISTAS JÁ FALECIDOS.
ESTA CERIMÓNIA CONTA COM A COLABORAÇÃO DE UM TERNO DE CLARINS DA BANDA DA FORÇA AÉREA, PARA OS TOQUES MILITARES USUAIS NESTA CERIMÓNIA.
JC: Mensagem enviada pelo nosso companheiro Manuel Cascão, Presidente Adjunto da AEFA.
Desde já apelamos a todos os Zés Especiais que possam comparecer e participar nesta cerimónia.

VOO 1541 ALGUMA RELAÇÃO COM O DESTINO DO CAMARADA SOTERO


Mário Rodrigues
Melec/AV/Inst,
1ª/67, BA12
Estoril

Comandante Victor.

Peço mais uma vez autorização para nova aterragem. Caso seja concedida, agradeço mais uma vez a composição do texto.
Um grande abraço
Saudações especiais
Mário Machado Rodrigues

ALGUMA RELAÇÃO, COM O DESTINO DE CURSO DO CAMARADA “SOTERO – ELECTRICISTA”.
Quando estava na recruta, também escolhi 3 especialidades:

1. Circulação Aérea
2. Meteorologia
3. Mecânico de Rádio
Ainda antes de almoço, chegou o Major Noronha no seu Vauxhall Velox preto e disse-me:

- Amigo vou dar-lhe uma boa notícia. Este ano não vai haver cursos de Circulação Aérea, nem Meteorologia. Mas, não se preocupe, pois tenho ainda duas soluções para si.
Como ainda me restava a saída para a EMEL (rádio), pedi-lhe que me dissesse, quais eram as que me restavam. Ele com uma “granda” lata respondeu-me:
Olhe, tenho duas soluções para escolha, mas não tenha pressa a decidir, porque ainda tem, tempo para pensar. Ou vai para Comunicações, ou então Comunicações.
Fiquei um pouco aparvalhado, e fiz o rewind, e pensei, estás a pagar as merdas, que fizeste durante a recruta, como recusa de carecadas, etc. mas, disse-lhe:
- Meu Major já decidi. Se não fosse muito incómodo, escolheria Comunicações.
Ele foi-se embora, e começo a ver os autocarros a chegar, não me controlei, e deixei soltar umas lágrimas. Para evitar fazer merda e mandarem-me para casa, fui ao gabinete do Comandante, na altura, Coronel Manuel Diogo Neto, conhecido da família. Completamente desesperado, contei-lhe o sucedido e de lágrima no olho.
Ele disse-me, porra pensei que você fosse um gajo com mais força, afinal foi-se abaixo. Que especialidades é que voçê queria?
Disse-lhe: Sr. Comandante, Circulação e Meteorologia, não vão abrir, pode ser uma qualquer em Paço de Arcos, para estar próximo de casa.
Ele mandou-me esperar, saiu cerca de ¼ de hora e voltou com cara um pouco sisuda, pensei de imediato, “já foste”, até que ele esboçou um sorriso malandro e mandou-me dirigir ao local, onde estavam a efectuar as chamadas junto aos autocarros que iam para Paço de Arcos e desse o meu nº 105/67. Assim o fiz. Lá entrei para o “Bus”, caladinho que nem um rato e a pensar em todos os “lindos” nomes que sabia, ao Maj. Noronha. E assim lá fui para electricista, e para uma autêntica peluda, comparando com a BA2 que era continência da esquerda e da direita e ainda por cima, para falar com um cabo, tinha de ser em sentido. Na EMEL, era o contrário, passava um oficial, e se estivéssemos sentados, ninguém se levantava. Lá, o comandante da companhia, tenente Januário, teve de emitir uma ordem de serviço, que nos obrigava a cumprimentar militarmente, todos os superiores hierárquicos. Mas manteve-se tudo na mesma. Só havia respeito a um oficial do exército, que era o capitão Passos. Bera que chegava.
Percebo perfeitamente, a angústia do Sotero, mas ele ainda foi mais persistente, na vontade e querer ser electricista, teve azar ou sorte dependendo do ponto de vista, possivelmente até foi melhor. Ele o saberá!
Ainda em Paço de Arcos, meti-me numa bronca das grandes. Porque normalmente, eu ia em busca do azar, ou o azar vinha ter comigo. Pernoitava em casa, e um dia estava com cólicas intestinais, tive necessidade de fazer uma cagadinha e, na mesma, apareceu uma lombriga, pensei logo:
Aleluia, já tenho argumento para fazer bronca.
Ás páginas tantas, andava eu à procura de um frasco e álcool, para ir ao posto médico reclamar a comida. O enfermeiro, um pouco, ou bastante bichanado, cantor e actor de teatro de revista, de seu nome, Vítor Rosado, arranjou-me um frasco e álcool e disse:
- não percebo qual é o teu pânico! Isto, não é nenhuma jibóia.
De frasco na mão, fui às camaratas e falei com outro grande “mangas” o Garcia (Pepe) MRádio, que passava a vida ao espelho, a pentear-se, e a contar os cabelos que ia perdendo. Mostrei-lhe o troféu e acto contínuo, ele disse:
Eh! mano, há ali um bacano que encontrou um percevejo, fomos ao encontro do colega e em vez de um, haviam dois exemplares. Fizemos uma caçada nas camaratas e descobriram-se quatro ou cinco. Pegámos nos troféus de caça, guardámo-los numa caixa de fósforos e começou logo a guerra. Uma cama caiu, vão duas, armários, em suma, foi pior que a revolução dos cravos, porque aí não houve tiros, vem o 1º Comandante Coronel do exército que não recordo o nome, juntamente com o Oficial de dia e disse-nos aos gritos:
-Vinha de carro, na marginal em Caxias e já ouvia o barulho que vocês faziam. Há que saber quem foram os instigadores de tamanha destruição. Só nos acusámos quatro, eu, Garcia, Mafra e um outro, que também tinha a mania do “penteado”.
Castigo aplicado aos quatro: 3 dias de detenção particulares, que incluía o fim-de-semana, e um reforço de castigo. Os restantes alunos, foram para casa uns dias, para que fosse feita a desinfecção das respectivas camaratas.
O meu reforço, calhou-me no dia das cheias, julgo ter sido em 25 de Novembro de 1967. Estava há cerca de uma hora na guarita, que dava para a marginal, e só via Minis a encostar com água no distribuidor, porque a estrada estava completamente inundada. Surge agarrado à rede, da parte exterior e por cima do muro, um fulano. Empunhei a Mauser e disse: Quem vem aí faça alto! O desgraçado, apanhou um enorme “cagaço” e implorou-me que não o matasse, porque vinha por ali para evitar a água na estrada e no passeio. E disse-lhe:
Oh homem, passe lá que esta merda nem balas tem. Quem se recorda, na EMEL o pente de balas estava dentro de uma caixa metálica e tinha um fio de cobre soldado, a fazer de selo.
Passado um pouco, ouço nos altifalantes, a solicitarem voluntários para ajudarem nas cheias. Não fui de modas, pus a arma na casa da guarda e montei-me num “Matador” e lá vai o pessoal, armado em salvadores. Andámos por Caxias, Linda-a-Velha, Carnaxide e no Val do Jamor, zona onde morreram, imensas pessoas. Quando por volta das 10 horas da manhã, chegámos ao quartel, com lama até ao pescoço, já estava eu outra vez “entalado”, porque tinha abandonado o posto. Mas o oficial de dia, que era o célebre capitão Passos, resolveu, não participar de mim, pelo facto de ser dia de grande confusão e considerou que tinha defendido uma causa nobre.

Legenda: Camarata da EMEL, EU, Víctor Faria e Henrique Dores

Foto: Mário Rodrigues (direitos reservados)

Voos de Ligação:

VOO 1490 ...APRESENTA-SE O SOL./ALUNO nº1020/66,QUE VEIO DE PAÇO DE ARCOS

VOO 1540 NÃO FOI ATERRAGEM MAS SIM "ATRACAGEM"


Victor Sotero Cavaleiro
Esp.EABT
Damaia



Meu Comandante:
As saudações aeronáuticas para o Comando e bem assim como para toda a nossa linha da frente.
...colocado na B.A.2, (praxe ou não) para me servir do Clube de Especialistas, tinha que pedir ao "ZÉ" mais antigo licença para entrar.
Era um clube muito bem composto e organizado.
- Um privilégio ter um clube!
Tambem na verdade não conhecia outro!
O Dantas, havia já partido para a Guiné enquanto que eu, por cá continuava.
No Conselho Administrativo, onde fui colocado, trabalhava um "ZÉ" muito mais antigo no posto.
Era o fotógrafo da "malta".
O Roger, tinha um estudio num quarto dentro da própria unidade. Era lá que revelava, secava e esmaltava as fotografias.
Como ia muitas vêzes para Lisboa, quem ficava depois com as fotos para vender era eu.
Terminada a instrução, lá ia eu ter com o "pessoal". Claro que com este trabalho eu "ganhava" alguma coisa.
Um dia de Janeiro de 1968, dizem-me que estou nomeado para Angola.
Havia que levantar a "celebre" farda amarela e lá vou eu para o casão militar.
Foi-me entregue 1 boné, 1 camisa branca, 1 par de calças, 1 gravata azul, 1 par de sapatos, 1 dolmam, 3 pares de meias.
Era este o fardamento que inicialmente era distribuido. O restante seria entregue quando se chegasse à unidade do Ultramar.
No fundo, era uma farda bonita.
Ainda estive alguns dias na Base mas começava a estar saturado. Então, um dia pego na minha pequena "malinha", com alguma roupa interior e sem dizer nada a ninguem, vou para a boleia. Não levava qualquer "rumo" mas quis o destino que aparecesse um TÁXI que me levou até Lamego.
Lembro-me que o motorista se chamava António e que tinha tambem, juntamente com os irmãos, um restaurante que se chamava "Sete irmãos Unidos".
Foi na casa do António, que apenas me conhecia da boleia, que dormi e comi. A senhora, que tambem não esqueço, não sabia o que me havia de fazer para eu estar bem. Era uma noite de muito frio!
Ainda fiquei mais um dia em Lamego e por lá dei algumas voltas. Despedi-me agradecendo tanta amabilidade.
Fui então depois para a Guarda. Tinha por lá uns tios e padrinhos que não via há muito tempo. Por lá andei creio que três dias até chegar à B.A.2, onde sou "avisado" de que tinha faltado a um embarque de DC-6. (queriam que eu me fosse embora no dia 21 de Janeiro?)
- Então? Eu faço anos a 24 de Janeiro!
Bom, lá me safei desta. De tarde, um ordenança entrega-me uma guia de marcha para embarcar no dia 27 de Janeiro no navio "UIGE".
Para não haver duvidas, um estafeta da antiga "MARCONI" entrega um telegrama a meus pais que me mandava estar pelas 08H00 no Cais da Rocha de Conde de Óbidos, em Alcantara a fim de embarcar no navio "UIGE".
Não havia nada a fazer!
- Mas,... passei cá os meus anos!
Depois de uma parada militar, em geito de despedida, os militares começam a entrar para dentro do navio.
Arrepiante!..., de muita dor!
...Compunham o contingente cerca de 50 militares da Força Aérea.
Alguns sargentos, dois oficiais, pessoal amanuense e claro está, os "ZÉS ESPECIAIS"
Já à saida do Tejo, procuro o meu alojamento e sou informado que o meu lugar é na "proa". Fui ver: As camas eram de madeira por cima umas das outras!
e luz, "nem vê-la". Tudo muito escuro e com muito mau aspecto!
- Não podia ser! Então os soldados em camarotes e eu, metido na quilha do navio?
- Não tinhamos regalias de sargentos?
Procurei e encontrei uma "aberta" num camarote onde já se encontravam alguns "ZÉS".
É neste camarote que conheço o "Biltro", Carlos José Santos, o baterista do conjunto "Demónios Negros" de Sintra. (vêr voo 562 de Novembro de 2008)
Um conjunto muito apreciado na época.
Lisboa, já ficava para trás.
Viam-se muito ao longe os contornos da nossa costa!
... Meu Comandante:
Despeço-me com um até breve para continuar esta atribulada viagem. Envio para toda a "linha da Frente" as minhas saudações aeronáuticas.
Sotero
Nota.:
- No voo 562 do "Biltro", o Themudo Barata não aparece em nenhuma foto. Ei-lo aqui.

Legenda: Themudo Barata, AB3, 1968
Foto: Sotero Cavaleiro (direitos reservados)

Na segunda foto, é o conjunto já em fase final de comissão no A.B.3.

Legenda: Génios do AB3, Negage, 1967

Foto: Sotero Cavaleiro (direitos reservados)

Voos de Ligação:

562 HISTÓRIAS E IMAGENS DO AB3,NEGAGE.

JC: Lançamos o desfafio ao companheiro Carlos José Santos (Voo 562), ou outros contemporâneos, para identificação dos músicos nesta fotografia do conjunto Génios do AB3.

quinta-feira, 11 de março de 2010

VOO 1539 FESTA DO PILOTAÇO.


Costa Ramos
Esp.MMA
Coimbra

Meu comandante dá-me licença?
Em anexo programa da festa do "Pilotaço",não se esqueçam de se inscrever rapidamente se querem ter liberdade para verem a exposição estática e não só.
Saudações aeronáuticas
Costa Ramos


VOO 1538 SIMULAÇÃO DE ATAQUE À BA 12.


Victor Oliveira
Esp.Melec/Inst./Av.
Caneças

Amigo Victor de tantas brincadeiras que se fazia, esta acho que foi a que mais gozo me deu.
Aqui vai a cena passados uns dias do ataque há base.
Estava nos quartos nas casernas em frente ao bar com o Abel e o Machado, que gostava muito de fotografar, tinha um bruto flash, então lembramo-nos de fazer o seguinte perto da meia noite calçamos as botas e junto há janela contar até três dar umas patadas valentes nas estruturas da caserna e ao mesmo tempo o Machado mandar umas flashadas, assim foi.
Passados uns minutos andavam os sargentos, uns de pijama, outros em cuecas na rua ver se viam onde é que tinham caído as morteiradas. A maioria não dormiu durante a noite. As casernas deles era junto das nossas.
No outro dia de manhã no hangar não se falava noutra coisa senão no ataque mas ninguém sabia onde é que tinham caído as morteiradas, eu o Machado só nos riamos, até houve alguém que se lembrou que tinha mudado de quarto depois de ter vindo de férias em Novembro de 68, antes estava na tabanca. Então lá contei.
Um grande abraço
Vitor Oliveira 1ª66

VB. Ali tudo se tolerava,aceitava-se a brincadeira,algumas vezes com um bocadinho de azedume,mas...

terça-feira, 9 de março de 2010

VOO 1537 UMA VELHA CARGA DE LATÃO DE UMA ESFEROGRÁFICA.


Victor Sotero Cavaleiro
Esp.EABT
Damaia

Meu Comandante:
As minhas mais cordiais saudações ao Comando, bem assim como a todos os "ZÉS ESPECIAIS" desta magnifica linha da frente.

Depois do almoço e após a "revista" da tarde, lá seguiamos em formatura com destino ao G.I.T.E.. Saíamos da parada com o chefe de turma dando as habituais vozes de: esquerdo...direito...op...
dois.Aquando da chegada a uma pequena rampa (que ainda hoje hesiste) na separação da "parada" para o acesso ao G.I.T.E., pelo canto do olho, caso não víssemos a "célebre" carrinha RENAULT azul, de matricula AM-60-24 e nem mesmo o tenente Mineiro, (que era rosa que não se cheirava bem), havia cada "biqueirada" que até metia impressão.
O Cabaço, um moço nascido para os lados de Idanha-a-Nova, parecendo que "não partia um prato", mas decerto habituado a pontapear os "calhaus", que é o que mais há para aqueles lados, seguia na formatura atrás do Dantas. Era o lugar que sempre ocupou na turma.
Muita "biqueirada" dava o Cabaço na bota esquerda do Dantas! Por vezes, até alguém trocava de lugar só para "biqueirar" o rapaz.
-Fffiiilllhhhaaasss...dddaaasss...pppuuu........Tenho a ideia de que algumas vezes o joelho da perna esquerda do Dantas lhe tocou a barriga!
Ainda antes de chegarmos ao fim da pequena rampa, havia que ter "cautela". A carrinha azul podia aparecer pela direita. Então, a turma "organizava-se".-Esquerdo...direito...op....dois...esquerdo....
Lá continuavamos bem comportados até chegarmos ao hangar onde as aulas nos eram ministradas.
Eu, andava sempre "municiado" com fosforos e uma carga de latão vazia, daquilo que foi pertença de uma esferográfica.
Um dia, houve um instrutor que faltou à aula.
Como era normal, ninguém podia sair da sala.Quando a turma estava quase toda a "dormitar", começo a carregar com cabeças de fósforo na já velha carga de latão. Serviam de buchas bocados do próprio pau do fósforo.
A velha carga, devidamente carregada, estava pronta. Para suporte, serviu um clipes que a sustentava e vai de lhe "dar fogo" com um fósforo.
Pouco tempo depois, um estoiro enorme se fez ouvir.
As salas próximas vieram ao corredor ver o que se tinha passado.
Para a minha turma, foi tambem um susto.
Ffffiiilllaaasss dddaaasss pppuuu......
Eu tinha carregado a carga com muito fosforo e até o próprio tubo de latão ficou desfeito.
Estávamos no fim do curso.
A nossa antiguidade contava desde o dia 01 de Setembro de 1967.Os primeiros classificados foram nomeados para Moçambique enquanto os últimos foram nomeados para a Guiné.
Pelo meio ou abaixo do meio, não sei quantos "ZÉS ESPECIAIS" ficavam à espera de "melhor oportunidade".

Legenda: Exercendo a minha especialidade de Abastecimentos.
Foto:Sotero Cavaleiro(direitos reservados)

Fui colocado na B.A.2-Ota, no Conselho Administrativo.
... mas sabia que não me "safaria" do Ultramar!
Meu Comandante:
As minhas mais cordiais saudações para o Comando bem assim como a todos os "ZÉS" desta magnifica linha da frente.
Até breve.
Sotero

VB: Era um passeio matinal bastante purificador, este que se fazia da parada para as aulas ministradas no GITE. Valeu a pena,pois aqui nos foi dada parte da formação que temos.

segunda-feira, 8 de março de 2010

VOO 1536 AINDA OS MOTOCICLOS.


Gil Moutinho
Fur.Pil.
Gondomar

Caro amigo Vítor e todos os outros

A minha relação com as duas rodas é inexistente.Terminou precisamente na BA12,nunca mais pus o rabo

em cima d’alguma dessas duas rodas.Passo a contar.

O grupo operacional tinha um motociclo,salvo erro,de 50 cc,marca Honda? Com mudanças automáticas e

com pedais,que serviam para o primeiro impulso e em sentido retrógrado de travão à roda traseira,e no

qual nos deslocávamos dentro da base,desde que estivesse disponível.

Com essas duas rodas sempre tive uma boa relação(digo, nunca caí).

Havia vários proprietários de potentes motos e que tinham sempre assegurada a venda no fim da comissão,pois

mais ou menos piras havia sempre interessados na sua compra.

Pois na altura,o malogrado Fur.Ferreira(abatido na zona de Guidaje),meu companheiro de quarto,era proprietário



De uma SUZUKI ou seria YAMAHA DE 80cc comprada a alguém em fim de comissão.

Pois um dia(na véspera do abate do T.Cor.Brito-esta história é-me custoso de contar por estar relacionada

com todos estes tristes acontecimentos)numa brincadeira,aparentemente sem perigo,e ao parar/travar a mota

junto ao acesso dos nossos quartos,já tendo um pé em apoio no chão,a mesma teve uma pequena derrapagem de traseira,o que originou uma grave rotura de ligamentos internos do joelho esquerdo c/arrancamento de osso.

Fui para o H.Militar,depois de na Base terem verificado da gravidade da situação,onde depois de “n”horas,num

corredor em maca,fui finalmente visto.Entretanto o joelho já tinha o dobro da dimensão normal,e depois do RX

da praxe, foi colocado gesso,e verifiquei depois,com uma camada ínfima de algodão por baixo da malha de

suporte do gesso.

Regressei à Base e fui internado na enfermaria,com imensas dores e um traumatismo violento.No mesmo dia(?)

ou seguinte entra pela enfermaria dentro o Furr.Pil S.que a limpar a Walther distribuída.enfiou uma bala abaixo do

joelho e que saiu pelo tornozelo,passando eu a ter companhia no infortúnio.

Nesse dia passámos horas seguidas sem que aparecesse alguém,o que era muito estranho,infelizmente a explicação era a acima referida(estavam todos em alerta pelo TCor Brito)

Passados alguns dias ,melhorando,fui para o quarto,Entretanto com a alta humidade existente,o gesso ia

ficando em pó,o que dava uma comichão horrível,só amenizando com um cabide de arame plastificado que

Introduzia por dentro do gesso(a perna entretanto tinha desinchado e havia folga).Entre partir o gesso,e ir no dia seguinte à enfermaria pôr de novo,e fazer serviços na sala de operações,pois estava disponível(obrigado) e não

podia voar,passei tempos difíceis.Acompanhei muito em directo,na sala de Operações todos acontecimentos

da época (Baltazar,Ferreira,Mantovani..)

Passados 10 anos ainda tinha sequelas desse acidente.

Motociclos nunca mais!De carro também os tive,mas continuo.

Um abraço

Gil Moutinho

VOO 1535 É DE HOMEM,É DE ESPECIALISTA!


PORQUE HOJE SE COMEMORA O DIA INTERNACIONAL DA MULHER E PORQUE MUITAS DAS NOSSAS COMPANHEIRAS NOS ACOMPANHARAM EM MOMENTOS DE ALEGRIA E TAMBÉM EM MOMENTOS DIFÍCEIS DAS NOSSAS VIDAS,ENTENDO DE TODA A JUSTIÇA E DEPOIS DO PEDIDO DE AUTORIZAÇÃO
AO NOSSO CAMARADA VICTOR BARATA HOMENAGEÁ-LAS AQUI NESTE ESPAÇO DE LIBERDADE E SOBRETUDO DE GRANDE SOLIDARIEDADE.

CARLOS FERREIRA
M/RÁDIO
COIMBRA

VOO 1534 AS MINHAS BELDADES MOTORIZADAS DA GUINÉ.



Guiomar Silva

Esp..MELEC
Moita





Pronto, já que estamos a falar de "máquinas" que tivemos na Guiné então vou dar o meu contributo pois devo ser daqueles que mais teve meios de transporte próprio, a primeira foi uma tipo bicicleta com motor e pedais, depois foi uma Honda 50 toda marada,passei a outro...claro, a seguir veio uma Suzuki quase nova que o vendedor ainda não tinha pago e estava em nome da casa Pintosinho, claro que deu bronca quando descobri... e finalmente um carro,






um Renault Caravelle vermelho que era um carro muito bonito e ainda por cima cabriolet, esse foi comprado a meias com um Fur. MMT que o Dâmaso deve conhecer e era um soldado da secção auto, não me recordo do nome mas estou a ver a cara, pera ai, o nome do mecânico era Castro, que tratava dele. Bom, não estão a ver, passar em certos sítios de Bissau naquela máquina, cabelos ao vento e braço de fora...Podes publicar as fotos que quiseres Victor.
Abraço para todos!

VB.Estas são mesmo para publicar!Não te podias queixar da vida Guiomar,pois quem apresenta um vasto património motorizado como tu!?... Só não compras-te avião porque tinhas na Base.

VOO 1533 AS MOTOS DA NOSSA VIDA.


Jorge Félix
Alf.Pilav.

V.N.Gaia

Caro Victor,

O serviço "cívico" que vens desenvolvendo todos os dias dá os seus frutos.
Curioso como umas motecas, sem desprimor, são o centro aglutinador das nossas lembranças.
Talvez porque as não dominava e por elas tinha um certo respeitinho, hoje lembro a minha relação com elas.
Mário Rodrigues, eu tinha uma ligeira dúvida se era uma 250cc pois sei que eram muito raras e tive medo de cair num exagero que afinal não teve razão de ser. Agora ao olhar a foto da 400cc estou a ver a 250cc.Nos tempos livres, queriamos vestir a pele do James Dean ou do Marlon Brando. Sentir o Gin tónico sair em filetes de ar pelo pouco cabelo que nos permitiam trazer. O brilho dos raios, agora jantes, obrigavam o uso dos RayBan, tal era a intensidade da luz.
A gasolina, diga-se "jota", era "filtrada" do nível inferior dos bidons, que não servia para as aeronaves.
O coração "voava" nas mãos, na esperança de nunca ver um piston saltar numa explosão mais acalorada, fora dos limites das temperaturas permitidas.( Num próximo encontro poderemos falar, quais motoqueiros, motares, dos anos 60, e das aventuras em terras Africanas)

Victor, junto , além do Dean e Brando, motares que nos imitavam, uma outra foto do festival na BA12.
Desta vez estou travestido de Policia Aéreo. Desde já te digo que não percebia nada de enfermagem,(resposta á tua obs do ultimo post) e neste "número", tenho a certeza, estava a criticar a PA.
Seguem mais "músicos" para o pessoal de 69, dizem que o melhor ano em Bissalanca,(é um complexo da minha parte), mas dizia, músicos a identificar.
Abraço para ti e todo o pessoal de Bissalanca

Jorge Félix

VB. Bom-Dia,Jorge.
Eu propunha que se reencontra-sem os componentes do conjunto para uma actuação ao vivo,que dizes?Belos tempos em que,mesmo num teatro operacional de guerra,vivíamos a vida muito melhor do que hoje.

domingo, 7 de março de 2010

VOO 1532 O VICTOR ROSA VOLTA A VOAR.



Manuel Lanceiro

Esp.MMA

Lisboa

Caro Vítor Barata,
Há muito tempo que não escrevo para o nosso blog, embora o visite sempre, às vezes mais do que uma vez por dia.
Não escrevi por nenhuma razão em especial, simplesmente não tenho tido motivação para o fazer.
Mas hoje é diferente. Quero partilhar com todos a minha satisfação e alegria de saber que o meu grande amigo de sempre, conterrâneo, companheiro de muitas aventuras gastronómicas e afins, “Zé Especialista” de alto gabarito, após duas semanas de luta sem tréguas, no Hospital em Santarém, está a dar a volta por cima.
Tenho ligado quase todos os dias à esposa para saber como ele estava. Há três dias, não queiram saber a emoção que senti quando ela me disse:
- Olha Manel Zé, Parece que já temos homem.
Mas ontem sim, quando lhe liguei, ela já com a voz mais tranquila e até com alguma alegria, me disse:
- Agora sim, já temos o Vítor cá deste lado, está fraco mas está a recuperar francamente.
Quando desliguei, piegas com sou, deixei que as lágrimas rolassem por esta cara velha e feia. Mas é assim, se não chorar pelos meus amigos por quem é que vou chorar.
O Vítor não é homem para se deixar “levar por dá cá aquela palha”.Força Vítor, não te esqueças o próximo encontro é já no último sábado de Maio.

Legenda:Junto uma fotografia do Vítor e eu (à pai Adão), algures numa bolanha perto da BA12 (1973)
Foto:Manuel Lanceiro(direitos reservados)

Um abraço a todos

Manel Zé Lanceiro

VB: Olá Manel.
É para nós uma surpresa esta situação do Victor,pois de nada sabíamos.
No entanto é com grande alegria que recebemos a tua notícia,o Victor está apto para voar.