segunda-feira, 31 de maio de 2010

VOO 1748 - FÉRIAS SIM,MAS... EM ANGOLA NO ANO DE 1969.(II)





Victor Sotero
SargºMor (Refº) EABT
Damaia




Meu Comandante:

Cá me encontro a saudar este Comando, a “Linha da Frente” e todos os “Zés” que nos visitam.

Até que enfim, cá estou para continuar a nossa gloriosa caminhada para o Sul de Angola.

...O JEEP era a nossa companhia. Do outro lado, continuavam a vender as “rifas”

Estávamos em Luanda.

Foi combinado o encontro na cervejaria Versalhes em plena baixa de Luanda.

Um “fino” dava direito a “jantar” na base de petiscos.

Amendoins, tremoços, dobrada, tudo por dois escudos. Era o preço de cada copo de cerveja.

Fomos dormir à B.A.9, enquanto que os nossos amigos ficaram por um hotel.

Não quisemos abusar de tanta amabilidade pois fomos convidados a ir para o mesmo hotel.

Alem disso, também nos dava “gozo” entrar dentro da Base de JEEP, sendo ambos do A.B.3.

Pela manhã, eis-nos a caminho de Silva Porto, passando pelo Quitexe, barragem de Cambambe, estradas largas e alcatroadas, como no Continente ainda não havia.

Não conhecíamos nada para Sul!

Colonato da Cela, onde os nossos amigos eram conhecidos e por aqui mais um dia se passou.

Gente tão boa, carinhosa até.

No outro dia, direitos finalmente a Silva Porto.

Chegados a esta cidade, uma avenida larga, candeeiros ao meio, acácias de um lado e de outro. Muitas flores pelas janelas das vivendas.

Por cortesia e sem estarmos à espera, fomos convidados pelo hospital a irmos para uma pensão e onde ficamos quatro dias. Alimentação e dormida por conta do Hospital.

Podíamos ficar o tempo que quiséssemos e ainda tínhamos o JEEP para nos deslocarmos.

Aproveitamos e ainda a nossa roupa que já estava suja foi lavada e passada a ferro.

As pessoas eram muito queridas e tinham muito respeito pela Força Aérea.

Os nossos amigos ficaram desgostosos quando dissemos que íamos embora direitos a Nova Lisboa.

Por aqui ficou também uma “madrinha de guerra” que, mesmo no final da comissão e já em Lisboa, ainda lhe ia escrevendo.

A boleia para Nova Lisboa foi arranjada pelos nossos amigos. Foi direta.

Lembro-me que antes de entrarmos na cidade passávamos por uma linha férrea e pouco depois lá nos aparecia a cidade.

Logo à entrada, um policia sinaleiro de origem africana!

Agradecemos a boleia e demos uma volta pela cidade moderna. Um espectáculo!

Ao passarmos pelo sinaleiro que já tínhamos visto, este sai do palanque onde se encontrava a regular o transito e corre para nós. Abraçou-nos. Tinha sido militar em Luanda no quartel general e ia muitas vezes à B.A.9 onde disse que foi sempre muito bem tratado.

Faltavam, creio que duas horas para ser substituído. Disse-nos para darmos mais uma volta pela cidade e que depois passássemos por “aquele” local.

Assim fizemos e levou-nos para sua casa. Ficaria muito aborrecido se não compartilhássemos com a sua mulher e dois filhos, a sua casa.

Tanto eu como o Pinto não esperávamos por esta oferta, mas aceitamos.

Talvez tivesse sido o local onde comi os melhores frangos de churrasco.

Não me lembro do nome, mas recordo-me muito deste casal com dois filhos ainda meninos e muito educados.

Quando nos despedimos, pois ficámos dois dias, este casal chorou pela nossa partida.

Tínhamos que partir! Ficava para trás uma cidade bonita, alegre, e muitos prédios ainda em construção. Esta família, também.

Agora, Lobito, Benguela.

Trinta e poucos Quilómetros separavam estas cidades.

Qualquer pessoa dava boleia. Não havia problema algum. Chegámos a dar voltas fora do itinerário porque as pessoas queriam ser gentis e gostavam da companhia.

Lobito com um grande porto de mar!

Uma grande avenida!

Quando no primeiro dia fomos para a boleia direitos a Benguela, apareceu um professor no seu JEEP. Todos os dias ia para Benguela onde dava aulas num liceu de raparigas.

A sua mulher era também professora e dava aulas no Lobito.

Ficou combinado que todos os dias de manhã, durante a nossa estadia no Lobito, nos levava para Benguela. Regressaríamos ao principio da tarde. Dava perfeitamente para almoçarmos e depois “visitar” a praia no Lobito.

Estávamos hospedados num hotel em plena avenida principal do Lobito do qual não me lembro o nome.

Fomos convidados para um jantar em casa destes professores onde fomos tratados como príncipes. Recordo-me que o vinho era branco, verde, marca Gatão. Lembro-me porque nos foi dito que aquela garrafa haveria de ser aberta num dia muito “especial”.

Meu Comandante

Voltarei ainda a Angola, mas se calhar, com um “postal ilustrado”.

São recordações que me marcaram muito e que hoje recordo com muita saudade.

Para o Comando, para a “Linha da Frente” e para os nossos “Zés”, as minhas habituais saudações aeronáuticas.


Sotero


Voos de Ligação:

Voo 1720 Férias sim,mas...em Angola em 1969 (I) Victor Sotero)

VOO 1747 CONDULÊNCIAS.






António Loureiro
Fur.Policia Aérea
Figueira da Foz




Para o nosso amigo Arlindo Pereira

Aparte das muitas que se seguirão certamente, quero também prestar ao enlutado as minhas mais sentidas condolências neste momento trágico da vida do nosso camarada.
Efectivamente, é preciso ser muito Especial para num momento tão dolorosamente difícil, ter tido ânimo para se encontrar com os seus amigos no almoço do AB7, foi notório que já nessa altura, infelizmente, as expectativas não eram muito animadoras, mas ele lá estava, não faltando à chamada.
Apenas lhe posso prestar a minha sAdicionar imagemsolidariedade e disponibilidade para o que for necessário, com a certeza que nas nossas idades, a perda irreparável dum ente tão querido, levará certamente muito tempo a ultrapassar.
Coragem Piriscas, esteja ela onde estiver, olhará por ti.
Um abraço
António Loureiro

Voos de Ligação:
Voo 1743 A nossa solidariedade com o Arlindo Pereira(Piriscas)
Voo 1744 Adeus Dª.Emília - Fernando C.Branco
Voo 1746 Amigo Arlindo Pereira - Jorge Mendes

VOO 1746 AMIGO ARLINDO PEREIRA.





Jorge Mendes
2ºSargº.Mil.EABT

Coimbra


Apenas conheço o Arlindo das andanças desta base, no entanto pelo que tenho ouvido e lido nos seus voos é um Senhor enquanto homem de família e dos seus amigos, daí o meu abuso em o tratar como Amigo.
Não irei acrescentar mais nada ao que o nosso comum amigo Victor Barata mencionou no voo 1743.
Apenas direi Arlindo que tens que estar preparado , porque ontem levaste o murro , mas a verdadeira dor vem mais tarde com a saudade.
Força Amigo e agarra-te bem aos filhos e netos, pois eles representarão sempre a continuidade dos longos e bons anos que tiveste com a tua Amada e Boa Esposa,Boa Mãe e certamente Boa Avó.
Força Amigo e mais uma vez te peço para te suportares nos teus descendentes."Eles são a razão de continuarmos a Vida"
Enquanto católico não esquecerei a Dª Maria Emília nas minhas orações.
Um abraço de amizade

VOO 1745 33º ENCONTRO DOS ESPECIALISTAS DA BA 12 E OUTROS.

Companheiros:
Como é tradicional no último sábado do mês de Maio,realizou-se mais um encontro dos Especialistas da Base Aérea nº12 e outros.Ditou o calendário que fosse dia 29 e o local a linda Cidade de Penela,que faz questão em ostentar aos seus visitantes o seu lindo Castelo,um autêntico ex-libris da cidade.
Muitos foram os companheiros,cerca de 150, que quiseram estar presentes em mais um efeméride que marca fundamentalmente a nossa juventude em plena Guerra do Ultramar.
Não poderei avançar sem deixar presente a maneira simpática e verdadeiramente familiar como a "nossa"família" Pato nos recebeu desde o João aos netos,passando pela esposa e o filho...*****!
O que estava partiram para a Villa Romana, no Rabaçal,pois era o próximo objectivo a atingir,vista ao Museu. Para alguns,Valadas,Lanceiro,Simão,Matos,Castro,Victor Barata e Nuno Pina,a visita já ficou pelo caminho devido à avaria no "avião" deste último,motivando a imobilização total da "aeronave"e consequente chama do "alerta"(Assistência em Viagem).
Repostos os acontecimentos,eis-nos a caminho do Restaurante "O Pastor".Os cumprimentos habituais e à que começar a tomar lugar na placa para "abastecimento"
Composto por umas boas entradas,segui-se uma sopinha,vitela assada,uma sobremesa,café e digestivo,culminando com o partir do bolo.
Está de Parabéns o João pelo serviço prestado.
Podemos adiantar que o evento do próximo ano,34º Aniversário,será em Carregal do Sal,distrito de Viseu,sendo o responsável o nosso companheiro Edmundo Areal.
Aqui vos deixamos algumas fotos do acontecimento.l



Legenda:O momento em que o "avião" do Nuno Pina ficou inoperativo.Reconhecem-se na foto da Dirª/Esqª. o Simão,de costas não sei quem é,Castro,Valadas a falar como "alerta",esposa do Matos,Victor Barata e Edmundo Areal.
Foto:Matos

Legenda:Um aspecto da sala reconhecendo apenas o Companheiro da dirª Fur.Pil. Moutinho.
Foto: Miguel Pessoa

Legenda:O sempre jovial casal Pessoa.
Foto:Victor Barata

Legenda:Dois históricos da nossa Hiróica Aviação,o Jorge Narciso(MMA-Canibais) e o Miguel Pessoa (Cor.Pilav),grandes companheiros.
Foto:Victor Barata

Legenda: O Mediático Nuno "O Poeta" na sua "suada"missão de fotógrafo.
Foto:Miguel Pessoa.

Legenda: Três eternos companheiros dos anos 71,da esqª/dirª o Simão(MMT),Miguel Falcão(MMA) e o Abílio(MMA)

Legenda: Este é o Victor Barata, "Régulo" da tabanca, que se veio associar aos seus amigos ZÉS.
Foto: Miguel Pessoa

Legenda:O Quintas não quis deixar de dar um abraço ao "Régulo".
Foto:Miguel Pessoa

Legenda:O Castro à conversa com o "Régulo" Victor Barata.
Foto:Matos

VOO 1744 ADEUS Dª EMÍLIA...




Fernando Castelo Branco
1ºSargº.MMT

Terceira - Açores


AMIGOS ESPECIAIS

Todos, tivemos MÃES e quase todos ESPOSAS?!….
Mas, esta SENHORA como as OUTRAS; teve um sabor diferente, da qual guardo no meu coração.

Legenda: Junto ao Clube de Sargentos da Base Aérea nº 4, nas Lajes ,a Dª Emília entre o mim e o seu marido,Arlindo Piriscas.
Foto: Fernando Castelo Branco.


Foi de costas voltada para o “imaginário e saudoso” Clube de Especialistas na BA4, porque ele já não existe a não ser o “eterno ILHÉU de ESPECIALISTAS” , porque nesse só a MÃE NATUREZA é que “lhe pode mexer”…teve a SEGUINTE EXPRESSÃO de uma conversa de SAUDADE E AMIZADE com o MEU TAMBÉM SEMPRE AMIGO “PIRISCAS”…”ÁS VEZES OS HOMENS, ESQUECEM-SE DOS VALORES HUMANOS em troca de valores materiais!....
DONA EMÍLIA, pedimos a NOSSA SENHORA DO AR, que a acompanhe, como nós a quisemos ter sempre ao nosso lado; PERTENCENDO A UMA família que quis ser ESPECIAL, da qual TAMBÉM A SENHORA fará SEMPRE parte…

FORÇA PIRISCAS, a DONA EMÍLIA. Foi fazer “um voo” que todos nós faremos…

Um abraço.

Fernando Castelo Branco

Voos de Ligação:

Voo 1743 A nossa solidariedade com o Arlindo Pereira (Piriscas)

VOO 1743 A NOSSA SOLIDARIEDADE COM O ARLINDO (PIRISCAS).


MARIA EMÍLIA DA COSTA VICENTE SOUSA PEREIRA


Companheiros
É com alguma emoção que vos transmito o falecimento da Maria Emília,esposa do nosso amigo e companheiro,ARLINDO PEREIRA (PIRISCAS).
Digo com emoção porque a Maria Emília fez o favor de cativar por mim uma amizade inesquecível,apesar do curto espaço que nos conhecemos.
Esteve à cerca de dois anos em minha casa,na plenitude de todas as suas faculdades que Deus lhe deu,mas à uns meses a esta parte o Piriscas informou-me que o mal lhe tinha batido à porta.
Por último,quando à pouco tempo me encontrei com ele no almoço do AB 7,disse-me que a Maria Emília estava muito mal. Hoje recebi a notícia de que ela ia partir,juntamente com a Nª.Sª do AR, para aquele que vai ser o seu derradeiro voo.
Até um dia MARIA EMÍLIA.
Para ti Arlindo...os HOMENS também choram!
Em nome dos ZÉS ESPECIAIS e,especialmente,do pessoal desta Tertúlia "LINHA DA FRENTE" queremos dar-te o fraterno abraço. FORÇA COMPANHEIRO


O Corpo vai estar em Câmara Ardente na Igreja Paroquial de S.José Operário do Feijó,em Almada,a partir das 15 horas de hoje.
O Funeral realiza~se amanhã,dia 1 de Junho pelas 10.30h,saindo da Igreja com destino ao Cemitério de Val Flores.


domingo, 30 de maio de 2010

VOO 1742 O EGÍDIO LOPES.




Fernando Moutinho
Cap.Pil. (Refº)
Alhandra




Boa noite Vítor
Não resisto a fazer-te um pedido.
Ao ler o Voo 1739 de José Osório com a mensagem de Egídio Lopes. Essa mensagem fez-me recordar uma aventura em que participou o Egídio.
Ele foi um dos pilotos duma aventura que descrevo :

Quatro F-86F em sérias dificuldades

Uma emergência que não devia acontecer Base Aérea 5, decorria o ano de 1965.
No prosseguimento do Programa de Treino dos pilotos, saí numa sexta feira a comandar uma esquadrilha de 4 F-86´s para Oldenburgo, uma Base da Força Aérea Alemã, a fim de retribuir uma visita efectuada a Monte Real, de pilotos dessa Base. Devido à distância, aterraríamos em Chateauroux (França) para reabastecimento de combustível e oxigénio, como era normal fazer-se. De rotina, antes de se chegar ao destino confirmávamos a meteorologia para se definir se prosseguiríamos para o destino ou se para outro aeródromo alternante prevendo problemas de combustível. Havia um local apropriado para o fazer – à vertical de Bordéus. Porque aí tínhamos várias alternativas. Voávamos com céu limpo e solo à vista. Confirmamos o tempo em Chateauroux: uma camada compacta de nuvens baixas com a base a 700 pés (200 e poucos metros) e tecto a 2.000 pés, vento calmo. Decidimos prosseguir porque os 4 pilotos estavam todos credenciados com mínimos de aterragem para 300 pés com assistência de GCA (Radar) e Chateaurox tinha-o. Como voávamos a 37.000 pés (pouco mais de 12.000 metros) iniciamos a descida em rota para atingirmos a ajuda rádio a 20.000 pés, de acordo com as regras. Como a descida era em parelhas, ao atingir-se a vertical da ajuda rádio (radiofarol), a parelha asa iniciou o procedimento de descida e a minha parelha efectuou a “espera” standard de 4 minutos para permitir o espaçamento normal. O Controle da Base informou-nos que à descida seguir-se-ia um “circuito caixa” porque aterraríamos na faixa oposta à da descida. Tudo normal. Quando a 1ª parelha estava na “perna base”, antes de voltar para a aproximação final, muda de frequência para efectivar a descida para a final. Nesta fase, as comunicações em canal apropriado ficam em exclusivo para os aviões até à aterragem. Sou surpreendido quando o piloto dessa parelha volta à frequência inicial e me pergunta se estamos ouvir. Respondo que sim. Ele replica que não obtém resposta. Digo-lhe para passar ao canal de emergência (243.0). Poucos segundos volta a informar que não obtém resposta e decide – como já está apontado à pista vai prosseguir a descida tentando sair das nuvens com possibilidades de aterrar. Assim fez mas ao entrar em visual a pista estava um pouco ao lado não permitindo a aterragem. Tiveram de efectuar uma volta junto ao solo mas aterraram. Continuava o silêncio rádio. Impensável – uma Base da USAF ficar sem comunicações. O próprio Radar tem sempre acoplado um sistema de gerador para as emergências. Nada funcionava. A situação da minha parelha ficou bastante insustentável: pouco combustível, dentro de nuvens e a voar em sentido contrário à descida “normal” para aterragem com o radioajuda. Rodei cerca de 180º e apontando ao radiofarol fui descendo lentamente pretendendo descer até ver o chão. Assim fizemos saindo um pouco acima das árvores. Continuamos até passar sobre a antena e aí tivemos de efectuar mais uma inversão de marcha para podermos apontar à pista (nesta volta foram gastos mais de 3 minutos). O problema nº 1 agora era o combustível. Voávamos com o avião o mais “limpo” possível e a baixa velocidade, mesmo contrariando as instruções: redes abertas e freios fechados. A ajuda rádio ficava a cerca de 7 Km da pista. Aí como estávamos a correr o risco de paragem do motor por falta de combustível disse ao meu “asa”: em caso de flame-out, fazer o zoom-up e saltar de paraquedas. A meio caminho entre o rádio farol e a pista, oiço: Bleu Falcon do hear me? Alivio: Affirmative. Comunicação seguinte: heading … e climb to… Minha resposta: heading … but dont climb – fuel emergency. Peço aproximação directa. “Roger” e continuaram a dar-nos pequenas correcções até aeródromo. Só iniciámos a descida do trem à vista da pista e os flaps, redes e freios já foi no solo. No estacionamento, verificámos que o meu asa tinha menos de 100 litros de combustível e eu ligeiramente mais. Não dava para dar uma volta ao aeródromo. Foi “in extremis”. Os outros 2 pilotos já aterrados esperavam-nos ansiosamente. Foram cerca de 20 minutos de espera angustiante. À nossa espera tínhamos também patentes elevadas apresentando desculpas pelo sucedido. Situação verdadeiramente inaceitável para a Base mais importante da USAF em França. Houve uma falha total de energia do fornecedor exterior mas, não podia ter acontecido o falhanço dos sistemas de emergência preparados para entrar em funcionamento em 2 minutos. Se seguíssemos as regras, teríamos, os 4 pilotos saltado de páraquedas. Mas, nós portugueses temos o defeito de quebrar algumas regras mas também uma virtude, não desistir e tentar. Após este episódio, resolvemos continuar a missão até Oldenburgo. Não valia a pena ficarmos a comentar o sucedido. No sábado de manhã já com combustível e oxigénio e arrancamos para o destino. À chegada, tínhamos à nossa espera um “comité de recepção” que nos levou directamente para o balcão do Bar e, aí com o estômago vazio sai cerveja com scnhaps. Foi o fim. Passamos o resto do dia a vomitar e a curar uma “piela” em que não estávamos interessados. O domingo foi para tentar recuperar… Segunda de manhã, arrancamos para Chateauroux novamente. Ao entrar no espaço aéreo francês o Control dá-nos as boas vindas e presta-se a levar-nos quase “ao colo” até ao destino. Não foi necessário seguir os procedimentos normais. Isto significa que a situação ocorrida foi muito anormal que toda agente se desfazia perante a nossa presença. Novamente me Chateauroux reabastecemos e fomos tratados nas palminhas e, soubemos que tinha sido destituído o comandante da Base. Foi uma ocorrência extremamente grave. Simplesmente, não poderia acontecer.

Egídio, onde quer que estejas, um grande abraço do Moutinho.
Obrigado Vítor
Um abraço

sexta-feira, 28 de maio de 2010

VOO 1741 ESTAVA DE SARGENTO DE DIA NO D.G.M.F.A. NO DIA 29 DE MAIO DE 1971



Victor Sotero
Sargº.Mor EABT
Damaia



Meu Comandante
Para o Comando, a "Linha da Frente" e os Zés" que nos rodeiam, as minhas saudações Aeronáuticas.
Peço desculpa por ainda não ter voltado à II parte das minhas férias em Angola, no ano de 1969.

...É que hoje estou triste e feliz por me lembrar de dois acontecimentos vividos comigo no ano de 1971, no dia 29 de Maio.
Estava clocado no D.G.M.F.A. e encontrando-me de Sargento de Dia, eis que no gabinete do Oficial de Dia o telefone tocou:
Era uma nossa amiga a informar que o parto estava para breve e que a minha mulher ia para a maternidade Alfredo da Costa.
Estava todo o pessoal de serviço ao Depósito no Gabinete do Oficial de Dia porque se deitavam papelinhos para a sorte das rondas.
O oficial de Dia era o Capitão Costa Pereira tendo como oficial de Segurança o Alferes Sousa, filho do Major TABST Sousa que creio, se encontrava em comissão de serviço em Moçambique.
O Capitão TABST Costa Pereira, vendo-me talvêz preocupado, mandou-me ir ao Clube de Sargentos vêr se havia algum Sargento que pudesse ficar no meu lugar.
O Furriel Contente, logo se prontificou a ficar no meu lugar. Nunca tinha feito um Sargento de Dia! Era da especialidade
Controlador e tinha o seu quarto no Depósito.
O Oficial de Dia concordou e eu, autorizado, fui logo direito à Maternidade.
A minha filha ia nascer durante a noite do dia 29 de Maio de 1971, já de madrugada.
Como o parto tinha decorrido muito bem e porque o Oficial de Dia me tinha dito que me queria "vêr" quando chegasse a Alverca, assim fiz, não sem antes ir à Messe de Sargentos tomar o pequeno almoço.
O civil Amadeu, aos gritos, e muito preocupado, começa a dizêr que eu estou lixado:
O Alferes Sousa tinha dado um tiro no Furriel Contente!
O Furriel Contente tinha ido para o Hospital da Estrela muito mal.
A principio, pensei que era brincadeira mas passado pouco tempo eu começo a acreditar. Éra mesmo verdade!
No manuseamento e brincadeira do Alferes Sousa, este atingiu o Contente no Abdómen.
Para alem do sofrimento, o Contente tinha ficado tambem sem o "BAÇO".
Já foram por Deus Chamados à sua Divina Presença, mas eu não me poderei nunca esquecer desta data nem dos meus amigos.

Nota.:-Deste acidente, nenhum castigo para ninguem. Foi tudo "abafado"

Meu Comandante,
Despeço-me com um até breve para continuar a viagem até Sá da Bandeira.
Ao Dimas, o meu obrigado pela conservação do mapa de Angola anos 70.

Fazia-me geito agora!
Sotero

VOO 1740 REVIVER




Costa Ramos
Esp.MMA, Guiné
Coimbra

Meu comandante dá-me licença...

Ao ler os escritos do José Osório no vôo 1739, não pude deixar de me lembrar do "Brutus" Ten/Pilav Lopes que numa experiência de performance depois da chegada dos fiat's á Guniné foi atingido na asa direita no bordo de ataque,que por sorte plena, não o obrigou a ejectar-se, foi puro milagre,após a recepção da aeronave mandou carregar o 2º disponível e foi ao local onde lhe deram, e pagou-se da mesma forma...era assim, tempos de guerra.


Seja bem vindo "Brutus" para mim uma referência,á eu fui chefe de linha dos Do's, e consigo voava embora noutros aviões o Alf Pignatteli(Diabo);o picapau(Sarg Oliveira);Furr/Honório;Cruz Abecassis, Cor/Tir/Pilav,que queria ser cemfa,entre, tantos outros, que agora ao fim de 40 e muitos anos já não me lembro.
Costa Ramos


Voos de Ligação:
VOO 1739 HISTÓRIAS DA BASE AÉREA Nº12

VOO 1739 HISTÓRIAS DA BASE AÉREA Nº12





José Osório

Esp.Mec.Rádio
Suécia



Caro Comandante,
Vários amigos vão-me fazendo chegar as mãos, algumas historias interessantes que gostava de publicar no nosso Blog.
Esta especificamente chegou-me das mãos do Comandante Egídio Lopes.

Legenda: Fiat G-91 estacionado na Linha da Frente da BA 12.
Foto:Arnaldo Sousa(direitos reservados)

Para a Guiné, montar a esquadra dos G-91 – Tigres (que em Moçambique chamaram depois Jaguares, nome que ainda se mantém), fui eu, acompanhado pelo Ary, Manuel Luís António e o então 1º Sar. Piloto Cardoso. Um grupo de alto gabarito, sempre pronto e operacional para o que desse e viesse. O T/Cor. Hugo Damásio e eu viajámos no mesmo DC-6 para a Guiné. O velho “leão” (H. Damásio) foi comandar o Grupo Operacional, mas fazia também parte da Esquadra dos Tigres. Meses depois foram chegando outros pilotos, entre os quais o Maj Pil. Av. Moreira, que ficou a comandar a esquadra, depois de estar tudo montado e operacional. Como pormenor: quando fui nomeado para a Guiné, fiz uma reunião com os sargentos mais antigos da Manutenção da B.A.5, tendo encarregado o 1º Sargento Marques de arranjar uma lista de mecânicos, das diversas especialidades para a esquadra da Guiné. No dia seguinte veio ter comigo e informou-me que eram todos voluntários. Foi uma negociação aturada para fazer a selecção sem ferir susceptibilidades, mas que o 1º Sarg. Marques e e 2º Sarg Resende, este com a especialidade de motores a jacto, conseguiram levar a bom termo. O Resende foi muito mal tratado pela FAP porque não quiseram considerar doença em serviço uma enfermidade que foi adquirindo nos testes (violentos para o físico e para a saúde) dos muitos motores a jacto que testou ao longo dos anos. Os poucos pilotos que havia para voar todas as aeronaves na Guiné, fazia com que muitos voassem 2 tipos de avião. Voava normalmente o Fiat e Dornier-27. Num curto período de tempo houve uma falta de pilotos de T-6, avião que nunca tinha voado. Pedi ao Ten. Mil. Marinho para me dar umas horas de instrução de voo neste avião, depois de ter estudado a TO. Ao fim de 3 voos disse-me que já poderia voar sozinho!! E lá fui eu, com algum receio, fazer uma voltas de pista. Não me sentia muito seguro. Mas no dia seguinte era necessário fazer um ATIP com o T-6. Pedi instruções ao Marinho e ousei arriscar. Quando ia a caminho do avião, o Resende viu-me e perguntou-me se me podia acompanhar. Nem pense! Morrer por morrer que morra só um porque não tenho experiência neste avião. E muito menos a fazer bombardeamento. Então morremos os dois, respondeu-me ele e lá foi buscar um paraquedas para ir comigo. Correu tudo bem, mas senti-me muito desconfortável e com alguma insegurança à mistura.
Insensatez, exagero? Talvez, mas era assim!
Um ABrutus.






Na fotografia que junto (enviada pelo António Six) segundo a informação que tenho (pilotos de F86 – G91 ) são: Egídio Lopes (Brutus) em pé, Vasconcelos e Sá lado esquerdo em baixo e ao lado direito e o Ary. [Image] O Ary Meca Murraças era furriel miliciano que fez o curso de F-86 com o Egidio Lopes em Monte Real. Na altura havia ainda milicianos na caça. Nesse curso era o Egídio (do quadro), o Manuel Luís António, alferes miliciano, e o Ary e Cavaleiro, furriéis milicianos.
Bons aviadores e óptimos colegas.
Abraço / José Osório







VB: Bom-Dia Osório.
Pois como sabes,é sempre um grande orgulho para nós receber nesta base todos os aviadores que a ela pertencem ou queiram pertencer.
Agradecer-te,embora seja uma "obrigação" de cada um de nós,conduzires o nosso companheiro Com.Egídio Lopes até esta base,onde está a ser recebido nas condições a que sempre habituamos os nossos pil's,e por último dizer-lhe que foi largado,o que equivale a dizer,como ele melhor que ninguém sabe,vai passar a voar sozinho.
Queremos desde já convidá-lo a integrar a nossa Tertúlia "LINHA DA FRENTE",que como deve calcular tem as suas regras.
Terá que nos enviar um duas fotos,uma militar e outra actual,contactos postal, telf e e-mail,o seu curriculum militar e contar-nos as suas preciosas histórias(como esta com que se apresenta nesta base) vividas na nossa FAP. Como não existem patentes militares nem extractos sociais,mas sim respeito mutuo como fomos habituados no seio desta família,o nosso trato é por tu.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

VOO 1738 VOO 1735 MAIS UMA GLORIOSA MULHER DE GUERRA,ACABA DE ATERRAR!



José Osório
Esp.M.Rádio, BA12
Suécia





VOO 1735 MAIS UMA GLORIOSA MULHER DE GUERRA,ACABA DE ATERRAR!

Acho que este artigo só demonstra o valor destas jovens que foram na realidade o grande apoio de todos nós que passámos pelas guerras de África.
Mulheres com um M GRANDE.
Parabéns a Rosa Serra e a todos as suas colegas.
Jose Osorio

VOO 1737 O CONVÍVIO DE TETE




José Leal
Fur.Mil.PA, Tete
Caminha


Amigo Vitor
Exijo (parece que estamos no tempo da outra "senhora"), que seja publicado no teu - nosso - blog, o texto/comentário que fiz a um escrito teu em www.ab7tete.ning.com - até faço publicidade à nossa rede e tudo, estás a ver - e que diz o seguinte:

"Olá amigos:
Ainda não tive tempo de falar do almoço. Ficará para outra oportunidade.
No entanto não posso deixar passar esta "deixa" do meu amigo Vitor Barata, que conheci há tão pouco tempo, mas que é de uma fraternidade e amizade excepcionais.
O trabalho que o Vitor Barata faz no seu blog é de uma importância vital, não só para a união de todo o pessoal da FAP, mas também para que não se deixe morrer a história. Os tempos de guerra colonial estão ali retratados. Sem demagogias, sem falaceias, com rigor, com emoção, com dor, com saudade, por quem viveu os acontecimentos. Ali não há conversa de gabinete. Ali está o retrato de uma geração a quem foi roubado o melhor tempo da sua vida. Que concordando ou não com a situação, a viveu. Ali estão o soldado e o general. Sem distinções.
O meu amigo Vitor Barata, teve a sensibilidade de "pegar o touro pelos cornos" e em resposta a alguns dissabores que vai sofrendo, não desanima e com serenidade mas com firmeza, vai-lhes dando a resposta adequada.
Não esteve connosco em Tete. Mas também é um dos nossos.
É nosso dever tratá-lo com a deferência que ele merece.
Quanto aos filhos meu amigo, tens razão. Mas felizmente também não te podes queixar.
Um abraço
José Leal"

Um abraço
José Leal

Voos de Ligação:

VOO 1721 O ENCONTRO DO AB7.
JC: Pois é companheiro José Leal, o comandante Víctor "VIVE" esta causa dos Especialistas e contagia todos nós com a sua dedicação e esforço, mesmo com sacrifícios pessoais, para elevar e unir esta classe a que muito nos orgulhamos de pertencer. Infelizmente nem todos percebem isso pois estão mais preocupados com o seu umbigo. Um abraço para ti aí pelas belas terras de Caminha.