terça-feira, 8 de junho de 2010

VOO 1771 OS 51 ANOS DA BASE AÉREA Nº5





Fernando Castelo Branco

1ºSargº.MMT
Terceira - Açores


Estas fotos foram feitas no dia 23 de Maio de 2010,durante as comemorações do 51º Aniversário da Base Aérea nº5,em Monte Real.
A sua imponência,não nos permitem fazer qualquer tipo de comentário.


VOO 1770 O POSTAL DE FÉRIAS DE 1969.






Victor Sotero
Sargº.Mor EABT
Damaia


Meu Comandante:
Cá estou para saudar o Comando, a Linha da Frente e os Zés que nos visitam
Termino com este "postal de férias,1969" as minhas boleias e as do Pinto, que ainda hoje muito recordo e muita saudade de África me fazem ter.


De Nova Lisboa para Sá da Bandeira, a viagem, de muitos quilómetros foi em automóvel, um SKODA.
Fomos recebidos no Rádio Clube de Sá da Bandeira quase como "heróis". Fomos notícia por se encontrarem dois militares da Força Aérea, vindos do Norte, de férias no Sul de Angola. Fomos ainda "brindados" com dedicatórias de discos pedidos que passavam a altas horas da noite.
Entre esta cidade e Porto Alexandre, areia, muita areia e dunas.
Um porto de pesca onde os barcos atracavam a pequenas passadeiras de madeira a cerca de quarenta metros da praia.
O peixe é retirado por meio de mangueiras que fazem a sucção do peixe directamente para a fábrica que transforma em farinha.
Continuamos as boleias pela região do "ouro branco", algodão.
Nos arredores de Novo Redondo, há centenas de quilómetros plantados com algodoeiros.
As cachoeiras são indiscritiveis.
Aqui, admirando a Natureza, lembrei-me do pensamento: "a natureza é mais maravilhosa nas suas realidades, que a imaginação do homem na sua fantasia".
A água cai da altura aproximada de quarenta metros formando uma nuvem de brancura.
Admiramos esta maravilha, já o Sol se aproximava do seu ocaso.
Há também lagostas. Muitas lagostas.
O preço é irrisório. Come-se lagosta aqui, como se come um bife por aí!
Lobito! Oh!... o Lobito, Benguela, como será que vou arranjar palavras para as descrever?
Vou tentar fazê-lo por alto!
Há mar com praias lindíssimas, baías, salinas, palmeiras, coqueiros, centenas de coqueiros! Plantações de cana de açúcar, o porto, o melhor da Costa Ocidental Africana! Testa de um caminho de ferro Trans-Continental, o de Benguela, (C.F.B.), cinemas ao ar livre, flores, muitas flores, tantas, que um poeta escreveu:

"Cada casa é uma flor,
Cada Bairro é um amor,
Tú és um jardim, Lobito."

Que sinfonia de cores! O azul da baía, a brancura das salinas, o dourado das areias das praias, o verde das plantações açucareiras, o cinzento do porto, o colorido das casas, uma lindeza!
Tão lindo, tão lindo, que "alguém" lhe chamou com razão: "Sala de visitas de Angola"
E Luanda?
Luanda, está dia a dia mais linda!
Mais prédios, mais indústria, mais gente, mais e mais cidade.
Depois de várias boleias de automóvel, Jeep's e camionetas, percorridos já alguns milhares de quilómetros, através de Angola, entre florestas de imbondeiros e palmeiras onde se entrelaçam milhões de lianas, eis-nos no regresso ao N´gage, passados vinte e um dias.
A região da Gabela com os seus cafézeiros em flor é uma maravilha. Sintra, não é mais bonita, afianço-vos. Está unicamente mais explorada turísticamente.
Turismo, é palavra que não hesiste nos dicionários, em Angola.
...mas eu e o meu companheiro, fizémos turismo.

Meu Comandante:
Saudando o Comando, a Linha da Frente e os Zés, que nos visitam, despeço-me com "um até breve".

Sotero

Voos de Ligação:
Voo 1720 Férias sim,mas...em Angola no ano de 1969 (I) - Victor Sotero
Voo 1748 Férias sim,mas...em Angola no ano de 1969(II) - Victor Sotero

VOO 1769 PARABÉNS À LINHA DA FRENTE.






António Loureiro
Fur.Mil. PA
Figueira da Foz



Dá-me licença senhor Comandante


(Se não for bem sucedido em mais esta tentativa de envio desta msg, vou tentar os pombos correios)

1- Quero enviar os meus mais sinceros PARABÉNS a toda a tripulação deste C130 pelo magnífico trabalho de persistência ecuménica, com a certeza de que a linha de orientação delineada se manterá, contribuindo para que o sentimento de bem servir evolua no sentido positivo.

2- Manifestar o meu mais profundo agradecimento por em boa hora ter sido convidado a pertencer a este magnífico grupo de amigos que, falando a mesma língua, procuram que as aeronaves estacionadas na placa da linha da frente se mantenham operacionais e de prontidão imediata, deixando a segurança à minha responsabilidade.

3-Porque estava bem disposto, fui agarrar uma teca de caranguejos para a petiscada e, apesar de os não comer por causa do ácido úrico, os contemplados acharam a ideia interessante e eu, lá me fiquei pelas loirinhas para não perder tudo.
Os caranguejos, para além de mal jeitosos, não me despertam nenhum sinal de simpatia, não sei se por a sua figura estar directamente ligado ao símbolo de determinada maleita ou se pelos seus comportamentos por vezes estúpidos e desagradáveis, prontos a ferrar os terríveis "alicates", mesmo a quem não lhes quer fazer mal, fazendo com que eu, pelo sim e pelo não, os goste de ver vermelhinhos na panela.
A sua forma esquisita de locomoção, andar para trás, faz-me lembrar certos "senhores" que, apesar da idade, ou não querem ou não sabem andar para a frente, fazendo-me lembrar aquele episódio do menino zéquinha que era o único que levava o passo certo no pelotão, e para esses meus caros, nada melhor do que uma boa panela.

4- Apesar do muito tempo que ainda falta para a almoçarada, a minha resposta só pode ser positiva, agradecendo à Organização o favor de apontar o meu nome na listagem.

Despeço-me com um abraço de amizade.

Loureiro PA

VB. Bom-Dia,Loureiro.
Antes de mais o nosso agradecimento pelas tuas considerações elogiosas ao trabalho desenvolvido nesta Base.Porém, não podemos deixar de ser reciprocos ,pois sem a tua colaboração e dos restantes "operacionais",não teríamos atingido essas qualidades.

Quanto à tua presença no nosso Encontro dia 4,é enriquecedora para que o ambiente seja o desejável,os congregar dos nossos Tertulianos.

VOO 1768 OS NOSSOS CONVÍVIOS.






Arlindo Piriscas

2ºSargº.Mil.MMA
Feijó


Polémicas à parte, o que interessa é a discussão, e quando esta tem como objectivo o consenso, melhor ainda, vem isto a propósito da participação de alguns Zés que não prestaram serviço na BA12. Pois é companheiros e amigos da Linha da Frente, todos aqueles que participam e acompanham o dia a dia deste Blog, sabem perfeitamente o quão importante ele tem sido para muitos como eu, que só passei por Bissalanca com destino a Luanda. Toda a discórdia em redor da AEFA, teve a sua razão de ser , pois poderão dizer que estou a juntar alhos com bugalhos , no entanto recordo-vos, que foi através da minha participação neste Blog ( Já que o Blog da AEFA não funcionava com esse objectivo ), que ao fim de trinta e tal anos consegui encontrar muitos dos jovens com quem partilhei parte da minha juventude por terras de Angola ( Negage ) e Moçambique ( Tete ), e ao participar no vosso convívio do ano passado em Vouzela reforcei esse meu desejo, infelizmente este ano não foi possível participar por motivos que são do vosso conhecimento , no entanto espero ter saúde para estar presente no convívio do terceiro aniversário deste nosso Blog, porque amigos Zés da Linha da Frente, este espaço tem sido e continuará ser um local de encontros e convívios de todos aqueles que serviram a FORÇA AÉREA PORTUGUESA independentemente do local onde prestaram serviço.
Esta é a minha opinião e é susceptível de ser contrariada.
Um abraço para todos .
Arlindo Pereira - Piriscas

Voos de Ligação:
Voo 1758 Encontro de Especialistas da BA 12 Bissalanca,Guiné - Mário Aguiar
Voo 1764 Encontros Pessoal BA 12,Minha Opinião - Manuel Lanceiro

VOO 1767 A SAGA CONTINUA (VI)





Ovídio Sá

Esp.EABT
Chaves


A SAGA (Continua)

Para todos vai o meu abraço na generalidade, o meu particular vai sim direitinho para o Nosso Comando da tertúlia, pela Sua abnegação em defesa da causa que Se propôs.

Em Maquela do Zombo, quando eu me encontrava neste destacamento para fazer a conferência de material pois ia processar-se a mudança de comando, resolvemos de dia, ir à caça à noite. Após os convites, os preparativos para tal e eis que saímos noite escura visto ser o ideal para a caçada, a qual, pensávamos nós, “vai dar pano para mangas amanhã”.

Como estava combinado, foi toda a classe alta deste destacamento a qual se compunha: dois Oficiais, substituído e substituto, dois Sargentos, o que estava a tomar conta da Messe, eu, um Zé que não sei qual e o condutor da viatura que era o Jeep do Sarg. da Messe. Como não percebia nada de pontaria, pois uma vez estavam poisados mais de trinta pardais distraídos, num cevadouro de migalhas de pão, o rapaz atira, com chumbo miudinho e ficam mortos apenas seis, quando eu estava escondido a uns dez onze metros e à vontade. Era de tal natureza atirador que quando andava na recruta ainda era usada a “mauser” a qual dava um coice do demo então, para que ela não me batesse na cara, apontava normalmente não obstante, virasse de seguida a face para o outro lado, disparando sem sequer ver o alvo. Desculpem este aparte mas achei ser necessário.

Claro que para mim, na nocturna caçada, estava reservada a missão de controlar

a cada instante a viatura, assim como os olhos da caça grossa que eram autênticas lanternas acesas. Em marcha lenta, quando se via o bater da rama das árvores em ambos os lados do jeep, lá estava o “farolineiro” eu, minuciando seja o lado esquerdo, seja o direito e, quando algo de anormal via, dizia-lho aos que iam já com as armas prontas e fazia um traço com a luz em frente da viatura e assim o condutor parava. Só que numa destas paragens em que se viam com nitidez dois faróis a olhar para nós, fixo o meu farol nos olhos do bicho, ouve-se um tiro e vê-se ou ouve-se o animal correr para aquele que era o nosso sentido então, não ligando ao sinal de luzes, ouve-se uma voz – Avança … Avança -. O condutor não está com mais aquelas e arranca, mas sem nós os que estávamos no varandim do jeep. Eu quase me desmaio pois cai-me em cima o Formosinho, Sarg. da Messe e olhando na escuridão vejo a lanterna que eu, sem querer deixei da mão, rodopiar sobre a minha vista rapidamente. Pensei que estava numa estrada muito movimentada e que era luz de uma Ambulância que me transportava para o hospital. Com esta queda começam os nossos dissabores. O Formosinho, o mais forte de todos nós, torceu um pé e para tudo estar conforme, o jeep teimou e nunca mais andou. Sem saber onde estávamos, de noite, escuro como breu, apenas com uma lanterna, com o Formosinho a precisar de apoio substituindo-nos um de cada vez em tal mister, após uns bons Quilómetros e todos com o nariz bem levantado descortinámos uma luz. Embora estivéssemos em guerra, para lá nos dirigimos. Deparamos então com uma “picada” que tinha os rodados ainda frescos da passagem de uma viatura. Deve ser um aquartelamento militar que está aí. Se pensámos nisso, num ápice tivemos a certeza, começando imediatamente em altos gritos. – Sentinela, não atire somos militares da F Aérea e, assim nos aproximámos do quartel e entrámos já que a porta estava aberta sem ninguém a guardá-la o mesmo acontecendo com a sentinela que havíamos chamado. Tinham sido raptados pelo in? Não! Dirigimo-nos para o local de onde ouvíamos algumas vozes e descobrimos o porquê de não haver sentinela, ninguém que estivesse à porta de armas e a razão do tal parlatório. Estavam todos no forno que estava a cozer. Foram connosco bastante simpáticos e por eles nos foi dito que, com toda a certeza, após a narração da nossa aventura, tínhamos entrado em território Congolês. Para terminar, logo que o bicho foi bem morto, comprometeram-se e cumpriram levando-nos de regresso ao nosso Aeródromo, 31 de Maquela do Zombo numa camioneta, bem sentados e melhor guardados que o quartel onde eles permaneciam.

Se é certo que quando ainda jovem pensava na nossa guerra ultramarina, nunca pensei que um dia seria personagem que nela entrasse e quando lia o jornal de notícias que em casa assinávamos, lia com alguma frequência que mais um morto engrossava a fila dos desastrados. Se é certo que antes de ler a notícia, em sentido pejorativo de imediato os presentes diziam:

- Mais um que morreu de acidente!

Hoje, passados mais de quarenta anos, dou ao jornalista plena razão, porque se alguém morria, que não eram assim tão poucos, alguns era por morte natural e outros acidentados, como se elucida o passado neste aquartelamento

Como aquela vez em que passava a ronda como Sarg. Dia à Formação (SDF) e encontro um soldado a dormir, fora da torre, sentado, com a G3 encostada e que por precaução recolho.

Pouco inteligentes me pareciam aqueles a quem na época apelidávamos de terroristas, uma vez que casos como os ora mencionados, todos os dias aconteciam.

O Zé especial EABT

Olvídio Sá Chaves

VB.Grande ausência Olvídio,provavelmente em manutenção?!...Bom,pelo vimos já estás operacional,como tal vamos aguardar a normalidade do teu tráfego.

VOO 1766 "3 de JUNHO de 2010".





Victor Sotero
Sargº.Mor EABT
Damaia



VB: Caros Companheiros,tal como foi anunciado,a nossa Unidade assinalou o seu 3º Aniversário
no passado dia 3,muito embora só vá comemorar esta efeméride no próximo dia 4 de Setembro conforme a divulgação que se mantém nesta página.
O Victor Sotero,mais uma vez,nos demonstrou o seu amor e dedicação a esta "Base"através das letras que desenhou e nos enviou, fazendo uma genuína analise à evolução desta unidade.
Sensibilizados com este teu "voo",queremos agradecer-te a energia que nos transmites no sentido de continuarmos íntegros e fortalecidos para receber muitos e muitos voos nesta
NOSSA LINHA DA FRENTE.



PARABÉNS, COMANDANTE



Desde "bébé" pequenino
-irrequieto e ladino,
que os "ZÉS" gostam de lê-lo.
Com um avião a seu jeito,
traz artigos a preceito
e até dá gosto relê-lo.

Todos os "ZÉS" da unidade
Aguardam com ansiedade
Os dias de "emissão".
e com avidez de pasmar,
percorrem-no de par em par
lendo-O com sofreguidão.

Mas o "bébé" já cresceu.
-É agora um verdadeiro "menino".
Um vigoroso "petiz".
Os artigos vão mudando,
as páginas vão aumentando
a cor dá-lhe um ar feliz.

Depois, a fotografia
trouxe mais categoria
à sua paginação.
Hoje, já é quase adulto
e eu, presto o meu culto
com esta "comemoração".

É, sem ares de grande vedeta
e a fulgurância de uma caneta
que refulge no firmamento.
A Unidade não pára agora
e melhora de hora a hora,
melhora a cada momento!

Oretos
Junho de 2010

segunda-feira, 7 de junho de 2010

VOO 1765 O ÁLBUM DO PIERRE FARGEAS.




Pierre Fargeas

Técnico Francês de Helicópteros ao Serviço
da FAP na Guiné
França




Quis o nosso Amigo Pierre brindar-nos com esta foto que compõe o seu álbum de recordações.
Duas figuras emblemáticas personalidades da Base Aérea nº 12, Bissalanca, nos anos 70/72.

Legenda: O Cor.Pilav.Moura Pinto e o Ten.Cor.Pilav Fernando Brito.
Foto:Pierre Fargeas(direitos reservados)

O da Esqº. Cor.Pilav.Gualdino Maria Moura Pinto,Comandante da ZACVG(Zona Aérea de Cabo Verde e Guiné) e Comandante da Base Aérea nº 12. O da dirª.,Ten.Cor.Pilav.Brito,Comandante do GO(Grupo Operacional) 1201 da Base Aérea nº 12. Infelizmente já partiram, a nossa Sª.do Ar chamou-os para uma unidade onde um dia também iremos aumentar o seu efectivo.
Grandes nomes da nossa querida FAP,tendo o Ten.Cor.Brito falecido ao seu serviço quando,em pleno quadro operacional,aos comandos de um Fiat-G91,foi atingido por um míssel Strella,entrando o seu nome na história da Aviação Portuguesa como o 1º piloto a falecer vitima de tal arma.
O Cor.Pilav.Moura Pinto,na sequência deste e outros acidentes que se seguiram,não concordando com algumas medidas do Comando Chefe,Gen.António Spínola,acabou por sair da FAP ingressando na TAP como piloto de linha,falecendo algum tempo depois vitima de doença prolongada.

VOO 1764 ENCONTROS DP PESSOAL DA BA12,A MINHA OPINIÃO.




Manuel Lanceiro
Esp.MMA

Lisboa


Companheiros,
No voo 1758, de 4 de Junho, o Mário Aguiar abriu uma questão, que para mim tem muita importância.
Em primeiro lugar quero fazer-lhe uma pequena correcção, a malta com quem ele veio, não são pioneiros destes encontros, mas já temos alguma veterania.

E, porque, num futuro próximo, também planeio organizar um encontro. Acho importante que se abra, sem preconceitos de espécie alguma, sem dramas nem complexos, um debate ou uma reflexão como queiram, sobre o tema.
É verdade que os primeiros encontros foram relativamente pequenos e eram focados na malta de determinado tempo, mas, se bem me lembro, não havia nenhum tipo de restrições às especialidades (havia representantes de todas).
Como é natural, com a passagem do tempo, uns foram trazendo outros e o nosso encontro foi, de uma forma natural, aumentando (tipo bola de neve).
Hoje o nosso encontro é uma mescla de pessoal. Gosto de ver “Zés” de todas as especialidades, pilotos, enfermeiras(os) etc. representados, o importante é que tenham passado pela B.A.12.
É uma alegria ver várias gerações se cruzarem e fazerem amizades.
Sei de um piloto que vem todos os anos de Espanha só para estar connosco, só ele sabe com que prazer.

Legenda. Os "Canibais",Jorge Narciso,Cunca e Manuel Lanceiro.
Foto: Jorge Narciso(direitos reservados)

Só assim foi possível juntar três gerações. (ver voo 1752 e 1756 "Pai" Jorge Narciso,O "Filho"Cunca e O "Neto"Manuel Lanceiro.
Não quero com isto criar qualquer espécie de polémica.
E já agora, parabéns ao Cruz Dias ao Oliveira ao Vilela (onde estiver) e a mim, porque hoje é dia 6 de Junho e renascemos há 36 anos.

Um forte e grande abraço

Manuel José Lanceiro

Voos de Ligação:

Voo 1756 Encontro de Especialistas da BA 12 Bissalanca-Guiné Mário Aguiar
Voo 1762
Encontro de Pessoal da BA 12 Guiné - Fabrício Marcelino



domingo, 6 de junho de 2010

VOO 1763 MAIS UMAS DERROTAS


António Loureiro
Fur.Policia Aérea
Figueira da Foz






Dá-me licença senhor comandante

Porque a vida não pára

Entre as pessoas que alguma vez ousaram saltar de um avião, apesar de não ser nada de especial, cria-se automaticamente uma empatia misturada com um sentimento de respeito, solidariedade e amizade que dificilmente se esvanecerá para o resto da vida.
Ao ver o depoimento tão interessante da nossa amiga Rosa Serra, uma pioneira, veio-me há ideia (mais uma derrota) dessa coisa dos saltos.
Certa vez, eu e o meu querido amigo Martins Silva, ex-1º.Cb Op.Rad., fomos saltar ao Aeroclube de Évora no Cessna do Paraclube os Boinas verdes.
O tempo, apesar do sol, não estava grande por causa do vento inconstante, quase no limite, mas aproveitando as "sotas", o incansável SAJ.Pára-Silva, quando via uma oportunidade, logo pedia voluntários para mais um salto e assim, lá foi mais uma equipa para o ar.
O M.Silva foi o primeiro a ser largado e eu o último, pela ordem natural das coisas, ele deveria aterrar primeiro do que eu, mas nada disso, por efeito das massas de ar, eu fiquei numa corrente descendente enquanto ele numa corrente ascendente e devido a isso, ultrapassei-o a grande velocidade e passados pouco tempo, apesar de eu quase subir pelos cordões acima na tentativa de perto do solo os largar para de algum modo amortecer o ataque ao solo, a verdade é que nem assim me safei de provocar uma entorse aborrecida num "canelo", sendo arrastado de imediato pela força do vento até conseguir
fechar o paraquedas, efectuando a manobra de recolha dos cordões de baixo.

Legenda: O Loureiro num dia de saltos

Foto: António Loureiro (direitos reservados)

Entretanto o nosso amigo M.Silva continuava numa boa, lá em cima, com pouca vontade de sair de lá, até que, como lá em cima não fica ninguém, também veio por aí abaixo.
Como não há bela sem senão, ao chegar ao solo, teve as mesmas dificuldades que eu, ou possivelmente maiores, porque mal pôs os pés no chão, começou a "lavrar" por cima da terra balofa, só parando dentro de uma vala de água com mais de 1 metro de profundidade.
Lá vinha eu a dizer mal da minha vida, a coxear para o hangar, quando me encontro com outro paraquedista da equipa, por acaso alentejano, estava a "jogar em casa", que apesar do seu fino sentido de humor, não tinha motivos para vir bem disposto.
Tinha estreado um fatinho de salto branco todo xpto, que de branco já pouco, pois estava todo "borrado" de lama e de sangue na zona do pescoço e do peito.
De referir que era uma tarde típica de Novembro, depois de um almoço bem comido e melhor regado.
Quando o vi naquele estado até deixei de coxear, afinal eu parece que não tinha nada comparado com ele.
Lá lhe mandei uma boca:
Eh pá, que foi essa ..., fugiste da tábua? queriam-te matar ou quê?
(normalmente nas aldeias matam os porcos numa tábua em cima de um carro de mão, porque já há poucos carros de bois).
Está calado pah, nunca mais ponho a ...... da tripla segurança, olha para isto, assim que toquei com os pés no chão, o paraquedas não esvaziou e arrastou-me contra a cerca de arame farpado, fiquei com os bicos do arame enterrados no pescoço e com o paraquedas do outro lado a puxar-me e eu estava a ver que não conseguia ver-me livre do paraquedas por causa daquela porcaria, olha para isto, está aqui um lindo serviço, nunca mais ponho aquilo.
Como estava etilicamente bem disposto, as dores foram mais suportáveis e lá foi fazer companhia ao Especial M.Silva tomar uma choveirada de água fria em pleno mês de Novembro.
Acabaram os saltos naquele dia.

Pois é, não são só vitórias.


Voos de Ligação:
VOO 1735 MAIS UMA GLORIOSA MULHER DE GUERRA,ACABA DE ATERRAR!

sábado, 5 de junho de 2010

VOO 1762 ENCONTROS DE PESSOAL DA BA 12, GUINÉ.






Fabrício Marcelino

Esp.MMA
Leiria



Caro colega Mário Aguiar.
No teu VOO 1758,deixas nas entrelinhas,se bem compreendi, que os futuros encontros de Especialistas da B.A 12, devem ser para todos e, não só para alguns,como tem acontecido.Concordo plenamente contigo.Muitos mais teriam participado, se tivessem conhecimento.Inclusive neste 33º.Eu era um dos que participava, se alguém me tivesse dado a conhecer o mesmo.
Quanto às especialidades descritas, penso que por lapso,te esqueceste dos pilotos pelo menos.É que a Força Aérea,como sabes, teve muitos cabos especialistas pilotos,subindo nas promoções até oficiais.Quando tirei o curso MMA,os únicos cursos que decorriam em Sintra (B.A.1), eram M.M.A. e de PILOTOS,com vários cabos alunos.Temos inclusivé na nossa "aeronave" casos desses.
Provavelmente hoje,há outras especialidades na Força Aérea consideradas especialistas,que no meu tempo não eram.É o caso de todas as especialidades que hoje integram a Área de Apoio,excepto os de Abastecimento ABST,que eram e são especialistas.
Um abraço amigo
Marcelino

Voos de Ligação:
Voo 1758 Encontro de Especialistas da BA 12,Bissalanca-Mário Aguiar

VB.Amigo Fabricio,tanto quanto sei todo este processo vai ser revisto e esclarecido pelos fundadores deste deste evento. Por isso,vamos aguardar a "ordem de serviço" com a calma que nos é comum

VOO 1761 CANTANHÊS (2)





António Dâmaso

Sargº.Mor Paraqª (Refº)
Odemira




CANTANHÊS (2)

CABOXANQUE

A CCP 121, na Operação Tigre Poderoso 4.º período que foi de 19FEV a 24MAR73, foi colocada em Caboxanque onde estava a CCAÇ 4541 que estava empenhada na construção de um tabancal feito com telhado de chapa de zinco, tudo na aplicação da “psico-social” para cativar as populações.
Já lá tinha estado por dois ou três dias em 12 de Dezembro, onde tinha aberto valas e construíndo abrigos em Sargento Xanque, integrado no 2.º bigrupo da Companhia, desta vez o meu Pelotão ficou instalado junto da encosta que dava para o rio Bixanque, donde se avistava a outra margem para os lados de Cadique Iala.
A actuação da Companhia era ao nível de bigrupo, praticamente estava quase sempre um bigrupo em patrulhamento, com direito a dormir na mata onde tínhamos por companhia os macacos, estes ao anoitecer quando estavam a procurar cama para dormir, faziam um grande alarido, de quando em vez, actuávamos em operações ao nível de Companhia, actuamos nas zonas de Cafal, Jemberem, Cadique e Bedanda.
Em Caboxanque havia um terreiro que servia de Heliporto e de campo de futebol, sendo a prática de futebol uma ajuda para passar o tempo quando estávamos no aquartelamento, também aqui saltou a Equipa de Queda livre do BCP 12.


Legenda:Equipa de Queda livre do BCP12, após um salto em Caboxanque
Foto:António Dâmaso(direitos reservados)

Legenda:Foto (H BCP12)
Foto:António Damaso(direitios reservados)

Fez-se um campeonato entre os pelotões da CCP 121 e da CCAÇ 4541 depois foi a final entreos finalistas duas companhias, não me lembro quem ganhou.Eu como não sou craque, chuto para onde estou virado, não participei como jogador mas ainda apitei um jogo entre velhinhos e piras.

Legenda:Foto (H BCP 12)Nesta foto fui “apanhado” em patrulhamento na passagem pela Tabanca de Flaque Injã
Foto:
António Dâmaso(direitos reservados)

Os géneros eram transportados por via aérea nos Dakota e Noratlas até Cufar onde nós com os Zebros os íamos buscar.
Um dia calhou-me ir com uma secção a Cufar buscar víveres, dentro dos botes, armados e equipados, íamos atentos a ambas as margens, ainda me passou pela cabeça que em caso de tiroteio, que um bote fosse furado, as nossas esperanças de sobrevivência eram muito fracas, vestidos, calçados e com o peso do equipamento, dificilmente nos manteríamos à tona e com a agravante dos jacarés nos puxarem para o fundo, missão era missão, com mais ou menos riscos, era para se cumprir com a esperança de que não acontecesse o pior.
Antes disso já o meu Bigrupo tinha feito um patrulhamento de ir Rio acima nos citados botes, depois regressando a pé pela mata com pernoita, na ida tinha mesmo visto muitos “alfaiates” nome dado aos jacarés.
Chegados a Cufar, tinham ido de avião uns frangos vivos(1), descarregaram-nos enjaulados e ficaram ao sol e sem água, quando os vi a maioria já não estavam vivos, apareceu por lá o Comandante do Batalhão, ainda o ouvi prometer uma “porrada” ao Sargento que os tinha levado, não sei se concretizou a promessa ou não.
Para não comermos sempre o celebre arroz (bianda) com tainha frita, havia um Sargento que levava dois botes e um cunhete de granadas de mão, ia rio acima e trazia-nos bom peixe de 1.ª, com aquele peixe até o arroz sabia melhor e ao pequeno-almoço, duas ou três postinhas daquele peixe com pão e uma cervejinha, ficávamos regalados.
Outro Sargento arranjou uma rede de pesca e ia para a Bolanha onde tinham descascado o arroz, e apanhava pardais às centenas, havia sempre petisco, uma vez conseguiu dar uma refeição à Companhia toda.
À noite havia uns graduados que gostavam de ficar na conversa, debaixo de uma palhota improvisada com petromax aceso, local onde já tinham acertado com um foguetão de 122 mm quando lá estava a outra Companhia, eu como não gosto de facilitar, arranjei uma lata de cerveja que enchi de gasóleo e com uma torcida tinha uma lamparina que apesar da fumarada, dava-me para ler dentro do buraco até adormecer, claro que depois tinha de soprar para a apagar.
O acto da sopradela para apagar a luz, ficou-me arreigado tal modo como aquele reflexo de rapidez de se atirar ao solo sempre que ouvia algum estrondo, pois da rapidez com que se atiravam ao solo, podemos contar com muitos sobreviventes daquela guerra.
Finda a guerra além de outras as sequelas da mesma, lembro que quando estava deitado, por vezes a minha mulher me dizer para apagar a luz, deva uma sopradela antes de carregar no interruptor, aquilo serviu de chacota durante algum tempo até eu perder o “maneirismo”.
O Comandante da CCAÇ 4541, era um Cap. Já com alguns anos e por ser mais antigo, era o Comandante do Destacamento que englobava as duas Companhias, neste posto, achou-se no direito de ter um sargento às ordens e de ter uma praça ordenança que lhe engraxava as botas entre outras coisas.
Aquilo deu confusão entre as praças Pára-quedistas ao ponto de não querem ir para lá fazer serviço, não estavam habitadas aquelas nuances, nos Páras, desde o Comandante ao soldado raso, cada um tratava de si.
Lá tivemos de os convencer que no Exército, utilizavam aquela tradição que já vinha de longe, claro que contrariados, lá se iam sujeitado aquilo.
Outra mania do Sr. Cap. em questão, era exigir que os Páras sempre que saíam para ou chegavam do mato, se fossem em formatura apresentar, para os que estavam aboletados em Caboxanque, como ficava em caminho não havia problema, já para o bigrupo que estava em Sargento Xanque, que distava a mais de 500 metros aquilo era pior que mau, como o Comandante da Companhia se sujeitava, contrariados mas disciplinados aguentaram, mas não foi só o pessoal da minha Companhia que se insurgiu com a prática militarista do Cap.
Os que estiveram na Guiné, devem lembrar-se que na mata nas noites sem luar, a visibilidade era quase nula, no entanto nas noites de luar via-se muito bem, numa noite de luar saímos fomos emboscar entre Sargento Xanque e Flaque Injã onde ficámos debaixo de uns cajoeiros, aquele luar inspirou-me de tal modo que tirei uma folha de papel do bolso e passei o tempo a escrever uns versos.
De Cufar a Caboxanque em linha recta era pertinho, mas por via fluvial devido às grandes curvas do rio, ainda demorava algum tempo, um dia uns militares da CCAÇ 4541, foram flagelados com algumas rajadas vindas de uma das margens sem consequências, mas originou que o meu pelotão tivesse de atravessar o Rio e fazer uma batida no Tarrafo, atascados em lodo até ao joelho, foi mesmo muito custoso.

(1) O BCP 12 tinha um aviário onde criava os frangos para consumo.

Legenda:Foto (H BCP 12) Ilustra as dificuldades, alguns têm de se apoiar com as mãos desatolar uma bota
Foto:António Dâmaso(direitos reservados)

A nossa missão em Caboxanque terminou em 24MAR73, tivemos a sorte de não ter havido contacto com o IN nem de sofrer nenhum ataque ou flagelação.

Saudações Aeronáuticas

A Dâmaso

VB: Caro Dâmaso,estávamos a ficar preocupados com a tua ausência,pois já algum tempo que não entravas nesta base,mas afinal acabamos de verificar que estiveste em mais uma das tuas "gloriosas"operações em Caboxanque,e pelo que nos descreves,mais uma vez com sucesso.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

VOO 1760 HOJE É DIA DE ANIVERSARIO!





Santos Oliveira

2ºSargº Mil. Ranger
V.N.Gaia


Caros Comandantes e demais tripulação.
Acabo de chegar ao VOO 1759 ESTAMOS A COMEMORAR O NOSSO 3ºANIVERSÁRIO! E não quero deixar de felicitar a Equipa de Comando e, bem assim, aos demais ZÉS ESPECIAIS.
Um Aniversário é, sempre, mais uma Marca que nos acompanha pelo resto da nossa Vida. Consideremos tenham sido os primeiros três passos na construção do Edifício que ireis legar aos vindouros.
“Mais Alto”, por slogan, como o título do Jornal meio Centenário e que de Vós provém.
A minha admiração e respeito. Os meus Votos de que muitos e muitos anos e ainda continuemos a manter a Chama de tão peculiar Camaradagem.



Abraços, do

Santos Oliveira

VB: Oliveira,em nome de toda a equipe que mantém operacional esta Base,agradecemos as tuas gentis palavras.