quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Voo 1949 ACONTECIMENTOS DA GUERRA DA GUINÉ CONTADAS PELA PRIMEIRA PESSOA




António Dâmaso
SargºMôr Paraqª.(Refº)

Azeitão




OPERAÇÃO «MAMUTE DOIDO» (1)

Muito se tem dito e escrito acerca desta operação e dos motivos que levaram à mesma, contudo há indivíduos que nunca passaram pelo Cuféu, não têm conhecimento das condições do terreno na altura, no entanto falam como se tivessem por lá passado, para mim, militares que por lá passaram pertencentes à CCAÇ19, Destacamentos de Fuzileiros, Companhias de Comandos, CCP121, CCAV3420 e outros que deixaram lá os corpos dos camaradas, sangue, suor e lágrimas, esses sim, assiste-lhes o direito de se pronunciarem sobre as suas vivências naquele local, desde que não divaguem.
Vieram dois militares que estiveram na emboscada dizer que tinha sido “aqui”, só que eles estavam na retaguarda da coluna, outro andava nas alturas, quem esteve na chamada zona de morte fui eu o “aqui” deles não corresponde com o meu, também disseram que morreram os três primeiros o que também não é verdade porque o 3.º era eu e estou cá, infelizmente morreram o 1.º, 2.º, 5.º e o penúltimo, seguindo as orientações do Blogue de Luís Graça, “não deixes que sejam os outros a contar a tua história”, segue a minha versão dos acontecimentos na primeira pessoa.
Fui contactado pela TVI para lá ir em Fevereiro de 2007, de inicio acedi, tratei de passaporte e vacinas, só num dia levei quatro, mas por motivos de saúde declinei, acabando por ter ido o camarada Victor Tavares que pertencia ao 2.º Grupo que no momento em questão ia nas últimas posições na Coluna. Posteriormente quando foram entregues os restos mortais aos familiares, estava em Castro Verde uma repórter da RTP quando soube por alguém que eu tinha estado no local, tentou-me entrevistar mas quando eu lhe disse que não era capaz de falar no assunto sem me comover, foi compreensiva e não insistiu, ainda hoje tenho muita dificuldade em falar sobre o assunto.



Legenda:Em pleno teatro operacional,junto das tabancas.
Foto:António Damaso(direitos reservados)

Passando aos factos, depois de terminada a Operação Ametista Real, como comandante Interino do3.º grupo de combate da CCP 121, ficamos em Binta à espera de uma coluna de viaturas de reabastecimento a realizar entre Farim e Guidage, a Companhia ir fazer segurança.
As conversas ouvidas em Binta no momento, eram que uma coluna de reabastecimento tinha sido emboscada pelos “turras”, que tinham feito um grande número de mortos, tinham incendiado as viaturas e levado as granadas de morteiro 81 e depois as devolveram pelos ares através dos morteiros 82, para o quartel de Guidage.
Em Binta não vi nenhum obus mas vi uma base de fogos de morteiros 81, já posicionados em várias direcções, sobre os morteiros dizia-se que em determinada altura em que o Aquartelamento foi atacado, quando foram para repelir o ataque, encontraram os tubos com terra no fundo, impedindo que as granadas percutissem, era este o “jornal de caserna”.
Em Moçambique em 1970, na operação “Nó Górdio”, em que por causa das minas, para se realizar uma coluna de viaturas era necessário a Engenharia abrir picada nova (estrada), fiquei pasmado como é que os chefes militares descoraram esse pormenor e até fiz um comentário em relação a isso a um tenente, que hoje é general que também lá estava nessa operação.
Agora passo a descrever a minha vivencia nessa operação, que vale o que vale por se tratar da minha verdade:
No dia 22MAI73, tivemos um Briefing na sala de operações da Companhia do Exército sediada em Binta, onde foram apresentados e discutidos os tópicos relacionados com a citada operação.
Foi-nos dito que no dia 23MAI73, a minha Companhia CCP 121 ia fazer guarda avançada de flanco esquerdo, em protecção à coluna de viaturas de reabastecimento ao Aquartelamento de Guidage, junto à fronteira Norte.
Depois de analisar a carta topográfica em questão, no quadro da sala de Operações da citada Companhia, vendo que a zona era bastante aberta, (com pouca mata) alertei o meu comandante de companhia para a utilidade de se levarem mais granadas de morteiro de 60 mm, no que ele concordou e pedimos dois cunhetes destas granadas ao comando de Binta, granadas essas que foram distribuídas pelos meus homens, atadas no equipamento com cordel, em virtude de calhar ao meu Grupo de Combate ir à frente na zona mais perigosa.
Seguidamente transmiti aos meus homens, o tipo da missão, a perigosidade da mesma, a nossa posição no local crítico que era na frente da coluna, quanto à posição, testa da coluna na zona crítica, não me recordo se os critérios tiveram a ver com escala, rotação ou escolha.
Saímos de Binta no dia 23 pelas 6 horas da manhã, seguimos até ao cruzamento com a picada que vinha de Farim, tomamos posições defensivas e aguardamos pela coluna de viaturas que vinha de Farim, o que aconteceu cerca das 8 horas.
Iniciou-se a coluna tinha progredido pouco, a progressão era lenta, porque os picadores tinham de ir picando o terreno, para detecção de minas anti-carro e outras, como ia com atenção ao terreno, comecei a ver cepos de onde tinham sido cortadas árvores centenárias, talvez até milenares, apercebi-me que as viaturas se iam desviando para a direita para fugirem ao campo minado.

Legenda: Aqui em missão de combate.
Foto:António Damaso(direitos reservados)

Quando atingimos a zona de Genicó, começámos a ouvir rebentamentos à nossa direita para os lados da picada, através do rádio ouvi que tinham deflagrado uma mina anti-carro e várias anti-pessoal que causaram várias baixas nos picadores, face a este incidente, houve um compasso de espera e passado muito tempo, o comandante do COP 3, Major Correia de Campos resolveu dar ordem para a coluna voltar para trás.
Ficámos um pouco parados em posição defensiva, até que o comandante de companhia recebeu ordem do PCA (Posto de Comando Aéreo) para continuarmos rumo a Guidage sem a coluna, no momento pensei que não fazia sentido continuarmos sem a coluna, mas ordens eram ordens e na tropa eram para serem cumpridas.
Continuamos a progressão sempre à esquerda da picada, mais ou menos a meio caminho entre Genicó e Cuféu, fizemos uma paragem para comer uma “bucha”, a mata era aberta e cheia de clareiras sentíamos o efeito do calor abrasador, traduzindo-se em suor e muita sede.
Continuámos a progressão cada vez mais sedentos, entre 500 e os 1000m do Cuféu, obliquamos para atravessar a picada para a direita e de seguida o meu pelotão passou para a frente como estava estipulado, calhando ser a 1.ªa secção a ir à frente, descemos uma encosta e já em terreno plano, obliquámos para a esquerda, na leitura de sinais, observamos algum silêncio anormal, pelo que foi dado sinal para se manterem atentos, a nossa progressão era como que em zig-zag.
O apontador de reserva do morteiro que passou a efectivo, tratava-se do Vitoriano, um pára de alcunha Lisboa e que quando o meu pelotão passou para frente, por ordem minha passou para a quinta posição na coluna, porque a meu entender, dadas as características do terreno e vegetação, por ser uma arma importante de defesa em caso de emboscada, o que se veio a verificar.
Era usual nas progressões a corta mato, que era o caso, ir um municiador à frente para abrir picada, se necessário, eu até cheguei a ir à frente para não serem sempre os mesmos, mas naquele dia, tendo em conta a mata ser aberta, com muitas clareiras, quem foi para primeiro lugar foi o apontador de metralhadora, da secção que calhava ir à frente, indo o municiador em segundo lugar e eu em terceiro. Não me lembro quem ia em quarto mas sei que em quinto ia o apontador do morteiro, por eu lhe ter dado ordem para ir nessa posição, recordo ainda que momentos antes da Emboscada, ter olhado para trás e ver que o comandante da companhia seguia nos primeiros dez.
Acrescento que o Comandante da Companhia, conhecia bem os homens do 3.º pelotão, por quando em actuação de bigrupo que ele sempre acompanhou, ia muitas vezes neste pelotão, mesmo a nível de actuação de Companhia, quase sempre o vi no neste Pelotão, isto talvez se explique por ter na companhia um tenente do Quadro que ocuparia a posição da retaguarda, assegurando ele a posição da frente.
O Comandante de Companhia já tinha em 68/70, feito uma comissão de Serviço na Guiné como Comandante de Pelotão., eu estava na 3.ª comissão na Guiné, 2.ª em companhia de combate, tinha passado por Moçambique na Operação “Nó Górdio”e tinha em 1964 feito uma operação em Angola, portanto em termos de experiencia acho que tínhamos mais que os outros graduados com funções de comando, sem dizer-mos nada um ao outro, sem qualquer acordo optámos por ocupar aquelas posições na coluna como que a dizer aos homens, nós estamos aqui!
Provavelmente se eu tivesse lá o meu camarada Primeiro-sargento Comandante da secção, talvez eu tivesse ocupado uma posição mais à retaguarda, mas como o Cabo que ia a comandar a secção tinha sido ferido no Navio Patrulha e evacuado, resolvi estar em 3.º,quanto ao Comandante da C.ª deve ter pensado o mesmo que eu e ir para os primeiros dez da coluna.
Eu ia com algum à-vontade, pensando que por ir a corta-mato me pudesse trazer alguma vantagem, contudo desconhecia em parte aquele terreno por ser a primeira vez que lá entrava, também desconhecia que a partir do momento que as viaturas voltaram para trás, os guerrilheiros do PAIGC passaram a vigiar toda a nossa progressão, por ironia do destino andamos às voltas e fomos ter mesmo ao local onde eles estavam treinados a fazer emboscadas, como tive oportunidade de verificar mais tarde.

Saudações Aeronáuticas

A. Dâmaso

VB:Bom-Dia Dâmaso. São efectivamente estes os casos reais da guerra colonial contados por quem os viveu e sofreu. Muitas vezes, e é constatável em alguns escritos em diversos Blogs, aparecem muitos "historiadores"de factos que ouviram falar e os enunciam como se os tivessem vivido, vindo a originar controvérsias que, algumas vezes, se tornam num vocabulário um pouco agreste. Sei que tens muitos acontecimentos reais, em que participaste, para nos contar, vamos ficar à espera do próximo para que este nosso humilde espaço continue a ser valorizado com estas passagens contadas na primeira pessoa. Um abraço para ti.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Voo 1948 PALAVRA PUXA PALAVRA.



João Henrique
M.Rádio
Vancouver
Canadá



Olá amigo Victor:
Hoje dia da minha folga e a chover, passei
algum tempo a ler coisas do passado e vi no dia 11 de Outubro de 2008, (faz hoje 2 anos), um amigo que diz que comprava uma senha por 3 tostões para carteira de fósforos e o outro que a aceitava, dava-lhe um SG ventil sem verificar a senha, (isto passado na OTA.
Fez-me lembrar que, quando eu estava na recruta, ia lá um senhor vender
queijadas de Sintra, como se juntava muita malta,ele dava-me a queijada e eu ficava com os 25 tostões na mão
e ia comendo. Como todos tinham o dinheiro na mão, ele ia apanhando algum e quando
chegava a minha vez, já a queijada estava comida, nessa altura pedia mais uma e então dava-lhe o dinheiro,
ele não se lembrava que ja me tinha dado uma. Coisas da juventude tesa
e de truques Especiais.
Voltando à Guine, quero contar um caso que se passou depois do 25 de Abril. Não sei o nome das pessoas, mas sei que um capitão pára-quedista mandou a mulher e o filho
para Portugal, numa quarta feira e ele era para ir na quarta seguinte,
no sábado foi
saltar e sabe-se que o para quedas não abriu, o de emergência enrolou-se e ele veio em queda livre, acabou por falecer.
O para que dobrou o pára-quedas,
ia por vezes ao clube de especialistas conviver com amigos.
Um dia juntamo-nos num
autocarro civil para Bissau, ele ia fardado e eu à civil, sei que parava pelo caminho para entrarem passageiros, o cobrador era uma pessoa franzina,
ao contrario do pára, que era forte fisicamente. O cobrador mandava as pessoas chegarem-se para a frente, para dar
lugar a outros. O para não podia ir mais, ia agarrado ao varão de cima.
A fraca figura do
cobrador, não sei porque carga de agua, também fui pára-quedista, o homem manteve a calma.
Prevendo o que viria a acontecer, já próximo da paragem final,
levantei-me e fui-me aproximando da porta de saída, quando chegamos à paragem, em frente do estádio de futebol,
sai e o pára foi ficando para ultimo, quando vinha a sair, pôs um pé no degrau
de baixo rodou o corpo e desferiu tamanho murro no homem que eu só via sangue por todo lado, caiu em cima do condutor. Saímos a correr em volta do estádio e nunca mais soube mais nada. Sei que o pára não foi culpado do para quedas não abrir.
No dia 20 de Agosto de 2007, li o artigo do Joaquim
Guiomar que esteve nessa altura como chefe da secção eléctrica no BCP.12,talvez ele conheça esta historia.
Desejo a continuação de boa saúde a todos
e ate ao próximo voo.
Estas fotos que envio são :


Legenda: Como nos sentiamos bem à civil.
Foto João Henrique.(direitos reservados)


Legenda:Os roncos no mercado negro em Bissau.(Que ardeu,segundo vi nas notícias.)
Foto:João Henriques(direitos reservados)

Legenda:Manifestação de alegria do 25 de Abril em Bissau.
Foto:João Henrique(direitos reservados)





Legenda:Manifestação de alegria do 25 de Abril em Bissau.
Foto:João Henrique(direitos reservados)

domingo, 10 de outubro de 2010

Voo 1947 O 10 DE JUNHO DE 1971 EM...BISSAU!




Pierre Fargeas
Técnico Francês de Alloutte III

França







Hello Victor,
Para continar que é este homen ..................?
Dia de Portugal 10 de Junho, talvez 1971, Bissau










Quem é porta-bandeira da BA 12
Um grande abraço
Pierre











VB:Gostava que este nosso Companheiro,que certamente nem sonha a existência desta foto,se identificasse.

Voo 1946 GENTE (MEIO) DESAPARECIDA...




Américo Dimas
Esp.MARME "Lobo Mau"
Luanda
Angola




Caro Victor
Li a tua mensagem deste Sábado último, onde referias toda aquela equipa de gente que, contigo ( e comigo também...), viveram de perto, nos anos de 1970 a 73, na B.A.12, e a tentativa em retomares os seus contactos.

Legenda: Os Melec's/Inst./Av. da manutenção e linha da frente,em ameno convívio.De pé,Esqª/Dirª.Victor Rodrigues,1ºSargºCarocinho,Victor Barata,2ºSargºRosa,Curado e 1ºSargºCasimiro. Na fila de baixo e pela mesma ordem,o Ribeiro,1ºSargºBarros,1ºSargº.Figueiredo(já falecido) e o Nunão.

Em jeito de ajuda, direi que um desses elementos da foto, o Eduardo Ribeiro, continua de "boa saúde e vivinho da costa".

Legenda:Um julgamento de um "Piriquito"tendo com juiz,o nosso amigo Ribeiro,que debruçado sobre a secretária,perante a assembleia que se pode ver na foto, ouvia a acusação feita pelo Nunão.
Foto:Cristiano Valdemar(direitos reservados)

Curiosamente, ao referires que ele "julgava os piriquitos" que até metia dó, talvez por isso, muitos anos mais tarde, ele tivesse sentido "remorsos"... e assim, "cuida" agora, não só de piriquitos, como também de canários e outras aves..., na sua loja comercial.
Acho que ele continua a aceder ao blogue, embora com a postura apenas de leitor, não interagindo.
Recordo que foi precisamente através do Eduardo Ribeiro, que eu tive conhecimento da existência do blogue.
Quanto à sua "doença - clubite"..., mantém os mesmos sintomas. Foi diagnosticado um "SLB" crónico e por isso não há nada a fazer. É caso sem tratamento...
Para ele, quando ler esta mensagem: vê lá se te enches de coragem e faz aqui a tua "aparição", mais que não seja para dares sinal de ti !
Um abraço
Américo Dimas

VB: Bom voo,Américo.
Pois falar do Ribeiro é sempre o relembrar de velhas histórias.
Lembras-te que ele não era cliente do Pilão? Tinha medo de ficar sem a gaita.E esta,heim?
Quem estivesse junto dele nunca estava triste.Tenho contactado com ele algumas vezes,mas entra no Blog diz que ainda não"ganhou o jeito"

sábado, 9 de outubro de 2010

Voo 1945 ALMOÇO DE ESPECIALISTAS ,RECRUTA 3ª/69.




José Serôdio
2ºSargº.Melec
Évora







LISTAGEM DE INSCRITOS


Eurico Frazao------------------------------2
Jose Serodio-------------------------------2
Salvador Fanica --------------------------2
Luis Bastias--------------------------------2
Moises Resende--------------------------1
Jose Fernandes---------------------------4
Joao Carriço--------------------------------2
Juvenal Chitas-----------------------------1
J.J.Ramos de Cravalho-----------------2
Joao Pelicano------------------------------2
Aurelio Cruz--------------------------------2
Jose Reia-----------------------------------2


Em virtude de alguns camaradas normalmente assíduos nestes almoços não poderem comparecer devido a data tardia em que se marcou este evento,decidimos ALTERAR A DATA DO
NOSSO ALMOÇO para 06-11-2010 no mesmo local,SALINAS DE RIO MAIOR conforme
José Serôdio
Tel: 266749770
Fax: 266749779
E-mail: joseserodio@serodiosantos.pt


Boa tarde Companheiros:
Para o encontro de confraternização da "nossa malta" será num restaurante de nome TERRA CHÃ numa aldeia do concelho de Rio Maior chamada CHÃOS.
O programa será, se tiverem de acordo:
11:00H encontro nas salinas de sal, na aldeia da FONTE DA BICA que fica a cerca de 3km de Rio Maior, que podemos visitar.
13:00H almoço no restaurante TERRA CHÃ
Depois de almoço, visita às grutas ainda virgens das Alcobertas
Em anexo envio orçamento do almoço 16 euros e da visita guiada às grutas 2,5 euros, assim como os mapas de estrada de Rio Maior e da localização das salinas de sal e da aldeia CHÃOS.
Agradeço a confirmação de quantos somos, até uma semana antes para informar o restaurante,


PS. Ao chegarem a Rio Maior ,perguntem onde fica as salinas de sal , toda a gente conhece.

Voo 1944 COMO FUNCIONAM AS NOVAS TURBINAS DOS JACTOS.




Miguel Pessoa
Cor.Pilav.(Ref)
Lisboa




Quem, como nós, se orgulha de ter sido mecânico da Força Aérea Portuguesa, gosta sempre de receber novas notícias sobre a evolução da técnica aeronáutica.
O nosso companheiro Miguel Pessoa como sabe disso, enviou-nos este bonito e instrutivo apontamento.

Como funcionam as novas turbinas a jacto

"Link para verem como funcionavam as antigas turbinas de aviões a jacto e actualmente como funcionam."

Cliquem no link e vejam.



http://www.adv.dartoracemzi.com.br/Radio-Controle/turbina.html

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Voo 1943 O DIA/DIA DO MECÂNICO NA LINHA DA FRENTE DAS DO 27,NA BA 12.



Victor Barata
Esp.Melec/Inst./Av.

Vouzela



Um dia na Linha da Frente das DO 27,na BA 12.

O serviço de Mecânico Electricista de Instrumentos e Aviões na linha da frente das DO 27 na Base Aérea nº12,tinha a duração de 24 h, iniciando-se ás 13h de um dia e terminando à mesma hora do dia seguinte. Este período era interrompido pelo por do Sol do dia em que começava, para ser retomado com o nascer do Sol do dia em que terminava.
A equipa era constituída por um 1ºSargº.MMA,dois Mecânicos MMA, um Melec./Inst./Av. E um de Rádio.

O efectivo destas aeronaves operacionais, era normalmente de 10/12.
Em virtude do reduzido número de efectivos na linha, na Base, e do bom ambiente que sempre reinou esta família, o Mec.Elec. para além da sua especialidade dava saída e recebia aeronaves, fazia o ponto fixo, evacuações, transporte de correio e pessoal, Revis, etc. Bom, também era preciso fazer as horas de voo obrigatórias no semestre para que pudéssemos usufruir do prémio de voo que nos proporcionava mais algum “patacão”.


Em termos de reparações, só se faziam as mais rápidas, pois caso contrário o avião recolhia à manutenção e era dado com “fora de serviço” até que esta o remetesse à Linha como operacional.
Houve um curto período em que se fizeram algumas evacuações nocturnas, poucas, embora o pessoal do terreno dele necessita-se com muita assiduidade, o certo é que não havia condições de segurança para a execução de tais missões.
Sempre que saiamos para qualquer missão e aterrávamos numa das 47 pistas (se não estou em erro?...) existentes na Guiné, éramos tratados com um estatuto privilegiado pelo pessoal de terra. Procuravam proporcionar-nos uma confortável estadia, oferecendo-nos o que de melhor tinham. Apraz-me aqui ressalvar, que nunca em parte alguma que aterrei, alguém tivesse trato diferente entre o Piloto e o Mecânico, assim como o Piloto nunca pôs em evidência o seu estatuto em relação ao Mecânico, ou seja, a equipa nunca se separava.
Recordo um DO que foi fazer uma missão, não me recordo de que tipo, ao Olossato.
Quando chegou a hora de colocar o motor em marcha e fazer o ponto-fixo, o magneto esquerdo estava com queda de rotações excessiva .Não havia condições para a descolagem.
Pronto, parar o motor e deixar arrefece-lo ,cujo a temperatura, se a memória não me atraiçoo-a, era de 120º para a descolagem.
E como calibra-lo se não havia nenhum Time Light?
Deixei arrefecer o motor,o que demorou algum tempo,num clima já por si de altas temperaturas perder 120º…
Então lá abri o capot do lado esquerdo,retirei a vela do cilindro nº 1 e coloquei o dedo indicador da mão direita no orifício do cilindro deixado em aberto pela vela.Com a mão esquerda rodei o hélice lentamente até que o embolo do referido cilindro me pocasse a ponta do dedo, sinal de que o magneto esquerdo devia estar mais ou menos calibrado.
Vamos colocar a vela, fechar o capot, por o avião em marcha e esperar que a temperatura voltasse a subir até aos tais 120º.Estava nos limites e tolerância para efectuar o voo com segurança, vamos para o ar!
Fruto das Universidades da Ota e Paço de Arcos, fomos ,somos e seremos os EXEMPLARES ESPACIALISTAS DA FAP.
Com formação teórica de ano e meio nas Universidades da Ota e Paço de Arcos,”enviaram-nos”para a guerra reparar aviões, quando muitos de nós nunca os tínhamos visto!


As TO’s, “aqueles calhamaços” que identificavam as peças das respectivas aeronaves, através do seu part-namber, escrito em inglês quando muitos de nós só sabíamos o português…
Isto tudo aliado ao nossos 19 anitos e 1500 pesos de vencimento…SOMOS PARTE INTEGRANTE DA HISTÓRIA DA FAP.
Gostava ainda de deixar aqui alguns nomes de companheiros que me ajudaram a ser o homem que hoje me orgulho de ter serviço, como ESPECIALISTA, a Força Aérea Portuguesa
Madeira,(falecido em acidente aéreo)Sabino,Helder Patricio,Miguel Falcão,Pascoal,José Cabaço,António Sousa,Girão,Ferreira e tantos outros.

Voo 1942 Amigos; o COMANDANTE BARATA, vai fazer "um vôo de Instrumentos"...



Fernando Castelo Branco
1ºSargºMMT
Terceira-Açores




AMIGOS ESPECIAIS
Virou-se “o feitiço contra o feiticeiro”; (longe vá o agoiro)…
O NOSSO COMANDANTE; vai amanhã fazer um voo de instrumentos e o plano de voo é o seguinte…

Descola de Vouzela de manhã e “ba; am; at;?? “ será VISEU…Mais propriamente o Hospital; apresentar-se-á ao “Oficial de Dia” e depois certamente este; vai mandá-lo fazer a “focagem dos faróis”; aonde será não sei….

Portanto, TODOS, estejam atentos porque ELE, desta vez, não vai poder desenfiar-se como fazia á uns dias atrás em Paço d,Arcos…

Comandante, bem ou mal, depois da brincadeira, faço SINCEROS VOTOS; para que a Consulta que certamente já devias ter feito há mais tempo; corra pelo melhor...Estaremos TODOS na placa á TUA espera a ver-TE chegar, com “a iluminação” operacional, conforme TU fazias, quando um DIA resolveste ser MELAV???

Um abraço e “não te esqueças”, que contra ventos e marés, fomos ESPECIAIS; neste PAÍS de MARINHEIROS, mas sem navios…

Fernando

Legenda: O Fernando Castelo Branco, sempre presente.

Foto: Fernando Castelo Branco (direitos reservados).

JS: Companheiros, dado só ter sido possível publicar hoje dia 7 de Outubro este texto do Fernando, o referido voo de instrumentos é hoje.