sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Voo 1984 OPERAÇÂO” MAMUTE DOIDO” (1)





António Dâmaso
Sargº.Mor Paraqª.Azeitão



Desenrolar da emboscada na zona do Cuféu


Apesar de passados 37 anos e ter havido alterações da paisagem, agora com menos árvores e área de cultivo através desta imagem captada por satélite, a memória visual levou-me até ao local da emboscada de 23 de Maio de 1973, lembro-me muito bem porque estive no local 4 vezes, por outro lado a carta topográfica neste pormenor é pouco elucidativa, nesta imagem pode-se compreender o porquê de toda a Companhia ficar debaixo de fogo, que os homens da frente estiveram sempre mais expostos, mais dez menos dez metros posso garantir que o local da emboscada foi este, as árvores mais grossas que lá existiam foram cortadas, tal como palmeiras e outras, as árvores de maior copa são muito poucas, restam apenas os arbustos, isto vem mostrar a rarefacção da floresta como se pode verificar através da imagem que vale mais vale uma imagem do que mil palavras”, toda esta conversa só tem uma intenção que é repor a verdade dos factos, quando dizem que a emboscada foi na bolanha do Cuféu são imprecisos, porque bolanha propriamente dita, é aquela zona mais á frente sem vegetação onde passa a linha de água, em 1973 a Tabanca estava desabitada e o terreno inculto, nem sei se existiam lá algumas moranças.
Entre os mil e os quinhentos metros antes do Cuféu, depois de atravessar a estrada e descer a encosta, deparei-me com uma clareira enorme antes da bolanha, a mata circundante era muita rala e com árvores de reduzido diâmetro, palmeiras e outras árvores mais grossas eram muito poucas, seguimos pela orla em direcção a uma ponta de mata mais avançada para a bolanha, para fazer a travessia da mesma na parte mais estreita, íamos com os sentidos alerta nomeadamente o primeiro homem, ciente que da sua capacidade de apuramento de três sentidos, visão perscrutando todos os movimentos normais e anormais, o olfacto e a audição e que em grande parte, sabia que naquele momento os camaradas que o seguiam contavam com ele, daí que sentia a responsabilidade sobre ombros.
O primeiro homem, o Peixoto, era apontador de uma MG mas naquela operação levava uma HK 21 nova, em virtude da sua MG estar para reparação, entrou na orla de uma clareira, a fronteira entre a mata e a clareira era quase inexistente, em virtude da raridade e espessura das árvores, detectou movimentações dos guerrilheiros a montarem o dispositivo da emboscada, não teve tempo de fazer quaisquer gesto abriu fogo imediatamente, mas por azar a arma nova encravou-se logo, assim que a arma se encravou ele virou-se para mim muito aborrecido, lamentando-se disse:

-Meu primeiro, logo aqui é que me acontece uma coisa destas! Foi quando se virou para mim que foi atingido com um tiro no flanco direito, caiu de joelhos e ainda fez uma tentativa de desencravar a arma sem o conseguir e pediu-me que o tirasse dali.
Não podia ignorar um pedido daquele dirigido à minha pessoa, pois se ele o fez, lá tinha os seus motivos para o fazer, embora o Peixoto fosse rebelde por natureza, havia respeito mútuo entre nós, aliás, como havia entre mim e todos os elementos do pelotão, até porque se eu fosse incumbido para realizar uma missão difícil, eu ia convidar os rebeldes porque apesar de não saber nada de psicologia, sabia que podia contar com eles até ao limite.
Nunca cheguei a saber o que tinha visto naquela emboscada para me solicitar que o tirasse dali, pois era auto-suficiente e aguerrido apesar da tenra idade, capaz dos maiores sacrifícios, a emboscada tinha rebentado, a Companhia ficou toda debaixo de fogo, em décimos de segundo avaliei a situação de risco, não pensei duas vezes, não havia tempo para pensar duas vezes, não podia deixar um homem meu que confiava em mim para o tirar ficar naquela situação, saí detrás da árvore onde estava que não tinha de um palmo de diâmetro, corri para ele, agarrei-lhe para o trazer mas não tive forças suficientes para o arrastar mais ao armamento e equipamento que estava preso a ele, vi-me na necessidade de pedir ajuda,

o segundo homem, o Lourenço, foi imediatamente ajudar-me mas quando já tinha pegado no Peixoto, estávamos os dois de costas para a emboscada em progressão, foi atingido com um tiro na região posterior da Cervical, ficando logo ali e só disse:

-Ai que já me mataram.



Legenda: Os soldados junto ao monte construído pela formiga Baga-Baga.(*)

Foto: Leões Negros(por cortesia)

Fiquei cosido ao chão com o Peixoto encostado a mim e o Lourenço atingido do outro lado, apesar do risco o Ferreira de Carvalho, “o comprido”ou Vila de Rei foi lá e ajudou-me a levar o Peixoto para trás do baga-baga, onde foi assistido pelo maqueiro Carvalho, vi que tinha um pequeno orifício de entrada que quase não sangrou, sempre pensei que se safava, na altura muito embora tivesse um curso de primeiros socorros com a duração de uma semana, não tinha tempo nem os conhecimentos que tenho hoje para avaliar da gravidade de um ferimento, estava entregue aos cuidados do enfermeiro, eu naquele momento estava preocupado em sair daquela enrascada.
Os restantes homens do pelotão tiveram que se deslocar por lances, para a minha direita na procura de reagir à emboscada e ao mesmo tempo procurar protecção e foi aí

que o Vitoriano foi atingido com um ou mais tiros que o atravessaram de flanco a flanco, segundo a versão de uns, mas segundo a versão de outros, foi quando procurou sair debaixo de uma árvore para ter ângulo tiro, isto por informação à posterior uma vez que estava na minha retaguarda e não tinha ligação á vista de uma maneira ou de outra, lamento a sua morte.Choviam morteiradas, roquetadas, canhoadas e tiros de armas automáticas, consta que tinham dois canhões sem recuo na emboscada, pois estavam à espera das viaturas, era um ruído ensurdecedor com tanto rebentamento, os nossos diminutos baga-baga iam ficando reduzidos drasticamente, os que estavam na parte de fora estavam alapados ao chão.
Com o som ensurdecedor, fiquei com um zumbido permanente nos ouvidos que nunca mais me deixou e se tem agravado ao longo do tempo.
Além das baixas, tivemos algumas armas encravadas outras que não puderam ser usadas por falta de protecção dos atiradores, fui alternando a fazer fogo e falar no rádio, até que repentinamente chega junto de mim o Sargento Marques e larga o morteiro 60, no momento exacto que se baixa para deixar o morteiro, uma bala levou-lhe o chapéu camuflado, deixando-lhe um sulco de raspão no coiro cabeludo, desapareceu imediatamente para a posição dele, não me deu tempo de lhe perguntar nada.
Agarrei-me ao morteiro e comecei a “despachar” granadas para a zona onde estavam emboscados, apercebi-me que as primeiras estavam a sair longas, eles estavam tão perto de nós que fui obrigado a quase endireitar o tubo para corrigir o tiro, em virtude da proximidade as granadas saiam quase na vertical, enquanto tive granadas foi a despachar, o tubo do morteiro ficou muito quente, ainda me queimei mas sem gravidade, as granadas que pedimos em Binta deram-nos uma grande ajuda, depois comecei a fazer tiro de pontaria para um baga-baga onde vi vários guerrilheiros, só via sombras de um lado para o outro, eles também me ripostavam da mesma maneira, o sol já estava baixo e dificultava-me a visão, Não sei se acertei em algum, os alvos não estavam estáticos, uma vez que não fomos lá ver, gastei as minhas munições todas e tive de pedir carregadores, pensei em mandar uma granada de róquete, olhei para o lado, vi o apontador de RPG com a arma a seu lado, estava a esgravatar com as mãos para poder proteger a cabeça, não tive coragem de lhe perguntar se ainda tinha granadas, para o mandar expor-se mais, nunca o censurei porque se estivesse na pele dele teria feito o mesmo, provavelmente foi o que lhe salvou a vida, à sua frente já não restava nada do Bága-bága, tinha sido totalmente arrasado, eu tinha começado a fazer tiro com a G3 e o morteiro na posição de joelhos e já estava na posição de deitado, um tinha-me gritado:
-Meu Primeiro, tenho a arma encravada! A minha resposta foi:
Desencrava-a e deixa-te de estar para aí aos berros senão ainda te vêm apanhar à mão! No momento compreendi que ele estava preocupado com a situação, mas não havia tempo para ir junto dele e explicar, fazes assim ou assado, havia que o acordar drasticamente para aquela realidade.
Estávamos no mesmo lado da mata, mesmo no Cuféu e no ar andava o PCA (Posto de Comando Aéreo), bastante alto para estar fora do alcance dos mísseis, sabia que andava lá pelas comunicações que ouvia, aquele chamou apoio aéreo os Fiat, os pilotos afirmaram que tinham dificuldade em determinar uma linha de separação, foi aí que mandei colocar uma tela a indicar a nossa posição e a direcção do inimigo.
Entretanto deu-se o bombardeamento dos Fiat, foi muito providencial, porque os guerrilheiros terão pensado que atrás daqueles vinham outros e talvez, tal como nós, as suas munições também estivessem á beira de se esgotarem, ainda vi a retirada de alguns “turras” Foi um dia terrível, tínhamos uma sede horrível, vi homens a beber soro que era destinado a feridos, vi um urinar e senti um forte desejo de beber urina.
Fiz o que estava ao meu alcance fazer, os outros camaradas também fizeram o que puderam, enquanto estive com a adrenalina do combate a coisa correu bem mas quando este acabou, com o quadro que se me deparou, senti uma apatia momentânea como se não quisesse acreditar no que tinha acontecido aos meus camaradas, estava com a ideia de organizar uma equipa e ir fazer uma batida ao local onde tinha estado a fazer tiro da pontaria, ao mesmo tempo pensei que por questões de segurança tinha de dar conhecimento ao Comandante da C.ª, depois o passa palavra que demorava muito tempo, ainda nos sujeitávamos a ser alvejados pelos nossos camaradas, tempo era aquilo que não dispúnhamos devido ao adiantado da hora, nesse momento veio uma ordem de cima, fazer macas improvisadas, mesmo assim ainda fiquei com a ideia de ir ao local a martelar-me na cabeça, mas depois o bom senso aconselhou-me que o melhor era sair dali para fora rapidamente.
Era quase noite o Comandante da Companhia mandou cortar varas para fazer macas improvisadas para o transporte de feridos e mortos, foi aí quando andava com os homens a escolher as varas melhores, que me apercebi da existência no local de esqueletos espalhados e de uma estrada que não estava na carta, sem o saber, fomos ter mesmo ao local onde eles costumavam fazer as emboscadas, conhecedores do terreno movimentavam-se com rapidez.
O comandante da Companhia deu ordens para que o pelotão que estava atrás de nós, avançasse para a frente para manter a segurança enquanto andávamos nos preparativos para transportar os nossos mortos e feridos.
O meu pelotão ficou inoperativo, dois mortos e um ferido grave para transportar, era um empenhamento de 15 homens, sobravam menos de 10, desmoralizados por uma situação de que até ali não estavam habituados, era-lhes difícil entender porque antes eram evacuados por tudo e por nada, alguns davam um tiro no pé para serem evacuados e naquela situação, exaustos famintos mas mais grave ainda sedentos e desidratados, quase que a arrastar-se tinha que andar com os seus camaradas às costas, fizeram-no porque existia aquele espírito de entreajuda, de irmandade e camaradagem entre combatentes, que caracteriza o ser humano nestas situações difíceis dando-lhes forças para ultrapassar o limite e foi-lhe incutido na instrução,
“que um pára-quedista depois de morto ainda faz dez flexões”.
O sol já se tinha posto, pegamos nos feridos e mortos, eu peguei num lado da maca do Peixoto e com três equipamentos às costas, entendi que naquele momento mais que mandar era preciso dar o exemplo, aguentei até chegar ao Ujeque, enquanto os outros transportadores se foram revezando, em Ujeque estavam os Fusos com viaturas, só aí é que conseguimos beber alguma água, sei que o Peixoto ainda chegou vivo a Ujeque, uma vez que o transportei até lá, os Fuzileiros que nos esperavam disseram estar admirados com a duração do combate, eles próprios já tinham tido um combate na zona, seguimos nas viaturas até Guidage onde chegamos já de noite escuro, entramos pelo lado da pista, aí lembro-me que tive ordem para colocar o meu pelotão junto da vala nas traseiras da cozinha perto do balneário, o 2.º ficou na vala que dava para a “pista”, onde mais tarde vieram a ser sepultados os militardes falecidos.
Não cheguei a saber porque não fomos apoiados pelos obuses de Guidage, falta de munições, ou falta de lembrança?
Hoje é muito bonito dizer, temos de apostar mais na formação, a formação ajuda mas não é tudo, na altura se não estivesse debaixo de uma emboscada, tinha feito uma barragem de fogo e iam dois pegavam no ferido e tiravam-no para zona protegida, na teoria é muito fácil mas na prática é mais difícil, naquele dia caiu-nos um inferno de metralha em cima, improvisou-se.
Reflectindo sobre a maneira que os homens foram atingidos, o tiro que levou o chapéu ao Sargento Marques e ainda como me tentaram atingir, leva-me a crer que foram abatidos com tiros de precisão e que existia um atirador na emboscada, interrogo-me como não fiquei a fazer companhia àqueles bravos e chego à conclusão que se não fiquei lá, foi porque não tinha chegado a minha hora.

Saudações Aeronáuticas

Dâmaso

(*) Formiga Branca que construía estes morros.

VB: É esta a realidade da guerra da Guiné vivida e contada na primeira pessoa.
Os episódios que nos contas fazem-nos recuar no tempo e relembrar situações de evacuações que se complementam a este teu testemunho. Os pára-quedistas foram efectivamente uma das armas que mais sofreu com esta guerrilha.
Recordo que quando na placa da base sabíamos que os paras estavam a regressar de uma operação, retirados pelos Alloute III, tinhas que assistir ao momento da saída dos aparelhos para ver os “roncos” capturados na operação.

Voo 1983 AGRADECIMENTO AOS CAMARADAS ESPECIALISTAS DA BA12.


Victor Viana Pinto
Major TINF
Lisboa



Caros camaradas,

Obrigado a todos pela pronta resposta que me deram e pela informação que me facultaram. Todos os contributos são bem-vindos, aquilo que vos possa à primeira vista parecer irrelevante sobre a revista pode abrir-me pistas para análise.
Hoje tive o privilégio de conhecer os camaradas SMOR Sotero e SMOR Cabaço, com quem partilhei momentos agradáveis à hora de almoço em Alfragide. Para além da franca amizade que logo se estabeleceu, fico-lhes a dever um "copo", deram-me algumas "dicas" sobre a revista e sobre algumas pessoas que posso contactar. A "velha guarda", como se apelidam, fez questão de me apresentar a camaradas com quem me cruzo todos os dias nos corredores mas que, como é natural, não conheço pessoalmente, e que de uma forma ou de outra podem contribuir para o meu trabalho. Por tudo isto, fica aqui a minha nota pública de reconhecimento, quer a estes dois camaradas, quer a todos os outros que fiz questão de responder pessoalmente por email, e que agora incluo neste agradecimento.
Se me permitirem, farei com certeza ao longo do tempo deste meu trabalho contactos convosco, para novas questões ou para confirmar ideias...

Um abraço
Viana Pinto

Voos de Ligação:

Voo 1976 Questões sobre a revista "Mais Alto" Victor Viana Pinto
Voo 1979 Acerca da revista Mais Alto - Américo Dimas
Voo 1981 Fui um dos fiéis à revista. Santos Oliveira

VB: Meu Caro camarada Viana Pinto, congratula-mo-nos pelo facto de a nossa colaboração estar a ser eficaz,o que na realidade não é anormal,pois como diz,e muito bem,a "velha guarda"dos Especialistas da FAP ainda é e será um efectivo desta honrada instituição.
Não precisamos de dizer quem fomos,nos momentos próprios somos procurados para,fruto do grande trabalho que realizamos durante a nossa prestação de serviço,sermos reconhecidos.
Pena é que alguns,poucos,não queiram ser realistas para reconhecerem o valor àqueles que contribuíram para que a FAP de hoje seja a elite das nossas Forças Armadas, ou sejam os ESPECIALISTAS.
Continuaremos sempre ao seu dispor.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Voo 1982 O MAIS ALTO...MUITO ESCASSO.



Fabricio Marcelino
Esp.MMA
Leiria



Caro Sr. Maj. Victor Pinto. Respondendo ao seu pedido de colaboração, pouco tenho a acrescentar àquilo que já conhece,no entanto, colaboro de boa vontade com o que sei.
Fiz a minha recruta em 1960 na Serra da Carregueira e o "MAIS ALTO" nunca nos foi dado a conhecer sequer. Em Janeiro de 1961 fui para a B.A 1 tirar o curso e, aqui continuou a ser desconhecido, pelo menos entre os alunos pilotos e mecânicos MMA. Após o curso, em Agosto de 1961, fui colocado na B.A.5 e, aqui vi pela primeira vez o referido "MAIS ALTO", porque eram distribuídos alguns exemplares (poucos) nos diversos Clubes.
Tornei-me assinante da revista e, durante alguns anos, guardei as mesmas, até que há uns anos me desfiz delas.
Em 1 de Novembro de 1962 fui para a Guiné (A.B.2 e posteriormente B.A.12). Na Guiné, não vi um único exemplar!
Nessa altura a revista publicava basicamente Os discursos do então, Subsecretário de Estado da Aeronáutica e, posteriormente Secretário de Estado da Aeronáutica, paradas militares, cerimónias do 10 de Junho, acidentes aéreos, idas dos militares para o ex-Ultramar e, posteriormente também os regressos, mudanças de comandos etc.etc.
Quanto a jornais na Guiné, só me recordo do jornal, "O Século" que chegava com vários dias de atraso. Eventualmente haviam outros que não me recordo.
Após o meu regresso da Guiné, de novo na B.A.5, verifiquei que "O MAIS ALTO"continuou a ser distribuída nos diversos clubes, embora com poucos exemplares.
Fora da Base, não se via à venda nos Quiosques, nessa altura.
Embora reconheça que esta colaboração é muito diminuta, é a minha colaboração possível.

Um abraço

Marcelino

Voos de Ligação:

Voo 1976 Questões sobre a revista "Mais Alto" Victor Viana Pinto
Voo 1979 Acerca da revista Mais Alto - Américo Dimas
Voo 1981 Fui um dos fiéis à revista. Santos Oliveira

Voo 1981 FUI UM DOS FIÉIS DA REVISTA .





Santos Oliveira

2ºSargº Ranger

V.N.Gaia




Caro Major Viana Pinto

Fui um dos fiéis da Revista MAIS ALTO, desde o primeiro número até 1963, data de ingresso na Escola Prática de Infantaria, portanto, no Exército.

Havia uma certa dificuldade na Distribuição e não era comum haver nos Escaparates, em Exposição, a prestigiada Revista; havia que fazer encomenda particular ao vendedor de Publicações.

Com a entrada no SMO (antes, foi-me negada autorização familiar para entrar na FAP), perdi o rasto e o acesso. Uma vez ou outra lá consegui o exemplar de última Edição. Mas mais nada.

Na EPI (1963), no GACA3 (1964), na Guiné (1964/1966) ou noutras Unidades (mesmo na BA12, Messes e Salas, que frequentava assiduamente no período de Janeiro a Setembro de 1966) jamais encontrei qualquer exemplar da mesma.

Nas Unidades do Mato, impensável.

Espero ter dado uma perspectiva e contribuição pessoais, do lado do Exército.

As melhores saudações e os melhores êxitos


Santos Oliveira


Voos de Ligação:

Voo 1976 Questões sobre a revista "Mais Alto" Victor Viana Pinto

Voo 1979 Acerca da revista Mais Alto - Américo Dimas




Santos Oliveira

Voo 1980 A REVISTA "MAIS ALTO".




Sotero Cavaleiro


para americodimas,
mostrar detalhes 17:11 (há 16 minutos)
Boas tardes Américo.
Hoje mesmo apresentei o Maj. Nunes ao Saj. Ferreira, um rapaz amigo e de "cor castanha" que por vêzes tambem é um relator da nossa revista.
Pelo que consegui saber, parece que por Moçambique algumas apareciam em pouca
quntidade. Mas sempre restritas à sua leitura.
Na redacção da revista Mais Alto vim a saber que desde o primeiro número aos tempos actuais a revista pode ser consultada.
Na secção fotográfica do EMFA encontram-se todos os negativos de fotos publicadas na revista.
Pareceu-me que o Maj. Victor Viana Pinto ficou encantado com as minhas "dicas" e um outro nosso camarada, o Cabaço,
se prontificou para o ajudar
na tese de Mestrado a que se propôs.
Para ti, Américo, Um abraço do:
Sotero



Date: Thu, 4 Nov 2010 11:12:01 +0000Subject: Re: FW: A publicação MAIS ALTOFrom: americodimas@gmail.com
To: sotero49@hotmail.com
Caro Sotero
Pelo que leio da tua mensagem para o Major Viana Pinto, também tu tens a mesma opinião que eu.
A revista Mais Alto, da qual eu sou coleccionador/ajuntador..., tinha uma distribuição geral muito deficitária, deliberada ou indeliberadamente...
Que me recorde, só depois do 25 de Abril de 1974, já na condição de civil, comecei a ter hipóteses de a comprar.
Agora um "àparte" meu (brincadeira)
Essa de te referires ao SAJ. Ferreira, como um "rapaz de cor"...
Só te esqueceste foi de identificar a "cor".
Tens que assumir que ele é "africano"; "negro" ou "preto". Porque de "cor"..., os de cá, iriam dizer-te: "é pá, num fala isso".
Um abraço
Américo


Em 3 de novembro de 2010 23:38, Sotero Cavaleiro <sotero49@hotmail.com> escreveu:


From: sotero49@hotmail.com
To: victorvianapinto@gmail.com
Subject: A publicação MAIS ALTO
Date: Wed, 3 Nov 2010 23:24:55 +0000

Meu caro Major:
As minhas saudações.
A sua entrada no BLOG da BA12 e o seu interesse pela revista Mais Alto para o seu Mestrado em Antropologia, leva-me desde já a fazer-lhe uma pergunta.
Por acaso já se movimentou junto da Revista Mais Alto no EMFA, em Alfragide, junto da pessoa do SAJ. Ferreira, um rapaz de cor?
À semelhança do Américo Dimas, devo dizêr-lhe que nas minhas comissões em África, Angola 1968/1970, Moçambique 1973/1975, nunca me apercebi de
qualquer Mais Alto que tivesse aparecido ou nos serviços ou nos vários Clubes.
Eventualmente posso admitir que do Continente fosse enviada alguma revista para os Comandos das diversas unidades um exemplar, mas sinceramente, eu
nunca vi.
No Continente, aquando da reedição da revista eram distribuidas ppelas unidades, várias, que serviam não só os clubes mas tambem alguns serviços.
Mais restritiva é a sua distribuição que se faz hoje pelas unidades.
Antes de 1974 a revista tinha outro formato, muito maior no tamanho e em papel muito fraco. Penso que ainda, noutra casa que tenho, tenho umas duas revistas
anteriores a 1974.
Focavam muito as condecorações do 10 de Junho nas várias cidades onde se comemoravam. Era uma revista muito diferente.
Será que lhe consegui dar alguma pista?
Qual a sua Unidade actual?
Eu colaboro com o BLOG da BA12, sou o Sotero, (Sargento Mor ABST). Conhece-me?
Um abraço, sempre ao dispor e o desejo de exito para o seu Mestrado.
Victor Sotero


Voos de Ligação:

Voo 1976 Questões sobre a revista "Mais Alto" Victor Viana Pinto

Voo 1979 Acerca da revista Mais Alto - Américo Dimas

VB: O apelo feito pelo nosso companheiro Viana Pinto, colocou mais uma vez à prova o espírito do colectivo da nossa tertúlia através das imediatas intervenções dos seus membros.
Pessoalmente também compartilha estas opiniões, pois eram raríssimas as vezes que o "MAIS ALTO" chegava à sala de leitura do clube de especialistas da BA 12.
As poucas vezes que tal acontecia, era devido ao facto de um camarada ter vindo do continente e "conseguir" adquirir um exemplar numa unidade.
Mas ainda hoje, e agora com outra abundância, é uma revista que muitos de nós gostamos de ler.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Voo 1979 ACERCA DA REVISTA "MAIS ALTO".




Américo Dimas
Esp.MARME "Lobo Mau"
Angola




Caro Major Victor Pinto
Li a sua mensagem (voo 1976) no blogue dos Especialistas da B.A.12, do qual sou participante e leitor assíduo, motivo pelo qual lhe escrevo este mail, no sentido de também lhe prestar a minha colaboração.
Curiosamente, sou coleccionador/ajuntador da referida revista, tendo reunido já umas dezenas de exemplares, ao longo de cerca de 30 anos.
Actualmente, porque trabalho em Angola desde há 4 anos, só quando me desloco a Portugal, aproveito para comprar os exemplares que encontro ainda disponíveis nas bancas.
Relativamente às questões que coloca na sua mensagem, tenho como opinião que, durante os anos da "guerra colonial" ou "guerra do ultramar", as referidas revistas não chegavam às unidades de molde a poderem ser lidas pelos militares, com a regularidade devida ou desejada.
Cumpri serviço militar na Base Aérea nº 12 em Bissau, Guiné, e não recordo de ver ou ler a revista "Mais Alto" na biblioteca ou nos clubes da base.

Também no mesmo período, na "Metrópole", assim era designado Portugal Continental nos anos '70, o aparecimento da revista nas unidades, não me parece ter tido uma distribuição em grande quantidade de exemplares, tal como, nas designadas "Províncias Ultramarinas", de então.
Actualmente e desde há uns anos a esta parte, o cenário é completamente diferente, aparecendo a revista com uma boa divulgação, mesmo disponível para a população civil.
Hoje em dia, é facil encontrarmos a revista nas bancas, tal como as outras revistas de especialidade.
É o meu contributo. Espero que a informação aqui prestada, lhe possa servir para aumentar a conclusão final desse seu estudo.
Com os melhores cumprimentos
Américo Dimas

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