domingo, 21 de novembro de 2010

Voo 2004 FUI DAR A ÚLTIMA SAÍDA AO CURADO...





António Loureiro
Fur.Mil.PA
Figueira da Foz





Dá-me licença senhor Comandante

Para o CURADO, foi o fim da Linha.

Como anunciado, o funeral do nosso amigo Curado realizou-se à hora prevista para o Crematório da Figueira da Foz, depois da celebração da missa de corpo presente na Igreja de Santa Luzia de Lavos.
Ao seu filho, foram apresentadas condolências em nome dos Especialistas pelo nosso camarada Presidente da Direcção do Núcleo de Coimbra e por mim, tal como anunciei, fiz-lhe saber que apesar de não ter estado com ele na Guiné, fazia a entrega de uma palma de flores devidamente identificada com o logotipo da Linha da Frente, em nome dos seus camaradas amigos que com ele estiveram naquela Província.
O enlutado, sensibilizado pela solidariedade, apreciou o gesto e manifestou o seu agradecimento a todos os companheiros do pai que naquela hora não o tinham esquecido.
Estiveram presentes também: o David-EABT e o Anselmo-Enfº.

Controverso, e sempre com os nervos à flor da pele, era um homem bom e bem disposto, era a ele a quem eu recorria quando precisava de alguma orientação para tratar de assuntos relacionados com obras, e dele sempre obtive os ensinamentos para levar a bom porto aquilo que necessitava.
Trabalhamos os dois na construção da Ponte da Figueira, eu na mecânica e ele no ferro, podia não perceber nada daquilo, mas era irrascível e estava acima daquilo tudo, toda a malta gostava dele.
Um dia com as suas "pancadas", resolveu transformar o seu citroêen 2 cavalos em cabriotet, e pôs-lhe um toldo em lona todo "apinocado" com uns berloques, que mais parecia um carro do circo, só daquela cabecinha, e como já disseram antes, sempre pronto para as tainadas.

Em primeiro, quando nos encontrávamos e tínhamos um bocadinho mais de tempo, as conversas acabavam por ir parar sempre aos mesmos assuntos:
- Força Aérea.
- Guiné e também essa história já aqui aflorada pelo "Barnard" sobre a tal famigerada tampa da entrada de ar do Fiat, etc etc etc.
- Complicações com mulheres.
- "Trapalhadas", com que ele não alinhava lá no serviço.
Nos últimos anos, a coisa mudou de figura e praticamente só havia um tema, a doença, a doença, a doença e o sofrimento permanente que perseguia dia e noite, só atenuado por efeito de medicamentos.
Alguns, mais mal intencionados, quando o viam com o andar mais entorpecido por efeito dos comprimidos, tentavam aproveitara situação para o denegrir, (coisas da política), mas quando eu estava presente o caso mudava de figura e punha os pontos nos iiiiiiis, acabando por me chatear com alguns desses parvalhões manhosos.
No crematório, pela primeira vez, assisti à cerimónia até ao fim, e só vim embora com as lágrimas nos olhos quando o transportador mecânico avançou com a urna para o forno e a persiana arreou.

Nascemos no mesmo ano e é mais um que vejo partir.

Que Nossa Senhora do Ar o ampare.

ADEUS CURADO
Vou sentir a tua falta.

Voos de Ligação:

Voo 1996 O Curado(Cobra) partiu - Victor Barata
Voo 1997 Adeus Amigo!- Carlos Robalo
Voo 1998 Vamos despedirmo-nos do "Cobra" - António Loureiro
Voo 2001 De este lado do mar - Fernando Castelo Branco
Voo 2002 Adeus Companheiro – Victor Sotero e Jorge Mendes




sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Voo 2003 A PARTIDA DE UM VELHO COMPANHEIRO...




Cristiano Valdemar
Esp.MMA
Sobreda da Caparica



Foi com muita emoção que soube da partida deste nosso companheiro.
Era da minha recruta privei com ele muito tempo em Monte Real e BA12.
Era um grande companheiro e sempre pronto para umas farras e os nervos à flor da pele.
Para TI CURADO estejas onde estiveres com saudade do teu amigo Cristiano "o Barnard dos Fiat" te lembro naquele longínquo 1973,que para rodar o motor do Fiat era preciso tirar a tampa da entrada de ar.
Os amigos são para as ocasiões e eu lá estive.
Obrigado por teres compartilhado alguns bons momentos da vida.

À família os meus sentidos pêsames.

Cristiano

Voos de Ligação:

Voo 1996 O Curado(Cobra) partiu - Victor Barata
Voo 1997 Adeus Amigo!- Carlos Robalo
Voo 1998 Vamos despedirmo-nos do "Cobra" - António Loureiro
Voo 2001 De este lado do mar - Fernando Castelo Branco
Voo 2002 Adeus Companheiro – Victor Sotero e Jorge Mendes

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Voo 2002 ADEUS COMPANHEIRO.



Victor Sotero
Sargº.Môr EABT
DAMAIA



Meu Comandante:
Saudando o "Comando", a "Linha da Frente" e todos os "Zés", que nesta Base nos vão "espreitando",
eis-me hoje numa "aterragem de emergência" para prestar a minha homenagem a um "Zé" que foi
muito querido a quem com ele privou.

PARA ALÉM



Escureceu!...
mas isso que importa?
Estás agora no sítio que Deus te deu.
Chove!...
mas isso que importa?
Ouves a chuva que cai do Céu
que mais ninguém houve senão tú?
Continua a Vida noutra "Terra".
Onde possas erguer uma Primavera
"Vivendo feliz rodeado de flores".

Novembro de 2010

Oretos


Despeço-me do "Comando", da "Linha da Frente" e de todos os "Zés" que nos visitam com as minhas
Saudações Aeronáuticas e um até breve.


Nota.:-À família do Curado, um "Zé Especial" que não conheci, mas que O vejo em algumas fotos em voos desta Base,
as minhas sentidas condolências.

Sotero


Jorge Mendes
Ex.2ºSargº.Mil.EABT
Coimbra

Linha da Frente

Apesar do Curado ser da minha incorporação, ter estado em Monte Real, tal como eu e sermos de cidades vizinhas, não tenho presente a sua figura.
Quero no entanto, enquanto católico e que acredita na vida extraterrena, desejar que ele possa ter agora a Felicidade que na vida terrena não teve.
Todos nós um dia ainda havemos de ter longas conversas contigo Curado e havemos de reavivar as Caro Comandante, restantes elementos do Comando e todos os amigos da nossas histórias na nossa FAP.
Os meus sentidos pêsames a toda a família , especialmente ao seu filho.

Até sempre Curado.

Jorge Mendes

Voos de Ligação:

Voo 1996 O Curado(Cobra) partiu - Victor Barata
Voo 1997 Adeus Amigo!- Carlos Robalo
Voo 1998 Vamos despedirmo-nos do "Cobra" - António Loureiro
Voo 2001 De este lado do mar - Fernando Castelo Branco

Voo 2001 DE ESTE LADO DO MAR.




Fernando Castelo Branco
Ex.1ºSargº.MMT
Terceira-Açores


Começo por RECORDAR, o tempo para quem se lembra de quando íamos ou vínhamos do GITE, para quem vinha para baixo, ficava á esquerda, quem ia para cima ficava á direita.
Refiro-me á Secretaria de Comando da nossa “base mãe, OTA”…pois aí, muito

sinceramente, não me recordo de QUEM nos disse que havia “o jornal diário” que tínhamos que ler, ORDEM DE SERVIÇO…


passaram-se alguns dias… e agora com outro NOME “temos “ que ver esta ORDEM DE RECORDAÇÕES, aonde felizmente “diariamente”, nos vamos “APRESENTANDO “com HISTÓRIAS da VIDA, que ao longo destes DIAS guardamos no “saco” da AMIZADE E SAUDADE…
Usando a expressão POPULAR, “por morrer uma andorinha, não acaba a Primavera”, mas o BANDO começa a ficar mais pequeno…
AMIGO Comandante, comecei por ti, porque continuas a ser o “responsável” pela FORMATURA. Sendo assim, quando falta ALGUM, é a TI que “pedimos contas”, mas como continuamos a ter o MESMO Espírito, de que há sempre ALGUÉM há entrada da Camarata á escuta para ver se o “terreno está limpo”!?…
Realmente, no NOSSO TEMPO, os PA,s eram “NOSSOS INIMIGOS”; somente por sairmos á Porta d,Armas devidamente uniformizados e com despensa.
HOJE, são os NOSSOS COMPANHEIROS da SAUDADE e AMIZADE…
AMIGO LOUREIRO, deixaste a Porta de Armas para estares ao pé do NOSSO CURADO, oferecendo-lhe uma PALMA com as cores que ELE ABRAÇOU?…
Pois nós deste lado do MAR, também estamos Contigo , nesta dor de termos perdido um Elemento que ajudou a pôr muitas “aves metálicas” no AR, que tinha a cor do AZUL e em TERRA ficava com ELE o seu lenço AMARELO…
Partiu, mas vai bem Acompanhado, (como um Nosso Companheiro já disse); vai na companhia de Nossa Senhora do Ar…
Paz há Sua Alma, e qualquer dia estaremos TODOS juntos na PARADA DA ETERNIDADE.

Fernando Castelo Branco

Voos de Ligação:

Voo 1996 O Curado(Cobra) partiu - Victor Barata
Voo 1997 Adeus Amigo!- Carlos Robalo
Voo 1998 Vamos despedir-mo-nos do "Cobra" - António Loureiro

Voo 2000 ACIDENTE DO NORD ATLAS 6414,NA PRAIA DE SEPULVEDA,MOÇAMBIQUE.



Jorge Mendes
Ex.Esp.EABT
Coimbra


Caro Comandante, restantes elementos do comando e todo o pessoal da Linha da frente.Tal como prometido no voo 1923 de 20 de Setembro, solicito autorização para mais uma aterragem em que a carga da aeronave é mais um acidente com um dos nossos aviões da FAP.Estava eu no início da minha comissão na BA 10 – Beira - Moçambique, quando volta e meia os mais velhinhos (alguns já com prolongamento voluntário da comissão) falavam de um acidente com um Nord Atlas, que diziam ele, por imperícia da tripulação, nomeadamente do seu 1ºpiloto, se havia perdido num voo entre a Beira e Lourenço Marques.

Este assunto sempre me mereceu alguma curiosidade, pois apesar de não ter conhecimentos de navegação e pilotagem, pensava como seria possível um Nord Atlas perder a rota num destino que à partida seria muito fácil, pois na pior das situações seria acompanhar a costa marítima.
Assim irei dividir este voo em duas escalas.A primeira com base nas notícias do Dário da Beira de 15 de Junho de 1967 e emextractos retirados do Blog “Voando em Moçambique”.Passemos então aos factos retirados das fontes acima mencionadas.-O acidente aconteceu na noite( 22H00 ) de 3ª feira dia 13 de Junho de 1967.-Apenas um ferido ligeiro entre os passageiros.-O êxito da difícil aterragem deveu-se à enorme perícia do piloto.-A causa da descida de emergência, foi terem os tripulantes verificado uma avaria de ordem técnica, a que se juntou uma fatídica e trágica falta de combustível, o que impediu o avião de atingir o aeroporto de João Belo , para uma aterragem de recurso.-Também existia na altura um nevoeiro muito denso, logo a navegabilidade era bastante difícil.-A manobra de aterragem de emergência foi antecedida pelo alijamento de carga.-A aeronave fazia a ligação Nampula – Beira - Lourenço Marques.Estes são pois os extractos que tomei a liberdade de retirar do Blog “Voando em Moçambique” e do Jornal Diário da Beira. Devo realçar que este Blog recomenda-se pela sua qualidade de apresentação e dos artigos.Bem mas como as minhas dúvidas persistiam quanto aos motivos do acidente, nada melhor que tentar ter acesso ao inquérito mandado efectuar pelo Comando da Região Aérea.É nesta fase que mais uma vez solicito a ajuda do amigo Sotero.Assim e para não tornar mais longa esta primeira escala deste voo, irei solicitar ao comando permissão para de seguida poder levantar voo para a 2ª e última escala .Esta 2ª escala vai ter como rota o inquérito feito pelo Comando da RA ao acidente.Amigos , vale a pena ver esta segunda escala.Quem tem razão? As notícias vindas a público ou as conclusões finais do inquérito?Para levantar apenas a ponta do véu, digo que são muito diferentes.O comandante da aeronave foi um herói( como foi transmitido na imprensa) ou fez asneira durante o voo?Vamos esperar, para tirar as devidas conclusões.Até à chegada final do voo( 2ªescala).
Saudações Aeronáuticas.
Jorge Mendes
2º Sarg.Milº EABT

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Voo 1999 HISTÓRIAS DESTAS...QUEM AS NÃO TEM?...





João Henriques
Esp.M.Rádio
Vancouver
Canadá



Amigo Barata,Um abraço e os votos para que tudo esteja a correr bem contigo, cumprimento também os nossos amigos Zés.
Não me passou despercebida a noticia do nosso ex colega Curado , (COBRA),depois do que sofreu, agora que descanse em paz.E bom ver que os motores continuam quentes e que há movimento na pista, pena e, não aparecerem mais colegas do meu tempo, assim recordaríamos mais historias, tenho esperança que ira acontecer.
Se não tivesse medo de ser castigado, contava a historia de tirar gasolina da DO 27 para por no Citroen de 2 c.v não era eu o M.M.A, ele,(O Ribatejo),dono do carro, e que punha o escadote debaixo da asa do avião com o regador amarelo a aparar a gasolina.
Ele só usava o meu deposito de plástico que estava
dentro do meu saco no meu armário.
E
sse carro tem boas historias , também tinha velas de avião, só lhe faltava voar de Tancos para Alcanena, ainda por cima era eu que conduzia, ele não tinha carta.
A melhor viajem foi quando no caminho encontramos um igual e como o nosso estava equipado, tínhamos que o ultrapassar, assim aconteceu.
Um abraço ate ao próximo voo.

Gostaria que aparecesse alguém a identificar este pessoal.



Legenda: Futebol de salão no dia de Juramento de Bandeira na OTA. (Primeiro da esq. de pé ,EU).
Foto:João Henrique(direitos reservados)


Legenda: Uma parte da anti-aérea na BA12
Foto:João Henrique(direitos reservados)

.

Legenda: O que restava das caçadas (e pouco mais).
Foto:João Henrique(direitos reservados)



Legenda: O famoso chicote que comprei no mercado negro.
Foto:João Henrique(direitos reservados)



Legenda: Juramento de bandeira, EU na frente, ao centro.
Foto:João Henrique (direitos reservados)









terça-feira, 16 de novembro de 2010

Voo 1998 VAMOS DESPEDIRMO-NOS DO "COBRA".





António Loureiro
Fur.PA
Figueira da Foz




Caro Comandante

Acabei de saber que o funeral amigo Curado se realizará amanhã pelas 16H na sua terra

natal, Lavos - Figueira da Foz. Para quem não souber e estiver interessado em estar presente, Lavos é uma "povoação" a 7Km a sul da Figueira da Foz na EN 109 (ou estrada antiga, como é também conhecida).
Depois da mensagem tão sentida do nosso Comandante, mais não pude fazer do que encomendar uma palma com as cores azul e amarelo, azul por ser a cor da Força Aérea, amarelo por ser da cor do lenço que pelos vistos ele tinha tanta "cagança" em ostentar.
Também darei os sentimentos ao filho, em nome dos ZÉS, muito especialm seus camaradas da Guiné.
Acabou o seu penar, foram anos de muito sofrimento com algum isolamento e incompreensão à mistura.Que Nossa Senhora do Ar olhe por ele e que descanse em paz.


Loureiro

Voos de Ligação:

Voo 1996 O Curado(Cobra) partiu - Victor Barata
Voo 1997 Adeus Amigo!- Carlos Robalo


Samuel Girão
Ex.1ºSargº.MMA
Pª.Stª.Adrião

Li o «voo» que nos dava noticia do falecimento do CURADO.
Que dizer? Pouco. Apenas que se foi mais um dos nossos.
Que NOSSA SENHORA
DO AR o encaminhe para o local que merece.
Os pêsames á sua família.
ATÉ SEMPRE CAMARADA


SAMUEL GIRÃO

Miguel Falcão
Ex.Esp.MMA
Porto

Foi com grande tristeza que soube da morte do meu grande amigo Cobra com quem partilhei grandes momentos quer na Linha dos DOs na BA12 quer nas farras em Bissau
Sentidos pêsames à família e amigos.

Miguel Falcão

Joaquim Guiomar
Ex.Esp.Melec/Centrais
Sintra

A Curado era da minha incorporação 1ª de 68, esteve comigo na EMEL e na Guiné.
Reconheci-o em fotos apresentadas aqui na base.
Uma perda de vulto no seio da nossa família especialista.
Paz á sua alma e pêsames à família.
Cumprimentos a todos.

Joaquim Guiomar

VOO 1997 ADEUS AMIGO.



Carlos Robalo
Esp.MMA
Lisboa


É com grande tristeza e mágoa que acabo de ler no nosso Blog, sobre o falecimento do Curado. Grande homem, amigo e companheiro com o qual compartilhei quarto na Guiné.Colega da linha da frente que normalmente fazia parelha comigo nas inspecções.
Foi várias vezes comigo para Aldeia Formosa em destacamento com os T-6..
Que Deus o tenha em descanso.
Para a família os meus pesares.
Do sempre amigo,

Carlos Robalo.

Voos de Ligação:
Voo 1996 O curado (cobra) partiu. Victor Barata

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Voo 1996 O CURADO (COBRA) PARTIU.



Victor Barata
Esp.Melec./Inst./Av.
Vouzela



Caros Companheiros.
Não sei como divulgar…A emoção apoderou-se de mim e…não consigo…
Bom, agora mais calmo, vou tentar dizer-vos porque estou assim.
Acabo de abrir o meu mail e deparo com esta mensagem do António Loureiro:

Caro Comandante

Ainda ontem à tarde estive a combinar com um amigo, que é primo do Curado, em ir fazer-lhe uma visita, porque há tempos que não o vemos, quando ele acaba por me dar a triste notícia, que viu o INEM ir para os lados da casa dele, e por ter tido um mau presságio, seguiu também para lá, vindo a constatar que o mesmo se tinha suicidado.
Como te tinha dito, os últimos anos dele tem sido duros devido á doença que o andava a ator

mentar, e acabou por capitular.
Logo que saiba mais notícias, informo.
As melhoras também para ti.
Um abraço.
Loureiro

AMIGO Curado,
Quero pedir-te desculpa de me não ter despedido de ti.
Tentei por diversas vezes fazê-lo, mas não consegui, pelas mais variadas situações. Hoje recebi esta triste e inconsolável notícia.
Que grande companheiro tu foste para mim, AMIGO!
Foste um dos grandes causadores de eu me sentir, hoje, feliz pelo homem que sou!
Recordo alguns episódios teus na Guiné, um deles em que gostavas de ostentar o teu lenço amarelo ao pescoço e dizeres que vinhas da BA 5,Monte Real, a casa dos jactos.
A última vez que estive contigo, foi num encontro do pessoal da BA 12,onde te procurei onde estavas e o que fazias. Respondeste-me assim:
Moro na Figueira da Foz, sou fiscal da câmara desta cidade. Quando me quiseres procurar, vais a este organismo e perguntas pelo fiscal que não é corrupto, toda a gente te encaminha para mim!
Sei que estás bem, pois normalmente a Nª.Sª.do Ar nestes momentos é quem nos leva no seu avião.
ADEUS AMIGO,ATÉ AO NOSSO PRÓXIMO ENCONTRO!

Voo 1995 AS NOSSAS FARDAS.




Samuel Girão
1ªSargº MMA
Póvoa de Stº.Adrião


COMANDANTE BARATA

Ao ver o «voo» 1994 do SOTERO achei uma ideia interessante mas entendi que devia juntar um modelo,usado no inicio dos anos 60 na BA9,para preservar as fardas creme. Creio que seria uma inovação no desfile, razão porque decidi concorrer com ele. É um modelo inovador e espero que obtenha êxito.


É o do lado direito da foto.
UM GRANDE ABRAÇO COMANDANTE
SAMUEL GIRÃO

Voos de Ligação:

Voo 1994 Se… o Comandante se lembra… Victor Sotero

domingo, 14 de novembro de 2010

Voo 1994 SE...O COMANDANTE SE LEMBRA...



Victor Sotero
SargºMôr EABT
Damaia


Saudando o "Comando", a "Linha da Frente e todos os "Zés" que nos visitam, eis-me em nova "aterragem"

E... se o "nosso Comandante" com a ajuda dos "Zés" que se encontram colocados na unidade, um dia se lembra de fazer montar no hangar da manutenção um palco feito de tábuas assentes por cima de alguns bidões de 200 litros?
E... se depois se lembra de uma passagem de modelos com a colaboração dos "nossos Zés" num dia de festa?
E... se ainda por cima forem os "Zés" mais bem fardados, brindados com prémios?
Por mim, creio ser quase impossível. Mesmo que houvesse fardas, ninguém caberia dentro delas.
Podemos sim, imaginar fardas do nosso tempo e como podíamos andar fardados.

AS NOSSAS FARDAS

-FARDA CINZENTA COM DOLMAM E BONÉ
-FARDA CINZENTA COM BLUSÃO E BIVAQUE
-FARDA AMARELA COM DOLMAM E BONÉ
-FARDA AMARELA COM BALALAICA E BONÉ
-FARDA AZUL COM DOLMAM E BONÉ
-FARDA AZUL COM BLUSÃO E BIVAQUE
-FARDA AZUL COM DOLMAM E BIVAQUE
-FARDA AMARELA COM CASCOL, CAMISA E QUICO
-FARDA AMARELA COM CAMISA SEM CASCOL E QUICO
-FARDA DE MESCLA COM BIVAQUE
-FARDA CAMUFLADA COM BIVAQUE
-FARDA CINZENTA COM GABARDINE E BONÉ
-FARDA AMARELA COM CALÇÃO E QUICO
-FARDA AMARELA COM GABARDINE E QUICO
-FARDA CINZENTA COM CAPOTE E BONÉ
-Etc...

Seriam ainda admitidos pelos vários modelos os seguintes artigos:

-a) BOINA VERDE
-b) BOINA AZUL
-c) SAPATOS PRETOS OU AMARELOS (CASTANHOS)
-d) BOTAS GROSSAS, DE CABEDAL OU BORRACHA
-e) LUVAS PRETAS OU CASTANHAS
-f) FATOS DE VOO (VERDES, AZUIS OU LARANJAS)
-g) CAPACETES DE VOO



Meu Comandante:
Nós não somos "velhos". A velhice, é um estado de espírito.
Recuemos uns anos e que vemos?
Orgulho, meu Comandante, quando os nossos "Zés" passeavam as suas fardas pelos bairros de Lisboa.
A "rivalidade" também com a Marinha e com o Exército.
As "rondas mistas" sempre à espera da "confusão" que por vezes aconteciam.
Quem, do nosso tempo, não se lembra?
E que vemos hoje, meu Comandante?
Já nem sequer as "rondas" se vêem por Lisboa!...

Meu Comandante:
Tocou-me hoje a mim um dia nostálgico, mas despeço-me com as habituais saudações Aeronáuticas do "Comando, da "Linha da Frente" e de todos os "Zés" que por aqui nos vão visitando com um até breve.
Sotero

VB: Aí do que nos vens lembrar hoje Sotero…
Éramos os ídolos das miúdas, passear-se na rua com uma aviador ao lado, sentiam-se com os pés do ar!
Recordo perfeitamente a perseguição que os “artistas”da roda nos montavam, um simples botão desabotoado já era motivo para fornecimento de identificação, mas que não tinha repercussões perante os nossos superiores.
O tempo não perdoa e hoje é bom cá estarmos para recordar.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Voo 1993 OPERAÇÃO ”MAMUTE DOIDO” (3)







António Dâmaso
Sargº.Môr Paraqª.(Refº.)
Azeitão





OPERAÇÃO ”MAMUTE DOIDO” (3)

Legenda: Fotografia parcial do Quartel de Guidage em DEZ1973,
Foto: Albano Costa (por cortesia)


Permanência em Guidage

Os dias que permaneci no Aquartelamento de Guidage foram os mais dolorosos de toda a minha vida.
Chegamos lá na noite de 23MAI73, com três mortos e um ferido grave, famintos, sedentos, desidratados e com o moral em baixo.
Quando entramos cheirava a cadáveres em decomposição, recebi ordem para colocar o meu pelotão, nas traseiras da cozinha, perto dos balneários, numa vala debaixo de umas árvores de grande porte, vim a saber depois que naquele lugar tinham dois dias antes, morrido dois militares e que estavam á espera dos caixões que deviam ter vindo na coluna que não chegou, sendo a causa do cheiro que se fazia sentir, não sei bem onde estes mortos se encontravam, lembro-me da existência de um abrigo na parada e que servia de enfermaria, donde vinha um cheiro insuportável.Na primeira noite só eu e mais uns quantos dormimos junto da vala os restantes foram para um abrigo que estava perto, não sei como cabia lá tanta gente, eram beliches com camas sobrepostas, até havia militares a dormirem debaixo das camas, estavam militares do Exercito, Fuzileiros e Pára-quedistas, era tudo ao molho, pensei que se caísse lá uma granada perfurante fazia uma razia.
Quando espreitei à porta estavam a ouvir uma rádio pirata, a voz da libertação não sei quê, entre outras coisas foi lá que ouvi pela primeira vez que o Quartel de Guileje tinha sido abandonado.

Legenda: O Alluete III efectuando uma evacuação à zona.
Foto:Pierre Fargeas(direitos próprios)

No dia 24 MAI73, foi lá o Héli em missão arriscada em voo rasante, segundo se disse na altura pilotado pelo Comandante da Base, dizia-se que os pilotos não queriam levantar, o que eu acho que não correspondia à verdade, porque estiveram na operação “ Ametista Real” e quando em 23 a CCP 121 esteve cerca de 50 minutos debaixo de fogo numa emboscada em Cuféu, eles foram lá salvar-nos o “coiro”, esse Héli levou-nos correio e dois pares de meias novas que nos deram muito jeito, dizem ter lá ido o Gen. Spínola mas não me lembro do ter visto, vi sim, o Major Pára Calheiros, o ferido grave do 2.º Pelotão, o Melo, foi evacuado para o Hospital Militar de Bissau acabando por falecer também.
Ainda no mesmo dia manhã cedo, o chefe da Tabanca de Guidage, deslocou-se à bolanha do Cuféu e disse ter lá visto três guerrilheiros mortos, mas que não tinham as armas, ficámos assim a saber que eles também sofreram pelo menos três baixas.
Parte do quartel do Guidage estava construído já no Senegal, até diziam que metade da pista era no Senegal, uma coisa era certa é que as DO 27 para aterrarem ou levantarem, tinham que voar por cima do Senegal, isto antes de terem abatido num só dia três aviões na zona, a pista era pouco mais que o campo de futebol, era um ponto alto de onde se avistava no Senegal, relativamente perto, uma estrada com movimento de viaturas.
Como vi o meu pessoal tão por baixo, eu não estava menos mas tinha o sentido da responsabilidade de comando, pedi ao comandante da companhia para falar com eles, ele assim fez e para fazer ver que ainda éramos pára-quedistas, no dia 25MAI73, saímos pela estrada que ia para Barro, mais à frente derivamos para a esquerda, a corta-mato e fomos ao Cuféu, estivemos no local onde tínhamos sofrido a emboscada, quando vi o local onde nós tínhamos estado “abrigados”, ao ver tudo arrasado deduzi que tivemos sorte por não ter havido mais baixas, viam-se espalhados pela zona alguns cadáveres abandonados, já só as ossadas por terem sido comidos pelos bichos.
Aquela saída foi muito positiva para levantar o moral, porque tanto na ida como no regresso, na zona de Ujeque fomos alvo de tentativa de flagelação, como mais tarde alguém escreveu, “que não se saia nem entrava no quartel sem haver tiros”.
Não sei se aquela saída foi ordenada pelo Comandante do COP 3, apesar de estarem lá militares de outras armas mais descansados do que nós, coube-nos a missão e ficou aqui demonstrado que naquelas condições, as Tropas sitiadas devem fazer segurança próxima e afastada, é dos livros e tem-se verificado na prática que existindo grandes abrigos fortificados, mas, se não existir segurança próxima e afastada, correm o risco de com uma simples granada lacrimogénea, os saquem de lá “ pelas orelhas”.
Entretanto já tinham sepultado os dois mortos que já lá estavam quando chegamos, agora eram os nossos que já estavam em decomposição o cheiro era insuportável, eu ia comer perto da enfermaria onde os nossos três mortos tinham sido depositados sobre camas sem colchões, não existiam sacos para cadáveres, a refeição era um arroz aguado, espécie de canja temperada com um sal dum chispe de porco enlatado, que eu vi desenterrar na “parada”, para lhe ser aproveitado o sal, estava comer e o cheiro que vinha da enfermaria interferia-me com o paladar.
Mais uma vez falei com o Comandante de Companhia no sentido de acabar com aquela situação, dando-lhes sepultura, tendo em conta a meu ver, que nada mais podíamos fazer por eles, não sei se o meu pedido teve alguma influência, mas foi assim que eles foram sepultados enrolados num lençol e pano de tenda, ao lado dos outros dois que já lá estavam.
Foi uma tarefa dificílima, eu que sempre evitei situações complicadas, mas há alturas em que por muito complicadas que sejam, temos de dar um passo em frente e voluntariei-me juntamente com o maqueiro/enfermeiro do meu pelotão Carvalho (1), mesmo com mascaras embebidas em álcool, foi difícil de suportar, estavam irreconhecíveis, se não fossem as etiquetas que tinham no dedo do pé, não sabia quem eram, fez-me alguma confusão como é que tinha entrado em decomposição em tão pouco tempo.
Tive conhecimento que num alojamento dos oficiais ou dos sargentos havia vaga, sei que um tenente da minha Companhia dormia lá, não me fiz rogado e fui para lá dormir, pelo menos sempre dormia num colchão já que o risco era eminente em qualquer lado.
Não me lembro de ver sentinelas enquanto lá estive, se as havia eu não as vi, também não as fui procurar.
Enquanto lá estive, deambulei por lá sem grandes curiosidades, até porque a minha condição psico-física não mo permitia, apenas estava preocupado para que em caso de ataque eminente, teria de defender a zona que me tinha sido distribuída, nesse contesto analisei o terreno envolvente, vi onde estavam todos os meus homens, porque a segurança não podia ser descurada, assim fui à sala de transmissões onde funcionava o comando e troquei impressões com que lá estava, já tinha tido três baixas e queria fazer tudo o que estivesse ao meu alcance para não ter mais, em virtude de estar consciente do perigo que todos corríamos.
As flagelações eram frequentes, numa destas houve uma granada perfurante que entrou num abrigo de um Obus matou seis ou sete numa assentada, ficaram pendurados nos beliches. Naquela zona morria-se em emboscadas, dentro do quartel em valas e abrigos, a morte espreitava em qualquer lugar.
Lá foram mais uns quantos sepultados no cemitério improvisado, assim continuámos no antro de morte, o ar que respirávamos cheirava a morte, no dia 29MAI73 recebemos ordem de ir ao Cuféu fazer segurança para que não fossem emboscar uma coluna que vinha de Farim, desta vez tiveram o bom senso de trazer um Caterpillar a abrir picada nova, mesmo assim foi mais uma viatura pelos ares, na zona de Genicó, tendo provocado um morto e um ferido grave, a coluna no lado direito vinha escoltada pela CCAV 3420, comandada pelo Cap. Salgueiro Maia, nós saímos para ir fazer segurança ao Cuféu e o Destacamento de Fuzos saiu atrás de nós para ir para Ujeque.
Quando estávamos a entrar no Cuféu captei no meu rádio, uma transmissão entre o Cap. Salgueiro Maia e o meu comandante de companhia, em que o primeiro perguntava qual a nossa localização porque estavam a avançar para ele em linha, cerca de cem militares/ guerrilheiros com boina verde, o segundo respondeu que não éramos nós porque estávamos na bolanha do Cuféu e não usávamos boina no mato, da conversa fiquei a saber que se conheciam da Academia Militar onde o Comandante da minha C.ª era conhecido por “Vietcongue”, aqui que ninguém nos ouve, nos Pára-quedistas tinha a alcunha de “Cara de Aço”, talvez devido ao seu ar grave, (com o devido respeito).
Quase de imediato ouviu-se um forte tiroteio na posição dele, desta vez o PAIGC foi tentar a sorte mais para frente, ao que parece ainda fizeram mais duas tentativas, mas a CCAV 3420 bateu-se bem e chegou para eles.
Até que chegaram à nossa posição, depois da travessia da bolanha, uma viatura Unimog saiu fora do trilho e pisou uma mina, mais um ferido grave, depois de passarem por nós a minha companhia seguiu atrás em protecção à retaguarda, mesmo assim ainda perto da zona de Ujeque, fizeram uma tentativa de nos flagelar, desta vez coube à minha companhia repeli-los, já de noite lá chegamos a Guidage.
A única coisa boa que me lembro de ver enquanto lá estive, foi haver sempre água corrente.

(1) O Carvalho mais conhecido por Carvalhinho, veio a falecer em combate na Operação Topázio Poderoso, na Região de Cubonge em 22JUL73.

Saudações Aeronáuticas

Dâmaso

Voos de Ligação:

Voo 1984 Operação Mamute Doido”(2) António Dâmaso