sábado, 12 de março de 2011

Voo 2199 APOIO AÉREO - GUINÉ,O MEU COMENTÁRIO.



Victor Tavares
1ºCabo Paraqª.
Agueda



Caro amigo e camarada Victor Barata,
Queria fazer um pequeno comentário referente ao último poste publicado no blogue que tão bem diriges e coordenas.
Há um Fuz. Esp. Pires da Silva que põe em causa a operacionalidade da Força Aérea,

penso que se refere ao período Abril /Junho de 1973?
Não li o artigo do jornal referenciado.
Quero dizer que não tenho intenção de criar polémicas seja com quem for, nem a força Área e os militares que prestavam serviço na BA12, tem necessidade que eu os defenda, porque ninguém melhor do que vós o fará como bem entenderem e no local próprio.
Agora não è justo que se ponha em causa
"porque é muito grave" a eficácia do apoio dado pele Força Aérea. Esse nosso camarada não sei onde estaria nesse período crítico que mediou entre GUIDAGE e GADAMAEL PORTO, pelo jeito não estaria nem num lado nem no outro, ou então não falaria assim. Eu estive lá nos dois locais que atrás

referencio, e quero dizer-vos, que estando eu no terreno tanto num lado como no outro, nunca deixamos de ter apoio Aéreo, prova disso foi o bombardeamento feito para cima do IN, durante o contacto com as forças do PAIGC no Cufeu/Guidage e que durou 45 minutos, eles estavam lá quando precisamos, e correndo os riscos que todos sabemos " ou quase todos" pelos jeito este camarada FUZILEIRO não sabia. Mais, quem lá esteve sabe que no dia 24 de Maio, um Heli foi a Guidage levar-nos material de guerra, munições e fazer a evacuação de pessoal que tinha sido ferido no dia anterior, caso do Paraquedista MELO.
Pelo que se vê esses abnegados pilotos foram lá, arriscaram è certo, mas estiveram connosco sempre nos momentos mais difíceis e necessários.
Quanto ao
” Deixarem para trás CAMARADAS”, esse nosso camarada Fuzileiro não sabe por certo as circunstâncias que deram origem ao que aconteceu e a essa difícil tomada de decisão de sepultar os nossos 3 homens em Guidage, "Porque é a estes e aos Paraquedistas que ele se refere". Atrevo-me a perguntar-lhe, o que aconteceria aos Fuzileiros e pessoal do exercito sitiados em GUIDAGE à vários dias, se os Pára-quedistas não rompessem o cerco e chegassem lá?
Bem Camaradas e amigos fico-me por aqui, porque só devemos falar do que sabemos.
Um grande e forte abraço para todos vós.

Victor Tavares

Voos de Ligação

Voo 2188 - A FAP esteve sempre operacional na Guiné - Fabrício Marcelino

VB: Pois é Victor, é pena que ainda hoje exista este tipo de conceito em relação à actividade da nossa FAP no TO da Guiné.
Não quero contudo deixar de acreditar que muitas vezes os jornalistas, por falta de conhecimento, deturpam um pouco determinados termos.

Voo 2198 PARA O LINO REIS E FERNANDO SANTOS.





Américo Dimas
Esp.MARME (LOBO MAU)
Angola



Caro Comandante, “Crew” e tertulianos

Os meus antecipados cumprimentos para todos, das terras quentes de Angola.Embora ultimamente afastado um pouco da rotineira visita ao blogue, apenas por motivos profissionais, não perco contudo, a oportunidade sempre que esta me aparece, de ir ver/ler as mensagens (voos) que vão surgindo.Desta vez dei com duas notícias algo especiais. São o caso da confirmação feita pelo Lino Reis (Asterix), quanto à sua pessoa, relativamente à memória que tinha dele enquanto piloto dos Alouette III, sempre com aquela sua postura impecável no trajo e no trato.

Legenda: Pousando dentro do ALL III, Heli-Canhão,tendo como piloto o nosso Companheiro Esp.Melec./Inst./Av. Ribeiro.
Foto:Américo Dimas(direitos reservados)

Recordo-me perfeitamente da participação conjunta em algumas missões do “Lobo Mau”, principalmente aquelas missões de protecção ao Gen. Spínola, quando este visitava os aquartelamentos no “mato”, na sua acção psicológica, ocasião em que havia sempre comida melhorada no local da recepção, pois era “dia da Tabanca”, com festa e manga di ronco…Aí o Alf. Pil. Av. Reis dizia: - presente!! com a sua máquina fotográfica em riste, registando todo o cerimonial daqueles momentos únicos, qual repórter de guerra.Gostei sempre de o acompanhar naquelas “perigosíssimas missões”…, pois também eu partilhava aqueles momentos, com a mesma satisfação e emoção, pelo contacto principalmente com as populações nativas.De Luanda, envio-lhe um abraço de amizade.A outra notícia também “especial”, foi saber da chegada ao blogue, do Fernando Santos (voo 2194), pessoa que conheço, pois tive com ele algum convívio, já na vida civil, na participação conjunta dos primeiros passos, do que viria a ser o Clube de Ténis do Montijo, onde o Fernando se mostrou um elemento fundamental nessa concretização, pelo seu empenhamento e participação.

Também para ele um abraço de amizade e as boas vindas ao blogue.

Américo Dimas

P.S. Junto 2 fotos.

Legenda: Em Bubaque,11 de Abril de 1971
Foto:Américo Dimas(direitos reservados)

Legenda: Em Luanda,2009

Foto:Américo Dimas (direitos reservados)

Voos de Ligação:

Voo 2191 - Companheiros,acabou de aterrar o Alf.Pilav.Reis - Lino Reis
Voo 2194 - Sejas Bem-Vindo,Fernando - Fernando Santos

VB. Bom-Dia Américo.
Na realidade a tua ausência tem sido motivo de interrogação de muitos Tertulianos, mas está justificado.
Mais uma vez foi posto na prática uma das grandes virtudes deste nosso espaço, o reencontro de camaradas. É para nós, editores, motivo de grande satisfação quando tal acontece.

Voo 2197 GADAMAEL PORTO (2)




António Dâmaso
SargºMôr Paraqª.
Azeitão



GADAMAEL PORTO (2)

OS DOENTES ERAM OBRIGADOS A SAIR PARA O MATO

Legenda:Vista parcial de Gadamael Porto em primeiro plano Uma Peça/Obus
Foto:António Dâmaso(direitos reservados) (HBCP12)

Depois de municiados foi dada ordem à Companhia de preparar para sair, o meu pelotão estava completo de graduados pelo que eu não fazia falta, sabia que mais um homem ainda que debilitado, poderia ser uma mais-valia, mas tinha consciência que a minha capacidade estava muito diminuída e que em vez de mais-valia podia tornar-me num empecilho, devido ao meu estado de saúde,pedi ao Comandante de pelotão para me dispensar para ir ao médico, este disse que não era com ele que era com o comandante de Companhia, este apontou para o segundo Comandante, este por sua vez mandou-me para o primeiro Comandante, aquilo caiu-me mal, até ali tinha dado tudo o que tinha, passei-me e numa folha de bloco de carta, fiz um requerimento a pedir para ser submetido a uma junta médica, uma vez que me queriam obrigar a ir para o mato sem estar em condições de saúde para o fazer, pois não queria que os homens que sabe Deus como se arrastavam, tivessem de andar comigo às costas, enquanto andava nestas andanças a Companhia saiu sem mim.
Não saí e assumi a responsabilidade, mais tarde fui chamado ao segundo Comandante para me devolver o requerimento que eu tinha entregado a pedir a Junta médica, fiquei à espera e só me deixaram ir ao médico no dia em que a Companhia foi descansar em Cacine, nesta altura já o meu estado de saúde se tinha agravado mais, enquanto estive à espera fui-me aguentando como pude levavam-me comida que já era difícil de tragar para quem tinha saúde e apetite, como não dispunha dos dois fui bebendo umas cervejas bem “quentinhas” duma caixa que tinha comprado quando lá cheguei, cerveja mesmo quente já era um luxo, mas o instinto de sobrevivência lá me ia dando forças para me deslocar para a vala sempre haviam flagelações, neste espaço de tempo que estive sem
assistência, tive conhecimento de dois alferes e de um ou dois furriéis que se negaram a ir para o mato, mas não por motivos de saúde.
Algumas praças de outra Companhia, que por estarem muito debilitadas, ao não acompanharem os seus pelotões na saída para o mato, foram selvaticamente agredidas pelo Comandante de Companhia, que gostava de sovar praças indefesas e “turras” com as mãos atadas atrás das costas.

Legenda:Material capturado pela CCP 121 na acção “Cobra Ondulante” em 23 de Junho de 1973
Foto:António Dâmaso(direitos reservados) (HBCP12)


Legenda:Gadamael Porto no tempo dos Páras, Junho/Julho de 1973,
Foto:António Dâmaso(direitos reservados) (HBCP12)

No Quadro do Batalhão havia um médico, mas este ficou no Posto de Socorros de Bissalanca, havia um médico do Exército em Cacine, um Alferes Miliciano só fui presente ao médico em Cacine no dia 19 de Junho, puseram-me a soro e lá fiquei enquanto o soro corria, estive a ouvir as queixas dos militares da minha Companhia, pareciam tiradas a papel químico: “Cansaço, falta de apetite, insónias, dores de cabeça e os nervos arrasados, etc.” De repente chegou uma catrefada de feridos da CCP122, uns mais outros menos graves, tinham caído numa emboscada, os ferimentos era quase todos por estilhaços de granadas RPG 2 lembro-me que um deles era Sargento e ficou incapacitado, com a chegada dos feridos as consultas foram interrompidas até fazer as evacuações para Bissau e tratar dos mais ligeiros, depois fui medicado e fiquei em convalescença até 27 de Junho de 1973.
Entretanto a Companhia acabou o curto período de descanso e regressou novamente a Gadamael Porto, eu ainda estava de convalescença, mesmo assim gostavam tanto de mim que queriam que fosse com eles, só não fui porque o Comandante da Companhia não me encontrou, mas fui quando esta acabou.

Saudações Aeronáuticas

A. Dâmaso

Voos de Ligação:

2164 - Operação "Dinossauro Preto" (Gadamael Porto 1) - António Dâmaso

sexta-feira, 11 de março de 2011

Voo 2196 O 11 DE MARÇO DE 1975.




João Henriques
Esp.M.Rádio
Vancouver
Canadá


Cumprimentos ao nosso comandante e ao resto do pessoal.
Como todos os anos acontece, no dia 11 de Marco, lembro-me sempre do que aconteceu em Tancos.

A minha ligação com os T6 ,aos quais dei saída e a tudo o que lá aconteceu.
Nunca mais me esqueci do Major Neto Portugal, só nós dois é que usava-mos barba.
Acabou por sair sem rádio, não deixou que eu o substitui-se, regressou com alguns buracos(6 ou 7).
Não vou falar mais no assunto para não ser maçador, mas são coisas que gosto de recordar.
Conto esta historia aqui no Canadá, mas poucas pessoas sabem, nessa altura, não havia a facilidade de informação que há agora.
Um abraço para todos e espero que o nosso COMANDANTE já esteja bom.

Voo 2195 PEDIDO DE COLABORAÇÃO.


Filipe Szolnoky Cunha
Professor Auxiliar


Área Cientifica de Mecânica Aeroespacial
Departamento de Engenharia Mecânica
Instituto Superior Técnico
Av. Rovisco Pais, 1049-001 Lisboa
Telefone 21 841 7028, Fax 21 841 94 71

Exmos Srs:

Ao fazer uma pesquisa na internet, para um artigo que estou a preparar sobre a utilização de helicópteros em Portugal, encontrei o vosso blogue. Neste está mencionado o “História dos Alouette III na Guerra Colonial.” Saltimbancos. http://www.saltimbancos.net/downloads/Historia_Alouette_III.pdf

Infelizmente o link não está a funcionar, por isso venho perguntar se seria possível arranjar uma cópia do PDF referido.

Com os melhores cumprimentos

VB: Solicita-nos este nosso leitor que divulguemos este pedido.

Voo 2194 SEJAS BEM VINDO,FERNANDO!





Fernando Santos
Sargº.Ajud. EABT



Olá Victor,
Bom Dia e votos para que estejas bem, assim como todos os teus.
Para começar gostaria de cumprimentar todos os camaradas e louvar os mentores deste site/ponto de encontro/avivador de memórias/onde a história se continua fazendo. Bem hajam.Escrevo-vos no sentido de tentar saber do contacto de um camarada nosso, chamado João Ferreira, mais conhecido pelo "Tocas" especialista de armamento e incorporado em 1959.Somos bons amigos e há vários anos que lhe perdi o rasto. Caso alguém saiba do paradeiro dele agradecia que me o transmitisse.
Obrigado pelo MTU para entrar nesta simpática tertúlia, onde podemos ter o prazer de recordar bons momentos e onde podemos ter noticias de camaradas nossos. Eu visito a página várias vezes e lá vejo algumas caras e nomes de velhos conhecidos...assim se faz a história que é a marca do tempo.”
Aqui junto envio algumas fotos que passo a enunciar:


100-2635 que até vai repetida porque não sei eliminar uma, é a minha mais recente com uma das minhas netas e uma das minhas relíquias com 2 rodas.


0001 fardados é a malta especialista do Destacamento 52 de Monte Real junto a um F-86. Este Destacamento ocorreu entre Jan63 e Abr63.


0001 à civil, é alguma da malta do mesmo destacamento no domingo de Pascoa de 63, num almoço no Grande Hotel ??? de Bissau, que se situava na marginal
Episódios marcantes, tirando aqueles que tiraram a vida a alguns dos nossos camaradas, sempre muito tristes e marcantes, conto um que deu alarido, até porque foi entendido como um acto politico/racista que foi um celebre encontro de futebol de salão entre a malta do destacamento e uma equipa de Bissau no campo ou da UDIB ou do Sporting, em que descambou em pancadaria meteu Policia e só o Comandante do destacamento, Major Moreira, com o seu fair-play conseguiu apaziguar e todos viemos em bom termo de regresso à Base. Diga-se em abono da verdade que este acontecimento se deveu essencialmente a provocações dos Cabo-Verdianos que não nos viam com bons olhos por causa do local estratégico onde estávamos hospedados, no Hotel da Madamme Chantré, mesmo em frente ao Liceu Bissaia Barreto onde todos os dias as meninas alunas se cruzavam connosco...e não só...
Outro episódio marcante, especialmente para mim, já durante a minha comissão também lá na Guiné, que foi entre Maio64 e Dez65, foi o avião DO-27 em que voava com o Com. Barbeitos de Sousa, com o Torres Gomes e o Felgueiras MMA, ter sido atingido em que ficamos todos parcialmente feridos com estilhaços da fuselagem, tendo eu sido o que fiquei pior com mais estilhaços, especialmente um maior que se alojou na perna esquerda o que me valeu um internamento no hospital da Força Aérea na Terra-Chã na Terceira, Açores, operado pelo célebre médico do pappilon vermelho, cirurgião Dr. Garrett e acompanhado pela dedicada S.ª enfermeira pára-quedista Rosa, com quem tenho algumas fotos tiradas lá no hospital, que um dia quando vocês organizarem de novo outro voo cultural/gustativo, e que terei muito gosto em estar presente, as levarei para lhe mostrar.Força e tentem manter esta BASE, porque eu acho que é um serviço que merece ser reconhecido e acarinhado.Por hoje é tudo um grande abraço pela tua dedicação a esta causa, se algo for preciso da minha parte também terei prazer em colaborar.
Obs: estás à vontade para trabalhares as fotos da forma que mais dê jeito para colocar no site. Eu era para cortar e enviar só a parte de cima da minha mais recente, mas os meus conhecimentos informáticos não o permitiram.
Um abraço
F. Santos
VB: Sejas Bem-Vindo a esta unidade Fernando!
É sempre com grande satisfação que recebemos os membros desta mui nobre família FAP que, por qualquer motivo, não nos encontrou mais cedo.
Queremos chamar a tua atenção para o facto dos requisitos para a tua admissão não estarem ainda completos, falta o teu contacto postal e telf.
Quanto ás fotos que nos envias-te, não conseguimos publicar algumas pelo facto de teres utilizado o programa PDF. Assim agradecemos que remetas as mesmas noutro programa.


Voo 2193 COMANDANTE... NA INTEGRA DA PALAVRA.



Marcelo Quaranta
Piloto de Linha Aérea
Brasil



Companheiros,este nosso leitor residente no Brasil,autor da peça literária cujo o nome é o titulo deste voo,remeteu-nos este mail:

Prezado Mário

Passeando pela internet me deparei com o texto "Comandante,,, Na Íntegra da Palavra", de minha autoria e publicado inicialmente no nosso blogbook "Aviação com Ética e Muito Humor" (www.aviacaocometica.blogspot.com).
Gostaria apenas de dizer que senti-me muito lisonjeado pela vossa publicação, e que enfim vejo que meus textos estão atingindo seus objectivos.
Gostaria apenas de solicitar a especial gentileza de citar minha autoria, porém aproveito para dizer que do nosso blog (endereço acima) fique à vontade para transcrever quantos textos for do seu agrado e que possam contribuir com ensinamentos, o que o nosso maior objectivo.

Grande abraço

Cmte. Marcelo Rates Quaranta

No dia 9 de Março de 2011,acusando a sua recepção, dirigi-mo-nos a ele assim:

Caro Quaranta, antes de mais os nossos agradecimentos por se ter dirigido ao nosso espaço, pois é uma honra muito grande receber a visita de uma pessoa de outro continente, ainda por cima do Brasil.
Como mera informação, este nosso blog é composto por ex- pilotos, mecânicos e enfermeiras da Força Aérea Portuguesa que participaram na guerrilha das ex-províncias ultramarinas de Portugal(Angola, Moçambique e Guiné) nas décadas de 60/70.
Como deve calcular, todos os "voos"por nós publicados, são da inteira responsabilidade do seu autor e desde que cumpram as regras que regem este Blog, nós publicamos.
Concretamente em relação ao "voo" que nos faz referência, na realidade o seu autor não nos indicou a origem, no entanto, depois desta sua advertência, que achamos pertinente, já a referenciamos.
Já agora acrescentamos o facto e o” piloto” do referido voo, ser um Piloto de Linha Aérea, nosso ex-camarada.
Registamos e agradecemos a sua disponibilidade para usarmos as suas noticias no nosso blog, o que muito agradecemos.
Despedimo-nos com as nossas tradicionais

Saudações Aeronáuticas.

Victor Barata


No mesmo dia, 9 de Março de 2011,presenteia-nos com esta elegante "aterragem":



Prezado Victor Barata

Já era de se esperar de um irmão de asas a esmerada educação e extremada gentileza, para o qual rendo minhas homenagens e agradecimentos. Volto a afirmar que eu sim, sinto-me honrado em ver meu texto publicado em tão conceituado espaço, e coloco à vossa disposição os outros textos, como uma contribuição para reafirmar a amizade e os laços luso-brasileiros.
Um grande abraço

do Amigo Marcelo Quaranta

Voos de Ligação:

Voo 2144 – Comandante…na integra da palavra. – Mário Aguiar

VB :

Pois bem Marcelo, ficará assim a pista livre para quando entenderes que tens condições para voar e aterrar na nossa, tua, Base.

Até lá,

Saudações Aeronáuticas.


quinta-feira, 10 de março de 2011

Voo 2192 EPISÓDIOS VIVIDOS NA GUERRA DA GUINÉ CONTADOS NA PRIMEIRA PESSOA.




Victor Tavares
1ºCabo Paraqª.
Agueda


Caro amigo Victor Barata.

Faço votos sinceros para que te encontres de boa saúde assim como teus familiares. Aproveito para te enviar este texto, para se assim o entenderes o publicares no BLOGUE/ COMANDO AÉREO “Ainda nunca foi publicado”.
Tenho acompanhado os relatos dos nossos companheiros da tertúlia. Gosto deles.
Este relato é longo vê a melhor forma de o editares se assim entenderes fazê-lo.
Tenho outros, depois diz se queres que os envie.

OPERAÇAO MOCHO VERDE - A

« Período 11, 12, 13 e 14 de Fevereiro »

13 .02 -1972 dia que o Victor Lincho foi ferido.

Mais uma vez o BCP12 utilizando as suas três companhias operacionais,

CCPs 121, 122, e 123 partia de Mansôa para mais uma missão sob o comando do Tenente-Coronel PARAQ. ARAUJO e SA, “ Grande Comandante” esta localidade estava estrategicamente situada num centro propicio para inicio de operações, tanto para a mata do Sara como do Mores além de para outras zonas como : Bissorã – Olossato – Bissá e outras zonas complicadas. Desta vez partimos para o Sara preparados para mais uma operação de quatro dias com a finalidade principal de evitar que o PAIGC reorganizasse a sua estrutura político-militar nesta zona onde já havia sido referenciada a existência do Corpo de Exercito 199-C-70, constituído por 4 bigrupos de Infantaria, 1 bateria de foguetões de 122 e 1 grupo de Sapadores.Fomos helitransportados para a zona sem quaisquer tipo de problemas, durante o primeiro dia patrulhamos uma vasta área,emboscando em varias locais aonde o IN não se revelou, por essa razão não tivemos qualquer contacto, embora se referenciassem vários indícios de
que aquela zona era perigosa , não só pelas picadas existentes bastante utilizadas como pelos ataques nos dias anteriores a destacamentos daquele sector, chegada a noite estacionámos em local que os nossos comandantes entenderam como segura , para pernoitar em circulo como era habitual , é importante referir que esse local era semi aberto em termos de árvores de grande porte mas com alguma vegetação com mais ou menos 1 metro de altura , este local era junto a uma picada bastante utilizada tanto por guerrilheiros do PAIGC como pela população que para nós era toda suspeita , formámos o circulo e de determinada zona víamos a picada que ficava a 20 , no máximo 30 metros , as ordens era para que ninguém se desequipar e á possível passagem de pessoas não reagirmos , só o fazendo caso fossemos detectados , durante essa noite passaram naquela picada vários grupos de pessoas falando e houve ate um grupo que trazia uma luz de lanterna.Foi uma noite praticamente passada em claro, uma vez que á passagem desses grupos os Pára-quedistas com ligação por contacto, tocavam no parceiro do lado para que não houvesse reacção da nossa parte chegou-se á madrugada sem qualquer tipo de incidente, era estranho andarmos um dia inteiro sem vermos sequer uma criatura e á noite haver tanto movimento , algo estava a preparar-se , eles sabiam que havia tropa na zona, ao clarear há ordem para preparar e abandonar o local .Assim se fez , andamos durante algum tempo até que houve ordem para parar na frente e tomar o pequeno almoço , não se vislumbrava qualquer movimento suspeito até aí , passado pouco tempo recomeçámos a marcha na direcção indicada , fomos progredindo sempre a abrir caminho , embora houvessem picadas por perto , continuámos até que ouvimos uma rajada ao longe sobre o lado direito da nossa coluna, no sentido em que seguia-mos , continuámos a nossa marcha com cuidados ainda mais redobrados , passado pouco tempo é passada a palavra da frente que mudámos de direcção , para a esquerda “Lado contrario ao da rajada dada” e que tinha-mos já homens nossos no ângulo que indicavam perto dos 90 graus , quase em simultâneo com a chegada dessa palavra á retaguarda, rebentou o “fogachal” , fogo aberto pelo inimigo que estava emboscado á nossa espera , mas que foram apanhados de surpresa pela nossa mudança de direcção , que não sei se seria propositada , aí o poder de fogo e a possível zona de morte que os militares do PAIGC tinham preparado para as nossas forças não surtiu o efeito desejado.

Depois de vários minutos + ou - 15 minutos» de fogo intenso de armas ligeiras roquetadas e algumas morteiradas feitas pelas forças inimigas e pelos Pára-quedistas, eis que:
Durante o contacto surge um guerrilheiro a fugir da zona de fogo equipado com 1 Kalashnicov , só que veio aparecer na retaguarda da nossa coluna , onde veio a cair jà ferido sobre o trilho aberto por nós , de salientar que durante este contacto , uma granada de RPG7 viria a ferir o nosso radiotelegrafista VICTOR LINCHO ,« Meu conterrâneo Bairradino de Sangalhos » nas partes baixas,« mais propriamente nos Testículos »findo o contacto e o inimigo ter dispersado do local foi pedida a evacuação para o ferido , a qual foi feita através de helicóptero. (( essa fotografia tem corrido o mundo encontra-se neste momento no facebok aonde se vê o enfermeiro Sousa que morreria apòs os graves incidentes de GAMPARÀ.))
Seguidamente Retomámos a marcha seguindo para onde nos indicavam e cerca de meia hora depois tínhamos os guerrilheiros novamente á perna , desta vez atacaram á nossa retaguarda com várias rajadas ás quais respondemos , este contacto foi curto , meia dúzia de rajadas e ficou-se por aí, não havendo feridos pelo menos da nossa parte.
As ordens dos nossos superiores foi para sairmos do local em marcha acelerada porque o inimigo podia bater a zona com morteiro ou canhão , o que não veio a acontecer desta vez.
Andando durante mais algum tempo, á ordem para estacionar e comer a ração de combate que cada um possuía, que àquela hora até caia bem , ração tínhamos, a festa com umas fugachadas de vez enquanto também não faltava , o que faltava era: 1º saber qual era o estado do nosso camarada Lincho , 2º o que caía bem com a ração era uma Fanta , ou uma cerveja fresca , mas infelizmente estas coisas não eram possíveis , e também como já estávamos preparados para quase tudo não estranhamos, terminado o repasto retomámos a marcha.
Volvido algum tempo lá fomos flagelados novamente pelo IN, respondemos prontamente, só que durante essa tarde isso aconteceu mais duas vezes, e a 2ª noite estava á porta , os guerrilheiros não nos deixavam da mão e a coisa podia complicar-se durante a noite.


Entretanto com o aproximar da noite foi pedido o bombardeamento de determinada zona perto de nós, apareceram 2 aviões T6 que executaram a missão, avançámos nessa direcção já ao anoitecer vindo a formar círculo e a pernoitar muito perto do local bombardeado, esta noite veio a tornar-se mais tranquila do que a anterior visto que não fomos perturbados pelos guerrilheiros do PAIGC. Na manhã seguinte recebemos ordens para preparar e passado pouco tempo começámos a andar, o que nos custou imenso visto estarmos muito cansados dos quilómetros que tinha-mos feito nos dois dias anteriores além dos contactos que tivemos ( 7 ),estava-mos mais leves em termos de material que tinha sido gasto nos contactos, mas até nesse aspecto era mau porque se tivéssemos mais um ou dois como os anteriores a coisa podia ficar complicada com falta de munições, mas como os nossos chefes não dormiam , andámos até cerca das 11 horas , até que chegou a ordem de paragem na frente e emboscamos perto de uma picada e descansar , passado algum tempo começou a ouvir-se um zum zum , tinha sido pedida a nossa recuperação.
No entanto continuamos progredindo ate que por volta das 4 horas da tarde , ouve então ordem para avançar-mos para uma clareira " Bolanha" onde os Hélis nos iam recuperar, as equipas são formadas com os mesmos elementos, claro que havia uma desfalcada por falta do nosso camarada Lincho , os Hélis chegaram , embarcámos e fomos transportados para Mansoa, chegados fomos informados que os ferimentos do nosso camarada Lincho não inspiravam grandes cuidados, embora fosse uma “zona crítica”.
De Mansoa regressamos em coluna auto, chegando a Bissalanca « BCP 12 » já escurecia , no dia seguinte fui visitar o Victor Lincho ao Hospital Militar de BISSAU aonde tinha sido sujeito a uma intervenção cirúrgica que durou varias horas , mas que decorreu felizmente com êxito.
No decorrer da operação o segundo bigrupo de Pára-quedistas da CCP 121 conseguiu a aproximação sem ser detectado da « BARRACA de MANTEM », onde se encontravam alguns dos mais importantes chefes Militares e políticos daquele Movimento pertencentes a esta área, entre os quais se destacavam ANDRÉ PEDRO GOMES, comandante da frente de NHACRA e BRAIMA PADRE, comandante da bateria do CE. 199-C-70, CARFA MARTINHO comissário político e SAMBA comandante do grupo de foguetões de 122.
Do assalto ao objectivo resultou, para o inimigo, 1 morto e a captura de 7 granadas de LFG- RPG-2, alem de muitas espoletas e cargas de morteiros.
Este objectivo foi alcançado após uma longa caminhada apeada de cerca de 15 Quilómetros.
Estas instalações inimigas encontravam-se no interior duma mata que, embora não muito fechada, não permitia uma aproximação silenciosa das nossas tropas, por tal motivo, o comandante da operação que integrava estes efectivos, decidiu laçar um ataque frontal.
Ultrapassada a entrada do trilho de acesso a posição principal, foi detectado um elemento IN fardado, que se aproximava das nossas tropas, possivelmente para efectuar um reconhecimento.
O guerrilheiro ao deparar com os primeiros homens da secção da vanguarda, esboçou a fuga, pelo que teve que ser abatido.
Este elemento vinha apoiado por outro homem que imediatamente disparou um RPG 7 e se pôs em fuga, mesmo assim feriu os nossos primeiros 4 homens
Quebrada a surpresa, as nossas tropas tentaram o assalto de imediato a posição principal, mas o IN já batera em retirada, embora sofrendo algumas baixas. Batida toda a zona de acção foi capturada uma mulher e uma criança que confirmaram ser o Quartel atacado a mitiga « Barraca de Mantém » e ser seu comandante André Pedro Gomes que estava presente no local no momento do ataque das nossas tropas, o Guerrilheiro morto chamava-se SAMBARI e era apontador de foguetões.
Depois de passada revista a todas as Tabancas , foi dada ordem de retirada o mais rápido possível, adivinhando o que se seguiria, quase de imediato os guerrilheiros bateram a zona á morteirada tentando colher as nossas tropas, não o conseguindo para nossa sorte.
No final desta operação as tropas PARAQUEDISTAS do BCP 12, tinham alcançado os seguintes resultados, 8 mortos, 2 feridos confirmados e a recuperação de 12 elementos da população.
Foram ainda apreendidas, 1 espingarda G3, 1 espingarda Simanov, 1 espingarda Mosin Nagant, 1 PPSH, 2 granadas de morteiro 82, 7 granadas de morteiro 60, 6 granadas de RPG 2, 4 granadas de RPG 7, alguns milhares de munições diversas para armas ligeiras e vario material explosivo alem de bastantes peças de fardamento.
Por seu lado as nossas tropas sofreram 6 feridos, entre os quais o Tenente. Pára-quedista Cardoso e Castro e o Sargento Cegonho .

VB: Olá Victor.
Sejas bem-vindo através de mais um excelente “salto” para esta base.
Depois dos cumprimentos, perguntas-nos:

“Tenho outros (relatos), depois diz se queres que os mande ou não.”

Ó Victor, achas que alguma vez se pode recusar o relato das operações vividas na guerra da Guiné, na primeira pessoa?!
Embora todos nós, que estivemos no TO dessa ex-província, tenhamos as nossas histórias para contar, não tenho dúvidas nenhumas que as mais emocionantes foram as vividas por vocês, pára-quedistas e os fuzileiros navais. Senão, atentemos nesta que nos descreves.
Quanto ao Ten.Cor.Paraqª.Araújo e Sá, tive a felicidade de conviver alguns momentos com ele, que me recorde, o último foi num voo para o Guileje. Partiu cedo.
Vamos então aguardar o teu novo “salto”.