sexta-feira, 31 de outubro de 2014
Voo 3237 COMO É FÁCIL VOAR...
Aeroclube de Viseu
De 1 a 9 de Novembro, o Aeroclube de
Viseu estará no Palácio do Gelo, em Viseu, com nova exposição de divulgação!
Venha conhecer-nos melhor e saber como é fácil e acessível VOAR
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
Voo 3236 Á COISAS QUE SÓ VISTO
Carlos Robalo
Esp.MMA
Lisboa
Esp.MMA
Lisboa
Era precisamente 8 de Maio de
1972,quando um rapazinho, vindo directamente da noite...
Vamos lá então recordar a ida para a Guiné.
Dia 7 de Maio de 1972,com alguns companheiros e amigos, fomos fazer a despedida da vida boa passada em Lisboa,(estava na altura colocado no AB1,Portela,na manutenção dos DC6"VACA").Vestido á civil passei a pente fino, quase todos os bares de Lisboa, comendo e bebendo passando pelo Bairro Alto e Caís do Sodré como era apanágio de uma despedida.
Já era de madrugada o Sol estava quase a romper, quando me lembrei que tinha de estar fardado e (normal)na sala de embarque em Figo Maduro, fui directamente a casa tomar um banho e fardar-me.
Vamos lá então recordar a ida para a Guiné.
Dia 7 de Maio de 1972,com alguns companheiros e amigos, fomos fazer a despedida da vida boa passada em Lisboa,(estava na altura colocado no AB1,Portela,na manutenção dos DC6"VACA").Vestido á civil passei a pente fino, quase todos os bares de Lisboa, comendo e bebendo passando pelo Bairro Alto e Caís do Sodré como era apanágio de uma despedida.
Já era de madrugada o Sol estava quase a romper, quando me lembrei que tinha de estar fardado e (normal)na sala de embarque em Figo Maduro, fui directamente a casa tomar um banho e fardar-me.
Quando cheguei á Base com as respectivas malas, já o DC6 estava a rolar no
"taxiway",entrei em pânico porque era considerado refractário,mas com
a varinha da sorte, o oficial de dia ás operações, entrou em contacto, via
rádio, com o comandante do dito DC6, contando o sucedido e solicitando o meu
embarque. O comandante respondeu dizendo que voltar para trás nunca, mas que me
desenrascasse que ele colocava os motores ao "ralenti" para eu poder
entrar. Assim foi, um colega disponibilizou-se a ir buscar um PAT-PAT e fui
içado por colegas juntamente com as malas para dentro do avião.
É esta a minha partida para a Guiné. Bastante original!!!
Até breve,
CROBALO
PS:Já
agora, para completar, se a minha memória não me atraiçoa, fui substituir o
Estevens, será?
terça-feira, 28 de outubro de 2014
Voo 3235 AS OBRAS DE ARTE DO SIX (31)
António Six
Esp.MRádio
Pontével
Esp.MRádio
Pontével
Tendo em vista a substituição dos velhos
DH-82 Tiger
Moth, a Aeronáutica Militar (AM) adquiriu em 1951 ,dez aviões De Havilland
DHC-1 Chipmunk T-20 construídos
na Grã-Bertanha. Por certo que foram das primeiras aeronaves matriculadas
segundo o novo sistema de matriculas implementado em 1951,recebendo a numeração
de 1301 a 1310,que correspondia aos constructor number C1-0250,C1-0261,C1-0280,C1-0286,C1-0292,C1-0298,C1-0299,C1-0346,C1-0351
e C1-0365. Foram colocados na Base Aérea nº 1(BA1),Sintra. Estes Chipmunk
tinham um sistema de arranque do motor por cartucho explosivo.
Inteiramente pintados em alumínio (FS 17.178),com a parte superior da fuselagem à frente da cabine em preto anti-reflexo (FS 37.038),ostentavam a Cruz de Cristo, sobre círculo branco, em ambos os lados das asas e as cores nacionais, sem escudo, num rectângulo no estabilizador vertical.
Ainda que destinados á instrução, eram usados em voos de ligação e treino de pilotos.
Em 1952,pouco tempo após a chegada a Portugal, os dez DHC-1 Chipmunk foram absorvidos pela Força Aérea Portuguesa (FAP),que manteve as matrículas de 1301 a 1310. É também em 1952 que as Oficinas Gerais de Material Aeronáutico(OGMA),Alverca obtêm a licença de construção dos Chipmunk, dando inicio á produção ainda nesse ano, construindo o total de 66 unidades, tendo a última saído da linha de montagem em 13 de Fevereiro de 1961. Receberam as matrículas de 1311 a 1376, a que correspondiam os constructor number OGMA-01 a OGMA-66. Nos aviões de produção nacional o sistema de arranque do motor por cartucho explosivo foi substituído por motor de arranque eléctrico.
Inteiramente pintados em alumínio (FS 17.178),com a parte superior da fuselagem à frente da cabine em preto anti-reflexo (FS 37.038),ostentavam a Cruz de Cristo, sobre círculo branco, em ambos os lados das asas e as cores nacionais, sem escudo, num rectângulo no estabilizador vertical.
Ainda que destinados á instrução, eram usados em voos de ligação e treino de pilotos.
Em 1952,pouco tempo após a chegada a Portugal, os dez DHC-1 Chipmunk foram absorvidos pela Força Aérea Portuguesa (FAP),que manteve as matrículas de 1301 a 1310. É também em 1952 que as Oficinas Gerais de Material Aeronáutico(OGMA),Alverca obtêm a licença de construção dos Chipmunk, dando inicio á produção ainda nesse ano, construindo o total de 66 unidades, tendo a última saído da linha de montagem em 13 de Fevereiro de 1961. Receberam as matrículas de 1311 a 1376, a que correspondiam os constructor number OGMA-01 a OGMA-66. Nos aviões de produção nacional o sistema de arranque do motor por cartucho explosivo foi substituído por motor de arranque eléctrico.
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
Voo 3234 "OS HOMENS NÃO MORREM"
Mário Gaspar
Fur.Mil.Exércº
Fur.Mil.Exércº
Caro Camarada,
Eu, Mário Vitorino Gaspar,
Ex-Furriel Miliciano, Atirador de Artilharia e com a Especialidade de Minas e
Armadilhas da Companhia de Artilharia 1659 – CART 1659 (ZORBA), com o lema “Os
Homens não Morrem”, fiz a Comissão de Serviço Militar em Ganturé e Gadamael
Porto, na Guiné de JAN67 a OUT68.
Convido-te a estares presente na Apresentação do meu Livro "O Corredor da
Morte" de Mário Vitorino Gaspar, no dia 28 de Outubro pelas 15H00, no
Auditório Jorge Maurício da Associação dos Deficientes das Forças Armadas
(ADFA), no Edifício ADFA na Avenida Padre Cruz, em Lisboa, após o Estádio do
Sporting de Portugal e depois do Instituto Ricardo Jorge.
Nesta Apresentação
Composição da Mesa:
– Preside a Mesa o Presidente da Direcção Nacional da Associação dos
Deficientes das Forças Armadas (ADFA), Comendador José Eduardo Gaspar Arruda;
– A Apresentação do Livro vai ser feita pela Professora Ermelinda Caetano
e
– Mário Vitorino Gaspar como Autor do Livro.
No Capítulo do Livro: “9. O Rebentamento
Durante o Batuque”, o autor descreve este trágico atentado contra a população.
Viveu de perto, e continua a rever este drama e descreve-o com o coração. Para
quem tenha dúvidas:
Na História da Unidade
consta:
“Não queremos também deixar de assinalar neste Relatório um facto que nos causou profunda impressão e desgosto, já pelas consequências que dele resultaram, já porque apesar de todos os esforços desenvolvidos pelas autoridades e civis, não lográmos vê-lo esclarecido inteiramente para apuramento das responsabilidades e aplicação da Justiça. Trata-se do atentado cometido em Ganturé, contra a população, em 4 JUL 67, através do lançamento de uma granada que explodiu durante um batuque de que resultaram dez mortos e cerca de vinte feridos”.
O que se encontra aqui descrito pode ser
lido na História da Unidade – da Companhia de Artilharia 1659 – CART 1659
Arquivo Histórico Militar –
Largo dos Caminhos de Ferro
1100-105 Lisboa
Telefone Civil: 218 842 566
E-mail: ahm@mail.exercito.pt
domingo, 26 de outubro de 2014
Voo 3233 12º ENCONTRO DO NÚCLEO DO MINHO DA AEFA.
Manuel Pais
Esp.EABT
V.N.Gaia
Esp.EABT
V.N.Gaia
Companheiros
O Núcleo do Minho da AEFA, como já é
tradição levou a efeito o seu 12º ENCONTRO REGIONAL com toda a pompa e
circunstancia , proporcionando aos Especialistas suas famílias e Amigos um
agradável convívio .Aos Dirigentes do Núcleo os nossos parabéns
Um abraço.
Manuel Paisquinta-feira, 23 de outubro de 2014
Voo 3232 A MINHA IDA PARA A GUINÉ.
Manuel Lanceiro
Esp.MMA
Lisboa
Esp.MMA
Lisboa
Amigo Barata, cá estou a participar.
Apesar de ser da 3ª/69,fui parar à Guiné já com três anos de Força Aérea. Cheguei a 14 de Outubro de 1972,um sábado (que porra de dia para chegar à guerra),juntamente com o Eduardo,Teixeira,Rei e o "velhinho"José Luís Antunes, mais conhecido pelo "Tónio",entre outros.
Apesar de ser da 3ª/69,fui parar à Guiné já com três anos de Força Aérea. Cheguei a 14 de Outubro de 1972,um sábado (que porra de dia para chegar à guerra),juntamente com o Eduardo,Teixeira,Rei e o "velhinho"José Luís Antunes, mais conhecido pelo "Tónio",entre outros.
Chegaram as malas e lá fomos nós para a Base.
É fácil, para quem lá esteve, a adivinhar o que aconteceu, a bebedeira foi tão grande que nessa noite dormimos os dois sentados na cama dele,pois eu tinha-me esquecido de arranjar uma.
Eu e o Teixeira,já tínhamos o destino traçado,linha da frente dos Alloute III,o Serra foi para a manutenção,o Rui foi para o Gabinete do Ten.Glória e o Antunes(Tóino)foi para a linha das DO 27.
Nas duas semanas seguintes, eu e o Cunca fomos inseparáveis, até porque, ele para se vir embora tinha que me largar.
Todo o Whisky que o Cunca tinha guardado para trazer,foi bebido até à última gota da última garrafa.
Nestas duas semanas o Cunca preparou-me para o que me esperava e regressou à sua casa.
Nessa manhã,a bebedeira era maior que ele!
Todos os anos,no nosso almoço de Pessoal da BA 12,tenho o prazer de estar com ele e de bebermos um copo.
E foi assim o inicio da minha "AVENTURA GUINÉ 72/74".
FORAM:
-22 Meses do melhor da minha mocidade.
-Muitos amigos.
-Muitos copos.
-Muitos bons bocados.
-Muitos sustos.
-Grande privilégio de fazer parte da família "ZÉ ESPECIALISTA"
-Muita honra de pertencer à Esquadra 122
-Um orgulho enorme de ser da linha frente dos "Canibais"
Um abraço.
Lanceiro
*PIRA” Designação dada aos recém chegados à Guiné.
VB- Obrigado
Lanceiro por esta bonita mensagem que nos enviaste, só podia ser tua,és,como
sempre o foste, (e não precisas de o dizer),um VERDADEIRO ZÉ ESPECIAL.
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
Voo 3231 QUARENTA E CINCO ANOS DEPOIS.
Victor Barata
Esp.Melec./Inst./Av
Vouzela
Esp.Melec./Inst./Av
Vouzela
Companheiros,
Faz hoje precisamente quarenta e cinco anos (45) que com dezoito anos de idade deixei a casa dos meus pais para me dirigir á estação de Stª Apolónia, em Lisboa, com a finalidade de tomar o comboio que me levaria até V.F.de Xira, conforme a guia de marcha que dias antes me foi entregue pelo DRM (Distrito de Recrutamento e Mobilização 1),penso assim se designar á época o serviço que superintendia esta área.
Ali chegado, aguardava-me os autocarros da Base Aérea nº 2 que nos transportou até aquela unidade.
O trajecto foi feito sempre na expectativa do que ia encontrar, pois não tinha noção alguma sobre o local onde iria iniciar a minha vida militar,
Porta de Armas da BA2!
Que mundo estranho,os militares de serviço olhavam-me como querendo dizer “ Anda cá recruta,aqui é vais ver o que é vida.”
As boas vindas foram dadas pelo barbeiro,máquina 0 e…tudo o barbeiro levou!
Nunca me tinha visto com este novo visual,se não era bonito,até fiquei com algum receio que a “miúda” me despacha-se logo no primeiro fim de semana que me visse.
Seguiu-se a distribuição de fardamento. Camisa de popeline azul (Linda,ainda hoje gostava de ter uma.),fatos de macaco,farda de saída (pelo de rato) sapatos e meias. Tudo isto acompanhado por um sobretudo que tinha o tamanho XXXL !
O grande momento,a confraternização de todos que a partir daquele dia irão fazer uma vida em comum durante três meses no mínimo.
Valeu a pena Companheiros.
Obrigado a todos vós que me ajudaram a ser o HOMEM que hoje me orgulho de ser.
Um abraço.
Faz hoje precisamente quarenta e cinco anos (45) que com dezoito anos de idade deixei a casa dos meus pais para me dirigir á estação de Stª Apolónia, em Lisboa, com a finalidade de tomar o comboio que me levaria até V.F.de Xira, conforme a guia de marcha que dias antes me foi entregue pelo DRM (Distrito de Recrutamento e Mobilização 1),penso assim se designar á época o serviço que superintendia esta área.
Ali chegado, aguardava-me os autocarros da Base Aérea nº 2 que nos transportou até aquela unidade.
O trajecto foi feito sempre na expectativa do que ia encontrar, pois não tinha noção alguma sobre o local onde iria iniciar a minha vida militar,
Porta de Armas da BA2!
Que mundo estranho,os militares de serviço olhavam-me como querendo dizer “ Anda cá recruta,aqui é vais ver o que é vida.”
As boas vindas foram dadas pelo barbeiro,máquina 0 e…tudo o barbeiro levou!
Nunca me tinha visto com este novo visual,se não era bonito,até fiquei com algum receio que a “miúda” me despacha-se logo no primeiro fim de semana que me visse.
Seguiu-se a distribuição de fardamento. Camisa de popeline azul (Linda,ainda hoje gostava de ter uma.),fatos de macaco,farda de saída (pelo de rato) sapatos e meias. Tudo isto acompanhado por um sobretudo que tinha o tamanho XXXL !
O grande momento,a confraternização de todos que a partir daquele dia irão fazer uma vida em comum durante três meses no mínimo.
Valeu a pena Companheiros.
Obrigado a todos vós que me ajudaram a ser o HOMEM que hoje me orgulho de ser.
Um abraço.
Victor Barata
domingo, 19 de outubro de 2014
Voo 3230 10º ENCONTRO DO NÚCLEO DE LEIRIA DA AEFA.
Manuel Pais
Esp.EABT.
V.N.Gaia
Esp.EABT.
V.N.Gaia
Boa tarde Estimado Amigo
A Comissão de gestão do Núcleo de
Leiria da AEFA , liderada pelo nosso Amigo F. Marcelino , em cumprimento da
orientação da D:N , levou a efeito o ato
Eleitoral para escolher a equipe para orientar os destinos do Núcleo nos
próximos 2 anos . A lista única que se apresentou a sufrágio liderada pelo
Marcelino, acabou por ser Eleita e assim iniciar um novo ciclo para acompanhar
a renovação e a estabilidade que a D.N
pretende colocar no terreno para bem dos Especialistas .
Seguiu-se um almoço convívio que decorreu em restaurante próximo que decorreu em ambiente sereno e de grande elevação para todos os presentes.
Ao Marcelino e seus colegas os meus mais sinceros Parabéns e votos de um bom trabalho e que estas ocasiões de convívio se repitam , para que possamos rever amigos á muito afastados.
Seguiu-se um almoço convívio que decorreu em restaurante próximo que decorreu em ambiente sereno e de grande elevação para todos os presentes.
Ao Marcelino e seus colegas os meus mais sinceros Parabéns e votos de um bom trabalho e que estas ocasiões de convívio se repitam , para que possamos rever amigos á muito afastados.
Um abraço
Manuel Pais
Voo 3229 AS OBRAS DE ARTE DO SIX (30) - LOCKHEED T33
António Six
Esp.MRÁDIO
Pontével
Esp.MRÁDIO
Pontével
Lockheed T 33
Com este avião estamos a voar mais rápido, com isso não quer dizer melhor, mas
podemos sonhar também mais rápido.
Este desenho é propriedade do meu amigo José Osório..
Espero que seja do vosso agrado e que tenham muitos bons voos
Espero que seja do vosso agrado e que tenham muitos bons voos
Six
Voo 3228 A NOSSA BASE AÉREA 12...BISSALANCA...
Joaquim Guiomar
2ºSargº.Mil. Melec/Centrais
Moita
2ºSargº.Mil. Melec/Centrais
Moita
Companheiro,recordo de novo, aqueles
anos de 72/74 com muita saudade.
O facto de Abílio se ter lembrado de
ir pesquisar no Google Heart o local onde nós passamos dois longos anos da nossa
vida, levou-me, também, a procurar esse programa e fazer uma busca á zona de
Bissalanca com mais pormenor.
Fiquei deveras espantado, pois aquilo
está cheinho de casas, pelo menos parecem telhados normais sem serem de palha
como as tabancas...e lá a estrada que liga a zona do aeroporto á cidade é que
parece em melhores condições que naquela altura, o hospital,etc...
Era em Safim que nós íamos apanhar
umas valentes "bezanas",camarões, travessas de ostras e aquele frango
assado acompanhado por um molho picante que até os olhos saltavam das órbitas
e, claro, o único extintor possível para apagar todo aquele fogo,eram as
fresquinhas...Depois podemos "visitar"os locais onde vivemos com
aquele pormenor...os quartos onde dormíamos, a parada,o local de trabalho, as
massas, a porta de armas, bom, não dá para explicar...Pareceu-me que não existe
separação entre a base e o que eram as instalações do BCP(Batalhão de Caçadores
Paraquedistas)...Dantes existia uma rede,que facilmente se transpunha para ir
ao cinema entre outras coisas...Grande ideia que o Abílio teve...!A mensagem do
Condeço tocou-me porque eu conheci-o, ele não se deve lembrar de mim porque eu
estava no BCP mas, eu lembro-me dele até porque, tinha dois amigos Furriéis
MMT,o Ferreira e o Z´David e convivíamos. Além disso tínhamos aqueles encontros
no clube de sargentos, em Bissau, ao final da tarde e pela noite fora que eram
uma delicia...Muito raramente esqueço uma cara e quando se trata de um
ex-companheiro da FAP,então fica gravada para toda a vida.
Todos os dias faço uma visita ao Blog
para ver o que há de novo e á espera de encontrar novas mensagens e fotos dos
nossos Zés...
Grande abraço para todos.
Guiomar
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
Voo 3227 " DISSE Á MINHA MULHER: NÃO TE PREOCUPES QUE QUALQUER DIA VOLTO"
Fernando Moutinho
Cap.Pil.Av.
Alhandra
Cap.Pil.Av.
Alhandra
Morreu o comandante Alpoim Calvão.
Soube da sua morte através do António Lobato, o piloto que passou mais de sete
anos preso na Guiné Conakry e que foi libertado na Operação Mar Verde. Facto
que, durante anos, não pôde contar ninguém. Parece-me uma boa altura para
recordar a história do António Lobato, o primeiro piloto português a
despenhar-se na Guiné, e a sua aventura até à libertação. O testemunho dele faz
parte do livro Dias de Coragem e Amizade. A fotografia é do Rafael G. Antunes.
“Disse à minha mulher: não te preocupes que qualquer dia eu volto”
Nunca tinha saído de Portugal. Quando
começaram a pedir voluntários para a Guiné, ofereci-me. Estávamos em 1961.
Cheguei lá a 26 de Julho e não estava à espera do que ia encontrar. Depois de
uma viagem de 11 horas, com paragem em Las Palmas, o avião fez escala em
Bissalanca para me largar e a outro colega, antes de seguir para Cabo Verde. Na
descida comecei a sentir um calor enorme e cheguei a pensar que o avião ia
arder. Mas não. Era do clima. Lá em baixo, o aeroporto era um bocado de asfalto
no meio de capim com dois metros de altura. Estava escuro como breu e, além de
uma casinha com uma suposta torre, não havia mais nada. Nem sequer Meia hora depois de chegarmos lá
apareceu um rapaz, radiotelegrafista, que só lá estava porque de vez em quando
passavam por ali os P2V5 que saiam do Sal. Ele sabia que íamos chegar e foi
buscar-nos num jipe. Apresentou-se e levou-nos para Bissau. Só havia um hotel
na cidade – que estava cheio, tal como todas das pensões porque o pessoal tinha
saído todo do mato e queria ir embora. Acabámos por dormir num colchão no chão
do quarto dele. No outro dia corremos a cidade à procura de outro sítio e não
conseguimos nada.
À hora de almoço sentámo-nos no café
Portugal a beber uma cerveja. Foi a primeira vez que vi uma de litro e meio.
Estávamos a conversar quando um senhor que estava na mesa do lado nos
interrompeu e perguntou se éramos da Força Aérea. “Ouvi a vossa conversa, estão
aflitos? Quando acabarem de beber têm disponibilidade para vir comigo?”
Dissemos que sim, e seguimo-lo em direcção a uma vivenda ao cimo da avenida
principal, onde ele nos explicou: “Sou reitor do liceu, mas vou-me embora para
a semana. Já mandei a família para Portugal.” Deu-nos uma chave a cada um e foi
assim que arranjámos alojamento. Ficámos ali uns dois ou três meses.
Depois fomos apresentar-nos ao palácio
do governo. Como todas as semanas havia um avião para transportar as pessoas
que queriam vir embora e não havia controlo ele pediu-nos para tomar conta dos
embarques. E assim foi. Havia quem nos oferecesse dinheiro para passar à frente
das listas. Recusávamos sempre e no final dos embarques íamos levar um saco
cheio de notas ao palácio. Aquilo funcionou assim.
Passados três ou quatro meses lá
apareceram dois aviões empacotados no porto de Bissau. Como, entretanto, tinham
chegado dois mecânicos, combinámos ir buscar um para o montar só com as
ferramentas que eles tinham na mala. No final, faltava uma chave grande para
colocar a hélice. Fomos às oficinas navais e o mecânico fez-lhes o desenho do que
precisava e eles fizeram uma. Foi assim que começámos a voar para conhecer o
território porque as cartas que tínhamos não tinham cores. Fomos nós que as
colorimos com lápis.
Na época não tinha a noção de que
aquela seria uma guerra prolongada. Começou suavemente e foi aumentando. A 22
de Maio de 1963 saí para uma operação na ilha de Como. Supostamente, nem devia
ter ido. Tinha chegado de Cabo Verde na tarde do dia anterior e entrei na sala
de operações quando estava a haver um briefing. Como faltava um piloto,
ofereci-me para ir no lugar dele. Estava a um mês de acabar a minha comissão.
Ao chegar ao objectivo senti qualquer
coisa no avião. Devo ter sido atingido por uma bala. Disse ao meu asa que ia
sair dali e pedi-lhe que se pusesse debaixo de mim para ver se havia algum dano
na zona do trem de aterragem. Foi o que ele fez. Mas quando temos outro avião
por cima é preciso cuidado para não sermos sugados. Não sei se foi por falta de
experiência, distracção ou apenas por estar a olhar para cima, mas, quando dei
por isso, ele estava a passar-me à frente, encostado ao motor. O avião começou
a tremer e tive de o desligar. Ainda lhe dei dois ou três gritos para que
endireitasse o avião mas ele foi a pique e lá ficou.
Vi uma clareira e não me ejectei.
Achei que era capaz de lá meter o avião. Aquilo era um campo de arroz e ao
aterrar as saliências das metralhadoras e dos rockets encaixaram nos sulcos e
as duas asas saltaram como se fossem arrancadas à mão. A fuselagem deu duas ou
três cambalhotas e saí de lá ileso. Só tinha o relógio esmagado. Olhei à volta
e vi um grupo de indígenas a uns 50 metros a olhar para mim, espantados. Fui
direito a eles. Estavam todos de catanas na mão. Sabia que Catió era numa
determinada direcção e perguntei se algum me podia indicar o caminho que,
quando lá chegasse, até lhes pagava.
No topo da clareira havia uma aldeia
escondida. Caminhámos para lá, a conversar. Mas antes de chegarmos, levei uma
catanada que me abriu a cabeça ao meio. Sem dizerem mais nada caíram todos em
cima de mim. Arranjei forças não sei onde e consegui fugir para o mato. Ainda
estive uns 10 minutos escondido. Atei um lenço à cabeça para tirar o sangue dos
olhos e fiquei à espera. Houve um que apareceu. Ficámos a olhar um para o
outro. Eu pequei na minha faca de mato e levantei-a. Ele disse: “Dá a faca”.
Nestas alturas há alguma coisa que nos diz como devemos decidir. Sei que a
virei e atirei-a. Ele de um grito e lá veio a outra rapaziada toda. Saímos do
meio das lianas e voltaram a dar-me uma série de catanadas, uma delas nas
costas. Ainda estão marcadas. Depois levaram-me para aldeia. Pelo caminho
foram-me tirando a roupa, anéis, o fio que trazia ao pescoço. Estavam a
preparar-se para me linchar quando chegaram dois guerrilheiros. Foi a minha
sorte.
Mandaram-me sentar e perguntaram-me o
que se tinha passado. Depois disseram-me para descansar porque íamos partir à
noite. Antes quiseram saber se tinha fome. Depois mandaram os aldeões subir a
uma mangueira e eles começaram a atirá-las cá para baixo. Nunca comi tantas
mangas na vida. Foram dezenas. Tinha perdido imenso sangue. Logo depois,
adormeci. Só acordei à noite, quando me chamaram. Andámos a pé uma semana até
chegarmos à zona onde estava o Nino Vieira, que era o comandante da zona sul.
Ele disse-me que tinha tido sorte: a ordem do Amilcar Cabral para fazer
prisioneiros só tinha chegado há 15 dias. De qualquer forma tinha poder para me
fazer o que quisesse. Perguntou-me:
- Tens família?
- Tenho.
- Queres escrever-lhe uma carta?
- Para quê? Isto nunca mais lá chega.
- Como quiseres.
Depois tirou um bocado de papel e uma
caneta e deu-mas. A minha mulher tinha vindo para a Guiné em 1962 e resolvi
escrever umas oito linhas a dizer: “Não te preocupes que qualquer dia eu
volto.” E um mês depois ela recebeu-a. Por volta das 22h, um guerrilheiro
entrou-lhe em casa, em Bissau, cansadíssimo. Perguntou-lhe se tinha leite,
bebeu uns dois litros e entregou-lhe a carta.
Nessa altura já devia estar na Guiné
Conakry. Fui num barco que eles apanharam à Casa do Comércio, o Bandim, para
Vitória. Estava lá um curandeiro que decidiu tratar-me. Tirou-me o lenço e
lavou-me a cabeça com álcool ou qualquer coisa parecida porque isto nunca mais
sangrou. Nas costas ainda tinha um golpe aberto por uma catanada. Disse-me:
“Vamos coser isto”. Deitou-me numa marquesa e deu-me uma garrafa de vinho para
custar menos. Bebi. Era bom, português. Ele lá me coseu com uma agulha de coser
sacos. Chega-se a um ponto na dor em que já não se sente nada, passa-se para o outro
lado. O certo é que aquilo resultou. Nem sequer infectou.
Levaram-me para Conakry, onde chegámos
a um domingo. Estava tudo fechado. Passei a noite numa cela imunda do
comissariado da polícia e só no dia seguinte foram buscar-me para responder a
umas perguntas. Queriam que fosse à Rádio Argel dizer que aquela era uma guerra
injusta e não sei que mais. Prometeram-me que ia para um país de Leste e tudo.
Disse que não. Identifiquei-me e pronto. Fiquei ali mais 15 dias até me meterem
num carro e arrancarmos para a prisão de Kindia, 150km para o interior, onde
fiquei os seis anos seguintes.
Estava numa cela de três metros por
dois. Sozinho. Comecei logo a planear uma fuga. Anos depois, graças a um guinês
cheguei a ter três ferros da grade cortados. Ele era funcionário do tesouro
antes da independência e depois continuou nas mesmas funções. Só que em vez de
enviar o dinheiro para contas da Guiné em França, mandava para a dele. Ele
tinha estado no Brasil e falava português. Odiava aquela gente toda. Através da
mulher, que ia visitá-lo de 15 em 15 dias, ofereceu-se para enviar notícias
para cá. Conseguiu passar-me papel e lápis por baixo da porta e eu escrevi. As
cartas iam para uma irmã dele na Guiana Francesa e daí para Portugal. Acabei
por receber um livro que pedi à minha mulher, fiz um código com base nele – uma
página era uma letra – e continuei a mandar informações. A mulher trouxe-me uma
serra de cortar ferro e estive meses a cortar as barras, à noite, até ser
apanhado.
Aquilo tinha 400 prisioneiros de delito
comum, que faziam trabalhos forçados todos os dias. Nunca lá entrou um médico.
Eu era o único branco. Ao fim de dois anos comecei a ir ao recreio por uma
hora, mas sozinho. Nunca me bateram, nem quando me apanharam a tentar fugir.
Insultaram-me e mais nada. Até quando as nossas tropas entraram na Guiné
Conakry foi lá um ministro que mandou abrir a porta, mas só para me insultar. A
certa altura chegou lá um soldado português que, ao fim de um ano e meio e foi
libertado através da Cruz Vermelha. Quando cá chegou disse à minha mulher que
eu nunca mais de lá saía porque dizia que, quando isso acontecesse, os
bombardeava. Não era nada, mas ele disse isso.
Depois chegaram mais dois, que ficaram
comigo um ano. Nos primeiros tempos não podíamos falar. Eles estavam numa cela,
eu na outra. Fazíamos sinais. Quando passaram a deixar-nos ir juntos ao recreio
começámos a planear uma fuga. Isto ao fim de seis anos. Começámos a ver que
havia certas rotinas. Os guardas deixavam a cela aberta para um pátio e à noite
e havia um grupo que ao dar-nos o prato de arroz nem olhavam lá para dentro. Um
dia, não voltámos à cela. Entrámos para dentro de um depósito de água e ficámos
à espera da hora da prece – quando também começava a anoitecer. Nessa altura
saltámos dali para fora e andámos oito dias pelo mato a alimentar-nos de tudo o
que aparecia.
Uma noite, tivemos que andar m bocado
pela estrada porque não tínhamos outra hipótese. Meia dúzia de quilómetros
depois apareceram uns 10 tipos enormes, sem armas, todos vestidos de branco, de
saia até aos pés. Eram Fulas.
- Portuguesi?
- Não
- Ahhh portuguesi. Vamos embora.
- Não, não.
- Ahhh portuguesi, está tudo bem.
Chegámos a uma aldeia e nem se
preocuparam connosco. Foram rezar e as mulheres encheram umas cabaças de arroz
e carne. Chamaram-nos para comer e nós lá fomos. Depois levaram-nos para uma
cidade onde havia polícia. O militar perguntou-nos: “Vocês fugiram, tudo bem, é
esse o dever de um prisioneiro. Não há problema. Mas vão ter de me dizer como
conseguiram.” Respondi-lhe que era “mezinha de branco”. Até hoje não sabem como
escapámos.
Quando chegámos à prisão, tinha o
director na minha cela. Estava ali porque se eu não aparecesse ele tomava o meu
lugar. Era assim. Passados uns dias os homens do PAIGC levaram-nos para
Conakry, onde estavam mais de 20 prisioneiros nossos. Se não tivéssemos tentado
escapar se calhar não tínhamos ido para lá e acabávamos por não ser libertados:
a operação Mar Verde foi nesse ano.
A altas horas da noite começámos a
ouvir tiroteio que se afastava e aproximava. A dada altura caiu uma bujarda em
cima da prisão. Deitei-me encostado à parede até alguém abrir um rombo na
parede e gritar “Lobato”. Era o tenente fuzileiro Cunha e Silva. O instinto
fica tão apurado que parece que vemos e adivinhamos tudo. Perguntou-me pelos
outros que estavam na outra ponta da prisão. Foram buscá-los e continuámos
direito aos barcos.
Quando cheguei a Portugal só pude ver
a família ao fim de oito dias. Fui levado para Caxias e fiquei guardado por
dois pides. Não se podia divulgar que tínhamos estado em território da Guiné
Conakry. Antes de ir à televisão tive de assinar um papel a comprometer-me em
dizer que tínhamos fugido. Os ministros foram ver a gravação e depois de
confirmarem que estava tudo bem é que me deixaram ver a minha mulher. Tinham
passado mais de sete anos.”
Texto: Extraído do livro de Maj.Pil.Av. " Dias de Coragem e Amizade"
Foto;Autoria de Rafael G. Antunes.
Voo 3226 VAMOS VOAR ATÉ Á NOSSA BASE.
Caros Companheiros.
Antecipadamente as nossa desculpas
pela inoperacionalidade da nossa Base.
As férias, uma baixa á enfermaria de
um elemento do comando, casamentos de filhos, a falta de pessoal a não voar
para estes lados , foram de facto os principais responsáveis pelo sucedido.
Não acabou!
Dificilmente isso acontecerá.
Por aqui vamos voltar á normalidade e
solicitar aos nossos Operacionais que, pelo menos, uma vez por semana ,vão
voando até nós.
Deixamos um desafio para nos debruçar-mo-nos sobre alguns temas que fazem parte da nossa história que seria agradável recordar, nomeadamente:
Deixamos um desafio para nos debruçar-mo-nos sobre alguns temas que fazem parte da nossa história que seria agradável recordar, nomeadamente:
- A minha mobilização para o Ultramar (quando, onde, o que sentiram, impacto pessoal e familiar...)
- A minha viagem e chegada à Unidade Ultramarina (como, quando, impacto
da chegada, com quem, substituir quem, colocação em que esquadra, praxes...)
- O meu dia-a-dia na mesma (Em Serviço e tempos livres)
- Como era a manutenção da minha Esquadra.
- Como era a linha da frente da minha Esquadra.
- Amizades ou episódios marcantes durante a comissão de Serviço.
- Visitantes especiais.
- Ligações, contactos ou operações com outros ramos
(Páras, Marinha, Fuzileiros, Exército, Comandos, Rangers...)
Nós vamos continuar a trabalhar em
conjunto no sentido de manter esta unidade
em permanente actividade ,como é seu
lema, mas contamos com a vossa colaboração
Saudações Especiais
João Carlos Silva
Mário Aguiar
Paulo Moreno
Victor Barata
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