segunda-feira, 3 de maio de 2021

VOO 3598 – Descobri no meu baú


 


Victor Oliveira

Meliav

Caneças







Descobri no meu baú esta foto colorida, a primeira que apareceu na BA12 só que dos pilotos lembro-me do Nico e Balacó dos colegas o Six. A idade não perdoa.

Quem poder completar os nomes dos restantes elementos era interessante.



Um grande abraço a todos que ainda mexem


Identificação:

1 - 

2 - 

3 - Victor Oliveira

4 - 

5 - 

6 - 

7 - 

8 - 

9 - 

10 - 

11 - 

12 - 

13 - 

14 - 

15 - J. Vasquez

16 - 

17 - Nico




segunda-feira, 19 de abril de 2021

Voo 3597 PARABÉNS COMANDANTE VITOR BARATA

 



Augusto Ferreira
2º Sargº.Mil. Melec/Inst./Av.
Coimbra





Parabéns grande amigo e companheiro VICTOR BARATA.

Sei que estás a passar um momento difícil na tua vida, mas isso não impede que festejes mais um aniversário. Que bom seria que ainda fossem muitos e vão ser. Vamos ter esperança que melhores dias virão.

Dentro de todos os condicionalismos actuais, que passes um bom dia de aniversário, junto daqueles que sei que te querem muito.

Os teus “Especiais” estarão sempre ao teu lado incondicionalmente.

Rápidas melhoras.

Um abraço do tamanho do Mundo.



quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Voo 3596 HISTÓRIA DE UM AMOR INTERROMPIDO

 



Fernando Miranda
Enfermeiro
Oeiras



Hoje dia 10 de Fevereiro de 2021 faz 48 anos que partistes,ficaram muitas saudades, muitas lágrimas têm corrido sentindo a tua falta, nunca te esqueci meu amor, nem esquecerei, lembro as tuas brincadeiras, o teu sentido de humor, o tua amizade ao próximo e o amor que dedicávamos um ao outro.
Vivemos um ano em companheirismo, fomos muito felizes, visitamos outras Ilhas, fomos convidados para vários convívios, bebemos uns copos, éramos felizes, naquela ilha Terceira e principalmente no Hospital da Terra Chã, a quem chamávamos a nossa casa
Partimos no final de 1971, tu com destino á Guiné, eu com destino a Moçambique, ficamos uns dias em Lisboa, ficamos na casa de uma colega nossa que era como nossa irmã, ( ainda o é) passeamos embora com muito frio, mas que importava o frio se nós sentíamos calor.
Á noite fomos ao Casino Estoril, e eis que não te deixaram entrar tínhamos 26 anos, mas tu eras uma miúda e tiveste de mostrar o Bilhete de Identidade, eras sim a minha miúda, no dia seguinte eu parti no Boeing 707 FAP com destino a Moçambique a despedida foi no Figo Maduro, mas estávamos felizes mesmo com a separação.
No ano seguinte 1972, começaram as cartas e contávamos tudo o que nos ia na alma um ao outro, nem tudo eram rosas, mas tínhamos força para enfrentar tudo sem lamentos, eu no BCP31 Moçambique tu no BCP12 Guiné
Tirei o curso de Pára-quedismo para um dia o podermos fazer os dois o salto e dar as mãos nas alturas, filo em pensamento num futuro vindouro.
Vivíamos de pensamentos, de ideias, no entanto chegou 1973, no primeiro Mês tudo era igual, o amor continuava e as saudades eram cada vez mais, mas com a nossa força e a pensar que cada dia nos faltava menos para nos abraçarmos. A nossa missão que tínhamos de a cumprir da melhor maneira e isso ninguém nos pode acusar de o não fazer.
Longe de mim o que se aproximava, muito mas muito longe, receber a notícia do trágico acidente no dia 10 de Fevereiro de 1973, pela 13,15 horas, sábado fatídico, foi uma luz que se apagou e posso dizer que até hoje continua apagada., as cartas recebidas não mais foram abertas, não valia a pena, e assim vão ficar, não pude dizer-te um adeus, DESCULPA AMOR, não foi por falta de vontade minha. Foi a guerra que o impôs é só Deus sabe o que o meu cérebro pensou e ainda hoje pensa.
Quando visito a tua sepultura onde estás inumada na companhia da mãe que te foi fazer companhia 17 anos depois e agora também a companhia da tua irmã (TERESINHA) deficiente e que algumas vezes falamos e que tanto te preocupava, já está junto a ti á cerca de nove meses, descansem em PAZ.
Hoje sou um amigo de São João de TAROUCA
Sabes amor, tenho tantas coisas para falar contigo, reserva um lugar ao teu lado para podermos falar de tudo o que não foi dito e agradeço do coração a força que me tens enviado para continuar a viver, encontrar gente boa, nessa terra que gostam muito de Ti.
Toda a despedida é triste, mas nenhuma dói tanto como aquela que sabemos que não tem retorno.
 Um beijo meu amor, estejas onde estiveres.

 

Voo 3595 REUNIÃO DE ANTIGOS COMBATENTES

 



RESUMO DA REUNIÃO DO MOVIMENTO PRÓ-DIGNIDADE COM A SENHORA SECRETARIA DE ESTADO DOS ANTIGOS COMBATENTES, DO PASSADO DIA 11/01/2021, PELAS 16H00

A reunião com a Senhora Secretária de Estado dos Antigos Combatentes teve início pelas 16h15 minutos, tendo sido abordado e discutido a maior parte dos artigos consignados no Estatuto do Antigo combatente, nomeadamente:

è Artigo 4º --- Cartão do Antigo Combatente;

è Artigo 5º --- Insígnia nacional do Antigo Combatente;

è Artigo 6º --- Titular de reconhecimento da Nação;

è Artigo9º --- Balcão único da Defesa

è Artigo 11ª – Rede Nacional de Apoio

è Artigo 12º-- Centro de Recursos de Stress em contexto de Militar

è Artigo 14º -- Plano de apoio social aos antigos combatentes em situação de sem-abrigo.

è Artigo 16ª – Isenção das taxas moderadoras

è Artigo 17ª – Gratuitidade dos transportes públicos.

è Artigo 19ª – Honras fúnebres.

è Artigo 22º -- Protocolos e parcerias.

Relativamente aos diversos assuntos acima referidos, a senhora Secretária de Estado dos Antigos Combatentes, fez um ponto de situação de todo o esforço que o Ministério da Defesa tem vindo a fazer para o mais rápido possível colocar em funcionamento todos as valências indicadas nos artigos acima.

A senhora Secretária de Estado fez notar que não é fácil, nem simples elaborar todos os protocolos com as mais diversas instituições e entidades para colocar o comboio (EAC) nos carris, de forma a prosseguir a sua marcha.

O Movimento Pró-Dignidade a favor do Estatuto do Antigo Combatente, reconhece a boa vontade e o querer impar da senhora Secretária em avançar com os direitos consagrados na lei 46/2020, de 20/07, que institui o ESTATUTO DO ANTIGO COMBATENTE, mas também compreende que não é de um dia para o outro que se põe a funcionar uma máquina tão pesada e tão burocrática como é o ESTATUTO DO ANTIGO COMBATENTE.

No final da reunião, um dos elementos do MOVIMENTO PRÓ-DIGNIDADE, fez notar à senhora Secretária de Estado dos Antigos Combatentes, que a “…Dívida de Gratidão que a Pátria tem para com os seus Antigos Combatentes continua por pagar …”, solicitando à senhora Secretária de Estado dos Antigos Combatentes que fizesse chegar, aos órgãos do poder instituído, a mensagem de descontentamento generalizado dos Antigos Combatentes, uma vez que a maior parte destes carecem de apoio financeiro por parte do Estado, para comprar bens de primeira necessidade, nomeadamente remédios para a sua saúde.

Antes de terminar a reunião foi entregue uma cópia dos objectivos que se pretendem com a realização do CONGRESSO NACIONAL DE ANTIGOS COMBATENTES, que se junta.

Lisboa 11/01/2021

MOVIMENTO PRÓ-DIGNIDADE

Jeremias Henriques + António Silva + Mário Manso +Jose Maria Monteiro.... Abraço de combatente ........... Partilha ........... 171/68

 

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Voo 3594 CONTO DE NATAL.

 





Victor Sotero
Sargº.Mor EABT
Lisboa



Saúdo o “Comando”, a “Linha da frente” e todos os “Zés” que através desta “Base” nos vão visitando.
No Mundo completamente conturbado em que vivemos com guerras, injustiças, faltas de amor, lembrei-me de “imaginar” um país e escrever uma pequena história, o meu “Conto de Natal”.

Ano de 2020

A Igreja daquele país e as pessoas, estão prestes a passar as horas mais agitadas de toda a história . Aproxima-se o choque inevitável do povo com os militares.

Mês de Dezembro, 24.

Toda a terra se transforma dia após dia num manto de neve maravilhosamente extenso e belo.
As pequenas aldeias povoando a imensa estepe cobertas de gelo por todos os cantos aquecem o corpo e alma daquelas pessoas que vão esperando.
É numa pequena cabana que vivem, sofrendo todas as amarguras ocasionadas pela escassez de meios, uma velhinha e sua neta, cujos corações vagueiam no infinito.

 



A vida é amarga naquele lar. Nele se desenrola lentamente o drama de uma Cruz, e à medida que os dias vão passando, diminuem os géneros na dispensa, escasseia o correio e até mesmo a lenha para a fogueira vai sendo pouca. A velha senhora chora dolorosamente a sua desdita.
Naquele dia algo de anormal se passou. Para a velha avózinha era a morte que avançava a passo célere. Para a neta, era porém uma luz de esperança que renascia.
Pelo seu pensamento num frémito de entusiasmo passou uma imagem.
É véspera de Natal.
Recordou-se das palavras do avô. Recordou-se que lá longe, na Igreja, o velho sacerdote costuma distribuir roupas e alguns alimentos aos que mais necessitam.
Fita a avózinha...não pode mais. Naquela Igreja está a sua esperança.
Tem que trazer para a avó um consolo... e parte, contra a neve...contra o vento...contra o frio...desliza no imenso oceano gelado...faltam-lhe as forças mas ela não pode desistir.
Levanta o olhar e vê uma luz...talvêz a da Igreja e corre ainda mais em direcção aquele ponto. Os olhos recusam-se a acreditar no que vêem. A Igreja está transformada em fortaleza militar.
Já não há sinos. Nos seus nichos há agora canhões. No lugar da Cruz...o sacerdote “dorme” no seu sonho.
Grossas lágrimas correm pelo rosto da menina.
...e naquela noite, não houve “Ceia de Natal”.

Despeço-me meu “Comandan​​te”.

Despeço-me da “Linha da frente” e de todos os “Zés” que nos rodeiam.

Até breve

Sotero

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

VOO 3593 – ULTIMO VOO DO NOSSO COMPANHEIRO FRANCISCO JOSÉ FALCÃO TEITEIRA

 


Boa tarde companheiros

 

Temos menos um amigo e camarada o Francisco José Falcão Teixeira, MMA.

 

Aos familiares e amigos os nossos mais sentidos pesamos,

 

Um abraço amigo e companheiro, até um dia 









segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Voo 3592 OS OPERACIONAIS DA LINHA DA FRENTE.

 

Manuel Araújo
Esp.MMA
Madeira


A fotografia da Esquadra em 1971/1973
Os operacionais na linha da frente.



Voo 3591 MECÂNICOS DO DAKOTA.

 



Manuel Araújo
Esp.MMA
Madeira



Em Bubaque com o Sargento Laranjeira.

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Voo 3590 FOI Á 48 ANOS...

 



Nuno Almeida (Poeta)
Esp.MMA
Lisboa



Há 48 anos atrás, o meu pai recebia a notícia da morte do seu filho (eu) morto e abandonado nas matas da Guiné! 
Mas, graças à coragem e sagacidade do furriel Vítor Loureiro, que me estancou a hemorragia e me defendeu do fogo inimigo, à coragem e valentia do alf piloto José Morais, que me resgatou debaixo de fogo intenso, à tenacidade do Cor. Gualdino Moura Pinto, que tudo fez para que não sucumbisse, à capacidade e profissionalismo do dr. Manuel Rodrigues Gomes, que me operou 4 vezes em 25 dias e nunca desistiu de mim, e a todos os militares da BA12 e BCP12 que doaram sangue para as transfusões que recebi, essa morte não se concretizou.
Hoje, sou eternamente grato a todos estes heróis que me proporcionaram, até agora, mais 48 anos de sobrevivência neste mundo louco e doente, mas que me deu uma filha maravilhosa e um neto que é o meu tesouro.😢

 

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Voo 3589 102 ANOS DO ARMISTÍCIO DA PRIMEIRA GRANDE GUERRA MUNDIAL.

 

Hoje, celebram-se 102 anos do Armistício da Primeira Grande Guerra Mundial. Porque recordar é existir, evocamos a memória dos que combateram.



Voo 3588 A VIDA É OS DIAS QUE NOS LEMBRAMOS

 





Maria Arminda
Cap.Enfª.Paraqª.
Setubal




Dias após completar 80 anos, recebi o convite para fazer este retrato escrito da minha vida. Chegada a esta idade, pensei não ter estes trabalhos; sobretudo, acho-me muito pequenina entre as figuras de Faces de Eva. A minha filha influenciou-me a partilhar as minhas vivências e a organizar as notas que escrevo desde que participei no livro Nós, Enfermeiras Paraquedistas, publicado em 2014, que reuniu testemunhos de várias colegas na Guerra do Ultramar. Aceite o desafio, fica este relato lembrando pessoas que comigo foram fazendo esta “viagem”; muitas delas já desaparecidas (tragicamente algumas), por ser essa a lei inexorável da vida.

Nasci em 1937, em Setúbal, a mais nova de seis irmãos, mas apenas três sobreviveram para me acompanhar pela vida; o João (nascido vinte anos antes de mim), a Ivone e a Gracinda. Não me recordo da minha mãe, que faleceu com febre tifoide, tinha eu dois anos e meio. Nessa altura, a tia Maria do Rosário, sua irmã, veio para nossa casa orientar as nossas vidas, acabando por se casar com o meu pai e tornando-se uma verdadeira mãe. Faleceu quando eu tinha oito anos. Depois, tive várias mães, a minha irmã Gracinda, a minha cunhada Laura, vizinhas e empregadas. O meu pai trabalhava na Mobil Oil, fazia a distribuição de combustíveis no Alentejo, permanecendo em casa apenas no fim de semana.

Habitávamos no Bonfim, zona verdejante da cidade, com palmeiras, plátanos, mimosas e lodeiros, rodeada de quintas com abundantes pomares. Com os vizinhos formávamos uma grande família. Nas noites de verão, os adultos ficavam à porta a conversar, e nós a apanhar pirilampos que guardávamos em caixas de fósforos. Passava os dias a brincar livremente no campo, à macaca, pião, eixo, trinta e um, berlinde, e à bola, onde, à vez, era jogadora e massagista, uma “maria-rapaz”, alegre e traquina. Um dia, um dos miúdos mandou-me uma coleção de bandeirinhas dos países, uma forma de pedir namoro. Era o Álvaro, com quem vim a casar.

A minha infância foi vivida no decurso da II Guerra. Lembro-me de a minha irmã colar tiras de papel nas janelas e dizer que tínhamos de apagar a luz (dos candeeiros a petróleo) por causa dos aviões. Sentia medo e o meu pai sentava-me no colo, aconchegava-me no seu capote alentejano, contava ser um sobrevivente da outra guerra, para me afastar o receio. Quando a guerra terminou, ouvimos o anúncio na rádio e, com os outros garotos, corri com alegria a espalhar a boa nova.

Não havia infantários e, aos três anos, fiquei ao cuidado de uma mestra, com quem aprendi a ler e fazer contas. Tive uma boa instrução; quando ingressei na escola oficial fui diretamente para a segunda classe, e só não fiquei na terceira por ser demasiado jovem. Concluí a escolaridade obrigatória aos nove anos com distinção e o meu pai decidiu que eu não continuaria os estudos. Achava-se próximo da reforma e planeou voltar à sua aldeia para tratar das terras. Estava-me reservado acompanhá-lo, pelo que fiquei dedicada às tarefas domésticas.

Em outubro de 1951, o meu pai foi internado no Hospital dos Capuchos, em Lisboa, para ser operado a um tumor. Fui para casa da prima Gertrudes,que vivia lá perto, e visitava-o diariamente para lhe levar melhores refeições. Na véspera de ser operado chovia muito, razão que levou a minha prima a impedir-me de o visitar, apesar da minha insistência. Faleceu nesse mesmo dia, 9 de novembro, por erro médico durante a transfusão prévia à operação. O funeral realizou-se a 14 de novembro, dia do meu 14.º aniversário. Foi um desgosto enorme que permanece vivo na minha memória, tal a emoção com que o senti.

Por ser menor de idade, a empresa do meu pai enviou a nossa casa uma assistente social, a Dra. Irene Aleixo. Por decisão unânime dos meus irmãos, o valor da pensão a atribuir seria usado para eu voltar a estudar. O meu irmão foi nomeado tutor e iniciou-se a procura de um colégio interno. No dia 2 de fevereiro de 1952, Dia da Senhora das Candeias, entro no colégio da Congregação das Irmãs de São Vicente de Paulo, em Lisboa. Chorei convulsivamente, depois de o João partir. Fui confortada pelas Irmãs e apresentada às colegas. Rapidamente fiz amigas.

Fui uma aluna aplicada, apesar de algumas diabruras que me valeram sérias reprimendas. Concluí, no primeiro ano letivo, o 1.º e o 2.º anos, para espanto de Irmãs e colegas. Era também uma desportista nata; jogava ténis, basquetebol, patinava e era a capitã da equipa de voleibol nos torneios entre escolas. Durante os anos que fiquei no colégio só vim a casa nas férias de Natal e Páscoa e nas férias grandes. Passava os fins de semana com as Irmãs, que nos levavam a visitar os pobres dos bairros próximos do colégio.

Foi necessário gerir bem o dinheiro para conseguir completar os estudos. A mensalidade, transferida da empresa do meu pai para as Irmãs, era uma fortuna na época, cerca de mil e duzentos escudos, fora o material escolar, o valor do enxoval que levei e os custos com as viagens nas férias. Quando os recursos findaram, as Irmãs conseguiram, através do Ministério da Assistência[1], um subsídio que me permitiu fazer o curso de Enfermagem, além do fardamento e uma mensalidade de cem escudos para despesas pessoais.

A existência do ensino de Enfermagem em Lisboa deve-se à Irmã Eugénia, senhora brasileira, neta de portugueses, com grande visão e dinamismo que, juntamente com o Prof. Francisco Gentil, impulsionou a criação da Escola de Enfermagem de São Vicente de Paulo, que iniciou atividade a 14 de novembro de 1937 (data do meu nascimento).

Em outubro de 1955, iniciei a primeira etapa do meu grande sonho, ser enfermeira, algo que vinha dos tempos de “massagista” e se acentuara nas visitas ao meu pai, no hospital. Fiz o curso com todo o empenho e tive a grande satisfação de ser uma das melhores alunas. Apresentei-me, em junho de 1958, na Escola Artur Ravara para prestar provas de Estado, tendo passado com a classificação de 18 valores (Muito Bom com distinção).

Optei por trabalhar no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, no Serviço de Patologia Médica. Comecei, em outubro de 1958, com doentes do sexo feminino e, passado um ano, fui nomeada subchefe, transitando para o piso destinado a doentes homens. Vivia no Lar das Enfermeiras do Hospital de Santa Maria, junto à Feira Popular.

Nesse período já namorava o Álvaro, que, em 1959, partira para a Índia no Serviço Militar Obrigatório. Regressou, em abril de 1961, no navio Niassa. Este mesmo navio partiria logo depois para Angola, com um contingente de militares mobilizado à pressa, após os ataques, um mês antes, por bandos armados com catanas a populações indefesas. No Santa Maria, o pessoal médico e os universitários andavam apreensivos com rumores de uma mobilização iminente.

Um dia por esta altura, a enfermeira Mascarenhas (Maria da Nazaré) perguntou-me: — Ouve lá, Lopes Pereira, eras capaz de largar tudo, de um dia para o outro, para ir para Angola tratar de feridos? — Respondi-lhe que sim, pelo que continuou: — Não contes a ninguém porque é segredo, mas a Madre Superiora da minha escola está a formar um grupo de onze enfermeiras para esse fim. Até já fizemos exames médicos, mas uma chumbou, e eu, sabendo que reúnes as condições exigidas, combinei com a Madre sondar a tua recetividade. — Aceitei de imediato.

A Nazaré, colega do Santa Maria, tinha conhecimento de um episódio ocorrido no meu segundo ano de curso, em 1957, quando comentei numa aula um filme passado na II Guerra sobre uma enfermeira da Força Aérea Inglesa. Notando o meu interesse, o professor referiu uma aluna, de outra escola de Enfermagem (Irmãs Missionárias de Maria), que tinha brevê de pilotagem e paraquedismo e deu-me o seu contacto. A aluna em questão era Isabel de Mello Rilvas (Isabelinha), a quem liguei no próprio dia e que se voluntariou a visitar o colégio para dar uma palestra sobre as suas experiências aéreas.

Em França, ela conhecera o grupo Socorristas do Ar, formado por médicas e enfermeiras paraquedistas que assistiam feridos em locais de difícil acesso, e ambicionou trazer este projeto para Portugal. Apresentou-o ao tenente-coronel Kaúlza de Arriaga, de quem era amiga. A ideia foi considerada interessante, mas inviável. Agora, os ataques em Angola tornavam aqueles planos inadiáveis.

No dia seguinte à conversa com a Nazaré, fui chamada ao Serviço de Saúde da Força Aérea. Passei os testes médicos e marcaram testes psicofísicos para 5 de maio. Ao batismo de voo seguiram-se as duras provas que foram superadas por todas, mas, como fiquei em primeiro, passei a ocupar o primeiro lugar na formatura, de acordo com a norma militar. Os acontecimentos sucederam-se em avalanche: a despedida do serviço do Santa Maria; a comunicação da minha decisão à família; o início do curso intensivo a 6 de junho, que incluía instrução de paraquedismo, e a sua conclusão, a 2 de agosto, com o inesquecível primeiro salto.

A cerimónia das finalistas, a 8 de agosto, em que recebemos o brevê e a boina verde (símbolos do orgulho dos paraquedistas), foi noticiada pela imprensa escrita, rádio e televisão, que deram a conhecer “as seis Marias”; éramos as primeiras mulheres nas Forças Armadas Portuguesas.

Ainda nesse mês, no dia 22, realizei a primeira missão em Angola, acompanhada pela, também alferes, Maria Ivone. Tratava-se de testar a nossa adaptação operacional e avaliar a aceitação de mulheres no meio militar. Foram duas semanas muito intensas, em que participámos na operação aerotransportada de militares na Serra de Canda. Voltei a Angola, em outubro, com a Zulmira (que veio a ser madrinha da minha filha) e a Nazaré. Acompanhou-nos na viagem a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, a quem elevei as minhas preces para a vida que estava a iniciar. Para trás ficara uma vida estável, tranquila, o ambiente de claustro das enfermarias hospitalares. A nossa prestação foi-se ajustando às necessidades; assistimos militares, civis e até o inimigo. O conflito intensificou-se, alastrou a outras frentes, houve necessidade de abrir mais cursos, nunca fomos suficientes. Além de Angola, estive em Carachi, Guiné e Moçambique, tendo como principais missões a evacuação de feridos dos cenários de guerrilha e o acompanhamento e tratamento de doentes a bordo dos aviões até aos hospitais de Lisboa. Foi-nos exigida grande capacidade de adaptação, não só pela ausência de planeamento logístico para militares mulheres, como pelo próprio clima e população que diferiam entre territórios. Valeu-nos a amizade de colegas e civis que nos acolheram e apoiaram.

Prestes a completar dez anos em comissão contínua de serviço, já tenente, passei voluntariamente à disponibilidade a 15 de dezembro de 1970. Em 25 de janeiro, comecei a trabalhar em Setúbal, nos Serviços Médicosociais, com horários mais compatíveis com a futura condição de casada do que os Serviços Hospitalares, que preferia. Casei a 18 de abril e passei a morar no Bairro Santos Nicolau, onde foi inaugurado, em agosto do ano seguinte, o Posto Médico n.º 22, que integrei como Enfermeira-Chefe.

Em 1974, dá-se o 25 de Abril (a minha filha Ana tinha dois anos e o meu filho João estava a dois meses de nascer), que trouxe a esperança de liberdade e a possibilidade de cessarem as hostilidades no Ultramar. Passei por maus momentos quando me recusei a aderir à (primeira) greve dos enfermeiros. Apelidada de reacionária e fascista, sindicalistas e colegas quiseram o meu despedimento. Insultada, quase agredida, valeram-me algumas pessoas do bairro, a quem tinha ajudado em situações de necessidade.

Como a verdade e o reconhecimento vêm sempre ao de cima, fui depois nomeada para vários cargos no âmbito da criação do Serviço Nacional de Saúde, que se efetivou em 1979. Desde 1980 até 1 de maio de 1992, data em que me aposentei, não mais voltei ao exercício profissional como enfermeira, apenas desempenhei cargos técnicos e diretivos, o último como Vogal da Administração Regional dos Serviços de Saúde do Distrito de Setúbal.

Descrever em breves linhas os meus anos de aposentação deve-se à falta de espaço, porque o texto vai longo e não pela falta de episódios marcantes neste período da minha vida. Tinha 54 anos, vontade de ser prestável à comunidade e apoiar melhor os meus filhos. Na minha cidade, envolvi-me em várias Associações, como a Liga dos Amigos do Hospital de S. Bernardo, Associação de Paraquedistas, Soroptimist Internacional, as duas últimas como sócia-fundadora. Nestas quase três décadas, foi também necessário dedicar cuidados de saúde a familiares e amigos, e eu própria tive a minha dose de maleitas. Foi também tempo de comemorar: as conquistas académicas e profissionais dos filhos, o nascimento dos netos (Pedro, André, Filipe) e sobrinhos. Continuo a ser uma mulher elétrica, ocupada com a

família, as muitas Associações, as aulas de zumba e da Universidade Sénior, informada e atenta ao mundo, cabendo-me ocasionalmente, por ter sido a primeira enfermeira paraquedista, a tarefa honrosa de narrar como foi, para um grupo de 47 jovens mulheres, realizar uma missão de “Paz em Tempo de Guerra”.

domingo, 8 de novembro de 2020

Voo 3587 COR.MÉDICA MARIA SALAZAR NOS LARES DE IDOSOS

 





Victor Barata
Esp.Melec/Inst./Av.
Vouzela




 

Um testemunho muito importante, para conhecimento, neste período difícil das nossas vidas.

Maria Salazar, a coronel médica que leva sabedoria aos lares de idosos

Desde há um mês, as Forças Armadas já fizeram ações de formação aos funcionários de 631 lares de todo o país. Todo o plano de ação foi arquitetado por uma mulher que nunca sonhou ser militar e que agora faz a diferença.

Avatares, drones, carros e motos telecomandados. Forças Armadas preparam batalhas do futuro

FORÇAS ARMADAS

Avatares, drones, carros e motos telecomandados. Forças Armadas preparam batalhas do futuro

Almirante Silva Ribeiro, chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas.

FORÇAS ARMADAS

Silva Ribeiro: "Conseguimos estancar a saída de militares das Forças Armadas"

A médica e coronel da Força Aérea integra a Direção de Saúde Militar.

A médica e coronel da Força Aérea integra a Direção de Saúde Militar.© Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

É quase impossível Maria Salazar passar despercebida quando anda, quase sempre em velocidade e com passadas longas, nos corredores do quartel-general da Direção de Saúde Militar (DIRSAM) do Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA).

Se o sonante apelido, instintivamente, já provoca reações, o seu elegante 1,87 metros, dentro de um uniforme camuflado, e os olhos vivos que espreitam debaixo da máscara não deixam mesmo ninguém indiferente.

A médica e coronel da Força Aérea coordena 139 equipas de militares no terreno.

A médica e coronel da Força Aérea coordena 139 equipas de militares no terreno.© Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

Subscreva as newsletters Diário de Notícias e receba as informações em primeira mão.

SUBSCREVER

Mas, mais do que isso, o seu trabalho tornou-se uma peça fundamental em centenas de lares de idosos por todo o país, com um plano pioneiro que está a levar conhecimento e ensinamentos aos funcionários destas instituições sobre como prevenir o contágio pelo novo coronavírus.

Comando Conjunto para as Operações Militares: as Forças Armadas acompanham em permanência a evolução

COVID-19

Saúde reforçada com planeamento militar no combate à pandemia

Maria Salazar, 49 anos, coronel da Força Aérea, médica formada na Faculdade de Medicina de Lisboa, com a especialidade de Gastroenterologia, é quem está à frente do programa das Forças Armadas para as ações de sensibilização em lares, em apoio ao Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS).

Até 5 de novembro, cerca de um mês depois do arranque desta gigantesca operação, foram já visitados pelos militares 631 lares.

Até 5 de novembro, cerca de um mês depois do arranque desta gigantesca operação, foram já visitados pelos militares 631 lares, do total de 2770 que o MTSSS atribuiu às Forças Armadas, a cujas ações de formação assistiram 7748 funcionários.

Escapa com ligeireza às perguntas mais pessoais e devolve quase sempre respostas que envolvem o trabalho. Ainda conseguimos a confidência de que nunca sonhou ser militar. "Foi por mero acaso", admite a oficial. "Por curiosidade e insistência de uma grande amiga fui assistir a uma sessão de esclarecimento na Força Aérea, no âmbito de um concurso que se destinava a recrutar médicos para o quadro permanente do Hospital Militar. Foi muito importante e apelativo saber que havia ali uma alternativa para a minha carreira. Como estava a pouco menos de dois meses de ter de escolher a especialidade, entrando na carreira militar teria acesso imediato ao que queria, gastroenterologia, ainda com a mais-valia de ficar colocada em Lisboa, quando naquela altura, na minha geração, não só era difícil ter acesso logo a vagas para esta especialidade no Serviço Nacional de Saúde como também nos primeiros anos seria sempre colocada noutras zonas do país", conta, de um fôlego.

"O facto de ter estudado na Escola Alemã e estar habituada a ambientes disciplinados e a hierarquias era uma vantagem, que depois se comprovou como uma ótima base para me adaptar à vida militar."

Depois veio a dúvida de quem nunca tinha pensado numa carreira militar. "Será que vou conseguir habituar-me? Acreditei que sim. Por um lado, o facto de ter estudado na Escola Alemã e estar habituada a ambientes disciplinados e a hierarquias era uma vantagem, que depois se comprovou como uma ótima base para me adaptar à vida militar. Mas também cresci com o meu pai, que cumpriu o serviço militar na Marinha e era oficial da Reserva Naval, sempre com muita estima pelas Forças Armadas. A única coisa que ele me disse quando o informei de que tinha concorrido à Força Aérea foi 'ao menos podia ter sido a Marinha!'", assinala com um sorriso nos olhos.

Pensar fora da caixa

Maria Salazar é filha do economista Ernâni Lopes, falecido em 2010, que foi ministro das Finanças de Mário Soares, governador do Banco de Portugal e também fundador da Associação dos Oficiais de Reserva Naval.

"Focada, inteligente e dinâmica. Pensa fora da caixa", diz-nos um oficial que trabalha com a coronel. "A grande mais-valia de ser médica militar é fazer muitas coisas em áreas completamente diferentes. Sou gastrenterologista, tenho competências em medicina aeronáutica e assumi diferentes chefias", reconhece a médica.

Antes desta nova missão, ainda quando a pandemia era observada ao longe, Maria Salazar estava envolvida numa nova estrutura do EMGFA, a Unidade de Ensino, Formação e Investigação da Saúde Militar.

Maria Salazar, médica e coronel da Força Aérea responsável por todas as ações da Direcção de Saúde Militar

Maria Salazar, médica e coronel da Força Aérea responsável por todas as ações da Direcção de Saúde Militar do Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA) nos lares, militares e civis, no âmbito da covid-19.© Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

"Há anos que se fala nesta nova unidade, que faz parte da grande reforma da saúde militar. Serve de elemento diferenciador na criação de novas aptidões na saúde militar para os três Ramos", explica a médica. Mas "quando caiu a bomba em março, pouco antes da declaração do estado de emergência, no dia 18", passou "a fazer parte da task force Covid-19".

Nos cenários e no planeamento que tinham começado a ser traçados pelos analistas militares, desde fevereiro, antes de a pandemia se instalar no nosso país, os lares de idosos surgiam já à cabeça das preocupações, a começar pelos três do Instituto de Ação Social das Forças Armadas (IASFA).

O Centro de Comando para as Operações Militares - CCOM.

CORONAVÍRUS

Os planos, a tensão e o bunker "secreto" da guerra biológica nas Forças Armadas

"Víamos o que estava a acontecer em Espanha, e a apreensão era enorme. Decidimos logo trabalhar com um dos nossos lares, em projeto-piloto. Partir do zero, ver tudo o que estava feito, planos, organização. Ficámos satisfeitos com o que vimos. Testámos toda a gente: residentes, funcionários, todos os que ali entregavam mercadorias. Para nossa surpresa, naquela estrutura tão bem organizada, havia três idosos positivos. Foi um momento muito difícil, com funcionários e familiares com muito medo. Decidimos que a única forma de os ajudar era estar lá com eles o tempo todo. Foram revistos todos os procedimentos, recordados todos os passos, coisas que não podem ser esquecidas, como lavar as mãos. O truque está mesmo nas coisas simples. Nada pode falhar. O segredo é mesmo a formação. Foi uma equipa do Hospital das Forças Armadas fazer essa formação e esteve lado a lado com eles o tempo todo, até a desenhar os circuitos no chão. Depois disto, instalou-se a serenidade", recorda.

Mais de 300 militares no terreno

Com a segunda vaga a aproximar-se, o Governo pediu ajuda ao EMGFA. Era preciso voltar ao terreno e levar conhecimento, insistir nas tais "coisas simples". Com os procedimentos já testados nos lares do IASFA, o diretor da Saúde Militar, major-general Jacome de Castro, entregou a Maria Salazar esta missão. "Entre a decisão do MTSSS e mandarmos as equipas para o terreno foi uma semana, um recorde", frisa a coronel.

Almirante António Silva Ribeiro, Chefe de Estado-Maior-General das Forças Armadas

PODER

Forças Armadas preparam sensibilização e desinfeção em 800 escolas secundárias

As equipas que na primeira vaga tinham feito as ações de sensibilização nas escolas, nas prisões e noutros organismos foram de novo ativadas e alvo de formação específica atendendo às necessidades destas estruturas residenciais.

Com uma lista de 2770 lares no mapa, atribuídos pelo MTSSS, prepararam 139 equipas (130 do Exército, cinco da Marinha e quatro da Força Aérea), com mais de 300 militares dos três ramos, e em apenas um mês já foram a 631 lares.

"A presença dos militares é um fator muito importante para transmitir confiança e credibilidade às pessoas."

"A presença dos militares é um fator muito importante para transmitir confiança e credibilidade às pessoas", salienta a coronel médica. Estas equipas tiveram formação nos conteúdos específicos para os lares e também foram treinadas em comunicação.

O primeiro passo, quando chegam, é verificar, através de uma check list, o que está a ser feito e reforçar, na formação, os conteúdos que sejam necessários.

O plano gizado por Maria Salazar consiste em duas fases: uma é constituída pelas ações de sensibilização, "numa abordagem prática, adequada ao dia-a-dia da instituição"; a segunda, uma estreia absoluta, são sessões de esclarecimento online, em tempo real.

Coordenados pelo capitão-tenente Luís Farinha, médico anestesista da Marinha, médicos, enfermeiros e farmacêuticos militares estão diariamente junto aos computadores na Dirsam e, através, da plataforma Teams, vão esclarecendo as dúvidas dos funcionários dos lares.

Maria Salazar, médica e coronel da Força Aérea responsável por todas as ações da Direcção de Saúde Militar

Maria Salazar, médica e coronel da Força Aérea responsável por todas as ações da Direcção de Saúde Militar do Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA) nos lares, militares e civis, no âmbito da covid-19. Na imagem com José Pereira, primeiro-tenente da Marinha, durante uma ação de formação online para os lares.© Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

"Percebem que não estão sozinhos, há sempre alguém deste lado para ajudar", afirma a coronel médica, mostrando a sala onde estão os operacionais no Teams desse dia, com auscultadores e microfone, a falar para o computador, em cujo ecrã se veem as imagens de técnicos e funcionários de lares.

A previsão de Maria Salazar é que todas as ações de sensibilização terminem até ao fim do ano e que as sessões no Teams se prolonguem durante mais cerca de um mês depois disso. "As maiores preocupações que temos sentido da parte dos lares prendem-se com a reorganização dos recursos humanos, caso alguém fique infetado. Muitas instituições não têm possibilidade de ter equipas em espelho. A manta é muito curta", assinala esta responsável.

"É preciso contrariar o medo para se conseguir trabalhar. O medo bloqueia o encontrar soluções."

Em jeito de balanço, de "lições aprendidas", que começaram nos lares do IASFA, esta oficial da Saúde Militar destaca uma: "É preciso contrariar o medo para se conseguir trabalhar. O medo bloqueia o encontrar soluções."

Forças Armadas no combate à covid-19

Além das ações nos lares, as Forças Armadas estão noutras frentes da guerra contra a pandemia:

- disponibilização de sete centros de acolhimento com um total de 504 camas;

- ações de descontaminação, pelo Exército;

- núcleo de Apoio à Decisão, com quatro oficiais do EMGFA, para assessorar a ARSLVT na gestão de camas hospitalares;

- acolhimento de 49 doentes de covid-19 nos hospitais das Forças Armadas, transferidos de vários hospitais da zona norte, de Loures e Setúbal;

- identificação e gestão de 7890 voluntários da "Família Militar", que se disponibilizaram para apoiar nos centros de acolhimento de doentes, em caso de necessidade.