sábado, 6 de setembro de 2008

NOVA ESTÓRIA.


409-Américo Silva
Esp.Marme 1ª/69 Guiné
Angola



AUTORIZAÇÕES DE SAÍDA DA BASE
( Dispensas)

Ainda a propósito do Ten. Serafim dos Santos, como ele próprio se intitulava militarmente o “Ten. Brigadas” e na vida civil o “Marquês”, muitas estórias há por contar.
Hoje, lembrei-me desta:





Como todos sabem, cada vez que pretendíamos fazer as nossas incursões à cidade de Bissau, era necessário obter das chefias a respectiva autorização, entregar na secretaria da unidade o documento assinado pelo chefe e mais tarde ir receber já devidamente carimbado ou registado, o dito “papelinho” que, se a memória não me falha era “amarelinho” e nos dava o passaporte para as nossas idas à cidade, para os mais diversos motivos, como passear, comprar os “souvenirs”, ir beber e comer as deliciosas ostras com molho de limão acompanhadas de cerveja, no Espadinha”, acabando-se por jantar no Pelicano, no Solar dos 10 ou naquele snack-bar com pista de carros telecomandados, intervalando com uma “francesinha” comida com gosto, que nos fazia esquecer por momentos a comida rotineira da messe.
É claro que, para alguns, a noite terminava lá para os lados do Pilão, em aventuras que hoje duvido que alguém as repetisse...
Enfim, a juventude e a irreverência própria daqueles tempos é que nos acompanhava nessas aventuras sem pensar.
Não é por acaso que existe a máxima: “Deus protege os audazes”.
Com todos os perigos que se corriam ao visitar aquele bairro da periferia, sem se tomar quaisquer medidas de segurança, só mesmo Deus nos protegia do pior.
Todos os MAEQ, no meu tempo, tinham dificuldade na obtenção das dispensas, pois o Ten. Serafim, de manhã, encontrava-se invariavelmente “incomodado” no seu quarto e para isso, afixava um papel na porta, avisando logo quem tivesse intenção de bater nela ou de a abrir.
É que a chave francesa enorme que guardava em cima da mesinha de cabeceira do tenente, rapidamente ganhava asas...num voo até à porta.
Para grandes males, grandes remédios.
A forma mais prática que encontrei e que pessoalmente me resolvia o problema, foi começar a imitar “falsificando” a assinatura do Tenente.
Eu, que até tinha jeito para o “traço”...era “canja”.
Só que o pessoal começou a perceber que, recorrendo aos préstimos do Américo, também tinham o seu problema resolvido e aquela prática começou a ganhar “clientela”...
Até ao dia em que o Ten. Serafim, por qualquer motivo que não se sabe e contrariando todas as rotinas..., na véspera resolveu deitar-se sem passar pelo bar ou visitar a cidade e no outro dia acordou na melhor das disposições.
Avançou para os hangares e ao verificar os presentes, estranhou a falta de alguns camaradas, pois que não se recordava de lhes ter assinado a respectiva dispensa.
Foi uma “luta” entre a posição dele e a nossa tentativa em convencê-lo de que havia assinado todas as dispensas dos ausentes e não se lembrava.
É claro que ficou vencido mas não convencido, mas felizmente não aprofundou o assunto.
Como tudo que é bom não é eterno, também o nosso truque “morreu” naquele dia...
Em conclusão, devo dizer que os candidatos a ausentarem-se, eram aqueles que, por direito próprio e por “escala de serviço” tinham essa possibilidade e que os restantes, garantiam o normal funcionamento dos serviços, não se aproveitando por isso, para se “baldarem”.
Lá onde se encontra, que me perdoe e descanse em paz.
Acho que ainda hoje consigo imitar a assinatura do Ten. Serafim dos Santos.

Américo Silva

DISPARO DE ROCKET T6-G


408-Augusto Ferreira
2ºSargº.Mil. Melec/Inst./Av Tete

Coimbra



DISPARO DE ROCKET T6-G
Amigo Victor,
cá estou de regresso ao hangar de manutenção, depois das férias, para fazer qualquer "coisita".
Hoje venho ter contigo, para aproveitar uma das últimas mensagens,que nos enviou o nosso companheiro Américo Silva MARME,que apesar de estar longe, tem estado bastante activo, aqui na nossa linha da frente, o que aplaudo.
"Força Américo".
Tem a ver com aquela, em que relata o disparo do rocket do T6G.
Ora bem, vou falar da minha experiência nestes aviões, quando estive no AB7-Tete em 72/74 nesta área.
Naquela altura, antes dos nossos companheiros MARME, instalarem as bombas ou rockets, fazíamos o ensaio eléctrico dos sistemas de disparo e largada de bombas, ligando os botões laterais, que tinham a respectiva tampa vermelha protectora e pulsando os botões do punho do "manche".
Para efectuarmos estes ensaios na placa, (se bem me lembro), tínhamos que colocar um "shunt", em dois alvéolos, colocados na fuselagem lateral do T6G.
Depois dos testes, tinha que ser retirado.
Só depois da descolagem, é que estes dois pontos, eram fechados automaticamente, por contacto interno no avião.
Era um sistema de segurança, para evitar o accionamento dos dispositivos de disparo, logo que o avião tocasse o solo.
Mas estou aqui hoje e agora, para fazer uma surpresa ao Américo Silva e a todos os nossos companheiros de Armamento da altura, para lhes enviar uma foto,






das caixas de alumínio, que guardei há já 36 anos, aonde vos chegavam as espoletas ou detonadores que depois acoplavam ás bombas.
Lembram-se delas?
Foi dentro destas, que chegaram até aos dias de hoje, não espoletas, mas sim películas enroladas de fotografias a preto e branco que tirei em Tete naqueles tempos.
Espero que se recordem delas.





Segue também uma foto comigo, na linha da frente das DO27 em 1973.
Sem mais por agora, recebe Victor aquele forte abraço, extensivo a toda a rapaziada da nossa Linha da Frente.


Até breve.

Augusto Ferreira

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

MUSEU.

407-Pedro Garcia
Esp.OPC 3ª/69 Angola


Viva Victor
aproveitando o resto das férias fui ontem visitar a exposição de comunicações militares sobre a qual envio as seguintes fotos.
Para os radaristas e mecânicos de radar vai o radar.
Para os MMA's vai o Aloette II.Para os OPC's vão as bancadas de comunicações, teleimpressora e máquina de cripto/cifra que, neste caso, são da marinha.
Tenho estado atento ao que se passa no Blog e sobre os assuntos em suspenso tenho a dizer:Sobre os T-6 na Fortaleza de Luanda, não é de admirar que estejam detiorados.
Também cá foram distribuídos alguns aviões por algumas cidades e eles; salvo algumas excepções acabam por se degradar.
(Veja-se o caso do DC-6 6706 que está em Alverca)Sobre o altar implantado no imbondeiro, tenho passado em revista alguns livros e vídeos sobre Angola e não encontrei ainda o local.
Já vi numa foto essa capela, creio que é no Norte de Angola.
Vou pedir a dois ex-especialistas, da velha guarda, para ver se eles a conseguem situar.



Zé Especial OPC,Pedro Garcia,na bacanda de morse

Radar Altimetrico NA/FPS-6A.
Posição de controlador do Radar Altimétrico NA/FPS-6A instalado em 1961 nas esquadras de radar de Pilar,Montejunto e Serra da Estrela e que se mateve em funcionamento cerca de 30 anos tendo sido substituido no inicio da decada de 90.
Data:Decada de 60
Peça cedida pela FAP


Chave de Morse




Bancada de cripto/sifra



Allouette II






Teleimpressora





Chaves de Morse





Um abraço
Garcia


O DISCURSO QUE VEI DO OUTRO LADO DO MAR PARA O ENCONTRO NACIONAL DA AEFA.

406-Fernando C.Branco
Sargº MMT 2º/69 Moçambique
Terceira-Açores

VB:Quando do Encontro Anual na Ota,o nosso companheiro Fernando C.Branco,
leu uma mensagem,que embora fosse sua,representava todo o núcleo da FAP na
Base Aérea 4,assim como todos os aqueles que representaram aquele ramo das Forças Armadas e que ali se encontram radicados.

Eis o seu discurso:

Obrigado Fernando!

VIDEOS DA GUERRA COLONIAL.

405-Sérgio Azougado
Associação dos Dificientes das Forças Armadas




Boa tarde,
Pode visualizar uma nova secção de vídeos na página de Internet da Associação dos Deficientes das Forças Armadas.
Nesta secção encontra vídeos acerca da Guerra Colonial (1961 / 1975)que seleccionamos colocando-os de forma organizada para facilidade de acesso.
Clique nesta ligação para aceder:http://adfa-portugal.com/pt/index.php?option=com_content&view=category&id=54&Itemid=69
Com os melhores cumprimentos,
Sérgio Azougado
Direcção Nacional
sergio.azougado@adfa-portugal.com

UM ABRAÇO.

404-Carlos Nobrega
Esp.MARME Guiné

Estarreja




Da Esqª/Dirª (?)Américo Silva e Nóbrega





Amigo Victor:
Consegui, no final do mês de Agosto juntar dois especialistas,para mim muito especiais,que não se viam desde 1972.
O Luís Lima,como oportunamente te disse, radicado em França e o Manuel Lourenço de Castelo Branco, tal como eu, MARME.
Como deves calcular, vivemos emoções fortes que fizeram espantar o mais calmo dos "mortais".
Logo que possível enviarei uma foto desse encontro.
Agora outra questão e a propósito de um escrito "Roquete da Confusão"
Américo Silva: Quando vi a tua foto recente,quase me fizeste lembrar o Américo Silva, companheiro de armas da linha da frente, a mesma em que estive de 70/72.
SE tiveres uma foto antiga.......gostava de ver.
Quanto ao "OLHINHOS", lembro-me perfeitamente dele, não me lembrava já do nome Vouga.
Uma passagem idêntica, aconteceu com uma das metralhadoras que equipavam os Fiats e um projéctil fez marca numa parede de um gabinete de um oficial paraquedista mesmo ao nível da cabeça aonde costumava estar sentado.
A sorte foi ser na hora do almoço e não estar ninguém no dito gabinete.
Agora o mais triste e voltando ao "OLHINHOS", tanto quanto julgo saber este nosso grande Amigo, já não faz parte dos presentes, mas sempre dos vivos entre nós.
Que me perdoem se não for assim.
Victor antes de transcreveres alguma coisa,procura confirmar.
Um grande abraço do sempre amigo

Nóbrega


VB:Amigo Nóbrega,é com grande satisfação que recebemos e publicamos a tua missiva neste Blog,pena é que não seja com mais assiduidade,vamos ver se o será a partir de agora.
Aqui tens uma foto onde estás tu e o Américo Silva,do outro companheiro não tenho identificação,foi tirada na Natal 71/72.

Quanto à suposta triste noticia,compreendo a tua interrogação,mas não tenho outra maneira de saber que não seja a de perguntar aos ZÉS através do Blog?!
Oportunamente vou almoçar contigo.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

RECORDAÇÕES DO MARQUES.

403-Manuel Marques
Esp.EABT 1ª/67 Negage
França



No club de especialistas



Na companhia do Olvidio Augusto dos Santos,de quem nunca mais soube nada e gostava de saber.



Negage um grupo de "andorinhas" da EABT





Esta foto custou 5 escudos em Vila Arriaga sul de Angola eu quando entro num pais tenho que ver o que passa e então fiz a viagem Negage Porto Alexandre sul em auto stop dois anos seguidos com um ma.... landro NEQUITA



Manuel Marques


VB:Este nosso companheiro mesmo longe,França,descobriu-nos e quis de imediato vir ao nosso encontro remetendo-nos algumas fotos do seu "álbum".

Obrigado Manuel.




quarta-feira, 3 de setembro de 2008

ATAQUE NOCTURNO.


402-António Damaso

SargºMor Paraquedista (Aposentado)

Odemira









Companheiro Barata


Não me mandaram vir, portanto não obrigados a aturar-me.
Fui eu que por acaso aterrei de para-quedas no vosso Blog.Aí vai a parte (II) da minha segunda comissão na Guiné:Nos dias 17 a 19JUL69, outra vez na zona de Palada concretizamos a operação «Marduque» desta vez só com a CCP123.
De 24 a 30JUL69, operação «Atena», zona de Duas Fontes e Palada, com a participação de 3GC da CCP123, 1GC da CCP 121 e a C. Caç. 2446.
Depois apareceu a minha grande dor de cabeça, que era a Guerra de quadrícula, sempre tive o entendimento de que as tropas especiais, eram para intervenções rápidas, ou não, também para servirem de reserva, mas pelos vistos, a situação não estava para brincadeiras.
Comecei a operação «Nereu» 1.ª fase que foi de 31JUL a 31AGO69nas zonas de Madina do Boé, Dulombi, Bilonco e Madina Xaquili, aturam connosco além da CCP123 a C.caç. 2405 e C. Caç. 2446.
Lembro-me que numa das operações de dois dias, tivemos de atravessar o mesmo rio, quatro vezes seguidas, para não andarmos mais Kms a contorná-lo, chegamos a Galomaro já depois do meio dia mas tínhamos à nossa espera uns franguinhos de churrasco.
A fome era tanta, que nunca mais comi frangos que me soubessem tão bem.
No decorrer deste período, ou não, julgo que a 24JUL69,não posso precisar a data, um dia à tarde chegamos a Dulombi, na altura era uma tabanca com algumas palhotas com abrigos, valas e arame farpado à volta, com uma espécie de portão de entrada na estrada de Galomaro a poente e a sul outro portão que dava para a mata, íamos passar lá a noite e de futuro serviria de acampamento base.
Sempre tive um acordar estremunhado quando estava no primeiro sono, mas naquela noite, quando estava no primeiro sono, fui acordado com um festival de fogo - de -artifício, rebentamentos por todo o lado, balas tracejantes cruzavam o céu, o meu acordar foi igual a outros mas notei que o meu maxilar inferior, teimosamente batia ritmadamente no maxilar superior, durou alguns segundos até me aperceber do que se estava passar, rapidamente cerrei o os dentes e analisei a situação e vi que o ataque não era do nosso lado, mandei cessar o fogo que estava a ser efectuado para o lado do portão sul.
A minha secção estava na parte sul, onde existia o tal portão, as balas tracejantes passavam por cima de nós, apesar de muitos rebentamentos à nossa volta, ninguém foi atingido, liguei o rádio, chamei como não obtive resposta, desliguei, quando estava a preparar-me para dormir novamente, apareceu-me um camarada a saber se estava tudo bem, escandalizado por eu não ter mantido o rádio ligado, nessa altura fiquei a saber que o ataque foi efectuado do arame farpado, à esquerda da entrada e que lamentavelmente, havia a lamentar uma baixa da C. Caç.2446, começara aqui o meu baptismo de fogo a ataques nocturnos.
Também estivemos em Bivaque, em tendas de campanha junto do aquartelamento de Galomaro, depois iniciou-se a operação «Nereu» 2.ª fase de 01SET a 11OUT69, novamente em conjunto com as duas companhias já citadas e nas zonas de Duas Fontes, Cansissé, Contabane e Pelada.
Durante a minha permanência no Gabu, fui duas vezes a Bissau à boleia, uma vez de Heli e outra de Cessna?? dos TAGCV, para tentar resolver problemas de saúde familiar, regressei ambas as vezes em DC 3 Dakota, com o nosso saudoso companheiro Vitorino, meu vizinho na altura, depois da guerra veio a ser vitima de acidente aéreo na Ilha Terceira com um aviocar.
A minha mulher teve malária, teve de ser internada no Hospital Civil em Bissau, depois de curada ficou com os nervos em franja, enfrascava-se em comprimidos e tinham de ser as vizinhas a tomar conta da minha filha de 18 meses, situação que me levou a requerer a passagem ao SG da FAP, tendo a mesma sido indeferida posteriormente.
Findos os três meses, os oficiais e sargentos seguiram rumo a Angola e as praças foram integradas nas Companhias existentes no BCP12, eu fui transferido para a CMI.
Coincidência ou não, baixei a guarda e como resultado, em 14 de Abril fui punido com 5 dias de prisão e em vez de iniciar o cumprimento da pena, fui de imediato transferido para a CCP 121 de que o citado oficial era comandante.
No dia 16 fui a caminho do Guilege que já na altura estava a ferro e fogo, não havia nada para comer a não ser feijão com chouriço, eu andava de diarreia, nem os ataques com morteiros 120 me tiravam das latrinas, quando saia para o mato levava o tempo de" calças na mão".
A fome era de tal ordem que os cães na tabanca começaram a desaparecer, uma hiena que caiu numa armadilha foi comida e até os abutres, diziam os rapazes que de vinho e alhos, eram um pitéu, quem lá esteve nesta data sabe que isto não é invenção.
Neste período tomei parte nas seguintes operações:Operação «Lobo Verde» de 20 a 30ABR70 na zona Guileje e Gadamael Porto também tomaram parte a C. Caç. 2617 e C. Art. .
Operação «Lacrau Verde», 29ABR70, no Corredor do Guileje, juntamente com uma equipa de sapadores do B. de Art. 2866, nesta operação fomos ao local onde o in tinha ido com uma viatura carregada de granadas que despejou sobre o aquartelamento, seguidamente fomos ao Corredor colocar minas anti-carro.
Operação «Leão Verde» 30ABR70, no Cantahez, fomos até Gadamael Porto de viaturas e depois de Heli-assalto, não houve contacto, destruímos acampamentos.
Muito tempo depois, vim a saber que aquela minha ida repentina para o Guileje tinha sido um teste porque a vontade de alguém, era correr comigo para o Exército, destino que muitos camaradas tiveram.
Iniciei em 2 de Maio o cumprimento da pena e fiquei a aguardar transferência por motivos disciplinares para o BCP32 em Nacala tendo começado por me desfazer do calhambeque que tinha comprado na sucata e de dois fiz um, um Peugeot 203, com motor de 403, que bastante trabalho me tinha dado a recuperar, vendi então a viatura e algumas peças de mobiliário a um Sr. Tenente Especialista da FA que tinha acabado de chegar à Província e ficou com a casa onde eu morava, claro que exigi o pagamento em escudos em vez de "Pesos".

MEMÓRIAS DA GUINÉ VI.


400-Fabricio Marcelino
Esp.MMA 1960 Guiné
Leiria



VB:Companheiros,esta mensagem já nos chegou à cerca de um mês.
Por grandes dificuldades em colocar as fotos referenciadas pelo Fabricio no Blog,visto o ficheiro em que nos enviou não de conseguir abrir,solicitamos por duas vezes ao mesmo que nos enviasse noutro formato.Não obtivemos resposta!
Assim sendo,e depois da insistência do nosso grande Fabricio,resolvemos editar a "estória" integralmente mas sem as fotos por ele referenciadas.
Aguardamos que o nosso companheiro as faça chegar junto a nós noutro formato.
As nossas desculpas.


Como já disse noutras memórias,o nosso comandante, da 7ª missão do destacamento 52 do F-86 à Guiné,foi o então Cap.Pilav.José de Almeida Brito.
Pessoa muito estimada, por ser muito humano, respeitador e, como tal, também muito respeitado por nós,nessa altura.
Surpreendeu-nos no entanto a sua atitude que a seguir descrevo.
Na noite de ano-novo de 1962/63,resolveu fazer uma surpresa a todo o pessoal do destacamento 52, dando um jantar num restaurante de Bissau.
O jantar não podia correr melhor.
Boa comida e bem regada, com néctares de qualidade elevada para a época de guerra!
Findo o mesmo, houveram discursos de circunstância, alguns elogios e muitos exageros na bebida!
Por volta da 1 hora da manhã e, para surpresa nossa,o Cap. Brito, já 'atingido' com um copo na asa, ordenou que cada um trouxesse um garrafa vazia e nos formássemos (todos à civil) na rua.
Foi ele a comandar a coluna, rua abaixo, até à estátua (salvo erro) de Álvaro Fernandes (que descobriu a Guiné em 1446).
Uma vez lá chegados, mandou voltar a coluna para a estátua e começou a discursar, dizendo mais ou menos isto:'
Tu meu malandro,porque descobriste a Guiné?
Tu meu malandro porque não descobriste antes olhas paradisíacas?
És o culpado de nós estarmos hoje aqui, longe dos nossos.(etc.etc).
Mas para te demonstrarmos o nosso desprezo vamos todos atirar-te com garrafas'.
Depois de acabar com o discurso voltou-se para nós e disse: atenção 1-2-3 atirar!
Quase todos atiraram em simultâneo as mesmas, mas alguns colegas mais radicais, subiram a estátua e partiram as garrafas directamente no nariz do pobre coitado que estava inerte!
Como verificaram ficou um monte de vidros junto da referida estátua!
O pior estava para acontecer!
Chegaram entretanto alguns inspectores da P.I.D.E.(só o pronunciar da sigla fazia tremer), que nos queriam prender a todos!
Só não aconteceu por interferência das nossas chefias, entretanto contactadas.
Embora ficássemos admirados com a atitude do Cap. Almeida Brito, para nós, ele continuou a ser admirado como até ali.
Foi um dia de 'guerra' diferente e, este episódio, ajudou a esquecer a saudade da distância da família e de toda a situação do momento, porque depois foi motivo para nos rirmos descontraidamente durante muito tempo!
Deste jantar anexo algumas fotos, que são relíquias com 46 anos!
Numa delas está em grande plano o Cap. Brito abraçado a uma senhora de cor e o nosso colega Nogueira.
Para além do valor sentimental, mostra as caras dos meninos 'aviadores' em 1962!
Muitos dos colegas aqui presentes nunca mais os vi.
Será que algum se reconhece?
Finalmente e a título informativo, para os colegas que desconhecem, o então Cap.Pilav.Almeida Brito,foi abatido em 1973 na Guiné, aos comandos do Fiat - G91, como Ten. Cor.e o seu corpo só foi encontrado muitos anos depois e, reconhecido apenas pela sua aliança de casamento!
Mais uma vez peço, Paz à sua Alma.
Fabrício Marcelino
ex-Cabo Espª MMA /60

O ROQUETE DA CONFUSÃO.




399-Américo Silva
Esp.MARME 1ª/69 Guiné

Angola




O ROQUETE DA CONFUSÃO.

Nos tempos em que pertencia a uma das equipas da linha da frente, recordo-me dum episódio trágico-cómico que certa vez se passou, precisamente na placa junto aos “T6”, mesmo em frente do hangar dos Fiats.
Era de manhã cedo e a equipa de Armamento de serviço, preparava uma parelha de “T6” com ninhos de lança-roquetes, para mais uma saída destas aeronaves.



O trabalho era rotineiro, tantas vezes era efectuado aquele tipo de trabalho.
Consistia em colocar os lança-roquetes, de 37mm se a memória não me falha..., um em cada asa, proceder à sua fixação, apertando os 4 parafusos de ajuste e finalmente testar o sistema eléctrico que faria accionar o disparo dos referidos roquetes.
Os contactos eléctricos existiam, um na parte da frente ( 1 ficha de contacto) e outro na traseira, 2 fichas de contacto.
Para realizar o referido teste, um dos mecânicos “saltava” para dentro do cockpit, ligava a bateria do avião, seleccionava os roquetes em posição tiro-a-tiro ou salva e dava ao gatilho, não sem antes confirmar se os contactos traseiros do lança-roquetes estavam desligados (retirados) e por questões de bom senso e segurança, fazia o teste na posição de tiro-a-tiro.
Calhou ser eu a “saltar” para dentro do cockpit enquanto o meu camarada Vouga que era de Sintra e tinha a alcunha do “olhinhos”, ia ajustando os ditos parafusos de fixação.
A posição do Vouga enquanto apertava era precisamente com a barriga encostada à frente do lança-roquetes completamente descontraído.
Já sentado na cadeira do piloto, ligo a bateria, selecciono o lança-roquetes, posição de tiro-a-tiro e pergunto se está tudo ok ?
A resposta saiu afirmativa e antes de premir o gatilho, olhei uma vez mais para fora do avião e ao reparar que o Vouga se mantinha na mesma posição, gritei para ele, aconselhando-o a colocar-se de lado, não fosse o Diabo tecê-las...
O Vouga obedecendo à minha indicação, desviou-se para o lado, percebendo também que as boas normas de segurança assim obrigavam e então sim, premi o gatilho.
De imediato ouviu-se um estrondo... PUUMM...
O Vouga olhava para mim, não com os “olhinhos” mas com uns autênticos “faróis”..., branco, amarelo...tremendo, entretanto o pessoal que se encontrava junto da entrada do hangar, bebendo e comendo, ali junto ao bar improvisado, fugiam uns para cada lado, pensando talvez que seria um ataque do PAIGC e eu, fiquei como que bloqueado, pensando apenas no que tinha sido feito de errado?
O roquete disparado (felizmente que foi tiro-a-tiro, imagine-se se fosse “salva”...), devido à inclinação do T6 estacionado na placa, entrou pelo hangar dentro e saiu pelo telhado, indo parar lá para os lados dos pavilhões-dormitório do pessoal.
Agora teríamos que verificar qual o motivo da saída do roquete, sem demora pois o tenente Serafim dos Santos não iria demorar.
A origem do problema foi rapidamente detectada. Alguém se havia esquecido de desligar os contactos traseiros, pois os dianteiros, esses ficavam sempre ligados para se ouvi o ruído do motor no interior do lança-roquetes.
O erro estava assim identificado. Tinha havido falha humana e isso naqueles tempos e naquelas situações não era passível de desculpa.
Rapidamente se desligaram os ditos contactos, todos fizeram “cara de inocente”... e aguardou-se pelos momentos seguintes.A unidade entre o pessoal resultou em pleno, não se chegando nunca a saber oficialmente qual a verdadeira origem da anomalia, tendo os mais “esclarecidos”
opinado: - provavelmente foi devido à elevada percentagem de humidade do ar (o maldito cacimbo...), que provocou o acidente.
E assim foi lavrado o auto da ocorrência pelo ten. Serafim dos Santos, sem que alguém tivesse sido punido.
Felizmente que apenas houve danos materiais e uns bons sustos do pessoal.
Algum tempo depois, já na Metrópole, em 1974, vim a encontrar-me novamente com o já Capitão Serafim dos Santos no C.T.A. (Campo de Tiro de Alcochete).
Como velhos amigos e camaradas de profissão, nos finais da tarde, costumávamos beber umas cervejas e conversar, recordando o nosso tempo da Guiné.
Numa dessas conversas contei-lhe o sucedido.
Ele, depois de ter engolido em seco..., olhou para mim e com um leve sorriso, disse:
- ahh seus malandros!
É claro que ambos rimos e continuámos amigos como sempre.




Américo Silva



VB: É verdade,Américo lembro-me perfeitamente desse episódio só não sabia é um dos protagonistas do filme eras tu.
O bar a que te referes era o Sargº dos Fiat's,ganhou uma fortuna com aquele negócio dentro do hangar.

O RUI JÁ REGRESSOU DE FÉRIAS.







398-Rui Elvas

1º Cabo PA

Lisboa












Boa noite Camarada Victor,



Cada dia, gosto mais de ler, as crónicas que publicas no teu cantinho, são testemunhos tão intensos que levam a minha mente, grande parte das vezes, para o centro da histórias.
Um abraço enorme e parabéns pelo teu fantástico Blog.

Rui Elvas-ANPA


VB: As férias até quando acabam são boas,trazem-nos os amigos!
Foi o que aconteceu com o Rui,regressou de férias,estás melhor que eu,ainda não soube o que isso era.
Pois bem Rui.está na hora de descarregar conteúdo para o NOSSO blog!?...
Ainda não entendi porque dizes que o Blog é meu?!

JÁ COMECEI A PAGAR...



397-Fernando C.Branco
1ºSargºMMT 2ª/69 Moçambique
Terceira-Açores



AMIGO Victor.


Como é meu dever; começo por te dar um abraço, com muita saudade e Amizade.
“Para ficares descansado”, já comecei a pagar as minhas dividas de cigarros do Saudoso Encontro, no dia 6 de Junho deste Santo ano, na nossa Base “ mãe”, OTA.
O Nosso Salvador,(PA), mas com espírito de Zé Especial, apareceu por estas bandas, porque tem cá uma filha e pelos vistos ,como a minha MARTA, também vai ficar por cá, uns por aí outros por cá…Quando o “nosso” Zé PA chegou cá, e isto já lá vão uns dias, teve a “preocupação” de me ligar, fiquei “preocupado” pensando que não tinha dinheiro para comprar um maço de cigarros, mas, felizmente, tinha…quando nos encontramos, depois de termos dado o merecido abraço, virei-me para Ele e disse-lhe:Salvador, tens aqui um maço de cigarros para pagar os poucos que te cravei no Encontro, os que vão a mais, são os juros…
Ele com a sua humildade de Beirão, recebeu e os seus olhos brilharam...
Achei por bem, que não me devia esquecer dos juros, proporcionei-lhe uma visita á Base, com a Digníssima colaboração da Esquadra da Policia Aérea no Posto 1 da BA4,para Ele, ver e conhecer o Local (Base), aonde muitos PA,s, fazem serviço.
Ficou encantado assim como a Simpática Esposa e Sua Filha.
Proporcionei-lhes uma visita como a Ti acerca de um ano com muito gosto o fiz, também voltamos a almoçar no Clube de Sargentos, não foram lulas, mas sim frango assado, em maior quantidade daqueles que comíamos quando era dia de Juramento na OTA…
Também tiramos fotos, que eu anexo.
Pois AMIGO, aquela Tua expressão de: “Fernando não tiveste vergonha”, já começa a ficar aliviada?!...
Voltando ao Nosso Salvador, nesta curta e rápida passagem por esta Ilha de Jesus, estivemos juntos algumas vezes e Segunda-feira; lá terei com Saudade e Amizade, dar-lhe o abraço de despedida, fica somente o MAR a separar-nos…
Quase que me atreveria de dizer, que Ele, passou por tudo aonde Tu acerca de um ano passaste, incluindo hoje, uma tourada na Freguesia aonde Tu o ano passaste estiveste, não fui, porque estava a chuviscar e tinha que recuperar para agora á noite, com o MAR pelas costas e com o sossego natural destas Ilhas estar a escrever-te…
Um abraço e tudo BOM, para Ti.

Fernando Castelo Branco






Chegada ao Aeroporto da Terceira para a partida.





Entrada para o autocarro de transporte até ao avião.




VB: Olá Fernando,é sempre uma alegria para quem estás nas Ilhas receber um amigo não só do Continente,mas também velho companheiro das lides militares.
No entanto não deixa de ser também motivo de satisfação para quem daqui parte e reencontra a reciprocidade de um encontro deste tipo.
Certamente que o Salvador veio satisfeito não só com as férias que ai passou,como com a tua receptividade que tão bem sabes por em pratica.