quinta-feira, 20 de novembro de 2008

568 ATAQUE A BISSALANCA BA12.






Victor Oliveira

Esp.Melec/Inst./Av. 1ª/66 Guiné

Caneças



VB: Hoje mesmo falei com este nosso companheiro que estava um pouco surpreso pelo facto de nos ter enviando à algum tempo as notícias que a seguir transcrevemos e não as publicar-mos.
Tive então oportunidade de lhe dizer que não é normal isso acontecer.
Todos os email's que nos enviarem,desde que respeitem as regras do Blog,são integralmente publicadas,estas não o foram porque na realidade não nos chegaram.
Tudo esclarecido como bons Zés Especiais,e aqui estão as "desertoras".



Primeira:


Amigo Victor, como sabes sou periquito nestas coisa da internet.
Ao pesquisar na mesma descobri um blogue do Batalhão de Artilharia 1914 em Tite,estava uma mensagem sobre Bissalanca e qual é meu espanto com a noticia do ataque: abatidos aviões,instalações,viaturas,etc,etc,a base quase que tinha desaparecido.
Era um blogue de uma Alcinda Leal, como é possível tamanha ALDRABICE,como é possível estas noticias.
Enviei uma mensagem a explicar o que aconteceu já que eu estava lá.
As morteiradas que caíram foi uma junto de umas tendas nos pára-quedistas onde estavam uns negros a tirar recruta,a outra caiu no telheiro á entrada da central eléctrica que era de chapas de zinco e do qual tenho um bocado como recordação.
Nenhum avião foi atingido,nem instalações,houve colegas feridos porque as valetas estavam cheias de vidros das cervejas (Bazukas) e isto aconteceu perto da meia noite quando chegou o autocarro de Bissau.
Um abraço e desculpa lá se estou a dar-te muito trabalho.








Segunda:







Gostava de perguntar ao José Monteiro se ele esteve mesmo em Bissalanca porque as coisas que diz não se entende.
O piloto Jorge Félix já lhe respondeu a algumas,mas eu quero que me diga quantos especialistas foram evacuados para a Metrópole com problemas de fígado devido a beberem cerveja para matara fome?
Até Abril de 69 não houve nenhum.
Enquanto lá estive fizemos três levantamentos de rancho,numa delas começamos a ter dois pratos o oficial da messe era um Tenente MMT.
Houve um levantamento ao jantar em que o Tenente Coronel Diogo Neto foi buscar ostras para comermos.
Como já sabes o meu grande amigo Honório (Jubidé) nunca pilotou Hélis o piloto que mais voava com o Spinola era o falecido Capº Rodrigues.

Um abraço

Victor Oliveira

567 HOMENAGEM AO NOSSO COLEGA SUGADO PELO F-86F Nº5361.


Fabrico Marcelino
Esp.MMA 1960 Guiné
Leiria
Caro colega Victor,
não quero deixar de dar o meu contributo, com a quadra que se segue,se achares que tem aceitação, para perpetuar a memória do nosso colega que
foi sugado pelo mesmo.
Como todos os colegas
Seu sonho era a aviação
Mas quis o eterno destino
Que morresse neste avião.
Paz à sua alma
Fabrício Marcelino
ex-1º Cabo M.M.A.
VB.Sin senhor,Companheiro Marcelino,é uma hipótese a considerar e colocar à discussão dos nossos Companheiros Zés para que se pronunciem sobre o assunto.
A partir de agora vamos aguardar as opiniões dos nossos Companheiros.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

566 "GUINÉ EM TEMPO DE GUERRA"

Henrique Cabral
Fur.Mil. C.Caç. 1420 Guiné
Queluz








AGRADECIMENTO


Camaradas e Amigos,
Faz hoje um ano que "lancei para o espaço" a primeira parte de um projecto a que chamei "Guiné Em Tempo De Guerra"; estava eu, então, longe de prever a sua tão grande aceitação por parte dos internautas, tendo já ultrapassado os 10.300 visitantes.
Essa primeira parte - ENTRE FOGO CRUZADO - é dedicada à vida e costumes das suas gentes. Nela transmito aquilo que me foi dado observar, tentando chegar o mais próximo possível ao seu dia a dia, de uma vida tão difícil quanto a nossa, mas da qual a maioria de nós nem tinha tempo para ver, quanto mais pensar nisso.
Sendo a nossa vida feita dentro do aquartelamento ou no mato, em guerra, o contacto com a população, para a grande maioria, restringia-se à nossa "bajuda" lavadeira - tendo em conta os muitos condicionalismos a que estávamos sujeitos e apesar da curiosidade que naturalmente tivéssemos.
Considero-me, portanto, um privilegiado e com a dupla "obrigação", ora de partilhar aquilo que muitos gostariam de ter conhecido além da guerra, ora de render tributo a todos aqueles não tinham voz naquele tempo e por lá ficaram esquecidos.
Relativamente à segunda parte - RUMO A FULACUNDA - é um desfilar de imagens dos lugares por onde passei e muitos de vós também. É um desfilar de recordações.
Quero hoje agradecer a todos os que "responderam à chamada" – e foram muitos - enviando fotos, fazendo comentários, endereçando emails a enaltecer, colocando links ou simplesmente fazendo a visita.
O vosso contributo tem sido importantíssimo e é uma forma de fazer eco das nossas vivências e contribuir para a História que um dia há-de ser feita.

Bem hajam
Henrique Cabral

Queluz, 18 de Novembro de 2008


VB. Henrique queremos agradecer-te o contributo que tens dado, através dos Blog's,para que possamos ir recordando,algumas vezes com alguma emoção,esses tempos passados pelas terras da Guiné.
São estes espaços que fazem parte da história da nossa vida.
Bem hajas Grande Companheiro!
Victor Barata

terça-feira, 18 de novembro de 2008

565 CACIMBADOS-A vida por um fio.

Manuel Bastos
Fur.Mil. OP.Esp.(Exército) Mueda DFA

Autor do Livro "CACIMBADOS - A vida por um fio"
Coimbra



Momento em que o Manuel Bastos ladeado pelos representantes da editora apresentava a sua obra.



Apresentação de Cacimbados

Este livro que agora vos apresentamos, este pequeno livro, precisou de muita coisa para ser feito. Precisou de uma guerra, de uma revolução para terminar a guerra, precisou de mortos, feridos e traumatizados. Precisou de cerca de um milhão de portugueses em armas, o que fez de Portugal um dos países mais belicistas do mundo, provavelmente logo a seguir a Israel. Alguns desses ex-combatentes encontram-se aqui, os meus companheiros da mata e das picadas de Mueda. Eles são os protagonistas deste livro, às vezes com os seus nomes verdadeiros, às vezes com nomes fictícios. Sem eles este livro não teria sido feito.
Este livro não existiria se não tivesse existido, também, uma primeira leitora, a mulher de todos os meus dias, aquela que primeiro me disse: "Estas palavras merecem ser publicadas." Alguém que possui o dom especial e muito raro de conseguir ver beleza nas coisas que os outros fazem, o que é uma forma de generosidade. Na verdade, para encontrarmos beleza no mundo, temos que possuir beleza dentro de nós. Também como ela, a Inês Campos tem esse dom. Encontrou as minhas palavras na Internet e transformou-as numa obra literária. É a ela também que se deve este livro.
É evidente que depois precisamos de pessoas que consigam concretizar o sonho que as palavras transportam, para isso precisamos de um editor – que pertence àquele grupo de pessoas sem as quais, tudo o que nós conhecemos, automóveis, computadores, catedrais, ou livros, nunca existiriam, eles é que concretizam os sonhos alheios; é também uma forma de generosidade – sem ele também, este livro não existiria.
Mas este livro que usa as minhas palavras…Ou melhor: as palavras que eu utilizo, as palavras não são minhas, as palavras não têm dono. Eu imagino-me como um simples apanhador de palavras, eu apanho-as por aí e depois tento, como neste livro tentei, espero que encontrem isso; tento desenhar a impossível forma dos sentimentos e dos afectos. Gosto de me imaginar como uma criança que apanha conchas à beira mar e com elas faz construções na areia, ou como uma velha senhora que apanha rosas no seu jardim e faz centros de mesa, ou… talvez melhor ainda um camponês que apanha seixos no seu quintal para limpar o terreno e para enfeitar a beira do caminho. É isso só que eu sou, um apanhador de palavras, por isso é preciso que haja pessoas assim, que descubram beleza nessas palavras.
Mas este livro não está completo, é um objecto físico só. Precisa de um leitor, é por isso que vocês, e eu vos lanço este apelo: alguns já o adquiriram; que o divulguem. Sem um leitor não há livro nenhum, nem há autor, só os leitores farão de mim um escritor, ainda não sou um escritor. Quando vocês lerem, quando alguém ler e convencerem o meu editor que talvez valha a pena editar mais algum. É preciso lerem este, foi para isso que os chamámos aqui, e para o divulgarem na medida que vos for possível.
Mas este livro não tem interesse nenhum se não tiver ao menos um ensinamento, por modesto que seja, e eu quero acreditar que tem. Este livro pode servir de alguma forma para que os nossos filhos arranjem uma maneira qualquer para evitar que os nossos netos vão para a guerra. Porque a guerra só tem uma virtude, só uma: a guerra pode ser evitada.


VB. O autor desta obra,Manuel Bastos,não a redigiu no intuito de recolher protagonismo,como muita gente neste universo em que agora todos são democratas o procura,mas sim com a sua humildade e sensibilidade de um homem que foi empurrado para o local onde a sua sua sociedade diária era a GUERRA!
Eu aconselhava muitos dos nossos actuais,e são muitos,escritores de histórias da Guerra Colonial a lerem este simples mas significativo exemplar,que conta os verdadeiros momentos da vida de um Furriel Mil.que a Guerra marcou para toda a vida.

Obrigado MANUEL pela tua humildade.

564 A VIDA TEM UM FIM.


Fernando Castelo Branco
1ºSargºMMT 2ª/69 Moçambique
Terceira-Açores
AMIGO VICTOR
A VIDA, tem um FIM, mas antes de “partir”(não sei quando), queria AGRADECER-TE com LETRAS GRANDES; pelo TRABALHO que te temos dado, incluindo eu, “mas foste TU o culpado”, como há dias o Nosso SÔUUSA dizia, antes do NATAL(em que toda a gente fala de Bem)íamos ter sessenta mil visitantes, o NATAL vem,… mas para TI GRANDE AMIGO, NATAL para TI é todos os dias com o Nosso Carinho, E AMIZADE nem que várias vezes “ a gente” repita a Visita para “ver” a TUA SOMBRA!?…
Sempre que falarem no meu nome, fico BASTANTE AGRADECIDO, mas o Espírito,” sem mágoas”, será a NOSSA Mocidade passada;…estará sempre a TUA PESSOA, que por estas Ilhas de Jesus e com estas novas tecnologias, sem ser o “Magalhães” que queria oferecer ao Pedro??; nos “redescobriu e aproximou”, se fosse noutro tempo, com este “paleio”, talvez ganhasse alguma coisa??
O que quero ganhar é a TUA AMIZADE, que já mostraste ter e talvez um DIA te agradeça???Fernando Castelo Branco
VB: Amigo Fernando,as tuas palavras sensibilizam-me,não precisas,nem tens,nada que me agradecer,a amizade quando pura e honesta como é a nossa,não dá lugar a outra situações.
Obrigado por seres meu AMIGO!

563 O CONTACTO DO CARLOS ROBALO

Délio Prospero
Esp.Melec/Av./Inst. Guiné



Caro amigo Victor,
Cá estou eu uma vez mais de visita ao nosso passado, e quem venho cá encontrar, o Carlos Robalo, aquele maluco.
Concordo que se mantenha o logótipo do blogue.
O acidente em Monte Real com o nosso camarada, deu-se poucos dias após eu ter chegado da Ota, mas também não me lembro do seu nome.
A minha opinião é que se mantenha tal como está, mas com uma frase alusiva à razão da sua presença como homenagem ao nosso camarada ZÉ ESPECIAL.
Se me permites e sem querer levantar polémica, uma vez que já foi decidido que se mantêm o logótipo, lançávamos aqui um desafio “à Linha da Frente”, para a melhor frase de uma não menor homenagem.
Desta feita, quero pedir-te um favor, gostava muito de ver esse maluco, do Carlos Robalo, certamente que ele se lembrará de mim, pois deixo aqui o meu contacto para que ele me ligue ou escreva para o meu e-mail, ou ainda se puderes disponibilizar o e-mail dele, agradecia-te.
Assim como à anos que procuro um grande companheiro e amigo, de nome Raul Manuel de Castro Sousa e Remelgado, estivemos juntos em Paço de Arcos, ele seguiu para S. Jacinto para centrais e eu para a Ota para instrumentos de avião.
Imagino que recebas mails destes todos os dias. Mas mesmo calculando isso não resisto à tentação de perguntar por ele sempre que posso.
Para ti amigo Victor e para toda a Linha da Frente Um grande
Bem haja.
Délio Próspero

VB: Pois bem,vamos deixar no ar esta sugestão do Próspero em relação "possível" frase a inserir no nosso logótipo.
Em relação ao apelo que nos faz,queiram fazer o favor de colaborarem.

562 HISTÓRIAS E IMAGENS DO AB3,NEGAGE.


Carlos José Santos
Esp.Fap Negage
Caro Victor Barata
Aqui envio algumas fotos da minha passagem pelo AB3, e uma do AM32- TOTO onde estou com o nosso Mascote, o ÓSCAR, que segundo se dizia era filho de um antigo PA, que veio embora e deixou lá o rebento.
Para os meus ex-camaradas do Negage, eu fui o baterista dos GÉNIOS do AB3, no período 1968/1970, salvo nos períodos em que estive em destacamento, em Maquela e no Toto.
Os meus companheiros da Música mais assíduos, o JAIME PEREIRA, baixista (Mec.Radar) o DIAS, teclas (abastecimentos) eu CARLOS SANTOS, baterista (op. comunicações- ECTA), e a estrela da banda o Sargento CARLOS VELEZ, viola (circulação Aérea), também tocaram comigo nos GÉNIOS, o JOSÉ CARLOS APLETON THEMUDO BARATA, viola e vocalista, (Electricista), COSTA, baixo (MMA).
Quando chegámos ao Negage, eu e o Carlos Velez, os dois no mesmo dia de Janeiro de 1968, o Carlos Velez absolutamente identificado, com a sua caixa de guitarra na mão (eram inseparáveis), OS GÉNIOS do AB3, já tinham feito actuações com outras formações, e quando lá chegámos havia um grupo onde sobressaía o ZÉ THEMUDO, e por coincidência alguns elementos já estavam em fim de comissão, nós assentámos que nem uma luva, e fomos mesmo reforços.
Eu como baterista dos DIAMANTES NEGROS (Sintra) levava bastante rodagem, e o Velez nem se fala, porque era um músico com todas as letras, e felizmente ainda é, porque ainda toca para quem o quiser ouvir e ver, porque já o tenho visto muitas vezes na televisão a acompanhar os mais diversos artistas.
Também envio uma foto que assinala o espectáculo do conjunto académico João Paulo, (no Ginásio do AB3)que como sabemos naquele tempo a maneira que arranjaram para não matar o grupo foi entrarem todos para a tropa e fazerem espectáculos para os soldados que estavam em comissão no Ultramar.
Os Génios associaram-se a essa festa realizada na "nossa casa".
A todos os especialistas presentes no almoço anual, este ano em Coimbra e que não tive a oportunidade de estar presente, vão os meus cumprimentos, e que haja a possibilidade de todos nos encontrarmos com saúde no local combinado.
Abraço
Carlos José Santos






No Toto com o Óscar,a nossa mascote



Passagem de Ano 68/69,Clube de Sargentos do AB3,Negage.





Aspecto do refeitório da AB 3.



Sardinhada na Base,véspera de Stº.António.



Negage 1969



O melhor baterista do norte de Angola.



8.2.68,2ªfeira.Ginásio do Ab3,Conjuntos João Paulo e Os Génios.


VB: Pois sejas bem-vindo a este espaço onde todos nós da FAP,e não só,temos marcado um encontro para nos reencontrar-mos e contar as nossas peripécias vividas em África.





domingo, 16 de novembro de 2008

561 APRESENTAÇÃO DO "CACIMBADOS-A VIDA POR UM FIO"





Drª.Inês Campos


-Jornalista
-Mestre em Relações
Internacionais.
-Responsável pela edição
da obra.












“CACIMBADOS: A vida por um fio”


Relato autobiográfico de um miliciano da CART, em Moçambique na Guerra Colonial

O livro Cacimbados: A vida por um fio, de Manuel Correia Bastos foi lançado pela editora Babel dia 15 de Novembro. Através de uma prosa cativante, onde o humor e a tragédia se cruzam espontaneamente, os Cacimbados transportam-nos 35 anos atrás para a realidade brutal de luta e sobrevivência de milhares portugueses a combater na Guerra Colonial.
Como refere o autor na introdução “este Portugal com dez milhões de habitantes fez um esforço de guerra em África nove vezes superior ao que os Estados Unidos fizeram no Vietname, com os seus duzentos e cinquenta milhões.”
Narrando alguns episódios de guerra e da vida da sua Companhia posicionada em Mueda, Manuel Bastos reconstrói um tempo e um espaço carregados de acção, que nos prende desde a primeira linha até ao desfecho final. Com as suas palavras permite-nos testemunhar acontecimentos reais que, tendo ocorrido não há muito tempo atrás, pertencem a um momento histórico quase desconhecido das novas gerações. A obra afirma-se por isso contra uma História que tende a esquecer os 13 anos em que a Guerra se entrosou nas vidas de jovens homens e mulheres, e cujas consequências pairam sobre o Portugal pós 25 de Abril, de um modo circunspecto mas tremendamente poderoso.
Com uma expressividade minuciosa, o autor vai ao encontro do pormenor para transformá-lo num mundo gigantesco de significados, sentimentos e reflexões filosóficas. A história da experiência da Guerra chega-nos através de um soldado capaz de se abstrair dos acontecimentos em curso, da urgência de cada instante, debaixo do fogo ou em campos minados, para ponderar sobre aquilo que o rodeia. Reflecte sobre os outros, camaradas e inimigos, sobre a vida na selva africana, mas sobretudo sobre a condição humana quando se é atirado para o metal e o fogo, que matam sem consciência.
A força repressiva que se impusera aos soldados recrutados, e a ausência do direito de liberdade de escolha, é um facto expresso pelo autor logo nos primeiros textos, quando relata a viagem no navio Niassa, de Lisboa a Moçambique:
“Útil também é avisar a quem isso interessar, que um cidadão que se entrega aos desvelos de uma instituição militar de um país governado por uma minoria de tiranos sem escrúpulos, tem que estar preparado para não poder recorrer às leis que protegem os animais quando são transportados. Digo isto, porque estou certo que se a GNR multou um vizinho meu por transportar mais porcos do que a carga permitida para o seu camião, decerto não deixaria sair o Niassa do Cais de Alcântara.”
Quando os soldados são transportados para a Guerra em África e os motores do navio Niassa param, Manuel recorda-se por momentos que realmente ninguém faz a pergunta mais óbvia: Porquê?
Na época da Guerra Colonial era uma verdade inquestionável para todos esses homens que uma data de terras no continente africano faziam parte de Portugal. Moçambique, Angola, Guiné, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde eram terras portuguesas, não eram nações distantes do lado de lá do equador.
Nessas terras portuguesas viviam milhares de Portugueses iguais aos que viviam nas suas aldeias, vilas ou cidades europeias. Nessas terras encontravam-se milhares de pessoas que falavam português, que possuíam cidadania portuguesa, e que nunca tinham sequer conhecido a metrópole. Assim via o mundo uma geração inteira de jovens homens e mulheres.
No entanto, mesmo em 1973, do lado de lá do equador, o soldado Bastos começa a questionar a sua relação de pertença com aquelas terras que lhe cabe defender:
“Deito-me de costas no chão a ver subir o fumo do cigarro e sinto a grande bola do mundo debaixo de mim. Lembro-me de que todas as pessoas que amo estão ao contrário do outro lado, vivendo as suas vidas, e lá estão também as pessoas que odeio. Deste lado, no chão está um grupo silencioso de fantasmas preparando-se para passar a noite. Ficámos do lado errado do equador, as estrelas que nos cobrem não nos conhecem, e a lua, complacente, ilumina-nos apenas o suficiente para tomarmos consciência da nossa pequenez em confronto com a monumentalidade da vegetação.”
Existia um Portugal grande, com fronteiras delineadas de África à Ásia chinesa, indiana, timorense...Um Portugal pobre, mas gigante. Um Portugal que lhes exigia o pagamento de uma dívida que eles nem sabiam que tinham contraído: a divida da cidadania, a impossibilidade de escolher entre ir ou não ir combater pelas fronteiras dilatadas de um império gigantesco.
A sensibilidade do autor permite fazer chegar até nós uma descrição verídica de factos e acontecimentos, assumindo de certo modo o papel de um repórter de guerra. Mas é também uma reflexão profunda, de carácter filosófico e antropológico, sobre o que significa a guerra para um soldado, e ainda mais para um que deixou em Moçambique uma parte física de si e prosseguiu com coragem, a reconstruir a sua vida no novo Portugal que emergia.
Manuel Bastos revela um discernimento capaz de reflectir sobre a sua grande perda: o seu próprio desmembramento numa selva minada. Os textos finais arrastam-nos com imagens poderosas que nos unem à mente do autor, absorvidos pela sua narração dos minutos, dos sentimentos, da dor e do medo atroz e insuperável ao cair numa mina, que lhe desfaz a perna direita.
Não existe nada mais que a verdade nas palavras de Bastos, a vida pura e sentida no campo de batalha e a interpretação filosófica de um homem capaz de injectar novos sentidos às realidades mais difíceis de aceitar. Um homem que vive com a coragem de quem dá pleno valor à vida e à integridade da condição humana, e que acima de tudo conhece a obscenidade de todas as guerras. A guerra é para Manuel “obscena” e só deve suscitar em nós um propósito: evitá-la.
Quando lerem o livro, recomendo uma atenção especial às fotografias originais que foram incluídas. Cabia a Manuel a tarefa de fotografar as operações da sua Companhia e o autor provou ser um excelente fotógrafo. As suas imagens falam tanto como as palavras, transportam-nos para a selva africana e para episódios da guerra de guerrilha com uma veracidade documental.
Acredito que este livro será igualmente um relato valioso para qualquer historiador da Guerra Colonial, redigido em primeira mão por quem viveu a história e foi tremendamente marcado por ela.
Por todas estas razões e pelo simples facto de que ler esta obra é ser tocado por uma prosa muito especial, quase poética, ainda que documental, fico muito feliz pela aposta da Editora Babel nos Cacimbados, e acima de tudo muito feliz por ter tido o prazer de conhecer a obra e a pessoa de Manuel Bastos.
Deixo-vos com votos de uma boa leitura.

560 HISTÓRIAS DO HONÓRIO


Victor Oliveira
Esp.Melec/Inst/Av 1ª/66 Guiné
Caneças
Amigo Victor.
Esta mostra a amizade que existia na Força Aérea.
Um dia fomos a Buba evacuar um soldado e, no regresso a Tite, um alferes que também estava doente.
Antes de aterrar em Buba estavam muitos militares em cima do pontão onde encostavam os barcos,o nosso amigo toca de rapar direito ao pontão, a rapaziada teve que se mandar para o rio, a maré estava baixa e como tal, tinha muita lama, estás a ver como eles ficaram.
Ainda não satisfeito, colocou a DO ás voltas na antena do quartel.
Aterrá-mos e veio um capitão com um soldado num jeep,virou-se para o Honório e disse se ele queria uma cerveja? Ele diz que sim. A mim nada me perguntou.
O soldado foi buscar a cerveja, só trazia uma, o Honório pega nela e diz-me:
-Pichas bebe uma pinga.
O capitão quando vê a cena diz-lhe que iam buscar outra,ele disse-lhe, para isso tinha-me perguntado se eu queria ,não é preciso, nós na Força Aérea somos uma família.
Lá partimos rumo a Tite.
Quando aterrámos qual não o nosso espanto que o soldado que trazíamos vê umas vacas no capim e desata a correr direito a elas.
Vimos logo tinha problemas mentais e depois disseram-nos que tinha a mania que era forcado, era do Cartaxo ou Carregado.
Passados uns dias vinha a descer a Avª principal de Bissau mais o furriel Amadeu e o sarg. Santos á civil, eis que a subir vinha esse soldado, a farda já não era verde mas sim amarela e a maior parte dos botões não tinha.
Aparece a PM,toca de embirrar com o rapaz.
Dirige-me ao furriel da PM e disse-lhe que ele tinha sido evacuado de Buba. Resposta:- Não se meta nisto ,com aquela arrogância á Pm.
O sarg. Santos puxa do cartão e o dito não lhe bate a pala,pede-lhe a identificação e que ia participar dele.
Resultado o nosso artista furriel andou três dias a caminho da Base a pedir para não participar dele porque se isso acontece-se ia para São Domingos.
Isto já na Era do Spinola.
Ao terceiro dia diz-me o Santos: -O que é fazemos ó pinta? Eu vou falar com ele.
Perguntei-lhe: -Participaste do rapaz? Não!
Então vou chamar o pessoal e vamos para o bar beber Bazukas até ao gargalo e tu pagas, ok? UM ABRAÇO.

559 ESTOU DE "REFORÇO" SEM ARMA,MAS NÃO É DE CASTIGO...

Fernando Castelo Branco
1ºSargºMMT 2ª/69 Moçambique
Terceira - Açores
Da esqª/Dirª Gouveia,Victor Barata e Fernando C.Branco





AMIGO Victor
Com um dia de temporal, chuva e vento, aqui estou na minha “concha/serviço”…são necessidades da VIDA, porque não há meio de acertar nos números, o que tenho acertado felizmente, é em VÓS AMIGOS?!...
Acerca da Mensagem 547 do Nosso Victor “PICHAS”, o Senhor Comandante PAVÃO, que foi durante muitos anos Comandante da SATA, já está reformado e vive em São Miguel, mais propriamente em Ponta Delgada, esta informação foi-me dada pelo Senhor Comandante FONSECA, que actualmente faz o percurso TERCEIRA-CORVO- TERCEIRA, aos comandos do respectivo DORNIER da SATA…
Quanto á Mensagem539 do Nosso ANTÓNIO TEIXEIRA, continuo a tentar procurar os Nossos Companheiros referidos na dita.
Pelos contactos que já tive, ainda não souberam responder-me afirmativamente, será que não haverá mais elementos acerca deles, depois da Recruta/Curso?
Qualquer das maneiras, estou interessado em saber deles, caso não tenham “embarcado” para outro local, porque em tempos houve muita gente, que foi á procura de novos rumos, ora para os STATES ou Canadá?!…
Quem, também me vai contactando, é o nosso “eis seringas”, Gouveia/”BISZEU” da Recruta 2ª/69; 1ªEsquadrilha; Secção(???),enquanto por cá andou nesta ILHA DE JESUS a tirar o Curso de Enfermeiro Especialista, porque além de não ganharem o “prémio da Especialidade” eram considerados ESPECIAIS, assim como os Nossos Músicos…. fez das suas(próprio da idade), agora é o Senhor PACHECO em VISEU/MANGUALDE, mas vive com “a mágoa” de não ser contactado por eis Camaradas/”seringas”…
Continua a recordar sempre esta Ilha, que também o acarinhou…
Por agora é tudo; com a boa disposição que graças a Deus, estou a escrever , além do Vento o “envergonhado” SOL, deu um ar da sua graça…
O Mar continua zangado, mas não é com Vós ,porque como eu, vos manda um abraço salgado…Fernando Castelo Branco

557 APRESENTAÇÃO DA OBRA LITERÁRIA"CACIMBADOS".


Ontem,pelas 16H,na Casa da Cultura em Coimbra,foi apresentada a Obra Literária "Cacimbados - A vida por um fio"de autoria do nosso companheiro
Manuel Bastos,Fur.Mil.Operações Especiais,ferido em combate em Mueda.
Na foto ao lado,junto da sua mulher ouvindo a leitura de uns versos que lhes dedicaram.

ESTA OBRA ENCONTRA-SE À VENDA NAS LIVRARIAS FNAC E BERTRAND.




Perante uma assistência de cerca de 80 pessoas compostas por ex-militares da CART(Companhia de Arte e Artilharia)3503 e outros,o Manuel Bastos apresentou a sua obra,ouvindo,atraves das intervenções de alguns camaradas que com ele conviveram em Mueda,os mais diversos elogios,desde o comandante ao soldado,no fundo o que já lhe reconhecemos à muito.
Momento emocionante quando da intervenção do Enfermeiro que o assistiu quando foi atingido por uma mina anti-pessoal que lhe custou um membro inferior para toda a vida.
A sua introdução a esta obra é de um homem que andou numa Guerra que o incapacitou para o resto da sua vida,mas ,sobretudo,é de um homem que não guarda ódios pelo facto,pelo contrário,demonstra as suas infinitas capacidades humanas,a sua HUMILDADE!


"A todos os homens com coragem para lutar.
A todos os homens com coragem para desertar.
A todas as mulheres com coragem para perdoar a ambos.



Aos mortos em combate,aos militares portugueses:


Alberto Martins da Silva
António Ribeiro Ferreira Lourenço
Gulamo Ismael Daúde
José Pires Ventura
Manuel Joaquim dos Santos Barbosa,


e guerrilheiros da Frelimo por nós abatidos.
E a todos os que morreram em todos os combates,de todas as guerras,passadas e futuras.


A Ti "


O Manuel,depois do seu acidente,tem se dedicado a escrever crónicas e relatos sobre a experiência da guerra e os seus efeitos traumáticos.Os seus textos e palavras reflectem a coragem de quem enfrentou uma guerra e o desafio de reestruturar uma vida dilacerada.
A sua perspectiva enriquecedora tem ajudado ao longo dos anos inúmeros veteranos a superar o desafio do Stress Pós Traumático e as novas gerações a conhecerem a realidade da guerra.
Companheiros,é uma obra que aconselho a ler.


Obrigado Manuel,as tuas palavras transcritas no papel, são parte da história da nossa vida.


Victor Barata

sábado, 15 de novembro de 2008

556 LEI 24/2007 ACIDENTES EM AUTO ESTRADA.

Costa Ramos
Esp.MMA Guiné
Coimbra




Chamem as autoridades,sempre,nada de conversas, mansas... CR

Assunto: Lei 24/2007: Acidentes em auto-estrada Esta é uma informação muito importante. Atenção.

Lei 24/2007: Acidentes em auto-estrada

Como sabem, para quem anda nas Auto estradas, às vezes aparecem objectos estranhos nas mesmas, como peças largadas por outros veículos, objectos de cargas que se soltam e até animais... coisas que não deveriam acontecer porque as concessionárias são responsáveis pela manutenção.
Estas situações provocam acidentes e danos nos nossos veículos, contudo se isto vos acontecer (espero que não) exijam a presença da brigada de trânsito .
Os meninos das auto estradas vão dizer que não é preciso porque eles tratam de tudo... no entanto e conforme a *Lei 24/2007 a qual define os direito dos utentes nas vias rodoviárias classificadas como Auto Estradas Concessionadas *...(tendo em atenção o Artº 12º nº 1 e 2), vocês só podem reclamar o pagamento dos danos à concessionária se houver participação das autoridades !
É uma técnica que as concessionárias estão a utilizar para se livrarem de pagar os danos causados nos veículos. Por isso, se tiverem algum percalço por culpa da concessionária, *EXIJAM A PRESENÇA DA AUTORIDADE*, não se deixem ir na conversa dos senhores da assistência os quais foram instruídos para dizer * 'agora somos nós que tratamos disso e não é preciso a autoridade'*. *
Isto é a mais pura mentira! Se não chamarem as autoridades eles não são obrigados a pagar os danos e este é o objectivo deles! * *
Façam circular este mail pois já nos chega pagar valores absurdos pelas portagens quanto mais sermos enganados desta maneira! *