terça-feira, 7 de setembro de 2010

Voo 1900 A DOR SOBREVIVENTE.



Manuel Bastos
Fur.Mil.Op.Esp.(Exército)

Coimbra


Amigo Barata,

Venho dar-te conhecimento de todo o meu regozijo por ter participado nesta confraternização; não agradecer-te, que o afecto não se agradece, retribui-se; e sinceramente, espero que os que combatiam voando ou ajudando a voar, sintam e expressão intensa de todo o afecto deste que combatia foçando na mata virgem de África, mas que é vosso irmão de armas, algo que só quem lá esteve sabe o que é.
Gostaria de ver publicado no blog um texto que anexo para partilhar convosco, cujas palavras muitos de nós já sentiram vontade de gritar na cara de alguém.


A dor sobrevivente


Tu que sabes como é ver morrer um ente querido; tu que sabes como é ver morrer um avô que te ensinou a viver, cujas rugas te pareciam eternas e por julgares que sempre fora velho, não teria idade, e portanto jamais morreria; tu que sabes o que é morrer um pai, que era aquele que ia sempre à tua frente, aquele que abria o caminho, para quem olhavas quando tinhas medo, a quem te seguravas quando não confiavas nos teus próprios passos, e que agora finalmente te fez homem por te ter cedido o seu lugar; tu que viste morrer a tua mãe e entendeste que perdeste o teu princípio, e que viste que ainda assim terias que seguir em frente como um barco a que falta a ré; tu que até sabes o que é morrer um filho, algo que ninguém quer saber por ser tão estupidamente cruel, e que ao sabê-lo, mais nada deve valer a pena querer saber, porque é a prova que Deus não ama suficientemente os seus fiéis; tu, tu que sabes tudo isso, não sabes, meu amigo, o que é ver morrer um irmão de armas, porque felizmente para ti nunca tiveste a sua vida nas tuas mãos, tendo ele a tua nas dele, numa reciprocidade inigualável em mais lugar nenhum, senão lá onde tudo parecia debater-se com os valores mais primordiais do Mundo; a carne e o ferro, a esperança e o desespero, o poder supremo de tirar uma vida e a miserável impotência de a perder; lá onde tu não foste a moeda com que se comprava a guerra e se vendia a paz, onde tu não foste o alimento lançado à metralha e o pasto das minas; onde valerias menos que uma arma, onde a tua vida, toda a tua história, e a memória de todas as coisas que aprendeste, e ainda o conjunto de todos os teus sentimentos e emoções, que fazem de ti a obra-prima de toda a Criação; tudo isso, tudo isso teria lá apenas o valor insignificante de uma bala certeira; e por isso, não podes saber o que é ver morrer um teu igual, amigo do peito, ou inimigo até, não importa, porque o que importa é que ele serias tu, porque morreu na tua vez, e tu não sabes o que é isso; se soubesses, saberias que todos os que morreram, num incontável número de vezes, eras sempre tu; mas não sabes, meu amigo, por isso não finjas que sabes, e não sejas estúpido ao ponto de desvalorizares a tua ignorância e de sorrires quando me vês uma saudade incompreensível no rosto, e de desdenhares quando a voz me atraiçoa, e me tenho que calar para não se ver que as minhas palavras choram, como só assim choram as palavras de quem combateu, ainda que por ter acreditado que era seu dever, ainda que para sobreviver a cada tiro que dava, mas sobretudo por desespero de julgar já ter morrido; e tu, tu se és homem e tens dignidade, põe-te em sentido, e respeita esta dor irrecuperável de eu ter morrido vezes sem conta.

Manuel

Legenda; Drª Teresa Carvalho,Psicóloga, que está a desenvolver um trabalho sobre os ex-combatentes, e o nosso companheiro Manuel Bastos no almoço do 1ºEncontro da Tertúlia,no passado sabado nas Cortes,Leiria.
Foto:Augusto Ferreira(direitos reservados)
VB
Bom-Dia Manuel. Para nós é sempre uma mais valia poder contar com a tua presença nos nossos eventos. Aguardamos que nos remetas o texto da Drª Teresa Carvalho para darmos a conhecer aos nossos tertulianos e visitantes o trabalho que está a desenvolver sobre nós,ex-combatentes.


segunda-feira, 6 de setembro de 2010

VOO 1899 1º ENCONTRO DA TERTÚLIA





João Carrilho

Esp. Melec/Inst/Av, Guiné
V. Franca de Xira




Caros Companheiros,

Um dia de convívio, um dia excelente, um dia que voámos nas lembranças dos momentos passados em tempos idos.

Legenda: Olhando o Horizonte - Base Aérea 12

Foto: João Carrliho (direitos reservados)

O tocar as máquinas na base aérea, o sentir aquele cheiro característico, é algo nos fez rejuvenescer.

Mais uma vez a organização do evento foi excelente, temos de enaltecer a capacidade e a disponibilidade dos nossos comandantes da linha da frente.

Mesmo quando o avião, já na pista para iniciar a viagem, voltou para trás para reparar mais uma avaria, os comandantes não desitiram, a avaria foi reparada, e quando estava tudo "OK", seguimos firmemente o que estava planeado.

A alegria demonstrada, por todos nós, nem que fosse um pequeno piquenique debaixo de uma pequena árvore sem folhas, sentíamo-nos sempre bem.

Há 40 anos, com a irreverência da nossa juventude, a iniciativa e a capacidade de resolver problemas, não havia obstáculos, tudo tinha solução e esse "bichinho", não desapareceu.
Um bem-haja a todos os tertulianos e suas famílias que estiveram presentes ou através do blogue acompanham este avião que vai manter-se sempre operacional a voar por esse mundo fora.

Em particular à nossa tripulação activa, que mantém esta aeronave sempre nova, o meu grande abraço.

João Carrilho
JS: Um grande abraço para ti João e para todos os tertulianos que possibilitam tudo isto.

domingo, 5 de setembro de 2010

Voo 1898 BOA NOTÍCIA.FERNANDO MOUTINHO APTO PARA VOAR!





Fernando Moutinho
Cap.Pil.
Alhandra




Bom dia Barata
Quero dar-lhe novidades.
Tive alta ontem após intervenção cirúrgica.
Como sabe após uma colicistite e sequelas (em Junho e seguintes), na noite de sexta para sábado da semana passada, após um gole de água, cerca das 3 da manhã, fui atacado por dores violentas que me fizeram chegar ao Hospital da Luz ainda não eram 5 da manhâ. Desta vez a vesícula atacou o pâncreas. Fiquei internado para me irem preparando para ser operado logo que possível - concretizou-se na sexta de manhã. Vesícula fora.
Agora estou em casa a recuperar e sinto-me bem.
Com isto quero dizer que vou começar a conversar com os amigos e reviver as nossas memórias.
Um abraço
Moutinho

VB. Ontem que nos juntamos, como sabes, nas Cortes, em Leiria para comemora o nosso 1ºEncontro da Tertúlia"LINHA DA FRENTE",nada melhor nos podia acontecer ainda que não seja esta noticia da tua "alta". Pois Companheiro, como já nos disseste em tempos, transportas-te a Nª.Sª do Ar para o Continente, o certo é que ela agora nunca mais te abandona. Agora Fernando, vamos dar-te saída para assim começares a voar como só tu sabes fazer.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Voo 1897 O REGRESSO TÃO DESEJADO.




Fernando Castelo Branco
1ºSargº.MMT
Angra do Heroísmo - Terceira
Açores




OS AMIGOS SÃO PARA AS OCASIÕES???...
O SOTERO, ganhou o peixe??? E eu AGORA, é que tenho que "vigiar" o carro
do CASCAIS???

"QUERO", que estejam SEMPRE comigo.....
Este carro, pertence ao Nosso CASCAIS,...; Quem devia colocar, este
autocolante, era o SOTERO CAVALEIRO...
"Chapéus há muitos"....é bom que fique em acta????
Um abraço.
Fernando

VB.Finalmente temos o nosso amigo Fernando de regresso à base!
Depois de um violento acidente com a sua máquina(computador),que motivou uma longa ausência de voos,cá o temos de novo com rodas no chão e prontinho para recuperar do tempo perdido.

Voo 1896 O LIVRO DE ANTÓNIO LOBO ANTUNES.





Pedro Garcia
Esp.OPC
Baixa da Banheira





Quando tive conhecimento do assunto Lobo Antunes, através da comunicação social, fiquei perplexo e julguei que haveria algum exagero no facto de alguém, ex-militares, quererem "arrear" no dito médico/escritor e "ex-combatente".
Entretanto fui tendo conhecimento, através da "net", do que levou a esta situação, as referência a factos ocorridos durante o seu período militar em terras de Angola.
Essas referências são muito pesadas, para não dizer outra coisa, portanto, a serem verdadeiras, decerto que seriam do conhecimento, mesmo que velado, de quem lá se encontrava na altura e de quem para lá fosse posteriormente.
Sobre o assunto aqui vai o meu testemunho.
Estive em Angola entre 1971 e 1973.
Não sei o que o médico/escritor/"ex-combatente" quis dizer com 150 baixas. (mortos/feridos/doentes/outras situações?).
Enquanto tive lá, nunca ouvi dizer que uma unidade tivesse esse número de baixas ou que minimamente a esse número se aproximasse, poderei até afirmar que tal não aconteceu.
Depois de vir de lá, em 73, fui colocado nas comunicações do Estado Maior General das Forças Armadas, CEMGFA, onde tinha acesso a todas as informações vindas dos teatros de operações, também aqui não vi nada que se aproximasse, minimamente, do referido pela referida pessoa.
Quanto aos pontos que eram obtidos pelas acções menos nobres, como abate de prisioneiros, que depois dariam direito a mudar para regiões mais pacíficas é um contrasenso pois as altas estância queriam era unidades aguerridas nos teatros de operações mais agrestes.
Era ainda voz corrente que quem se portava mal, nos locais mais calmos, era transferido para as zonas mais perigosas.
Compreendo pois as reacções de militares e ex-militares que não se revêem e se revoltam perante essas atoardas relatadas pelo referido médico/escritor/"ex-combatente"
Pedro Garcia
Ex-Especialista FAP
Angola 71/73