sexta-feira, 18 de maio de 2012

Voo 2866 QUE RECORDAÇÕES?!...








Manuel Lanceiro
Esp.MMA “Canibais”
Lisboa




Viva,
Como há uns tampos que não participo no nosso Blog, e o meu amigo Francisco Granier Ferreira mandou-me a fotografia da Ponte do Rio Caium (não sei se o nome está correcto) para o meu arquivo, não resisti a enviar-vos as duas pontes mais emblemáticas da Guiné do nosso tempo. 




O Saltinho (Rio Curubal) porque era um dos sítios mais bonitos da Guiné e onde éramos recebidos com toda a galhardia e arte de bem receber.
A ponte do Rio Caium no leste da Guiné e a caminho de Buruntuma, como era possível viver naquele buraco? 
Um abraço

Manel Lanceiro




VB: São recordações que nunca esquecem.
Recordo uma evacuação que fiz a Buruntuma e me falaram neste aquartelamento, Caium, que se encontrava montado em cima da ponte tendo em cada uma das suas extremidades um abrigo feitos com bidões de 200lt,cobertos com de troncos. A sua localização aérea era tão difícil que possuía na estrada uma rega de óleo queimado como referencia ao poiso dos helicópteros.
É passado que devia fazer história de Portugal,mas a história hoje é outra…

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Voo 2865 A FAMÍLIA E OS AMIGOS






Manuel Pais
EABT
Vila Nova de Gaia







Caros Amigos (as) e Companheiros

Quantas vezes nos nossos dias nos falta o TEMPO

Esse tesouro terá muito mais valor, quando o compartilhamos com alguém Especial

Especial o suficiente:

  - A FAMÍLIA E OS AMIGOS,

é hoje o meu tempo andou mais para a frente, e a todos aqueles que tiveram a amabilidade 

de me cumprimentar, os meus mais sinceros agradecimentos e que todos possamos, com saúde e PAZ, fazer o mesmo no próximo ano.

Um abraço



Manuel Pais


MA: É sempre um prazer ver um especialista em acção.


domingo, 13 de maio de 2012

Voo 2864 Parabéns Manuel Pais






Manuel Pais
EABT
Vila Nova de Gaia






Em nome do comando desta “unidade”, desejamos ao nosso companheiro Manuel Pais, que este dia se repita por muitos anos e repletos de muita paz, amor e amizade, estes dois elementos com via dupla.










sábado, 12 de maio de 2012

Voo 2863 35º Encontro de Especialistas da BA-12





Mário Aguiar
Metralha
V.N. de Gaia





Boas Companheiros

Aos que já fizeram a sua inscrição e aos que já disseram que não estarão por “motivos”, pela minha parte muito agradeço.

Aos indecisos peço o favor de se decidirem, de preferência pelo sim é obvio.

Aos que se tudo correr como planeado, lembro que este sábado já não conta, pelo que só falta passar um sábado para nos encontrarmos no Cartaxo e depois no Vale de Santarém, tudo debaixo da regência do nosso comandante nomeado para este evento MANUEL JOSÉ LANCEIRO – MMA, e seus “adjuntos por ele nomeados”, sem terem direito a subsídio de férias, subsídio de Natal, vencimento nem senhas de participação.



Assim no próximo dia 26 por esta hora já teremos visitado o Museu Rural e do Vinho do Cartaxo, e estaremos no almoço no Vale de Santarém na Zoo-técnica Nacional.



Como curiosidade digo que dos 123 inscritos, temos 80 ex-especialistas e 43 acompanhantes.

Dos 80 especialistas temos:

·         32 – MMA
·         11 – MELEC
·         11 – METRALHAS
·         6 – PIL.AV.
·         2 – EABT
·         2 – MMT
·         2 – OPC
·         1 – Enfermeiro FAP
·         1 – Enfermeira Pára
·         12 – Desconheço a Especialidade.

Um abraço a todos

Mário Aguiar


Voo 2862 VOZES.




José Ribeiro
Esp.OPC
Lisboa




Boa Noite amigo, Victor Barata
Peço já desculpa pelo aquilo que irei dizer a seguir, respeitante ao amigo e ex-camarada de armas, Victor Oliveira, no que concerne a vários episódios passados, enquanto estive na BA12.
1. Eu cheguei de facto à BA12 em 9 de Outubro de 1968 e regressei ao "puto" em 14 de Julho de 1970. É o que consta da Caderneta Militar;
2. Quando lá cheguei se havia Fiats eu não o vi, apesar do centro de comunicações estar situado junto do centro de operações, burgo "Placa", não querendo dizer com isto que sou dono da verdade. Somente o pessoal mecânico e não só tinha contacto com eles e com os velhos T6 se é que os havia;
3. É verdade que o falecido piloto, Honório, pilotava as DO27 e T6, e se disse em algum lado que ele pilotava Helis, foi por lapso, sendo que por tal facto peço desculpa;





Legenda:Linha da frente das DO 27 e T6G na Base Aérea nº12 em Bissalanca
Foto:Manuel Lema Santos(por cortesia)



4. Em Nova Lamego para além de uma equipa constituído por outras especialidades, estavam também deslocados dois operadores de comunicações da 1ª de 1967, Castro e Jesus, respectivamente;
5. Se o camarada de armas, Victor Oliveira, não conheceu nenhum camarada evacuado com problemas de fígado conheci eu, devido, segundo constou, ao excesso de cerveja consumida. Nada mais direi a esse respeito, porque não nunca estamos, às vezes no mesmo sítio, como foi dito pelo amigo (esteve destacado em Nova Lamego) como disse;
6. Em Bafatá, não morreu apenas o capitão Rodrigues, mas também um cabo especialista MARME, não me lembro o nome, num heli que foi de encontro a uma antena, não sei se foi verdade, porque não estava lá e não vi, disseram-me isso;
7. Lembro-me muito bem do roubo de combustível, não me lembro se JP4, ou outro, mas uma coisa foi certa. O falecido General, Diogo Neto, incumbiu-me de fazer guarda e atirar a matar se encontrasse algum militar a fazer tal coisa. Eu fui testemunha desses roubos e ele sabia que eu sabia quem eram os artistas que faziam isso. Logicamente que os avisei para não fazerem isso, ou seja, contei-lhe o que ía fazer. Não vale apena dizer como o faziam, mas eu quando estava de serviço no posto de rádio de Noite dei muitas vezes, em flagrante como eram feitos esses desvios e que não vale apena explicitar. Fica para as calendas da vida.
8. Há coisas que se passaram que eu não me lembro, mas outras nunca mais são esquecidas;
9. A maioria das fotografias que possuía, foram tiradas pelo Telmo que vive no Estoril ou Cascais. Foi, também,  o Telmo que me cedeu o quarto e passou a dormir na Torre de Radar, já que estava a acabar a comissão de serviço.
10. Para terminar, darei valor àqueles que passaram as "pássaras do Algarve", especialmente os mecânicos e os marme. Sendo que outras especialidades tiveram mais sorte, apenas porque o território é pequeno em relação às outras colónias onde também havia guerra "guerrilha". Como não sou pessoa para alimentar polémicas fico-me por aqui, acrescentando que uma vez por mês fazia serviço na Central de Comunicações, só, tendo como companheira um G3 e algumas (bolachas-granada), no caso de tentarem entrar na Base, apesar de haver as torres de segurança.
Victor, se assim entenderes publicita. Eu sempre fui contra as polémicas, mas admito correcções àquilo que poderei dizer e que pode não ter sido vista da mesma forma.
Sem mais,
cumprimentos especiais e amigos e até 26 deste mês naquele sítio.

José Ribeiro

Voos de Ligação:


Voo2861 FIAT’s, PILOTO SPÍNOLA, DOENÇAS DO FÍGADO E TAÍNHAS A FUMAR




VB.Bom Dia Amigo Zé.
É de salutar a discussão que certas opiniões motivam e o modo com são esclarecidas entre nós. Ou não fossemos nós uma FAMÍLIA com princípios,meios e…fins.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Voo 2861 FIAT’s, PILOTO SPÍNOLA, DOENÇAS DO FÍGADO E TAÍNHAS A FUMAR





Victor Oliveira
Melec.Inst./Av.
Caneças



Vitor antes do mais os meus comprimentos pois há muito tempo que não entro no nosso site.

Quanto há histórias do amigo Jose Ribeiro quero dizer-lhe o seguinte:


1º Que quando eu cheguei  em outubro de 1967 já havia FIAT G-91 e que em 28 de julho de 1968 (um domingo), o Ten. Coronel Costa Gomes (Pardal Maluco) era como nós o baptizamos, foi atingido pelo inimigo num FIAT.
Amigo Ribeiro como é que tu podes dizer isto quando chegas-te há BA-12 em Outubro de 1968?

2º Em relação ao meu grande amigo Honório (já falecido) ele nunca pilotou Helli mas sim T6 e Do27 portanto o General Spínola nunca voou com ele nos Helli o piloto que normalmente voava era o Capitão Rodrigues, (já falecido num acidente em Bafatá). O Spínola voou com Honório em Do27.

3ºQuanto aos colegas que eram evacuados com problemas de fígado eu não conheci nenhum caso e estive a dormir na camarata maior que havia lá até Outubro de 68 e andei sempre em Nova Lamego na protecção ás colunas para Béli e Madina de Boé com colegas Mat. Aéreo, Rádio, Armamento e como já disse não conheci nenhum caso.

4º Quanto ás tainhas a fumar no refeitório essa é verdade. Mas dos muitos levantamentos de rancho que fizemos á um na véspera do natal de 68 em que Cor. Diogo Neto foi buscar ostras com o Teixeira o especialista mais antigo. Não sei o que era o jantar nesse dia porque eu o Machado, Abel e mais uns quantos tínhamos comprado frangos nas tabancas e estávamos a assá-los e apareceu o Cor. Diogo Neto e disse que estava a entender porque é que não tínhamos ido ao refeitório, mas que os restantes companheiros não tinham esse petisco e então fomos chamar o Teixeira e apareceu duas grandes sacas de ostras.

Amigo Victor um grande abraço e o mais tardar até dia 26.

Victor Oliveira (Pichas)
Melec 1ª66



sábado, 5 de maio de 2012

Voo 2860 QUEM É O COMPANHEIRO?





António Dâmaso
Sargº.Môr Paraqª
Azeitão
 


Há dias vi no blogue do LG esta foto referente a um T6 que aterrou mal em Buba.



O jovem que está sentado na asa não parece muito feliz.
Quem se lembra da data do acidente e quem o reconhece?
Um Abraço

Dâmaso

VB: Então aqui deixamos o pedido de colaboração aos companheiros que reconhecem o nosso “aviador”, para que o identifiquem.
Mas o ideal…seria o próprio a dizer, “SOU EU”.
Aguardemos.

VOO 2859 A INFORMAÇÃO E PARECER DO PRÓXIMO ENCONTRO NACIONAL DE ESPECIALISTAS



Fernando C. Branco
1º.Sargº.MMT
Angra do Heroísmo
Terceira - Açores









AMIGOS ESPECIAIS


Com uma abraço e respeitosos cumprimentos "sem moralismos"; quero que saibam que eu deste lado do MAR; gosto que saibam que; vai haver mais "UMA OPORTUNIDADE"; de sem CLARIM; "PODEREM"; voltar a estarem juntos com mais "DUAS" companheiras; ....a SAUDADE E A AMIZADE...

Desta vez; nada de xxx; nem "coelho e etc" via NET...

Foto: Fernando C. Branco (direitos reservados)



Um abraço e não deixem de ir á FORMATURA.

Fernando Castelo Branco 2/69


Anexo comunicado recebido:



“Caros amigos
Sou por este a informar que o nosso Encontro Nacional será este ano por imperativos de agenda no Dia 9 de Junho na Base Aérea de Sintra.
Iremos então proceder ao envio das participações e brevemente falaremos da Organização.

Um abraço cordial

Jorge Almeida”



MA: O nosso companheiro Fernando, que gosta da paz e união dá-nos conhecimento de que está a ser preparado o encontro nacional de especialistas e no seu jeito apela ao consenso, e que ergamos, como  é nosso apanágio, a caneca com o vinho da alegria da união dos especialistas.

VOO 2858 A CONTAGEM DO TEMPO DA COMISSÃO E UMA CAÇADA




Victor Sotero
Sargº.Môr EABT
Lisboa





Saúdo o “Comando”, a “Linha da Frente” e todos os “Zés” que nos vão espreitando.

No inicio da minha comissão, uma das primeiras coisas que fiz no serviço, foi pegar numa folha A4 de papel branco e escrever o numero 730 (dois anos) e em ordem decrescente, até chegar a 1. Cada dia que passava (e não me esquecia) marcava sempre uma cruz. Sabia sempre quantos dias faltavam para terminar a comissão.
         Na minha secretária, ao lado da máquina de escrever, presa ao tampo por fita cola, por lá se manteve durante o tempo todo.
         A folha, já quase toda marcada com cruzes, estava quase no fim. Restavam poucos números para marcar.
         O Comandante da Esquadrilha de Abastecimento, propôs-me um louvor.
         O Pinto que era quem fazia toda a correspondência da Esquadrilha, passou a limpo a proposta e deu-me uma cópia que levei para o armário. Era segredo. Não disse nada a ninguém.
          Entretanto, sempre que possível, a caça.
         Um dia, já com a habitual equipa, munidos de algumas sandes e cervejas, lá fomos para o capim.
          Por vêzes, o cacimbo pregava-nos algumas partidas. Não foi o caso desta vêz mas sim uma enorme trovoada com alguma chuva. Espectacular e a causar alguns arrepios.
          Do chão, o cheiro a ferro.
          Uma mirada com o farolim e ao longe os olhos de uma corça. Sinal ao condutor e lá partimos para fora da picada com o capim muito rasteiro. Dois tiros e o animal tombou.
          Paramos o jeep para a trazer para dentro. Sinal para avançar, mas como? O jeep estava agora atascado pela água que caia. Ramos e mais ramos para debaixo das rodas.
          Com muito esforço lá o conseguimos retirar do lamaçal onde nos tínhamos metido.
          Regresso à base. Nesta noite não valia a pena continuar apesar de um coelho mais afoito se ter deixado apanhar com uma cacetada pela cabeça.
          No outro dia, após o serviço, “esfolar”, tirar a “cabeça” para embalsamar, as “unhas” para cabides. A carne ia para a sanzala para ser vendida.

Foto: Victor Sotero (direitos reservados)


          Jeep a trabalhar e aí vou eu com uma balança e a carne direito a “Nova York” em direcção da porta de armas.
          Na porta de armas o policia só levantava a cancela quando a viatura estava parada na sua frente. Desta vêz, por mais que desse no pedal do travão o jeep não travou. Para minha aflição continuou e lá se foi a cancela que ficou partida.
          Verificou-se depois que o atascamento  do jeep tinha partido um pequeno tubo que servia de conduta do óleo dos travões.
          O meu louvor não saiu. Serviu de pagamento ao estrago que tinha feito à cancela.
          Pela folha de papel que marcava os dias da minha comissão, as cruzes que ia fazendo permitiam-me dizer e a ficar com pena que faltavam poucos dias para o final da minha guerra.
            Despeço-me meu “Comandante”
Despeço-me do “Comando”, da “Linha da frente” e de todos os “Zés” que nos visitam nesta base.
Até breve.
Sotero

MA: Cá está mais uma passagem do nosso companheiro Sotero, que podemos chamar de dois em um.
Companheiro continua afinado, para poderes fazer mais uns voos com o estilo que já nos habituaste.


sexta-feira, 4 de maio de 2012

Voo 2857 NÃO SERÁ O FOME?







Paulo Magalhães
Esp.MMA
Beire





Uma vez que tenho estado em reparação por ter sido operado ao dito cujo, mas já em franca recuperação, só hoje fui visitar o nosso sitio e reparei que se anda á procura do Zé António que foi presidente do nosso clube na Guiné,mas parece-me que a foto que se mostra não é dele mas sim dum camarada nosso que tinha a alcunha de "FOME" e era MMA, desde já peço desculpa se estiver enganado mas realmente parece-me este último.
Já agora vou contar uma peripécia com este nosso camarada:
Eu fui um dos habitantes da TABANCA DOS RURAIS juntamente com o Sousa,Poeta, Foro,Parreira,Crisóstemo,Fome e outros que de momento não me lembro do nome,.....
Um dia a tabanca teve de entrar em reparação e o pessoal das obras teve de fazer um buraco junto à parede exterior com bastante profundidade que se não me engano era para o saneamento, ao fim do dia o pessoal foi para casa e deixou o buraco aberto.
Como muita gente nossa sabe havia o costume de se ir a Bissau uns jantar outros beber uma cerveja ao Pelicano e não só,mas nessa noite eu e outros (poucos)não fomos porque tinha-mos tido uma "guerra"nesse dia e das bravas e estava-mos tão cansados que declinamos o convite feito pelos que foram, incluído o dito Fome que apelidou os que ficaram de mariquinhas, molengas e outros adjectivos do género, tudo na brincadeira como era natural.




Legenda: Emblema da Esqª.122 dos Helicópteros da BA 12,Bissalanca.
Foto: Paulo Magalhães.

Nessa noite a Base foi atacada e foi um pandemónio, tudo a atirar-se para a vala, o que valeu a alguns pequenos ferimentos por causa das garrafas de cerveja partidas, depois de alguns tiros, bazucadas e outras coisas que tal e passado bastante tempo do ataque ter começado lá fomos tomando as nossas posições dentro da tabanca.
Eram cerca de onze e meia da noite chegou o autocarro de Bissau com o nosso pessoal que em grande algazarra nos gozavam sendo o mais "feroz"  o Fome que nos ia dizendo, ficaram estes gajos aqui com medo de ir a Bissau e é bem feito foram abervados mesmo em casa,etc etc..........tudo como é de calcular na maior risota.
Estava-mos todos nesta conversa quando começa a tocar a sirene da base a dar o ataque como acabado para que tudo voltasse à normalidade, mal se ouviu a sirene o Fome sai disparado pela porta da tabanca e nós que estávamos avisados que tal ia acontecer ríamos a bom rir pela "coragem" do nosso amigo,mas depois de esperar algum tempo pelo regresso dele e ele não aparecia fomos lá fora ver o que tinha acontecido e começamos a ouvir primeiro uns gemidos depois mais alto um pedido de socorro e quem era? Era o nosso amigo Fome que com a correria para apanhar o melhor lugar na vala caiu desamparado no buraco que os homens das obras tinham aberto, valendo-lhe um braço partido e umas escoriações, e claro mesmo no meio de "tão grande desgraça" houve pessoal que se fartou de rir ao vê-lo naquela situação. Quem me dera esse tempo!........
Um abraço do amigo 
Magalhães




VB: Boa tarde meu GRANDE amigo Magalhães.
Antes de mais,deixa-me desejar que estejas em franca recuperação da intervenção a que foste sujeito.
Depois dizer-te que é com grande alegria que te recebemos de novo nesta tua unidade,apesar de termos que te dizer que a tua ausência tem sido muito notada.
Quanto ao nosso Companheiro que está a ser procurado pelos nossos “radaristas”,devo dizer-te que é mesmo o Zé António  MAE,que também era guarda-redes da Base,aliás,ocupou também esse mesmo lugar no S.L.Benfica.

Voo 2856 A MINHA PASSAGEM PELO BCP 12,EM BISSALANCA.









Guiomar Silva
2º SARG MELEC
Abrantes/Moita




Saúdo o comando deste sitio e todos os companheiros que regularmente passam por aqui.
Já que estamos em maré de histórias (verdadeiras), cá vai uma das minhas passadas na FAP. A EMEL não ensinava só técnica mas sim, também, vivência, malandrice e nisso nós éramos barras. Mas o que vou contar já se passou na Guiné no BCP12. Todos nós, os especialistas, sabemos como era a diferença de  disciplina nas bases e nos páras. Nas bases era mais técnica e conhecimento nos páras mais militarismo, continência cabelo curto, essas coisas que nós não gostávamos nada e ainda por cima eu tinha estado no GDACI, Montejunto onde usávamos o cabelo quase até aos ombros embora escondido debaixo do bivaque ou boné. Ainda por cima eu tinha uma certa "azia" pois já tinha estado em Luanda e mandaram-me também para os páras, BCP21, sem dúvida que eles "gostavam" muito da minha pessoa e, aí, só me safei indo para a BA9 porque era músico e na base havia um grupo musical e, lá meteram umas valentes cunhas para eu  passar para o lado de lá. O bom do Guiomar  assim que chega ao BCP entra na escala de sargento de dia. Sabia lá o que era isso de sargento de dia, pistola à cintura braçadeira e a lidar com páras, só visto! O comandante da companhia estava de férias e em seu lugar estava um tenente que era mais ruim que as cobras, não sei se havia algum bom mas, aquele não era de certeza...!



Legenda: Guião do BCP 12,Bissalanca

Todos os dias onze de cada mês era dia da unidade com o pessoal todo formado na parada com práticas militares e tudo fardado a preceito. No dia anterior o oficial de dia disse-me - "amanhã ás oito horas apresenta-me a companhia!!!". Sabia eu lá eu, zé especialista, o que era isso, tanto assim que não passei patavina áquilo que o sr. oficial disse e ás oito horas ainda estava na cama sendo acordado por um cabo que, mais aflito que eu, me disse que  a parada já estava formada e estavam á minha espera para começar as "festividades"...Se o tenente não era bom o comandante da unidade então nem se fala mas, eu até compreendo que naquela tropa aquelas atitudes fossem apropriadas mas para o zé especialista era um bocado complicado, tudo muito novo, tudo muito estranho...Agora estão a ver, tudo formado e eu a correr para a parada ainda a apertar a breguilha e a pôr o cinto com a pistola...O prémio para esta atitude foram três dias de detenção e consequentemente  o corte das próximas e tão ambicionadas férias à metrópole. Ora bem, quando o comandante da companhia regressou informou-me que iria á metrópole tirar um curso de frio, eu, como chefe da secção eléctrica e um cabo especialista, vi ali a minha oportunidade de férias. Entretanto fui incumbido pelo capitão de levar uns saquinhos com terra "da sua horta" para analisar num instituto agrário qualquer para saber o que se poderia plantar naquela terra, se couves, batatas, alfaces ou rabanetes...Mas,essa missão era particular portanto, se não fosse levada a cabo nada me poderia acontecer e eu só pensava na ida á metrópole  que me foi negada com aquele castigo. O curso foi concluído num quarto do tempo, a terra foi lançada ao rio e fomos para casa gozar as nossas "merecidas férias" em missão e depois pensaríamos o que se deveria  dizer da análise á terra. Sabem como funcionavam os TAMs, sempre se arranjavam uns atrasos e o tempo de permanência na Metrópole duplicava quase sempre, pelo menos...foi o que aconteceu. Chegados á Guiné enfrentei o capitão que estava mais preocupado em saber os resultados da terra do que como tinha corrido o curso e respondi que os srs do instituto não podiam dizer concretamente o que devia plantar mas sim as qualidades da mesma mas, como o capitão não tinha perguntado isso a análise, por nossa decisão tinha sido anulada...Aplicámos aqui a nossa aprendizagem da vida na FAP, éramos os maiores em qualquer lado em qualquer situação...Só não me consegui livrar daquela "mancha" na minha reputação militar mas, em compensação gozei umas belas férias. Deus tenha em descanso esse sr capitão que já partiu há alguns anos, do tenente nada sei mas, também não estou interessado...Não referi nomes de propósito pois passam por aqui companheiros  que nos visitam e que também estiveram por aqueles lados e facilmente fariam a identificação desses personagens. Desculpem se desta vez me alonguei um pouco mais mas, adoro estas e outras histórias vividas por mim e contadas por outros.
cumptos!

terça-feira, 1 de maio de 2012

Voo 2855 Uma passagem da minha vida na Guiné.







José Ribeiro
Esp.OPC
Lisboa




Mais uma vez, Boa Tarde, amigo Victor.
Como tenho por hábito e em primeiro lugar abrir a pasta a receber, abri a tua msg. Meditei sobre ela e de facto não tenho escrito nada, mas também não me tem vindo nada de novo à memória que mereça publicação, como já referi na msg anterior.
Todavia, entrando no Blog BA12, dei comigo a ler um msg antiga que te tinha enviado, sendo que nela há algumas incorrecções o que desde já peço desculpa, mas julgo que serão de menos importância.
Esta que te envio agora tem a ver com a foto que publicaste e que não  possui identificação das pessoas que lá estão, sendo que do lado esquerdo está um amigo que se chamava Andrade, senão estou em erro, e do lado direito, sou eu. Esse amigo, quando antes de eu me vir embora tinha sido colocado na Messe de especialistas, depois do falecido General Diogo Neto ter mandado embora da respectiva messe a antiga equipa que nos servia quase todos os dias cabeças de peixe e arroz. Cousa essa intragável, por isso deixamos de ir lá comer o que causou uma certa instabilidade, coisa essa, sanada com a melhoria do Bar e refeitório, em termos gerais, sendo que passamos a ser servidos com dignidade, coisa essa que não acontecia antes. Tivemos que encetar uma luta que se substanciava em não aparecer para almoçar, como já foi referido noutros voos.
Quando foi tirada essa fotografia ainda não podíamos andar à civil, sendo que somente mais tarde nos foi autorizado esse traje.
Era norma do pessoal, quando de folga, ou ir para Bissau ou então dar uma volta pelas cubatas adjacentes à base, donde eu possuía várias fotos, mas que, por incúria minha, estragaram-se.
De vez enquanto ia com o filho do General Diogo Neto, que encontrei em Palmela num encontro do NANAMUE, até ao Pilão e à Palhota de Bissalanca, beber uns grogues, julgo que é assim que se escreve.
Muitas vezes fomos comer uns camarões e umas ostras a Bissau e outro lugar que não me lembro o nome, mas que ficava próximo da Base, sendo que a passagem pelas meninas não ficava esquecido.
Eu tive azar porque apanhei paludismo, mas outra coisa não. Ainda me lembro dos porcos debaixo da tarimba, quando estávamos num trabalho "árduo", coisas essas que nunca mais esquece.





Legenda: As lavadeiras no rio lavando a roupa do pessoal.
Foto: Blog Luís Graça e Camaradas  da Guiné (direitos reservados)

Eu e um camarada, ia-mos muitas vezes à procura das negras nos charcos onde tomavam banho e lavavam a roupa. Muitas vezes fui com a Bajuda que me lavada a roupa militar, ver como ela o fazia. Fartava-me de rir, porque com aquele sabão macaco e na raiz da árvore batiam com tanta força que os botões saltavam, mas elas lá arranjavam outros. Quando me apresentei no EMFA ia levar uma "porrada" pelo Ch do Estado Maior da FA, apenas porque a farda de azul não tinha nada, passou a cinzenta. Disse-lhe que não tinha dinheiro para comprar uma nova e que a cor tinha ficado na Guiné, isto depois de ter regressado ao mesmo sítio. De uma luta tremenda com um capitão que queria que eu ficasse em Monsanto à força.
Certo é que passamos todas a trajar à civil no Estado Maior, mas em Monsanto onde dormir às vezes, tinha que andar fardado, situação essa que resolvemos com luta e dela participamos cinco operadores de comunicações - quatro ainda vivos e um falecido no Brasil -. Esta operação consistia em cortar a rede de arame protector do ex-GDACI, junto à torre da televisão e entrava-mos pelo buraco feito. Certo que de vez enquanto éramos surpreendidos por um sargento, sendo que o armamento que utilizava-mos eram pedras seguida de fuga para protecção (ele tinha a mania que era mau), até que o comando teve que torcer e autorizar que pudesse-mos sair à civil. Nós quando íamos para Lisboa cidade, deixava-mos a farda escondida na mata.
Outras coisas nós fizemos, como por exemplo sair de Monsanto fardamos à primor e ir pedir emprego a várias instituições, como à PIDE, Sindicado dos Pescadores de Bacalhau e a outras instituições que já não me lembro o nome. Logicamente que  levava-mos "sopa", mas era uma forma de não estarmos de acordo com os seis anos que nos obrigaram a cumprir. Na minha Caderneta Militar, apenas está escrito a lápis 6 anos, mais nada, ainda reclamei mas levei sopa. Perdi um bom emprego numa Empresa de Contabilidade que me ofereceu 3,5 contos por mês, depois de ter tirado um curso de mecanografia, sendo que por tal facto não conclui o curso de contabilista, já que não valia a pena gastar mais dinheiro com esse. Este era constituído por duas partes, a primeira mecanografia e a segunda contabilidade. Eram módulos diferentes, sendo que o primeiro permitia a actividade profissional de mecanógrafo.
Com isto termino. Se entenderes publicita.
Cumprimentos amigos e especiais.

José Ribeiro