No 58º. aniversário de tamanho
acidente, recupero um artigo do Comandante A. Barros (TAP) publicado há muitos
anos no jornal do SPAC “Por Dentro” e que pela sua importância e interesse e
oportunidade aqui transcrevo na integra.
Creio que poucas pessoas sabem o significado de uma enorme cruz colocada no
alto da serra de Carvalho, próximo de Poiares, no distrito de Coimbra.
Foi aí que na manhã de 1 de julho de 1955 pelas 09:50 morreram oito pilotos.
Faziam parte de uma formação em coluna de 12 aviões de caça F-84G, cuja missão
era sobrevoar algumas cidades durante as comemorações do dia da Força Aérea. Ao
tentarem sobrevoar Coimbra, meteram-se numa camada de nuvens baixas e ocorreu a
tragédia. Só escapou a primeira esquadrilha. Foi o dia mais negro da história
da nossa aviação militar.
Senti profundamente esse acidente. Eram todos meus camaradas na Base Aérea da
Ota, sendo quatro deles meus colegas de curso. O convívio diário e intenso que
as actividades da Base nos proporcionava fortalecia indelevelmente os laços que
nos uniam. Um pouco diferente do que se passa na Aviação Civil, onde
infelizmente, cada um puxa para o seu lado! – Foi pois um dia bem triste esse 1
de julho de1955.
Estavam previstas grandes festividades aeronáuticas com a presença do
Presidente da República e de muitos milhares de visitantes que em grande
romaria invadiam aquela célebre unidade da Força Aérea, na altura teatro dos
mais espectaculares festivais aéreos que alguma vez se fizeram em Portugal.
Na hora da catástrofe tudo foi interrompido e encerrada a porta de armas
perante a angústia dos nossos familiares que procuravam ansiosamente obter
algumas notícias.
O inquérito a este polémico acidente foi muito comentado e especulado pelos
jornais da época, mas, como era habitual, jamais se chegou a qualquer
conclusão. Valha a verdade que, neste campo, não progredimos muito. Continua
quase tudo na mesma.
Houve cinco pilotos sobreviventes. Digo cinco porque havia um piloto de reserva
que sobrevoava a formação a uma certa distância, mas sempre à vista, e que
aliás foi a única testemunha ocular do acidente, embora me pareça que nunca
tenha sido ouvido no processo de inquérito.
Este piloto era meu companheiro de quarto. Passámos uma noite em branco, não
conseguimos dormir, comentando e lamentando a má sorte dos nossos queridos
colegas. Ao meu camarada não lhe saia da mente a imagem das oito explosões
quase simultâneas através das nuvens.
Desses cinco pilotos, três, felizmente, ainda fazem parte do nosso convívio e
daqui lhes envio um grande abraço:
- Magalhães e Silva, reformado compulsivamente na sequência do 25 de Abril e
irmão do nosso colega Magalhães, Comandante da TAP
- Luís Silva, actualmente um prestigiado empresário no meio cinematográfico.
- Rangel de Lima, que era o Comandante da formação, actualmente General
reformado.
Os outros dois, infelizmente já falecidos, eram o Costa Cabral que foi
Comandante da TAP e associado no nosso Sindicato, e o Fernando Alpalhão, piloto
reserva, que faleceu no norte de Moçambique em missão operacional.
Ao aproximar-se a data desta triste efeméride, aqui deixo um apelo aos
associados do SPAC: Se passarem no dia 1 de Julho próximo de Poiares, não
deixem de parar uns momentos junto à cruz da serra de Carvalho.

Faleceram no acidente os seguintes pilotos:
Tenente António Albino Rocha Mós, de 26 anos, de Lisboa;
Alferes Henrique Ferreira Pinto Howell, de
25 anos, de Leça de Palmeira;
Alferes Alfredo Fernandes Ventura Pinto, de
25 anos, de I.ageosa, Tondela;
Alferes José Nobre Guerreiro Bispo, de 25
anos, de Odemira;
Sargento Fernando da Silva Santos, de 25
anos, de Tomar;
Furriel Diniz Lopes Alves Martins, de 24
anos, de Rossio ao Sul do Tejo;
Furriel António Carvalho, de 24 anos, de
Cabeceiras de Basto, residente em Maceira-Lis;
Furriel Danilo Martins da Fonseca, de 21 anos,
de Lisboa.
Origem do Voo:
A.Barros