
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
739 A RESPOSTA AO BARNARD.

Arnaldo Sousa
Esp.MMA Guiné
Lisboa
Em primeiro lugar quero-te cumprimentar ao fim de tantos anos. Quanto ao caso que relatei e tu corrigiste, tens razão com certeza.Eu afirmei que estava na linha com o Lopes (algarvio) e que o Cap. Pinto Ferreira disse que o outro não vinha, não me referi que tu estavas também, assim como outros colegas, pois não me lembrava de todos ao fim de tantos anos como deves calcular .
Durante a minha comissão na Guiné, caíram 4 aviões Fiat, além do TC Brito, chegando apenas um à base.
Quanto ao saco azul do capacete , recordo-me assim como do VW carocha preto que o TC deixou estacionado na placa.
É para reunir as lembranças pessoais e colectivas que este blog serve e enfim, fazer-se a história .
O Blog deve-se ao Victor Barata que teve em boa hora a ideia e a levou em frente.
Um abraço
Arnaldo Sousa
VB.Olá Arnaldo! Que é feito de ti?
Pois,companheiro,só comungo na tua opinião pelo de ter dado o nome ao Blog, o resto é devido,fundamentalmente, á escola que nos educou,proporcionando-nos uma licenciatura em civismo e amizade.
Exemplo disso esta troca de email's entre ti e o Cristiano,diga de ZÉS!
Não te esqueças que andas em falta com as noticias?!...
738 O CRISTIANO DAS FOTOGRAFIAS!

Américo Dimas
Esp.MARME Guiné
Angola
Angola
Caro Victor,
Aqui de Angola, envio também para o Cristiano, os meus votos de boas vindas.
Aqui de Angola, envio também para o Cristiano, os meus votos de boas vindas.
Depois da sua aparição, porque de apresentação não precisava..., o nosso ex-camarada Cristiano, aproveitou para nos presentear não só com a sua chegada ao blogue, mas também com algumas fotos (ou não tivesse sido ele um dos nossos fotógrafos de serviço).
Em jeito de contribuição na identificação do pessoal presente nas referidas imagens, direi que, na foto terceira, o nosso ex-camarada em baixo no lado esquerdo, com a mão esquerda também em cima do cão,usando naquele tempo bigode, é o Abreu, MMA que também pertenceu à linha da frente dos Fiats.De estatura baixa, oriundo do norte de Portugal, encontrei-o várias vezes no Montijo, local onde ia visitar alguns dos seus clientes, pois era representante comercial de uma fábrica de calçado também localizada no norte do país.

Assim sendo,a foto está quase completa em termos de identificação.Em cima da Esqª/Dirª Cristiano,(?),Ferreira,Ventura e Graça.Pela mesma ordem em baixo,Abreu,Marques,(?)Luisinho.
VB.Obrigado Américo,é esta a tua obrigação!
737-O NOSSO FOTOGRAFO PRIVADO NA BA 12,CRISTIANO,LEMBRAM-SE?

Cristiano Valdemar
Esp.MMA 1ª/68 Guiné
Costa da Caparica
Meus caros das mesmas andanças.
Sou o Cristiano que da 1ª de 68 começou por ganhar os quinhentos paus que davam a quem fizesse o melhor desenho da recruta e tivesse o melhor lema.
Daí saiu o " ALERTA EM QUALQUER RUMO" era o Comandante da Recruta Sr. Major Guerra, soube há dias que é o Pai da cançonetista Rita Guerra.
E falando de cançonetista também tive como instrutor de treino físico o Sr. Alf. José Cid.
Após o curso MMA lá fui mais uns quantos para uma camarata enorme, enquanto não havia quartos, isto em Monte Real, para assistirmos em beleza ao tremor de terra de 1969.
Fiz os cursos F86 e Fiat G91, andei pela secção de Motores e depois linha da frente.
Não quis ir ao primeiro curso de sargentos que se realizava naqueles moldes e passados três anos e meio fui "convidado" a ir até à Guiné.Oito dias depois de chegar, Bissau foi atacada, bom começo.
Uns meses depois uns RPG7 foram lançados no fundo das pista mas o alvo não foi atingido.
Princípios de 1973 a coisa começou a ficar menos clara e eu que acabei a comissão em 28 Maio.
Lembram-se da piscina do hangar dos Fiats?Eu era um dos que fazia as fotos da Malta.
Toda a história que é conhecida desses tempos e se bem me recordo começou com o então Sr.Ten. Pessoa, foi por aí fora até que chegou o Sr. Ten. Coronel Brito.
Por acaso ontem digitei o nome do Sr. Ten.Coronel tive a feliz sorte de ir dar a este Blog e de ler o que a esposa Srª D. Ana escreveu, o que eu não esperava era ler a história inversa do que aconteceu.
Um camarada de nome Arnaldo Sousa que me deve conhecer bem, pois eu era o mais antigo da toda a estrutura Fiat incluindo manutenção e linha da frente, diz numa sua mensagem publicada no dia 31 de Julho de 2007:
"Eu tinha chegado à Guiné havia quatro dias,quando no dia 28 de Março da parte da manhã,em conjunto com o colega Lopes,dado sermos os mecânicos de serviço à linha da frente,demos saída a uma parelha de aviões preparados com bombas.Num seguia o Cap.Pilav.Pinto Ferreira e no outro o Ten.Cor.Pilav Almeida Brito,comandante do Grupo Operacional.Esperamos pelo regresso das aeronaves,quando já um pouco com atraso para o tipo de missão ouvimos e vimos surgir um dos aviões,o outro viria a seguir pensamos nós...Quando recebemos o avião perguntamos ao piloto se o outro demorava muito,a resposta surgiu tipo bomba:-O outro não vem mais!..."
errado, chegou o Cap. Pinto Ferreira e eu corri para receber o Fiat que tinha dado saída. Como o piloto era o Sr. Ten. Coronel Brito pessoa que queria tudo a funcionar bem, havia que estar no local para o receber corri desalmadamente para o local de partida, mas não mais chegou, fui eu sim o "Barnard" dos Fiats. O outro avião como não se esperava tão cedo, não estacionou no local de partida. Tinha eu amarrado à escada do Fiat um saco azul escuro com um fio de nylon branco e dentro uns óculos escuros marca "Ray Ban" que entreguei na sala dos pilotos o saco era do capacete . Tenho algumas poucas histórias para contar dele, fica para uma próxima vez.
errado, chegou o Cap. Pinto Ferreira e eu corri para receber o Fiat que tinha dado saída. Como o piloto era o Sr. Ten. Coronel Brito pessoa que queria tudo a funcionar bem, havia que estar no local para o receber corri desalmadamente para o local de partida, mas não mais chegou, fui eu sim o "Barnard" dos Fiats. O outro avião como não se esperava tão cedo, não estacionou no local de partida. Tinha eu amarrado à escada do Fiat um saco azul escuro com um fio de nylon branco e dentro uns óculos escuros marca "Ray Ban" que entreguei na sala dos pilotos o saco era do capacete . Tenho algumas poucas histórias para contar dele, fica para uma próxima vez.
Depois de em Monte Real aterrar um Fiat com o motor parado vindo de longe, veio a falecer tragicamente.
Sempre me fez alguma confusão não ter sido procurado o corpo do desditoso Tenente Coronel Piloto Aviador, coincidência era a mesma pessoa o Comandante da Base Aérea 12 e o Chefe do Estado Maior das Forças Armadas na altura da venda da aliança de casamento.
O Cristiano,na Base Aérea nº 12, pousando sentado na asa de um Fiat-G 91,tendo junto a seus pés "cartões de visita".
Em Nova Lamego,da Esqª./Dirª.,Pina(já falecido),(?).Cristiano,Sousa e Abílio.
Pessoal adstrito à Linha da Frente,Manutenção e Secretaria dos Fiat-G91,em pé da Esqª./Dirª,Cristiano,(?),Ferreira,Ventura e Graça.Em baixo,pela mesma ordem,(?) Marques,"Babadinca"(a mascote dos Fiat's)(?) e Luisinho.
Esta foto vamos deixar sem nomes para que quem se achar com conhecimento,identifique os seus componentes.
Aproveito a oportunidade para solicitar a quem souber o paradeiro do 1ºSargºMelec./Inst./Av.,o favor de me informar.
Um abraço com muita a amizade a todos os que serviram aquela força.
Cristiano Valdemar
VB:Amigo e saudoso companheiro,és umas das pessoas que mais vezes recordamos,pois assim que visualizamos uma foto tirada na Guiné,tu ou o Madeira,eram os nossos fotógrafos privados.Verdade seja dita,também pagávamos bem!
Pois Cristiano,é sempre uma grande alegria para nós quando nos entra por esta porta dentro um companheiro cujo a amizade se iniciou durante a vivência em comum por ocasião de uma guerra e que depois nunca mais nos reencontramos.
A partir de hoje,e como os requisitos estão cumpridos,o teu nome irá contar na nossa Tertúlia "LINHA DA FRENTE",no nosso Blog.
Entretanto vamos ficar a aguardar mais noticias tuas.
Até lá um grande abraço.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
736 AÇORES.

Rogério Nogueira
1ºSargº MMA Tete
Terceira - Açores
Ilustre companheiro Victor.
Bom dia. Acabei de receber um telefonema do nosso querido companheiro Fernando (10:20h –Açores), dando-me conhecimento da sua situação sobre saúde. Apenas terá de “voar” um pouco de forma a que o seu “hangar” diminua a sua acomodação – barriga – e terá mais algumas recomendações.
No geral, está tudo bem. Fiquei muito feliz pela boa nova.
Assim, desejo informar toda a Tertúlia de que o Fernando está bem, graças a Nª. Senhora do Ar, protectora dos Zés Especiais.
Por ora é tudo.
Contigo, Victor, espero que tudo esteja pelo melhor, assim como a todos os nossos tertulianos e não só.
Forte abraço, cordiais saudações especiais do,
Rogério R. Nogueira
735 NO AB 7 TETE.
Augusto Ferreira
2ºSargº.Mil.Melec/Inst/Av. Tete
Coimbra
Recordar o AB7-Tete
Amigos e companheiros da Linha da Frente, tive hoje a felicidade, de me reencontrar com um Zé Especial, que partilhou o meu quarto no AB7 em Tete, decorria o ano de 1973, conjuntamente com o nosso companheiro da Tertúlia, que vive no Luxemburgo.
O nosso Teixeira OPCART.È verdade, o Teixeira já me tinha falado nele, e nem eu, nem ele, se recordava do nome.Pois é, trata-se do sarg.tº Vasconcelos.
E trago-o hoje aqui, porque era uma figura muito conhecida, pela sua boa disposição, de que se irão lembrar dele seguramente, outros companheiros que estiveram por lá, naqueles tempos e que partilham connosco, este nosso espaço.Era mecânico MMA dos Fiats G91.
Encontrei-o em Monte Real onde vive, há uns tempos e na altura não me reconheceu e mesmo hoje, tive alguma dificuldade.
Não fosse uma foto que levei comigo, onde estamos os dois e relembrar-lhe, que lhe costumava provocar alguma perturbação no quarto, com os meus ensaios intensivos de viola e teria sido difícil.Só com a paciência dele consegui resistir.
Depois tudo ficou mais fácil, falámos de muita coisa, no pouco tempo que estivemos ao frio na rua a conversar, pois foi aí que o encontrei, na companhia da sua esposa, que simpaticamente, nos tirou a foto que vos envio hoje.
Ficámos de nos voltar a ver.
A primeira foto é no Hangar de Manutenção, com ele em primeiro plano, com os braços abertos em frente ao "put-put", vendo-se mais atrás a espreitar o sarg.to Nunes MMA dos aviões convencionais.Eu estou ao meio e não me recordo dos outros nomes.Em fundo pode ver-se um Fiat.

A outra é muito fresquinha, foi tirada hoje.
Vejam as diferenças. com um espaço de 36 anos.
Amigo Vítor Barata por hoje é tudo, vou fechar o expediente, para ir até ao "Carraço", beber uma fresquinha com o Vasconcelos.
Tenho mais fotos com ele. Um dia destes, seguem para publicação.
Um forte abraço para ti, extensivo a todos os Zés Especiais, desta nossa Tertúlia da Linha da Frente, cada vez mais animada.
Até breve.
Augusto Ferreira
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
734 A OPINIÃO DO MEXIA ALVES SOBRE "A RETIRADA DO GUILEJE".

Joaquim Mexia Alves
Alf.Op.Especiais (Exército) Guiné
Monte Real - Leiria
Alf.Op.Especiais (Exército) Guiné
Monte Real - Leiria
Caros camarigos
Tenho lido com atenção todos os textos sobre a “Retirada do Guilege” e sobretudo este último do José Dinis, levou-me a pensar na dificuldade de analisarmos “friamente” o facto em discussão.
Com efeito a “Retirada do Guilege” tem um rosto, e esse rosto tem um nome que é o Coutinho e Lima.
Mas esse rosto é de todos nós conhecido, e está presente na nossa mente, nas nossas vidas quando pensamos no assunto.
Almoçámos com ele, falámos com ele, confraternizámos com ele, e sendo uma pessoa sem dúvida simpática e afável, sabendo nós que tem a sua família que preza como nós a nossa, é-nos muito difícil analisar uma decisão que tomou sem pesarmos nas nossas consciências o mal ou o bem que podemos fazer a essa pessoa que conhecemos.
Por isso mesmo, embora reconheça como muito difícil a tarefa, para analisarmos verdadeiramente a “Retirada do Guilege”, segundo a minha perspectiva, temos de nos “afastar” desse “rosto” e analisarmos os factos, as suas consequências e a decisão tomada.
O exercício que vou tentar fazer é com certeza, muito incompleto, provavelmente errado, talvez não totalmente isento, (mas quem o é verdadeiramente), mas decidi fazê-lo, mais como pensamento para mim, mas que coloco à disposição de todos.
Em primeiro lugar parece-me que não podemos analisar uma situação destas de guerra, com o pensamento nas vidas humanas que se poupam ou se perdem.
Quer queiramos quer não, na guerra perdem-se vidas humanas e por isso mesmo a guerra deveria ser inadmissível entre seres que se dizem inteligentes, e aquela que travámos toda a gente o sabe, foi em certa medida uma guerra inútil e em muitas facetas injusta.
Porque se nos servimos das vidas humanas poupadas, temos desde logo que pôr em causa tantas decisões tomadas ao longo da guerra, mormente a resistência em Guidage ou Gadamael.
Mas aí está, tendo como finalidade da guerra a vitória sobre o “inimigo”, a verdade é que em Guidage e Gadamael ganhámos e em Guilege perdemos, mesmo tendo em conta a hipótese avançada pelo Mário Fitas da retirada estratégica, porque pelo que percebemos ela nunca esteve no horizonte da decisão tomada.
Ao falarmos em Guidage e Gadamael, temos de nos perguntar quais eram as suas guarnições em termos de unidades militares quando começaram essas duas batalhas específicas e quanto tempo demoraram a chegar os reforços, ou seja, quanto tempo se aguentaram com a “prata da casa”.
É que ao lermos o desenrolar dos acontecimentos em Guilege tudo se resolve muito depressa com a decisão da retirada.
Mas vamos a outros factores, que vou enunciar, tentando não fazer julgamento dos mesmos.
Logicamente não serão os únicos, mas são os que me ocorrem.
Por aquilo que nos é dado a conhecer, cito o post 3737, «Desde 6 de Maio que os GC do Guileje não efectuavam qualquer saída do quartel (excepção à tentativa de coluna a 18Maio), o que os deixou sem uma segurança avançada e sem saber o que se passava para além do arame farpado.», não mais a tropa voltou a sair para a mata, nem para reconhecimentos rápidos da envolvente do quartel.
Ora uma das primeiras coisas que é ensinada aos comandantes das unidades em quadricula, é a importância de manter patrulhamentos constantes à volta dos quartéis, não só para controlar o inimigo, mas para defender exteriormente a unidade afastando o s possíveis ataques ou “golpes de mão”.
Quando não procedemos como nos é ensinado, acabamos por dar ao inimigo a liberdade territorial que lhe permite aproximar-se do quartel, flagelá-lo e até tentar um possível “golpe de mão”.
Há exemplos na Guiné como sabemos.
Pequenas unidades, como Pel Caç Nat, estacionados em destacamentos, por vezes extremamente isolados, e em zonas de guerra, não deixavam de sair duas a três vezes por semana para garantirem essa segurança, apesar de tudo efémera.
Estas saídas não dependem da vontade dos subordinados, logicamente, mas dos comandantes respectivos, em último lugar do primeiro comandante do aquartelamento.
Outro facto, tal como é relatado.
«"Guilege (sic) pretendia que se bombardeasse todas as matas em redor do aquartelamento. Ao ser-lhe perguntado por que razão não utilizava a artilharia, reportou que procedia desse modo a fim de não referenciar a posição do quartel!"» Post 3752
Para que serve a artilharia se não é utilizada?
Se o quartel está cercado, então a sua posição é perfeitamente conhecida, portanto não tem razão de ser este argumento.
Outra razão haveria, com certeza, mas que não conhecemos.
Sabemos bem como muitos comandantes se “batiam” para terem às vezes apenas e tão só uns morteiros 81 nos seus aquartelamentos, quanto mais obuses 14.
No Xime, cito porque conheço, os ataques eram sempre respondidos com a artilharia e não foi por causa disso que o quartel estava mais ou menos referenciado.
Julgo que a utilização dos obuses 14 poderiam ter sido um forte efeito dissuasor.
Outro ainda:
«A meu ver por falha do QG Bissau que até essa data, e ao contrário do que se passava em Guidaje, não autorizava a FAP a ir ao estrangeiro, e igualmente por falha do Guileje, que já não era capaz de indicar de onde tinham partido os ataques, limitando-se a afirmar “bombardeiem todas as matas à volta do quartel”.» Post 3737
Não há dúvidas que existe uma falha do QG em Bissau, porque com certeza um bombardeamento da artilharia do PAIGC estacionada além fronteira aliviaria em muito a situação do Guilege.
No entanto e também a resposta dada, (que não pode ser assacada a quem a transmitiu, mas a quem a ordenou), aos pilotos dos aviões por parte do Guilege revela um desconhecimento da situação e uma certa desorientação.
Sem referências específicas, os pilotos limitaram-se a largar bombas na mata.
De qualquer modo e como nos refere o piloto, «Tendo sido lançadas 16 bombas deste tipo nas matas entre o Guileje e a fronteira, a haver tropa do PAIGC nessa área, os efeitos teriam sido devastadores.» Post 3752, os homens do PAIGC teriam de ter sofrido fortes baixas e portanto saído das imediações do quartel.
Isto leva-nos a tentar perceber como é possível com um quartel cercado, pronto a ser invadido, executar uma retirada de cerca de 600 pessoas sem haver sequer um tiro ou qualquer outro problema, até com fotografias tiradas durante a retirada.
E aqui podemos pensar que o PAIGC não o quis fazer para não provocar um “banho de sangue”.
Mas então não tem sentido não terem entrado de imediato no quartel que já sabiam vazio!
O subterfúgio do gerador ligado, só tem sentido se o inimigo estivesse longe e então não estaria a cercar o quartel.
Mas também não se percebe como é que o PAIGC iria perder a oportunidade de desbaratar uma unidade inteira que retirava com população, pelo que a sua resposta a uma emboscada seria sempre muito discutível e algo desorganizada.
Ao PAIGC, envolvido numa frente de propaganda estrangeira da qual retirava grossos dividendos políticos, seria “ouro sobre azul” mostrar uma unidade ocupada e a maior parte dos seus ocupantes, Forças Armadas Portuguesas, presos ou abatidos.
Como se compreende que, segundo relatam, o PAIGC, que cercava o quartel e portanto teria de ter conhecimento do que se passava, continuar a bombardear o quartel e só o ocupar passados três dias?
Eu pessoalmente não vejo em nenhuma das descrições feitas algo que sustente que o quartel estava irremediavelmente perdido e que portanto devia ser abandonado, mas posso estar redondamente enganado.
Repito o que disse ao princípio, ou seja, que se analisarmos a “Retirada do Guilege” pelas vidas poupadas, temos de chegar à conclusão que a maior parte das decisões tomadas durante a guerra estavam erradas.
A verdade é que a guerra, esta como qualquer outra, estava errada e por isso mesmo se perdiam e perdem vidas humanas, o que nada justifica.
Se para além disso pensarmos nas vidas que estavam no Guilege e nós conhecemos, mais difícil se torna a analisar a questão do ponto de vista militar.
As decisões são tomadas face a muitos outros factores, e para esta concorreram forçosamente outras decisões de outros centros de comando.
Tenho a minha opinião, mas não a expresso agora.
De qualquer modo, repito o que disse no inicio, este exercício que fiz, muito incompleto, provavelmente errado, talvez não totalmente isento, (mas quem o é verdadeiramente), não pretende julgar ninguém, (quem sou eu para o fazer), mas ajudar a pensarmos juntos numa história o mais correcta possível do que se passou no Guilege.
Porque camarigos, mesmo que se chegue à conclusão que em termos militares a retirada foi um erro, há sempre um factor de peso para a considerar uma coisa boa, que são, agora sim, as vidas poupadas.
Ao Coutinho Lima e aos homens que com ele viveram este drama da guerra da Guiné, a minha homenagem e a minha camaradagem .
E a todos o meu forte e sempre abraço camarigo.
Joaquim Mexia Alves´
Tenho lido com atenção todos os textos sobre a “Retirada do Guilege” e sobretudo este último do José Dinis, levou-me a pensar na dificuldade de analisarmos “friamente” o facto em discussão.
Com efeito a “Retirada do Guilege” tem um rosto, e esse rosto tem um nome que é o Coutinho e Lima.
Mas esse rosto é de todos nós conhecido, e está presente na nossa mente, nas nossas vidas quando pensamos no assunto.
Almoçámos com ele, falámos com ele, confraternizámos com ele, e sendo uma pessoa sem dúvida simpática e afável, sabendo nós que tem a sua família que preza como nós a nossa, é-nos muito difícil analisar uma decisão que tomou sem pesarmos nas nossas consciências o mal ou o bem que podemos fazer a essa pessoa que conhecemos.
Por isso mesmo, embora reconheça como muito difícil a tarefa, para analisarmos verdadeiramente a “Retirada do Guilege”, segundo a minha perspectiva, temos de nos “afastar” desse “rosto” e analisarmos os factos, as suas consequências e a decisão tomada.
O exercício que vou tentar fazer é com certeza, muito incompleto, provavelmente errado, talvez não totalmente isento, (mas quem o é verdadeiramente), mas decidi fazê-lo, mais como pensamento para mim, mas que coloco à disposição de todos.
Em primeiro lugar parece-me que não podemos analisar uma situação destas de guerra, com o pensamento nas vidas humanas que se poupam ou se perdem.
Quer queiramos quer não, na guerra perdem-se vidas humanas e por isso mesmo a guerra deveria ser inadmissível entre seres que se dizem inteligentes, e aquela que travámos toda a gente o sabe, foi em certa medida uma guerra inútil e em muitas facetas injusta.
Porque se nos servimos das vidas humanas poupadas, temos desde logo que pôr em causa tantas decisões tomadas ao longo da guerra, mormente a resistência em Guidage ou Gadamael.
Mas aí está, tendo como finalidade da guerra a vitória sobre o “inimigo”, a verdade é que em Guidage e Gadamael ganhámos e em Guilege perdemos, mesmo tendo em conta a hipótese avançada pelo Mário Fitas da retirada estratégica, porque pelo que percebemos ela nunca esteve no horizonte da decisão tomada.
Ao falarmos em Guidage e Gadamael, temos de nos perguntar quais eram as suas guarnições em termos de unidades militares quando começaram essas duas batalhas específicas e quanto tempo demoraram a chegar os reforços, ou seja, quanto tempo se aguentaram com a “prata da casa”.
É que ao lermos o desenrolar dos acontecimentos em Guilege tudo se resolve muito depressa com a decisão da retirada.
Mas vamos a outros factores, que vou enunciar, tentando não fazer julgamento dos mesmos.
Logicamente não serão os únicos, mas são os que me ocorrem.
Por aquilo que nos é dado a conhecer, cito o post 3737, «Desde 6 de Maio que os GC do Guileje não efectuavam qualquer saída do quartel (excepção à tentativa de coluna a 18Maio), o que os deixou sem uma segurança avançada e sem saber o que se passava para além do arame farpado.», não mais a tropa voltou a sair para a mata, nem para reconhecimentos rápidos da envolvente do quartel.
Ora uma das primeiras coisas que é ensinada aos comandantes das unidades em quadricula, é a importância de manter patrulhamentos constantes à volta dos quartéis, não só para controlar o inimigo, mas para defender exteriormente a unidade afastando o s possíveis ataques ou “golpes de mão”.
Quando não procedemos como nos é ensinado, acabamos por dar ao inimigo a liberdade territorial que lhe permite aproximar-se do quartel, flagelá-lo e até tentar um possível “golpe de mão”.
Há exemplos na Guiné como sabemos.
Pequenas unidades, como Pel Caç Nat, estacionados em destacamentos, por vezes extremamente isolados, e em zonas de guerra, não deixavam de sair duas a três vezes por semana para garantirem essa segurança, apesar de tudo efémera.
Estas saídas não dependem da vontade dos subordinados, logicamente, mas dos comandantes respectivos, em último lugar do primeiro comandante do aquartelamento.
Outro facto, tal como é relatado.
«"Guilege (sic) pretendia que se bombardeasse todas as matas em redor do aquartelamento. Ao ser-lhe perguntado por que razão não utilizava a artilharia, reportou que procedia desse modo a fim de não referenciar a posição do quartel!"» Post 3752
Para que serve a artilharia se não é utilizada?
Se o quartel está cercado, então a sua posição é perfeitamente conhecida, portanto não tem razão de ser este argumento.
Outra razão haveria, com certeza, mas que não conhecemos.
Sabemos bem como muitos comandantes se “batiam” para terem às vezes apenas e tão só uns morteiros 81 nos seus aquartelamentos, quanto mais obuses 14.
No Xime, cito porque conheço, os ataques eram sempre respondidos com a artilharia e não foi por causa disso que o quartel estava mais ou menos referenciado.
Julgo que a utilização dos obuses 14 poderiam ter sido um forte efeito dissuasor.
Outro ainda:
«A meu ver por falha do QG Bissau que até essa data, e ao contrário do que se passava em Guidaje, não autorizava a FAP a ir ao estrangeiro, e igualmente por falha do Guileje, que já não era capaz de indicar de onde tinham partido os ataques, limitando-se a afirmar “bombardeiem todas as matas à volta do quartel”.» Post 3737
Não há dúvidas que existe uma falha do QG em Bissau, porque com certeza um bombardeamento da artilharia do PAIGC estacionada além fronteira aliviaria em muito a situação do Guilege.
No entanto e também a resposta dada, (que não pode ser assacada a quem a transmitiu, mas a quem a ordenou), aos pilotos dos aviões por parte do Guilege revela um desconhecimento da situação e uma certa desorientação.
Sem referências específicas, os pilotos limitaram-se a largar bombas na mata.
De qualquer modo e como nos refere o piloto, «Tendo sido lançadas 16 bombas deste tipo nas matas entre o Guileje e a fronteira, a haver tropa do PAIGC nessa área, os efeitos teriam sido devastadores.» Post 3752, os homens do PAIGC teriam de ter sofrido fortes baixas e portanto saído das imediações do quartel.
Isto leva-nos a tentar perceber como é possível com um quartel cercado, pronto a ser invadido, executar uma retirada de cerca de 600 pessoas sem haver sequer um tiro ou qualquer outro problema, até com fotografias tiradas durante a retirada.
E aqui podemos pensar que o PAIGC não o quis fazer para não provocar um “banho de sangue”.
Mas então não tem sentido não terem entrado de imediato no quartel que já sabiam vazio!
O subterfúgio do gerador ligado, só tem sentido se o inimigo estivesse longe e então não estaria a cercar o quartel.
Mas também não se percebe como é que o PAIGC iria perder a oportunidade de desbaratar uma unidade inteira que retirava com população, pelo que a sua resposta a uma emboscada seria sempre muito discutível e algo desorganizada.
Ao PAIGC, envolvido numa frente de propaganda estrangeira da qual retirava grossos dividendos políticos, seria “ouro sobre azul” mostrar uma unidade ocupada e a maior parte dos seus ocupantes, Forças Armadas Portuguesas, presos ou abatidos.
Como se compreende que, segundo relatam, o PAIGC, que cercava o quartel e portanto teria de ter conhecimento do que se passava, continuar a bombardear o quartel e só o ocupar passados três dias?
Eu pessoalmente não vejo em nenhuma das descrições feitas algo que sustente que o quartel estava irremediavelmente perdido e que portanto devia ser abandonado, mas posso estar redondamente enganado.
Repito o que disse ao princípio, ou seja, que se analisarmos a “Retirada do Guilege” pelas vidas poupadas, temos de chegar à conclusão que a maior parte das decisões tomadas durante a guerra estavam erradas.
A verdade é que a guerra, esta como qualquer outra, estava errada e por isso mesmo se perdiam e perdem vidas humanas, o que nada justifica.
Se para além disso pensarmos nas vidas que estavam no Guilege e nós conhecemos, mais difícil se torna a analisar a questão do ponto de vista militar.
As decisões são tomadas face a muitos outros factores, e para esta concorreram forçosamente outras decisões de outros centros de comando.
Tenho a minha opinião, mas não a expresso agora.
De qualquer modo, repito o que disse no inicio, este exercício que fiz, muito incompleto, provavelmente errado, talvez não totalmente isento, (mas quem o é verdadeiramente), não pretende julgar ninguém, (quem sou eu para o fazer), mas ajudar a pensarmos juntos numa história o mais correcta possível do que se passou no Guilege.
Porque camarigos, mesmo que se chegue à conclusão que em termos militares a retirada foi um erro, há sempre um factor de peso para a considerar uma coisa boa, que são, agora sim, as vidas poupadas.
Ao Coutinho Lima e aos homens que com ele viveram este drama da guerra da Guiné, a minha homenagem e a minha camaradagem .
E a todos o meu forte e sempre abraço camarigo.
Joaquim Mexia Alves´
VB- São estes factos que fazem a história sobre a Guerra na Guiné.
Com discussão sã e frontal,conseguimos transmitir a este pais,a vivência numa Guerra em defesa de um Portugal hoje à deriva.
Bom seria que mais ,Antónios Matos,Alexandrinos Ferreiras,Mexias Alves,homens que viveram no terreno aquilo que muitos, ainda hoje tentam ocultar,manifestassem também a sua opinião.Este espaço está aberto.
Este espaço não é meu Joaquim,mas sim nosso!
Estamos sempre ansiosos por ler e reviver tudo,e é muito,o que tens para nos descreveres sobre o que viveste naquela terra inesquecível.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
733 OBRIGADO JOÃO CARLOS.

Arlindo Pereira
2ºSargºMil MMA Tete
Lisboa
Em primeiro lugar, um grande abraço para a Linha da Frente.
João Carlos, quero agradecer-te pela tua intervenção no Blog c/ " Aquele Inverno ", realmente a F.A. tem um carisma que tem perpetuado ao longo de décadas e que permite transmitir aos seus Zés, uma forma de estar na vida, diferente dos outros, e o resultado é o facto de um jovem Zé como tu, consegues nos dias de hoje, ter a capacidade de te colocares na pele de todos aqueles que participaram na Guerra Colonial.
A tua análise sobre os factos, reflectem uma cultura sobre uma Guerra que muitos " Engenheiros e Doutores " que têm desgovernado este País, querem abafar.
Basta lembrar filme que a RTP fez passar nos ecrans das nossas televisões " As duas faces da guerra ".
Felizmente que jovens como tu, conseguem separar o trigo do joio, para bem de uma geração, que ainda hoje sofre com a participação nesse conflito, basta ver os diversos testemunhos que têm sido mencionados neste nosso BLOG.
Mais uma vez um grande abraço e um desejo especial de rápidas melhoras para um grande Transmontano que se encontram radicado num dos jardins do Arquipélago dos Açores, para ti Fernando este abraço e volta depressa.
Arlindo Pereira
732 ASSIM É SENTIDA A UNIÃO DA FAMÍLA ZÉ.
Américo Dimas
Esp.Marme Guiné
Angola
Caro amigo Fernando
Apesar de já teres recebido "resmas" ou "paletes" de palavras de incentivo, acerca da condição de saúde, como manifestação de carinho e amizade que todos sentem por ti, também eu desejo aumentar esse número, escrevendo para o efeito mais estas linhas.Todos nós sabemos que somos daquelas "máquina" que já não se fabricam..., por isso há muita dificuldade em arranjar "peças originais" para substituição. Assim não podemos deixar de dar a melhor atenção a ela (máquina) de tal forma que as "revisões","lubrificações", etc. nunca possam faltar..., para além de a utilizar de forma correcta, sem grandes esforços...O meu amigo como entendido nesta matéria saberá melhor que ninguém,certamente como bem proceder, apesar destes meus conselhos.Espero que tudo regresse à normalidade, para continuar a nos oferecer notícias desse jardim no meio do oceano plantado e a participar no convívio da tertúlia do fórum, com a mesma regularidade de sempre.Aproveito para agradecer os mails enviados, que ajudam a passar o meu tempo em Angola muito melhor.
Estou a estudar a hipótese em Abril ou Maio, ir visitar os Açores, que não conheço.
Desejos sinceros de melhoras e um grande abraço de amizade
Américo
Apesar de já teres recebido "resmas" ou "paletes" de palavras de incentivo, acerca da condição de saúde, como manifestação de carinho e amizade que todos sentem por ti, também eu desejo aumentar esse número, escrevendo para o efeito mais estas linhas.Todos nós sabemos que somos daquelas "máquina" que já não se fabricam..., por isso há muita dificuldade em arranjar "peças originais" para substituição. Assim não podemos deixar de dar a melhor atenção a ela (máquina) de tal forma que as "revisões","lubrificações", etc. nunca possam faltar..., para além de a utilizar de forma correcta, sem grandes esforços...O meu amigo como entendido nesta matéria saberá melhor que ninguém,certamente como bem proceder, apesar destes meus conselhos.Espero que tudo regresse à normalidade, para continuar a nos oferecer notícias desse jardim no meio do oceano plantado e a participar no convívio da tertúlia do fórum, com a mesma regularidade de sempre.Aproveito para agradecer os mails enviados, que ajudam a passar o meu tempo em Angola muito melhor.
Estou a estudar a hipótese em Abril ou Maio, ir visitar os Açores, que não conheço.
Desejos sinceros de melhoras e um grande abraço de amizade
Américo
VB.São este tipo de acções que definem carácter dos homens ESPECIAIS!
O Américo noutro continente,e sabedor do estado de saúde do Fernando,não quis deixar de lhe prestar a seu carinho e amizade neste momento difícil,que felizmente já passou,da sua vida.
731 CORONEL ALEXANDRINO FERREIRA.

Rogério Nogueira
1ºSargº.MMA Tete
Terceira - Açores
Ilustre companheiro Victor. Boa noite.
Acabei de ler o escrito do SENHOR CORONEL RUI A. FERREIRA.
A verdade, simplicidade, razoabilidade, seriedade, honestidade e honradez exposta num descritivo a todos os títulos louvável, permite-me, pessoalmente endereçar-lhe UM MUITO OBRIGADO.
É uma defesa inegável de quem nas longínquas terras soube dar o seu melhor, em nome de UMA PÁTRIA que, isso sim, actualmente se propõe esquecer os VERDADEIROS HERÓIS, que hoje vivem na rua, sem qualquer tipo de assistência, mendigando...
A verdade histórica dos 13 anos de guerra colonial ainda não se encontra reportada dignamente. Tem havido enormes atropelos á verdade dos factos, que esporadicamente é denunciada, como no caso presente deste escrito, por parte do SENHOR CORONEL.
Em meu entender, a jornalista nem sequer soube homenagear as GRANDES MULHERES que serviram a PÁTRIA. Parece-me um contrasenso, só admissível de quem NUNCA soube o que significa sofridão, tenacidade, solidariedade e amor.
Julgo que ela deveria preocupar-se em saber como vivem, actualmente, os milhares de ex-combatentes, que foram, inclusivé, espoliados na SUA DIGNIDADE.
No nosso PORTUGAL alguém compôs uma canção que tem por título QUEM ME LEVA OS MEUS FANTASMAS... NÃO A PÁTRIA, mas sim a pandilha que a denegride...
Termino, uma vez mais, agradecendo o sábio escrito de quem, hoje ainda, sabe o caminho...
A ti Victor e restante tertúlia, forte abraço, cordiais saudações ESPECIAIS.
Rogério R.Nogueira
729 A GUINÉ SEMPRE A DIANA ANDRIGA ÁS VEZES.
Rui Alexandrino Ferreira
Cor.Exército (Reformado)
Viseu
VB:Ainda sobre filme apresentado pela RTP 1 nos passados dias 15 e 16,recebemos deste nosso companheiro o seguinte comentário:
Amigo Victor:
Vi e ouvi com atenção a mensagem que a jornalista nos quis transmitir no programa televisivo que a nossa TV pública passou em hora nobre .
O PAIGC é que eram os bons e nós tropas Portuguesas os maus.
É uma opinião a que logicamente tem todo o direito. Não será muito abonatória para o soldado português, englobando nessa designação todos quanto no cumprimento do Serviço Militar Obrigatório passaram pelas fileiras do Exército na Guiné e não só.
Gerações que durante treze arrastados e sofridos anos de guerra que extenuou, sacrificou, estropiou, mutilou a juventude de Portugal. Tudo aguentaram para dar ao poder político tempo mais que suficiente para lhe arranjar uma solução e que acabou por nunca acontecer.
Que tendo suportado contrariedades sem conta desde o desprestígio acelerado que as Forças Armadas vinham sofrendo, o descrédito em que foram caindo os mais altos escalões da hierarquia, a erosão a que a rotina da guerra conduziu, a desmotivação do Quadro Permanente, a mobilização praticamente total do contingente anual possível com a evidente perca da qualidade humana, a queda acentuada dos níveis de instrução, a justiça e falta de ideal da própria guerra acabaram por erigir mais uma epopeia de Portugal em África.
Numa África inóspita e desconhecida para a maioria, traiçoeira e perigosa onde se multiplicavam adversidades que iam da falta de água potável à má
alimentação, das doenças tropicais endémicas às sexualmente transmissíveis, dos excessos do clima à precariedade ou inexistência de instalações, da ausência de material de guerra e logístico moderno, aligeirado ou de fácil manuseamento, o que contrastava com a rápida evolução e modernização do material usado pela guerrilha e que se acabou por chegar a uma situação que reporto única nos tempos e no mundo de um Exercito Regular se encontrar em inferioridade técnica de meios.Que se viram confrontados com uma guerra onde o antagonista moralizado, matreiro, adaptado ao terreno, valorizado por anos sucessivos de luta, explorando as nossas fraquezas e melhorando os procedimentos a que pragmaticamente só tinham para opor a abnegação, a capacidade de sofrimento, a camaradagem, o espírito de sacrifício, um inacreditável poder de adaptação, um providencial sentido de desenrascanço, um extremo desembaraço, demonstraram uma imensa grandeza de alma.Que se viram defraudadas nos seus sacrifícios, vãos os seus esforços, inúteis as suas canseiras e inglórias tantas mortes.
Que se vejam esquecidos pelos seus próprios, muito mais preocupados em bajular o inimigo de então do que a reconhecer as dificuldades da sua acção. Que vem tentar amenizar, fazer esquecer ou nem disso falar do genocídio das tropas africanas que connosco e por nós combateram, que comprometemos com o slogan dum Portugal do Minho a Timor e que desarmámos com promessas de integração num futuro Exército da Guiné com acordos com o PAIGC que sabíamos muito bem que não iam cumprir.
Genocídio que se pretende justificar com a pretensa violência com que essas tropas africanas actuavam. Que sorrateira e deliberadamente se esquece que se durante a guerra ambos estavam armados depois disso só uns tinham as armas. E como é diferente a situação. Ambos armados: matar ou morrer ou simplesmente morrer para os desarmados.
Não me parece, pois, que tenha sido uma justa abordagem do que se passou, não me parece isenta, nem a homenagem que mereciam os soldados de Portugal que na Guiné deram tudo até a própria vida por aquilo que então se acreditava ser a defesa da Pátria.
A minha sincera homenagem ao meu herói - o soldado de Portugal. Que ninguém tenha vergonha nem de o ter sido nem do muito que fizemos pelo povo da Guiné.
Um grande abraço do
Rui Alexandrino Ferreira
728 "AQUELE INVERNO"

João Carlos Sousa
Esp.MMA
Sobreda da Caparica
Amigo Víctor,
Já tinha esporadicamente ouvido uma música na rádio que me fez um "clic", mas, na altura não consegui registar os detalhes para a procurar.
Hoje consegui, é uma música do grupo português Delfins que se chama Aquele Inverno, do álbum O Caminho da Felicidade.
Fui à procura e encontrei um video no Youtube que gostaria de partilhar. Se calhar já conheces. Eu não conhecia e gostei e confesso que me tocou bastante.
A fusão da canção com as imagens duras da Guerra Colonial, penso que reflecte de forma transversal à nossa sociedade o sofrimento passado por algumas gerações de portugueses, homens e mulheres, assim como os vários tipos de acções desde as terrestres às realizadas pelos nossos companheiros dos Helicópteros.
Digo gerações pois além de o período da guerra colonial se ter arrastado durante 13 longos anos, este afectou principalmente os que directamente foram chamados a servir, mas também as Mães, os Pais, as Irmãs, os Irmãos, as Mulheres, as Namoradas, no caso das Enfermeiras Pára-Quedistas se calhar Maridos ou Namorados, as Amigas, os Amigos, porque não as Filhas e os Filhos, enfim, as famílias de todos os ex-combatentes, não só durante esse período, mas até hoje com as inevitáveis sequelas.
Ao partilhar este vídeo, quero transmitir o meu respeito e admiração por todos vós ex-combatentes, assim como às respectivas famílias.
Algumas imagens são violentas.
Um abraço
João Carlos
domingo, 18 de janeiro de 2009
727 NÃO FAÇO MAIS COMENTÁRIOS!!!
Carlos Robalo
Esp.MMA Guiné
Lisboa
VB:Aproposito do filme " As duas faces da Guerra" que a RTP apresentou a semana passada,o Carlos Robalo enviou-nos uma mensagem mostrando o seu desagrado para com que viu.
Concordo em absoluto com o companheiro Lanceiro, é uma vergonha....
Cada vez mais está distorcida a história, é uma espécie de lavagem para os vindouros.
CRobaloMMA-
Guiné Lisboa
Um abraço
Esp.MMA Guiné
Lisboa
VB:Aproposito do filme " As duas faces da Guerra" que a RTP apresentou a semana passada,o Carlos Robalo enviou-nos uma mensagem mostrando o seu desagrado para com que viu.
Concordo em absoluto com o companheiro Lanceiro, é uma vergonha....
Cada vez mais está distorcida a história, é uma espécie de lavagem para os vindouros.
CRobaloMMA-
Guiné Lisboa
Um abraço
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