domingo, 7 de março de 2010

VOO 1531 A RECEPÇÃO AOS "PIRAS".



Miguel Pessoa

Cor.Pilav.(Ref.)

Lisboa


APERTAR COM OS "PIRAS"


A chegada à Guiné do pessoal novato prestava-se na maioria dos casos a que o recém-chegado fosse objecto de uma recepção personalizada por parte do pessoal "veterano" há longo tempo (meses...) estabelecido no burgo
.


Não sei como se processava esta recepção nas unidades do Exército mas penso que, tratando-se de rendições colectivas em que uma Companhia era substituída por outra, as cenas de recepção aos caloiros ("piras") deviam ser um acto mais colectivo do que sucedia na Força Aérea.

De facto, a maioria das nossas rendições era feita a título individual ("O Ten. X é nomeado para a BA12/Esq. 121 em substituição do Cap. Y", etc.). Portanto, o que sucedia era que permanentemente na BA12 se assistia à chegada sucessiva de novas caras, para substituir camaradas que entretanto acabavam a sua comissão.

Este facto proporcionava aos recém-chegados uma recepção personalizada, situação que testemunhámos frequentemente ao longo da nossa comissão, ou que sofremos nós próprios à nossa chegada ao TO da Guiné.

Um pouco de acordo com as características do novato, assim era preparada a recepção. Muitas vezes era engendrado um cenário em que os actores trocavam os seus papéis; quase sempre duas figuras importantes nesta recepção eram o "comandante" e o "capelão", motivo pelo qual era dado um certo ênfase às suas actuações, pelo papel importante que tinham na endoutrinação do "pira" e que exigia desses actores um ar sério e ponderado.

Estou a falar do "pira" mas o primeiro caso que refiro é o de uma "pira", a enfermeira pára-quedista N... (a quem tínhamos a mania de chamar Amélia, vá-se lá saber porquê...) recém-chegada à Base, que logo no dia da sua apresentação teve direito à devida recepção, com a necessária conivência das suas camaradas enfermeiras lá colocadas.

Para além de um cenário maquiavélico que era engendrado (afinal até já estávamos no tempo em que isso se aproximava da realidade...), que passou pela ementa do jantar - uma "carne de macaco" que afinal era gazela - sucedeu que nesse fim da tarde se processava o treino da artilharia anti-aérea da BA12, com a largada de "flares" que eram massacrados pelos artilheiros no seu treino. Naturalmente, aproveitou-se a coincidência para convencer a "pira" que a Base estava a ser abonada pelo IN(*) e, para agravar mais a situação, inventou-se uma série de evacuações a serem feitas de imediato, para pistas no mato e já noite cerrada, sendo que foi solicitada a sua colaboração para avançar, dada a necessidade de enfermeiras para o efeito. Bem argumentou a pobre que nem farda ou equipamento tinha, ao que lhe foi dito que ia mesmo assim, à paisa... É claro que a coisa foi abortada antes que a "pira" se apagasse ali mesmo.

No meu caso pessoal a coisa também não foi boa pois, sendo um oficial do quadro habituado ao cumprimento rigoroso do respeito hierárquico, não me agradavam muito os avanços dos alferes e furriéis "veteranos" que se valiam da sua "antiguidade na Guiné" para apertarem comigo. Considerava eu que, lá por ser "pira", não era razão para me pisarem os galões, só para me mostrarem o seu "estatuto" superior de "velhinhos".

Isso levou a que, num certo serão, uns tantos malandros resolvessem atacar o meu quarto disparando uns very-lights pela janela. E que a coisa não foi fácil é que até um bocado do fósforo de um deles veio atingir a minha mão, que ainda hoje tenho uma marca num dedo para o comprovar. O facto é que isso provocou da minha parte uma forte reacção, pois só me lembro de sair porta fora a disparar very-lights com a minha caneta, e não eram para o ar... Felizmente conseguiu-se acabar esse serão sem baixas a lamentar. Da minha parte, no dia seguinte tive que tomar três acções imediatas: repor o stock dos very-lights indevidamente gastos, que podiam ser essenciais para a minha sobrevivência (e foram...); mandar pôr uma nova rede mosquiteiro na janela, que a outra tinha ficado toda furada; finalmente, ligar menos às tentativas de "praxe" dos tais "veteranos" e ganhar experiência rapidamente, para os calar(**).

Finalmente, um último exemplo, que não presenciei, pois se trata precisamente do piloto que foi substituir-me enquanto estive incapacitado. O Capitão B... nem era sequer um novato (já tinha feito uma comissão em Fiat G-91, em Moçambique). Mas, sendo "pira" na Guiné, teve direito à sua recepção, que mais tarde me descreveram.

Imagine-se o que é, à chegada do Capitão B..., aparecerem no terminal das chegadas da BA12 dois pilotos entrapados - O Comandante da Esquadra com a cabeça enfaixada e o outro piloto com um braço ao peito, a convencerem o recém-chegado que, dada a incapacidade dos dois e havendo pouco pessoal disponível, era necessário que o outro avançasse para um apoio de fogo imediato (ele que nem conhecia o território...). Eh!Eh! Tenho pena de não ter podido assistir a esta cena...

Enfim, estas acções, mais do que pretenderem achincalhar alguém, tinham como objectivo "desmamar" os novatos e apressar a sua integração no cenário de guerra existente. E nenhum mal daí veio para os "piras" que, à sua chegada, levavam um tratamento de choque para se aperceberem mais depressa do sítio em que tinham caído.

Miguel Pessoa

(*) Ocorrência que infelizmente não era preciso encenar em muitos dos nossos aquartelamentos.

(**) O que consegui rapidamente. Pois se até era eu quem atribuía as missões diárias aos pilotos...


VB: Momentos inesquecivéis,Miguel!
Só te faltou dizer que as "vitimas",muitas vezes,ainda tinha uma "factura"para liquidar no bar.

sábado, 6 de março de 2010

VOO 1530 DO AB 3 NEGAGE PARA A BA12 BISSALANCA.


João Sousa
Esp.OPC
Braga


CONTACTO COM A BA12, VIA AB3 NEGAGE



Caríssimos: quero felicitar-vos pela excelente marca de aterragens em Fevereiro. Nada mais nada menos que 69 (seis nove). Belo!Para este mês gostaria que a mesma marca fosse atingida mas de costas: 96 (nove seis).Para fins estatísticos, posso dizer-vos que no dia 27-2-2010, às 20.30 horas, a contagem de aterragens cifrava-se em 220 701. Neste espaço de tempo, o número subiu em flecha. Reparem na contagem actual. Excelente!
Pois é Victor: não é fácil manter activa esta base e chama-viva em que todos nós, em maior ou menor número, gostamos de nos rever, não tanto pela difusão de fotos (se bem que dêem uma grande ajuda e um bom testemunho), mas sim pela riqueza de conteúdos textuais que nos remetem para aqueles tempos que foram, para alguns, as melhores férias das suas vidas (estou incluído neste grupo, felizmente). Sei, por experiência, que isto dá muito trabalho. Pena tenho de não morar mais perto de ti pois teria imenso gosto em dar-te uma ajuda. Bem-hajas pelo dispêndio de tempo e esforço que tens posto ao serviço desta comunidade. Vai também a minha palavra de enorme apreço para o restante comando. Continuai !
Junto nova remessa de fotos do pessoal do AB3 Negage. Legenda - José Pereira e Guerreiro (Aman.) na preparação do lanche
Foto: João Sousa (Direitos reservados)

Legenda - 1A Fila: Martinho, Zé Pereira e Conde. 2A Fila: Sousa e Rodrigues. 3A Fila: Leitão, Guerreiro, ?, Farias
Foto: João Sousa (Direitos reservados)


Legenda - Amaro, Sousa, Leitão, Zé Pereira, Rodrigues, Conde e Guerreiro (Aman.)
Foto: João Sousa (Direitos reservados)

Legenda - Sousa, Guerreiro, Rodrigues Zé Pereira e Conde
Foto: João Sousa (Direitos reservados)

Legenda - Regra geral, depois de um dia de árduo trabalho, o pessoal refugiava-se nestas casinhas para "aliviar o ego". Isto acontecia mais em destacamentos: AM31 e AM32 - Maquela do Zombo e Toto, respectivamente.
Foto: João Sousa (Direitos reservados)

Como sempre, aquele abraço para todos!
João Sousa

VB.Olá João
Obrigado pelas referências estatísticas que nos fazes.Quero no entanto dizer-te que é um trabalho de quatro elementos,Jorge Mendes,Augusto Ferreira,João Carlos Silva e eu,que seguem o velho lema "ESPECIALISTA SEMPRE!". Mas na verdade, se não fosse a vossa colaboração neste espaço,certamente que esses números não atingiriam a expressão que têm.

VOO 1529 A VELOSOLEX.


António Dâmaso
SargºMorParaquedista (Refº.)
Odemira

SOLEX

Estava na minha segunda comissão na Guiné, ia almoçar a Bissau quase todos dias quando não estava no mato.Umas vezes ia nos transportes da Unidade, outras na minha viatura Peugeot 203 com motor de 403.Acerca desta viatura, comecei por abrir o motor para por segmentos novos, tal não era possível devido ao calo na parte superior do cilindro, entretanto tive conhecimento da existência de outra viatura da mesma marca mas 403, já fora de serviço mas que funcionava, lá fui ver e comprei por 2.000 Pesos.
Conduzi a viatura até ao local onde tinha sido a cozinha do B. C. P. 12 no inicio do Batalhão, para depois tirar o motor para substituir o 203.
A nova viatura velha que comprei, tinha sido um táxi, fui abrir o motor estava com o mesmo problema do outro, um enorme “calo”, peguei no bloco e fui a uma oficina que havia, não me recordo do nome do Senhor, sei que era numa rua paralela à que à que ia dar ao Zé da Amúra onde se comiam os passarinhos fritos e o chispe picante.
Também me lembro das lamentações do Senhor relativamente aos efeitos do clima e hoje em dia, sinto no corpo os sintomas que ele na altura se referia, lembrando-me das palavras sábias de quem sem conhecimentos clínicos, tem a prioridade do sentir na pele.
Resolvi por camisas novas e pistões novos, o carro ficou uma autêntica “bomba”, depois foi mudar a cor.
A cor inicial era um azul muito feio, por estar muito queimado do sol, era aquele azul “baço” que alguns chamam de cor de catre, depois de requerer a mudança de cor da pintura na Conservatória do Registo Automóvel, resolvi pintá-lo de um creme mais agradável à vista.
Um dia em que tinha o carro na pintura, não me despachei a tempo de apanhar o transporte e resolvi pedir o transporte de um Aferes MMT, para ir almoçar.
Tratava-se uma bicicleta a pedal com motor auxiliar, montado por cima da roda dianteira, quando a trabalhar e colocado a fazer fricção sobre a roda dava impulso para que a bicicleta andasse, pelo menos em terreno direito sem ser necessário pedalar.
Para Bissau, por ser a descer fui na ponta da unha, no regresso a coisa complicou-se porque entre Brá e o Restaurante as Palmeiras, o motor não queria trabalhar.
Para por o motor a trabalhar, punha-se o motor sobre a roda e com o movimento da roda é que este pegava, naquele momento não queria pegar, pensei tratar-se da “encharcada” procurei na mala das ferramentas, tirei a dita e procedi aos trabalhos de limpeza e secagem utilizados nestes casos mas sem sucesso e não pegou mesmo.
Aquela hora da tarde com o calor que fazia sentir, depois do esforço para o motor a trabalhar, fiquei alagado em suor e acabei por ir a pedalar até à Unidade, fiquei farto de Solex.
Quando estava a redigir este texto, veio-me à memória, que o meu camarada Furriel Pára-quedista, Joaquim Carlos da Costa Santos que morreu vitimado por um acidente de viação, creio que atropelado quando se deslocava numa Solex no mesmo trajecto, perto do Hospital Militar em 15 de Setembro de 1967.
Se não estou em erro o Alferes em referência, foi o que montou uma pista de carros em miniatura em Bissau, onde a rapaziada ia à noite brincar um bocado.Uma imagem da VELOSOLEX



Legenda: Na BA12 havia algumas máquinas destas Solex.
Foto:António Dâmaso(direitos reservados)


Legenda:A minha máquina “voadora”estacionada em frente ao Quartel da PSP em Bamdim.
Foto:António Dâmaso(direitos reservados)

Um Alfa Bravo

Saudações Aeronáuticas

Dâmaso

VB:Bom Dia Dâmaso.
Desta vez chegaste de Peugeot 203 (provavelmente hoje não te importavas de o ter em funcionamento!?...) e depois uma voltinha de Solex.
Devo dizer-te que na BA 12 existia uma destas máquinas mas...sem motor!Um dos seus principais "tripulantes" era o nosso companheiro João Pato que(parece que o estou a ver) fazia uns sprinter's pela placa. Recordo um dia,junto à porta do Grupo Operacional 1201,quando o Comandante do GO 1201,o falecido Ten.Cor.PilavBrito,o chamou,provalmente para o repreender pelo facto de não ter escolhido o melhor local para a pratica do ciclismo,ele,continuando a sua marcha,respondeu-lhe: Já vou meu comandante! Então,depois de completar a sua voltinha,lá foi ter com o Comandante que lhe deu mais um raspanete. Quer fosse dentro da base ou fora,o João era conhecido por toda a gente,era uma figura única. Não era João?
Bom,Dâmaso,perdi-me um pouco coma história da Solex.Que é feito de ti? À muito que te não saltavas na linha da frente,espero que seja apenas por manutenção do teu paraquedas e nada mais.

VOO 1528 ATERRAGEM AUTORIZADA.


Mário Rodrigues
Esp.Melec/Inst./Av.

Estoril

MAIS UMA ATERRAGEM, CASO ME SEJA PERMITIDO CARO COMANDANTE.

Ontem, falei telefonicamente com o camarada Six, e apercebi-me, que estava num estado, de completa ansiedade, porque o Osório (Esteca), surgiu após tantos anos de busca. Finalmente acabou por ser encontrado, ficando a dever-se o favor ao João Carlos Silva pela sua boa vontade em fornecer o contacto ao Six. O contacto entre eles, já foi estabelecido.

Jorge Félix, tens razão no que se relaciona às voltinhas tanto com a Mini Monkey, como a Honda 50 SS, também minha, mas de 50cc e não 125. A única coisa que tinha de 125, era o pistão de 62cc, porque pertencia ao motor bi cilíndrico da Honda 125.

Mas à Honda 125 que também “montaste” e pertencia a um sargento, é efectivamente verdade, mas não era 125, mas sim 250, propriedade do Sarg. Simões (indivíduo louro) OP/RADAR e do Abel Montez MELEC/INST/AV, que por coincidência, também tocava viola no teu Grupo Musical, da BA12. O Abel era um indivíduo, com uma enorme habilidade motociclista. Na época, foi do melhor que vi, tendo eu sido “motoqueiro” desde os 12 anos e tinha a mania, que era o “boneco da bola”. Hoje as máquinas são bem diferentes, bem equilibradas em estrutura, aerodinâmica, pneus etc. e consegue-se fazer habilidades, que na época eram completamente impossíveis.

Legenda:A foto desta moto, é igual à que te referias, apenas difere a cilindrada.

Esta é, a Honda 450 Black Bomber, sendo o mesmo desing

Creio que já começo a sair dos parâmetros deste blogue, e já me começo a alongar, com tecnicismos sobre motos, quando há verdadeiras histórias para contar.
Cordiais saudações especiais.

Voos Relacionados:
Voo 1514 Mais um voo rasante para o João Carlos Silva - Mário Rodrigues
Voo 1520 Para o António Six e José Ribeiro - José Osório
Voo 1524 Lembranças que vão surgindo - Jorge Félix
Voo 1527 A Honda Monkey - José Teixeira

VB.Não tens que agradecer o que quer que seja Mário,este espaço foi criado para recordar e juntar esta grande família ESPECIAL,talvez não devesse-mos ser nós a fazê-lo mas...sem comentários.
Temos consciência que temos tido um trabalho muito árduo, a expensas próprias (sem subsídios!!!)mas a mesma consciência nos diz que é o que todos nós merecemos.O único subsidio que nos tem sido atribuído,tem sido a vosso reconhecimento e gratidão pelo nosso trabalho.

quinta-feira, 4 de março de 2010

VOO 1527 A HONDA MONKEY.





José Teixeira
Esp.OPC
Trofa



Meu caro BARATA-
Refiro o voo 1514- do Mário Rodrigues
A sua descrição sobre a HONDA MONKEY, é perfeita.Legenda:A Honda Monkey.
Foto:Mário Rodrigues

Fui também proprietário de uma, e sou, que trouxe da GUINÉ,mas que há três anos, o meu armazém de trabalho, onde também a guardava, foi vítima dos criminosos a que que as nossas autoridades chamam de pirómanos(valha-me DEUS, são doentes,coitaditos), e portanto,...PROCESSO ARQUIVADO. Enfim... neste país livre e democrático...normalmente não se sabe(??) quem rouba nem quem assalta nem quem...outras coisas. Coitado de quem tem os seus haveres...
Em suma, não posso estar tranquilo naquilo que me pertence, pois tenho receio de voltar a ter um assalto. Enquanto as nossas autoridades não descobrirem os seus autores.
Será que este texto engloba assuntos que não devam ser publicados? Meu caro comandante, fica ao teu critério e obrigado por me aturares.
José Maria Teixeira
OPC 2ª/67
TROFA

Voos de Ligação:
Voo 1514 Mais um voo rasante para o João Carlos Silva - Mário Rodrigues

VB: Pois é Zé,esses casos são o espelho do país que temos e que em nada contribuímos para que assim seja.

VOO 1526 0 HONÓRIO E AS SUAS TRAQUINICES.


Victor Oliveira
Esp.Melec/Inst./Av.
Caneças



O TAL SARGº.DO EXÉRCITO QUE DISSE QUE SE AGUENTAVA.


Havia um 2ºSarg. do exército em Nova Lamego que quando nós íamos para lá se juntava depois do jantar connosco a beber os nossos whisky no Café Mar Verde ou no outro que existia de que não me lembro do nome.
Então uma noite em conversa este nosso amigo, diz que já tinha andado muito de avião e que não gritava ao Gregório (vomitar).
O Honório vira-se para ele e diz-lhe, amanhã apareces lá na pista que trato de ti. Na altura ele, Honório, estava a voar nos T6G.


Então logo de manhã aparece o nosso amigo com a sua farda verde todo bonito, pusemos-lhe o pára-quedas e ai vai ele para dentro do T6, e eu dizia-lhe, nem sabes onde te meteste, ele disse-me, não há problema.
Claro que o Honório quando o apanhou dentro do T6 deu o seu festival do costume. Quando aterrou o nosso amigo parecia que vinha da piscina, a farda estava toda encharcada, tivemos que o tirar de dentro do avião mas o nosso 2º argt nem sabia andar.
Um grande abraço.
Vitor Oliveira 1ª66 Melec (Pichas)

VB: Não era fácil,Victor...

VOO 1525 SAGA CONT. (VI)




Olvídio Sá

Esp.EABT
Chaves



Saga Cont. V

Logo, quando me desloco à vila do N´gage, tiro as minhas ilações e jamais esqueço o material que me é fornecido.

Legenda: No bailarico onde ponderam os Zés Especiais.
Foto:Olvídio Sá(direitos reservados)

Ora, uma noite em que houve um bailarico, lá estamos nós, os “Zés Especiais” sempre prontos para dar ao seu lado dançante um pé para entrar. Aqui é que eu entro quando vou pedir para dançar a uma senhora, a qual mais parecia uma bonequinha pelo estatuto de nova e bonita. Esta, negou-me essa honrosa dança dizendo que estava com o “noivo” amante naquele tempo, o qual se encontrava em amena cavaqueira com uns amigos. Muito longe de mim que eu estava a cortejar uma dama que era comprometida aqui e vivia maritalmente com ele em casa. O que é certo, como macho que se sente ferido, logo ele vem em defesa da sua dama. Porque palavra puxa palavra, se um fala em voz alta o outro replica ainda em tom mais alto e agressivo. Travamo-nos de razões e, como um relâmpago, ambos estamos engalfinhados. Enquanto eu, com a mão direita vou tentando apanhá-lo, com a esquerda agarrei-lhe a camisa ficando com um pedaço dela na mão, quando os presentes nos separaram é então que ele me diz:

-E agora onde é que o Senhor me vai arranjar outra camisa?

-Não se preocupe – Digo eu – Ao mesmo tempo que meto a mão no bolso das “Jeans “ tiro o quite com três “Camisas de Vénus” e, perante toda a assistência as começo a desfraldar e digo: - Não lhe arranjo uma, arranjo-lhe três.

Para todos os “Zés” Especiais Vos Abraço
Olvídio Sá Esp.Eabt. 110/66
-Angola- -N´gage- -Chaves-

VOO 1524 AS LEMBRANÇAS QUE VÃO SURGINDO.


Jorge Félix
Alf.Pilav.
Porto

Caro Victor,

Tenho que confidenciar a minha "olhadela" diária ao nosso Blog.
Uns dias bem, outros assim assim, e assim se passa o tempo.
No voo 1511, o Mário Rodrigues, dá-nos uma foto da uma Mini Honda que também devo ter guiado. Naqueles tempos não tinha medo de andar "montado" naquele cavalo indomável. Depois vem a referencia à 125 cc onde também me recordo de ter voado, mas o proprietário era um furriel de quem não me recordo o nome.
Hoje aparece um novo tertuliano a falar de um conjunto músical e de um Pianista Jorginho. Já te contei como nasceu um conjunto músical na BA12 e eu fui obrigado a tocar "Orgão" por não haver mais ninguém com coragem para o fazer ,...

Legenda: Natal de 68 na BA 12.
Foto:Jorge Félix(direitos reservados)

Junto uma foto, de um "festival" que organizei em 68. Estava "travestido" de enfermeira. O tema cantado-"Esta é última injeção que eu dou em você", com música de Nelson Ned (O que é que você vai fazer Domingo á tarde).
Pede aí ao Esteca que identifique os outros músicos.






Por último, vai ao youtube e procura - Aniversário Blog Camaradas da Guiné.
Abraço para ti e todos os amigos de Bissalanca

Jorge Félix

VB.Bom Dia,Jorge.
Antes de mais as nossas desculpas de só agora publicarmos este teu mail,mas houve um problema na sala de "operações" que nos deixou inibido de comunicar.
Não te conhecíamos estes teus dotes para a enfermagem,mas deixa-me dizer que estás muito bem disfarçado.
Mais um dos teus excelentes trabalhos de vídeo a que já nos habituas-te e vai ser um recordar de situações para os que o vejam.

VOO 1523 "ZÉ ESPECIAL E POETA" Luis de Sousa DANTAS (comissão na B.A.12 de final de 1967 a final de 1969) 3ª parte



Victor Sotero Cavaleiro
Esp.EABT
Damaia

Meu Comandante:

Depois de ter passado um mau bocado com esta trovoada que tive de enfrentar, reparei que fiquei sem comunicações com a torre de control.

Desci para a altitude mais apropriada e passei em frente da torre "abanando" as asas. Voei até à cabeceira da pista mais "calmo" e voltei para de novo passar em frente da torre. "Vi claramente" que o "ZÉ ESPECIAL" se encontrava no varandim apontando a pistola de sinais luminosos para o ar. Nada me impedia de aterrar já que o nosso "ZÉ" tinha disparado o cartucho luminoso branco.

Aterrei sem qualquer problema e agora cumprimento os "ZÉS ESPECIAIS" que voam e pertencem a esta magnifica linha da frente.

Legenda: O Sotero na B.A.2 OTA em 1967
Foto: Sotero Cavaleiro (direitos reservados)
Meu Comandante:
Naquele tempo, já o Dantas tinha um açafate cheio de versos cândidos uns, lúbricos outros... que ele punha no tabuleiro do jogo poético. Podiam muito bem ser verdes folhas de louro que já anunciavam um radioso nascer literário.
Era um regalo vêr o Dantas agarrado a uma folha de papel escravinhando a sua poesia.
De vêz em quando, servia-se de um pequeno livro de significados que lhe cabia no bolso. Nos momentos em que a boleia não aparecia, lá se sentava numa pedra rabiscando o papel. Palavra cortada de um lado aparecia depois noutro.
Era assim que o Dantas compunha a sua poesia.
Já com o final do curso à vista, quando este terminasse, todos sabiamos o que nos esperava. Cada um para seu lado, para o Ultramar.
Havia que aproveitar o tempo o melhor possivel.
Viemos mais um fim de semana para Lisboa.
O Dantas gostava muito de uma rapariga Judia que morava para os lados do Gomes Freire. Tinha tambem alguem de familia que morava por perto e por aqui ficou enquanto eu ia para casa. No domingo à noite, já fardados, lá fomos para a rotunda do relógio.
Pouco tempo lá estivemos. Um "homem" guiando um Peugeot 404 branco, sózinho, deu-nos boleia. O Dantas, como quase sempre, foi para a frente enquanto eu me instalava no banco de trás.
O "homem", passado pouco tempo depois, começa a apalpar as pernas do Dantas e dando a impressão que "palitava" os dentes, suspirava e dava ais a todo o momento. O Dantas encostava-se o mais que podia para a porta, mas a insistência era tanta que eu cá atrás ria-me por todo o lado, não aguentava. A páginas tantas, o "homem" perguntou: A que horas é que têm que estar na base? Meia noite, disse eu. E se não estiverem? Vamos para a prisão.
O "homem" queria levar-nos para uma propriedade próxima do Carregado mas não levou.
Pedimos para sair no Carregado e saimos.
Pouco tempo depois, passou uma camioneta dos Claras que transportava os últimos alunos e lá nos levou até à B.A.2.
Para terminar mais esta "boleia" permita-me meu Comandante que transcreva mais um poema do Dantas. (do seu livro Pedras Verdes) Meu Comandante:
As minhas saudações Aeronáuticas a toda a magnifica linha da frente desta base.
Até breve.
Sotero
Voos de Ligação:
VOO 1519 "ZÉ ESPECIAL E POETA" (comissão na B.A.12 de final de 1967 a final de 1969) 2ª parte

quarta-feira, 3 de março de 2010

VOO 1522 REENCONTROS




António Six
Esp.M.Rádio
Pontével






Senhores
Assim os trato pelo maior respeito que vos tenho ao fazerem este ponto de encontro que é BA 12.
E hoje encontrei o Steca!!!
Procurei-o durante anos e não obtive respostas.
Hoje num simples click, eis que aqui está, aqui estamos...
A sensação deste reencontro é indiscritivel, e com lágrimas nos olhos digo
OLÁ STECA conta sempre comigo e como nos podemos contactar???????
A vós senhores comandantes e amigos a alegria e o prazer do dever cumprido.
Bem Hajam
António Six

Voos de Ligação:
VOO 1520 PARA O ANTÓNIO SIX E O JOSÉ RIBEIRO.
JC: Companheiro Six um dos objectivos desta Linha da Frente a ser cumprido. É sempre um enorme prazer assistir ao reencontro de antigos camaradas.

terça-feira, 2 de março de 2010

VOO 1520 PARA O ANTÓNIO SIX E O JOSÉ RIBEIRO.



José Osório(Esteca)

Esp.M.Rádio



Ao divagar na net, reparei neste site e comecei a recordar algumas passagens da BA12, algumas das quais vocês já mencionam, o caso do avião que rebentou na placa do terminal...etc...

Legenda:No cockpit do T6-G,fazendo o "ponto fixo"da sua especialidade,rádio.
Foto:
José Osório (direitos reservados)

Legenda:Esta foi para enviar para a "madrinha".
Foto:José Osório(direitos reservados)

Como emigrei após ter regressado da Guine, nunca mais tive contacto com a malta especialista da BA12.

O Antonio Six era meu colega de quarto, e lembro-me de uma cena passada no Natal de 67, em que o António já bastante alegre, teve que enfrentar o Major Almendra do paraquedistas, que o tentava dissuadir de atirar um bidão (daqueles que se encontravam a volta dos quartos) pelo ar, a ver ate onde ele conseguia chegar... enfim uma cena caricata que o próprio M. Alemendra se ria, com a forca que o A. Six tinha....

Mas há muitas mais, que me vou recordando com alguma saudade, pois experimentei uma excelente camaradagem durante o período que la estive. (67 -68).

Gostaria de saber do paradeiro de algum dos nossos colegas se e que há alguma maneira de saber. Ex. Sá Carneiro, havia um colega a quem chamávamos “o Jorginho” (alcunha), o celebre Pianista que acabamos por fazer um conjunto musical...

Tenho uma ideia do Ribeiro.... mas com os anos todos cá por fora fui esquecendo.

Junto fotos da altura e actuais para verem se reconhecem ou tem ideia da minha pessoa...e já agora gostava de aderir ao Blog.

Tudo de bom para vocês e tentem refrescar-me a memoria...

José Vasques Osório (Esteca)


VB:Bom-Dia Companheiro Osório.
Antes de mais queremos apresentar-te as nossas desculpas de só agora te contactar-mos,mas o mau tempo que se fez sentir nesta base durante os últimos dias,deixou-nos privados das "comunicações".
Agora é para nós uma HONRA muito grande receber-te nesta unidade,pois foram os nossos antecessores,como tu,que nos ensinaram os êxitos alcançados por nós,mais novos,ao longo da nossa vida.
Pois bem,estacionado já estás,agora falta a "apresentação"ao comando e respectiva LINHA DA FRENTE,para depois integrares a respectiva Tertúlia.
As regras são simples,terás que nos remeter por esta via duas fotos tuas,uma actual e outra à ZÉ,os teus contactos postal e telf.,o teu percurso militar,deliciares-nos com as tuas históricas passagens e manter aquilo que aprendemos no seio desta grande família,ou seja,o respeito comum.
Esperamos ansiosamente por ti.
Um abraço
Victor Barata

segunda-feira, 1 de março de 2010

VOO 1519 "ZÉ ESPECIAL E POETA" (comissão na B.A.12 de final de 1967 a final de 1969) 2ª parte


Victor Sotero Cavaleiro
Esp.EABT
Damaia


Meu Comandante:
As minhas mais cordiais saudações Aeronáuticas a todos os "ZÉS ESPECIAIS" que se encontram colocados nesta Base.

...este pequeno interregno destinou-se a "aliviar" um pouco o nosso S.P.M.. Havia muito correio para distribuir pelos A.M.s.
Eu próprio me sinto tambem "aliviado" por sentir que a rapaziada fica feliz por receber noticias dos seus pais, das suas mulheres e filhos, das namoradas, das "madrinhas de guerra", também. Contribuí para que o STRESS seja "esquecido".
Agora, de regresso à Base e estacionado na linha da frente, se o meu Comandante me dá licença, vou também "aliviar" a minha sede ao Grupo Operacional.
Cá estou, meu Comandante, para continuar as boleias com o meu amigo "ZÉ ESPECIAL" Dantas.
O Dantas, éra marcado por um amor que nunca teve. Éra uma rapariga de Ponte de Lima que eu conheci e da qual guardo ainda algumas fotos.
Para quem o conheceu, éra um moço talvêz um pouco "vagabundo". Admitia toda a espécie de brincadeiras fosse comigo ou com qualquer outro camarada. A única resposta que lhe conheci foi sempre: "Fiiiilllhhhaaasss das Puuuu.....
Já com algumas cartas recebidas, começamos então a responder, e por vêzes, até em algumas aulas. O tempo éra sempre aproveitado.
Algumas cartas vinham perfumadas e outras, algumas, até com dinheiro. De vêz em quando, lá se abria uma carta com uma "notita" de 20$00 dentro.
Os envelopes, naquele tempo éram forrados a papel de seda.
Mal acabavam as aulas e lá íamos nós à formação levantar a dispensa de recolher.
Durante a semana íamos quase sempre para Alenquer ou Vila Franca de Xira. Alguém tinha respondido ao nosso "desejo" e lá íamos nós, estrada fora.
As boleias a duas pessoas éra mais complicada. No regresso para a Base tornavam-se mais fáceis porque para além de andarmos fardados, quem dava boleia, mais ou menos, sabia para onde íamos.
De Alenquer para a Base, não havia qualquer problema. O Capitão Garção, com a sua esposa, saía todos os dias de Alenquer para a Ota no seu Austin 1100 branco. Ainda por cima dava-nos aulas sobre legislação. Já nos conhecia.
Quem tambem nos começou a ver à boleia, foi o Major Noronha.
...e não é que um dia parou o seu (da Força Aérea, claro) Oxford preto e nos mandou entrar para dentro do carro? O Dantas, foi para a frente. A pequena cadela, branca e preta, que sempre o acompanhava, saltou para o colo do Dantas, enquanto o Maj. Noronha perguntou o que andávamos por ali a fazer àquela hora.
Não me lembro ou não ouvi o que o Dantas disse mas lá fomos. Eu, sempre caladinho cá atrás e o Dantas fazendo festas por cima da cabeça da cadela.
Fiquei sempre à espera que nos pedisse o "algarismo", mas não. Naquele dia, o Maj. Noronha levou-nos até á entrada da camarata.
-se tiverem algum problema, venham ter comigo disse o maj. Noronha.
Pareceu-me que naquele dia ele levava outra "cadela" e que as relações com o Maj. Tomás não seriam as melhores.
Entre outras boleias, num fim de semana, fomos para Alcobaça, "solicitados por duas irmãs" que nos tinham respondido ao anúncio da Crónica Feminina
Sem esperarem por nós, lá fomos bater à porta onde nos apareceu um cavalheiro que ficámos a saber ser o pai. Perguntámos se era ali que morava a Ana Maria e a ........
Claro que era e mandou-nos esperar.
Passado algum tempo, lá apareceram duas raparigas todas "vaporosas" e bem bonitas.
Era o principio de uma tarde de sábado e lá fomos para uma pastelaria onde eu e o Dantas bebemos um café e comemos um bolo de arroz. (era o que enchia mais). Não me lembro o que elas comeram mas sei que cada um pagou a sua despesa. (um café custava 1$50).
Depois de "almoçados" lá fomos para o Mosteiro de Alcobaça onde acabamos por passar o resto da tarde.
Já de noite, levámos a Ana Maria e a ........ a casa e lá nos despedimos até ao próximo encontro.
Sabíamos que as "manas" tinham ficado contentes por nos terem conhecido.
Regressamos á boleia que em principio seria para a Ota.
Apareceu alguém que nos levou até S. Jorge. Já com as horas um pouco avançadas e por aqueles sítios quem é que nos dava boleia?
A fome parecia que não nos queria largar. Por detrás da bomba de gasolina, havia uma horta e fomos ver o que poderia haver por lá. Algumas árvores de fruta, mas nada que se pudesse comer. Avançamos um pouco mais e descobrimos uma nespereira. Na escuridão da noite, não dava para escolher e verdes ou maduras, entravam e sabiam bem. Muita nêspera comemos nessa noite!
Regressamos à bomba de gasolina de S. Jorge e ainda tentamos a boleia, mas nada. Que fazer?
Como o movimento era pouco, fomos dormir para dentro das casas de banho da estação de serviço.
O Dantas ainda tentou "arredondar" um poema que o perseguia mas o sono era muito. Toalha pela cabeça, um sentado numa sanita e outro no bidé, por lá ficamos muito instáveis até de manhã.
Já de manhã, para onde ir? Para a Ota ou para Lisboa?
Não. Como o dia anterior nos tinha "corrido bem", voltámos para Alcobaça não sem antes voltarmos à mesma pastelaria onde para alem do café, comemos umas sandes. Ficámos bem.
Passado algum tempo batemos à porta das nossas amigas e voltou a aparecer o pai muito surpreendido por nos voltar a ver.
Contamos o que se tinha passado e desta vez mandou-nos entrar. Mandou-nos sentar, enquanto ia avisar as filhas de que nós tínhamos voltado.
No meio da nossa conversa, passado algum tempo, estávamos todos dentro de um Opel KAPITAN e a irmos dar um passeio pelas redondezas. Fomos até à Nazaré onde nos "deliciou" com a oferta do almoço.
Já de noite, despedimo-nos.
Uma família impecável e muito respeitosa.
Neste Domingo, se bem me recordo, de Alcobaça para a Ota para lá chegarmos, apanhámos creio que cinco boleias.
....mas lá que chegámos, lá isso chegámos.

Nota.:- O Dantas fazia-se sempre acompanhar por umas capas em couro, formato A4 com folhas em branco ou "rabiscadas" e um pequeno livro de significados de português.
O Dantas era muito descontraído.
O Dantas é o meu padrinho do Crisma.
O nosso curso aproximava-se do fim.

Meu Comandante.
Renovo as minhas mais cordiais saudações aeronáuticas prometendo que voltarei.

Sotero

VB. Companheiros,entendo que qualquer tipo de comentários que possa fazer a este excelente trabalho do Sotero,despropositado.