terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

VOO 1502 OS 25 ANOS DO NÚCLEO DE SETÚBAL DA AEFA



João Carlos Silva
Comando do Especialistas da BA12
MMA 2ª/79, BA6
Sobreda





Companheiros,
O Núcleo de Setúbal da Associação de Especialistas da Força Aérea celebra esta ano de 2010 o seu 25º aniversário.
Aqui publicamos a carta onde são convocados todos os Zés Especiais deste Núcleo para um encontro na BA6, no próximo dia 27 de Fevereiro às 10H30, onde será divulgado o programa do Aniversário.


Eu pertenço ao Núcleo de Setúbal e lá estarei presente. Por esta via, vimos também dar conhecimento deste encontro e apelar à participação de todos os Especiais desta região de forma a conhecermos e podermos apoiar estes nossos dirigentes na realização do programa do 25º Aniversário.
Saudações Especiais,
João Carlos Silva
P.S. Venha de lá esse cheirinho a JP4.

VOO 1501 O AVIÃO DO BIAFRA.



Américo Dimas
Esp.Marme (Lobo Mau)

Angola



Caro Victor

Em geito de complemento à mensagem (voo 1498) do nosso amigo António Six e para todos aqueles que gostam de aprofundar o seu conhecimento sobre a guerra civil na Nigéria pela proclamação de secessão e independência da província do Biafra pelo coronel Ojukwu, que aconteceu há mais de 40 anos, (06.07.67 a 13.01.70),

Legenda:Explosão na placa da Base Aérea 12,Bissalanca,do Super Constellation que transportava a aeronave Fouga Magister.
Foto:José Ribeiro(direitos reservados)
concretamente em relação à explosão do Lockheed L-1049 Super Constellation, que fazia parte da frota de aeronaves da “ajuda humanitária” principalmente ao povo Ibo do Biafra e não só..., li um livro com o título: “Shadows-Airlift and Airwar in Biafra and Nigéria” do autor Michael I. Draper, com muita informação textual e fotográfica sobre este conflito.

Na véspera da explosão, partiram de Lisboa 2 Super Constellation, carregados com material diverso, particularmente um avião Fouga Magister(1) que se destinava à Força Aérea do Biafra, adquirido em “estado usado” num país da Europa.

Legenda: A aeronave Fouga Magister.
Foto:Américo Dimas
Como o volume da dita aeronave, mesmo desmontada, era demasiado grande para um só Super Constellation (S. C.), seguiram num avião, a fuselagem do Fouga Magister (F. M.) e no outro, as duas asas.

Aconteceu que o S. C. que transportava o corpo do F. M. rumou a S. Tomé e lá ficou esperando pelo outro S. C. que aterrou entretanto em Bissalanca.

Pela hora do almoço, a tripulação abandonou o S. C. para ir almoçar e foi nesse período de tempo que se deu a explosão, que segundo consta, preparada préviamente por um dos tripulantes.

Claro está que o tal Fouga Magister nunca mais voou..., por lhe faltarem as asas...

Legenda: A Aeronave Gloter Meteor estacionada na placa da Base Aérea nº12,Bissalanca.
Foto:Américo Dimas (direitos reservados)

Interessante é também a estória do nosso conhecido Gloster Meteor NF.14 “Entreprise Films”(2)

que permanecia estacionado (abandonado) entre a placa militar e a civil, mas essa ficará para a próxima vez.

Cumprimentos “acalorados” para todos, de terras de Angola.

Américo

Voos de Ligação:

Voo 1498 Divagações - António Six

(1)Informações Técnicas:

Fabricante: Sociétè Nationale Industrielle Aérospatíale - França
Emprego: Esquadrilha da Fumaça
Características: Monoplano, asa baixa, birreator, biplace em tandem, empenagem em "V"
Motor: 2 Turbojato Turboméca Marboré VI de 1.058 lb de empuxo
Envergadura: 12,15 m
Comprimento: 10,06 m
Altura: 2,80 m
Superfície alar: 17,30 m²
Peso vazio: 2,310 Kg
Peso máximo: 3.260 Kg
Velocidade máxima: 700 Km/h
Razão de subida: 1.200 m/min
Teto: 12.000 m
Alcance: 1.400 Km

(2)Informações Técnicas:

Aeronave de caça, fabricada na Inglaterra pela “Gloster Aircraft Co. Ltd.”,

Motor: 2 turbinas Rolls Royce Derwent 8 turbo jato
com 1.586 km de empuxo cada um a 14.700 rpm
Peso total: com ataque ventral a pleno 7.368 kg
Comprimento: 13,59 m
Envergadura: 11,32 m
Performance:
Velocidade Máxima ao nível do mar 952,5 km/h mach. 78
Velocidade Máxima a 12.192 m 852,8 km/h mach. 81
Teto: 13.441m
Alcance: 1.690 km com tanques internos; tanque
ventral a pleno 1.909 l e 795l respectivamente
Armamento: 4 canhões de 20 mm com 780 cartuchos;
8 a 16 foguetes HVAR de 127 mm ou 2 bombas de 454 kg



segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

VOO 1500 ASSIM SE APRESENTAM OS ESPECIALISTAS.



Carlos Ferreira

Esp.M.Rádio
Coimbra



COMPANHEIRO VICTOR

FINALMENTE FUI HÁ FALA COM O NOSSO CAMARADA PIRES MADEIRENSE DO FUNCHAL DA 1.A DE 68


MECÂNICO DE RÁDIO DA FAP.ESTÁ BEM ASSIM COMO TODA A FAMÍLIA.
O GUIOMAR E TODOS OS QUE ESTIVERAM EM PAÇO DE ARCOS DA 1.A-68 CONHECEM ESTE CAMARADA.
O TM DELE TEM O N.963656300.
COM OS ESPECIALISTAS,E EM ESPECIAL COM OS VERDADEIROS, SOLIDARIEDADE SEMPRE E EM FORÇA.

CARLOS FERREIRA -- COIMBRA

VB. Amigo Carlos,mais uma vez o teu digno e louvável espírito de ZÉ ESPECIAL veio a cima com esta tua atitude. Não a estranhamos porque sempre assim nos habituas-te.
Pois companheiros,desta base faço um apelo para que,através do nº de telefone que em cima indica o Carlos,levem uma palavra de conforto ao PIRES neste momento tão difícil para ele e todo povo da Madeira,onde certamente temos mais familiares vitimas deste infortúnio.

VOO 1499 ERAM ASSIM OS AVIADORES ESPECIAIS..


António Loureiro
Fur.Policia Aérea
Figueira da Foz

Camarada Sotero

Tenho acompanhado com muito interesse os teus textos e nem calculas o imenso prazer que me dá lê-los, e por uma simples razão:
Tu estás na exacta medida do conceito com que eu fiquei dos Zés.
Joviais.
Malandrecos quanto baste.
Bom sentido de humor.
Atentos.
Inteligentes.
Espertalhões (no bom sentido claro)
Vaidosos (dava jeito para as conquistas)
É essa a verdadeira imagem que eu tenho gravada no meu sub-consciente, e como era bom ser assim, infelizmente, com o passar dos anos, vamos perdendo ou pelo menos reduzindo alguns desses tão importantes predicados.
É certo que no nosso tempo a vida era completamente diferente e cada um, à sua maneira, fez a "vindima" que pode, mas vejo com muito agrado que a maioria, porque tínhamos os tais predicados a que me referi, estão bem, e isso é muito importante.
Ter pertencido à FAP tornou-nos diferentes, abriu-nos horizontes, ajudou-nos a raciocinar e a "lutar" contra as adversidades com espírito ganhador.
Então aquela de quereres ser electricista à "força" encheu-me as medidas, fez-me lembrar um certo Administrador de Posto em Moçambique, quando mandavam os pretos para os contratos nas minas da África do Sul.
No Ofício escreveu assim:
JUNTO SEGUEM 20 VOLUNTÁRIOS, DEVIDAMENTE AMARRADOS E ESCOLTADOS tal e tal ....
O Maj. Tomaz fez-te o mesmo, lá tiveste que ir "voluntariamente" para os Abastecimentos, o homem fez escola, foi certamente o Oficial que mais marcou os ZÉS, não sei se ele era competente ou incompetente, o que eu sei é que todos tinham medo dele, naquele tempo ainda se podia dar ao luxo de ser assim, nos tempos de hoje, penso que era impossível.
Bom, camarada, cá vou aguardando com interesse as tuas "aventuras" e "desventuras".
Um abração muito ESPECIAL.

Voos de Ligação:
Voo 1490 ...apresenta-se o Sol.Aluno nº1020/66 que veio de Paço de Arcos - Sotero Cacaleiro

VOO 1498 DIVAGAÇÕES.



António Six
Esp.M.Rádio

Tentúgal


Comandantes dos voos e Camaradas
Louvável o vosso trabalho!!!!Tenho tido o meu tempo ocupado não me sendo possível dedicar-me á minha paixão pelos aviões , vou-me dedicando a outras paixões .
Sou um homem de paixões.
Ao ver as fotos publicadas de colegas na Guiné ,noto... que muitos usam a farda azul.!!!!
Mas que raio!!!! porque será que a minha era a beje,sapato castanho e boné com pala castanha..
Porque será!???? Porque será que era ( Chico Buarque).Coisa estranha.. será que estive noutra guerra?Deixemos-nos de histórias aquilo era guerra .(Macaca!!! mas era guerra)
Realmente quando cheguei a Lisboa tentaram dar-me uma farda azulinha , até era bonita !!! Um verdadeiro enxoval que logo entreguei sem a ter vestido,mas que ainda tive que pagar .a minha vontade era outra e os tempos esses eram outros..... a idade essa sem qualquer duvida outra!!!!!!
Quanto ao Avião do Biafra e em resposta ao José Ribeiro. Dei muitas vezes assistência aos aviões que passavam com avarias , e por fora sempre recebíamos umas notas que davam para manter a sede.

Legenda: O Super Constelation que explodio na placa da Base Aérea,nº12 em Bissalanca.
Foto:José Ribeiro(direitos reservados)
Estava convencido ter sido um DC 6, mas ao ver a foto é na realidade um Lockheed Super Constelation será que houve outro???

Legenda: A versão do Super Constelation enviada pelo António Six.

Aqui vai o famigerado príncipe dos ares !
Lembro-me que estava de folga e que ia ao refeitório (antigo) buscar pão( coisa boa e comestível)e que após a explosão, que inicialmente pensei ser outro ataque(tivemos um)e que os estilhaços eram enormes , e a chuva era de notas!!!!! Até essas perdi. Verdade ...verdadinha...que não perdi grande coisa , apenas recordações
Certamente José Ribeiro que nos cruzámos.
Mais tarde , fui diversas vezes a Bissau, ainda no Aeroporto antigo ,onde embarquei de regresso a casa, e mais tarde no aeroporto novo
Recordo-me que ao abrir as portas o bafo de calor e o cheiro eram uma caracteristica dos voos a Bissau,que eram dos piores pois voava-se Lisboa-Sal-Bisau-Sal-Lisboa , durante a noite com uma chegada cerca das 16 h (mais mortos que vivos).
Olhava para a base com um ar de incredibilidade ,onde estive 20 meses (pois levei uma nózada de um digno camarada que coitadinho deu baixa ao hospital, não se safou !!!
Abstenho-me de dizer o nome, mas não esquecerei, os nomes simpáticos que lhe disse sussurrando ao seu ouvido, numa atitude terna de um homem de paixões.
Era então, e manhã cedo, servido um prego no prato, que nós agora senhores de outros voos e aviões, dizíamos ser de macaco, mas ...a fome era negra!!! E os tempos eram outros. O espirito, esse sempre foi o mesmo!!!
As lembranças cor de rosa( para outros negras) vão-se desfazendo com o passar dos dias.
Apesar de ser um homem de paixões ,pela Guiné ....nunca me apaixonei,guardado apenas e tão só recordações .
Um abraço a todos

António Six

VB.Bom dia Six.
Tenho para te dizer que foi a minha recruta que estreou essa farda azul de que falas.A que me foi distribuída dava para dois como eu,o sobretudo...bom,esse eu nem te digo,depois de arranjado ao
meu corpo,fiquei com fazenda para fazer um para o meu irmão!
A Guiné teve obrigatoriamente de nos deixar recordações,uns pela negativa e outros pelos bons tempos que por ali andaram,o certo é que gostava de lá voltar.


domingo, 21 de fevereiro de 2010

VOO 1497 OS DESTACAMENTOS MAIS CURTOS.



João Sousa
Esp. OPC - AB3 Negage
Braga

DESTACAMENTOS MAIS CURTOS...



Victor: tudo bem?
Porque os destacamentos são cada vez mais curtos, há maior possibilidade de participar mais activamente na divulgação de material que é testemunho, de uma forma ou de outra, daquele tempo que marcou indelevelmente os melhores anos da nossa juventude ao serviço de uma arma por excelência: a Força Aérea Portuguesa.
Remeto mais algumas fotos de pessoal dessa época e do AB3. Assim:

Legenda - Em cima, esq./dir. Lucas, Alexandrino, Silva, Reis, Cesário, Lemos, Gomes Em baixo, mesma ordem, Barreira, Nobre, Rui, Noé e Damil
Foto:João Sousa (direitos reservados)

Legenda - Graveto, Ferreira, Alves, Alexandrino, Silva e Reis.
Foto:João Sousa(direitos reservados)
Legenda: Painel de um especial, executado por um especial, Gaspar (MAEQ), tendo a seu lado o Manuel Silva
Foto:João Sousa(direitos reservados)


Legenda: Sousa, Vítor, Reis, Moreira e Silva.
Foto:João Sousa(direitos reservados)

Eu sei que alguns colegas estão "à espreita" neste blogue. Gostaria que participassem, uma vez que em poder deles está bastante documentação que deve ser divulgada/publicada para melhor nos situarmos à época e, assim, revivermos casos que praticamente já caíram no esquecimento.
Brevemente tornarei.
Como habitualmente, envio para toda a LF e respectivo comando, aquele abraço de sempre.

VOO 1496 GEST.



António Loureiro
Fur.Polícia Aérea
Figueira da Foz


GESTOS SIMPLES QUE PODEM AJUDAR A SALVAR
(Como o prometido é de vidro, aqui vai)
Apresentação:

Técnico de Emergência - Cap. EDF 32745/2004 DC.
Condecorações:
Cruz Vermelha de Mérito
Cruz Vermelha de Dedicação
Medalha de Louvor
Medalha de Agradecimento
Cruz Vermelha (Classe Prata) Comportamento Exemplar com Assiduidade.
Cruz Vermelha (Classe Cobre) Comportamento Exemplar com Assiduidade.
As brochuras e grande parte dos textos fazem parte dos manuais da CVP, da qual sou socorrista há mais de 20 anos.
Tenho plena consciência de que nenhuma das matérias a apresentar é seguramente novidade para ninguém, e muito menos para os ZÉS por quem tenho um carinho muito ESPECIAL, mas entendo que, perante notícias que de vez enquando nos chegam, nunca é demais relembrar, relembrar e relembrar.
A apresentação será feita em pequenos textos, sem grande aprofundamento científico e ilustrados com "figuretas", de modo faseado para não se tornar "enfadonho".
As "hipotéticas vítimas", serão pessoas normais e sem outras complicações.
Manifesto desde já o meu mais profundo agradecimento ao camarada informático, colaborador imprescindível, sem o qual nada disto seria possível.

Princípios Gerais do Socorrismo (PAS)

P- Prevenir - Conjunto de acções com vista a reduzir ou eliminar acidentes.
A- Alertar - Comunicar ao 112 (importante que mantenha a calma e prepare-se para responder:
onde, estado e idade provável da vítima, antecedentes se souber, a causa e o meio.
S- Socorrer - Aplicação de técnicas simples com vista à estabilização da vítima.

Situações de Socorro Essencial (ACHE)

A - Alterações Cárdio-respiratórias.
C - Choque.
H - Hemorragias graves
E - Envenenamentos.

Alterações cárdio-respiratórias - porque é vital a alimentação de oxigénio às células cerebrais, a acção tem que ser rápida porque a eficácia perde-se +/- 2%/minuto e a partir do 5º minuto começa o processo da degradação e bem assim, as lesões.
Coque- É importante tirar ou não deixar que a vítima entre nesse estado.
Hemorragias- Externas (compressão manual directa, sem nunca retirar o primeiro penso)
Internas (aplicação de gelo sem contacto directo com a pele).
Envenenamentos - podem ser provocados por ingestão ou inalação de produtos tóxicos (é uma ajuda preciosa saber: o tóxico, a via de contacto, a quantidade, há quanto tempo, sexo, idade, peso, sintomatologia e condicionantes como por exp. estado de gravidez)

Centro de Informações Anti-Venenos (CIAV) - 808 250 143

Nota- Em todas estas situações, alerte de imediato o 112 que daí o encaminharão para o CODU, a quem vai reportar, e obedeça às suas instruções.

Despeço-me com um abraço
António Loureiro

sábado, 20 de fevereiro de 2010

VOO 1495 FUZILEIROS E RESERVA NAVAL.


Manuel Lema Santos
1ºTen.Reserva Naval
Sintra

Meus Caros,
Uma visita à Guiné com o Hino dos Fuzileiros por fundo musical. Recorda-se Bolama, o Cantanhês e o Cacheu, a LDM 311 e uma LFP; em Angola, o Zaire e o Chiluango; em Moçambique o Zambeze e o Niassa.
A FAP está lá, com os Alouettes nas evacuações...num simulacro de habilidade minha.
Um abraço,
MLS




Em 6 de Junho de 1962 chega a Bissau o primeiro Destacamento de Fuzileiros Especiais, o DFE 2, comandado pelo 2TEN Pedro Manuel Vasconcelos Caeiro.
Numa acção, em Dezembro desse mesmo ano, aquele oficial foi o primeiro a sofrer ferimentos em combate durante a guerra do ultramar, obrigando à sua evacuação e rendição.
Até ao fim da guerra, passaram pela Guiné 24 Destacamentos de Fuzileiros Especiais aos quais devem ser acrescentados ainda três Destacamentos de Fuzileiros Africanos, os DFE 21, o DFE 22 e o DFE 23. Este último não chegou a ser activado.
Durante o mesmo período, integraram ainda o dispositivo militar naquele território, 11 Companhias de Fuzileiros e 3 Pelotões de Reforço.


O Destacamento de Fuzileiros Especiais n.º 2 de partida para a Guiné.

Do total de 74 fuzileiros mortos em combate, durante a guerra, 50 tombaram na Guiné. Assim se compreende bem o significado que este teatro teve e ainda tem para os fuzileiros.
Este pequeno filme, realizado na Guiné, pretende ser uma homenagem a todos os fuzileiros que combateram em África e, muito especialmente, aos que combateram naquele território.

José António Ruivo
CMG FZE RN - 21.º CFORN

VOO 1494 A FARDA DESTA FOTO CUSTOU 500$00!


Victor Sotero Cavaleiro
Sargº.Mor EABT
Damaia




Meu Comandante
Boa tarde, bem assim como a todos os "ZÉS" que nesta base estão "colocados"
Proponho-me para mais uma aterragem na pista desta Base onde depois de ter perfurado as nuvens, me encontro agora com a pista à vista e já iluminada com os célebres "candeeiros de torcida e a petróleo".
As sextas-feiras na B.A.2, eram sempre de muita ansiedade para quem podia passar o fim de semana junto das famílias (e não ficava de reforço de castigo). Outros, por serem de longe ou por qualquer outro motivo, por lá ficavam até ao nosso regresso de domingo à noite.
Junto à porta de armas, os autocarros por vezes mais de vinte
só para Lisboa, pertenciam à empresa Eduardo Jorge e eram amarelados. Á medida que cada um ia ficando cheio, lá iam direitos ao Marquês de Pombal, local onde toda a gente saia. Ao Domingo, era também a partir do Marquês de Pombal que se regressava à Base.
Como recruta, sempre utilizei este transporte. Eram 20 escudos ida e volta.
Como aluno, comprei a um "ZÉ" que já tinha a farda amarela, pois ia embarcar para o Ultramar, a farda cinzenta por 500 escudos. É verdade que não tinha sido feita por encomenda mas também não me ficava muito mal.
Comecei então a experimentar a "boleia".
Saia da Base com uma pequena malita de roupa suja e lá vinha eu pela recta fora até ao cruzamento. Tomava a direcção da vila de Ota e onde a estrada fazia uma pequena curva, ali ficava depois desta. Era um local escolhido estratégicamente.
Meu Comandante: Tanto para o lado de Lisboa como para o lado do Porto só se viam militares à berma da estrada a pedir boleia.
Eu, mal chegava e com um estilo muito próprio, o primeiro carro que passava era o que me levava. Muita sorte eu tinha.
Como não havia ainda auto estrada, os carros para Lisboa passavam pela estrada nº1 no mínimo iam entrar depois em Vila Franca de Xira.
Apanhei boleia nos melhores carros da época. Lembro-me de um Alemão com um Mazaratti. Ia descalço e foi a primeira vez que andei a 200Kms/hora.
Lembro-me também de uma rapariga que me levou no seu FIAT Neckar, com as portas a abrir para a frente, para sua casa algures em Odivelas. Foi ela que me lavou a roupa nesse fim de semana e não fui a casa.
Lembro-me ainda de muitas boleias que apanhei tanto com homens como com mulheres. Uma vez, até o Alves Barbosa me deu boleia num FIAT 1500.
Por vezes, nem sempre as boleias eram bem intencionadas por quem as dava. Então, pedia para pararem e lá ficava até apanhar nova boleia.
Uma vêz, um motorista de uma camioneta levou-me para Lisboa mas sem entrar na Auto Estrada. Continuamos pela Estrada nº 1.
Ao chegar a STA IRIA da AZOIA, parou a camioneta junto a um armazem e disse-me: "Ajude-me aqui a descarregar a camioneta que já o levo para Lisboa." Fiquei um bocado aparvalhado, mas lá o ajudei a descarregar sacos de farinha.
A partir daqui, fiquei sempre de olho aberto às camionetas.
Também não aceitava muito bem que um carro não tivesse rádio e um dia até recusei a boleia mas sinceramente, ainda hoje estou arrependido.
Devo dizer que logo que tive carro, também dava boleias mas sempre a militares. Hoje, não. Nem se vêem militares à boleia.
Os tempos é que eram diferentes.
Meu Comandante: Voltarei. As minhas boleias não ficam por aqui.
Para todos os "ZÉS" especiais que aqui aterram bem como para os nossos Comandantes, As minhas saudações aeronáuticas.

SOTERO

VB: De facto era uma vida engraçada,esta coisa da boleia.Como dizes,apanhava-se de tudo um pouco e até escolhíamos a viatura que queríamos,só ao domingo à noite é que era mais complicado,éramos muitos e tínhamos horas de entrar na base.

VOO 1493 TEMPOS DE ALUNO NA FAP,QUE SAUDADES...QUEM AS NÃO TEM?!...




Augusto Ferreira
2º Sargº Melec/Av

Coimbra

Tempos de Alunos

Caros amigos, na sequência das intervenções dos nossos companheiros Arlindo Piriscas, Sotero Cavaleiro e Guiomar Silva a quem dou as “Boas vindas”, sobre os voos Nºs 1487,1490 e 1491 em que falam das Dispensas de Recolher e da EMEL de Paço de Arcos, resolvi também intervir, uma vez que também passei por esses locais e me veio à memória, algumas histórias daqueles tempos de 1970/71.

Sobre a foto que o Sotero nos enviou, do muro da EMEL que dava para a marginal que ia para Cascais, lembro-me que foi muitas vezes porta de entrada para a Escola, quando por lá aparecíamos a altas horas, quase sempre com a ajuda do nosso companheiro, que aí estava de reforço. Por vezes içados agarrados à G3, pois existia aí um posto de sentinela com uma guarita cilíndrica em chapa de ferro.

Se bem me lembro, o último comboio que saía do Cais do Sodré e que passava por Paço de Arcos era à 1h da manhã, como a malta se despistava nas horas em Lisboa, depois tínhamos que vir á boleia para EMEL. É evidente que depois aparecia de tudo para nos dar boleia, imaginem.

Recordo-me do posto de sentinela, que ficava nos radares e que dava para o J. Pimenta. Por vezes durante as nossas duas horas de permanência, altas horas da noite passeavam-se por ali ratazanas, que mais pareciam gatos, mesmo assim quando o sono apertava e nós adormecíamos em pé dentro da guarita, quando batíamos com a cabeça na dita, o eko que se produzia no seu interior, acordava-nos de vez até ao final do turno. Lembro-me que na altura à noite, forneciam bagaço ao pessoal que estava de reforço. Como é que não havíamos de adormecer? Enfim sem comentários.

Desses anos envio o meu cartão de dispensa de Recolher, quando estava no Curso de Sargentos Milicianos, ( não sei se era o segundo se o terceiro ).

Outra foto de 1970 ainda como soldado aluno, no Curso de Cabos junto a um radar.

A última segue, pela referência que o Arlindo Piriscas fez, ao conhecidíssimo Sargento Bergano.

Recordam-se dele?

Lembram-se de ele mudar o auscultador de mão, sempre que o Tomás lhe telefonava lá para o Serviço de Pessoal, para ele lhe poder bater a pala?

Por hoje fico-me por aqui, pois pelas horas que são, já vou ter que saltar o muro.

Um grande abraço para a cabine de pilotagem e para todos os Zés Especiais e amigos desta nossa Linha da Frente.

Até breve


Augusto Ferreira


Voos de Ligação:
Voo 1487 O Papel mais desejado na Ota - Arlindo Pereira
Voo 1490 Apresenta-se o Sol./Aluno 1020/66,que veio de Paço de Arcos - Sotero Cavaleiro
Voo 1491 Mais uma de Paço de Arcos - Guiomar Silva

VB:Caro companheiro Augusto,é sempre com alguma emoção que recordamos estes tempos idos passados numa das nossas Universidades,no caso a da EMEL
Recordo uma história que tu, do malta de 69/70 certamente se recordam do celebre 49.
Este rapaz era um soldado do exército,serviço geral,que passava a vida na escola,raramente ia a casa visto ser de longe e os transportes serem bastante morosos,não havia o alfa,só os todas as estações e polegar da mão esquerda erguido na berma da estrada.Para rentabilizar este embaraço,era o matador de serviços.Numa dessas situações em que estava de serviço à porta de armas,chegou uma viatura e o condutor puxou de um cartão para se identificar.O amigo 49 como não sabia ler respondeu assim:

Vá lá para o caralhinho,isto aqui não há cartões,diga lá quem é e o que quer! Teve azar,coitado,era um oficial superior que vinha encontrar-se com o comandante.Mais uns dias na "pildra",o que para ele já era um habito.Se a memória me não atraiçoa,já na sub-especialização na Ota,vi a saber que se tinha suicidado com a arma de serviço dentro da escola.
Falas no saltar do muro quando vínhamos desenfiados a altas horas da noite,mas havia malta que parava muito junto aos muros...Eu não sei se os Pelis e o Bercas lêem este voo!?...
O Ti Bergano coitado,já lá vai no seu último voo...Era realmente uma figura típica,sempre muito mal ataviado,reparem na foto,no bivaque de que lado tem o distintivo das asas?!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

VOO 1492 O DC6 QUE NÃO ERA.


José Ribeiro
Esp.OPC Guiné
Lisboa

Victor o nosso companheiro Zé Ribeiro enviou uma foto em que diz que é um DC6 não é.
É um Super Constelation que era da Tap. Agora vou contar a cena da explosão. Nós é que dava-mos assistência com o pat pat aos aviões que iam para o Biafra.A tripulação desse avião era portuguesa o comandante chamava-se Reis os outros já não me lembro queixou-se que tinha uma avaria fuga de oleo porque as luzes do painel não davam sinal.
Então fui eu o sarg. Sanz e o Vilhena isto pela manhã entra-mos no porão e cheirava bem pensamos que era fruta mas não era, eram os caixotes com as notas que iam entrar em circulação no Biafra.Levava duas asas de um mirage segundo creio era mirage19 ,granadas rockets e uns garrafões de 25 litros que estavam empalhados penso que era ácidos.


Legenda: Este é o avião em causa.
Foto:José Ribeiro(direitos reservados)

O avião estava registado na republica da Mauritãnia, lembro-me bem porque onde estava o registo tinha uma colher de plástico suja parecia mousse de chocolate.
Cerca do meio dia vieram ter connosco e disseram para irmos embora porque estava a chegar outro avião que trazia pessoal que reparava a avaria.
Foi só o tempo de chegar-mos a messe para almoçar e deu-se a explosão foi sabotagem porque confirmou-se que um dos negros que vinha no avião saiu lá de dentro com umas maletas que segundo constou eram dólares passado uns minutos deu-se a explosão.
Victor um abraço.
Vitor Oliveira 1ª66

Voos de Ligação:

Voo 1484 As relíquias do Zé Ribeiro – José Ribeiro

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

VOO 1491 MAIS UMA DE PAÇO D'ARCOS.


Guiomar Silva
MELEC 1ª 68

Angola/Guiné


Companheiro:
Achei o relato do Victor Sotero simplesmente maravilhoso...Não há dúvida que o ppl especialista tinha uma certa queda para a aventura e então no que toca aos que passavam pela EMEL, isso nem se fala...lembro-me de um "gabirú" que esteve comigo em Paço Darcos que quando chegava a sexta-feira e íamos de fds o menino só dizia, com aquele ar de gabarola e entendido no assunto, seg. feira chego ali á porta de armas de "Rolsroyce"...escusado será dizer que a turma toda estava á porta de armas na seg. á espera que o Zé cumprisse a promessa feita e não era que o menino vinha mesmo na máquina e com motorista...! O ppl ficava todo passado e isto foi-se repetindo fds a fds, ele eram Porches, Mazeratis enfim era sempre a aviar...E, segundo constava ele não tinha pais ricos nem tinha ido ao bes...! Mas, só quem não esteve na EMEL é que não sabe as "vidinhas" que se passavam por lá...Estava a ler o relato do Sotero e de repente lembrei-me daquele "pilantra" e de muitas das aventuras que vivíamos por lá...que saudades!
Abraço a toda a família!

Voos de Ligação:

Voo 1490 Apresenta-se o Sol./Aluno 1020/66 vindo de Paço de Arcos. Sotero Cavaleiro


VB.Olá Guiomar,pensamos que já te tinham tirado o "brevet",nunca mais tiveste comunicação com esta base?!... Bem,esperemos que continues a voar mais vezes para aqui.
É mais uma história que nos trazes de Paço D'arcos,que grande escola.Muitos dos companheiros que fizeram a Engenharia na vida civil,muito aprenderam naquela Universidade,era obrigatório estudar e saber,pois certamente que te lembras que quem não tivesse média de 10 valores, não gozava o fim de semana e tinha estudo obrigatório toda a semana,sujeito a ter de abandonar a FAP. Mas valeu a pena.