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domingo, 1 de fevereiro de 2009

759 OS MEUS AGRADECMENTOS.




António Gualdino Ventura Moura Pinto
Coronel de Infantaria


(Filho do Cor.Pilav.Gualdino Moura Pinto)







Caro Sr.Victor Barata.

Não tenho o grato prazer de o conhecer pessoalmente; queria no entanto agradecer-lhe as palavras com que se referiu a meu pai no artigo “O Grande Comandante”.
Quem lhe escreve é o filho mais velho deste grande Homem e que, por mera coincidência, também é Coronel,embora do Exército.
Na altura dos factos que refere neste artigo (de que só tomei conhecimento agora), era eu um miudo de 12 anos que se lembra perfeitamente das idas, ao Domingo, á Base Aérea 12; lembro-me de quase tudo como se fosse hoje: a descolagem dos Fiats, o “exame” para piloto de AL III com o, também saudoso, TCor Brito como examinador e de outros momentos únicos que tantas saudades me deixaram, apesar das circunstâncias em que foram vividos.
A imagem que dá de meu pai é exactamente a mesma que tenho dele e a que também me tem sido transmitida por outros que tiveram o privilégio de com ele privar...
Por tudo o que fez o favor de referir,o meu bem-haja.

Cumprimentos,

António Gualdino Ventura Moura Pinto







VB.Ilustre Companheiro,permite-me o termo e o trato,mas nesta casa,no seio desta grande familia designada por FORÇA AÉREA PORTUGUESA, todos nos tratamos por tu.

Nunca imaginei receber hoje esta mensagem de um homem que,em criança,por imposição da vida militar de seu pai,o fez estar na Guiné,com quem algumas vezes junto à porta do GO partilhei nas suas traquinices proprias da idade.
Não podes nem deves "agradecer-me" nada,tudo o que disse foi muito pouco ou nada para transmitir aos leitores deste espaço o orgulho que senti em ser comandado por este grande COMPANHEIRO E COMANDANTE!
A FAP foi parte integrante da nossa formação como homens,tivemos professores que nos ministraram as diversas disciplinas,uma delas,que nunca mais esquecerei,foi "HUMILDADE" sendo o seu "Prof." GUALDINO MOURA PINTO!
Certamente que nos iremos encontrar,se me o permitires e não for antes,marcarei o mesmo para o dia 30 de Maio de 2009 em Vouzela-Viseu,data em que se realiza o 32ºEncontro de pessoal da BA 12,a tua presença será para nós uma HONRA!
Assim como o será tambem a tua integração na nossa tertúlia "LINHA DA FRENTE",pois os requisitos estão preenchidos faltando apenas essa foto na BA 12 ou na Guiné,contacto postal e telf,e algumas "traquinices" que te lembres da estada na Guiné.
Deixo a seguir o vasto e riquissimo curriculum do tal menino que conhecemos com 12 anitos na Guiné,pois seu pai,no lugar que Deus lhe reservou,certamente que vive com orgulho o exito do filho.

Curriculum


Nome: ANTÓNIO GUALDINO VENTURA MOURA PINTO
Posto: Coronel de Infantaria
Inicio de Comando:
2008


Resenha Biográfica

O Coronel de Infantaria António Gualdino Ventura Moura Pinto ingressou na Academia Militar em 1978.
Entre outras funções, como Subalterno, foi instrutor de cursos de Oficiais Milicianos e do 12º CFS na Escola Prática de Infantaria em Mafra e ainda director do curso de Operações Especiais/QP e de diversos Cursos de Operações Irregulares no Centro de Instrução de Operações Especiais em Lamego.
Como Capitão foi Comandante da 2ª Companhia de Instrução Agrupamento de Instrução e instrutor de diversos cursos de Operações Especiais no Centro de Instrução de Operações Especiais. Foi ainda chefe da Secção de Instrução desta Unidade;o:p>
Comandou a Companhia de Apoio de Combate do Batalhão Operacional do Regimento de Infantaria 1;
Como Oficial Superior comandou o Batalhão de Instrução do Regimento de Infantaria 1 e desempenhou funções no Estado – Maior desta Unidade como chefe da Secção de Operações e da Secção de Logística.
Foi Chefe da Repartição de Análise e Processamento da Chefia dos Serviços de Transporte
Chefe da Divisão de Pessoal no Joint Command Lisbon.
Foi promovido ao actual posto em 31 de Dezembro de 2005 e Desempenhava à data as funções de Inspector na Inspecção Geral do Exército
Por despacho de 06MAR08, de S. Ex.ª General CEME foi nomeado, por escolha, Comandante do Regimento de Infantaria n.º 1.
Em termos curriculares, além da licenciatura em Ciências Militares pela Academia Militar, está habilitado, com o curso de Operações Especiais e com o curso de Comandos.


Condecorações

- Medalha D. Afonso Henriques 1ª Classe Exemplar grau Prata
- Medalha de Mérito Militar 1ª Classe

domingo, 25 de janeiro de 2009

745 O FIM DE UM GRANDE HOMEM,UM GRANDE COMANDANTE!



Gualdino Moura Pinto
Cor.Pilav.


Comandante da Zona Aérea de Cabo Verde e Guiné
Comandante da Base Aérea nº 12




Percorrendo alguns artigos na Net,como faço habitualmente,deparo com um que me deixou estupefacto.A CAUSA DA MORTE DO COMT:MOURA PINTO.
Sabia realmente que tinha falecido e,segundo as informações que me tinham fornecido e que eu fui transmitindo a quem me procurava,a causa tinha sido doença prolongada.
Venho a saber agora,passados 31 anos,foi vitima do acidente da TAP em 19.11.1977 no Aeroporto do Funchal!
Aqui reproduzimos uma foto,enviada pelo Arnaldo Sousa, quando se despediu da Guiné como Comandante da Zona Aérea e Piloto ,junto de pessoal que componha a linha da frente dos Fiat's:







Junto anexo a foto do pessoal dos Fiat G91/R4 e alguns pilotos.O Comandante da Zona Aérea e da BA12,Coronel Gualdino Maria Moura Pinto(Já Falecido).Da esq./Dirª em pé:SargºRobalo,SargºAntunes,SargºPinheiro,SargºGuaudêncio,Cap.Pilav.Letras,Cor.Pilav.Moura Pinto,Major Pilav.Pedrosa,Cabo Veríssimo,Cabo Pinto,Cabo Sousa,SargºDuarte.Em baixo:Cabo Lopes,Furriel Pinheiro,Sarg.Ramiro,Cabo Brás,Cabo Veríssimo(II).Na escada do avião o Ten.Pilav.Matos.Esta foto de despedida foi tirada dias antes da partida do coronel Moura Pinto para a Metrópole.Pessoa muito educada e de poucas falas,passava com muita calma e esboçando um ligeiro sorriso,inspecção ao avião sem tecer comentários e sem encontrar ponta por onde pegar como se costumar dizer.Todos o admiravam.Cumprimentos.Arnaldo Sousa MMA 1ª/72



A NOTICIA DO ACIDENTE:


Acidente mortal com avião da TAP, ocorrido a 19/11/1977 no Aeroporto do Funchal com o TP 425 vindo de Bruxelas.

Tripulantes falecidos nesse acidente:
Cmt. João Mimo da Costa Lontrão
Copiloto Miguel Ângelo Guimarães Leal
Técnico de voo Gualdino Maria Moura Pinto
Chefe de Cabine José António de Quental Paveia
Comissário de Bordo Carlos João Arroja Simões

Assistente de Bordo Gilda Soares de Varela Cid Cunha Maldonado



Envergadura: 32,92 metros
Corda (na raiz da asa): 7,70 metros
Comprimento total: 45,76 metros
Comprimento da fuselagem: 41,49 metros
Interno da cabine: 28,46 metros
Largura máxima da cabine: 3,55 metros
Altura máxima da cabine: 2,18 metros
Área de piso: 91,05 metros quadrados
Volume da cabine: 188,4 metros cúbicos
Superfície Alar: 157,90 metros quadrados
Desempenho com peso de 78.015 kg:
Velocidade Máxima a 6.585 metros: 1014 km/h
Velocidade de cruzeiro a 5.800 metros: 958 km/h
Velocidade económica a 9.150 metros: 914 km/h
Velocidade de perda sem flaps: 302 km/h
Razão de subida: 793 metros por minuto
Teto de serviço: 10.730 metros
Distância de decolagem: 1.774 metros
Equipagem: 2 pilotos, 1 operador de sistemas e 5 tripulantes de cabine
Capacidade: Até 189 passageiros

Ás 21h35 do dia 19 Novembro de 1977, o voo TP425 tentava aterrar no Aeroporto de Santa Catarina na Ilha da Madeira. A tripulação, cansada do 5º voo desse dia, tentava uma terceira aterragem na pista 24 num dia de temporal, com muita chuva e consequente fraca visibilidade.O comandante João Costa sabia que caso não conseguissem aterrar, teriam de divergir para o Porto Santo onde não haveria de modo algum alojamento para os 156 passageiros e 8 tripulantes que vinham de Bruxelas via Lisboa. Consequentemente seria necessário divergir para a Gran Canária a 400km de distância.
A aeronave era um B.727-282ADV, versão 200 com capacidade para 189 passageiros e fabricada para a TAP (dai o código 82) e entregue 2 anos antes. Era um tri-reactor (com motores Pratt&Whitney JT8D), número 1096 da linha de produção. Ostentava o nome do pioneiro da aviação portuguesa, Sacadura Cabral, curiosamente falecido num acidente aéreo no Canal da ManchaAs cores da TAP eram ainda o branco e vermelho, a mudança para verde e vermelho seria para três anos mais tarde. Na altura ainda se lia "Transportes Aéreos Portugueses" ao longo da fuselagem.Após a aproximação o avião aterra muito para além do normal, faz aquaplaning numa pista muito molhada e sai pela cabeceira da pista fora, que tinha um desnivel de dezenas de metros em relação á estrada. Cai uns metros mais abaixo em cima de uma pequena ponte de pedra, desfaz-se em duas partes, a traseira que fica cortada atrás das asas em cima da ponte e o resto que cai na praia de calhau e irrompe num mar de chamas.









No rescaldo:
Pessoas à bordo: 8 tripulantes e 156 passageiros = 164
Vítimas fatais: 6 tripulantes e 125 passageiros =131




A TAP deixou de operar o modelo 727 da série 200 para a Madeira, passando apenas a operar o 727-100, 5 metros mais curto e com capacidade para menos 60 passageiros.
Durante muito tempo ainda se encontravam destroços do avião na praia. Alumínio derretido entre as pedras muito tempo ficou, formando "obras de arte". Eis aquilo que ficou em minha posse:


Este bocado servia de túnel para os meus carros quando era puto. Sempre quis saber donde era, o meu pai achava que era de uma asa.
Apenas no ano passado um mecânico da TAP me conseguiu descobrir o que era...Era um eixo de um flap, feito em magnésio (aquilo é incrivelmente leve).
Este foi o único acidente mortal da TAP em voo de transporte de passageiros.



















quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

767 A VERDADE FOI REPOSTA.


O ERRAR É HUMANO,MAS À QUE REPOR A VERDADE!








No passado dia 25.1,com alguma consternação,embora ainda não muito crentes do que tínhamos lido,publicamos esta mensagem:

Percorrendo alguns artigos na Net,como faço habitualmente,deparo com um que me deixou estupefacto.A CAUSA DA MORTE DO COMT:MOURA PINTO.Sabia realmente que tinha falecido e,segundo as informações que me tinham fornecido e que eu fui transmitindo a quem me procurava,a causa tinha sido doença prolongada.
Venho a saber agora,passados 31 anos,foi vitima do acidente da TAP em 19.11.1977 no Aeroporto do Funchal!
Aqui reproduzimos uma foto,enviada pelo Arnaldo Sousa, quando se despediu da Guiné como Comandante da Zona Aérea e Piloto ,junto de pessoal que componha a linha da frente dos Fiat's:





A noticia a que me refiro, é esta publicada no mês de Dezemdro de 2007 pelo APTCA,Associação do Pessoal Tripulação e Cabine:



"Homenagem aos Tripulantes e Passageiros vitimados no acidente da TAP, 30 anos após 2007-12-03Por iniciativa do SNPVAC (Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil), na Igreja do Loreto em Lisboa, realizou-se no dia 20 de Novembro, às 19h30, uma Missa em Sufrágio por todas as vítimas, Tripulantes e Passageiros, do único acidente mortal com aviões da TAP, ocorrido a 19/11/1977 no Aeroporto do Funchal com o TP 425 vindo de Bruxelas.
Fizeram-se representar: TAP, SNPVAC, SPAC e APTCA
Tripulantes falecidos nesse acidente:
Cmt. João Mimo da Costa Lontrão
Copiloto Miguel Ângelo Guimarães Leal
Técnico de voo Gualdino Maria Moura Pinto Chefe de Cabine José António de Quental Paveia
Comissário de Bordo Carlos João Arroja Simões
Assistente de Bordo Gilda Soares de Varela Cid Cunha Maldonado"



Efectivamente,como não considerava-mos segura a noticia,no dia 31.1, procuramos junto fontes fidedignas um esclarecimento mais concreto sobre o assunto.
Entretanto também solicitamos,nos termos que trnscrevemos a seguir, um esclarecimento à APTCA sobre o fundamento da noticia e,caso houvesse erro,que fosse reposta a verdade:

Emos, Srs. Sendo nós editores do Blog "especialistas da Base Aérea 12",constituído por antigos Pilotos e Mecânicos que serviram a Força Aérea Portuguesa naquela unidade durante a guerra colonial sobre o Comando do então Cor.Pilav.Gualdino Maria Moura Pinto, recebemos um email que, publicamos neste nosso espaço, tendo como conteúdo a noticia que a seguir transcrevemos, publicada no site da APTCA,que nos deixou um pouco incrédulos:
"Homenagem aos Tripulantes e Passageiros vitimados no acidente da TAP, 30 anos após 2007-12-03Por iniciativa do SNPVAC (Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil), na Igreja do Loreto em Lisboa, realizou-se no dia 20 de Novembro, às 19h30, uma Missa em Sufrágio por todas as vítimas, Tripulantes e Passageiros, do único acidente mortal com aviões da TAP, ocorrido a 19/11/1977 no Aeroporto do Funchal com o TP 425 vindo de Bruxelas.
Fizeram-se representar: TAP, SNPVAC, SPAC e APTCA Tripulantes falecidos nesse acidente:
Cmt. João Mimo da Costa Lontrão
Copiloto Miguel Ângelo Guimarães Leal
Técnico de voo Gualdino Maria Moura Pinto
Chefe de Cabine José António de Quental Paveia
Comissário de Bordo Carlos João Arroja Simões
Assistente de Bordo Gilda Soares de Varela Cid Cunha Maldonado"
Sendo, como já se disse, este nosso espaço integrado por antigos companheiros daquele Oficial Pilav.que acompanharam os seus últimos dias de vida, vitimado por doença prolongada e assistiram à partida para aquele que seria o seu "último" voo,com a finalidade da reposição da verdade, perguntamos:
1 - O Gualdino Maria Moura Pinto a que se referem será a mesma pessoa a que nos referimos nós em função das indicações que aqui fornecemos?
Caso seja:
1 - Julgamos que esta noticia não carece de fundamento e que, embora datada de 2007, deve ser rectificada.
2 - Desconhecia-mos que as tarefas por si desempenhadas tenham sido as de Técnico de voo?!...
Sem outro assunto e agradecendo a vossa resposta, despedi-mo-nos com Saudações Aeronáuticas
Victor Barata
de

Dia 4.2,recebemos da APTCA dirigido ao SNPVAC (Sid.Nac. Pessoal de Voo e Aviação Civil)em resposta ao pedido de esclarecimento que este organismo fez à APTCA:

Excelentíssima Senhora Presidente da Direcção do SNPVAC:
No seguimento do contacto que mantivemos a propósito do assunto do fatídico acidente do Funchal, que a todos nós marcou, tenho a informá-la de que: no imediato momento em que tomámos conhecimento de que era o nome do Sr. Cor. Pilav Gualdino Maria Moura Pinto o indicado como TV do serviço, foi o mesmo substituído pelo nosso colega TV Encarnação.
Já estamos a tentar compreender como o erro da troca de identidades ocorreu.Lastimamos SINCERAMENTE qualquer contratempo que o erro de identidades possa ter causado mas a mesma foi involuntária e com as melhores intenções, pois queríamos, singelamente, homenagear os nossos colegas do PNT que faleceram.
A correcção foi imediata e o nosso “site” está correctamente actualizado, contudo, tal como abaixo mostramos, a informação que ainda está em “cache”, no Google,

É um instantâneo da página, tal como surgiu no dia 21 de Outubro de 2008 às16:56:22 GMT. Esta é a cache do Google de
http://www.aptca.pt/index.php?content=56.


Entretanto, a página actual poderá ter sofrido algumas alterações. Saiba mais Versão apenas de texto
Estes termos de pesquisa estão realçados: Gualdino Maria aptca
Com os melhores cumprimentos Associativos
A Direcção
Este é o teor do email do SNPVAC enviado à APTCA, pedindo para nos informar da respectiva rectificação:




De: Sindicato Nacional de Pessoal de Voo e Aviação Civil [mailto:mail@snpvac.net]
Enviada: terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009 18:31
Para: Geral
Assunto: Exmos. Senhores, Recebemos o e-mail que anexamos.
Estamos cientes de que a APTCA, rectificou já o nome do Técnico de Voo, infelizmente falecido no acidente do avião da TAP no Funchal ocorrido em 19 de Novembro de 1977.
Agradecemos porém, a vossa resposta ao referido e-mail que reenviaremos ao Exmo. Senhor Victor Manuel.




VB.Errar é humano,foi reposta a verdade!
Em qualquer lugar estamos sempre contigo,AMIGO,COMPANHEIRO E
COMANDANTE!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Voo 2730 O GRANDE COMANDANTE MOURA PINTO.




Victor Barata
Esp.Melec/Inst./Av

Vouzela




Companheiros,á personagens na nossa vida que pela sua conduta,que pelas mais variadas acções, nos marcam para sempre.

Obviamente que nem todos nós podemos compartilhar da mesma ideia, mas uma das regras deste blogue, é o respeito mutuo.


Esta foto recorda um dia de  aniversário do Clube de Especialistas,em Bissalanca,tendo sido convidado o comando da BA 12 (71/72/73),á esq. é o 1ºCom Cor.Pil.Av. Gualdino Moura Pinto(Já Falecido) e á  dirª Ten.Cor.Pil.Av. José Lemos Ferreira.

Pois bem, vou falar do Coronel Moura Pinto, como um verdadeiro líder, homem de poucas falas,alto,magro, com grandes qualidades humanas.
Remota o ano de 1973, quando entre Março e Abril,a nossa Força Aérea perdeu Grandes Homens,companheiros do dia/dia que lutavam pela mesma causa que nós mas que o destino quis que partissem primeiro,TenCor.Brito, Major Montovani, Furriéis Baltazar e Ferreira. 
A instabilidade estava instalada, o receio, principalmente em quem operava com aeronaves de pequenas velocidades, apoderou-se, por se desconhecer o tipo de arma utilizada pelo PAIGC para abater os nossos aviões.
É nestas ocasiões que se distinguem os grandes COMANDANTES , o coronel Moura Pinto mandou reunir na sala de operações os 42 pilotos presentes na Base e,com a serenidade que lhe era virtude,foi dizendo:

"Havia garantia de que a arma utilizada pelos guerrilheiros para abater as nossas aeronaves era um míssil”.

Em seguida afirmou ter duas certezas, uma, fruto das suas convicções pessoais, outra, resultado da sua experiência de oficial:
A primeira era muito subjectiva e resumia-se numa frase:
Só é atingido pelo míssil quem tiver esse destino traçado.
A segunda, também se dizia em poucas palavras:
Ninguém pode ter medo do míssil, porque o piloto que vai voar com medo está mais vulnerável e acaba por ser atingido.
Depois para reforçar a sua argumentação linear, recordou o ditado latino:"A sorte protege os audazes".
 Estas afirmações no ambiente tenso que pairava na sala, tiveram um impacto extraordinário. Gerou-se uma descompressão colectiva, embora estivessem todos ainda apreensivos. Faltava na sala um único piloto,Furriel Santos,por se encontrar de serviço ás operações.
Nesse momento a porta do fundo da sala abriu-se e entrou o piloto em falta,pedindo licença para falar.Toda a assembleia virou a cabeça em sua direcção.O comandante Moura Pinto autorizou-o a falar. Com desenvoltura,o Furriel Santos informou ter recebido um pedido de evacuação de feridos graves de um Batalhão do Exército que tinha sido atacado.Vinha pedir instruções.Diz-lhe o Coronel Moura Pinto:
 "Responda que se vai fazer a evacuação. Mande preparar o helicóptero. Quem faz essa evacuação sou eu".
Voltou-se para a assistência e perguntou:
Meus senhores quem quer colocar alguma questão? 
Reinou o silêncio entre toda a gente. 
Se não têm perguntas, eu já disse tudo, e, como á coisas mais importantes a fazer, vou-me embora.
Foi fazer a evacuação.
O desfecho desta reunião teve impacto fortíssimo no moral dos pilotos,o animo passou a falar mais alto, abafando os últimos resquícios do medo natural.

Descanse em paz, meu COMANDANTE!
Victor Barata
Melec/Av.Inst
Nota: Esta passagem foi retirada do livro "A Força Aérea na Guerra de África" de autoria de Luís Alves de Fraga,Coronel da FAP na reserva (Editora Prefácio).



terça-feira, 4 de maio de 2010

VOO 1683 GUALDINO MOURA PINTO,QUE GRANDE HOMEM




Fernando Moutinho
Cap.Piloto

Alhandra





Boa tarde Barata
Acabei de visitar "B.A. 12" e ... fiquei sensibilizado pelo comentário ao Voo 1675 de Miguel Pessoa.
Como estou para mudar de habitação ando a "filtrar" as minhas coisas. Entre elas encontrei uma base de copos autografada pelos Dragões acabados de se exibirem na Bélgica.
Depois do Festival fomos os 5 (4 Dragões mais o Ten Valla - reserva) jantar a um Restaurante sossegado a sul de Liege perto de SPA.


Para comemorar todos assinamos uma base de copos como recordação.
Em destaque a rubrica do Cap. Moura Pinto.
Um abraço
Moutinho


(*)Cap. Moura Pinto – grande Homem

Tive uma relação muito próxima com o Capitão Moura Pinto.
Começou quando ele foi Comandante da Esquadrilha C da Esquadra 21,
seguindo-se no comando da mesma Esquadra. Fui seu asa na Esquadrilha
Acrobáticas “Os Dragões”, com continuação para Esquadra 50/51 na Ota
e Monte Real.
Fui, aquilo que popularmente se denomina – “o seu braço direito”.
Trabalhávamos totalmente em sintonia. Não estou a referir-me aos
voos, independentemente de ter pertencido aos Dragões, refiro-me a
trabalhos do dia-a-dia. O Capitão Moura Pinto tendo sido nomeado
Oficial de Segurança de Voo da Base (na Ota), precisou de
colaboradores para a feitura duma Revista de Segurança de Voo da
B.A. 2. Para o efeito, convidou o Fur. Pil Carvalheira para "os
bonecos" e precisando de alguém que soubesse escrevinhar à máquina e
tratasse da edição, acabei por ser o seu colaborador. Nunca me
arrependi, antes pelo contrário, tive e tenho orgulho em o ter
servido. Foi um longo (alguns anos) e frutuoso período de relações
que muito me honraram e engrandeceram. Desfrutei de algumas
aventuras na sua companhia. Aprendi muito com o seu exemplo.
Apreciava a sua lealdade e o rigor que colocava em tudo que fazia.
Foi na convivência com o Cap. Moura Pinto que eu me tornei, também,
muito rigoroso nas minhas actividades aeronáuticas. Tornei-me, posso
dizê-lo com orgulho, eficiente. A ele o devo.
Foi um grande Homem que recordo com saudade e perene respeito.
Curvo-me em sua Honra.

(*)
Extraído do Blog "As memórias do Fernando Moutinho"

terça-feira, 24 de novembro de 2009

VOO 1298 QUE GRANDE HOMEM!


Fernando Moutinho
Cap.Pil.(Refº.) Guiné
Alhandra

Boa tarde Victor Barata
Já estive a rever o Blog e, no teu último escrito, uma frase mexeu comigo:

"Quando leio o seu nome em qualquer escrito,associo de imediato a um grande HOMEM que,embora já tenha saído para o voo eterno,continua sempre com um seu lugar na nossa LINHA DA FRENTE,Gualdino Maria Moura Pinto"

Certamente, sabes que eu tive uma relação muito próxima com o Capitão Moura Pinto que começou quando era Comandante da Esquadrilha C, seguindo-se o comando da Esquadra 21 e o nascimento com continuação para Monte Real da Esquadra 51.

Legenda:Aqui o Fernando funciona como o "o braço esquerdo" deste grande companheiro Gualdino Moura Pinto.Que grandes pilotos foram estes dois Dragões!
Eu era, aquilo que popularmente se denomina - o seu braço direito.Trabalhavamos totalmente em sintonia. Não estou a referir-me aos voos, independentemente de ter pertencido aos Dragões.Refiro-me a cumplicidades do dia a dia. Tendo sido nomeado Oficial de Segurança de Voo (Ota), o Cap Moura Pinto precisou de colaboradores para a feitura duma Revista de Segurança de Voo da B.A. 2. Convidou o Fur. Pil Carvalheira para "os bonecos" e precisando de alguém que soubesse escrever à máquina, acabei por ser eu o colaborador.Nunca me arrependi, antes pelo contrário, tive e tenho orgulho em o ter servido.Foi um longo (alguns anos) e frutuoso período de relações que muito me honraram e engrandeceram.Desfrutei de algumas aventuras na sua companhia.Foi um grande Homem que recordo com saudade e perene respeito.
Curvo-me em sua Honra.
Fernando Moutinho
VB:Pois Fernando,é com muita emoção que leio estas palavras de elogio,para nós,pois a humildade deste grande HOMEM e COMANDANTE não necessitava de disso,era um homem cheio de virtudes! Algumas vezes mal acompanhado,Fernando,mas ele também sabia quem tinha a seu lado.
Como sei que nos está a escutar,um grande abraço,SENHOR COR.PILAV.MOURA PINTO!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

VOO 1579 "GÉNESE DA ESQUADRA DOS FALCÕES"


Fernando Moutinho
Cap.Piloto
Alhandra

Boa tarde Barata

Tenho andado a conversar com Miguel Pessoa e, no meio houve um pequeno trabalho "Génese da Esquadra dos Falcões" que sugeriu que te enviasse porque poderia haver interesse em publicar no blog atendendo a que se refere ao Cap. Moura Pinto.
Assim, em anexo segue a dita peça. Se entenderes publicar muito bem.

Um abraço

“Génese da Esquadra dos “Falcões”

Na Ordem de Serviço nº 35, da Base Aérea 2, de 4 de Fevereiro de 1958 (pág. 120), pode ler-se:

“Artº 12º - ESQUADRA Nº 50

Que a Esquadra a ser equipada com aviões F-86, em organização, passe a ser comandada pelo Capitão Piloto Aviador – Gualdino Maria Moura Pinto”

A USAF forneceu um equipamento denominado, MTU (Mobile Training Unit), para treino e familiarização com o novo equipamento, do pessoal da futura Esquadra.

O 1º Curso começou em 7 de Março do mesmo ano.

Além dos pilotos formar-se-á variado pessoal técnico.


A delegação da USAF para treino do pessoal era constituída por dois pilotos e por pessoal mecânico especialista.

A chefia da missão era do Major piloto Akolla e secundada pelo Capitão piloto Brown e M/Sgt Lukert responsáveis pela instrução estática.

Foto de entrega de diplomas aos instruendos.

Eis um exemplar de um Diploma De referir que quer o Major Akolla quer o Capitão Brown eram experimentados pilotos de F-86F, tendo combatido na Guerra da Coreia.

Ainda como Esquadra 50 temos para documentar a foto do anel que, ciosamente, guardo.

E, como nasceu a pintura dos aviões?

Dum modo despretensioso e ocasional.

Sempre gostei de construir kits em plástico e, como se entenderá, o F-86 foi de imediato procurado e construído. Para não deixar o modelo em “branco” pintei a ponta do nariz, as pontas de asa, as extremidades da cauda em azul.

Ao oferecer, o modelo para embelezar a secretária, ao Comandante da Esquadra, este ficou tão satisfeito que de imediato pôs à aprovação do restante pessoal a proposta de adaptação daquele esquema de cor. Concordaram com uma alteração, a pintura da “deriva” na mesma cor.Quanto a “Falcões” foi proposta do Cap. Moura Pinto com a “adopção” do falcão Peregrino.

Finalmente, na Ordem de Serviço nº 254 da B.A. 2 de 11 de Setembro de 1958, na sua Pág. 864, pode ler-se:

Artº7º - DESIGNAÇÃO DOS GRUPOS E ESQUADRAS DE CAÇA

Que, por determinação superior, os Grupos e Esquadras de Caça, passem desde esta data, a terem as seguintes designações:

Grupo de Caça nº 210 Esquadra de Caça nº 21 (antiga 21)

Esquadra de Caça nº 22 (antiga 20)

Grupo de Caça nº 501 Esquadra de Caça nº 51 (antiga 50)

Esquadra de Caça nº 52 (a formar)


Foi, portanto, a 11 de Setembro de 1958 que nasceu, a

ESQUADRA 51

com os Falcões da 50

e seus continuadores

que tão belas páginas deram à Força Aérea Portuguesa



Guerra ou Paz ? tanto nos faz

Guerra ou Paz? tanto nos faz

Guerra ou Paz? tanto nos faz

KIAK........................................!

Um dos Falcões fundador

Fernando Moutinho


VB: Olha Fernando,não é todos os dias que temos o privilégio de ler um texto desta qualidade. Quem melhor que tu nos pode falar daquela que foi a esquadra que iniciou a era dos jactos" na FAP à qual tambem pertences-te,"OS FALCÕES",?!
Depois evocares um GRANDE COMPANHEIRO,Gualdino Moura Pinto,por quem tive o previlégio de ser comandado na Base Aérea 12.
É um orgulho muito grande para nós podermos contar com estas tuas histórias vividas em épocas muito carenciadas,que dignificaram a nossa FAP.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Voo 2024 TRÊS HOMENS QUE MARCARAM A MINHA VIDA AERONÁUTICA.




Fernando Moutinho
Cap.Pil
Alhandra



2ª Sarg Tércio, Cap. Moura Pinto e Gen. Almeida Viana

Nesta tentativa de passar a escrito algumas das recordações da minha carreira na Força Aérea Portuguesa, sinto, para além do dever de expressar a minha gratidão, a enorme satisfação com que convivi com três Homens, aviadores, que marcaram profundamente a minha maneira de ser e como conviver com o mundo.
Pode parecer exagero mas deixaram-me marcas profundas e uma séria e incondicional amizade.
Infelizmente, já deixaram este mundo.
Claro que convivi com excelentes pessoas que muito me honraram mas, estas três foram excepções marcantes.
Não sou só eu a considerá-los Homens de primeira água, muitos outros os
consideraram.
Será de admirar que o Primeiro deste Trio e, por ordem cronológica, seja o meu instrutor no Tiger Moth, nos primeiros passos para piloto?
Afável, mesmo brincalhão mas disciplinado e disciplinador. Houve particularidades que me moldaram profundamente.
A minha sentida e respeitável vénia para:

Na altura, , 2º Sargento Piloto Tércio Freire


Cap. Moura Pinto – grande Homem

Tive uma relação muito próxima com o Capitão Moura Pinto.
Começou quando ele foi Comandante da Esquadrilha C da Esquadra 21, seguindo-se no comando da mesma Esquadra. Fui seu asa na Esquadrilha Acrobáticas “Os Dragões”, com continuação para Esquadra 50/51 na Ota e Monte Real.

Fui, aquilo que popularmente se denomina – “o seu braço direito”. Trabalhávamos totalmente em sintonia. Não estou a referir-me aos voos, independentemente de ter

pertencido aos Dagões, refiro-me a trabalhos do dia-a-dia. O Capitão Moura Pinto tendo
sido nomeado Oficial de Segurança de Voo da Base (na Ota), precisou de colaboradores para a feitura duma Revista de Segurança de Voo da B.A. 2. Para o efeito, convidou o Fur. Pil Carvalheira para "os bonecos" e precisando de alguém que soubesse escrevinhar à máquina e tratasse da edição, acabei por ser o seu colaborador. Nunca me arrependi, antes pelo contrário, tive e tenho orgulho em o ter servido. Foi um longo (alguns anos) e frutuoso período de relações que muito me honraram e engrandeceram. Desfrutei de algumas aventuras na sua companhia. Aprendi muito com o seu exemplo.
Apreciava a sua lealdade e o rigor que colocava em tudo que fazia. Foi na convivência com o Cap. Moura Pinto que eu me tornei, também, muito rigoroso nas minhas
actividades aeronáuticas. Tornei-me, posso dizê-lo com orgulho, eficiente. A ele o devo.
Foi um grande Homem que recordo com saudade e perene respeito.
Curvo-me em sua Honra.

General Anacoreta Almeida Viana

Foi como aluno piloto que conheci, pela primeira vez, o Ten. Almeida Viana. Não era instrutor dos pilotos mas, dava aulas de Tecnologia, aos alunos mecânicos.
Mais tarde, voltei a encontrá-lo na qualidade de Director da Aeronáutica Civil, ao tirar o Certificado de Piloto Comercial.
Quando fui colocado em Angola (Out 1966) o Comandante da 2ª Região Aérea era, precisamente, o Gen. Almeida Viana.
A sua especialidade principal era Engenheiro Aeronáutico mas, também, piloto. Devido aos variados cargos como Engenheiro, a última função, como piloto, nunca a desempenhou em permanência.
Contudo, gostava de se sentar aos comandos mas, atendendo à idade e falta de experiência, pilotava mas sempre acompanhado.
Na altura, na Base, só havia um único piloto a voar C-45 Beechcraft, sendo necessário qualificar mais algum. Fomos nomeados dois pilotos para esse fim. Fizemos os voos de Adaptação considerados necessários e largados.
Logo depois comecei a ser nomeado para acompanhar o General. Ele fez-me uma “dissertação” em que reiterava a sua qualidade de piloto mas, inexperiente e já “velho” como dizia, mas exigia que em caso de necessidade eu é que era o responsável. Tinha de o corrigir quando necessário.
Assim, pouco depois, num voo de regresso de Cabinda, ao aterrar em Luanda, bate com o trem no chão e vamos para o ar numa posição um tanto ou quanto anormal. Reagi de imediato, tomei os comandos, reponho o avião a voar junto ao solo e, entrego-lhe o avião. Aterrou de seguida e bem. No vestiário volta-se para mim e diz: Acerca da aterragem, fez muito bem, é para isso que quero um piloto experiente. Não sabia mas tinha acabado de passar num teste.
Foi por causa desta aterragem que ficou definitivamente a voar comigo. Quando precisava de sair, telefonava-me para saber da minha disponibilidade pois não queria estragar as outras minhas missões. Quando eu estava ausente chegava a aguardar a minha chegada para efectuar as suas saídas.
Entretanto, ainda em 1967, o General é nomeado Comandante-Chefe.
Inicialmente, os voos eram efectuados com o General, eu, o mecânico e o Ajudante de Campo mas, ao fim de pouco tempo, dispensou o Aj. de Campo. Na prática fiquei eu a substituí-lo. Para enfatizar disse-me: a partir de agora andará sempre comigo, vai para onde eu for.
Nesta fase, ainda não me tinha apercebido da profundidade daquele conceito.
Pouco depois, como disse, já na qualidade de Comandante-Chefe foi efectuar uma visita ao Governador da Lunda (na altura Maj. Soares Carneiro, mais tarde General que concorreu a Presidente da Republica), daí termos ido a H. Carvalho. Aterramos eram quase 12 h. O Gen. seguiu nas viaturas da comitiva e, eu fiquei na Base. Almocei e estava a beber o café após o almoço. Toca o telefone – era o “nosso” general, a dizer-me: “então Mestre, estamos à sua espera para almoçar”.
Gaguejei… “mas, acabei de almoçar… e… sim meu general”.
“Já mandei uma viatura para o trazer”.
Tinha acabado de ser posto na “ordem” quase definitivamente.
Ao chegar à residência do Governador, cumprimentando as entidades apresentei as minhas desculpas pelo atraso – tinha estado a aprontar o avião (desculpa).
À mesa (8 pessoas) como se compreenderá, estava com fastio – tinha acabado de almoçar. Aí o “meu” general diz: Ó “Mestre” está mal disposto ou com fastio?
Compreendi que me tinha acrescentado mais uma lição. Não esqueci.

Enchi-me de coragem e virando-me para a anfitriã, pedi desculpas pela minha atitude e, pela minha falha perante as instruções dadas pelo meu chefe. Muito bem. Acharam graça, com especial relevo, para a minha franqueza.
Nunca mais deixei de o acompanhar, até em situações muito delicadas do ponto de vista militar. Não querendo identificar vou dar um exemplo.
Um chefe militar (brigadeiro) recém-chegado a Angola permitiu-se fazer algumas considerações depreciativas dos comandos.
O “general” foi-lhe fazer uma visita surpresa. Conseguimos entrar na Sala do Comando sem sermos detectados. Aí, começou uma “cena”. Sentindo que estava a mais comecei a recuar para a porta para abandonar a Sala. Eu era um simples Capitão e estavam a admoestar um Brigadeiro à minha frente. O General reparou e obrigou-me a ficar…
Normalmente, o General, equipava-se com uma combinação de voo em camuflado mas
sem insígnias e, ao apresentar-se para quem o não conhecia, dizia: “Alf. Velho”.
Um dia fomos ao Camaxilo, perto do Negage. Após pararmos o avião, aparece um jeep com um alferes a apresentar-nos cumprimentos e dar-nos transporte. Claro, o General, apresentou-se como: Alf. Velho. Fomos para o BAR. O alferes ofereceu-se para nos servirem qualquer coisa e… “meu capitão para aqui, alferes para ali”, enquanto se aguardava a chegada do Comandante (Ten. Cor). Quando este chegou apresentando-se com uma valente continência, dizendo: “muito prazer em vê-lo meu General”. O alferes abriu a boca de espanto e… pediu desculpa pela ignorância. Tudo bem. Foi um momento de descontracção.
Seguiram-se muitas e variadas saídas por toda a Angola.
Já contei noutro local uma viagem a “Terras do Fim do Mundo” – Coutada do Mucusso, junto à fronteira da Namíbia.
Como foi no Fim de Ano, a missão principal era confraternizar com o pessoal mais isolado de Angola. Connosco seguia um convidado especial, o Vice-Reitor da Universidade de Lourenço Marques amigo do general.
Jantamos com os soldados e ficamos até cerca das 3 da manhã em amena cavaqueira. O general tinha um jeito especial para lidar com as pessoas. No dia seguinte visitamos Luengue, Vila Nova de Armada, Cuito Canavale e paramos para visitar a guarnição de Gago Coutinho. Aí esperava-nos um almoço especial mas, o General quis, primeiro, fazer uma visita à Unidade. Passamos pelo Refeitório dos soldados, em pleno almoço – uma bela feijoada. Pretendendo dar uma lição de simplicidade, mete conversa com alguns soldados, gaba o almoço e virando-se para o Comandante do Batalhão pergunta se pode partilhar do almoço com o pessoal. A resposta só poderia ser uma. Lá nos sentamos em agradável convívio. Saiu de lá com um elevado capital de simpatia mas, das classes baixas porque, os outros não gostaram.
Houve algumas missões muito especiais e até secretas, como por exemplo, uma Reunião no Palácio do Governador em Serpa Pinto com o Ministro da Defesa da África do Sul, e mais 2 entidades com altos postos para negociações quanto a apoios militares da África do Sul. Estive sempre presente, as conversações foram em inglês (levamos um tradutor – oficial da Armada) mas esforcei-me para não querer saber pormenores.
Também recordo o último voo que fizemos. Já de noite de regresso de Silva Porto para Luanda. Expressou-me a sua nostalgia e o desgosto por ter de regressar a Lisboa.
Tinha caído em desgraça perante a capital. Pouco tempo antes as forças vivas locais prestaram-lhe uma grandiosa homenagem. Isto assustou Lisboa. Tiveram medo duma Declaração de Independência.
Para a sua exoneração serviu de desculpa o ataque ao Caminho de Ferro em Nova Lisboa.
Infelizmente já faleceu.
Tenho imensa honra e ficarei infinitamente grato pela confiança que em mim depositou. – Obrigado General Almeida Viana










Transcrição da Dedicatória:

“Ao Cap. Moutinho, “Mestre” seguro e paciente, oferece com estima, agradecido apreço, o General João A. A. Viana.

8 de Maio de 70.


VB: Olá Fernando.
Que recordação me trazes, o Cor.Pilav. Gualdino Moura Pinto!
É verdade. um GRANDE HOMEM,UM GRANDE COMANDANTE!
Foi meu comandante entre 71/73 na BA 12,que saudades…
Em 29 de Maio de 2009,quando do 32ºEnc.do Pessoal da BA 12,tive a oportunidade de, humildemente, prestar-lhe uma singela homenagem na pessoa do filho, Cor.Comando António Moura Pinto.
Fez o último voo sem lhe darmos saída, como ele estava habituado, mas continua connosco.