domingo, 10 de dezembro de 2017

Voo 3469 ALMOÇO DE NATAL NÚCLEO DE VISEU.










Caros Companheiros,

Como é de conhecimento de alguns,foi recentemente criado o Núcleo de Viseu da Associação de Especialistas da Força aérea que tem a sua sede provosória nas instalações do terminal de embqrque no Aerodormo Municipal Marques Lobato.
Embora ainda em embrião e a dar os primeiros passos,não quiseram os elementos da Comissão Instaladora deixar esta quadra natalicia passar sem reunir os ainda poucos elementos e algumas,que o o seu honroso espirito ESPACIALISTA,não quiseram deixar de estar presentes para fortalecer o convivio.
Assim no passado dia 9,depois de uma visita á sede,seguimos para o Restaurante O Viso para comungarmos de uma excelente refeição.
Bem Haja a todos.

Voo 3468 LEMBRAR-ME O 8 DE DEZEMBRO DE 1962 NA GUINÉ.





Fabricio Marcelino
Esp.MMA
Leiria                           

A data de hoje lembra-me todos os anos o dia 8 de Dezembro de 1962 na Guiné.
De manhã começaram os ataques e consequentemente a descolagem de aviões F86-F para cobertura das tropas em terra e, respectivos bombardeamentos  ao inimigo.
Após a descolagem dos dois primeiros aviões, entrámos em de imediato em alertas de 3 minutos. Como sabemos, este alerta obriga os pilotos estarem sentados e, amarrados dentro do avião, expostos ao sol tórrido e, os mecânicos de avião,da linha da frente, a estarem sempre com os Put Put a trabalhar porque dentro de 3 minutos os aviões tinham de descolar, após a chamada de alerta.
Foram 5 dias assim e, só por volta das 21H00, entrávamos em alertas de 15 minutos, o que já permitia um pequeno descanso, por  muito curto que fosse.
A certa altura começaram –nos a chegar os militares mortos e gravemente feridos, vindos das frentes de combate.
Tenho na minha mente e, parece que ainda ouço, um soldado do exército, que ajudei a retirar do avião que o resgatou. Este trazia as vísceras de fora, que ajudei a segurar. A certo momento, ele agarrou-me o pulso direito com muita força e, fitando-me nos olhos implorava-me que por amor de Deus não o deixasse morrer, porque queria ver a mãe.
Lamentavelmente nada podia fazer e…faleceu no dia seguinte.
Lembro igualmente entre tantos outros, um Tenente dos Fuzileiros, que tinha levado uma rajada nas pernas e uma delas estava apenas segura por tendões e a outra quase decepada.
Eram momentos que mexiam connosco, para mais era  nessa altura, o dia da mãe, aquela que tínhamos deixado longe e, não nos podia acariciar.  
A certo momento com o somar de tantas coisas, apetecia-me  chorar e assim fiz. Meti-me dentro do meu avião F86-F e, aí chorei, até estar totalmente aliviado. Sim, porque os militares também choram, a mais em tempo de guerra!

Votos de Feliz Natal a todos e seus familiares
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sábado, 9 de dezembro de 2017

Voo 3467 PEDIDO DE COLABORAÇÃO.

Francisco Duarte
Leitor do Blog

Boa tarde,

Chamo-me Francisco Duarte, e sou um escritor. Sempre fui apaixonado por história, sobretudo a época da Guerra Fria, tanto internacionalmente como no caso específico de Portugal durante esses anos, assim como aviação militar. Devo a estes interesses a minha curiosidade acerca da Força Aérea Portuguesa nos anos 60 e 70.

Correntemente encontro-me a desenvolver uma obra de ficção passada num contexto histórico, e parte da ação dá-se na BA12, circa 1974 (antes e depois da Revolução). O que venho aqui perguntar é se seria possível indicarem-me alguma obra que me desse indicações acerca de como era o dia-a-dia na BA12 durante essa época, ou se haverá pessoas (sobretudo na área da Aveiro) com quem eu pudesse falar para conseguir essa informação.

Procuro sobretudo coisas como o que os pilotos e os técnicos faziam nos tempos livres, como se preparavam as missões, como eram recebidos os novos pilotos e técnicos por quem já lá estava, ou mesmo quão extensa era a presença de elementos da polícia do Estado ou outros elementos de controlo ideológico, etc.

Eu gostava de poder criar um quadro realista, e apesar de saber que me irá sempre falhar alguma coisa, eu queria escrever uma obra que fosse respeitosa dos nossos veteranos e respeitasse o espírito da época.

Agradeço desde já qualquer apoio. Se o meu pedido parecer confuso ou vocês requerem mais informação para me poderem ajudar por favor digam. Terei todo o gosto de falar mais do meu projeto, de modo a poder chegar à informação de que necessito.

Muito obrigado,
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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Voo 3466 RECORDAÇÕES DE UM PASSADO...




João Carlos Silva
Esp.MMA
Sobreda
Lisboa

...Naquele frio do início de Março, na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, a família chegada esperava o primo Víctor. O primo Victor, Furriel Miliciano da CCS/BART 1913, vinha de Catió, lá na Guiné, a bordo do Uíge, um dos paquetes da Companhia Colonial de Navegação. 
Toma atenção, assim que vires chegar o primo, corre para seres o primeiro a dar-lhe um abraço, dizia a Mãe!
O mesmo estariam a pensar os restantes familiares e todas as outras famílias que nesse dia aí se reuniam, esperando os seus jovens familiares que vinham dessas terras longínquas de África. 
Com enorme ansiedade, as famílias saudosas dos filhos, dos maridos, dos namorados, dos pais, dos primos, dos sobrinhos, dos amigos, esperavam vê-los e abraçá-los, beijá-los, estavam derreados pelas saudades, pelos perigos imaginados e pelos aerogramas que iam recebendo e que, com pudor, lá iam camuflando a distância e os difíceis dias vividos no Ultramar, na Guerra.
No meio da enorme agitação que se formou, o pequeno João foi inevitavelmente o último a conseguir abraçar o primo Victor. O seu herói que lhe transmitia o respeito de estar ao serviço da Pátria, na Guerra, e o temor de que um dia também faria o mesmo, quando fosse grande.
O primo Víctor trazia lembranças, conseguindo a enorme proeza de se lembrar de todos mesmo tendo passado os últimos dois anos da sua vida na Guerra. O pequeno João recebeu um imponente avião que, sem o saber na altura, terá vindo a condicionar anos mais tarde a sua escolha pela aviação militar...

Voo 3465 ALMOÇO NATAL NÚCLEO DE COIMBRA




Augusto Ferreira
Esp.Melec./Inst./Av.
Coimbra

 




Foi num ambiente de grande amizade e confraternização, que nos voltámos a encontrar, para a realização da Assembleia Geral e habitual Almoço de Natal do nosso Núcleo de Coimbra da AEFA.
E à hora marcada (10h) lá estávamos todos nós, na “parada” do Aérodromo Bissaya Barreto para o início da Assembleia Geral.
Iniciou-se, com o nosso Presidente José Andrade a relembrar-nos, a actividade do Núcleo neste ano de 2017 (que está a findar) e a apresentar-nos as propostas da Direcção, para o ano que aí vem.
Como novidades, propostas de viagem aos Açores, S. Tiago de Compostela e Espanha, que ficaram de desenvolver, depois de ouvirem a opinião de alguns dos participantes.
O Jovino Chão na sua prospecção, tem conseguido trazer cada vez mais sócios para o seio do Núcleo. Belo trabalho.
O Miranda como vem sendo hábito, apresentou o seu relatório de contas, com a maior clareza e rigor, cujo trabalho foi salientado.
Foi ainda proposto, um louvor à Direcção pelo nosso companheiro Jorge Mendes, pela reorganização feita no Núcleo e a sua reposição no lugar de elevada participação, que sempre teve no seio na nossa AEFA nacional.
O voto foi aprovado, votado por unanimidade e aclamação.
O nosso veterano Anselmo Simões, também propôs um voto de solidariedade ao Município de Oliveira do Hospital, com quem mantemos excelentes relações, pela catástrofe dos incêndios. Tendo sido informado pelo nosso Presidente, que o Núcleo já tinha enviado alguns géneros alimentícios, como forma de algum apoio aquelas gentes.
Depois de terminados os trabalhos, deslocámo-nos até à Taberna do Aires, onde decorreu o grande almoço de confraternização, com presença record de participantes. Entre eles o Presidente da nossa AEFA Paulo Castro.Foi difícil falar com todos.
Mais uma vez parabéns à Direcção do Núcleo, pelo trabalho realizado que tanto nos tem prestigiado, tanto no que refere aos contactos com autarquias e outras entidades, assim como à sensibilização de companheiros da nossa FAP, que se encontravam afastados da nosso convívio.
ESPECIALISTAS SEMPRE

domingo, 3 de dezembro de 2017

Voo 3464 A AVIAÇÃO NAVAL




José Guedes
Comt. TAP
Lisboa



Para quem goste de aviação naval
O Comandante Cyrne de Castro é um dos últimos pilotos formados na antiga Aviação Naval Portuguesa, ramo das Forças Armadas que este ano comemora o centenário da sua fundação..
O outro orador, bem, já ouviram falar dele por aqui.

Origem do Voo:
O Aviador

domingo, 26 de novembro de 2017

Voo 3463 ESPECIALISTA SEMPRE!





João Carlos Silva
Esp.MMA
Sobreda



Fabulosa fotografia dos anos 50 da Força Aérea Portuguesa, com alguns Especialistas e o Republic F-47D Thunderbolt.
Hoje, num dia proporcionado pelo Núcleo de Lisboa da AEFA, com mais de 100 especialistas da área de Lisboa, com incorporações de 1952 a 1988 e toda a riqueza de experiências que isso implica de quem serviu antes, durante e depois da guerra e com encontros deste tipo um pouco por todo o País, de facto algo se passa com esta gente e que integra o tal espírito intrínseco do Especialista da Força Aérea...
Afinal,
Fomos Especialistas, Ainda Somos e Seremos.

Fotografia: Dez Décadas de Força Aérea

Voo 3462 FAZ 45 ANOS...




Nuno Almeida (Poeta)
Esp.MMA
Lisboa

Faz hoje 45 anos que fui ferido gravemente ao fazer uma evacuação, na mata de Choquemone, Bula, Guiné, onde ficaram muitos mortos e feridos.
A todos que nesse dia se lesionaram ou faleceram a minha saudação e o meu respeito

domingo, 19 de novembro de 2017

Voo 3461 ENCONTRO DE EX-PILOTOS DA BASE AÉREA n.12




João Bandeira
Fur.Pil.
Faro


18 nov 2017 -
Encontro anual de ex-Pilotos da FAP que prestaram serviço na BA12 Bissalanca,Bissau-Guiné.



terça-feira, 7 de novembro de 2017

Voo 3460 O ÚLTIMO VOO DO "NOSSO ESPECIALISTA DE HONRA" VERGÍLIO LEMOS



É com profundo pesar que comunicamos o falecimento do Especialista mais antigo, o Vergílio Lemos.

Nascido em 2 de agosto de 1919, assentou praça a 21 de setembro de 1939 na Base Aérea de Sintra tendo sido promovido a 1º Cabo Mecânico a 1 de maio de 1940.

Faleceu no dia de hoje, 7 de novembro de 2017, cerca das 14H00 em Bragança, sua terra natal.
O corpo encontra-se na Igreja da Misericórdia de onde sairá amanhã, dia 8 de novembro para o cemitério local, pelas 16H30.

Aos familiares e amigos o nosso sentido pesar.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Voo 3459 A AMARAGEM.




José Guedes
Cmt.TAP
Lisboa



 



José Manuel de Carvalho Morgado frequentou a Escola Naval entre 1961 e 1965 tendo depois ingressado na Força Aérea Portuguesa como voluntário. Prestou serviço em Moçambique como Alferes Piloto Aviador até 1969 tendo depois entrado para a TAP onde teve um percurso brilhante.
Como não podia deixar de ser também apanhou alguns sustos. Aqui se relata um deles.
Junho de 1969.
Em virtude de ter de comparecer à cerimónia do 10 de Junho em Lourenço Marques (LM), saí de Nacala, Aeródromo Base (AB-5) num T-6 que iria fazer uma grande revisão nas Oficinas Gerais de Material Aeronáutico (OGMA). A viagem para sul demorou os habituais dois dias, com os stops para reabastecer e ou pernoitar em Quelimane, Beira e Inhambane, tendo chegado a Lourenço Marques no dia 8 ao fim da tarde.
Tudo decorreu normalmente, incluindo a
cerimónia do 10 de Junho.
Fiquei a aguardar que as OGMA’s me
entregassem o avião ou eventualmente um outro
que estivesse em condições de regressar a
Nacala. Fiz vários voos de ensaio em
Do-27 e em T-6 que estavam em grandes
revisões. Entretanto ficaram prontos dois T-6
e o Furriel Piloto Seabra foi nomeado para seguir a meu asa no regresso a Nacala. Seríamos acompanhados por um segundo sargento mecânico.
Cumpridas as formalidades habituais saímos da parte militar do aeroporto de Lourenço Marques e descolámos em direcção a Inhambane onde faríamos a primeira aterragem para reabastecimento. A viagem decorreu sem problemas ao longo da magnífica costa moçambicana a altitudes de cerca de 500 pés acima do terreno.
Ao entrar em contacto com a torre de Inhambane para instruções de aterragem verifiquei que havia um avião da DETA - Linhas Aéreas de Moçambique em aproximação ao aeroporto pelo que pedi autorização para uma passagem baixa sobre a cidade, o que me foi concedido. Mandei o meu asa passar para formação cerrada e ficar por cima. Foi nesta condição que começámos a sobrevoar a baía interior a muito baixa altitude. A determinada altura o meu avião começou a vibrar muito, mandei o asa afastar-se elogo depois deverei ter perdido uns cinco pés de altitude o que fez com que o hélice batesse na água e partisse uma ponta o que, como é evidente, agravou a vibração e provocou perda de velocidade. Voltei para a direita com o objectivo de atingir a costa mas rapidamente constatei que tal era impossível pelo que optei pela amaragem, tendo efectuado de imediato todos os procedimentos adequados à situação. O avião bateu na água com um estrondo violento e de imediato começou a afundar-se. Era suposto aguentar-se uns escassos minutos a flutuar mas tal não sucedeu, tendo o nariz de imediato começado a desaparecer na água. Tentei sair do cockpit mas fiquei preso pela perna direita num emaranhado entre os cintos do avião e os do pára-quedas. Optei por deixar-me arrastar com o T6 agora transformado em submarino e depois, já debaixo de água, reentrei no cockpit e desapertei a fivela que estava a impedir a minha libertação.
Entretanto o meu asa, Furriel Seabra, que desconhecia os meus problemas, continuou a sobrevoar a zona até que para sua grande surpresa me viu chegar à superfície. Alguns minutos depois apareceu uma embarcação de pescadores que me retirou da água e rumou para Inhambane, de onde já tinham saído outros barcos pois nesse dia havia um festival náutico e algumas pessoas presenciaram a amaragem.
Notas sobre o incidente:
O silêncio que se seguiu ao impacto foi verdadeiramente assustador e durante muitos anos vivi com ele na memória
Como mandam as normas, quando saí do avião desfiz-me de todo o equipamento que pudesse prejudicar a minha flutuabilidade mas quando chegou a vez dos sapatos decidi mantê-los nos pés porque achei que mais tarde iriam fazer-me falta. Mantive também o capacete, pois havia falta deles na nossa Base. Ideias peregrinas e completamente erradas que só podem encontrar explicação na situação particularmente "stressante" em que me encontrava.
Duas notas finais:
Segundo o Jornal de Notícias, passados três dias sobre o incidente um pescador caiu à água no local aproximado da amaragem e foi devorado por um tubarão.
O avião foi retirado da água alguns meses depois relativamente intacto. Viria a servir de base a um monumento às Forças Armadas Portuguesas em Moçambique

Voo de Origem:

O Aviador

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Voo 3458 OBRIGADO FORÇA AÉREA.





João Mesquita
Esp.Melec
Régua



1970-1974 Força Aérea Portuguesa.
Jovem, 18 anos rumei a um novo destino. Sorte? Talvez. Mas não só. E apesar de aos 20 anos já estar na Guiné, um jovem portanto, neste local onde esta fotografia foi tirada num domingo de Dezembro de 1972, também fui um jovem feliz. Sabem onde?
Voltava a fazer o mesmo.
Obrigado Força Aérea pela ordem, rigor, disciplina, liberdade, responsabilidade e também a formação que adquiri.