quarta-feira, 19 de abril de 2017

Voo 3523 Parabéns Comandante!


Victor Barata
Melec/Inst. Av.
Vouzela








Hoje é dia de festa, o nosso comandante Victor Barata, completa mais um aniversário, pelo que a Tertúlia Especialistas da BA12 te envia os parabéns, com o desejo de que este dia se repita por muitos e longos anos, felizes, na companhia dos que te são queridos.



Um forte abraço,

terça-feira, 4 de abril de 2017

Voo 3522 O PIRATINHA - Parte III






José Guedes
Cmt.TAP



O PIRATINHA - Parte III

João Sá Coutinho era um diplomata à moda antiga, um homem educado, afável e ponderado com muitos anos de experiência na carreira diplomática, a pessoa ideal para levar a bom termo uma missão deste tipo. Porém faltava-lhe a capacidade para fazer milagres e isso notou-se quando nos transmitiu a resposta do primeiro ministro Sá Carneiro:
- Lamento, senhor Comandante, mas o primeiro ministro diz que a esta hora os bancos estão fechados e não será possível reunir qualquer quantia em dinheiro com essa dimensão. Quanto ao salvo conduto, essa figura pura e simplesmente não se aplica às actuais circunstâncias.
Belo sarilho. E agora?
O nosso amigo (agora já podia tratá-lo como tal) continuava sentado no cockpit com a arma na mão, ouviu tudo através dos alto falantes e não deixou de manifestar a sua decepção.
- Estamos mal, disse. "As coisas começam a complicar-se.
Isto podia parecer uma ameaça mas preferi pensar que não seria mais que um desabafo de alguém que começava a sentir-se encurralado. Era preciso agir depressa e sobretudo manter o bom senso.
Estávamos nós em plena conversa tentando encontrar saídas para a situação quando alguém bateu à porta do cockpit. Era a Chefe de Cabina e trazia consigo um passageiro que tinha uma proposta para apresentar. Abrimos a porta e deixámos entrar o passageiro, um homem de meia idade com a pele muito branca e cabelo claro que se apresentava como diplomata ao serviço da Suécia. Falava um razoável português e logo lhe perguntámos ao que vinha:
- Gostaria de poder ajudar a encontrar uma solução, disse. Sou sueco, diplomata, e acredito que a mediação de uma entidade neutra poderá desbloquear a situação.
A ideia não me pareceu particularmente interessante, que raio faria um diplomata sueco no meio disto tudo, mas tanto bastou para que a esperança do R renascesse e logo ali lhe deu inteira liberdade para actuar:
- Pois então diga lá qual é o seu plano.
Foi então que aconteceu um dos episódios mais caricatos daquela noite que já de si não tinha muito de normal. O embaixador da Suécia em Espanha foi chamado a comparecer na Torre de Controle do aeroporto de Barajas para negociar a libertação de um avião português mantido sob sequestro em solo espanhol e que tinha a bordo umas dezenas de cidadãos portugueses. Além do tal diplomata sueco, claro. Cerca de meia hora depois de ter sido chamado o surpreendido embaixador da Suécia chegou à Torre de Controle e pediu para falar via rádio com o seu insensato patrício que continuava no cockpit a saborear o seu momento de glória. Seguiu-se um diálogo em sueco que foi subindo gradualmente de tom, tudo levando a crer que o representante do Reino da Suécia em Madrid não tinha gostado nada de ser chamado a meio da noite para se envolver numa crise com a qual nada tinha a ver. Quando terminou a gritaria (sim, os suecos também gritam) percebi que aquele bizarra tentativa tinha falhado:
- Lamento mas o nosso embaixador diz que nada pode fazer, admitiu pesaroso o diplomata sequestrado.
- Eu ficaria muito surpreendido se acontecesse o contrário, acrescentei. E pareceu-me que ele ficou tão irritado com a vossa conversa que nem com a sua libertação se preocupou.
- Pois. De facto…
- Enfim, obrigado pela tentativa. Mas se me permite uma pergunta, qual é o seu estatuto na carreira diplomática?
- Eu? Sou vice cônsul da Suécia em Portimão.
- Vice cônsul da Suécia em Portimão???, repeti. Realmente hoje não é o meu dia de sorte.
Ainda hoje não entendo o que terá passado pela cabeça do nosso passageiro sueco para se arriscar a levar, como suspeito que levou, uma enorme reprimenda do seu embaixador. Estaria em busca dos seus 15 minutos de fama e glória ou foi apenas uma ideia pouco lúcida provocada pelo stress da situação? Agradeci a tentativa e pedi-lhe que regressasse ao seu lugar, o que fez de imediato. Fim da mediação diplomática.
O tempo passava e as negociações tinham chegado a um impasse. O embaixador Sá Coutinho continuava na Torre de Controle e íamos trocando algumas palavras via rádio sem que se vislumbrasse uma saída para a crise. À medida que o tempo passava a situação ia-se degradando. O R começava a revelar claros sinais de fadiga física e psicológica que poderiam sugerir dois caminhos: uma rendição incondicional que poderia ter sérias consequências para o próprio ou uma acção violenta provocada pelo desespero. Era necessário usar da máxima prudência e bom senso para conseguir que esta história tivesse um final relativamente feliz.
 Dado o aparente bloqueio da situação resolvi jogar as cartas todas e convidei o R para uma conversa a sós no cockpit. Aceitou. Foi então que dei por mim em plena noite madrilena sentado aos comandos de um Boeing 727 da TAP a falar sobre a minha família com o jovem que me mantinha sob sequestro. Mostrei fotografias da minha filha nascida dois anos antes (é linda, não é?), falei da minha mulher, da minha mãe, enfim, das mulheres que marcavam a minha vida sabendo que o R era sensível ao assunto. Afinal ele já tinha dito que a própria mãe tinha um relacionamento problemático com o marido e que o assalto ao avião pretendia chamar a atenção para isso mesmo.
- Que achará a tua mãe de tudo isto, R?, perguntei sem grande expectativas em relação à resposta. Não respondeu na altura mas viria a responder mais tarde. Já lá iremos.
Ocorreu-me então fazer uma proposta que só a mim comprometia. Tinha consciência que podia estar a exceder as minhas responsabilidades mas também sabia que tudo era preferível a uma intervenção armada por parte das forças policiais. Decidi arriscar:
- Sabes, R, o meu pai é juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça, o órgão mais importante e prestigiado do sistema judicial português. Ele próprio é uma pessoa muito respeitada e as suas opiniões são ouvidas com atenção sempre que se fala de Direito. Quando isto acabar irei pedir-lhe que use a sua influência para que este caso seja tratado com a maior compreensão e benevolência possíveis. Tu és muito novo, tens a vida pela frente, os juízes saberão dar-te uma nova oportunidade.
Não tive resposta. R fechou-se sobre si próprio parecendo reflectir sobre o que havia sido dito. Tinha um brilho especial nos olhos, talvez uma lágrima tivesse escapado ao seu controle.
- Vamos fazer um acordo, insisti. Se me entregares a arma prometo que vamos fazer tudo para que este incidente termine em Lisboa. Temos que sair daqui porque os espanhóis são terríveis a tratar destes assuntos, não podemos arriscar. Quando chegarmos a Portugal eu digo às autoridades que a tua pistola estava descarregada, sem balas. Juro pela família que há pouco te dei a conhecer.
A ideia pareceu ser bem recebida, o que me deu um novo alento. Ficámos uns instantes em silêncio, olhámos duas ou três vezes um para o outro como que à procura de sinais que falassem mais que as nossas palavras. Até que surgiu uma esperança:
- Prometes?, perguntou.
- Prometo, em nome da minha família. E prometo também que tudo farei para que o teu castigo não seja demasiado severo. Terás em mim um amigo para o resto da vida.
Isto não era apenas estratégia de negociação. Era a Síndrome de Estocolmo no seu melhor, assaltante e assaltado unidos por uma torrente de emoções que só podia levar a um de dois caminhos: sucesso ou tragédia.
- Vou pensar no assunto, disse. Preciso de tempo.
- Tens que libertar os passageiros que ainda estão a bordo, insisti. Está lá fora uma força policial pronta para intervir e não podemos permitir que eles corram riscos. Além do mais estão famintos e nervosos.
Houve uma pausa. R olhou então para mim e disse com a voz embargada:
- OK, vamos deixar sair os passageiros e as hospedeiras, mas vocês (pilotos e operador de sistemas) ficam a bordo. Isto ainda não acabou.
Boa noticia. A aventura aproximava-se do fim e agora bastava manter a calma para que ninguém deitasse a perder o trabalho até aí pacientemente desenvolvido.
Informámos a Torre de Controle que mais pessoas iriam abandonar o avião através da escada estrutural e demos então instruções à Chefe de Cabina para que procedesse de acordo. O Operador de Sistemas ficaria responsável pela recolha da escada estrutural caso todos os comissários e assistentes de bordo decidissem abandonar o avião mas algo me dizia que tal não viria a ser necessário.
O ambiente dentro do cockpit continuava tenso. A negociação continuava e as emoções iam subindo de tom. Num dado momento pareceu-me ver uma lágrima a escorrer pela face do R e isso bastou para que eu próprio começasse a largar um rio delas. Passei a sentir-me protagonista de uma telenovela mexicana de quinta categoria mas isso até me parecia de bom agoiro pois ao que consta todas as novelas, mexicanas ou outras, costumam ter um final feliz. Eu até nem aprecio particularmente cenas "lamechas" mas sabia que as emoções poderiam desempenhar um papel crucial na solução deste problema. Por outro lado todos nós revelávamos já sinais de acentuada fadiga física e psicológica, só queríamos que o pesadelo chegasse ao fim o mais depressa possível.
Os passageiros abandonaram então o avião e sem surpresa verifiquei que a tripulação de cabina optara por ficar a bordo acompanhando assim os seus colegas de cockpit naqueles momentos decisivos. Grandes profissionais, feitos daquela mesma massa que permitiu a uma companhia de aviação de um pequeno país tornar-se numa referência da indústria a nível mundial em menos de trinta anos. Mas não se tratava apenas de profissionalismo, tratava-se de solidariedade e respeito para com os colegas que ainda continuavam sob ameaça. Ainda hoje, mais de trinta e cinco anos passados sobre os factos relatados, fico sensibilizado ao recordar tão nobre gesto.
Finalmente R decidiu entregar-me a arma e as balas, ou melhor, algumas balas e a arma. Eu explico. Numa primeira fase vieram apenas as munições, cinco no total, facto que não me deixou completamente satisfeito:
- Então e a arma? E o resto das munições?, perguntei. Olha que eu fui militar, andei na guerra de Angola e sei que as pistolas costumam ter seis balas ou mais, raramente têm menos.
Fez-se um breve silêncio e depois veio a resposta completamente inesperada:
- A sexta vai ser para mim. Isto já não tem saída.
- Mas tu estás parvo ou quê?, ataquei de imediato armado em pai de um filho apanhado em flagrante a fazer um enorme disparate.
- Então agora que já encontrámos uma solução para o nosso (e acentuei o "nosso") caso é que tu queres estragar tudo? Nem penses, não o vou permitir.
A voz grossa e o tom com que falei pareciam ter surtido algum efeito. Trocámos mais algumas palavras e depois, mais minuto menos minuto, mais lágrima menos lágrima, a verdade é que a pistola acabou mesmo no interior da minha mala de voo. As balas, meia dúzia delas, ficaram no meu bolso. Estava ganha a parte mais importante da batalha. Demos um forte e emocionado abraço, como fariam dois amigos de longa data, e logo depois partimos a informar o resto da tripulação que tínhamos chegado a um acordo. Agora era preciso convencer os espanhóis a deixarem abastecer o avião para que pudéssemos regressar a Lisboa, alegadamente ainda sob sequestro. Era mentira, mas tratava-se de cumprir uma das promessas que foram feitas ao longo da noite: não iríamos entregar o R às autoridades espanholas.
O primeiro a saber das nossas intenções foi o embaixador Sá Coutinho, que se manteve todo o tempo em contacto connosco a partir da Torre de Controle de Barajas. Anos mais tarde, durante um fim de semana que minha mulher e eu passámos a seu convite na Villa Elia, Embaixada Portuguesa no Vaticano, João Sá Coutinho dir-me-ia que toda a gente entendeu a nossa "mentira", a começar pelos espanhóis. Mas como o que eles queriam verdadeiramente era verem-se livres de nós fingiram acreditar que o avião continuava sob sequestro e mandaram abastecer os tanques de combustível de acordo com as nossas instruções ao mesmo tempo que mandavam desmobilizar as forças de segurança que ainda se mantinham em posição de assalto. Estava ganha a última batalha, agora só tínhamos que voltar para Lisboa em segurança e entregar o R às autoridades portuguesas.
Com os tanques de combustível abastecidos e os motores em marcha dirigimo-nos para a pista de serviço e aguardámos autorização para seguir viagem. Uma vez obtida a "clearance" para a partida o comandante assumiu o controle do aparelho e efectuou a descolagem enquanto eu ia executando os procedimentos complementares. Uma vez no ar, com o avião "limpo" e a ganhar rapidamente altitude, foi a minha vez de anunciar ao Controle de Tráfego Aéreo que o sequestro tinha terminado e que o Boeing 727 da TAP iria regressar a Lisboa. Agradeci toda a colaboração prestada pelas autoridades espanholas e aproveitei para enviar um abraço muito especial para o embaixador Sá Coutinho, nosso anjo da guarda durante as horas em que estivemos sob ameaça no aeroporto de Madrid.
A viagem até ao Aeroporto da Portela durou pouco mais de 50 minutos, ligeiramente mais rápida que o habitual já que todos nós estávamos ansiosos por dar esta aventura por terminada. Mas ainda havia muito para fazer e alguns "nós" para desatar. Por exemplo, eu guardava na minha mala de voo uma pistola e as respectivas munições e interrogava-me se à chegada iria ter coragem para mentir às autoridades portuguesas declarando que a arma não tinha balas. Mas tinha assumido um compromisso com o R e teria que o respeitar, desse lá por onde desse. Se a mentira tivesse consequências só teria que as assumir mas o importante mesmo era honrar a palavra dada, princípio sagrado de que nunca abdicaria.
O "Bissau" aterrou na pista 36 da Portela e dirigiu-se imediatamente para um lugar de estacionamento discreto longe dos olhares dos jornalistas e dos curiosos. Note-se que desde o fim da tarde da véspera a rádio e a televisão (RTP) davam frequentes informações sobre o sequestro do avião da TAP, pelo que todo o país aguardava com preocupação e ansiedade o desfecho desta crise. Quando o Boeing se imobilizou reparei que havia nada menos que seis carrinhas da PSP cheias de agentes à espera do nosso "piratinha" agora promovido à condição de inimigo público.
O primeiro a subir a bordo foi o comandante da força de polícia, o meu bem conhecido Capitão Nortadas, responsável pelo destacamento permanente da PSP no aeroporto com quem já tivera várias reuniões no âmbito da comissão FAL-SEC a que ambos pertencíamos, ele em representação das forças de segurança e eu do Sindicato dos Pilotos. Entrou no avião, cumprimentou os tripulantes, deixou para mim um rápido "ah, era você?" e de seguida convidou o R a acompanhá-lo, ao que este acedeu de pronto.
- Então, e a arma?, perguntou.
- Está aqui, senhor Capitão, respondi.
Dito isto entreguei-lhe a pistola que tinha em meu poder. Olhou-a com cuidado, mexeu, remexeu e depois perguntou:
- Então e as munições?
- Não tinha, senhor Capitão, menti descaradamente.
- Não tinha??? Tem a certeza do que está a dizer?
- Absoluta. O rapaz não queria fazer mal a ninguém, foi só uma aventura disparatada, menti novamente com a consciência que estava a proteger alguém que durante várias horas me apontara uma arma pronta a disparar. A Síndrome de Estocolmo não parava de me apoquentar.
(Continua)


Origem do voo

O Aviador


domingo, 2 de abril de 2017

VOO 3521 – 40º. ENCONTRO DE ESPECIALISTAS DA BA-12


Boa tarde companheiros

Anexamos a convocatória para o 40º. Encontro de Especialistas da BA-12, que terá lugar na zona de Vila Nova de Famalicão, sobre o comando do nosso companheiro Adelino Paredes Cardoso (metralha/lobo mau).

Lembramos a necessidade de fazerem as vossas marcações com especial incidência para os que querem ir de autocarro (como já é norma) de Lisboa (Estado Maior de FAP) para o nosso encontro.





FALTAM  56  DIAS


Lembramos ainda aos que já disseram que vão ao encontro, pela nota de eventos colocada pelo Mário Aguiar no FB, que deverão confirmar por email ou telefone para um dos elementos destacados.


quarta-feira, 29 de março de 2017

Voo 3520 O PIRATINHA - Parte II




José Guedes
Cmt.TAP
Lisboa




Dado que a minha estratégia de sedução parecia estar a resultar e uma vez que o Comandante do voo achava bem que eu mantivesse aberto o canal de comunicação acabado de estabelecer, decidi passar à ofensiva.
- Pronto, R, já estamos a caminho de Madrid. Daqui a uns quarenta minutos estaremos a aterrar em Barajas, mas por favor agora acalma-te e deixa de nos apontar essa pistola antes que faças algum disparate.
Estas palavras pareceram surtir efeito. O R sentou-se na cadeira por trás do Comandante e pousou a arma no regaço, porém sem nunca a largar da mão.
- OK, mas não tentem enganar-me, respondeu. Sei bem o que quero e não tenciono desviar-me um milímetro do meu plano.
Tudo estava a decorrer como mandam os livros. A regra número um em situações deste tipo é não resistir. O disparo de uma arma, mesmo de pequeno calibre, pode provocar danos irreparáveis num avião e colocar em perigo a vida de todos os seus ocupantes. É absolutamente imperioso evitar que isso aconteça. Depois há que estabelecer canais de comunicação e criar um ambiente propício à negociação.
- Muito bem, R, continuei, enfatizando o "R" para que a simples menção do nome acentuasse a sensação de proximidade. E o que é que tu queres afinal?
Durante alguns instantes fez-se um profundo silêncio. R parecia reflectir sobre a situação, baixando os olhos por alguns instantes. Até que lá veio a resposta à minha pergunta:
- As coisas em minha casa andam muito mal. Os meus pais não se entendem e eu não quero aturar mais aquilo.
- Sim, eu compreendo, respondi. Mas que tem isso a ver com esta loucura?
- Estou farto. Quero vinte milhões de dólares e um salvo conduto para a Suiça.
Fiquei gelado. Que disparate era este, quem é que convenceu este rapaz que se conseguem vinte milhões de dólares assim do pé para a mão e ainda por cima à noite? E quem lhe disse que depois poderia fugir para a Suiça e manter-se por lá em completa liberdade ao abrigo do tal salvo conduto? Havia que manter a calma. Pelo menos já sabíamos o que estava em jogo, já era qualquer coisa.
- Vinte milhões de dólares? Não vai ser nada fácil, disse. E a quem deveremos pedir tamanha importância?
- À TAP, claro.
- À TAP???" perguntei. Mas tu não sabes que a TAP não tem dinheiro para mandar cantar um cego? Não lês os jornais?
De facto já na altura a TAP dava mostras de grande fragilidade financeira devido à perda de algumas das linhas mais rentáveis, Angola e Moçambique nomeadamente, e às sucessivas greves que afectaram a empresa durante o período revolucionário, razão pela qual eu achava que o argumento tinha tudo para ser convincente. E foi.
- Então a quem peço?, inquiriu R surpreendido.
- Não faço ideia, mas essa quantidade de dinheiro não vai ser fácil de encontrar em Portugal. Somos um país pobre, como sabes. Além disso os bancos estão fechados durante a noite.
- Muito bem. Sendo assim vamos então pedir os vinte milhões de dólares ao Governo. Assunto arrumado.
Pois que fosse então o governo a resolver a questão. O primeiro ministro da altura era Francisco Sá Carneiro e ele já tinha traquejo mais que suficiente para lidar com problemas deste género. Não iria encontrar os tais vinte milhões de dólares, isso eu tinha a certeza, mas iria certamente aparecer com uma solução bem mais criativa. Pelo menos era essa a minha expectativa.
Entretanto o Boeing 727 da TAP aproximava-se do Aeroporto de Barajas em Madrid onde entretanto já fora accionado o dispositivo de emergência previsto para situações deste tipo. O Controle de Tráfego Aéreo espanhol passou a comunicar connosco numa frequência VHF específica e afastou da nossa rota todos os aviões que se encontravam na sua área de responsabilidade. O nosso voo era agora o centro de todas as atenções.
A aterragem em Barajas decorreu sem qualquer problema numa altura em que as luzes de baixa pressão das bombas de combustível já começavam a piscar, significando isso que já não nos restariam mais que 10 ou 15 minutos de voo até que os três reactores Pratt & Whitney do avião começassem a falhar. Isso acontecia porque o aeroporto alternativo previsto no plano de voo era Lisboa e não Madrid, que fica um pouco mais distante de Faro. Mas ainda tínhamos os tais 15 minutos de reserva pelo que a situação de combustível poderia considerar-se relativamente benigna dadas as circunstâncias.
Logo após a aterragem o nosso "pirata do ar" pediu o microfone do sistema de comunicação interno e anunciou ele próprio aos passageiros o que estava a acontecer enquanto que nós, pilotos, tudo fazíamos para tentar descobrir o local remoto longe da placa de estacionamento para onde a Torre de Controle nos queria enviar. Esta é uma prática habitual em situações deste tipo, isso já eu sabia, mas confesso que a ideia de passar a ter o avião cercado por umas dezenas de agentes das forças especiais não me deixava nada tranquilo. Era preciso evitar que as forças de segurança tomassem de assalto o Boeing, operação de alto risco que só aprovaríamos se tudo o mais falhasse.
- Diga-lhes que tenham calma, por favor, implorei ao controlador de serviço na Torre de Controle de Barajas. O sequestrador é um jovem emocionalmente perturbado, estamos a conversar com ele há um par de horas e acredito que tudo se vai resolver a bem. É só uma questão de tempo. Entretanto peçam ao embaixador de Portugal para comparecer na Torre de Controle logo que possível. Vamos ter que negociar.
Ficámos então à espera que o nosso embaixador saísse da cama e viesse para o aeroporto tentar resolver este enorme problema. Entretanto tínhamos muito que fazer a bordo do Boeing 727 da TAP. Desde logo manter a calma dos oitenta e três passageiros e restantes tripulantes, para não falar nos agentes da força de intervenção que tomaram posição em volta do avião. Repetimos até à exaustão junto dos nossos interlocutores no aeroporto que a situação estava sob controle e que não seria necessário o uso da força para resolver o problema, pelo menos na fase em que então estávamos. Apesar disso, soube mais tarde que os agentes especiais chegaram a treinar a operação de resgate num B727 da Iberia que estava estacionado na placa do aeroporto. Mas havia outras questões para resolver, nomeadamente a falta de comida a bordo. Como originalmente este era um voo doméstico o plano de "catering" apenas previa um serviço de bebidas (chá, café, sumos) aos passageiros, razão pela qual estes começaram a pedir qualquer coisa para comer pouco depois da chegada a Madrid. Havia jovens e crianças a bordo, cujos estômagos não podem estar inactivos durante grandes períodos de tempo e por isso era necessário procurar uma solução compatível com o estado de emergência em que nos encontrávamos. Discutimos o caso com o R, que continuava sentado no cockpit sempre com a arma na mão. Ele concordava que esta questão tinha que ser resolvida mas não aceitou a sugestão da equipa que conduzia as negociações para que um contentor com víveres fosse enviado para bordo, talvez porque receasse algum produto "extra" que pudesse vir a ser incluído na embalagem. Pediu então para que se fizesse uma contagem das mulheres, crianças e idosos que estivessem entre os passageiros para eventualmente serem libertados. Dizem os livros que este é o primeiro sinal de fraqueza que um "pirata do ar" revela durante uma situação deste tipo, facto que eu não ignorava e que por essa razão transformei num sinal de esperança. Mas o problema ainda não estava resolvido, longe disso.
Passado todo este tempo confesso que não me lembro dos números, mas vamos admitir que seriam trinta e oito os candidatos à libertação imediata, a maioria mulheres e crianças. Confirmada a autorização por parte do R informámos a torre de controle que alguns passageiros iriam abandonar o avião pela porta situada na cauda do aparelho à qual está acoplada uma escada estrutural. Claro não era possível controlar quem saía e quem ficava a bordo naquelas circunstâncias, pelo que bastava espreitar através das janelas do cockpit para ver que mais de cinquenta pessoas corriam já desordenadamente em direcção aos edifícios do aeroporto. O R não gostou do que viu e ordenou que se fechasse imediatamente a porta:
- Quem saiu, saiu. Não sai mais ninguém, gritou através do microfone.
Convém aqui recordar que havia três reféns (nós próprios) no cockpit e que por essa razão as ordens, quaisquer que fossem, eram para cumprir. Ainda por cima sendo eu o interlocutor privilegiado de quem detinha o controle da situação seria seguramente o primeiro a ser abatido se algo corresse mal. Logo eu que tinha passado dois anos na guerra colonial em Angola sem ter sofrido um único arranhão e que pilotava aviões há mais de seis ia agora sucumbir a um disparate destes? Nem pensar, não estava nada para aí virado.
A porta das traseiras foi então novamente fechada numa altura em que já se viam uns quantos vultos negros, as forças especiais, a tomarem posição cada vez mais perto do avião. Essa foi sempre, confesso, a minha maior preocupação, algo que escapava completamente ao nosso controle e nos colocava numa condição de vítimas indefesas perante as circunstâncias e um grupo de agentes policiais fortemente armados.
Finalmente o embaixador João Sá Coutinho (Aurora) chegou à torre de controle e esse facto bastou para nos dar uma maior tranquilidade em relação a todo o processo. Seria uma espécie de "pivot" desta negociação e acreditávamos que nenhuma decisão seria tomada sem o seu conhecimento e aprovação. Havia agora que aguardar a resposta de Francisco Sá Carneiro às exigências do nosso "pirata" entretanto transmitidas para Lisboa pelo embaixador, os tais vinte milhões de dólares no bolso e um salvo conduto para a Suiça. Enquanto aguardávamos uma decisão do chefe do governo português não nos cansávamos de pedir ao nosso interlocutor que fizesse tudo para manter as forças de intervenção sob controle pois acreditávamos que seria apenas uma questão de tempo até que tudo se resolvesse.
(Continua)
Na imagem - Durante o julgamento o advogado de defesa do R exemplifica como ele apontava a arma. Eu sou o alvo.



Origem do voo.
O Aviador


domingo, 26 de março de 2017

Voo 3519 40º ENCONTRO NACIONAL AEFA





Augusto Ferreira
Esp.Melec.Inst.Av.
Coimbra










40º ENCONTRO NACIONAL AEFA

Com a participação de mais de sete centenas e meia de associados, com o CEMFA, Comandante da BA2, Presidente da C.M. de V.N. de Poiares e outros convidados, realizou-se este sábado dia 25/03/2017 na base mãe BA2 – Ota, mais um extraordinário encontro, promovido pela Associação de Especialistas da Força Aérea (AEFA).
Com um programa extenso, bem detalhado e cumprido a rigor, conseguiu manter todos os presentes atentos e interessados, durante o desenrolar do evento.
Estiveram presentes grandes e velhos amigos, alguns deles com altos cargos no passado na nossa FAP, mas eternamente amigos dos Especialistas.
Os reencontros com antigos companheiros voltou a acontecer. Pessoalmente revi amizades com alguns, que já não via há cerca de cinco décadas.
E é isto que torna fascinante estes encontros e únicos, por se tratarem dos mais abrangentes a nível nacional.
Não vou falar em pormenor do Encontro, porque como disse em cima, foi demasiado rico em acontecimentos e tornaria fastidiosa esta leitura. As imagens que envio em anexo falarão sobre ele.
Tivemos ainda a bênção dos céus da Ota, que mantiveram sempre em “stand by” lindos conjuntos de nuvens, que voaram a baixa altitude durante todo o Encontro, como querendo participar nele, sem nunca o perturbar com as águas que transportavam.
À Direcção Nacional da AEFA e seus Núcleos e restante equipa os parabéns por mais esta organização que foi excelente, onde com todo o seu esforço e dedicação estão a revitalizar o espírito Especialista, trazendo de volta muitos mais a estes encontros.
Obrigado
ESPECIALISTAS SEMPRE

Voo 3518 O AREAL PARTIU PARA O SEU ÚLTIMO VOO.



EDMUNDO AREAL


Companheiros
Ontem quando viajava para a Ota na companhia de mais quatro companheiros para comemorar-mos o 40º aniversário da nossa AEFA,eis que recebo uma chamada telefónica cujo o numero não era por mim reconhecido.
Atendi como habitualmente.
-Estou sim’
-Bom Dia Barata. Sou a mulher do Areal.
Logo imaginando o pior, respondi assim
-Vou ter uma notícia triste…
-É verdade, o Areal acabou de falecer.
Alegria que me levava para a Ota, onde iria reencontrar muitos daqueles que comigo e com ele conviveram, transformou-se numa tristeza não deixando que umas abusadoras lágrimas se soltassem dos meus olhos.
Muito para além de saber que o seu estado de saúde não era o melhor á algum tempo. ver partir um COMPANHEIRO que me ajudou a ser HOMEM passando em comunhão comigo momentos  difíceis durante o período da guerra colonial na província da Guiné…é duro.
Acabei de saber á pouco que o seu funeral se realiza hoje, dia 26,da igreja de Albergaria, em Carregal do Sal pelas 18 h,para o cemitério local.
Em meu nome pessoal e de toda a tertúlia, endereço á família sentidas condolências

quinta-feira, 23 de março de 2017

Voo 3517 O PIRATINHA PARTE I





José Guedes
Cmt.TAP





AVISO IMPORTANTE - A história que se segue é demasiado longa para ser contada em apenas uma publicação (post) no Facebook. Para fazer face a esse tipo de constrangimento e para facilitar a sua leitura decidi dividi-la em quatro partes irão sendo publicadas ao longo de outras tantas semanas neste espaço. Oxalá gostem.

O PIRATINHA - Parte I

Aquela terça feira 6 de Maio de 1980 tinha tudo para ser um dia profissionalmente "fácil" apesar do aviso premonitório do Benjamim Formigo, entusiasta da aviação, jornalista do Expresso e meu amigo pessoal. Durante a manhã tínhamos estado juntos no Sindicato dos Pilotos a trabalhar no embrião daquilo que viria a ser uma revista de aviação que ainda hoje perdura, a Sirius, até que no momento da despedida ele se virou para mim e perguntou:
- Então que fazes hoje?
- Vou ali a Faro e já venho, respondi.
- Isso achas tu, disse ele.
Confesso que na altura não dei qualquer importância a tão inusitado comentário mas depois de ter acontecido o que aconteceu não resisti a perguntar onde raio tinha ele ido buscar tal premonição.
- Era a brincar, respondeu. Mas numa altura em que havia aviões a serem desviados quase todas as semanas por que carga de água não poderíamos ter uma coisa dessas em Portugal?
Se estivéssemos na América eu diria que este foi um claro caso de "wishful thinking" que acabou por transformar um desejo do Benjamim em realidade e mais tarde lhe valeu uma das mais brilhantes reportagens da sua carreira. À minha custa, claro.
Mas vamos lá então à história.
A minha escala de voo para esse dia previa apenas a realização de um voo doméstico Lisboa / Faro / Lisboa com apresentação no aeroporto da Portela pelas cinco da tarde, o que significava que se tudo corresse bem estaria de volta a casa pelas dez da noite, mais coisa menos coisa. Do ponto de vista pessoal este programa até me dava jeito pois com escalas destas nenhum piloto fica cansado, mas ponderando as coisas de uma forma mais objectiva era evidente que a TAP também não teria grande futuro ao subaproveitar dessa forma os seus recursos técnicos e humanos. Mas este era um sinal dos tempos conturbados que então se viviam num Portugal recém saído do PREC (Processo Revolucionário Em Curso) em que os sindicatos andavam muito mais preocupados com as regalias dos trabalhadores do que com a solvência das empresas. Mas isso é outra conversa que não é para aqui chamada, passemos adiante.
A viagem desse dia não correu nada bem e acabei por regressar ao apartamento de Carcavelos onde então morava não ao princípio da noite mas antes ao raiar do dia seguinte. Porém cheguei "inteiro", encharcado em adrenalina e com uma história espantosa para contar.
Como disse, o serviço dessa tarde consistia num voo doméstico entre Lisboa e Faro, seguido de regresso. O avião era um Boeing 727/100 com a matrícula CS-TBQ, "Bissau" de seu nome, um aparelho já algo cansado mas ainda em boa forma que nesse dia iria transportar 83 passageiros, alguma carga e o habitual correio. A tripulação era formada por Comandante, Copiloto, Operador de Sistemas e quatro assistentes de bordo. Eu era o Copiloto do serviço e por larga margem o elemento mais jovem no cockpit, facto que viria a ter uma importância decisiva na solução da crise por que viríamos a passar, como veremos mais tarde.
Os preparativos para a viagem decorreram normalmente e ao final da tarde o Boeing 727 da TAP estava a descolar na pista 03 do Aeroporto de Lisboa com destino a Faro, um pequeno voo com cerca de 50 minutos de duração que mal chegavam para completar os diferentes "check lists", fazer comunicações, navegar, ouvir a meteorologia e preparar a aterragem. Isto para além das formalidades habituais, a chamada "papelada". Estavam ainda longe os dias do "paperless cockpit", abençoada filosofia que reduziu drasticamente a quantidade de papeis que os pilotos eram supostos consultar ou preencher. O trabalho fazia-se, claro, mas em voos de curta duração não sobrava muito tempo. No limite dava para tomar um cafezinho durante os poucos minutos de cruzeiro mas só se a Chefe de Cabina não estivesse muito ocupada com o serviço aos passageiros. Obviamente, no meio de tanta azáfama a última coisa que um piloto deseja é receber a visita de um jovem armado com uma pistola, claramente tenso e perturbado, mas foi exactamente isso que aconteceu. Mas passemos então aos factos.
O avião tinha descolado há poucos minutos de Lisboa quando ouvi a porta do cockpit abrir-se e uma voz masculina gritar "Vamos para Madrid! Vamos para Madrid!". Olhei para trás e deparei com um vulto que apontava uma arma à cabeça do Operador de Sistemas, cujo painel de controle está localizado na parte direita do cockpit, por trás dos pilotos. Quando perguntei "O que é isto?'" a arma passou a ficar apontada à minha cabeça, o que me fez pensar por um instante que talvez devesse ter ficado calado. Mas já era demasiado tarde. Passada a fase da surpresa e incredulidade havia que tentar ganhar o controle da situação e aliviar a enorme tensão que entretanto se tinha instalado naquele espaço diminuto. Enquanto o Comandante accionava o sistema de alerta (não vou dizer como isso se faz mas os pilotos têm forma de avisar o Controle de Tráfego Aéreo que estão sob sequestro) tomei uma decisão que viria a revelar-se decisiva: apresentei-me ao intruso, disse o meu nome e perguntei o dele.
- Como te chamas?, inquiri acentuando o tratamento por "tu" para dessa forma estabelecer uma relação minimamente amistosa com o jovem que nos mantinha sob ameaça, agora que já era possível verificar que se tratava de um rapaz aparentando 17 ou 18 anos de idade. Era óbvio que estava claramente perturbado e sob grande tensão. A mão que segurava a arma tremia descontroladamente.
- Chamo-me R e peço desculpa pelos problemas que lhes estou a causar, respondeu o nosso imprevisto visitante mantendo porém a arma apontada à minha cabeça. Esta frase foi música para os meus ouvidos pois quem falava assim não deveria ser um perigoso terrorista, pensava eu. Um assassino potencial não pede desculpas pelo incómodo, só se for para gozar com as suas vítimas. Mas não me pareceu ser esse o caso. Fiquei mais calmo e comecei a acreditar que seria apenas uma questão de tempo até que a coisa se resolvesse.
- Mas que pretendes tu, R?, perguntei.
- Quero ir para Madrid, respondeu.
- Mas olha que não sei se temos combustível para tanto, acrescentei pensando que o argumento seria devastador para as expectativas do "R".
- Tens, tens. Eu sei que vocês levam sempre combustível para ir para um aeroporto alternativo em caso de mau tempo.
O nosso jovem tinha feito o trabalho de casa e sabia do que falava sobre esta e outras matérias, como adiante veremos. Porém naquele instante o que mais me interessou foi o facto de ele me ter tratado por "tu", pormenor que abria excelentes perspectivas para o que viesse a seguir. Pelo menos era isso que a minha visão habitualmente optimista da vida me sugeria e, como mais tarde veremos, não andava muito longe da verdade.
Como já foi dito eu era o elemento mais novo naquele cockpit e embora tivesse mais uma dúzia de anos de idade que o jovem que nos mantinha sob ameaça isso não parecia suficiente para criar uma barreira intransponível entre nós. Por outro lado estava a começar a fazer-se sentir a chamada Síndrome de Estocolmo, estado de forte dependência psicológica que se estabelece habitualmente entre sequestrador e sequestrado em situações de grande tensão. A vítima tende a olhar para o agressor com alguma indulgência e compreensão enquanto que este último sente algum alívio por ter encontrado alguém que entende o seu estado de espírito e está disposto a colaborar. Esta figura, a Síndrome de Estocolmo, manifestou-se durante todo o sequestro e viria a acompanhar-me de forma mais ou menos permanente durante alguns meses após o mesmo, como mais tarde veremos. Aliás, trinta e cinco anos volvidos sobre os acontecimentos ainda hoje não tenho a certeza de me ter completamente libertado do turbilhão de afectos que uma crise deste género proporciona.
Decidida a mudança de rota e alertado o Controle de Tráfego Aéreo tornou-se necessário avisar a restante tripulação e os passageiros que o nosso voo daquele fim de tarde iria terminar (esperava-se…) em Madrid. Mas era necessário não revelar o que estava a acontecer para evitar que o pânico se instalasse a bordo e viesse complicar ainda mais uma situação que já de si não era fácil. O Comandante pegou no microfone e disse qualquer coisa como:
- Senhores passageiros, pedimos desculpa pelo incómodo mas por razões de ordem meteorológica somos forçados a divergir para Madrid, pensando nós que isso bastaria para arrumar a questão e tranquilizar todas as pessoas a bordo.
Azar o nosso. Estava uma daquelas noites em que o Algarve se estendia por completo diante dos nossos olhos desde a Ponta de Sagres até Vila Real de Santo António. Nem uma nuvem toldava o horizonte. Qualquer passageiro que olhasse pela janela saberia imediatamente que o que acabara de ouvir não era verdade e que algo de preocupante se passava.
A primeira pessoa a sentir dúvidas foi a Chefe de Cabina que, desconfiando da explicação, logo se dirigiu ao cockpit para tentar saber o que se passava. Tentou abrir a porta mas esta estava trancada por dentro, sinal inequívoco que algo de anormal se passava. Ainda chamou pelo sistema de intercomunicação do avião mas ninguém lhe respondeu, o que confirmou as suas piores suspeitas. Mais tarde dir-me-ia que nunca lhe ocorreu que estivesse a acontecer um sequestro, pensando antes que um dos pilotos teria morrido, por qualquer razão, e o outro não queria que isso se soubesse. Apesar da sua profunda inquietação manteve a calma e o sangue frio perante os passageiros, o que fez com que ninguém desconfiasse das verdadeiras razões que motivaram aquela inesperada mudança de rota.


Origem do Voo:


“ O Aviador”

segunda-feira, 20 de março de 2017

Voo 3516 VAMOS A BISSALANCA?





Fernando Rantos
Esp.EABT (Sargº AJ)
Montijo






Olá Victor, desejo que estejas bem. 
Vou te solicitar a tua opinião sobre um assunto que há tempo ando a pensar: 
A maioria da malta que passou pela Bissalanca, parece, mordida pelo bicho da saudade, como acontece  comigo.
A ideia seria: porque não pensar em fazer algo, ou mais algo, que marcasse a nossa presença e o nosso reconhecimento por aquelas gentes, que gostam de nós e nós deles.
Porque não uma deslocação de um grupo da malta, lá,   durante alguns dias, tipo 15 dias, e fazer algo de marcante na Bissalanca, por exemplo, uma escola, uma biblioteca ou algo do género que eles bem precisem.
A ideia pode se ousada, mas parece-me realizável.
O que eu proponho é uma conversa convosco, administradores do blogue, se por acaso a ideia seja aceite, e serem vocês, a parte institucional que coordenariam as fases formais do trabalho a realizar pelos voluntários que quizesse aderir à ideia é posteriormente ao projecto escolhido.
Se quizeres publicar a ideia no blogue podes o fazer, mas talvez só depois de saber a tua opinião. 

Um grande abraço 
Fernando Santos


domingo, 19 de março de 2017

Voo 3515 TÁS D'BALADA COMPANHEIRO!




Manuel Lanceiro
Esp.MMA
Lisboa




O meu companheiro de recruta e de curso Luis Faria Costa, hoje Tenente Coronel no descanso publicou no facebook este poema.
E eu não resisti. Roubei-o, o poema claro está, porque o ALL III é nosso, pertence-nos é da família.
Publiquem este hino ao “Zingarelho” pois o Costa deu autorização para tal.




TÁS D´BALADA COMPANHEIRO!

Vais embora amigo!
Mais de meio século a servir Portugal!
Nos céus de Tancos,
De Montijo e Bissalanca.
De Luanda a terras do Moxico,
De Tete, Nampula e Mueda,
Até para lá de Timor.
Andamos juntos por todos esses sítios!
Quantas saudades nos deixas?
Passeaste a tua beleza,
Mostraste o teu poder,
Nas terras Portuguesas!
Grande e generoso amigo que foste!
Suportaste tudo!
O guincho, a carga suspensa,
Flutuadores de emergência,
Pantufas,IFR,foguetes,
«Lobo mau» lembras-te?
A Savana africana?
Os soldados em«AVP1» chamando a «Mosca»
Mosca ,mosca,terra chama!
Precisavam de ti, do correio,
Da comida, da evacuação,
Quiçá do «Lobo Mau».
Lembras-te velha «cotovia»?
Passei mais de trinta anos na tua companhia!
Em terra no mar ou no ar,
Contigo!
Conheço milimetricamente,
Todos os circuitos do teu corpo!
Ainda não foste e já tenho saudades tuas!
Também eu estou a esgotar o potencial!
É a frota em fim de ciclo!
Até sempre companheiro,
Até sempre velho ALOUETTE.

terça-feira, 14 de março de 2017

Voo 3514 PARTICIPAÇÃO NA FEIRA DO QUEIJO DE OLIVEIRA DO HOSPITAL.




Augusto Ferreira
Esp.Melec.Inst.Av.
Coimbra






 

Mais uma vez a convite do Sr. Presidente da C. M. de Oliveira do Hospital, esteve presente na Feira do Queijo deste ano, um conjunto de sócios do Núcleo de Coimbra da AEFA.
Liderados pelo nosso presidente José Andrade, que elaborou um programa em conjunto com a Câmara de Ol. Hospital, inserindo nele um roteiro turístico, em que ele próprio sabiamente fez de guia. Tudo se transformou num dia inesquecível, não fosse ele um filho da terra.
A passagem por Avô e seu miradouro. O passeio até junto do rio Alvoco.
Belas localidades que passámos serpenteando pela estrada, tendo sempre como companhia o bonito rio Alva.
Teve ainda a amabilidade de nos levar de visita a uma sua propriedade em Alvoco.
Para a Ponte das Três Entradas estava previsto o almoço por volta das 13h, onde nos iriamos encontrar com mais companheiros, que aí combinaram estar. Estava delicioso e pelo apetite que já trazíamos, ainda nos soube melhor.
Os horários estavam um pouco apertados e tínhamos que seguir para Oliveira do H., onde na Casa da Cultura nos aguardava uma mesa, para degustação de pequenas maravilhas da região.
Depois fomos até à Feira, onde era difícil penetrar, devido à grande concentração de pessoas no seu recinto.
Deu para visitá-la e comprar para trazer na volta, aqueles deliciosos queijos da serra e outras iguarias daquela região.
Regressámos já com o dia a noitecer, com uma brisa bastante fria que nos vinha já da serra da Estrela, brindados com um lindo por do sol.
Foi um dia de excelente convívio.
O nosso obrigado à Direcção do Núcleo, pelo programa que elaborou a partir do convite (que também agradecemos) nos foi endereçado pelo Sr. Presidente da C. M. de Oliveira do Hospital.
ESPECIALISTAS SEMPRE


segunda-feira, 13 de março de 2017

Voo 3513 CONVIVIO NUCLEO COIMBRA AEFA O.DO HOSPITAL




Manuel Pais
Esp.EABT
V.N.Gaia




Com mais uma realização de excelência , o Núcleo de Coimbra  , levou a efeito o seu convívio em Oliveira do Hospital , sob o tema " FESTA DO QUEIJO ".
Com um passeio deslumbrante pelas margens do ALVA E ALVOCO , com pano de fundo as Aldeias de Xisto , abriu o apetite para um lauto e magnifico almoço . 
Como o horário apertava a paragem seguinte foi na feira onde o Sr Presidente do Município  aguardava o grupo para um beberete de boas vindas.
Á Direção do Núcleo de Coimbra da AEFA  os nossos agradecimentos por mais uma realização cheia de  "cagança " que satisfez todos os participantes.
Como seria habitual , HOJE não junto a reportagem fotográfica , Apesar da máquina ter  "rolo " apenas captou uma única foto, como homenagem de quem muito  deu e recebeu dos SEUS  amigos e que hoje se juntaram na Igreja de Ermesinde , para o acompanhar " NO ÚLTIMO CONVÍVIO "



ATÉ UM DIA ZÉ VIEIRA  e que Nª Srª do Ar te receba  no seu Esplendor .


quinta-feira, 9 de março de 2017

Voo 3512 PARTICIPAÇÃO DO NÚCLEO DE COIMBRA DA AEFA NA FEIRA DO QUEIJO EM OLIVEIRA DO HOSPITAL



José Andrade
Esp.
Presidente do Núcleo de Coimbra da AEFA
Coimbra





Olá Victor

PARTICIPAÇÃO DO NÚCLEO DE COIMBRA DA AEFA NA FEIRA DO QUEIJO EM OLIVEIRA DO HOSPITAL

12/MARÇO/2017

Partida pelas 8:30 horas, do local do costume, junto ao viaduto da Casa do Sal, em autocarro da TRANSDEVE, seguindo pelo IC 2, IP 3, IC 6, estrada nacional n. 17, até Vendas de Galizes, tomando a estrada nacional nº. 230, passando por Vila Pouca da Beira, com paragem no Miradouro de Avô, seguindo-se a visita ao panorâmico Vale do Rio Alvoco, com passagem por Ponte das Três Entradas, Alvoco das Várzeas, Parente, Obra, Silvadal até Vide, retornando a Alvoco das Várzeas, para uma visita detalhada às suas belezas naturais, finda a qual regressamos a Ponte das Três Entradas, onde se juntarão a nós, os restantes colegas, que utilizaram transporte próprio e onde pelas 12:30 horas nos será servido o almoço com o cabrito da região, no Restaurante Varandas Verdes.
Terminado o repasto, iniciamos a visita, ao panorâmico Vale do Rio Alva, com passagem por São Sebastião da Feira, Santo António do Alva, Caldas de São Paulo (com visita, ao moderno complexo das suas águas termais), Penalva de Alva e Oliveira do Hospital, com chegada prevista pelas 14:00 horas.
Degustação do Queijo Serra da Estrela pelas 15:00 horas.
O Presidente do Núcleo de Coimbra
José Nunes Andrade