quinta-feira, 16 de setembro de 2010

VOO 1920 “Impacto Psicológico da Guerra Colonial Portuguesa Nos seus Combatentes”



Manuel Bastos
Fur.Mil.Op.Esp.(Exército)
Coimbra





Amigo Barata,
Junto um documento da Dra. Teresa conforme tinhamos combinado. Agradeço que publiques também a seguinte nota:

Os combatentes que desejem responder ao questionário e não o tenham adquirido, tenham a gentileza de pedi-lo para mancbastos@hotmail.com , fornecendo o endereço em que queiram recebê-lo, e aqueles que desejem colaborar com uma entrevista/consulta, terão as instalações da ADFA de Coimbra ao dispor, devendo igualmente agendá-la para o mesmo e-mail: mancbastos@hotmail.com fornecendo um contacto telefónico.
Um abraço
Manuel Bastos



Legenda: Drª Teresa Carvalho,Psicóloga, que está a desenvolver o trabalho abaixo explicado, e o nosso companheiro Manuel Bastos no almoço do 1ºEncontro da Tertúlia,no dia 4 de Setembro nas Cortes,Leiria.

Foto:Augusto Ferreira(direitos reservados)

“Impacto Psicológico da Guerra Colonial Portuguesa Nos seus Combatentes”

Digníssimo Combatente da guerra colonial, o título supracitado refere-se ao objectivo geral de uma investigação científica em desenvolvimento por um grupo de investigadores da Faculdade de Psicologia da Universidade de Coimbra e do Instituto Superior Miguel Torga e apoiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), instituição esta de destacada referencia Nacional e Internacional.

Mais concretamente, pretende-se por termo ao desconhecimento sobre o impacto que a citada guerra continua a exercer na saúde mental dos combatentes dos três ramos das Forças Armadas, particularmente no que se refere a sintomas (queixas) associados ao stress de guerra e consequentes estados ansiosos e depressivos. Um conjunto de factores de risco potencialmente relacionados com o primeiro tipo de sequelas serão igualmente objecto de estudo.
Um grupo de estudos preliminares será efectuado para validar um conjunto de questionários psicológicos destinados a medir as variáveis anteriormente referidas.

A existência de conhecimentos cientificamente fundamentados de forma idónea e com representatividade nacional, sobre os aspectos descritos permitirá maximizar os resultados clínicos obtidos com os inúmeros combatentes que, há décadas, convivem com queixas crónicas indutoras de um profundo e persistente sofrimento, o qual abraça impiedosamente os próprios e as respectivas famílias. Estratégias preventivas para que estas dificuldades não se venham a instalar naqueles que apresentem maior vulnerabilidade às mesmas, é igualmente uma consequência não menos importante da aplicabilidade dos resultados desta investigação.

A prática clínica dos investigadores destes estudos, bem como dos técnicos de saúde mental que já se confrontaram com pedidos de ajuda dos nossos combatentes, evidencia de forma inequívoca a dificuldade de optimização das estratégias intervenção clínicas e a inexistência de um plano de prevenção individual e colectivo, resultante da manifesta ignorância científica deste problema de saúde pública e da carência de instrumentos de avaliação construídos e validados para a presente população de combatentes. Esta investigação será um contributo relevante nestes domínios, se combatentes dos três ramos das Forças Armadas se voluntariarem a participar na mesma, sendo necessário, para que a amostra seja representativa, que aqueles que pertenceram ou pertencem à Força Aérea e à Marinha a venham a integrar, por se encontrarem escassamente representados na amostra obtida até ao momento.

A participação não obriga à presença de queixas resultantes da exposição à guerra colonial, uma vez que os estudos clínicos necessitam caracterizar a população geral a que se destinam quanto às variáveis em estudo. Os casos em que tenha siso estabelecido, por clínicos, um diagnóstico de Perturbação Pós-stress Traumático de guerra, serão integrados no grupo clínico desta investigação, se os investigadores forem informados do referido diagnóstico e se este se mantiver à data da colaboração.

A colaboração nesta investigação consiste:

a) No preenchimento de um conjunto de questionários, entregues pessoalmente ou via correio, cuja devolução poderá ser efectuada em mãos ou através de envelope RSF taxa paga disponibilizado para o efeito, não envolvendo quaisquer custos financeiros por parte dos participantes;

b) Um alargado sub-grupo de sujeitos responderá a uma entrevista clínica, uma semana após o preenchimento dos questionários. Esta será efectuada por um dos investigadores e deverá ser previamente marcada através dos contactos abaixo descritos. A mesma terá preferencialmente lugar na Delegação de Coimbra da ADFA que, de forma incondicional e exemplarmente empenhada tem apoiado os estudos em causa.

Os investigadores comprometem-se a:

a) Garantir a total confidencialidade dos dados disponibilizados pelos participantes;

b) Utilizar os referidos dados apenas e só para fins de investigação;

c) Assegurar que a totalidade das normas éticas e deontológicas da investigação científica sejam respeitadas;

d) Garantir que a eventual desistência de colaboração na presente investigação por parte dos participantes não envolva para os mesmos quaisquer tipos consequências.

Agradecemos igualmente que, caso conheça outros combatentes da guerra colonial, partilhe com os mesmos as informações anteriormente descritas, nos faça chegar, através dos contactos disponibilizados as suas direcções, telefones e/ou e-mail, para que os mesmos possam, igualmente, ser contactados e vir a participar nesta investigação caso se disponibilizem a faze-lo, garantindo, por este efeito de “bola de neve”, que a mesma seja viável e cumpra o objectivo de os respectivos resultados apresentarem representatividade Nacional.

Certos do contributo atempado de V. Ex.ª para a prestação de um apoio clínico mais eficaz direccionado os combatentes que sofrem as sequelas da guerra do Ultramar, aceite as nossas melhores saudações.

A investigadora principal:

Teresa Carvalho
(Psicóloga clínica/docente do ensino superior)

Contactos da investigadora:

Telefones: 91 914 10 70 / 239 43 75 03
E-mail: teresacarvalho.psi@gmail.com

JS: A Drª Teresa e o Manuel Bastos marcaram presença no 1º encontro da tertúlia "Linha da Frente", tendo na altura apresentado este trabalho e distribuído questionários aos presentes, mas, como é explicado no texto, são necessários mais participantes da Força Aérea e da Marinha para que a amostra seja representativa. Participando, é uma forma de, através de um estudo idóneo, vir a dar a conhecer o impacto desta guerra na saúde mental dos combatentes. Passemos palavra.