Fabricio Marcelino
Esp.MMA
Leiria
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A data de hoje lembra-me todos os anos o
dia 8 de Dezembro de 1962 na Guiné.
De manhã começaram os ataques e
consequentemente a descolagem de aviões F86-F para cobertura das tropas em
terra e, respectivos bombardeamentos ao inimigo.
Após a descolagem dos dois primeiros
aviões, entrámos em de imediato em alertas de 3 minutos. Como sabemos, este
alerta obriga os pilotos estarem sentados e, amarrados dentro do avião,
expostos ao sol tórrido e, os mecânicos de avião,da linha da frente, a estarem
sempre com os Put Put a trabalhar porque dentro de 3 minutos os aviões tinham
de descolar, após a chamada de alerta.
Foram 5 dias assim e, só por volta das
21H00, entrávamos em alertas de 15 minutos, o que já permitia um pequeno
descanso, por muito curto que fosse.
A certa altura começaram –nos a chegar
os militares mortos e gravemente feridos, vindos das frentes de combate.
Tenho na minha mente e, parece que ainda
ouço, um soldado do exército, que ajudei a retirar do avião que o resgatou.
Este trazia as vísceras de fora, que ajudei a segurar. A certo momento, ele
agarrou-me o pulso direito com muita força e, fitando-me nos olhos implorava-me
que por amor de Deus não o deixasse morrer, porque queria ver a mãe.
Lamentavelmente nada podia fazer
e…faleceu no dia seguinte.
Lembro igualmente entre tantos outros,
um Tenente dos Fuzileiros, que tinha levado uma rajada nas pernas e uma delas
estava apenas segura por tendões e a outra quase decepada.
Eram momentos que mexiam connosco, para
mais era nessa altura, o dia da mãe, aquela que tínhamos deixado longe e,
não nos podia acariciar.
A certo momento com o somar de tantas
coisas, apetecia-me chorar e assim fiz. Meti-me dentro do meu avião F86-F
e, aí chorei, até estar totalmente aliviado. Sim, porque os militares também
choram, a mais em tempo de guerra!
Votos de Feliz Natal a todos e seus
familiares

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