domingo, 20 de julho de 2008

O NOSSO ZÉ..QUE FOI PARA O EXERCITO.




324-Joaquim Mexia Alves
Ex-Fur.Mil.Op.Especiais Guiné

Monte Real - Leiria

Caro amigo Victor Barata
Vi agora no blogue um texto sobre os Boeing 707 da Força Aérea e bateu-me uma saudade….
Quando estive em Angola a trabalhar, depois de sair da Guiné, os meus maiores amigos eram sem dúvida os pilotos desses Boeing, sobretudo o então Ten. Cor. Luís Quintanilha, o Ten. Cor. Lavrador, o Ten. Cor. ?Alvarenga, o Tem. Cor.? Aguiar e Silva, o Maj. Azambuja e por aí fora,sendo Comandante da Base, salvo o erro, o Cor. David.
À excepção do Alvarenga e do Azambuja, julgo que já todos nos deixaram.
O Luís Quintanilha e o David, e outro que não recordo o nome, num estúpido acidente perto de Tires, bem como o Lavrador nos Açores.
O Luís Quintanilha, (que sei ser uma figura algo polémica), foi sem dúvida um dos maiores amigos que tive na minha vida, tendo sido padrinho de um filho meu e eu padrinho do seu casamento.
Era um homem de uma cultura invulgar, amigo do seu amigo, embora tivesse um feitio algo difícil que nunca interferiu na nossa amizade.
Era um daqueles amigos que, estando nós numa altura bastante longe um do outro, percebeu por um telefonema que eu não estava bem, e sem dizer nada passadas umas horas estava ao meu lado para me ajudar a ultrapassar uma qualquer crise, que não vem ao caso.
A sua perda demorou muito tempo a sarar para mim.
Grande amigo do Lavrador, (companheiros de sempre), o Quintanilha sofreu um bom bocado com a sua morte.
Um dia hei-de contar histórias desses tempos de Angola.
Com o David tenho diversas histórias, mas conto esta para já.
Conheci-o por intermédio do Luís Quintanilha e rapidamente ficámos amigos.As coisas complicavam-se em Angola e em Luanda e eu não era propriamente uma pessoa muito querida das autoridades de então, juntas ao MPLA.
Havia o risco de poder ser preso a qualquer momento e o Quintanilha e o David disseram-me que ao menor sinal de perigo devia ir logo para a Base Aérea onde havia instruções para me deixarem entrar de imediato e sem demoras.
Daí e apesar de civil, um dos Boeing da F.A. me transportaria para Lisboa.Chegou o dia em que percebi que a coisa estava a ficar preta para o meu lado e então passei por casa, peguei numas coisas e arranquei para a Base Aérea onde de imediato me deixaram entrar.
Ainda hoje estou convencido que fui seguido, mas não tiveram hipóteses.
Julgo que depois, se bem me lembro, servindo-se da minha chave, que lhe dei, o David mandou lá alguns militares a casa trazer o resto mais importante das minhas coisas.
Depois do jantar e de uns copos com o David e quem lá estava e não recordo agora, fui dormir, tendo sido acordado, já não me lembro se pelo Quintanilha, se pelo Alvarenga, pois estava a dormir na cama de que um deles se servia quando chegavam a Luanda, perguntando-me o que estava ali a fazer.
Bem para encurtar razões, embarquei nessa tarde ou noite num Boeing comandado pelo Alvarenga, que à chegada a Lisboa me mandou chamar para assistir à aterragem no cockpit, o que não foi grande ideia porque estava uma tempestade do caraças, pelo menos para mim, e aquilo meteu um pouco de medo.
Aqui fica esta história com os possíveis lapsos de memória que espero me perdoem.

Abraço amigo do


Joaquim Mexia Alves
VB.Bom-Dia,Quim. (Desculpa o trato,mas é mais "pomposo"para um Zé que o não foi mas...
é)
Pois também já andavas "retirado" da Linha da Frente à uns tempos.Eu aceito pois á "perda da guerra,militarmente,tem te absorvido o tempo todo.Sobre esse tema estou plenamente de acordo contigo.
Estes nomes de que falas,também me deixam saudades,pois o final da minha carreira militar foi precisamente no AB1,hoje AT1,Figo Maduro,onde convivi e voei com eles.