domingo, 4 de abril de 2010

VOO 1586 OS MEXILHÕES.





António Loureiro

Fur.Mil.Polícia Aérea
Figueira da Foz



Dá-me licença senhor Comandante

Todos os anos pela altura da Páscoa se repete o mesmo fenómeno e desta vez não foi excepção.
Porque são atribuídas particularidades aos mexilhões (daqueles que verdadeiramente se lixam quando a água bate na rocha), afrodisíacos e portadores de uma proteína muito boa para os ossos, a Figueira da Foz, mais propriamente nos marechões (carreiros de rochas só acessíveis com a maré baixa) da praia do Cabo Mondego são "invadidos" por uma enorme quantidade de pessoas (há quem diga que são milhares, mas eu fico-me pelas largas centenas) dos arredores do concelho que, aproveitando a baixa-mar, dali retiram umas toneladas do apetitoso petisco.
Os da terra, porque sabem que este ritual se repete, tratam de se precaver e antecipando-se e fazendo a sua colheita na quarta e quinta-feira, libertando as rochas para os forasteiros, ávidos de um bom bocadinho passado ao pé do mar, rentabilizado com a captura do precioso ingrediente para o petisco.
É interessante que, até a Polícia Marítima que durante todo o tempo estão sempre prontos para pedir que lhe seja mostrada a respectiva licença para a apanha do dito mexilhão, na Sexta-feira Santa e no sábado, fazem "vista grossa", não aparecerem por lá.
Como não podia deixar de ser, também eu, para não deixar os créditos por mão alheia, como buarqueiro que me preso ser, fui fazer a minha apanha na quinta-feira, reunindo toda a família (filho, filha, genro, nora e netos), para uma almoçarada dos ditos cujos, confecionados por mim à nossa maneira.
Não sei se os moluscos têm a tais particularidades que lhes atribuem, mas o que eu sei é que comemos que nem leões e eu então, que pensava moderar-me por na véspera ter participado numa tainada com os amigos, não me contive.
Sem dúvida que, viver numa cidade como a Figueira da Foz se pode considerar um privilegiado, tem tudo o que é de bom, serra, rio, mar, magnificas praias e um calçadão que, segundo os entendidos, é considerado o 4º melhor do mundo, recomendado pelos especialistas da cardiologia.
Efectivamente, a sua marginal plana com 10 km de comprimento, faz a delicia de milhares de pessoas de todas as idades que por ali se andam diáriamente de manhã à noite cuidando das suas performances e da sua saúde, podendo optar tanto pela marcha como pela como pela bicicleta, utilizando a magnífica ciclovia, herança do Santana Lopes..
Muito sinceramente, apesar de ter sido criado numa cidade tão linda como Coimbra que, eternamente terá sempre um lugar muito especial no meu coração, não me estou me estou a ver trocar a minha querida cidade por outra qualquer, todas as terras são bonitas, mas esta é a minha.
Pois é, nem só de aviões vivem os homens.

Como quem não tem cão, caça com gato, já que não me é possível ter um avião, por falta de competência para o seu manejo e de dinheiro para o comprar, fico-me por um barquinho, denominado Chimoio, em homenagem à cidade de Vila Pery-Moçambique, já aqui relatada pelo nosso Comandante Augusto Ferreira, ferramenta imprescindível para tirar proveito deste magnifico lençol azul, onde faço as minhas pescarias mais o meu amigo João, reformado da vida do mar, 3 vezes vítima de naufrágios, a última vez no Algarve, muito falado há uns anos, onde morreu o seu ajudante e o cozinheiro.
O mar é lindo e bom, mas às vezes também nos prega "cagaços".
Na foto em anexo, eu sou o da esquerda.

1 abração de amizade a todos os ZÉS de Portugal