Esp.MMA
Coimbra
Convivi de perto com ele na juventude, assisti com ansiedade crescente, a todas as manobras e peripécias do seu voar naquele dia fatal, estava a 30 metros de distância do sítio exacto onde o avião embateu, com grande estrondo na casa da Eduardinha, tia do Alfredo.
Escrevi estes versos em sua memória, que vou ler.
Quinze de Abril de mil novecentos e cinquenta e três,
Manhã serena, é Primavera, há mil flores,
Um pássaro de aço veio do sul, pela segunda vez,
Em voo raso por sobre o espaço lançou temores.
Que a mocidade tão generosa encomendou,
Naquela manhã de sol dourado, era o Alfredo,
Que pilotava o avião que não voltou.
Surge no ar vindo do sul, sem bater as asas,
Algures no campo, espavorido, foge o rebanho,
E o receio cai de premeio por sobre as casas.
Em pleno Abril de céu azul, era tão cedo,
Na ousadia e intrepidez daquele voar,
Alguém falava entusiasmada….é o Alfredo.
Á juventude folgazã, desprevenida,
E sem piedade, nem clemência, vestiu de luto,
Os vinte e três anos, ainda jovens da sua vida.
Na segunda antes, já cá tinha vindo,
O Alfredo voando pelos céus da Beira,
Acabou tão cedo o seu sonho lindo.
Aqui foi criado, por aqui andou,
A Alma repousa lá no infinito,
O corpo na terra que o reclamou.
Desde miúdo que que este acidente sempre foi comentado pelos mais velhos na minha Aldeia, Alvoco das Várzeas, gratificante ver que os camaradas de armas não esquecem.... e perceber melhor o que se passou naquele fatídico dia.
ResponderEliminarAbraço
Fernando Andrade