sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Voo 2553 A MINHA NAMORADA (2ª parte)








Victor Sotero
Sargº.Môr EABT
Lisboa




Aproveitando o espaço aéreo menos intenso, preparo-me para mais uma aterragem e dar por concluída a segunda parte do voo 2525, de 17 de Outubro de 2012, A MINHA NAMORADA.
Assim, saúdo o “Comando”, a “linha da Frente” e todos os “Zés” que saudosos das nossas “aventuras” nos vão espreitando.
Na manhã do dia 8 de Fevereiro de 1968, com três dias de detenção às costas, o navio “ UÍGE atracava no Porto de Luanda onde já nos esperavam os “machibombos” que nos levariam para a B.A.9.
No dia seguinte, ficaria a saber que iria para o “mato”. Era colocado no Aeródromo Base nº3, no Negage.
Já com alguns aerogramas que me foram dados em Lisboa pelas senhoras do Movimento Nacional Feminino, escrevo para a minha namorada e digo-lhe que poderia começar a escrever para o S.P.M. 4036.

Legenda: O Aerograma era o tipi de correspondência distribuído pelo Movimento Nacional Feminino, para ser utilizado pelos militares, gratuitamente, na comunicação com familiares e amigos.
Foto: Cortesia do Fernando Moutinho.


 Apenas esperava o transporte e por lá ficaria durante o tempo da minha comissão.
 Fiquei a saber que o NORDATLAS às Segundas e Sextas-feiras passaria pelo A.B.3 e para alem do material e mantimentos para a Unidade, levaria também o correio não só para a Força Aérea mas também para os militares do Exército.
Também normalmente às Quartas-feiras o Comandante iria a Luanda no B. C. e transportaria o correio que estivesse disponível.
Chegado ao A.B.3, e sem esperar, eu já tinha correio da minha namorada. Teria também sido transportado no NORD que me levou desde Luanda. Afinal, o meu baptismo de voo, já que tinha faltado ao embarque de D.C.6.
Passavam-se os dias, semanas, meses.
Um dia, a minha namorada surpreende-me com a seguinte proposta:  “Já namoramos à muito tempo. Quero ser a tua noiva. Podes comprar aí o anel?”
Concordei com a proposta mas disse-lhe que comprasse antes o anel em Lisboa pois teria por onde escolher.
 Uns dias depois, dizia-me numa carta: “Já comprei o anel. É em ouro branco e tem uma madrepérola. É muito bonito. Custou 900$00. Quando puderes, manda-me o dinheiro.”...e pouco tempo depois, eu enviava-lhe o dinheiro.
Eu escrevia sempre aerogramas. Da São, eu recebia sempre cartas perfumadas. O envelope era sempre escrito a verde e por detrás, no fecho da carta, uma pequena flor.
Passou-se algum tempo até que um dia, não sei se devido ao mau tempo ou por ter feito a volta ao contrário, o NORD atrasou-se chegando ao Negage muito próximo do meio-dia.
Eu estava de Cabo de Dia.
Muito à pressa, o S.P.M. retirou os sacos de correio do avião e fez a entrega ao Primeiro-Sargento da Secretaria, dos sacos que se destinavam ao A.B.3.
Para entregar ainda na hora de almoço o correio, foi-me pedida a ajuda para separar. Era fácil e rápido apesar do muito correio que sempre havia para os Clubes.
Passei para o monte alguns aerogramas que se destinavam a mim. Depois, duas cartas escritas a verde com a tal florinha desenhada no remetente.
Pasmei quando vejo uma outra carta. A mesma caligrafia, o mesmo verde, a mesma flor. Não era para mim. Destinava-se ao Clube de Praças, era para um P.A.. Nunca a viu porque rapidamente a envolvi no meu monte da separação que se destinava ao Clube de Especialistas.
Terminada a separação do correio, apressadamente, dirigi-me para a messe não sem antes retirar a carta e a meter no bolso sem ninguém ver.
Logo que me foi possível, abri a carta e fui lendo.
A minha “noiva” era madrinha de guerra! Nunca me tinha dito nada. O destino quis que aquela carta me viesse ter às mãos. Guardei a carta no armário e fui esperando pelo final da comissão sem nunca ter feito qualquer comentário ou alguma pergunta.
No dia 16 de Março de 1970 embarcava em Luanda num D.C.6 de regresso à Metrópole.
A minha “noiva” juntamente com familiares meus estava na manhã do dia 17 no A.B.1 esperando por mim.
Fui convidado pelos pais não só para jantar mas também para irmos ver uma revista ao Variedades, no Parque Mayer. Eu esperava pela melhor oportunidade....e foi nessa mesma noite que mostrei a carta aos pais. Ficaram indignados! Despedi-me e fui para casa. No dia seguinte a minha “ex-noiva” entregava-me o anel de noivado.
Anos mais tarde encontrei-a. Vivia e penso que ainda vive no mesmo local. Tinha casado e era mãe de um rapaz.
 Despeço-me do “Comando”, da “Linha da Frente” e de todos os “Zés” com um

Até breve.


 Obs. Na foto, a minha noiva.

 Nota.:- Uma palavra de muito apreço a todos os militares que passaram pelos S.P.M e que tiveram trabalho muito meritório. Um grande serviço prestado aos militares no Ultramar.



quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Voo 2552 CINQUENTENÁRIO DOS PARAQUEDISTAS BREVETADOS.







António Dâmaso
SargºMôr Paraqª.
Azeitão




CINQUENTENÁRIO DOS BREVETADOS EM PARAQUEDISMO MILITAR EM 1962

Caros Camaradas/companheiros de Armas, alguns esqueceram-se que as Tropas Paraquedistas pertenceram por muitos e bons anos à Força Aérea Portuguesa, que o digam aqueles que não sendo paraquedistas com eles prestaram Serviço e viveram em harmonia com os Páras e no que me foi dado observar nos vinte anos que lá estive, a sua colaboração foi excelente.
De início esteve o BCP, (Batalhão de Caçadores Paraquedistas) com sede em Tancos Militar, posteriormente promovido a RCP, Regimento de Caçadores Paraquedistas), tudo isto debaixo da tutela do então Secretário de Estado da Aeronáutica, Brigadeiro Kaúlza de Arriaga, este Senhor foi o impulsionador das TP em Portugal e dentro das mesmas do Quadro das Enfermeiras Paraquedistas, estas jovens sem serem aventureiras na aceção da palavra, aventuram-se no altruísmo de que na sua qualificação de paraquedistas, poderiam alargar o seu horizonte na sua prestação de cuidados de Saúde a Militares.
Enfrentaram novos horizontes, tiveram de fazer ver a muita gente que podiam competir com os homens, isto na altura em que todos os que se lançavam em paraquedas eram malucos.
Depois da introdução vamos aos factos:
Desde há seis anos que tenho promovido esforços junto de diversas Individualidades no sendo de saber endereços dos meus camaradas de Curso, só recebi negas e por último através deste Blogue que apenas obtive silêncio, ficou registado.
Gastei algum dinheiro em chamadas que não deram em nada, mesmo assim contribuí para a localização de vários elementos não só do meu Curso como de outros.
A União Portuguesa de Paraquedistas, organizadora Evento convocou os que teve acesso ao endereço e que ainda estavam vivos para comparecerem na cerimónia, uns não compareceram por motivos económicos, por estado de saúde e outros porque não quiseram, estamos num País “livre”.
No dia 25 de Outubro, data do termo do último Curso de 1962, lá fui a caminho de Tancos levando comigo um vizinho que é do Curso a seguir ao meu, quando chegamos conheci a maior parte dos presentes, expecto aqueles que depois de terem cumprido a sua obrigação militar se foram embora.
Dos 78 finalistas do meu Curso, encontrei 10, alguns que não viam há 48 anos, a salientar que englobados no meu Curso estão 5 Enfermeiras que complementaram os saltos na mesma altura.
Destas apenas compareceram duas, foi com emoção que as cumprimentei por ter sido instruendo de uma e posteriormente ter tido o privilégio de ter trabalhado com elas em prol da prestação de cuidados de saúde a militares da Força Aérea Portuguesa, para mim apesar da morfologia da idade, continuam a ser aquelas jovens que conheci e privei profissionalmente.
Com elas aprendi a prestar cuidados de saúde com dedicação, entusiasmo e empatia que exerci mais de trinta anos.
O dia estava de aguaceiros, mas com algumas pequenas abertas.
Levava a minha máquina fotográfica que apesar de estar na garantia, pifou julgo que devido a pilhas fui obrigado a desembolsar 19 Euros pelo conjunto da reportagem.
Voo é dedicado às Enfermeiras Paraquedistas e camaradas de 1962, seguem algumas fotos:



Legenda: Porta de armas das TP, com o emblema do Exército
Foto: Cortesia do António Dâmaso



Legenda: Três pioneiras do 16.º Curso, eu a Enfermeira Eugénia e o Nunes Ferreira, eu e ele viemos do RL 1 em Elvas
Foto: Cortesia do António Dâmaso



Legenda: As Enfermeiras Eugénia E Sousa e Maria do Céu Pedro, (Irradia ternura)
Foto: Cortesia do António Dâmaso



Legenda: Na Capela da Unidade na missa por alma dos que já partiram.
Foto: Cortesia do António Dâmaso.


 VB: Bom Dia Companheiro Dâmaso, se este salto foi excelente, como só tu o sabes fazer, melhor foi as notícias que nos trazes.
Para mim foi uma surpresa muito grande acompanhada de alguma emoção, rever a Enfª Eugénia com quem partilhei alguns episódios na Guiné. Espero que ela ao ler esta notícia, nos faça uma grande surpresa efectuando um salto para esta Base.
Ó Dâmaso, numa das tuas legendas, dizes que a Céu irradia ternura?! Pois o que é que estas mulheres tinham senão ternura para com as situações que se deparavam no dia/dia?


terça-feira, 13 de novembro de 2012

Voo 2551 NEM SÓ O FUTEBOL PRATICA O HOMEM...







João Mesquita
Esp.Melec/Inst./Av.
Porto




Para os meus companheiros Especialistas da Força Aérea Portuguesa que estiveram comigo na BA 12, Bissalanca Guiné. Como vêm eu lá também estive ativo no UDIB, Voleibol.

Mas era "fracote". Na base nos torneios de futebol de salão como hoje se chama. Grandes momentos lá vivemos. Um dia posto fotos destes torneios ...

VB: Bom Dia Amigo João.
Pois todo o mundo estava convencido que o futebol, onde foste conhecido e reconhecido quer nacional ou internacionalmente, tinha sido a tua área desportiva única. Afinal dás-nos esta magnífica surpresa, também foste praticante de voleibol e na Guiné.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Voo 2550 AÇORES.








Fernando Moutinho
Cap.Pil.Av.
Alhandra




Boa tarde Victor
Já estava a ficar preocupado com a tua ausência.
Com o andar da idade os problemas e o desgaste vai aparecendo. Ultimamente ando a ficar preocupado com o coração. Canso-me facilmente...
Veremos a continuação. Pode ser ocasional.
Reapareces-te com uma magnifica reportagem sobre a ida aos Açores.  Gostei.
Nessa descrição mostras uma visita à meteorologia e um balão meteorológico. Achei piada porque me fez lembrar algo do passado que já relatei anteriormente mas, não resisto a repetir:

"Outra vez, voava num F-84G à vertical da Base (Luanda), de dia, a cerca de 11.000 pés quando me apercebo de qualquer coisa a passar por mim. Seria demasiado pequena para avião e demasiado alto para uma ave. Claro que manobrei para encontrar o objecto. Queria saber o que era.
Com dificuldade, consegui.
Ri-me!
Era um balão meteorológico, daqueles que eram lançados de hora em hora para medição de ventos e outras indicações em altitude..."

Espero, dentro de dias inscrever-me com a minha "cara metade" para o Encontro de Natal.
Um grande abraço.
Fernando Moutinho

domingo, 11 de novembro de 2012

Voo 2549 MISSÃO AÇORES (2)







Victor Barata
Esp.Melec,/Inst,/Av.
Vouzela






Dia 19: Manhã


Inicio da Missão

8:00h Alvorada e pequeno almoço no Bar de Sargentos.
9:00h Inicio da Missão “Açores”
Objectivo: Contacto com a realidade interna na Base Aérea nº 4.
Depois dos habituais cumprimentos aos representantes dos VETERANOS DA FAP locais,Elmano Nunes e Fernando C.Branco,foi a vez de nos apresentarem o Comandante Operacional para as actividades do dia,o Alf.Rel.Públ.Ribeiro.
Após o  Briefing sobre a missão dirigido por este oficial, foi a entrada para um autocarro que o comando da BA 4 nos disponibilizou para as operações previstas para o dia de hoje.
Começamos por nos dirigir à torre de controle, onde fomos recebidos e, superiormente, guiados pelo Sargº.Chefe Armando ,filho de um antigo companheiro nosso.
Começou por nos levar até á sala das comunicações, uma divisão que controla todo o espaço aéreo no arquipélago através dos seus operadores cujo o efectivo é composto por militares Portugueses e Americanos em igual proporção, sendo a chefia da responsabilidade Portuguesa.
De seguida subimos ao último piso onde funciona o controlo de movimento de aeronaves, onde tivemos o privilégio de acompanhar  a aterragem Airbus A 320 da Sata que transportava o nosso Companheiro Álvaro Eugénio, que por motivos profissionais só se pode juntar a nós no dia de hoje. Apraz-me realçar a sempre operacionalidade do Comandante Castelo Branco que naquele momento já se encontrava no terminal de chegadas do Aeroporto das Lajes afim de recebe-lo e transporta-lo até nós.
Já com o Álvaro a Bordo, seguimos  para o terminal de Partidas e Chegadas do Aeroporto Militar das Lajes. Depois de uma foto de conjunto junto ao painel cerâmico que decora o hall deste edifício, entramos na sala da Meteorologia,ali do lado esquerdo do edifício estando na pista.
Recebidos pelo Alf.Meteo Arlindo, fomos percorrendo as diversas áreas desta especialidade. 
Se foi bem demonstrativa a capacidade profissional destes técnicos, que nos identificaram a par e passo todo o equipamento por onde íamos passando, não foi menos saudosista a maneira como o Paulo Castro ia abordando os temas com os nossos cicerone  Ou não tivesse sido ele um ESPECIALISTA METEO na década de 70. É bonito fazer o comparativo do passado com o presente, a evolução verificada na tecnologia de ponta.
Retomando a ocupação dos lugares na viatura que nos estava adstrito para este reconhecimento à base, seguimos para o hangar da Linha da Frente, onde repousadamente nos aguardavam dois  helicópteros Merlin H 101,que embora de cauda virada um para o outro, aguardavam serenamente na situação de alerta, a chamada para sem olhar a quem salvar quem deles precisasse.
Para o Briefing de apresentação, chegou  o Ten.Pilav. Bruno que, transportando a habitual disposição que lhe é comum para receber aqueles que lhes deixaram os “livros ” de conduta na FAP, começou por abrir a aeronave pela porta traseira, para de seguida nos convidar a passar pelo seu interior onde muitos de nós estivemos oportunidade de constactar pessoalmente pela primeira vez, as características desta aeronave .
Dali seguimos para  uma dependência da estação de Meteorologia com a finalidade de  assistirmos ao  lançamento do balão que diariamente é largado transportando uma sonda emissora que fornece as condições climatéricas à Base.
Embora tenhamos sido recebidos pelo Alf.Meteo (?) quem nos deu o briefing, quem lançou o balão foi o 2ºCabo Meteo(?) ,primorosamente bem demonstrado  Tivemos oportunidade de acompanhar através do ecrã do computador as informações que iam chegando consoante a subida da sonda.
O programa da missão era para cumprir e o tempo passava.
Voltamos para o interior da viatura com alguma facilidade, pois o vento era tão forte que quase nos colocava no seu interior.(Que exagero!!!)
Próximo destino: Rádio Lajes!
Aqui chegados fomos recebidos pela (?) que nos deu as boas-vindas e nos convidou a entrar nas instalações  que, como todos sabemos, é a voz da FAP.
Como o espaço próprio de um estúdio de rádio é reduzido, tivemos que nos dividir em dois grupos indo cada um a diferente local simultaneamente. Sendo a veteranice é um posto, fomos convidados a conceder uma entrevista em directo nesta estação emissora. Ninguém mais identificado para o fazer que o Paulo Castro, que mais uma vez, e outra coisa não se pode esperar dele, enalteceu a causa ESPECIALISTA. Uma entrevista “para mais tarde recordar”.
Estava assim concluída a missão matinal ,a próxima paragem seria na Messe Geral onde fomos almoçar.


Legenda:Pequeno almoço na Messe de Sargentos.



Legenda:Apresentação do Alf.Mil.Ribeiro




Legenda: Partida para o inicio da Missão.




Legenda: Chegada à Torre de Controle recebidos pelo Sargº.Ch.Armando



Legenda:
Sala de Controle de  Tráfego Aéreo onde se pode observar controladores Portugueses e Americanos.


Legenda: Observado da Torre de Controle a chegada da SATA que transportou o Álvaro Eugénio.



Legenda: Desembarque do  Álvaro no Aeroporto das Lajes.


Legenda:O Grupo da Esq./Dir.Manuel Pais,Álvaro Eugénio,Eduardo,Alves da Silva,Carlos Ferreira,Paulo Castro,Victor Barata,Gouveia,João Mesquita (baixo),Bastias,Costa,Jovino,Batista,Fanica(baixo),João Carlos,Armando Seguro,Magalhães,Jorge Couto(baixo),Vilhena e Fernando C.Branco. Falta o Zé Gomes que foi o fotografo.


Legenda: Na meteorologia,o Alf.Arlindo quando nos recebia sob o olhar atento do,(Esq,/Dirª) Armando Seguro, Álvaro Eugénio, Bastias e Paulo Castro.


Legenda:Dentro do Merlin escutando o Ten.Pilav. Bruno Esq./Dir.,Paulo Castro,Alves da Silva, Costa (encoberto)José Gomes,Jovino,Álvaro Eugénio,Fanica e Vilhena,


Legenda:
 Na sala onde se preparava a largada da soma meteorológica,da Esq./Dir,Álvaro Eugénio,Carlos Ferreira,Manuel Pais,Bastias,Paulo Castro,Fanica,Costa e Rodrigues.


Legenda: Colocação da sonda sob o olhar atento do Paulo Castro,enquanto o Magalhães prepara a máquina fotográfica para o momento da largada.


Legenda: O momento em que a sonda era largada.


Legenda: Entrada do edifício da Rádio Lajes.



Legenda:Paulo Castro em entrevista directa na rádio Lajes.

Para que texto não seja penalizado com as diversas fotos dos momentos aqui descritos, seguem-se algumas fotos referentes a esta dia de missão e devidamente legendadas.


VOO 2548 - 5º ENCONTRO DE NATAL DA TERTÚLIA “LINHA DA FRENTE”





Victor Barata
Augusto Ferreira
João Carlos Silva
Jorge Mandes
Mário Aguiar
O Comando do Blog




Companheiros.
Aqui está mais uma convocatória para todos os tertúlianos, a exemplo dos anos anteriores estamos a promover o nosso encontro de Natal de 2012, que este ano para tentarmos facilitar a vida a todos, decidimos ser em Coimbra, por ser praticamente o meio do País, com facilidades de acesso por estrada, comboio e avião, o barco é um pouco mais difícil mas também se consegue, é preciso é entrar a barra do Mondego na Figueira da Foz.  





 As inscrições estão abertas devendo ser dirigidas como sempre para o nosso email


ou (novidade para este ano) nos comentários a este Voo.

Dentro de dias forneceremos a informação detalhada para este evento, bem como as respectivas coordenadas.

Aguardamos as vossas inscrições, tão rápidas quanto possível.

O comando

domingo, 4 de novembro de 2012

Voo 2547 PARABÉNS PAULO.




Paulo Moreno
Sol.Foto.FAP
Embra
Marinha Grande






Companheiro
Em nome de toda a Tertúlia “LINHA DA FRENTE”, desejamos-te um dia muito feliz na companhia de todos os que te são queridos. 

Voo 2546 O MEU COMENTÁRIO.








Costa Ramos
Esp.MMA
Coimbra





Meus queridos amigos, tanta elevação, discernimento, comentar o presente, recordar o passado, em todos os vôos que li, fico orgulhoso de ter sido, e ser especialista da FAP, para todos vós um bem-haja e sucesso nas vossas vidas de agora e no testemunho que passam às gerações seguintes, que bem precisam de um  Beacon para as orientar.
 Um abraço sincero
 Especialista veterano da FAP

Costa Ramos

sábado, 3 de novembro de 2012

Voo 2545 PARABÉNS ANTÓNIO MATOS.




António Matos
Ten.Gen.Pilav
Lisboa








Companheiro.
Em nome de toda a Tertúlia Linha da Frente, desejamos-te um dia muito feliz na companhia de todos aqueles que te são queridos.



quinta-feira, 1 de novembro de 2012

VOO 2544 Parabéns José Figueiredo








José Figueiredo
Melec
Porto





Companheiros,
Hoje é o dia de aniversário do José Figueiredo.







Em nome de toda a Tertúlia “Linha da Frente”, desejamos-te um dia muito feliz para ti e todos os que te são mais queridos.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

VOO 2543 APELO DAS NOSSAS ENFERMEIRAS





Nuno Almeida “Poeta”
Esp. MMA
Lisboa





Queridos companheiros,

Respondi ao apelo feito no voo 2529 e já enviei a minha contribuição à Rosa Serra.
Se acharem que a sua publicação poderá estimular outros a fazê-lo, aqui segue o descrito:



Queridas companheiras de tempos de dor mas também de alegrias, relato dois episódios que me marcaram muito e que foram vividos com a presença de uma de vós.




A 1ª foi quando da minha primeira saída para uma evacuação.

Aterrámos, saltei com a maca na mão e de imediato me colocaram nela um homem com o ventre todo aberto e a esvair-se em sangue. Colocado no heli a enfermeira começa de imediato a procurar-lhe veias e a injectá-lo, tentando aliviar-lhe as dores e mantê-lo vivo até ao Hospital. Eu via tudo aquilo desenrolar-se perante os meus olhos incrédulos para tanto horror e estupefacção perante a calma, aparentemente serena, com que ela acertava nas veias, apesar da vibração do heli e das convulsões que o ferido exibia.
A determinado momento, o ferido com um rosto que nunca esquecerei, pálido, olhos semicerrados e revirados para cima, aperta na mão uma medalha, que trazia pendurada num fio ao pescoço, com uma foto esmaltada de uma mulher e uma criança, e beija-a dizendo: “ adeus minhas queridas que nunca mais vos vejo”.
Impotente perante a situação curvo-me e toco-lhe no peito dizendo-lhe: “não digas isso que estamos mesmo a chegar ao hospital”. Ele põe a medalha na boca, morde-a e, com as duas mãos agarra-me no pulso, revira os olhos e tomba a cabeça para o lado.
Os últimos minutos, até aterrar no hospital, foram feitos com aquelas mãos fortemente cerradas no meu pulso, eu chorando compulsivamente, e a enfermeira dando conta que todo o seu esforço e luta para roubar aquele homem das garras da morte tinham sido em vão.
Apesar do desfecho infeliz, que certamente a não deixou dormir tranquila naquela noite, tal como a mim, nos dias seguintes lá estava ela a lutar novamente, com toda a sua determinação, para que uma vida fosse salva e fizesse valer a pena todo o esforço e determinação empreendidos.



A 2ª foi numa operação com comandos africanos em Teixeira Pinto.

Transportámos as tropas até uma área determinada no mato e regressámos ao aquartelamento aguardando ordens para mais tarde, após o seu confronto com o inimigo, recolher os elementos transportados.
Estávamos a meio da operação quando recebemos ordens para levantar voo e evacuar um nosso elemento que estaria ferido.
Dirigimo-nos ao local e ao aterrar, quando me preparo para saltar com a maca, vejo um comando africano, alto e esguio no seu camuflado, dirigir-se, pelo seu próprio pé, ao heli, com a sua arma numa mão e um saco de pano na outra, e com aspecto de estar em transe hipnótico.
Abro a porta do heli e desço para o terreno para lhe abrir a porta lateral traseira, mas ele entra e senta-se no meu lugar, com um ar muito hipnótico e a transpirar desalmadamente, e coloca o saco de pano, tipo daqueles de ir ao pão, com atilho na boca do saco, entre a cadeira onde se sentou e a da enfermeira.
Eu, privado do meu assento, entro para a parte de trás e sento-me nos bancos traseiros, frente à enfermeira.
Durante o voo, ela começa a fazer-me sinal que sente um cheiro forte vindo saco e interroga-me, por gestos, se sei o que será. Faço-lhe sinal que não, e ela olha para o comando que continua em estado de transe com o olhar muito distante, mas sem qualquer ferimento aparente.
Passam-se uns minutos e novamente a enfermeira me faz sinal do mau cheiro que vem do saco, e tenta com dois dedos alargar o atilho do saco, sem que o comando se aperceba. Após insistir mais um pouco logra alargar suficientemente a boca do saco e dissimuladamente curva a cabeça para espreitar o seu interior.
Subitamente ouço um grito abafado da parte dela e vejo o seu ar aterrorizado, o que me faz olhar rapidamente para o saco.
A cena é macabra, dentro do saco está a cabeça do inimigo que o comando tinha morto e que, devido à sua religião, a tinha degolado para que o espírito desse homem não o perseguisse no futuro ( ouvi essa explicação já após o entregarmos na enfermaria com febres altíssimas ).
Foi um susto que nos apanhou de surpresa e que não esqueci tão cedo. Para a enfermeira não deve ter sido fácil deparar-se com aquela cena, ainda mais que tinha os dedos a milímetros da cabeça decepada.

Espero que estes dois episódios sirvam para que melhor se compreenda o valor e a coragem das mulheres que tanto fizeram para minimizar o sofrimento de quem na guerra lutou.

Com a minha sincera e estimada consideração

Nuno Almeida “poeta” – 1º cabo MMA – Guiné Jan/Nov 1972


  
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