segunda-feira, 16 de junho de 2008

A MINHA IDA PARA OTA...EM 2008.


265-Fernando Castelo Branco
Ex-Esp.MMT 2ª/69 Tete
Praia da Vitória - Açores


Uma nova VIDA, começou há trinta e nove anos; os Encontros, têm trinta e dois, e Eu, ao fim de vinte e oito anos abracei-vos na Nossa Base “Mãe” OTA.


O Fernando com a sua linda"hortência",a filha Marta.


Começarei pela minha partida tão ansiada; foi no dia 3 de Junho de 2008 a bordo de um C-130 da nossa FAP, Comandado pelo Senhor Tenente Coronel PILAV FAULHA, um dos vários Zés Especiais que fazia parte da Tripulação, era o Primeiro Sargento MARME JOSÉ SILVA, que após verificar se estava tudo em condições no exterior; fechou a porta e deu-nos as instruções de sobrevivência; graças a Deus, não foi preciso utilizá-las; saímos da placa de estacionamento eram 16: 15 e depois de “fazermos” o respectivo ponto fixo, começou a rolagem e ás 16:30 estávamos com as rodas no ar...a Ilha ficava para trás; foram três horas precisas de viagem, pelo meio uma conversa animada com o Senhor Capitão Mário Vaz, Daqueles que costumam mexer com o dinheiro; no meu tempo, eram Intendência e Contabilidade; (agora não sei, porque está tudo mudado) e a Sua Digníssima Esposa, que por sinal é “filha” da Ilha Terceira, mais propriamente da Freguesia de Santa Barbara.
Quando cheguei ao AT1, tinha á minha espera a minha “hortênsia”, (filha Marta), assim como o Irmão e Sobrinho do “nosso” Victor Barata, porque este, devido a um imprevisto quando vinha em viagem para me vir esperar e buscar, teve que voltar e não pôde seguir para Lisboa. Alterei “o plano de voo”; fui dormir á Amadora.
No dia seguinte, segui para Viseu em autocarro; parei na Cova de Iria, Fátima; benzi-me e numa rápida prece, pedi á SENHORA para nos proteger...
Quando cheguei a Viseu, já se encontravam os Nossos Especiais Victor Barata e o Gouveia.
A ânsia de abraços, era dos três...por escolha do Victor fomos almoçar os três com uns Amigos do Victor, que me foram apresentados e passado algum tempo, o trato Deles para comigo era de tal forma, que parecia que já nos conhecíamos há anos; aqui, destaco o Amigo Mário que nos ofereceu o almoço; (espírito Beirão de que Aquilino Ribeiro escreveu sobre as Beiras...) e este Amigo em breve estará por estas Ilhas “encantadas” e ao pé de mim; não nos conhecíamos mas o espírito era como se fosse de há muitos anos.
Depois do almoço tive a satisfação e alegria de visitar o empreendimento do Nosso Victor; onde deu para reparar que o Seu trato para com os Seus “subordinados” tinha cheiro de Especial e sabor de Democracia e Humildade; o mesmo aconteceu quando Ele, nos “impôs” o bendito Blog; que mesmo tarde veio a tempo?!...”Conclusão minha”; era o Espírito da OTA.
Tratamos do alojamento e depois de ter tomado um banho e “mudado de uniforme”, mas atenção; “o uniforme” não era para trabalho, era de passeio, veio buscar-me a Oliveira de Frades; lugar muito bonito e calmo; sentia-me nos AÇORES; fomos jantar; pedi um bife á casa, (ai Jesus) só o bife, cobria o fundo do prato...quem nos dera, no tempo de Recrutas, apanharmos assim um bife!
Dia seguinte; quinta-feira, ficou combinado, irmos ter com o Gouveia a Viseu. Assim o fizemos, depois por “minha imposição”, porque a velhice na tropa é um posto; e Amigo não empata Amigo, o Victor passou primeiro pela sua Fábrica, depois seguimos para Viseu, o Gouveia estava á nossa espera por coincidência, ao pé do RI14;mudamos de carro e seguimos no do Gouveia; Este, queria que eu conhecesse Viseu e os seus empreendimentos, desde a antiguidade de carros ao Seu “palacete”; ainda assim houve tempo para estarmos com um Zé Especial Enfermeiro, o Pais; também por intermédio do nosso “cicerone” consegui via telemóvel, reencontrar o meu também Grande Amigo FAUSTINO de Rio Maior; sobre este, mais tarde recordarei convosco passagens nada agradáveis; mas sempre com o Espírito de Especial. Dá para acrescentar que foram os tipos “seringas” que nos fizeram “a vida negra” quando queríamos entrar para a FAP; depois tornaram-se o que ainda hoje são - Grandes Amigos!... O referido Faustino, parece que agora “virou” para a bruxaria?!...
Levou-nos o Senhor Gouveia, (conhecido pelo Pacheco), a almoçar a um dos mais importantes Restaurantes de Viseu; eu, escolhi o que aqui nas Ilhas não é habitual confeccionarem; e também não é muito apreciado,”uma cabidela de galo”; bebemos qb e após o manjar o Gouveia”mandou-nos destroçar”; lá tive eu que “aguentar”com o Victor Barata; que quis que eu em tão pouco tempo conhecesse a Beira quase toda; levou-me ao Museu de Vouzela; fomos a São Pedro do Sul; subimos e descemos Serras e Montes para ver a Serra da Estrela, do Caramulo e muito mais; levou-me a um ponto tão alto que quase via “a minha Terceira”?!...
Fez-me a surpresa de me levar a Vila Real, de onde sou Natural, para poder abraçar o meu Irmão, ver Cunhada, Sobrinhas, Amigas e Amigos e sentir muito rapidamente o “cheiro da minha infância”...; no regresso, o Victor, “quis” que visse a Régua para recordar tempos de há trinta e nove anos aonde algumas vezes conforme as possibilidades mudei de comboio para ir ver os meus; fomos á Senhora dos Remédios, compramos cerejas, tiramos fotos e por fim regressamos á base aonde eu “estava apresentado sem Guia de Marcha” mas com ajudas de custo no momento, que era a alimentação e alojamento. Para terminar a minha estadia, levou-me a um jantar com Amigos, arroz com coelho bravo, por fim fomos terminar num arraial com bailarico, para recordar quando no nosso tempo de “meninos” da OTA; andávamos sempre á procura dos ditos; joguei nas rifas...Fomos dormir.
Sábado de manhã, foi a partida para Coimbra; lá estava o Victor a “chatear-me” para me acordar, parecia quase “ o Sargento de Dia, sem clarim “, mas com o telemóvel, três ou quatro vezes, não atendi, porque estava a tomar banho.







Paramos em Pombal; voltei a abraçar ao fim de trinta e oito anos o Jorge de Arganil; este foi aquele que num Domingo a seguir ao almoço na OTA me perguntou, Castelo Branco vamos a Coimbra ás Festas da Rainha Santa Isabel? Vamos, assim se pensou assim o fizemos, fomos fardadinhos para que as boleias fossem mais fáceis e também para não termos que nos desenfiar á civil pelo pinhal; e para mostrarmos ás “moçoilas” que já éramos Especiais; chegou a hora do jantar o também Grande Amigo Jorge de Arganil; ofereceu-me o jantar; quanto a “engates” nada?!...Para regressar, foi pior, começamos os dois a pedir boleia, mas depois acabamos por fazê-lo individualmente, acho eu, que fui o primeiro a apanhar boleia, mas chegamos á Base antes do Serviço começar, porque tínhamos horários a cumprir...a viagem do dia 7; continuava e nós sempre “recuados”no tempo, falando das nossas peripécias de há muitos anos; por fim chegamos á OTA - BASE; aqui, “a pancada foi maior”?!...
Para mim, tinham passado vinte e oito anos e tanta coisa aconteceu?!...Sou muito sincero o que vos pareceu, e bem, “um miúdo abandonado” até ao momento de Vos encontrar.
A ansiedade e a felicidade de vos reencontrar dominaram.




Paramos em Pombal; voltei a abraçar ao fim de trinta e oito anos o Jorge de Arganil; este foi aquele que num Domingo a seguir ao almoço na OTA me perguntou, Castelo Branco vamos a Coimbra ás Festas da Rainha Santa Isabel? Vamos, assim se pensou assim o fizemos, fomos fardadinhos para que as boleias fossem mais fáceis e também para não termos que nos desenfiar á civil pelo pinhal; e para mostrarmos ás “moçoilas” que já éramos Especiais; chegou a hora do jantar o também Grande Amigo Jorge de Arganil; ofereceu-me o jantar; quanto a “engates” nada?!...Para regressar, foi pior, começamos os dois a pedir boleia, mas depois acabamos por fazê-lo individualmente, acho eu, que fui o primeiro a apanhar boleia, mas chegamos á Base antes do Serviço começar, porque tínhamos horários a cumprir...a viagem do dia 7; continuava e nós sempre “recuados”no tempo, falando das nossas peripécias de há muitos anos; por fim chegamos á OTA - BASE; aqui, “a pancada foi maior”?!...
Para mim, tinham passado vinte e oito anos e tanta coisa aconteceu?!...Sou muito sincero o que vos pareceu, e bem, “um miúdo abandonado” até ao momento de Vos encontrar.
A ansiedade e a felicidade de vos reencontrar dominaram.





Voltei a encontrar o Nosso João de Sousa e abracei-o; o Coimbra; o Pedro Garcia o Moura, o Bastias, o Campos e Muitos que gostei de cumprimentar e abraçar e saber que estão melhores do que eu; fico feliz por tal.
Gostei com todo o respeito de Especialista que me ensinaram; cumprimentar o Nosso “VELHINHO ESPECIALISTA”; na altura recordei um quadro que tenho aqui em casa: se vires um Velhinho, não te esqueças que já vais a caminho. Pois nesta altura já tinha ao pé de mim a “minha Hortênsia”, (filha Marta, que muito excepcionalmente, foi autorizada a sua presença, devido a ela estar aí ao pé de Vos, mas com o coração nos Açores) ela é o “fruto”da minha passagem pela nossa Base mãe OTA; por isso quando ao pé de mim chegou, descarreguei o meu pranto de SATISFAÇÃO, SAUDADE E AMIZADE do que já vai longe.... Revendo nela a Juventude de outros tempos!







Não vos quero ser impostor, mas, sem esquecer qualquer dos presentes, desde o nosso “VELHINHO” aos Jovens que recentemente começaram a servir a FAP; assim como os Excelentíssimos Representantes da FAP de hoje; da minha parte o meu sincero Obrigado.
Como tudo o que começa, também acaba “e foi muito bom”; porque eu, era “o crava da altura” de alguns cigarros; porque foi o resultado de me ter esquecido da expressão; (antes de ires para o MAR, prepara-te em Terra)?!...
Fico-Vos imensamente grato pela colaboração e paciência; mas “a lapa” do Victor Barata; ainda hoje me tira o juízo e repetindo a expressão: não tiveste vergonha de andares ao crava?! Prometo aos que eu, “desavergonhadamente” pedi um cigarro; que considerem um empréstimo (sem juros); mas atenção; eu, não pedi a Todos?!...Por conselho da minha filha da próxima vez??? Não sei quando? Levarei tabaco a mais...
Quando chegou a hora da DESPEDIDA; com um até á próxima; a confusão foi imensa novamente para mim; fui fraco; mas o meu coração estava CHEIO com O VOSSO CARINHO, SAUDADE E AMIZADE...
Muito teria para dizer; mas prefiro reter no meu coração e na minha memória enquanto ela não enfraquecer totalmente...
Despeço-me, com forte ABRAÇO E OBRIGADO e peço ao Senhor Divino Espírito Santo e também á Nossa Senhora do AR muitos anos para VÓS. Não sei quando será, mas gostaria de novamente ter o Vosso Carinho e ESPÍRITO DE ZÉS ESPECIAIS...
Bem hajam TODOS...
Para o meu secas, guia turístico, repreendedor, chefe de mesa, acolhedor, condutor etc; VICTOR BARATA, vai um fortíssimo ABRAÇO maior que o MAR que nos separa!...Não te agradeço, porque tu não queres e já basta “o que sofri”, sempre com a mesma repetição do meu nome; Fernando, Fernando, Fernando etc...
OBRIGADO VICTOR




O Agradecimento do Fernando Castelo Branco,ao Comando da Zona Aérea dos Açores,na pessoa do Cor.Pilav Candeias.



Excelentíssimo Senhor Coronel Candeias

Respeitosos cumprimentos e novamente volto a agradecer a Vossas Excelências, em nome dos "ZÉS ESPECIAIS"; eis Cabos Especialistas que muito Orgulhosamente serviram e vestiram as cores da FAP; a Colaboração que tiveram para comigo quando eu "quis" ser portador de um abraço Vosso; para assim , não ir de "mãos a abanar"; ao 32º Encontro da Associação de Especialistas. Conforme Vossa Excelência me deu autorização para utilizar o Seue-mail; em anexo, seguem algumas fotos que testemunham os AGRADÁVEIS Momentos que passei com os " Meus IRMÃOS de ARMA"; no referido Encontro;desfardados mas "FARDADOS" com o Espírito de FAP...

Mui reconhecidamente.

Fernando Castelo Branco



GOSTEI!


264-José Ribeiro
Ex-Esp.OPC Guiné
Lisboa




A apresentação gráfica está espectacular. Os meus parabéns.


É tão lindo ver coisas assim, bem feitas e de valor acrescentado, mas! ... o que interessa, às vezes, não é a apresentação, mas o conteúdo das coisas escritas em qualquer lado que seja, com é exemplo concreto o Blog BA 12, sem politiquices desnecessárias, somente servindo e dando a conhecer a passagem no tempo de uma juventude e que hoje, passados tantos anos, se está a dar a conhecer, falando das suas experiências passados em tempo de Guerra Colonial, isto é, dão a conhecer uma experiência de vida passada e vivida, com marcas.
Logicamente que uma boa apresentação, é um valor acrescentado a ter em consideração. Aliás, essa apresentação ainda veio dar mais valor ao que já tinha uma valor acrescentado.
Estão de parabéns os fundadores desse espaço (comunicativo e "interactivo") e aqueles que o vão melhorando no tempo - são as novas tecnologias postas à disposição de quem queira aprender qualquer coisa -, não desprezando as outras outras armas, a Força Aérea deu o mote de partida para que hoje não fosse uma arma esquecida, mas considerada nos teatros de operação a que é chamada a intervir. Fiquei maravilhado pelas fotos publicitadas da actuação dos "Asas de Portugal", que lindo!
Nós, ex-especialistas, nas diversas especialidades aeronáuticas, estamos agradecidos a essa Instituição, naquilo que moldou a nossa forma de estar e conviver, com todos doutras armas, sendo que, no Blog BA12, todos os ex-camaradas militares também podem contar as suas "Estórias" de Guerra e que lhes marcou a juventude.
Bem hajam a todos, mas especialmente àqueles da "Linha da frente" que tudo fazem para que este espaço seja cada vez melhor e que nele sejam publicitados aspectos marcantes da vida passada num tempo diferente do de hoje.
Amigo, Victor, lembrei-me de escrever isto directamente, se achares não conveniente, não publicites.

Boa tarde e até sempre.


José Luís Ribeiro

domingo, 15 de junho de 2008

MEMÓRIAS DA GUINÉ III.


263-Fabricio Marcelino
Ex-Esp. MMA Guiné
Leiria



Caro amigo Barata,

foi um gosto conhecer-te no encontro de Especialistas na Ota.Como te prometi, eis mais umas memórias da Guiné:


MEMÓRIAS DA GUINÉ - III


Estávamos em princípios de Dezembro de 1962, os ataques eram mais constantes do que era habitual, os pilotos e mecânicos da linha da frente, dos caças F-86F (éramos apenas 5 bravos especialistas), não tínhamos tempo para descansar.
Os alertas que até aí eram de 15 minutos, passaram para 3 minutos.
Este, como os colegas sabem, obrigava os pilotos a estarem sentados dentro do avião já amarrados e, os mecânicos a a terem o put put ligado todo o tempo, e a permanecerem junto do avião para lhe dar saída,logo que soasse o alerta, pois dentro de 3 minutos tinham de estar a voar e,tudo isto debaixo dum sol abrasador.
Como disse, éramos só 5 especialistas na linha da frente e, fazíamos alertas 24 horas consecutivas com 2 elementos por dia!No dia livre sem alerta fazíamos mecânico de Dia à Base e, ronda à cidade de Bissau, com 4 soldados, porque não havia polícia aérea!
Chegou o dia 08 de Dezembro ( dia da mãe, à data). Eu já ia no 5º dia sem saber o que era descalçar os sapatos, ou dormir! Saí mais uma vez do alerta e entrei de imediato a mecânico de Dia à Base, o meu ajudante era um 1º sargento electricista, que pouco me ajudava!
Dado o meu serviço de escala, como os colegas sabem, tinha de receber todos os aviões de carreira e, todos os outros que se dirigiam à Base, que não estavam lá estacionados.
Como atrás referi, os ataques eram constantes e, começaram a chegar os militares evacuados das frentes de combate!
Cada vez que eu tinha de receber o avião de evacuação mais nervoso ficava!
Ao ver alguns colegas de guerra, embora de outras armas gravemente feridos e alguns desfigurados.Lembro-me como se fosse hoje,um colega do exército todo esventrado, com outro homem a segurar-lhe as vísceras e, que eu próprio tive de ajudar a segurar, para que as mesmas não caíssem no chão!
Um oficial dos fuzileiros navais, levou uma rajada numa perna ao nível do joelho que a deixou apenas segura por um único nervo da parte traseira!
Tantos outros na sua agonia final, que jamais esquecerei.
Foi um horror passar por tudo isto!O ser dia da mãe, que era um dia marcante para nós,o estar muitos dias sem dormir e, todo o horror que descrevi e não só,deu-me volta ao sistema nervoso! Como não o podia fazer em público, refugiei-me dentro dum avião F86F e aí chorei até ficar aliviado!Sim colegas, digo-o sem vergonha, chorei, porque um homem também chora, mesmo em tempo de guerra!
Fabrício Marcelino
ex- 1º Cab.Esp. MMA

sábado, 14 de junho de 2008

"DE NADA A FORTE GENTE SE TEMIA" LEMA DA ESQ.301.


262-João Carlos Silva
Ex-Esp.MMA BA4,BA6
Sobreda





Víctor Barata,


Achei o máximo e assumo completamente aquela do "piriquito" na mensagem 252 e o Víctor Condeço já me explicou a origem do termo (na minha altura os mais novos apelidavam-se de "maçarico") é curioso como por exemplo o mais antigo da tertúlia (creio que o Fabrício Marcelino) é de 1960 na FAP e eu nasci apenas em 1962 !
No entanto, o tempo passa para todos, eu era dos mais novos da minha recruta com 17 anos, era o mais novo na IBM (agora poucos conheço) e agora, na empresa actual já vou sendo dos mais velhos!
A minha filha mais nova tem os mesmos 17 anos quando eu entrei na FAP, será possível ?!

Mais uma vez o lema da 301:"De Nada a Forte Gente Se Temia"

Antes de entrar na FAP e relacionados com a mesma, tinha como amigos o Jorge Heitor, meu vizinho no Campo Santana e o Luís Neves (Luizinho) que tinha andado no Instituto Militar dos Pupilos do Exército (IPE) com amigos comuns. O Heitor entrou em 78, foi do curso MMA anterior ao meu e o Luizinho foi da minha recruta e curso MMA (também está na fotografia que publicaste do meu pelotão da 2ª/79), tendo feito carreira na FAP, nos helicópteros. Adicionalmente foi meu companheiro de turma no Liceu Nacional de Gil Vicente (à Graça) o José Lourenço que foi da minha recruta e especialista de Comunicações e que encontrei no encontro anual da AEFA de 2008. O Heitor e o Luizinho eram amigos e companheiros também nas minhas aventuras civis de fim de semana.
Futuramente contarei mais passagens da FAP em que o Heitor e o Luizinho também participaram.


Como têm aparecido algumas mensagens com referência ao F-86 (infelizmente não tenho muito dados sobre o mesmo), envio fotografia na Ota durante o curso MMA. Se não me engano, temos da esquerda para a direita e de cima para baixo, o Laranjeira, o Freitas, o Rosa, eu, o Quirino. Saudações Aeronáuticas a todos os Tertulianos e visitantes deste espaço.


João Carlos Silva

VB: Pois bem João,como prémio da tua "juventude"modificou-se o visual deste Blog,foste o seu estreante.

Aproveito a oportunidade para solicitar à Tertúlia a opinião sobre o NOSSO blog.


O TÃO DESEJADO MOMENTO CHEGOU.FOI NO DIA 10.JUNHO DE 2008!


261- Victor Barata

Ex.Esp.Melec./Inst./Av. Guiné
Vouzela



Bom-Dia Companheiros.
Não resisti a fazer esta simples,mas que considero muito significativa,selecção de imagens.
Dois HOMENS oriundos do distrito de Vila Real,companheiros de brincadeiras na sua infância,a quem o destino separou fazendo-lhes uma barreira com o Oceano entre o Continente e a Ilha Terceira nos Açores.

As suas próprias vidas pessoais,também tiveram traçados diferentes,um é General da FAP e outro foi "empurrado"para fora desta mesma entidade(FAP) por não saber Física...
Mas uma grande virtude sempre mantiveram em comum,o sentimento.

Refiro-me ao Gen.Taveira Martins e ao nosso Zé Fernando Castelo Branco,dois companheiros que a lei da vida só consegui separar na patente militar porque na vida civil são dois verdadeiros lideres dos princípios e direitos humanos.
Numa das minhas estadas na Terceira,o Fernando,sabedor de uma Assembleia Geral do Núcleo de Coimbra da AEFA onde ia estar o seu conterrâneo e companheiro Taveira Martins

incumbiu-me de ser portador e orador de uma mensagem para ser lida durante o almoço que seria a seguir à referida reunião.

E assim o fiz como poderão ver através desta sequência de imagens:



O Fernando e sua linda filha, a Marta, entregaram o documento que euli no dia 19 de Abril de 2008,dirigido ao Gen.Taveira Martins,dia do 57ºaniversário,por sinal.



A humildade daquele simples funcionário do Porto Americano,na Terceira,transcrita um pedaço de papel,não deixou insensível o seu destinatário,Gen.Taveira Martins,que não conseguiu conter as lágrimas conforme o manuscrito ia sendo lido.



A emoção não só afectou o destinatário como toda a Assembleia,tendo o seu momento alto quando foi entregue,num pergaminho,devidamente emoldurada,a mensagem acabada de ler e cujo remetente era o Fernando.



De imediato este homem a quem o estrelato de General não tirou as virtudes humanas que adquirir na sua infância,trajando uma parca da AEFA que o Núcleo de Coimbra lhe ofereceu,foi colocado a falar ao telefone com o Fernando que estava do outro lado do Mar,Açores.

Companheiros,o evento não foi agendado para isto,mas a Força Aérea é,felizmente,a culpada.

Foram momentos que já mais ponderam ser esquecidos,embora paira-se a mágoa dos conterrâneos não estarem juntos.





10 de Junho de 2008,Festividades do dia de Portugal,Belém,o Fernando que se deslocou directamente dos Açores para ser portador de um fraterno abraço para TODOS os Especialistas por ocasião do 32ºEncontro Nacional,finalmente e depois de tantos e tantos anos,abraça o seu conterrâneo e amigo de infância ,o Taveira!






OS ASAS DE PORTUGAL EM EXIBIÇÃO PARA OS ESPECIALISTAS.

260-Joaquim Maurício
Melec./Inst./Aviões Moçambique
Vila do Bispo Algarve


Barata, boa noite.
Espero não estar a dar muito trabalho com as fotos, reduzi-as a um mínimo aceitável, bom trabalho.
Exibição dos Asas de Portugal, durante o 32º encontro da AEFA no dia 07/06/08, na BA2 Ota. Espectáculo a que nunca faltava sempre que a oportunidade se apresentava era assistir aos mo tares rodopiarem dentro do chamado “poço da morte”, ou “esfera da morte”, sentia uma enorme admiração por aqueles homens e mulheres.
Admiração idêntica senti no dia 7/6/08, na placa da BA2 durante a exibição aérea dos Alpha- Jet. Salvo as devidas distâncias, as leis da física regulam e explicam, os desenhos acrobáticos, tanto na questão das motos como nas aeronaves, o que não explicam é a relação homem/máquina, ou se é, ou não se é, ou se tem, ou não se tem, não existe meio termo. Ia esperançado e preparado para o evento, registei-o em fotos, que partilhe convosco com todo o gosto.






















VB.Excelente trabalho,Maurício.
Que belas imagens nos proporcionas-te,a qualidade de imagem,simplesmente exemplar!
Desconhecia estes teus dotes,mas também te vi bem equipado,sempre ouvi dizer que:
"sem sangue não se consegue fazer morcelas"
Obrigado por nos teres recreado com estas tuas fotos.

Victor Barata










AINDA O ENCONTRO DE NEGAGE.

259-Arlindo Pereira (Piriscas)

2ºSargºMMA Tete
Lisboa



Companheiro Arlindo,
Antes de mais quero pedir-te desculpas de não ter publicado ainda esta fotos que já me enviaste à algum tempo,mas o tempo tem sido pouco.
Já agora tens que dizer a estes companheiros que estamos à espera da entrada deles na Tertúlia.






Foto 1 -Da Esqª/Dirª,Esposa do Piriscas,Esposa do José Pereira,José Pereira e Farias (Buraquinho).

Foto 2 -Francisco Pousadas



Foto 3 - Da Esqª/Dirª.José Pereira,Farias,Francisco Pousadas



Foto 4 - Eu,Arlindo Pereira




F 86 - SABRE.


258-Augusto Ferreira

Melec Av/Inst 3ª/69 Tete
Coimbra




Amigo Barata,

a mensagem nº245 de 9 de Junho, do nosso amigo Hugo Carmona, trouxe-me de novo à linha da frente, não porque tivesse alguma da informação solicitada pelo Hugo, que lamento, mas porque me trouxe á memória o tempo em que passei pela BA5 de Monte Real, na altura em que ainda operavam os F86, ao serviço da NATO.E como ele admira estes aviões, lembrei-me de te enviar para o blog ( que ele visita ), uma foto da placa de aviões, daquele ano de 1972 comigo ao meio, com os Fiats G91 do lado esquerdo e os célebres F86 Sabre, do lado direito.



Foto comigo, mais o Aurélio Cruz e outro companheiro de me não lembro do nome, junto a um destes aviões, que faziam parte do nosso trabalho de manutenção.










Durante a nossa permanência na BA5, tirámos o MTU do Fiat G91, que provocou a minha mobilização para Moçambique –Tete, aonde fui substituir o 1º Sarg. Melec Barata, de quem nunca mais tive notícias.
Curiosamente quando lá cheguei, acabei por integrar a Esq. 701 "MOSCARDOS" dos aviões convencionais, sem nunca ter passado pela 702 "ESCORPIÕES".
Vou abandonar a linha da frente, que já são horas, para dar entrada ao próximo Zé.
Um grande abraço para ti e todos os Zés Especiais desta Linha da Frente, que cada vez mantêm esta chama mais viva.


Até breve

Augusto Ferreira




O MAIS NOVO TERTULIANO.

257-Sousa Silva
Ex-Esp.MMA BA 4,BA6
Sobreda



Olá Victor Barata,

Vou então tentar cumprir o primeiro requisito e passar ao tratamento por TU. Obrigado por me permitires partilhar deste espaço.


O local é o mesmo 29 anos depois, embora o calçado seja mais leve e o bigode tenha ficado após uma aposta na 1ª missão com os FIAT à BA4



Envio fotografia militar com os meus companheiros do 1º Pelotão 2ª Esquadrilha da 2ª de 1979, a tal da praxe nas escadas do grupo de pessoal (eu estou na 1ª fila e sou o 4º a contar da esquerda, ao lado do 2º Sargento Margaça)



Saí da FAP em 1982 e entrei na IBM onde estive durante 14 anos e que foi outra grande escola, profissional e humana ou não se desse o caso de que muitos dos elementos do departamento técnico (nessa altura) terem sido também Especialistas. Este ano tentei motivar alguns para marcarem presença no encontro anual, mas, não fui bem sucedido. Falei por exemplo com o meu instrutor quando entrei na IBM, actualmente reformado e que entrou na FAP em 1957. No encontro da AEFA vou encontrando o Reis que vem do Porto e também é de 1957 ou 58. Depois da IBM, onde desempenhei funções de técnico, primeiro de HW nas máquinas de escrever (há que começar pelo princípio), passando pelo início dos computadores pessoais e depois de SW nos grandes sistemas, entrei para a CA onde me encontro actualmente há 12 anos. A CA é também uma multinacional americana da área das tecnologias de informação, mas apenas em SW, onde tenho desempenhado as funções de gestor de projectos nos últimos 10 anos, umas vezes acumulando com a gestão do departamento de serviços profissionais da CA Portugal, dependendo da organização em cada ano, com maior presença da organização espanhola ou menos (umas vezes ibéria outras nem tanto).Embora seja lisboeta e aí tenha vivido até casar, actualmente vivo na margem Sul do Tejo (posso assegurar que de "deserto" não tem nada). Como anteriormente referi, este meu interesse e prazer na leitura do blogue não vem do facto de ter passado pelos mesmos locais e acontecimentos que estão na sua génese, mas apenas pela admiração por quem o fez. Por exemplo de me lembrar bem de pensar, enquanto bastante jovem, que um dia seria a minha vez quando fui esperar o meu primo Víctor Condeço (BART 1913 e membro da tertúlia Luís Graça & Camaradas da Guiné) ao cais de Alcântara no seu regresso da Guiné. Adicionalmente, tenho por vezes a oportunidade de ouvir algumas passagens de missões a bordo de lanchas da Marinha pelos rios da Guiné, por um tio da minha esposa que aí cumpriu o serviço militar e que, apesar de já estar reformado, parece que finalmente lá consegue ir falando do tema.
Até breve.
Um abraço,
João Carlos Silva
VB: Bom Dia,João.
Não tens nada que agradecer a tua entrada na Tertúlia,pois como membro da grande família FAP , uma das "obrigações"que temos como homens,é integrar este espaço onde se pretende congregar todos aqueles que souberam e sabem honrar as ASAS que ostentamos no nosso fardamento.
Agora que foste "largado"esperamos que faças muitas horas de voo neste espaço aéreo

sexta-feira, 13 de junho de 2008

RECORDAR AB 7 TETE.

256-Luís Santos
Enfermeiro FAP Tete
Cacém




AB7 - È Recordar a saudade muito sentida de todos os camaradas que por ali passaram, e fizeram do AB7 a base mais operacional a Norte de Moçambique onde chegavam militares em transito, para Cabo Delgado Lago Niassa, Nacala, etc.era também ponto de chegada de voos civis da DETA.



Recordar os momentos bons que tínhamos nas horas de lazer, tínhamos um agrupamento musical os Skimasters, mais tarde o Quarteto+1, cujos seus elementos, se compunham: Alberto Eiras, César Avilez, Quedas, e havia mais 2 elementos que não me recordo. Recordo-os com muita saudade, do fado que nos ajudavam a passar o tempo, a piscina para nos refrescarmos, o bar de especialistas, onde confraternizávamos, e petiscávamos, enfim era uma grande família.
Recordar, o monte do Carraço, que ficava em linha recta da Base a cerca de 1km, no enfiamento da pista, onde íamos comer um bom frango á cafrial, e beber umas lLaurentinas, ou Manicas bem frescas, que ajudavam a matar as saudades das nossas famílias e namoradas que por cá ficavam, á espera que um dia regressássemos sãos e salvos de qualquer percalço.
Recordar, a a travessia do Zambeze, feita por pequenos barcos, e batelões para transporte de viaturas que nos transportavam do Matundo para a outra Margem que era a cidade de TETE. uma vez que na época não havia a ponte, só em 1972, é que se começou a construir.
Recordar a Cidade de TETE, muito pequena, e com um aspecto seco, devido á rigidez do seu clima, com amplitudes térmicas, na ordem dos 44 graus, e noites, também muito quentes, mas sempre dava para irmos ao cinema, comer uns petiscos etc.
Recordar momentos difíceis em 1971 e 1972, dos camaradas que perderam a vida ao serviço da pátria, nessa altura 10 baixas, uma mina anti-carro, perto do rádio farol, e aeronaves que caíram, e uma abatida em combate, em que morreu o Furriel Pil AV. Mesquita, estava a voar em parelha com o Salbany, que é actualmente Comandante da TAP.
Valeu a pena ter passado por aquelas paragens, onde fiz muitas amizades e amigos, que agora estão dispersos no tempo e espaço.


AB 7 - Tete em 1972 para que todos que por lá passaram recordem.



AB 7 Tete em 2009



Junto te envio uma imagem recente do que é o AB7, na realidade, é triste, que assim aconteça. Ao menos poderiam preservar, o que ficou de instalações, e aproveita-las, para o que melhor lhes conviesse, ou até, ficando, como, edifícios históricos, do que foi a passagem dos Portugueses, por as suas terras, uma vez, que as infraestruturas, que ficaram, eram boas.
Assim os naturais daquele pais, não quis, é uma perda para eles e para a sua história recente.
Um abraço,
Luís Santos

quinta-feira, 12 de junho de 2008

O PILOTO GIL.




255-Arnaldo Sousa
Ex-Esp.MMA Guiné
Lisboa








«FUI FEITO PRISIONEIRO NA GUERRA DO BIAFRA»
Piloto de combate em Angola, Gil Pinto de Sousa estava convencido de ser o melhor aviador do mundo quando a Força Aérea o desmobilizou. Sedento de aventuras, apanhou boleia num avião de mercenários com ligações a Bob Denard e acabou por ir dar ao Biafra. Esteve lá em duas ocasiões diferentes – e à segunda foi obrigado a ejectar-se em território inimigo. Ficou preso cinco anos em Lagos. A guerra na Nigéria, primeiro grande conflito civil pós-independências africanas, fez dois milhões de mortos entre 1967 e 1970.
Nome: Gil Pinto de Sousa. Idade: 62 anos. Naturalidade: Peso da Régua. Profissão: piloto-aviador.
Gil Pinto de Sousa aos comandos do último avião em que se especializou, antes da aposentação: um Dornier da SATA (foto: Rodrigo Bento) Gil Pinto de Sousa não pode esquecer aquela madrugada de 2 de Novembro de 1969. Mesmo que o quisesse. O seu T-6, o avião que conhecia por dentro e por fora desde que se fizera piloto da Força Aérea e rumara a Angola para defender uma vaga ideia de «império», simplesmente desistiu. Perante condições atmosféricas extremas, deixou-o com um motor, uma bússola magnética – e mais nada. E, então, Pinto de Sousa teve de ejectar-se. «Nem foi bem uma ejecção. Basicamente, subi para o assento, de pára-quedas às costas, e deixei-me cair pelo vão entre a asa e o leme», conta. Resultado: passou cinco anos preso em Lagos. Foi o único prisioneiro estrangeiro da Guerra do Biafra, o primeiro grande conflito africano pós-colonial, com dois milhões de mortos em menos de três anos. Nascido em Peso da Régua, filho de mãe angolana, Gil Pinto de Sousa recebeu, como tantos outros da sua geração, o Ultramar como destino. Combatente por combatente, tornou-se piloto-aviador, seguindo o exemplo dos ídolos de infância, Pierre Clostermann e Antoine de Saint Exupéry. Mobilizado para Angola, julgava-se o melhor piloto do mundo quando o contrato com a Força Aérea cessou. «Tinham-nos dito que éramos uns tipos excepcionais e, de repente, víamo-nos apeados. E alguns de nós foram à procura de acção noutros lados», conta. É assim que se proporciona a sua primeira estada no Biafra. A viagem é feita à boleia de um Skymaster ligado a Bob Denard, mercenário francês, e inclui uma largada de munições sobre as forças rebeldes do Congo, cercadas em Bukavu, e uma perseguição feita por T-28 congoleses. Chegado a Enugu, então ainda na posse das forças secessionistas da Nigéria Oriental, Pinto de Sousa confronta-se primeiro com dificuldades logísticas. «Não havia aviões para mim. Eu era especialista em T-6, mais nada», recorda. Mas o próprio conflito biafrense vem a revelar-se um universo estranho.
«Dois exércitos mal armados, com roupas civis, viajando em carros particulares... Uma guerra de brincar, mas que fazia centenas de milhar de mortos», recorda.
Os aviões eram aparelhos recuperados a outros conflitos: bombardeiros B-25 do tempo da II Guerra Mundial ou Fokker Friendship, de transporte, armados com engenhos explosivos instalados em extintores vazios, depois empurrados à mão pelas portas dos aviões. «Mais tarde, o exército federalista haveria de ter vários MIG 15 e 21, bem como bombardeiros Il’yushin. Naquela altura, contudo, era assim dos dois lados», explica. Um dos Fokker veio a rebentar no ar, e então Gil Pinto de Sousa teve sorte. «Convidaram-me a ir bombardear Lagos como co-piloto. Mas havia todas as noites uma festa no apartamento de um de nós e, naquela noite, era no meu. Não fui», recorda. Pinto de Sousa volta então a Portugal, três meses depois, para concorrer a piloto da TAP. Recusado por suposta «psicose de guerra», vai primeiro trabalhar como piloto de mondas químicas no Alentejo. Está já na Guiné-Bissau, como comandante dos Transportes Aéreos da Guiné Portuguesa, quando o chamam de Lisboa. «Disseram-me: “Temos em Tires uns T-6 abatidos da Guerra da Argélia para mandar para o Biafra. Alinhas?” E eu alinhei.» E então começa a sua segunda aventura africana – aquela que não pode nunca esquecer. Ao todo, eram cinco os pilotos destinados ao Biafra: Artur Alves Pereira, José Peralta, Armando Cró, José Manuel Pignatelli e ele próprio. A posição de Portugal quanto ao conflito na Nigéria era uma extensão da delicada política de equilíbrios gerida por Salazar desde a II Guerra Mundial: Lisboa estava tacitamente ao lado do Biafra, a quem fornecia bens alimentares em troca de sal e petróleo, mas vendia armamento a Lagos, em especial espingardas Mauser. Estes homens, porém, não agiam em nome de Portugal – agiam em nome próprio e no da sua sede de aventuras. Cró desiste antes de partir para Abidjan, a base aliada onde os T-6 deviam fazer escala, e Peralta não chega a deixar a Costa do Marfim. Pignatelli, Alves Pereira e Pinto de Sousa, pelo contrário, partem para o Biafra a 1 de Novembro de 1969, em direcção a Uli-Ihala, no centro da faixa de 100X50 km a que as forças de Lagos já haviam reduzido o território rebelde. Só os dois primeiros, contudo, levariam a viagem até ao fim. «Eu fui o último a arrancar – e perdi-me. Não tinha instrumentos e não consegui encontrar a pista. Ainda fiz alguns quadrados de reconhecimento, mas nada», conta. É então que, sem combustível, abandona o avião. «Nunca tinha saltado na vida e sabia que podia cair em território inimigo. Senti muito medo», conta. À procura da orla da mata, preocupado em ir ao avião «destruir alguns documentos importantes», é descoberto por uma mulher que começa aos gritos.
«Vieram os aldeões e eu disse-lhes que era um piloto brasileiro que ia para Libreville. Mas não tive hipóteses. Prenderam-me.»
Preso em Lagos, Pinto de Sousa passou cinco anos quase sem contactos com o exterior. Garante que não foi maltratado na prisão, mas prefere nem falar nos interrogatórios. «O pior era não saber de nada. Estar cinco anos sem ser julgado, a ver as listas de amnistiados e sem nunca encontrar o meu nome… Foi duro.» Escrever à família era um equívoco. «Davam-me aerogramas e eu escrevia em inglês, para eles verem que não estava a divulgar informações. Mas os meus pais só receberam a primeira carta um ano e meio depois. Sabiam que tinha caído – mais nada.» Da parte do Estado português, apenas o general Diogo Neto e o embaixador Borges Coutinho, sediado em Londres, auscultaram as autoridades de Lagos para a sua libertação. E o regresso a Lisboa apenas aconteceria depois do 25 de Abril, na sequência de uma intervenção de Mário Soares numa conferência para a independência da Guiné-Bissau, realizada em Argel. O Biafra, chefiado pelo coronel Chukwemeka Ojukwo, viria a claudicar perante as forças do general Yakubu Gowen em Janeiro de 1970, sendo reintegrado na República da Nigéria. Os últimos meses da guerra concentraram as atenções do planeta: com dois milhões de mortos já contabilizados, as igrejas cristãs dispersas pela Nigéria Oriental haveriam de coordenar uma ponte aérea em direcção a São Tomé, onde mulheres e crianças desembarcando de aviões apinhados viriam a despertar a solicitude dos fotógrafos de todo o Mundo. «Se tivesse aterrado em Uli, ia ganhar 500 dólares por mês. Mas nunca fui um mercenário», garante Pinto de Sousa. E nem o facto de ter primeiro combatido ao lado do imperialismo português, e logo a seguir junto às forças anti-imperialistas do Biafra, o faz reconsiderar.
«Quando fui para Angola, ia defender a Pátria. Era o que me haviam dito. Já quando fui para o Biafra, sabia que se tratava de uma guerra em defesa dos ibos, a minoria católica, alvo das mais variadas injustiças por parte dos maometanos do Norte. Não teria nunca combatido pelo outro lado. Portanto, não fui um mercenário.»
Gil Pinto de Sousa junto ao T-6 com que combateu em Angola e, mais tarde, na Guerra do Biafra, em defesa dos ibos (foto: D. R.)
SAUDADES DE FUMAR
Gil Pinto de Sousa sabe que teria feito uma carreira mais bem-sucedida na aviação se não tivesse voltado a África, para uma segunda experiência no Biafra. «As oportunidades passam…», suspira. Mesmo assim, não se arrepende. «Se fosse agora, não o fazia. Mas, arrepender, não me arrependo… Tinha a meu favor a juventude e, embora os resultados sejam melhores quando há mais experiência, é preciso fazer na vida algumas das coisas que a juventude impõe.» Reformado da SATA, depois das mais variadas experiências na aviação comercial e privada, incluindo transportes na construção civil e na distribuição de bens alimentares em Portugal ou no estrangeiro, Pinto de Sousa entrega-se hoje a uma rotina tranquila, feita de passeios a pé por Leça da Palmeira, onde vive, e de visitas ao Estádio do Dragão, no Porto, para ver os jogos de futebol. «Tenho sobretudo saudades do tabaco», diz. «Fumava quatro maços por dia e, quando me foi diagnosticada doença obstrutiva crónica, tive de parar. Isto foi há dez anos. E o cigarro era um companheiro extraordinário…» (Correio da Manhã, 26 de Fevereiro de 2006)




OBRIGADO FORÇA AÉREA PORTUGUESA.


254-Fernando Castelo Branco
Ex-1ºSar.Mil. MMT Tete
Praia da Vitória - Açores
BASE DA OTA
Desde 26 de Março de 1940
Centro de Formação Militar e Técnica da Força Aérea (CFMTFA)
32º Encontro da Associação de Especialistas da Força Aérea
07 DE JUNHO DE 2008


Quero aproveitar a oportunidade de ao fim de 28 anos regressar á “Base Mãe” para um convívio de ESPECIALISTAS. Esta “Mãe” que nos acolheu e da qual me despedi para iniciar uma nova etapa numa linda Terra chamada Açores, aqueles que me acolheram e abraçaram como um filho.
Para mim foi sem sombra de dúvida a Mãe que colocou no Mundo uma “Vida”, pois por estes lados, conheci aquela que viria a ser a Mãe dos meus filhos, Esposa, Amiga e Companheira desta Jornada que é a Vida!
Quero agradecer a todos os que me incentivaram a estar presente neste evento que tanto me tem animado os Dias, o Pensamento e a Alma.
Ao Amigo que redescobri no Victor, o grande impulsionador, que através de um “Blog” mobiliza e tem a capacidade de recordar e reavivar histórias e amizades dispersas pelas Circunstâncias das Vidas.
Quero agradecer á BA4 e ao Comando da Zona Aérea dos Açores, na pessoa do Coronel Candeias pela disponibilidade e prontidão com que foi providenciado o meu transporte em avião militar, e a cedência de todas as insígnias para distribuir pela Classe.
Desde que aterrei em Lisboa no passado dia 3, tenho vivido momentos que jamais esquecerei, partilhado conversas que nunca sairão do meu pensamento, revivido histórias que nunca serão Passado por fazerem parte do meu Presente e recordado amigos e camaradas que aqui reencontrei!
O meu muito Obrigado!
Ficarei para todo o sempre grato a todos os que contribuíram para que estes dias se Perpetuem no meu Pensamento.

Fernando Borges Castelo Branco
07 de Junho de 2008
2º Recruta /1969
VB.Esta foi a mensagem que este nosso Companheiro nos trouxe, expressamente da Ilha Terceira-Açores, para ser lida no 32ºEncontro da AEFA,local de confraternização do colectivo ESPECIALISTA.

Bem-Hajas,Fernando!